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Academic year: 2021

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DIREITO ELEITORAL

DIREITO ELEITORAL

PONTO 1: Ações Eleitorais

PONTO 2: Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura PONTO 3: Investigação Judicial Eleitoral

PONTO 4: Recurso contra Expedição de Diploma PONTO 5: Ação de Impugnação de Mandato Eletivo

1. Ações Eleitorais: Aspecto não criminal.

Classificação (gêneros):

- Arguição de inelegibilidade:

Daquelas que a pessoa apresentou um déficit na capacidade eleitoral passiva, mas não cometeu um ilícito no processo em curso.

- Ilícito Eleitoral:

O candidato cometeu ou foi beneficiado com um ilícito eleitoral.

Menos gravosos:

- propaganda eleitoral: - doações;

- direito de resposta.

Representação remanescente – trata-se de um ilícito eleitoral com sanção pecuniária.

Antes de divulgação de pesquisa contratada, necessariamente tem que registrar essa pesquisa junto ao órgão eleitoral (Juiz responsável pelo registro das candidaturas), 5 dias antes de fazer a divulgação, preenchendo um rol de requisitos, com informações indispensáveis – art. 331 da Lei 9504/97. Sem o prévio registro está sujeita a multa.

1 Art. 33. As entidades e empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para

conhecimento público, são obrigadas, para cada pesquisa, a registrar, junto à Justiça Eleitoral, até cinco dias antes da divulgação, as seguintes informações:

I - quem contratou a pesquisa;

II - valor e origem dos recursos despendidos no trabalho; III - metodologia e período de realização da pesquisa;

IV - plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro;

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O TSE tem entendido que a data limite para ajuizar esse tipo de representação é até a data das eleições.

Outro tipo de representação remanescente, ou seja, que não acarreta a cassação de registro ou diploma do candidato, são as chamadas doações de campanha acima do limite legal.

É admitido no direito eleitoral brasileiro o financiamento privado das campanhas, com alguns limites. A pessoa física tem o limite de 10% do rendimento bruto aferido no ano anterior a eleição. E a pessoa jurídica limita a 2%. Se essas pessoas doam acima do limite permitido é preciso uma representação por doação acima do limite legal que é ajuizada contra o doador.

TST tem entendido, recentemente, que essas representações são julgadas no domicilio do doador.

Prazo final é de 180 dias contados da diplomação. O TSE tirou esse prazo do art. 322 da Lei 9.504.

Há outras ações eleitorais: - Ação rescisória eleitoral.

- Representações por propaganda partidária e regular. - Perda de mandato por partidário infiel.

Ilícitos eleitorais mais gravosos:

- com cassação do registro-diploma (abuso genérico vs representações específicas) - sem cassação registro-diploma (representações remanescentes)

Podem ser sub-divididos em dois grupos: - abusos genéricos:

VI - questionário completo aplicado ou a ser aplicado; VII - o nome de quem pagou pela realização do trabalho.

2 Art. 32. Até cento e oitenta dias após a diplomação, os candidatos ou partidos conservarão a documentação concernente a suas

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DIREITO ELEITORAL - representações eleitorais específicas.

Abusos genéricos:

- Ação de Investigação Judicial Eleitoral - AIJE (art. 22, LC 64/90); - Recurso contra Diplomação - RCD (art. 262, IV, CE);

- Ação de Impugnação ao Mandato Eletivo - AIME (art. 14, §10, CF).

Características destas ações:

Trabalham com conceito de generalidade: não precisam fazer uma adequação típica.

- a responsabilidade do candidato pode ser dada na condição de beneficiário, ou seja, o candidato pode responder ou ser punido somente por ter sido beneficiado.

- tutelam um bem jurídico comum que é a lisura do pleito. Art. 14, §9º da CF – potencialidade lesiva.

Representações específicas:

Violam especificamente a Lei 9.504/97.

- captação ilícita de sufrágio (compra de voto) – art. 41-A3, LE;

- representação por condutas vedadas aos agentes públicos – arts. 734 , 745 , 756 e 777 da LE;

3 Art. 41-A. Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar,

oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinqüenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990.

4 Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de

oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:

I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária;

II - usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;

III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado;

IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;

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- representação por captação e gastos ilícitos e recursos (Caixa 2) – art. 30-A8 da LE.

Características:

- Especificidade (sinônimo de taxatividade).

- Responsabilidade do candidato é pessoal (em regra) – art 41-A, art 179, art 2110, LE.

V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados:

a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;

b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República;

c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo;

d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo;

e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários; VI - nos três meses que antecedem o pleito:

a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública;

b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral;

c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo;

VII - realizar, em ano de eleição, antes do prazo fixado no inciso anterior, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.

VIII - fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do prazo estabelecido no art. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos.

5 Art. 74. Configura abuso de autoridade, para os fins do disposto no art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990,

a infringência do disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando o responsável, se candidato, sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma.

6 Art. 75. Nos três meses que antecederem as eleições, na realização de inaugurações é vedada a contratação de shows artísticos pagos

com recursos públicos.

7 Art. 77. É proibido a qualquer candidato comparecer, nos 3 (três) meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas. 8 Art. 30-A. Qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral, no prazo de 15 (quinze) dias da

diplomação, relatando fatos e indicando provas, e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos.

9 Art. 17. As despesas da campanha eleitoral serão realizadas sob a responsabilidade dos partidos, ou de seus candidatos, e

financiadas na forma desta Lei.

10 Art. 21. O candidato é solidariamente responsável com a pessoa indicada na forma do art. 20 desta Lei pela veracidade das

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DIREITO ELEITORAL

Exceção as condutas vedadas que pode ser punido o candidato como beneficiário – art. 73, §5º11, LE.

- Bem jurídico diverso. Não se refere em potencialidade lesiva. Os bens jurídicos tutelados: - na captação ilícita do sufrágio – o bem jurídico é a vontade eleitor;

- nas condutas vedadas – o bem jurídico é a isonomia

- captação de gestão de gastos – o bem jurídico é a moralidade.

2. Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura:

Para arguição de inelegibilidade. Um candidato que ainda não praticou ilícito algum, mas tem déficit ou deficiência na sua capacidade eleitoral passiva.

Prevista no artigo 3º e ss. da LC 64/1990.

- Objetivo: obter o indeferimento do registro de uma candidatura.

- Hipóteses de cabimento:

- ausência de condição de elegibilidade (art. 14, §3º12 , CF);

- incidência de uma causa de inelegibilidade (art. 14, §5º13 e §7º14

, CF e art. 1º, I a VI, LC 64/90);

11 Art. 73, § 5o Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos do caput e no § 10, sem prejuízo do disposto no § 4o, o candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma.

12 Art. 14, § 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:

I - a nacionalidade brasileira;

II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral;

IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária;

VI - a idade mínima de:

a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;

c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador.

13 Art. 14, § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver

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- condição de registrabilidade.

- Momento de aferição da inelegibilidade e condições de elegibilidade: art. 11, §1015 , LE.

- Competência: conceito de circunscrição (art. 8616 , CE).

- Prazo para ajuizamento (e contagem): 5 dias do edital.

- Preclusão: caso não haja a AIRC em 5 dias preclusão do prazo. Exceto se for de cunho constitucional ou superveniente ao registro (RDC).

- Legitimados:

- ativa: qualquer candidato (basta que seja indicado em convenção); partido político ou coligação e Ministério Público Eleitoral.

Obs: uma vez coligado o partido a legitimidade para agir passa a ser da coligação, por ficção jurídica recebe tratamento de partido político. Caso partido coligado ajuíze individualmente ação é considerado parte ativa ilegítima.

Exceção – art. 6º, §4º17

, LE: quando houver o questionamento da validade da coligação, o partido poderá impugnar isoladamente.

- Capacidade postulatória: regra é interposição ação eleitoral somente por advogado.

14 Art. 14, § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo

grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

15 Art. 11, § 10. As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do

pedido de registro da candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade.

16 Art. 86. Nas eleições presidenciais, a circunscrição serão País; nas eleições federais e estaduais, o Estado; e nas municipais, o

respectivo município.

17 Art. 6º, § 4o O partido político coligado somente possui legitimidade para atuar de forma isolada no processo eleitoral quando

questionar a validade da própria coligação, durante o período compreendido entre a data da convenção e o termo final do prazo para a impugnação do registro de candidatos.

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DIREITO ELEITORAL

Exceção – a impugnação ao registro de candidatura nas eleições municipais é admitida se feita sem capacidade postulatória. O TSE entende que já que pode ser de oficio, também poderá ser apresentada a impugnação em eleição municipal. Porém, se houver recurso não terá mais capacidade postulatória.

Perante TRE e TSE somente com capacidade postulatória.

O TSE não reconhece ao eleitor capacidade postulatória, no máximo poderá dar noticia de inelegibilidade.

- Procedimento: sentença (3 dias da conclusão dispensa intimação); sentença antes (Súm. 1018 TSE) e depois do prazo legal (publicação).

- Recurso: prazo e efeitos (a nova redação do art. 15 LC): 3 dias após a diplomação.

O efeito dado a esse recurso, após Lei da Ficha Limpa, modificou, tendo efeito após o transito em julgado ou publicação da decisão proferida por órgão colegiado. Portanto, a eficácia das decisões não precisa de esgotamento das vias recursais.

Quadro:

│______________│______ ________│________│______│_____________│ *Conv. Part. *Prazo Reg. *Prop. Elei. * *Eleição *Diplomação.

AIRC

*Convenção partidária: 10 a 30 de junho do ano da eleição

*Prazo de registro das candidaturas – prazo, como regra, é 5 de julho do ano da eleição

*Propaganda eleitoral – a partir de 6 de julho do ano da eleição. Antes disso, a propaganda realizada é extemporânea ou antecipada sujeita a multa.

18 Súmula 10 TSE: No processo de registro de candidatos, quando a sentença for entregue em Cartório antes de três dias contados

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*Eleição – primeiro domingo de outubro. E segundo turno no ultimo domingo de outubro.

*Diplomação – dezembro.

3. Investigação Judicial Eleitoral: - Hipóteses de cabimento - art. 2219

, caput, LC 64/90:

19 Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral,

diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político, obedecido o seguinte rito:

I - o Corregedor, que terá as mesmas atribuições do Relator em processos judiciais, ao despachar a inicial, adotará as seguintes providências:

a) ordenará que se notifique o representado do conteúdo da petição, entregando-se-lhe a segunda via apresentada pelo representante com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 5 (cinco) dias, ofereça ampla defesa, juntada de documentos e rol de testemunhas, se cabível;

b) determinará que se suspenda o ato que deu motivo à representação, quando for relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficiência da medida, caso seja julgada procedente;

c) indeferirá desde logo a inicial, quando não for caso de representação ou lhe faltar algum requisito desta lei complementar;

II - no caso do Corregedor indeferir a reclamação ou representação, ou retardar-lhe a solução, poderá o interessado renová-la perante o Tribunal, que resolverá dentro de 24 (vinte e quatro) horas;

III - o interessado, quando for atendido ou ocorrer demora, poderá levar o fato ao conhecimento do Tribunal Superior Eleitoral, a fim de que sejam tomadas as providências necessárias;

IV - feita a notificação, a Secretaria do Tribunal juntará aos autos cópia autêntica do ofício endereçado ao representado, bem como a prova da entrega ou da sua recusa em aceitá-la ou dar recibo;

V - findo o prazo da notificação, com ou sem defesa, abrir-se-á prazo de 5 (cinco) dias para inquirição, em uma só assentada, de testemunhas arroladas pelo representante e pelo representado, até o máximo de 6 (seis) para cada um, as quais comparecerão independentemente de intimação;

VI - nos 3 (três) dias subseqüentes, o Corregedor procederá a todas as diligências que determinar, ex officio ou a requerimento das partes;

VII - no prazo da alínea anterior, o Corregedor poderá ouvir terceiros, referidos pelas partes, ou testemunhas, como conhecedores dos fatos e circunstâncias que possam influir na decisão do feito;

VIII - quando qualquer documento necessário à formação da prova se achar em poder de terceiro, inclusive estabelecimento de crédito, oficial ou privado, o Corregedor poderá, ainda, no mesmo prazo, ordenar o respectivo depósito ou requisitar cópias;

IX - se o terceiro, sem justa causa, não exibir o documento, ou não comparecer a juízo, o Juiz poderá expedir contra ele mandado de prisão e instaurar processo s por crime de desobediência;

X - encerrado o prazo da dilação probatória, as partes, inclusive o Ministério Público, poderão apresentar alegações no prazo comum de 2 (dois) dias;

XI - terminado o prazo para alegações, os autos serão conclusos ao Corregedor, no dia imediato, para apresentação de relatório conclusivo sobre o que houver sido apurado;

XII - o relatório do Corregedor, que será assentado em 3 (três) dias, e os autos da representação serão encaminhados ao Tribunal competente, no dia imediato, com pedido de inclusão incontinenti do feito em pauta, para julgamento na primeira sessão subseqüente; XIII - no Tribunal, o Procurador-Geral ou Regional Eleitoral terá vista dos autos por 48 (quarenta e oito) horas, para se pronunciar sobre as imputações e conclusões do Relatório;

XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar;

XV - se a representação for julgada procedente após a eleição do candidato serão remetidas cópias de todo o processo ao Ministério Público Eleitoral, para os fins previstos no art. 14, §§ 10 e 11 da Constituição Federal, e art. 262, inciso IV, do Código Eleitoral.

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DIREITO ELEITORAL

Abuso do poder econômico, abuso do poder político ou de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação social.

- Procedimento: art. 22, I até XVI, LC 64/90. Arrolar três testemunhas.

Se houver mais de um fato, adota-se o CPC subsidiariamente, portanto, três testemunhas por fato.

As testemunhas deverão comparecer independentemente de intimação. Para evitar procrastinação do feito, dando celeridade.

- Bem jurídico: preserva a proteger o bem jurídico que é anormalidade e legitimidade das eleições contra qualquer forma de poder – art. 14, §9º20

da CF. repetido no art. 19, parágrafo único21, da LC 64/90.

- Prova (para a procedência) - art. 22, XVI, LC 64/90:

Tem que haver prova do rompimento do bem jurídico, da sua violação.

A jurisprudência do TSE tem exigido que o fato tem que ter potencialidade lesiva no pleito, causando desequilíbrio.

Criação do inciso XVI do art. 22, acrescentado pela lei da Ficha Limpa. Apenas será considerada a gravidade das circunstâncias que caracterizam, não será considerada a potencialidade de lesão.

A jurisprudência parou de referir em potencialidade de afetar o resultado da eleição, mas também pela gravidade das circunstâncias, ou seja, afetar a lisura do feito.

XVI – para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.

20 Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a

probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

21 Art. 19. Parágrafo único. A apuração e a punição das transgressões mencionadas no caput deste artigo terão o objetivo de

proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta, indireta e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

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Leva-se em conta a gravidade das circunstâncias. Por exemplo: o abuso quanto mais próximo do pleito mais prejuízo. Leva-se em conta o momento, o modo como é praticado e a condição do eleitor que é beneficiado.

- Prazo: jurisprudência. Até a data da diplomação – termo final.

- Legitimados (ativo e passivo):

- ativo: candidato, coligação, partido político ou MPE.

O eleitor não tem legitimidade.

Precisa de capacidade postulatória.

- Competência: regras de circunscrição do art. 8622 LE.

- Sanções: antes e depois da LC 135/10:

Essa ação ressuscitou em junho de 2010 com a Lei da Ficha Limpa.

Antes da LC – as sanções a serem aplicadas era a cassação do registro e não do diploma e a inelegibilidade de 2 ou 3 anos. Não podia cassar diploma, assim, caso a sentença demorasse e fosse dado após as eleições, com diploma não era mais cassado o registro.

A partir da LC 135/10 houve uma mudança substancial no sancionamento aplicado na ação de investigação eleitoral; revogou-se o inciso XV do art. 22 e modificou-se a redação do inciso XIV do art. 22.

Não importa o momento em que o Juiz julga a ação, as sanções são: 1) cassação registro se antes da eleição ou do diploma.

2) inelegibilidade por oito anos. A Súmula 1923

TSE – o prazo começa a correr a partir da eleição em que ocorreu o abuso.

22 Art. 86. Nas eleições presidenciais, a circunscrição serão País; nas eleições federais e estaduais, o Estado; e nas municipais, o respectivo município.

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DIREITO ELEITORAL

- Recurso: prazo e efeitos. Prazo: 3 dias.

Eficácia da sentença: é a mesma da ação de impugnação do registro de candidatura.

Obs: Regra do TSE sobre litisconsorte:

Ação que visa cassação de registro ou diploma de prefeito/ governador/ entre outros, necessariamente tem que incluir como litisconsorte passivo necessário e unitário - o vice. Princípio da indivisibilidade ou unicidade de chapas. A mesma regra vale para o Senador, em razão dos suplentes.

4. Recurso contra Expedição de Diploma: A mais antiga das ações eleitorais, surgiu em 1965 com o Código Eleitoral.

- Natureza jurídica

Este recurso tem natureza jurídica de uma ação de impugnação autônoma.

- Objetivo: é impugnar, desconstituir e invalidar o diploma. Ou seja, tirar a pessoa do cargo que foi eleita.

- Prazo:

3 dias a contar da cessão de diplomação.

Hipóteses de cabimento:

Previsto no art. 262 do CE - possui quatro hipóteses de cabimento (taxativas):

Art. 262. O recurso contra expedição de diploma caberá somente nos seguintes casos: I - inelegibilidade ou incompatibilidade de candidato;

II - errônea interpretação da lei quanto à aplicação do sistema de representação proporcional;

III - erro de direito ou de fato na apuração final, quanto à determinação do quociente eleitoral ou partidário, contagem de votos e classificação de candidato, ou a sua contemplação sob determinada legenda;

IV - concessão ou denegação do diploma em manifesta contradição com a prova dos autos, nas hipóteses do art.

222 desta Lei, e do art. 41-A da Lei no

9.504, de 30 de setembro de 1997.

23 Súmula 19 TSE: O prazo de inelegibilidade de três anos, por abuso de poder econômico ou político, é contado a partir da data

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eleição.

- Prova pré-constituída:

Prova emprestada produzida em outros atos, importada ao recurso com diplomação.

Discussão atual se vale a prova pré-constituída.

A possibilidade de dilação probatório começou a ser discutida na Questão de Ordem no RCD 671 (Rel. Ayres Britto, j. 25.09.07). Passando a ser admitido todos os meios de prova por direito admitidos, desde que particularizados na petição inicial.

Deve ser especificado os meios de prova devido a competência.

- Procedimento e competência:

a regra é que o recurso contra diplomação é ajuizado perante quem concedeu o diploma, mas é julgado pela instância superior.

- Prefeito/ Vereador – ajuizado perante o Juiz Eleitoral (recebe o recurso, oferece vista para Prefeito oferecer contra-razões e remete autos ao órgão julgador) – TRE.

- Governador/ Senador/ Deputado estadual e federal – o recurso é ajuizado no TRE – julgado pelo TSE.

Exceção a regra de competência ocorre quando ajuizado contra o Presidente da república: não há precedente. Somente doutrina. Deveria ser ajuizado no TSE, o qual receberia as contra-razões:

- 1ª corrente doutrinaria – seria uma decisão irrecorrível.

- 2ª corrente – caberia mandado de segurança perante o próprio TSE.

- 3ª corrente - ato de diplomação é individual do Presidente do TRE. Neste caso, caberia recurso para o Pleno.

24 Art. 222. É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o Art. 237, ou

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DIREITO ELEITORAL - Efeitos do recurso:

No caso de recurso contra a diplomação aplica-se o artigo 21625 do CE. Só terá eficácia após decisão do TSE.

5. Ação de Impugnação de Mandato Eletivo – art. 14, §1026

e §1127

, CF: Única ação constitucional.

- Prazo: 15 dias contados da diplomação.

É o prazo de manuseio da última das ações eleitorais (aspecto não-criminal).

- Objeto:

Desconstituir o mandado eletivo.

- Hipóteses de cabimento:

- abuso de poder econômico; - corrupção;

- fraude.

- Abuso do poder econômico:

Discute-se se é possível entrar com ação de impugnação contra abuso de poder político. O TSE - RESP 28040, j. 22/04/08, Relator Min. Ayres Britto – entende que é possível, desde que a conduta tenha feições de abuso de poder econômico ou corrupção.

- Fraude:

Também é cabível ação de impugnação de mandado eletivo no caso de fraude é todo artifício ardil utilizado com o fim de obter o voto. A fraude tem que ter reflexos no processo de votação ou apuração, devido ao bem jurídico tutelado e a potencialidade.

25 Art. 216. Enquanto o Tribunal Superior não decidir o recurso interposto contra a expedição do diploma, poderá o diplomado

exercer o mandato em toda a sua plenitude.

26 Art. 14, § 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da

diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.

27 Art. 14, § 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se

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A corrupção pode ser entendida em dois aspectos:

- Sentido amplo: todo aquele procedimento que a pessoa oferece alguma vantagem ao eleitor em troca da pratica de um ato ilegal ou vedado por lei. Ex: candidato paga motorista para transportar eleitores da zona rural para zona urbana em outra seção.

- Sentido estrito: praticada direcionada ao eleitor com o fim de obter voto.

- Bem jurídico:

Deve haver potencialidade lesiva de afetar a lisura de um pleito.

- Prova (para a procedência): prova do abuso de poder econômico, corrupção e fraude que tenha potencialidade de afetar a lisura do feito.

- Competência: art. 8628 CE.

- Procedimento (Res. 21634 TSE): é o mesmo da ação de impugnação ao registro de candidatura – art. 3º e ss da Lei Complementar 64/90.

Antes se aplicava o procedimento ordinário do CPC. Após a Resolução 21634 do TSE modificou-se o procedimento.

- Sanção:

De cassação, invalidação ou insubsistência do mandato eletivo.

Havendo procedência é possível cogitar do efeito da inelegibilidade – art. 1º, I, “d29”, LC 64/90.

- Recurso: prazo e efeitos

O recurso contra sentença do Juiz eleitoral o prazo é de 3 dias.

28 Art. 86. Nas eleições presidenciais, a circunscrição serão País; nas eleições federais e estaduais, o Estado; e nas municipais, o respectivo município.

29 Art. 1º São inelegíveis:

I - para qualquer cargo

d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes.

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DIREITO ELEITORAL

O efeito é imediato, aplica-se o art. 25730 do CE, não tendo efeito suspensivo os recursos. Mas para sanção de inelegibilidade há necessidade do Tribunal confirmar.

TSE a cada eleição quando baixa resoluções refere a eficácia da decisão nas ações de mandado eletivo. Ex: Resolução 23.000 de 2010, art. 175, §2º, menciona que a decisão proferida em impugnação de mandado eletivo tem eficácia imediata.

Prazo: de 15 dias é decadencial. Aplica-se a regra do art. 18431 do CPC.

- Princípio da Publicidade: Art. 14, §11º32

, CF, refere que ação de impugnação de mandato eletivo tramitara em segredo de justiça. Porém, o art. 9333

, CF que refere as decisões judiciais serão publicas.

TSE refere que enquanto estiver tramitando é segredo de justiça e quando houver decisão é publica.

30 Art. 257. Os recursos eleitorais não terão efeito suspensivo.

31 Art. 184. Salvo disposição em contrário, computar-se-ão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. 32 Art. 14, § 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se

temerária ou de manifesta má-fé.

33 Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os

seguintes princípios:

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.

Referências

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