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SVMMA DAEMONIACA

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Academic year: 2021

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(1)

 Svmma D

 Svmma D

�emoniaca 

�emoniaca 

TRATADO DE DEMONOLOGIA

TRATADO DE DEMONOLOGIA

E MANUAL DE EXORCISTAS

(2)

EDIÇÃO ESPECIAL em parceria com a Edições DLL

EDIÇÃO ESPECIAL em parceria com a Edições DLL

Rua Lopes Coutinho, 74 |

Rua Lopes Coutinho, 74 | Bairro Belenzinho | CEP 03054-010 | São Bairro Belenzinho | CEP 03054-010 | São Paulo, SPPaulo, SP

Tel.: +55 11 3322.0100

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Site: www.livrarialo

Site: www.livrarialoyola.com.br | yola.com.br | E-mail: [email protected]: [email protected]

E

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Rua Lopes Coutinho, 74 |

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 Svmma D

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�emoniaca 

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TRATADO DE DEMONOLOGIA

TRATADO DE DEMONOLOGIA

E MANUAL DE EXORCISTAS

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Todos os direitos odos os direitos desta edição reservados.desta edição reservados.

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 Júlio César Porfírio 

 Júlio César Porfírio 

R������ R������ Patrícia Santos  Patrícia Santos  R������ � R������ � D����������D����������

Equipe Palavra & Prece 

Equipe Palavra & Prece 

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 Ana Paula Bertolini 

 Ana Paula Bertolini 

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Claudio Braghini Júnior 

Claudio Braghini Júnior  Imagem:

Imagem: Istockphoto  Istockphoto 

Dados Internacionais de Catalogação na

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro,

(Câmara Brasileira do Livro, SPSP, Brasil), Brasil)

Índices para catálogo sistemático:

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1.

1. Demonologia Demonologia : : Teologia Teologia cristã cristã 235.4235.4

PALAVRA & PRECE EDITORA LTDA.

PALAVRA & PRECE EDITORA LTDA. Parque Domingos Luiz, 505, Jardim São Paulo, Cep

Parque Domingos Luiz, 505, Jardim São Paulo, Cep 02043-081, São Paulo, SP02043-081, São Paulo, SP

Tel./Fax: (11) 2978.7253

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E-mail: [email protected] /

E-mail: [email protected] / Site: Site: wwwwww.palavraeprece.com.br.palavraeprece.com.br

Fortea, José Antonio

Fortea, José Antonio

Summa d

Summa daemoníaca : aemoníaca : tratado tratado de demonde demonologia e ologia e manual de manual de exorcistas / exorcistas / José AJosé Antoniontonio

Fortea ; [tradução Ana Paula Bertolini].

Fortea ; [tradução Ana Paula Bertolini]. – São Paulo : Palavra & Prece, – São Paulo : Palavra & Prece, 2010.2010.

Título

Título original: original: Summa Summa daemoniaca daemoniaca : : tratado tratado de de demonología demonología e e manual manual de de exorcístasexorcístas

  Bibliografia

  Bibliografia

ISBN

ISBN 978-85-7763-1978-85-7763-166-766-7

1.

1. Demônio Demônio 2. 2. Demonologia Demonologia 3. 3. Exorcismo Exorcismo 4. 4. Possessão Possessão demoníaca demoníaca I. I. Título.Título.

10-09828 CDD-235.4

(6)

5 5

Índ�ce 

Índ�ce 

Introdução Introdução ...1313 TRATADO

TRATADO DE DE DEMONOLOGIA ...DEMONOLOGIA ...1515

P

PARTE ARTE I – I – Natureza Natureza demoníaca demoníaca ...1717

Questão

Questão 1 – 1 – O que O que é ué um dm demônio? emônio? ...1717

Questão 2

Questão 2 – Por que Deus impôs u– Por que Deus impôs uma prova aos espíma prova aos espíritos angélicritos angélicos? os? ...2424

Questão 3 – Por que Deus não retirou a liberdade daqueles que começaram a pecar? ...26

Questão 3 – Por que Deus não retirou a liberdade daqueles que começaram a pecar? ...26

Questão Questão 4 – Todos os demônios s4 – Todos os demônios são iguaão iguais?...is?...2626 Questão Questão 5 – 5 – Zoologia Zoologia e demonologie demonologia a ...2727 Questão Questão 6 – A6 – Astronomia stronomia e demonologia ...e demonologia ...2929 Questão 7 Questão 7 – Quai– Quais são os nomes dos s são os nomes dos demônios? ...demônios? ...3030 Questão Questão 8 – O te8 – O tempo eximpo existe parste para os demônios? ...a os demônios? ...3232 Questão Questão 9 – Em 9 – Em que pensa uque pensa um demônio?...m demônio?...3333 Questão Questão 10 – Qua10 – Qual a ll a linguainguagem dos gem dos demônios? demônios? ...3434 Questão Questão 11 – Onde 11 – Onde estão estão os demônos demônios? ios? ...3434 Questão Questão 12 – 12 – Conhecem Conhecem o fo futuro? ...uturo? ...3535 Questão Questão 13 – Um demônio po13 – Um demônio pode fazde fazer alger algum ato bom? .um ato bom? ...3535 Questão 14 – O demônio pode exp Questão 14 – O demônio pode experimentaerimentar algur algum prazer? ...m prazer? ...3636 Questão 15 – O Questão 15 – O demônio é livdemônio é livre para fare para fazer mais zer mais ou menos mal? ou menos mal? ...3636 Questão 16 – Quais são os mais ma Questão 16 – Quais são os mais malignos de todos os demônios?...lignos de todos os demônios?...3737 PARTE II PARTE II – A – A tentação tentação e o e o pecado ...pecado ...3939 Questão Questão 17 – 17 – Por que Por que pecapecamos? mos? ...3939 Questão 18 – Quantas tentações procedem do demônio? ...40

Questão 18 – Quantas tentações procedem do demônio? ...40

Questão 19 – Podemos ser tentados além de nossas possibilidades? ...40

Questão 19 – Podemos ser tentados além de nossas possibilidades? ...40

Questão Questão 20 – 20 – Por que o Por que o diabo diabo tentou Jesus? tentou Jesus? ...4141 Questão Questão 21 – O demônio 21 – O demônio sabe que Deusabe que Deus é imps é impecável? ecável? ...4242 Questão 22 – É possível distinguir as tentações que procedem de nós mesmos Questão 22 – É possível distinguir as tentações que procedem de nós mesmos das das tentações tentações do do demônio? ...demônio? ...4343 Questão Questão 23 – O 23 – O que fazer que fazer diadiante da tentante da tentação? ção? ...4...444 Questão 24 – O demônio pode ter alguma tática para nos tentar? ...45

Questão 24 – O demônio pode ter alguma tática para nos tentar? ...45

Questão Questão 25 – 25 – Deus poDeus pode tentade tentar?...r?...4646 Questão Questão 26 – Por que Deu26 – Por que Deus perms permite a tentaçite a tentação? ....ão? ...4747 Questão Questão 27 – 27 – O que O que é a é a morte emorte eterna? terna? ...4848 Questão 28 – Qual é o processo que leva à morte eterna? ...48

(7)

P

PARTE IIARTE III – A I – A ação do ação do demônio no demônio no homem e na homem e na natureza natureza ...5151

Questão 29 – Que diferença existe entre natura

Questão 29 – Que diferença existe entre natural, preternatural, preternatural e sobrl e sobrenaturaenatural? l? ...5151

Questão 30 – Os demônios aumenta

Questão 30 – Os demônios aumentam seu castigo pelo mal que causam seu castigo pelo mal que causam aos homens? m aos homens? ...5252

Questão 31 – É poss

Questão 31 – É possível fazer uível fazer um pacto com o demônm pacto com o demônio? .io? ...5252

Questão 32 – O demônio pode provocar uma enfermidade mental? ...54

Questão 32 – O demônio pode provocar uma enfermidade mental? ...54

Questão

Questão 33 – O demôn33 – O demônio pode provocaio pode provocar doenças r doenças no corpo? no corpo? ...5555

Questão 34 – Como dist

Questão 34 – Como distinguir se uinguir se uma visão é uma visão é um problem problema demoníaco ou psiqma demoníaco ou psiquiátrico? ...uiátrico? ...5656

Questão

Questão 35 – Os d35 – Os demônios podem emônios podem causacausar pesadelos? r pesadelos? ...5757

Questão 36 – Os d

Questão 36 – Os demônios podem ler nossos penemônios podem ler nossos pensamentos? ...samentos? ...5757

Questão 37 – Podem provocar cat

Questão 37 – Podem provocar catástrofes ou acidentes? ...ástrofes ou acidentes? ...5858

Questão 38 – O demônio pode fazer mi

Questão 38 – O demônio pode fazer milagres? lagres? ...5959

Questão 39 – Como sabemos que algo é causado pelo demônio?

Questão 39 – Como sabemos que algo é causado pelo demônio? ...6...600

Questão 40 – O demônio pode causa

Questão 40 – O demônio pode causar má sorte? r má sorte? ...6262

Questão

Questão 41 – 41 – O que O que é o é o malefmalefício? ício? ...6363

Questão 4

Questão 42 – O malef2 – O malefício tem eficácício tem eficácia? ia? ...6363

Questão 43 – O que fazer em caso de malef

Questão 43 – O que fazer em caso de malefício? ício? ...6464

Questão

Questão 44 44 – O – O que é que é o feitiço? ...o feitiço? ...6565

Questão 45 – O modo de fazer um malefício ou um feitiço é importante? ...66

Questão 45 – O modo de fazer um malefício ou um feitiço é importante? ...66

Anexo

Anexo à à questão questão 45...45...6767

Questão 46 – Qual é a diferença entre magia branca e magia negra? ...68

Questão 46 – Qual é a diferença entre magia branca e magia negra? ...68

Questão 47 – Os magos adivinh

Questão 47 – Os magos adivinham o futuro pela intervenção do demônio? ...am o futuro pela intervenção do demônio? ...6969

Questão 48 – O

Questão 48 – O demônio intervédemônio intervém no horóscopom no horóscopo, tarô e outras formas de ad, tarô e outras formas de adivinhar o ivinhar o futuro? futuro? ..6969

Questão 49 – Um

Questão 49 – Um demônio pode causar fademônio pode causar falsas vislsas visões em um místico? ...ões em um místico? ...7070

Questão 50 – Pode c

Questão 50 – Pode causar estausar estigmas? igmas? ...7272

Questão 51 – Qual a fo

Questão 51 – Qual a forma que os demônios têm rma que os demônios têm quando aparecem para os homens? quando aparecem para os homens? ...7373

Questão 52 – É o d

Questão 52 – É o demônio quem provoca a noite do espíemônio quem provoca a noite do espírito? ...rito? ...7474

Parte

Parte IV IV – Q– Questões uestões teológicas ...teológicas ...7777

Questão 53 – Deu

Questão 53 – Deus odeia os des odeia os demônios? mônios? ...7777

Questão 54 – Os demônios podem unir-se e concentrar os seus esforços

Questão 54 – Os demônios podem unir-se e concentrar os seus esforços

para inf

para influenciar uma sociedadluenciar uma sociedade? e? ...7878

Questão 55 – Por

Questão 55 – Por que Satanás não se manifesque Satanás não se manifesta aos homens mostrando todo o seu ta aos homens mostrando todo o seu poder? poder? ...7979

Questão 56 – Dentro da Igreja, a quem ele mais odeia? ...80

Questão 56 – Dentro da Igreja, a quem ele mais odeia? ...80

Questão 57 – Quando Jesus viveu na Terra como Homem, o demônio sabia que

Questão 57 – Quando Jesus viveu na Terra como Homem, o demônio sabia que

Ele era

Ele era o Messo Messias? ias? ...8181

Questão 5

Questão 58 – Jesus sof8 – Jesus sofreu a tentação? reu a tentação? ...8282

Questão 59 – Qual foi a

Questão 59 – Qual foi a criatura mais magnícriatura mais magnífica criada por Deus, a fica criada por Deus, a Virgem ou LúcifVirgem ou Lúcifer?er?...84...84

Questão 6

Questão 60 – Por que a água b0 – Por que a água benta atormenta o demônio? enta atormenta o demônio? ...8585

Questão 61 – Que outros objetos atormentam os demônios?

Questão 61 – Que outros objetos atormentam os demônios? ...8686

Questão 62 –

Questão 62 – Qual é Qual é o demônio merido demônio meridiano? ...iano? ...8787

Questão 63 – Como os a

Questão 63 – Como os anjos ocupam o seu tempo? njos ocupam o seu tempo? ...8888

Questão 6

(8)

Índice 7

Questão 65 – É certo pintar o demônio com chifres e corpo de um homem? ...90

Questão 66 – Por que há água benta na entrada da Igreja? ...90

Questão 67 – O demônio é um mero símbolo do mal ou ele realmente existe? ... 91

Nota a essa questão...92

Parte V – Perguntas bíblicas ... 93

Questão 68 – Qual é a diferença entre o temor a Deus e ao demônio? ... 93

Questão 69 – Que ordem seguem as três tentações que Jesus sofreu no deserto? ... 95

Questão 70 – O que são os mil anos em que o demônio ficará preso? ...97

Questão 71 – Que significado teria o envio dos bodes para Azazel no Livro de Levítico? ... 98

Questão 72 – Por que a Sagrada Escritura diz que os demônios estão nas regiões do ar? ... 99

Questão 73 – Por que na Bíblia Deus chama o demônio de “ o príncipe desse mundo”? ...99

Questão 74 – Por que o demônio Asmodeu fugiu após Tobias queimar o coração e o fígado do peixe? ... 100

Questão 75 – Há algum significado nesse coração e no fígado do peixe de Tobias? ... 101

Questão 76 – O que quer dizer São Paulo ao afirmar que Cristo levou os demônios em Seu cortejo triunfal? ... 102

Questão 77 – Por que o demônio é chamado de acusador? ... 103

Questão 78 – Deus e o demônio falam entre si? ...104

Questão 79 – É permitido insultar os demônios? ... 104

Questão 80 – Por que o Apóstolo Tiago diz que os demônios creem em Deus? ...106

Questão 81 – Os acontecimentos no Livro de Jó são históricos? ... 107

Questão 82 – Por que se diz que Leviatã tem muitas cabeças? ... 108

Questão 83 – Por que Satanás aparece com mais frequência no Novo Testamento do que no Antigo? ... 109

Questão 84 – O Anticristo é o diabo? ... 109

Questão 85 – Satanás pode ter um filho? ... 110

Questão 86 – Existe uma paternidade espiritual do demônio? ... 111

Questão 87 – A Besta do Apocalipse é o demônio? ... 111

Questão 88 – O que signif ica o 666? ... 111

Parte VI – O Inferno ... 113

Questão 89 – Quantos demônios se condenaram? ... 113

Questão 90 – Por que Deus não aniquila o demônio? ... 114

Questão 91 – Será que os demônios prefeririam deixar de existir? ... 116

Questão 92 – A pior condenação é a dos demônios ou a dos homens? ... 116

Questão 93 – Por que o Inferno deve ser eterno? ... 117

Questão 94 – Deus pode perdoar os demônios? ... 118

Questão 95 – Que punições há no Inferno? ... 119

Parte VII – Apêndices ... 121

Apêndice 1 ... 123

Apêndice 2 ... 133

(9)

MANUAL DO EXORCISTA ...143

Capítulo I – A possessão ... 145

Questão 96 – O que é a possessão? ... 145

Questão 97 – Quais são as características essenciais para se diagnosticar uma possessão? ... 145

Questão 98 – Considerações da psiquiatria ... 147

Questão 99 – O demônio também tem a alma do possuído? ... 152

Questão 100 – Qual é a forma mais prática de saber se alguém está possuído? ... 152

Questão 101 – Que truques o demônio pode usar para esconder a sua presença no possuído? 153 Questão 102 – Quais são os demônios ocultos? ...154

Questão 103 – Que frase deve ser dita para saber se alguém está possuído? ... 157

Questão 104 – Quais são as causas da possessão? ... 158

Questão 105 – Por que o demônio age por possessão? ...159

Questão 106 – Por que Deus permite que haja possessões? ... 160

Questão 107 – Qual é a diferença entre a dupla personalidade e a possessão? ... 161

Questão 108 – Que fenômenos extraordinários se dão na possessão? ... 161

Questão 109 – No Evangelho, a possessão não poderia ser uma mera simbologia da libertação do mal? ... 162

Questão 110 – Houve possessões na época do Antigo Testamento? ... 162

Questão 111 – Por que hoje há menos casos de possessão do que na época do Evangelho? ... 163

Questão 112 – Quais são os tipos de demônios que aparecem nas possessões? ...164

Questão 113 – O que acontece se um possuído morre antes do demônio ter saído? ...164

Questão 114 – As almas dos condenados podem possuir? ... 165

Questão 115 – Um possesso pode se matar? ... 165

Questão 116 – Um possesso pode matar? ... 166

Questão 117 – Os assassinos seriais que cometem crimes hediondos são possuídos? ...166

Capítulo II – O exorcismo e o exorcista ... 169

Questão 118 – O que é o exorcismo? ... 169

Questão 119 – Qual é a maneira ideal de organizar o ministério do exorcista? ... 171

Questão 120 – É obrigatório um relatório psiquiátrico para se proceder o exorcismo? ... 173

Questão 121 – Por que é necessária a permissão do bispo para exorcizar? ... 174

Questão 122 – Qual era a ordem menor do exorcistado? ... 175

Questão 123 – O que fazer em caso de ausência absoluta de exorcista? ... 175

Questão 124 – Um não católico pode ser exorcizado? ... 178

Questão 125 – Os animais podem ser infectados? ... 178

Questão 126 – É verdade que o demônio se vinga dos exorcistas? ... 179

Questão 127 – É verdade que durante o exorcismo o possesso pode revelar os pecados dos presentes? ... 183

Questão 128 – Quem pode ser um exorcista? ... 183

Questão 129 – Existe exorcismos fora da Igreja Católica? ...184

Questão 130 – Já existia o exorcismo antes de Cristo? ... 185

(10)

Índice 9

Questão 132 – É preferível continuar até o fim em uma sessão ou ter várias sessões? ...186

Questão 133 – Dicas para exorcismo... 187

Questão 134 – Como você sabe quando o demônio é o último? ...190

Questão 135 – Pode ser repossuída a pessoa que tenha sido exorcizada? ... 190

Questão 136 – O que acontece se os demônios não saem por meio do exorcismo? ... 191

Questão 137 – O que faz um demônio deixar um corpo em um exorcismo? ...192

Questão 138 – O que é mais importante: a confissão ou o exorcismo? ... 193

Questão 139 – Glossário ... 193

Capítulo III – Fenomenologia demoníaca ... 197

Questão 140 – Qual é a fenomenologia demoníaca? ...197

Questão 141 – O que é a influência externa? ...200

Questão 142 – O que é a inf luência interna? ...200

Questão 143 – Qual é a diferença entre a influência interna e externa? ...202

Questão 144 – O que é a oração de libertação? ...203

Questão 145 – Como fazer uma oração de libertação? ...205

Questão 146 – O que é a infestação? ...209

Questão 147 – Os fantasmas existem? ... 210

Questão 148 – O que é o mandatum? ... 210

Questão 149 – Quais são os demônios íncubos e súcubos? ... 211

Capítulo IV – Casos ... 213 Caso 1 ... 214 Caso 2 ... 215 Caso 3 ...225 Caso 4 ... 235 Caso 5 ...240 Caso 6 ...243 Capítulo V – Suplementos ...245

Suplemento I – Casos especiais de possessão ... 247

Suplemento II – Legislação canônica ... 251

Suplemento III – História do exorcismo no cristianismo ...253

Suplemento IV – A medalha de São Bento ...257

Suplemento V - Escala SD de graus de possessão e influência ...259

O MAL ...263

Prefácio ...265

Seção I – Questões sobre o mal ...267

Questão 150 – O que é o mal? ...267

Questão 151 – Existe o mal? ...267

Questão 152 – Quais são os tipos de mal? ...270

Questão 153 – Mal é um conceito religioso? ...271

(11)

Questão 155 – Existe o mal infinito? ...272

Questão 156 – Será que Deus está acima do bem e do mal? ...273

Questão 157 – Qual é o maior mal? ...273

Questão 158 – O pecado é um conceito religioso? ... 273

Questão 159 – Existe um ma l imperdoável? ... 274

Questão 160 – Como sabemos que há condenação eterna? ...275

Questão 161 – Quem são aqueles que apenas querem condenar? ... 276

Questão 162 – Um pequeno pecado pode condenar? ... 276

Questão 163 – Onde está a linha divisória entre o mal extremo e a loucura? ...277

Questão 164 – Deus sonda o abismo? ... 278

Seção II – Estética do mal ... 281

Seção III – O mal no cristianismo ...293

Seção IV – O Terceiro Reich e o mal ... 295

Seção V – A cidade de Deus e a cidade do homem ... 301

Seção VI – Doença psiquiátrica e cristianismo ...305

Seção VII – Questões ... 315

Questão 165 – Um homem condenado no Inferno ainda pode amar sua mãe? ... 315

Questão 166 – Você tem uma mãe no Céu, vendo seu filho sofrer a condenação eterna? ... 316

Questão 167 – O que significa “desceu ao Inferno?” ... 316

Questão 168 – Quais foram as moradas do Inferno em que Jesus desceu depois da morte? ... 318

Questão 169 – Como se proteger dos ataques do demônio? ... 318

Questão 170 – Será que Judas Isca riotes foi condenado? ...320

Questão 171 – Por que os demônios usam os sentidos físicos quando estão em alguém? ... 321

Questão 172 – O demônio odeia os judeus? ...322

Questão 173 – Será que não há perigo de orgulho para o exorcista? ...324

Questão 174 – Algum dia haverá um número suficiente de exorcistas? ... 325

Questão 175 – E se um bispo se opõe a esse ministério? ...326

Questão 176 – Deus não poderia conceder anistia para os condenados ao Inferno como um mero ato de graça? ... 327

Questão 177 – Deus não poderia impedir a existência desses condenados por um ato de misericórdia divina? ...328

Questão 178 – Ao arrepender-se, o demônio seria perdoado? ... 329

Questão 179 – Toda a ciência sobre o demônio está contida neste tratado? ...330

Questão 180 – Será que Deus sabe de tudo que há de errado? ... 331

Questão 181 – Será que Deus está no Inferno? ... 331

Questão 182 – O mal sempre existiu? ... 332

Questão 183 – O mal existirá pelos séculos dos séculos? ... 332

(12)

11

 Por mim se vai à cidade do lamento; por

mim se vai à eterna dor; por mim se vai para

a raça condenada: a justiça incentivou a mim

 sublime arquiteto; me fez a Divina

Potes-tade, a Suprema Sabedoria e o Primeiro

Amor. Antes de mim não havia nada

cria-do, com exceção do imortal, e eu existo

eter-namente. Ó vós que entrais, abandonai toda

a esperança!

Inscrição que D���� A�������� colocou no portal de entrada para o Inferno

(13)
(14)

13

Introdução 

O

ptei por escrever um livro ao modo dos antigos tratados escolásticos, isto é, distribuir a obra em uma infinidade de questões de heterogênea extensão e desigual peso teológico. Por quê? Porque concluí ser o modo mais livre de poder tratar o tema sob todos os pontos de vista. Sobretudo, essa me pareceu a melhor maneira de poder abarcar o demônio em todos os seus aspectos e detalhes, que, em matéria como essa, são muito importantes. Cada detalhe da Bíblia sobre o demônio não é em vão.

Sempre me fascinaram aqueles velhos volumes escolásticos escritos em le-tras góticas, em que os temas teológicos apareciam com uma lógica inflexível segundo os interesses e desejos do monge ou outro religioso, que ditava ao secretário encurvado sobre sua escrivaninha. Entretanto, neste trabalho, quis fazer uma obra mais livre, menos sujeita a um esquema preconcebido, dife-rente de minha tese universitária sobre o exorcismo, que estava repleta de no-tas de rodapé, de citações erudino-tas e de temas que os acadêmicos consideram sérios e graves. Não me seria difícil aplicar a todo o conteúdo desse livro um outro aspecto formal, aparentemente mais orgânico, porém fiz uma obra tal qual gostaria de ler. Então, com o livro terminado, contemplo uma construção intelectual sobre o mundo dos anjos caídos.

O leitor observará que há mínimas referências bibliográficas nessa obra. Isso se deve ao fato de que desde o princípio determinei que todo esse edi-fício conceitual se baseasse sobre dois únicos alicerces: a Bíblia e minha ex-periência. A partir daí se levantou toda, pedra por pedra, a base da lógica. O leitor não deve, portanto, ler esse livro como uma recopilação dos ensinos do magistério da Igreja, mas sim como algo que pode alcançar a razão humana partindo da Sagrada Escritura.

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Esse livro me recorda uma construção arquitetônica medieval. Com seus pilares, suas galerias e caminhos tortuosos. Um livro com seus capitéis, pórti-cos e criptas. Por essa obra sobre o demônio se pode ir e vir, pode-se percorrer a ela exaustivamente ou passear por ela; é uma obra teológica, uma espécie de labirinto demoníaco com suas questões, partes, apêndices, suplementos e anexos. Uma construção de todas as formas, levantada com conceitos em  vez de pedras, ou, melhor dizendo, com as pedras dos conceitos. Uma cons-trução erigida sobre as firmes leis da lógica, um falso labirinto submetido a uma estrutura férrea que se esconde sob a aparente selva de questões. Espero que o leitor não esqueça, durante sua leitura – pelo passeio ao âmago dessa construção –, o que não foi esquecido durante sua escrita: que toda constru-ção teológica é erguida para a maior glória de Deus. É curioso como até uma construção teológica sobre o demônio pode proclamar o poder da onipotente mão divina.

Nota: O título em latim desta obra, Svmma Daemoniaca, se traduz como Suma de questões relativas ao demônio. Em latim, o substantivo svmma  significa suma, conjunto,  generalidades. O adjetivo daemoniaca pode significar maligno, demoníaco, mas também o relativo ao demônio, o que concerne ao demônio, e é neste segundo sentido que se deve considerar o título.

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PARTE I

Natureza demoníaca 

Questão 1

O que é um demônio?

Um demônio é um ser espiritual de natureza angélica condenado eterna-mente. Não tem corpo, não há em seu ser nenhum tipo de matéria sutil, nem nada semelhante à matéria, pois se trata de uma existência de caráter inteira-mente espiritual. Spiritus, em latim, significa sopro, hálito. Uma vez que não têm corpo, os demônios não sentem a menor inclinação para nenhum pecado que se cometa com o corpo. Portanto, a gula ou a luxúria são impraticáveis para eles. Podem tentar os homens a pecar nesses campos, porém, só com-preendem esses pecados de modo meramente intelectual, uma vez que não possuem sentidos corporais. Os pecados dos demônios, portanto, são exclusi- vamente espirituais.

Eles não nasceram maus, porém, depois de criados, foram submetidos a uma prova antes que lhes fosse oferecida a visão da essência da Divindade, pois viam a Deus, mas não viam Sua essência. Neste caso, o verbo ver  é fi-gurativo, já que a visão dos anjos é intelectual. Como, para muitos, será difí-cil compreender o fato de que puderam ver/conhecer  a Deus, porém não ver/  conhecer  Sua essência, poderíamos exemplificar que eles viam a Deus como uma luz, que O ouviam com uma voz majestosa e santa, mas Seu rosto per-manecia sem se revelar. De todo modo, mesmo que não penetrassem em Sua essência, sabiam que era seu Criador e que era Santo, o Santo entre os Santos.

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Antes que penetrassem na visão beatífica dessa essência divina, Deus os pôs a prova. Nessa prova, uns obedeceram, outros, não. Os que desobedece-ram de forma definitiva, tornadesobedece-ram-se demônios. Eles por si só se transforma-ram no que são. Ninguém os fez assim.

A psicologia dos anjos atravessou uma série de fases antes que eles se trans-formassem em demônios. Essas fases não aconteceram no tempo material, mas sim na eternidade (evo)1. Para os humanos, por se dar na eternidade (evo),

estas fases pareceram instantâneas. Porém, o que para nós parece breve, para eles, foi muito demorado. As fases de transformação de anjos em demônios foram as seguintes:

No início ficaram em dúvida se a desobediência à Lei Divina talvez fosse o melhor. Nesse momento, em que voluntariamente aceitaram ser uma opção a considerar a possibilidade de desobediência a Deus, já cometeram um pecado. A partir daí, a aceitação da dúvida se constituiu um pecado venial, que pou-co a poupou-co foi evoluindo para um pecado mais grave. Porém, nenhum deles, nessa primeira fase, estava disposto a se afastar definitivamente, nem mesmo o diabo.

Já mais tarde, assentou-se neles o que suas vontades haviam escolhido, ape-sar dos conselhos da inteligência, a qual lhes recordava que a desobe diência era contra a razão. Suas vontades foram se afastando de Deus e, consequente-mente, suas inteligências foram aceitando como verdadeiro o mal que haviam escolhido, consolidando-se no erro. A vontade de desobedecer foi se afirman-do, fazendo-se cada vez mais profunda. Assim, suas inteligências passaram a buscar cada vez mais razões para que tudo se tornasse cada vez mais justi-ficável. Finalmente, esse processo os levou ao pecado mortal, que se deu em um momento concreto, por meio de um ato da vontade. Cada anjo, em de-terminado momento, não quis só desobedecer, mas, inclusive, optou por ter uma existência à margem da Lei Divina. Não era um esfriamento com relação ao Amor de Deus, uma simples desobediência a algo que lhes fosse difícil de

1 Evo: Significa a eternidade que é o tempo dos espíritos. Uma explicação mais detalhada aparecerá

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Natureza demoníaca 19

aceitar; mas na vontade de muitos deles, encontrava-se a ideia de um destino separado da Santíssima Trindade, um destino autônomo.

Os que perseveraram nesse pensamento e nessa decisão começaram um processo de justificação dessa escolha. Passaram a se autoconvencer de que Deus não era Deus. Ele era apenas mais um espírito. Até poderia ser seu Cria-dor, porém n’Ele havia erros e falhas. Começaram a acalentar a ideia que havia surgido em seus pensamentos: a de uma existência separada de Deus e de Suas normas. A existência separada de Deus aparecia como uma existência mais livre. As normas de Deus, a obediência a Ele e à Sua vontade, apareciam progressivamente como uma opressão. Deus passava a ser visto como um ti-rano do qual deveriam se libertar. Nessa nova fase de distanciamento, já não buscavam simplesmente um destino fora de Deus, uma vez que Deus mesmo lhes parecia um obstáculo para alcançar a liberdade. Pensavam que a beleza e a felicidade do mundo angélico seriam muito melhores sem um opressor. Por que haveria um espírito que se elevava sobre os demais espíritos? Por que sua vontade devia se impor sobre a dos outros espíritos? Por que uma vontade deve se impor sobre outras vontades? Devem ter pensado: “Não somos crian-ças, não somos escravos!”. Deus já não era um elemento que tinham deixado para trás, mas que começava a se converter para eles em um mal. E assim co-meçaram a odiá-l’O. O chamado de Deus para que estes anjos voltassem era  visto como uma intromissão inaceitável. Nessa fase, o ódio cresceu mais em

alguns espíritos e menos em outros.

Pode surpreender que um anjo chegue a odiar a Deus, porém deve-se compreender que Deus já não era visto por eles como um bem, mas como um obstáculo, uma opressão; Ele representava as cadeias dos mandamentos, a falta de liberdade. Já não era visto como Pai, mas como fonte de ordens e mandamentos. O ódio nasceu com a energia de suas vontades, resistindo continuamente aos chamados de Deus que, como um pai, os buscava. O ódio nasceu como reação lógica de uma vontade que tem de firmar-se na decisão de abandonar a casa paterna, para dizer em termos que sejam inteligíveis para nós. É como alguém que deseja sair de casa; no início quer apenas partir, mas se o pai o chama mais de uma vez, o filho acaba dizendo que o deixe em paz.

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Deus os chamava, pois sabia que, quanto mais tempo suas vontades ficassem afastadas d’Ele, mais se afirmariam nesse afastamento.

Contudo, muitos dos anjos que haviam se afastado, em um primeiro mo-mento, voltaram. Essa é a grande luta nos Céus de que fala o  Apocalipse 12:

“Houve então uma batalha nos Céus: Miguel e seus anjos guerrearam con-tra o Dragão. O Dragão lutou, juntamente com os seus anjos, mas foi derrotado; e eles perderam seu lugar nos Céus. Assim foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Demônio ou Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele  foi expulso para a Terra, e os seus anjos foram expulsos com ele” ( Ap 12,7-9).

Como os anjos podem lutar entre si? Se não têm corpo, quais armas fo-ram usadas? O anjo é espírito, o único combate que se pode travar entre eles é o intelectual. As únicas armas que podem usar são os instrumentos intelectuais. Deus enviava a graça a cada anjo para que voltasse à fidelida-de e se mantivesse nela. Os anjos davam argumentos aos rebelfidelida-des para que  voltassem à obediência. No entanto, os anjos rebeldes mostravam suas ra-zões para fundamentar sua postura e introduzir a rebelião entre os anjos fiéis. Nessa conversação entre milhares e milhares de anjos, houve baixas de todos os lados: anjos rebeldes regressaram à obediência; anjos fiéis foram con- vencidos com a sedução dos argumentos malignos.

A transformação em demônios foi progressiva. Com o passar do tempo – a eternidade é um tipo de tempo – uns odiaram mais a Deus, outros menos. Uns se fizeram mais soberbos, outros nem tanto. Cada anjo rebelde foi se deformando mais e mais em pecados específicos. Assim como, ao contrário, os anjos fiéis foram se santificando progressivamente. Uns se santificaram mais em uma virtude, outros em outra. Cada anjo se fixou em um aspecto ou outro da divindade, amou com uma medida de amor. Por isso entre os anjos fiéis surgiram muitas distinções, segundo a intensidade das virtudes que praticaram.

Cada anjo tinha sua própria natureza dada por Deus, porém, cada um se santificou numa medida própria segundo a Graça de Deus e a correspondên-cia de Sua vontade. Exatamente o contrário ocorreu no caso dos demônios. Cada um recebeu de Deus uma natureza, se deformou segundo seus próprios

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caminhos extraviados. Por isso, a batalha acabou quando cada um deles per-maneceu enquadrado em sua postura de forma irreversível. Chegou um mo-mento em que havia só mudanças acidentais em cada ser espiritual, cada de-mônio se manteve firme em sua imprudência, em seus ciúmes, em seu ódio, em sua inveja, soberba, em seu egoísmo…

A batalha havia acabado. Podiam seguir discutindo, disputando, exortan-do-se durante milhões de anos, para dizer em termos humanos, porém havia somente mudanças acidentais. Foi então que os anjos foram admitidos na pre-sença divina e se deixou que os demônios se afastassem, que ficassem abando-nados à situação de prostração moral que haviam escolhido para si.

Como se pode observar, não se trata de ter enviado os demônios a um lugar de chamas e aparatos de tortura, mas que fossem deixados como es-tavam, abandonados em sua liberdade, em sua vontade. Não foram levados a nenhuma parte. Eles não ocupam um lugar, não há onde levá-los. Não há instrumentos de tortura, nem chamas que possam atormentá-los, nem ca-deias que os prendam. Tampouco os anjos fiéis entraram em algum lugar. Simplesmente receberam a graça da visão beatífica. Tanto o Céu dos anjos como o Inferno dos demônios são estados. Cada anjo tem em seu interior seu próprio Céu, esteja onde estiver. Cada demônio, esteja onde estiver, leva em seu espírito seu próprio Inferno.

O momento em que não há como voltar atrás é quando um anjo vê a essência de Deus. Porque depois de ver Deus, já não poderá mudar de opinião, nem esconder a menor coisa que O ofenda, pois a inteligência assimilaria que esconder uma falta seria o mesmo que esconder esterco em frente a um tesou-ro. Pecar, a partir de então, torna-se impossível.

O anjo, antes de entrar nos Céus, compreendia Deus, compreendia o que era, imaginava Sua santidade, Sua onipotência, sabedoria, amor… Depois de ser aceito para contemplar Sua essência, não só a compreende, como também a vê. Quer dizer, vê Sua santidade, Seu amor etc., se preenche de tal amor, de tal veneração, que jamais, por nada, quer se separar d’Ele. Por isso o pecado passa a ser impossível.

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O demônio fica irremediavelmente ligado ao que escolheu, desde o instan-te em que Deus decide não insistir mais. Chega um momento em que Deus toma a decisão de não enviar mais as graças de arrependimento, pois Ele com-preende que enviar mais graças só serve para que o demônio se assegure mais naquilo que sua vontade escolheu. Porque cada graça de arrependimento só pode ser superada, só pode ser vencida, afirmando-se mais no ódio. Chega um momento em que Deus Amor dá as costas2 e deixa Seu filho seguir seu

caminho. Deixa o demônio seguir sua vida separado.

Podemos dizer que não é de uma hora para outra que o anjo se transforma em demônio, já que se trata de um processo lento, gradual, evolutivo. Há um tempo certo em que o espírito angélico tem de tomar a decisão de desprezar ou não o seu Criador. Já foi dito que nesse processo pode-se voltar atrás, essa é a celestial batalha de que fala o  Apocalipse (cf. Ap 12,7-9). Mas chega um momento em que os demônios se afastam cada vez mais. Não haveria sentido insistir. O Criador respeita a liberdade de cada um.

Portanto, o demônio é um anjo que decidiu ter seu destino distante de Deus e quer viver livre, sem amarras. Frequentemente, ele é representado em pinturas e esculturas de modo disforme, uma forma muito adequada de representá-lo, pois se trata de um espírito angélico deformado. Segue sendo anjo; somente sua inteligência e sua vontade são deformadas. A solidão inte-rior em que permanecerá, por séculos e séculos, os ciúmes ao compreender que os fiéis gozam da visão de um Ser Infinito levam-no a reprovar seu pró-prio pecado mais uma vez. Como odeia a si mesmo, odeia a Deus, odeia aos que lhe deram razões para afastar-se.

Mas nem todos sofrem igualmente. Durante a batalha, uns anjos se de-formaram mais que outros. Aqueles que mais sofrem são os que mais se

2 Um grande amigo meu, professor da Universidade de Alcalá de Henares, ficou um pouco surpreso

com essa expressão de ‘dar as costas’ e, inclusive, me sugeriu a possibilidade de uma correção na formulação da frase. Pode, de verdade, o Amor Infinito, fazer tal coisa? Sem dúvida, sim. A rebeldia da criatura faz com que, finalmente, Deus a abandone a sua própria sorte. Que momento é esse em que a criatura é abandonada? É o momento em que Deus decide não lhe conceder mais nenhuma graça de arrependimento. Nesse instante podemos dizer que Deus deu as costas ao ser que criou. Quando ocorre essa terrível e temível decisão, a criatura já está julgada.

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Natureza demoníaca 23

deformaram. Porém, é necessário recordar novamente que essa é uma defor-midade da inteligência e da vontade.

A inteligência está deformada, obscurecida pelas mesmas razões que justi-ficou seu caminho, sua libertação. A vontade impôs à inteligência sua decisão, e a inteligência se viu impelida a justificar tal decisão. A inteligência funcio-nou como um mecanismo de justificação, de argumentação daquilo que a  vontade a estimulava aceitar. Como se vê, o processo tem uma extraordinária semelhança com o processo de aviltamento dos humanos. Não esqueçamos que nós, humanos, somos um espírito em um corpo. Se nos omitimos diante dos pecados relativos ao corpo, sofreremos o mesmo processo interno que leva uma pessoa boa a acabar na máfia, ou a tornar-se um soldado num cam-po de concentração ou um terrorista. Em princípio, o conceito de pecado, de tentação, de evolução da própria iniquidade é igual tanto no espírito angélico como no espírito do homem. Os pecados humanos são sempre pecados do espírito, ainda que os cometa com o corpo, já que este é tão somente um ins-trumento daquilo que o espírito decide com seu livre-arbítrio.

Assim como um menino atravessa um período da infância, o anjo que aca-ba de ser criado não tem experiência. O ser humano tem tentações com ou-tras pessoas, e os anjos também as têm. O homem pode pecar por ideais tais como a pátria, a honra da família, o bem-estar de um filho. O espírito angéli-co também tem por trás de si grandes causas, que, mesmo sendo distintas das humanas, presumem uma complexa correlação angélica de todo esse mundo humano que conhecemos.

Nós, humanos, somos também espírito, apesar de possuirmos um corpo. Só temos de olhar nosso interior para compreender como se pode cair no pe-cado, como se pode degradar-se. Sendo assim, os pecados dos anjos começam a nos parecer mais próximos e já não são tão incompreensíveis.

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Questão 2

Por que Deus impôs uma prova aos espíritos angélicos?

Por que não concedeu a visão beatífica a todos quando os criou? Por que se arriscou a que alguns se convertessem em demônios? Deus poderia ter criado os espíritos angélicos e diretamente ter-lhes concedido a graça da visão beatí-fica. Isto era perfeitamente possível à Sua onipotência e não cometeria nenhu-ma injustiça ao fazê-lo. Porém, tinha três poderosas razões para conceder-lhes uma fase de prova antes da visão beatífica.

A razão menos importante de todas era que Deus teria que dar a cada ser racional um grau de felicidade. Todos no Céu veem a Deus, mas ninguém pode gozar d’Ele em um grau infinito, isso é impossível. Só Deus usufrui in-finitamente. Cada ser finito usufrui ao máximo, sem desejar mais, de modo finito. Usufrui finitamente de um bem infinito. A comparação que se pode fazer para compreender esse conceito metafísico é que cada ser racional tem um vaso, Deus preenche esse vaso até a borda, plenamente. Porém, cada vaso tem uma determinada medida.

Deus, em Sua sabedoria, determinou algo especialmente inteligente: que cada um determinasse o grau de glória que usufruiria durante a eternidade (evo). Dado que isto é para sempre e é algo muito importante, Deus deixou que tal decisão ficasse em nossas mãos. Logo, já que cada um tem um grau de glória, o mais lógico é que cada um decida esse grau. O modo? Uma prova. Segundo a generosidade, o amor, a constância e demais virtudes que manifes-temos nessa prova, assim nessa medida será o grau. Como se vê, é uma dispo-sição magnífica das coisas, uma dispodispo-sição em que se manifesta a sabedoria infinita de Deus.

Se essa razão exposta é importante, considero que ainda é mais considerar o fato de que o único momento no qual um espírito pode desenvolver sua fé, sua generosidade para com Deus, é enquanto ainda não O vê. Depois, ao  vê-l’O, será grato pelo que contempla. Porém, esse amor generoso na fé, essa confiança em Deus mesmo na obscuridade, só é possível antes da visão. Tudo será possível, menos isso. Digamos que é um aspecto do espírito que, se não

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Natureza demoníaca 25

se desenvolve antes da visão física da essência de Deus, será absolutamente impossível depois. Por isso a prova é um dom de Deus. Um dom para que em nós germine e se desenvolva a flor da fé com todos os seus frutos. Essa flor em nós não poderá nascer durante toda a eternidade, pois não poderá haver fé onde existe visão. E atrás da fé e como consequência dela vêm as virtudes subsequentes. Cada anjo desenvolveria umas mais que outras.

Antes de tudo, o tempo de prova dava a possibilidade de que nasceriam e se desenvolveriam as virtudes teologais. Alguns anjos desenvolveriam mais a  virtude da perseverança, outros a virtude da humildade, da súplica, etc.

Claro que conceder a um ser a possibilidade de que lhe nasça a fé supõe arriscar-se que germine nesse mesmo ser não a fé, mas o mal. Deus, ao dar a liberdade, sabe que, uma vez concedida, pode desencadear ao ser o bem ou o mal. Deus cria o cosmos como quer, como deseja, segundo Sua vontade, sem nenhuma dificuldade, sem nenhum limite. Porém, o santo não se cria, faz-se a si mesmo com a ação da graça. Conceder o dom da liberdade aos espíritos su-põe que possa aparecer uma madre Teresa de Calcutá ou um Hitler. Uma vez que se concede o presente da liberdade, esta vem com todas as consequências. Querer que apareça o bem espiritual supõe de antemão aceitar a possibilidade de que apareça o mal espiritual. No cosmos material não há bem espiritual, nem a menor quantidade dele. O bem do cosmos material é um bem mate-rial; a glorificação do universo físico ao Criador é uma glorificação material e inconsciente. O bem espiritual é qualitativamente superior, porém supõe necessariamente ter que admitir esse risco. Por isso a aparição do mal não foi um transtorno aos planos divinos. A possibilidade da aparição do mal já fazia parte dos planos divinos antes da criação das criaturas pensantes.

De todas as maneiras, apesar de a prova ser necessária para determinar o grau de glória, a razão mais importante, a razão mais poderosa para conceder o dom da liberdade, era obter o amor de um modo livre. Sem essa prova, Deus obteria a gratidão dos seres pela glória concedida. Porém, Deus é um Ser que ama e quer ser amado. O único modo de se obter esse amor na fé, esse amor que confia, esse amor desinteressado mesmo na obscuridade própria d’Aquele que não vê, era propor uma prova. Volto a repetir que o mesmo Deus que pode

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criar milhas de cosmos somente com um ato de Sua vontade não pode criar esse amor que nasce daquele que é provado no sofrimento da fé. O amor a Deus não se cria, é uma doação por parte da criatura.

Questão 3

Por que Deus não retirou a liberdade

daqueles que começaram a pecar?

Por que Deus não retira a liberdade quando vê que alguém avança pelo caminho do mal? Não o faz porque realizar tal coisa suporia que tal espírito penderia para sempre ao mal. Permitir que siga fazendo o mal oferece-lhe a possibilidade de que retorne ao bem. Retirar-lhe da prova faria com que co-metesse menos pecados, porém o espírito de quem foi retirada a possibilidade da prova ficaria petrificado no mal para sempre. De modo que permitir que alguém mau siga fazendo o mal dá-lhe a possibilidade de retroceder.

Questão 4

Todos os demônios são iguais?

Já vimos que cada demônio pecou com uma determinada intensidade. Além disso, cada demônio pecou em um ou em vários pecados em especial. A rebelião teve sua raiz na soberba, porém dessa raiz nasceram outros peca-dos. Observamos isso muito claramente nos exorcismos; há uns demônios que pecam mais pela ira, outros pelo egoísmo, outros pela cólera, etc. Cada demônio tem sua psicologia, sua forma de ser particular. Há os falantes, os mais irônicos e depreciativos; em um aparece de modo especial a soberba, em outro o pecado do ódio, etc. Apesar de todos terem se afastado de Deus, uns se afastaram mais do que outros.

Temos de recordar que, como nos diz São Paulo, são nove as hierarquias de anjos. As hierarquias superiores são mais poderosas, belas e inteligentes que as inferiores. Cada anjo é completamente distinto de outro. Não há raças de anjos, para usar um termo zoológico, uma vez que cada um esgota sua

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Natureza demoníaca 27

espécie. Todavia, certamente é possível agrupar os anjos em distintos grandes grupos ou hierarquias, também chamadas coros, pois esses grupos formam uma espécie de coro que entoa louvores a Deus. Seu canto, certamente, não procede da voz, já que se trata mais de um louvor espiritual que emite sua  vontade ao conhecer e amar a Santíssima Trindade.

De cada uma das nove hierarquias caíram anjos que se transformaram em demônios. Digamos que há demônios que são virtudes, potestades, serafins, etc. Mesmo sendo demônios, conservam intacto seu poder e inteligência.

Por tudo o que dissemos, está claro que existe uma hierarquia demoníaca. Os exorcistas comprovam que entre eles há os que têm poder superior sobre os outros. Em que consiste esse poder? Impossível saber, pois não se conhece como um demônio pode obrigar outro a fazer algo dado que não existe corpo para empurrar ou forçar. Aliás, é comprovado que um demônio superior pode forçar um inferior a não sair de um corpo durante um exorcismo. Mesmo que o inferior esteja sofrendo ou queira sair, o superior pode impedi-lo. Como um demônio pode forçar outro, sendo esse intangível, é algo que, repito, escapa à nossa compreensão.

Questão 5

Zoologia e demonologia

Poderíamos dizer que existe um certo paralelismo entre a zoologia e a de-monologia. Pois, mesmo que cada ser angélico seja completamente diferente de qualquer outro, já que é único em sua forma3, é possível englobá-los em

grandes grupos. Quer dizer, imaginemos que de cada espécie de mamífero

3 Aqui a palavra  forma é usada em seu sentido filosófico, que é diferente do sentido usual que as

pessoas dão a esse vocábulo. Quando se diz que cada anjo esgota em sua forma, se quer dizer o seguinte: entre os homens, por exemplo, a forma é a mesma (a forma humana), porém o que individualiza cada ser humano é a matéria. Uma mesma forma, porém com distinta matéria. Como os anjos não têm matéria, cada anjo precisa ter uma forma distinta pa ra distinguir-se dos outros. Isto vale para todos os seres que existem sem matéria. Por isso Deus tem de ser um, e nunca poderia haver dois. A forma divina do Ser Infinito não tem matéria que o individualize. Assim, se houvesse duas formas divinas, quem as distinguiria? Seria um só ser, não pode ser de outra maneira.

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existisse um único exemplar: um só cervo, um só gamo, um só cavalo, etc. Cada qual seria distinto, mas, dentro do mundo animal poderíamos agrupá--los em uma espécie, a dos mamíferos, não por serem eles iguais, mas porque são mais semelhantes entre si do que os pertencentes à espécie dos insetos, dos peixes, etc. Esses mamíferos seriam distintos entre si, porém se poderia agrupá-los entre os que têm mais semelhança. Pois o mesmo acontece com as naturezas angélicas. Cada uma delas é distinta, mas podem ser agrupadas em grandes grupos – no caso em nove deles – segundo diz a Bíblia:

Serafins Querubins Tronos Dominações Virtudes Potestades Principados Arcanjos Anjos

As diferenças entre os animais são, às vezes, muito grandes, porém no mundo angélico são ainda maiores, pois a forma está livre das leis da biologia e da matéria. E, portanto, se grande é a diferença entre uma libélula e uma águia, muito maiores são as diferenças entre as naturezas angélicas. Se grande é a diferença entre uma joaninha e uma baleia azul, infinitamente maior é a diferença entre um anjo da nona hierarquia e outro da primeira.

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Natureza demoníaca 29

Questão 6

 Astronomia e demonologia

Existe um certo paralelismo entre a astronomia e a demonologia. O siste-ma solar é como usiste-ma espécie de parábola do que é Deus, os anjos e os demô-nios. Deus seria o Astro Rei ao redor do qual giram todos os astros do sistema solar, pois Ele é o centro. Ele ilumina todos.

O restante dos planetas, asteroides e satélites seriam os santos e os anjos. O sistema de rotação dos satélites ao redor dos planetas seria a imagem da ilu-minação de uns seres angélicos sobre outros. Mesmo que os satélites girem em torno de um planeta, também giram ao redor do Sol. Por mais intermediações que existam, Deus sempre é o centro. Aliás, os demônios seriam como esses corpos que vão se afastando do poder de atração solar. O Sol os atrai, não dei-xa de atrair nunca, não deidei-xa de iluminar, de dar calor. Entretanto, esses cor-pos vão-se afastando tanto (livremente) que vivem nas trevas exteriores, no frio do vazio e da escuridão. Deus continua a atraí-los a cada instante, a cada segundo. Porém, eles já estão infinitamente fora do alcance de Sua atração e Sua luz. O Sol não os priva de sua luz; eles é que preferiram a direção oposta. Muitos homens se perguntam onde está a linha divisória entre a condena-ção eterna e a salvacondena-ção. Essa parábola astronômica traz luz sobre o tema, pois essa linha é como o limite da força gravitacional. Um pode estar muito longe, porém, se ligado pela força gravitacional ao Sol, está unido a Ele. Entretan-to, mesmo que um vague completamente livre, não se trata da condenação eterna.

Se vemos essa parábola astronômica sob o prisma da Terra, devemos fa-zer certas mudanças (acrescentar as estrelas); também podemos acrescentar certos matizes (incluir a Lua). Deus seria o Sol, a Virgem a Lua e os anjos, as estrelas. A diferença entre a luz do Sol e a das estrelas seria a imagem da diferença entre o ser de Deus e o dos espíritos angélicos. Os anjos seriam um pálido e débil pontinho de luz diante da luz cegante e irresistível de Deus. A diferença entre a luz das estrelas e a da Lua seria a diferença entre os anjos e a

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luz de Deus. Sempre se vê em passagens bíblicas que as estrelas, luminosas e muito distantes da Terra, são imagens dos seres angélicos4.

Questão 7

Quais são os nomes dos demônios?

Satã: é o mais poderoso, inteligente e belo dos demônios que se rebelaram. Chama-se Satã ou Satanás no Antigo Testamento. Sua raiz primitiva signifi-caria atacar, acusar, ser um adversário, resistir . Satã signifisignifi-caria adversário, inimigo, opositor .

Diabo: é como o Novo Testamento chama a Satã. Diabo vem do verbo gre-go diaballo, acusar. As pessoas usam a palavra “diabo” e “demônio” como si-nônimos, porém, a Bíblia, não. A Bíblia sempre usa essa palavra no singular e se referindo ao mais poderoso deles. A Sagrada Escritura também o chama de o Acusador, o Inimigo, o Tentador, o Maligno, o Assassino desde o princípio, o Pai da mentira, o Príncipe desse mundo, a Serpente.

Belzebu: normalmente esse nome é utilizado como sinônimo do demônio e provém de Baal-zebul  que significa senhor das moscas. Aparece em 2Reis 1,2. Lilith: aparece em Isaías 34,14. A tradição judaica o considerou como um ser demoníaco. Na mitologia mesopotâmica é um gênio com cabeça e corpo de mulher, porém com asas e pés de pássaro.

 Asmodeu: aparece no Livro de Tobias. O termo procede do persa aesma daeva, que significa espírito de cólera.

Seirim: aparecem em Isaías 13,21, Levítico 17,7 e em Baruc 4,35 e se pode traduzir como os peludos. Deriva do hebraico sa’ir , que significa  peludo ou bode.

Demônio: do grego daimon, que significa gênio. Na mitologia greco-roma-na não era necessariamente uma entidade maléfica. Porém, no Novo Testa-mento, esse termo sempre é usado para designar seres espirituais malignos.

4 É no âmbito dessa parábola astronômica que temos de compreender passagens como Apocalipse

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Belial ou Beliar : da raiz baal , que significa senhor . Aparece, por exemplo, em 2Cor 6,15.

 Apolíon: significa destruidor , aparece em Apocalipse 9,11. Sobre ele, diz-se que seu nome em hebraico é Abadon, que significa perdição, destruição.

Lúcifer : é um nome extrabíblico que significa estrela da manhã. A imensa maioria dos textos eclesiásticos usa o nome de Lúcifer como sinônimo do de-mônio. Entretanto, o padre Gabriele Amorth considera que é o nome próprio do demônio segundo em importância na hierarquia demoníaca. Sou inteira-mente da mesma opinião, e o que conhecemos pelos exorcismos nos confir-maria que Lúcifer é alguém distinto de Satã.

O nome se origina por ter sido um anjo de natureza especialmente privile-giada nos Céus angélicos, antes de se rebelar e se deformar. Alguns traduzem o nome de Lúcifer como “o que porta a luz”. Essa tradução é errônea, já que a palavra em latim era luciferarius.

A título de curiosidade, direi que em um exorcismo um demônio revelou que os cinco demônios mais poderosos do Inferno eram nessa ordem: Satã, Lúcifer, Belzebu, Belial e Meridiano. É segura essa hierarquia? Só Deus sabe. O que é certo, e o sabemos pela Sagrada Escritura e pelos exorcismos, é que cada

demônio tem um nome. Um nome dado por Deus e que expressa a natureza de seu pecado. Outros nomes diferentes de demônios ditos por eles em exorcis-mos são: Perversão, Morte, Porta, Morada, etc. Outros, entretanto, dizem no-mes que não sabemos o que significam: Elisedei, Quobad, Jansen, Eishelij, etc. Em alguns livros de magos e bruxas colocam-se extensas listas de nomes. Estas listas inacabáveis são tão exaustivas como inventadas. Não têm mais  valor que a imaginação de seus autores. Pois alguns não só oferecem a lista dos nomes, mas também o número de demônios que povoam o Inferno. Essas descrições detalhadas das legiões infernais são puramente inventadas. Ir mais além dos breves dados da Sagrada Escritura supõe adentrar no mundo da lite-ratura, abandonando o terreno seguro e firme da Palavra de Deus. A Teologia pode dizer muitas coisas acerca dos demônios, porém sempre de modo geral,

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trabalhando com conceitos. A Teologia, ao trabalhar com essências, nada pode dizer sobre um demônio concreto.

O autor de certa lista de demônios (tão exaustiva como inventada) disse que um deles, chamado Xaphán, foi quem sugeriu a Satã que ateasse fogo no Céu, porém foram arremessados ao Inferno antes que cometessem tal ato vil. Disse, também, que esse demônio está eternamente encarregado de manter acesas as chamas do Inferno. Não há mais o que dizer a tal inventor de mitos, além de aconselhá-lo a ler esse livro, onde descobrirá que não há forma de ate-ar fogo no Céu, nem há uma maneira de manter acesas as chamas do Inferno.

Questão 8

O tempo existe para os demônios?

Sim, o tempo transcorre para os demônios. Não é um tempo como o nosso (que é um tempo material), porém, trata-se de um tempo próprio dos espíritos, chamado “eternidade” (evo) (“aevum” , em latim). A eternidade é a sucessão de atos de entendimento e vontade em um ser espiritual. Os atos da razão e da  vontade se sucedem provocando um antes e um depois, um antes de determi-nado ato do entendimento, ou de um ato de querer algo. Desde o momento em que há um antes e um depois, há algum tipo de tempo. Portanto, quando se diz que os espíritos no Céu e no Inferno estão na eternidade, deve-se com-preender essa afirmação como uma interminável sucessão temporal, uma su-cessão de tempo sem fim, entretanto, com um princípio (que é quando foram criados). Somente Deus está em um eterno presente, só n’Ele não há sucessão de tempo de nenhuma forma. N’Ele não transcorreu nunca nem um segundo, nem um só antes nem depois. A eternidade de Deus é qualitativamente distin-ta da eternidade do tempo material (com um princípio, porém sem fim) e da eternidade do eterno (evo) (também com um princípio e sem fim).

Sobre esse tipo de tempo, a eternidade do eterno (evo), São Tomás de Aqui-no falou, já Aqui-no século XIII, na Primeira Parte da Questão X, artigo V de sua Svmma Theologica, e talvez para alguns possa parecer que seu raciocínio era excessivamente teórico. Porém, depois de haver escutado relatos de pessoas

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Natureza demoníaca 33

que passaram por experiências próximas da morte, que viveram a experiência da separação do corpo, de entrar em um túnel, etc., comprovei que, quando se perguntava a eles se havia tempo nessa experiência, se notaram o tempo transcorrer, as explicações que davam concordavam perfeitamente com o que Santo Tomás de Aquino explica sobre a eternidade (o evo) ao falar dos espíri-tos sem matéria.

Questão 9

Em que pensa um demônio?

Todo anjo caído conserva a inteligência da sua natureza angélica, e com ela segue tomando conhecimento. Conhece e indaga com sua mente o mundo material e o espiritual, o mundo real e o conceitual. Como ser espiritual, emi-nentemente intelectual, não há dúvida de que está profundamente interessado pelas questões conceituais. Ele sabe muito bem que a Filosofia é a mais elevada das ciências. Inclusive sabe que a Teologia está sobre a Filosofia, porém odeia Deus. No conhecimento encontra prazer, mas também sofrimento. Ele sofre cada vez que esse conhecimento o leva a considerar Deus. E o demônio per-cebe continuamente a ordem e a glória do Criador em todas as coisas. Até nas coisas aparentemente mais neutras ele encontra o reflexo e a lembrança dos atributos divinos.

No entanto, o demônio não sofre o tempo todo. Muitas vezes, simples-mente, pensa. Sofre apenas em certos momentos, quando se lembra de Deus, quando volta a ter consciência de seu estado miserável, de sua separação de Deus, quando lhe atormenta a consciência. Umas vezes sofre mais e outras menos, pois seu sofrimento não é uniforme, entretanto estas variações se dão segundo a intensidade que marca a deformidade moral de cada demônio.

Seria horrível pensar nos demônios como seres permanentemente em so-frimento, em cada instante, em cada momento. A separação de Deus produz sofrimento por toda a eternidade, mas é o sofrimento de uma máquina de tor-mento em ação constante. O demônio nem sempre está a tentar, nem sempre está contorcido de dores espirituais.

(35)

Questão 10

Qual a linguagem dos demônios?

A linguagem dos demônios é exatamente a mesma que a dos anjos. Os an- jos não necessitam nenhuma língua, nenhum idioma para comunicar-se entre si, pois o fazem com espécies inteligíveis. As espécies inteligíveis são os pen-samentos que se transmitem entre eles. Nós nos comunicamos por meio das palavras; eles se comunicam diretamente pelo pensamento em estado puro, sem necessidade de mediações sensíveis ou de signos. As espécies inteligíveis podem ter comunicação de pensamentos, de imagens, de sentimentos, etc. A transmissão dessas espécies inteligíveis é telepática, produz-se à vontade e pode dar lugar a diálogos como os que temos. As inteligências humanas comunicam nossos pensamentos por meio de palavras, que são sinais, en-quanto os espíritos podem transmitir entre si o pensamento em estado puro.

Questão 11

Onde estão os demônios?

Tanto as almas dos condenados como os demônios não podem situar-se nas coordenadas do espaço. Tampouco se pode dizer que estão em outra di-mensão. Que significa estar ou não em outra dimensão para o espírito? Sim-plesmente não estão em nenhum lugar. Existem, porém não estão nem aqui nem ali.

Dizemos que um demônio está em determinado lugar quando ele atua em determinado lugar. Se um demônio está tentando alguém aqui, significa que ele está aqui. Se um demônio possui um corpo ali, ele está ali. Se um demônio move uma cadeira em um fenômeno  poltergeist , dizemos que está naquele lugar concreto. Porém, na realidade, não está ali, simplesmente está atuando naquele lugar.

O Inferno, o Céu e o Purgatório são estados. Depois da ressurreição, os corpos dos condenados estarão em um lugar concreto e, por isso, o Inferno será um lugar. Os corpos dos bem-aventurados também ocuparão um lugar.

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Natureza

Natureza demoníaca demoníaca 3535

Por isso a

Por isso a BíbliaBíblia diz:diz: “…e vi um Céu novo e uma Terra nova” “…e vi um Céu novo e uma Terra nova”  ( ( Ap Ap 21,1). Ali os 21,1). Ali os

bem-aventurados habitarão na Terra restaurada de novo depois da destruição

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Terra, onde estarão os homens condenados? Nada se pode afirmar com

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segu-rança. A

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Questão

Questão

1

1

2

2

Conhecem o futuro?

Conhecem o futuro?

Eles não veem o futuro, porém, às vezes, podem conjecturá-lo. Com sua

Eles não veem o futuro, porém, às vezes, podem conjecturá-lo. Com sua

inteligên

inteligência, muito superiocia, muito superior à humana, r à humana, podem deduzir pelas causas apodem deduzir pelas causas alguns fa-lguns

fa-tos que sucederão no porvir. O que pertence somente à liberdade humana está

tos que sucederão no porvir. O que pertence somente à liberdade humana está

indeterminado, e eles não têm conhecimento. Não sabem o que eu decidirei

indeterminado, e eles não têm conhecimento. Não sabem o que eu decidirei

livremente. Porém, com sua inteligência superior, veem os efeitos das coisas

livremente. Porém, com sua inteligência superior, veem os efeitos das coisas

onde nós não veríamos nada. Sem dúvida, há ocasiões em que eles sabem

onde nós não veríamos nada. Sem dúvida, há ocasiões em que eles sabem

com toda segurança o que acontecerá, algo que nem o mais inteligente dos

com toda segurança o que acontecerá, algo que nem o mais inteligente dos

humanos poderia suspeitar, por mais que analisasse os fatores que estão no

humanos poderia suspeitar, por mais que analisasse os fatores que estão no

prese

presente. Em outras ocasiões, nem uma nte. Em outras ocasiões, nem uma natureza angélica da natureza angélica da maior hierarquiamaior hierarquia

poderia deduzi-l

poderia deduzi-lo. A liberdade humana é o. A liberdade humana é um gum grande fator de indeterminaçãorande fator de indeterminação

em suas previsões.

em suas previsões.

Questão 13

Questão 13

Um demônio pode fazer algum ato

Um demônio pode fazer algum ato

bom?

bom?

O demônio não está sempre fazendo o mal; muitas vezes, simplesmente,

O demônio não está sempre fazendo o mal; muitas vezes, simplesmente,

pensa. E nisso não realiza mal algum, é um mero ato de sua natureza. Aliás,

pensa. E nisso não realiza mal algum, é um mero ato de sua natureza. Aliás,

o demôni

o demônio não pode fazo não pode fazer atos morais sobrer atos morais sobrenaturais. Ou enaturais. Ou seja, não pode fazerseja, não pode fazer

um ato de caridade, de arrependimento sobrenatural, de glorificação sincera

um ato de caridade, de arrependimento sobrenatural, de glorificação sincera

a Deus, etc., pois para tais atos se necessita de uma graça sobrenatural. Pode

a Deus, etc., pois para tais atos se necessita de uma graça sobrenatural. Pode

glorificar a Deus, porém, à força, não porque queira fazê-lo. Pode

glorificar a Deus, porém, à força, não porque queira fazê-lo. Pode

arrepender--se de ter se afastado de Deus, mas, sem pedir perdão, repelindo somente o

-se de ter se afastado de Deus, mas, sem pedir perdão, repelindo somente o

mal que lhe sobreveio dessa ação, sem a dor de ter ofendido a Deus. E assim,

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com sua inteligência e sua vontade, é capaz de fazer muitos outros atos

com sua inteligência e sua vontade, é capaz de fazer muitos outros atos

na-turais. Entretanto, o demônio nunca mostrará a mínima compaixão, nem o

turais. Entretanto, o demônio nunca mostrará a mínima compaixão, nem o

menor ato de amor. Seu coração somente odeia, é insensível ao sofrimento

menor ato de amor. Seu coração somente odeia, é insensível ao sofrimento

dos demais.

dos demais.

Questão

Questão

14

14

O demônio pode experimentar algum prazer?

O demônio pode experimentar algum prazer?

O demônio não sente com nenhum de nossos cinco sentidos. Sente somente

O demônio não sente com nenhum de nossos cinco sentidos. Sente somente

com sua inteligência e sua vontade. Só goza com a sua inteligência e a sua

com sua inteligência e sua vontade. Só goza com a sua inteligência e a sua

von-tade. Pode parecer pou

tade. Pode parecer pouca coisa, mas não é. Os ca coisa, mas não é. Os prazeres intelectuais podem serprazeres intelectuais podem ser

tão variados quanto os de

tão variados quanto os de nossos cinco sentidos. Na realidade, são muito maisnossos cinco sentidos. Na realidade, são muito mais

 variados. O gozo que nos propor

 variados. O gozo que nos proporciona uma ópera, uma sinfonia, uma parciona uma ópera, uma sinfonia, uma partidatida

de xadrez ou um livro são prazeres eminentemente espirituais, uma vez que

de xadrez ou um livro são prazeres eminentemente espirituais, uma vez que

essa informação penetra

essa informação penetra em nosso espírito por meio de em nosso espírito por meio de aparênciaparências sensíveis. Oas sensíveis. O

mundo espiritual visto por nós através desse nosso mundo pode parecer sem

mundo espiritual visto por nós através desse nosso mundo pode parecer sem

sabor, sem cor, entediante, porém isso é um erro. O mundo espiritual é muito

sabor, sem cor, entediante, porém isso é um erro. O mundo espiritual é muito

mais var

mais variado, rico e deleitáviado, rico e deleitável do que nos oferece o cosmo material.el do que nos oferece o cosmo material.

Os demôni

Os demônios gozam dos prazeres, pois suos gozam dos prazeres, pois suas duas potências espirituaas duas potências espirituais (co-is

(co-nhecimento e vontade) estão intactas. A ação de sua natureza ficou intacta

nhecimento e vontade) estão intactas. A ação de sua natureza ficou intacta

apesar do afastamento de Deus. O que não podem fazer é amar a nada com

apesar do afastamento de Deus. O que não podem fazer é amar a nada com

amor sobr

amor sobrenatural. A enatural. A capacidade de amar foi acapacidade de amar foi aniquilada na psicologia do de-niquilada na psicologia do

de-mônio. Ele conhece o amor, porém não ama. O prazer que sente ao ter êxito

mônio. Ele conhece o amor, porém não ama. O prazer que sente ao ter êxito

em fazer um mal é exatamente o mesmo que sente uma pessoa na Terra ao

em fazer um mal é exatamente o mesmo que sente uma pessoa na Terra ao

 ven

 vencer seu inimigo. Tcer seu inimigo. Trata-se de rata-se de um prazer cheio dum prazer cheio de ódio, sem sossege ódio, sem sossego.o.

Questão 15

Questão 15

O demônio é livre para fazer mais ou menos

O demônio é livre para fazer mais ou menos

mal?

mal?

O demônio faz o ma

O demônio faz o mal quando querl quando quer, nada o , nada o obriga a fazê-lo. É um obriga a fazê-lo. É um ser livre,ser livre,

suas ações f

suas ações ficam a caicam a cargo de sua vonrgo de sua vontade. Deseja fazer o mal, e patade. Deseja fazer o mal, e para consegui-ra

consegui--lo, terá de tentar. Po

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