Abismo Infinito - Livro de Regras - Taverna Do Elfo e Do Arcanios

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“é preciso mergulhar

em abismos obscuros, e

nas profundezas viver

entre maravilhas e

glórias eternas”

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um jogo narrativo

de horror no espaço

por john bogéa

RETROPUNK PUBLICAÇÕES

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Primeira tiragem • Julho de 2012 • ISBN: 978-85-64156-18-0 Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por quaisquer meios, sem

autorização prévia e por escrito da editora e do autor. É permitido a impressão da Fichas de Argonautas para uso pessoal.

www.retropunk.net

 Bibliotecário responsável: Cristiano Motta Antunes CRB14/1194

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Bogéa, John

Abismo Infinito / John Bogéa. — Curitiba : Retropunk Publicações, 2012.

ca. 128 p. : il. color.

1. Jogos de fantasia. 2. Jogos de aventura. 3. “Roleplaying games”. I. Título.

CDD - 793.93

CDU – 794.046.2:792.028

www.salacentoeum.com

Cenário, sistema, textos, diagramação, contos e ilustrações por John Bogéa.

Edição e revisão por G. Moraes. HQ intro por Dalts (arte) e Raphael Fernandes (roteiro).

Agradecimentos: a Lú (minha mulher), Edu (meu filho), a dona Leonilda (minha mãe); a Secular Games pelo estímulo que eu precisava para desenvolver este projeto; a Editora RetroPunk por ter acreditado e investido neste jogo; ao marginal Eduardo Caetano; a Livia von Sucro, Walder Lopes e o povo da Comunidade RPG Brasil do Orkut; a Felipe Penna (valeu pelos livros de Psicologia e pelas cervejas); aos amigos de Portugal João Mariano e Ricardo “Jogador Sonhador” Tavares; aos integrantes do fórum Garagem RPG; aos comparsas do Blog RPG Pará, Rafael Rocha (Secular Games), Guilherme Moraes (RetroPunk), Eraldo Portugal (World RPG Fest), Cassiano Oliveira (Dia D RPG), Fernando Del Angeles (Revista RolePunker); aos amigos de longa data Dorival Moraes, Gilson Rocha, Fabrício Caxias e Lenoir Cunha; as pessoas que apoiaram o projeto desde o início e/ ou testaram o jogo, como Sayron Schmidt, Rafão Araújo, Marcos Silva, Ricardo Mallen, André Mousinho, Rodrigo Ragabash, Mike Wevanne, Júlio Cesar da Silva, Kairam Ahmed Hamdan, Dmitri Gadelha, Vitor Pissaia, João Pedro, Caio Maximino, Harlley Castro, Lafaete Dexter, Daniel Carvalho, Hélio Júnior, Daniel Firmino (Jan Piertezoon), Diego Austarete, Júlio Matos, Elves Kado, Carlos André e tantos outros que já considero amigos.

As citações iniciais de cada capítulo são trechos do poema “Nêmesis” de H. P. Lovecraft,

traduzido livremente por John Bogéa.

As faixas do CD de música ambiente estão sob Creative Commons 0 License e foram compostas por (1)genelythgow, (2) mitchelk, (3) CaCtUs2003, (4)Head-Phaze, (5)Elektrocell, (6, 7, 8 e 12)

Burning-Mir, (9) AlienXXX, (10) alienistcog e (11)Halion. Acesse freesound.org para outros efeitos sonoros ou músicas ambiente.

www.secular-games.com

A primeira versão de Abismo Infinito foi um projeto desenvolvido em 15 dias para o concurso de Game Design “Faça Você Mesmo” da Editora Secular Games, em fevereiro de 2011, do qual foi um dos premiados.

Este livro é inadequado para menores de idade e/ou pessoas imaturas. REtRoPuNk PuBLiCAçõES

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expedições ao infinito... 14

a terra no quarto milênio...36

caindo no abismo... 40

gênese e resolução... 50

cenas...78

manifestações dos medos...82

fenômenos espaciais...84

nomos e talos...89

conduzindo o pesadelo... 90

a história...101

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Aceito prestar serviços por tempo indeterminado a Organização de Astronomia e Expedições

Espa-ciais do Governo Unicrático da Terra sob o título de Iniciativa Cronos.

O presente Contrato Individual de Integração ao Programa de Expedições Espaciais Intergalácticas firma, nos termos da lei, as seguintes cláusulas assim pactuadas:

Cláusula 1ª - Do Serviço de Argonauta: Como Argonauta, tenho a obrigação de prestar meus

serviços no quadro de membros efetivos da Iniciativa Cronos para exercer o cargo no qual sou formado com louvor pelas Academia de Astronomia da própria organização, mediante a remune-ração padrão de créditos unicráticos a ser paga mensalmente aos meus dependentes na Terra (ou em colônias espaciais de minha preferência). A Iniciativa Cronos se compromete em honrar os pagamentos enquanto durar o Programa de Expedições Espaciais Intergalácticas e/ou minha utilidade como Argonauta, ou até seja considerado morto em serviço ou perdido nos confins da galáxia sem possibilidade de retorno (neste caso, a Iniciativa Cronos se compromete em prestar homenagens fúnebres a minha pessoa, arcando com todos os custos e enviando um abono simbólico aos meus familiares por até 12 meses depois de constatado minha incapacidade de retornar a civilização e/ ou existência humana).

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A Iniciativa Cronos também tem o direito de me expulsar do Programa de Expedições Espaciais

Intergalácticas se for constatado minha total incompetência dentro do cargo em que sou formado,

ou minha incapacidade intelectual ou física diante dos severos padrões exigidos pela organização.

Cláusula 2ª - Do Processo de Expedição: Estou ciente que a humanidade conta com meus

serviços de exploração intergaláctica para confirmar as especulações científicas a cerca de novos planetas ou luas terraformáveis e colonizáveis (Autoctônias). Estou ciente que tenho que zelar pela estrutura tecnológica cedida pela Iniciativa Cronos: estações espaciais (Hipérions), cruzado-res intergalácticos (Argos), computadocruzado-res de bordo (Nomos), androides (Talos) e demais aparatos tecnológicos. Estou ciente que ficarei incomunicável no espaço, contando apenas com os outros membros da equipe de exploração. Estou ciente que sou obrigado a responder e, se necessário, prestar auxílio ou resgatar outras equipes de Argonautas com problemas. Estou ciente que a Ini-ciativa Cronos pode alterar arbitrariamente os rumos da missão determinando novas prioridades e sem ser questionada por isso. Estou ciente que o processo de viagem espacial pode durar dezenas de anos e que, dentro desse período, o Governo Unicrático Terrestre pode instituir novas leis e novos rumos para Programa de Expedições Espaciais Intergalácticas (inclusive a total anulação desde contra-to). Estou ciente que posso perder meus dependentes durante esse período (neste caso, a Iniciativa Cronos se compromete em depositar minha remuneração em bancos de minha preferência). Estou ciente que, dentro deste período, a Terra pode entrar em colapso total, a raça humana pode entrar em declínio irreversível, ou, na pior das hipóteses, se extinguir por completo (neste caso, considere este contrato anulado).

Cláusula 3ª- Da Isenção de Responsabilidades: Estou ciente dos perigos imprevisíveis e mor-tais que posso correr no processo da expedição espacial intergaláctica (perigos esses que nem a própria Iniciativa Cronos seria capaz de prever). Estou ciente dos males físicos e psicológicos que posso adquirir no processo de dobra espacial e hibernação criogênica. Estou ciente das possibili-dades de falha na tecnologia do cruzador intergaláctico e nos problemas que possam surgir com isso. Estou ciente dos fenômenos espaciais letais a minha saúde, tal como cinturões de asteroides, buracos negros, ventos solares, supernovas e horizontes eventuais. Estou ciente da letalidade at-mosférica de ambientes inóspitos extraterrestres e da vida alienígena hostil nativa que possa haver nos planetas e luas em que me proponho a explorar. Ciente de tudo isso, isento a Inciativa Cronos de qualquer responsabilidade quanto a minha integridade física e mental durante o processo da expedição espacial intergaláctica.

____________________________________ Argonauta

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capítulo 1

expedições

ao infinito

Fui o primeiro a acordar da hibernação, uma sema-na antes dos outros. No início é confuso, difícil compre-ender que não estamos mais dormindo, e se não fosse a fome avassaladora provavelmente ficaria deitado na câ-mara por mais alguns dias.

Desconectei o emaranhado de fios e tubos do meu corpo, forcei a porta da câmara e me levantei. A sensa-ção era de uma longa e conturbada noite.

Lembro de poucos sonhos, pedaços fáceis de esquecer. Se não soubesse, jamais pensaria que já tinha se passado vinte anos...

Andar pelos corredores escuros do Argo era assus-tador, a voz eletrônica do Nomo me desejava bom dia,

me informava das horas terrestres, me dizia o que fazer, pra onde ir, perguntava sobre minha saúde... como se um computador realmente se importasse com minha saúde ao invés de ser uma simples programação para simular algum tipo de preocupação. A voz eletrônica, por mais apática que parecesse, diminuía um pouco a solidão. Às vezes até tentava manter algum diálogo, mas desisti após decorar a sequência de respostas programadas.

Na cozinha, ainda com uma lata aberta de pasta de nutrientes na mão, olhei o espaço pela janela lateral. Entre uma colherada e outra, vislumbrei Autoctonia-19. Como era imenso aquele planeta. Por um momento tive um surto de desespero, como quem encontra algo que não pode ser contido, que não pode ser domado, mas que se

Através dos portões mórbidos do sono,

Para além dos tenebrosos abismos do infinito,

Tenho vivido minhas inúmeras vidas,

Tenho sondado com a vista tudo que existe;

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é obrigado a enfrentar. Era tanta informação visual que me deixava tonto. Meus olhos vidrados contemplando os astros, a poeira de estrelas avermelhada que circun-dava o planeta gigante e as três luas majestosas... Tudo era maravilhoso demais, um assustador espetáculo cós-mico... Tão surreal. Pensei em começar imediatamente a registrar o que via com o equipamento de vídeo, mas estava tão fraco e aturdido que precisava descansar de verdade, sem a indução de nenhuma máquina.

Tomei dois analgésicos, aparei a barba e acendi um cigarro. A cabeça parecia que ia explodir de tanta dor, o cérebro ainda estava embaralhado, recuperando a or-dem. Esparramei-me no chão umas duas ou três vezes antes de chegar à minha cabine. Deitei na cama, virei de um lado para o outro até encontrar uma posição boa para dormir, ajeitei meu braço por baixo do travesseiro macio e fechei os olhos; e foi quando vi pela primeira vez a face da besta...

o abismo

do universo

Não é de hoje que o ser humano deseja alcançar o espaço, foram séculos de tentativas e desenvolvi-mento de tecnologia astronômica para romper as fronteiras do nosso próprio sistema solar. Viajar en-tre as esen-trelas, visitar outros planetas, contemplar outras luas, se tornou mais do que um simples de-sejo, se tornou uma necessidade.

Grupos de argonautas (astronautas destemidos, ousados e brilhantes), foram formados para desbra-var o grande abismo infinito do universo em busca de esperança, de um novo lar para dar continuidade à espécie humana; uma espécie que hoje, por conta

de milênios de maus tratos ao próprio planeta na-tal (a Terra), precisa de outro lugar para viver, mais seguro, mais limpo e sem nenhum cataclisma emi-nente.

A paisagem do universo – o deslizar dos astros através dos moldes do espaço há milhares de anos luz da Terra – pode, em um primeiro momento, le-var a mente à um estado melancólico de contem-plação, depois à euforia, e, então, medo. O medo do desconhecido é a sensação mais antiga e pura dos seres humanos, é o mais intenso e primitivo de to-dos; o medo que corrompe os corações das pessoas quando estão frente a algo que não compreendem; o mesmo medo que sentiram os humanos primi-tivos, na Terra primordial, a medida que foram descobrindo as maravilhas do mundo, do fogo, da alavanca, da lança, da clava, da caça e da morte. A ignorância é o combustível desse medo, a sensação avassaladora de não ter poder sobre o que se mostra, de não compreender, de não conter. Isso, sem dúvi-da, pode enlouquecer até o mais forte dos homens; e é isso que os argonautas encontrarão se forem des-cuidados no abismo do universo.

a era da

viagem espacial

Estamos no quarto milênio e as fronteiras do universo já não são mais intransponíveis. Os seres humanos finalmente podem ir para além do sistema solar, arriscando a própria vida ao desbravar o espa-ço obscuro, motivados pelas especulações astronô-micas sobre lugares assombrosos e colonizáveis.

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argonautas, considerados os heróis da espécie, via-Esses audazes astronautas são conhecidos como jando por anos a uma distância estupenda – milha-res de anos luz – até onde nenhum homem jamais esteve. Tudo isso possível graças ao maior advento da humanidade: o motor de dobra espacial. Essa tec-nologia custou vários séculos de pesquisas árduas sobre como produzir antimatéria e, mais importan-te, controlá-la. Gerações de cientistas analisaram e aprimoraram a teoria geral da relatividade de Eins-tein, até chegar ao que parecia impossível: uma má-quina capaz de simular um buraco de verme e, assim, dobrar o espaço, fazendo com que o cruzador

equi-pado com esta tecnologia viaje

até mil vezes mais rápido que a velocidade da luz. Tal descoberta científica talvez nunca tivesse sido realizada se não fosse a atual necessidade extrema de migrar para o espaço e estabelecer moradia em outros planetas.

A Terra está morrendo e a raça humana está à beira do juízo final. Os esforços de todas as autori-dades governamentais do mundo foram concentra-dos inteiramente nos projetos de colonização espa-cial, o que, obviamente, fez com que os trabalhos no campo da astronomia dessem um salto evolutivo gigantesco.

a exploração

intergaláctica

Obscura, espiral e perigosa, a Via Láctea gira sem propósito pelo universo como um vórtex com inúmeros braços, compostos de

bi-lhões de sistemas solares, atraídos pelo seu núcleo voraz. Cerca de cem mil anos luz de extensão. No entanto, apesar de seu tamanho assombroso, é

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Holodiário de Joana S. Ramsés,

Gerente de Astrofísica -

Fragmen-tos #146 a #149

[início de leitura] ...#146 11•02•3066 19:54 - cheguei ao Braço de Perseu! Estou

nesse momento estacionada na órbita de Au-toctônia-19, me preparando para descer até a superfície do planeta. Mesmo em missão solo, me sinto perfeitamente capaz de exercer as pesquisas no planeta. [trecho corrompido]... sinto-me muito bem, contrariando as previ-sões médicas sobre a letargia e confusão ce-rebral que sentiria ao acordar da hibernação. Estou firme e totalmente ciente dos objetivos da missão... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#147 19•02•3066 22:16 - as coisas espreitando

pe-las sombras da nave são tão absurdas que às vezes acho que ainda estou dormindo, ainda em hibernação criogênica. Depois que acor-damos em Autoctonia-19 tudo se tornou tão nebuloso que já não confio mais na minha própria distinção do que é real e do que é ape-nas um sonho. Sabia dos efeitos de se passar tanto tempo dormindo, da letargia, da narco-lepsia, da sensação de insanidade... só não sa-bia que isso se tornaria o meu nêmese... [erro

de leitura]

[carregando novo trecho] ...#148 21•02•3066 07:00 - a nave de transporte está

apresentando defeitos que não consigo iden-tificar com precisão. [trecho corrompido]...no entanto, aparentemente, não afetam a deco-lagem e pouso do veículo, e muito menos a minha segurança... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]... #149 8:01 - A

coisa está aqui.... ela está aqui...[fim de leitura].

apenas mais uma galáxia ordinária no meio de um infinito de outras galáxias, e, nem de longe, chega a ser a maior. Ir além de seus limites, mesmo com o nível tecnológico atual, é um sonho quase impossí-vel. Uma viagem até as extremidades da Via Láctea, mesmo viajando mil vezes mais rápido que a luz, dependendo de qual lado da borda se quer chegar, poderia demorar mais de um século. Além disso, a mente humana não está preparada para uma rela-ção tão longa com um infinito de coisas nunca antes vistas. Mesmo as mentes mais poderosas já sucum-biram a delírios e outras mazelas psicológicas ao se arriscam a ir tão profundos no espaço. No entanto, explorar a galáxia é um trabalho tão perigoso quan-to necessário.

iniciativa cronos

A Inciativa Cronos é a agência de astronomia do Governo Unicrático Terrestre, uma espécie de marinha espacial científica, responsável pela pesqui-sa, mapeamento e desenvolvimento de programas espaciais e missões de exploração pela Via Láctea, principalmente no que diz respeito a terraformação e colonização de planetas potencialmente habitáveis. A Cronos foi fundada no início do quarto milênio, como resultado da fusão de quase todas as agências importantes de astronomia que estavam espalhadas pelo mundo. É a única organização humana a ex-plorar o espaço de forma massiva, enviando equipes de cientistas a bordo de cruzadores intergalácticos para vários setores da Via Láctea, se tornando a maior e mais importante organização de exploração espacial da história da Terra.

A Cronos também é a entidade por trás de todos os atuais grandes adventos tecnológicos da

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universo maleável

O entendimento pleno da Lei Geral da

Relatividade de Einstein mudou os rumos

da civilização humana e de como se enten-dia o funcionamento da física natural. No quarto milênio, o sistema físico

newtonia-no, foi quase que completamente

substituí-do pelo einsteniano, implicansubstituí-do em severas mudanças no entendimento da força gravi-tacional e, consequentemente, contribuín-do para o desenvolvimento e manipulação de dobras espaciais. No sistema einsteniano, a gravidade não é uma força misteriosa que nos puxa, e sim uma força universal que nos empurra contra o planeta. O espaço se ajusta a massa que o ocupa, isto é, ele está moldado ao nosso redor, como um cober-tor, imperceptível, cobrindo tudo e todos.

“Imagine um lençol cobrindo um colchão. Se você colocar uma bola de boliche no meio do colchão, ele irá afundar e repuxar o lençol, já que o peso da bola faz força para baixo. Se colocar uma bolinha de gude próximo a bola de boliche, ela irá rolar na direção da bola de boliche, seguindo as ondulações do lençol repu-xado.” - Dr. Quesada, Astrofísico.

Objetos mais pesados, como o sol, po-dem distorcer o espaço e moldar as órbitas dos planetas ao redor. Os planetas giram ao redor do sol porque o sol distorceu o espaço, criando ondas pela qual deslizam os planetas. O motor de dobra dá o poder de manipular o manto espacial, criando ondu-lações e distorções artificiais.

nidade, como o holograma, androides, drones, cruzadores e, principalmente, pela substituição do modelo físico newtoniano pelo modelo físi-co einsteiniano - o que possibilitou um melhor entendimento sobre como funcionava as forças naturais que moldam o universo, e, consequen-temente, a criação do motor de dobra espacial.

as missões

A grande maioria das missões expedicio-nárias tem apenas um objetivo: encontrar pla-netas habitáveis, parecidos com a Terra, aptos para a colonização. No entanto, várias missões tem outros objetivos menos nobres, como por exemplo, mandar técnicos para manutenção de uma determinada estação espacial; explorar o potencial mineral de corpos celestes e fundar centros de mineração; investigar ruínas de ci-vilizações extraterrestres; encontrar cruzado-res desaparecidos etc.

A quantidade de membros de uma expedi-ção pode variar dependendo do objetivo e tipo da missão, podem haver situações em que de-zenas de argonautas são necessários e podem haver situações em que apenas um grupo es-pecialmente pequeno é suficiente. Missões de exploração são geralmente destinadas a lugares muito distantes no espaço, longe de qualquer estrutura humana conhecida, deixando os ar-gonautas sozinhos, incomunicáveis, sem con-tato nenhum com a Terra ou com qualquer base da Cronos, já que nenhum sinal, dependendo da distância, consegue ir tão longe no espaço em menos de algumas dezenas, centenas ou mi-lhares de anos.

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hipérions

Hipérions são mega estações espaciais cons-truídas e administradas pela Iniciativa Cronos, cada uma com uma função específica, como, por exemplo, base de operações de pesquisa, pólos científicos, quartéis militares, extratoras mine-rais etc. Uma Hipérion pode ser flutuante ou fixa na superfície de algum planeta, lua ou até as-teroide, dependendo da necessidade. Além dis-so, as Hipérions são também marcos galácticos das zonas espaciais já exploradas na Via Láctea.

A base central da Cronos é a Hipérion-1, uma mega estação espacial que flutua entre a Terra e a Lua. É na Hipérion-1 que se encon-tram a maioria das academias científicas e esta-leiros dos Argos. É também lá que praticamen-te todos os cruzadores são construídos e a grande maioria dos argonautas termina a última etapa de treinamento antes de desbravarem o espaço.

argos

Argos são cruzadores intergaláctico desenvol-vidos especialmente para suportar viagens de do-bra espacial sem colocar a integridade física e mental dos tripulantes em risco. Cada Argo é construído e equipado principalmen-te com um motor de dobra espacial e di-versas câmaras de hibernação criogênica. Nada conhecido na galáxia tem o des-locamento mais rápido que os Argos quando estão dentro de uma ponte de dobra, visto sua velocidade absurda, mil de vezes superior a velocidade da luz.

Os astronautas expedicionários a bordo dos Argos são comumente chamados de Argonautas.

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motor de dobra

espacial

O Motor de Dobra Espacial é com toda a certeza o maior advento da histó-ria da humanidade. Permitiu aos seres humanos explorar longas distâncias na galáxia, para muito além do nosso mi-núsculo sistema solar. O motor cria um tipo de buraco de verme artificial e ma-nipulável, chamados de pontes de dobra, que engole e impulsiona o Argo até seu destino, alcançando uma velocidade até mil vezes mais rápida que a luz. Quando o motor é ativado, a estrutura do continuum espaço-tempo ao redor do cruzador é distor-cida, dobrada, gerando atalhos rápidos entre dois pontos no universo.

nomos

Nomos são computadores de bordo do-tados do que há de mais moderno em inte-ligência artificial, cuidam da manutenção e

administração estrutural do Argo em que está instalado. É a alma do cruzador. Um Nomo é constituído de um sistema compu-tacional modular, que pode ser instalado e reinstalado em Argos diferentes sempre que for necessário fazer uma migração, acom-panhando a equipe de argonautas mesmo que eles mudem de Argo. Um Nomo se co-munica com os tripulantes informando-os, aconselhando-os, apoiando-os ou até recri-minando-os. Apesar de ser capaz de expressar suas próprias opiniões programadas, um Nomo está a serviço dos membros da missão, principal-mente do capitão.

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a dobra espacial

Uma ponte de dobra – efeito produzido pelo motor de dobra espacial - é um túnel de distorção no continuum espaço-tempo que liga dois pontos no universo - um buraco de

verme artificial. O processo é uma série de reações de antimatéria e impulsos eletro-plásmicos que influência o manto espacial ao redor do Argo, gerando um vórtex

controlável que engole e empurra o cruzador através dele a uma velocidade que pode ser até mil vezes mais rápida que a luz. Sem essa super-velocidade seria impossível para a raça humana explorar pontos distantes na galáxia. Provavelmente ainda estaríamos limitados ao nosso próprio sistema solar, ou, na pior das hipóteses, apenas as periferias da Terra.

Por mais assombroso que seja o deslocamento dentro do nível máximo da dobra, não é o suficiente para alcançar certas distâncias em um piscar de olhos, como em velhos filmes e seriados sobre viagens espaciais. Chegar do outro lado da galáxia, por exemplo, em velocidade máxima de dobra, pode demorar uma centena de anos. Ir mais além, em direção ao super aglomerado de galáxias pode durar milhares.

Qualquer organismo exposto a certas velocidades de Ponte corre o risco de se desintegrar. As moléculas simplesmente perdem a consistência e se desmontam. Quanto mais intensa a ponte, maior o risco para qualquer organismo que esteja viajando por ela sem proteção adequada.

“...para cada interação entre dois corpos, existem duas forças agindo sobre eles. Digamos que você esteja viajando em seu carro a alguns quilômetros por hora, enquanto veículo se desloca para frente, você sente a pressão do seu corpo contra o banco. O banco do carro está empurrando você, mas você também está exercendo uma força contra ele, o pressionando. Então, elevando o nível da viagem para a velocidade da luz, essa aceleração intensa o mataria, esmagando-o no assento como um mosquito é estraçalhado no pára-brisa de um carro em alta velocidade... O corpo humano não é capaz de suportar tamanha força de reação.” – Dr. Breccia, Astrofísico.

Os Argos são construídos com uma tecnologia de contenção e animação suspensa, que oferece um certo fator de proteção à tripulação que esteja viajando em velocidade de dobra – única forma, pelo menos em teoria, de manter salubre a integridade física e mental dos argonautas.

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talos

Talos são androides criados pela Iniciativa Cro-nos que imitam perfeitamente os traços físicos e psicológicos dos seres humanos. A maioria é co-berta por um tipo de revestimento siliconizado que imita a pele humana tão perfeitamente que é difí-cil identificar à primeira vista que se trata de uma máquina. A inteligência artificial de um Talo foi desenvolvida para permitir que se comporte, opi-ne e, inclusive, simule sensações e emoções como se fosse humano. Essa semelhança, teoricamente, deixaria os tripulantes mais a vontade em interagir com o androide.

Talos só existem para servir aos propósitos da missão e obedecer aos humanos para os quais fo-ram progfo-ramados. Cada missão tem pelo menos um Talo abordo do Argo como guardião dos argo-nautas enquanto estes estão em hibernação criogêni-ca. Entretanto, eles podem exercer diversas outras funções dentro das missões, acumular diversas ta-refas e arquivar mais conhecimento em seu cérebro eletrônico do que uma equipe inteira de cientistas; o que os tornam “ferramentas” de exploração de grande utilidade. Também podem servir para fins militares, sendo ótimos soldados a serviço da segu-rança da nave.

hibernação criogênica

A viagem em velocidade de ponte pode ser muito perigosa para os tripulantes, e, mesmo levando em consideração a série de fracassos das primeiras mis-sões, séculos atrás, não se sabe ao certo o que pode acontecer lá fora, no espaço. Viajar nessa velocida-de sem a velocida-devida proteção povelocida-deria causar problemas

Holodiário de Joana S. Ramsés,

Gerente de Astrofísica -

Fragmen-tos #158 a #160

[Início de leitura] ... #158 25•02•3066 18:12 - me enganei quanto a nossa

localiza-ção, não estamos no Braço de Perseu, e sim em Scutum-Centáuro. Também não estou em missão solo, estou acompanhada de uma equipe de mais de trinta argonautas... [trecho

corrompido] ...Ainda estou sob efeito letárgico

da hibernação...[trecho corrompido]...só agora percebi o quanto estou confusa e fantasiando coisas por conta do sono. Ainda hoje vou con-versar com o psicólogo e o médico da missão. Espero que essa perda momentânea de razão jamais... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#159 14•03•3066 21:22 - hoje vamos dar início aos

testes de qualidade de ar, água e solo. Visual-mente, a paisagem é deslumbrante; inúmeros córregos finos de água se espalham pelo solo de um lado a outro da região onde fixamos o laboratório... [trecho corrompido]...realmente estou otimista em relação a este planeta, tudo indica que talvez seja nossa primeira colônia. Todos na equipe estão entusiasmados com a possibilidade quase certa... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#160 20•03•3066 10:08 - ainda não encontramos

nenhum animal de grande porte, apenas mi-cróbios, plantas e anfíbios. No entanto a equi-pe de exobiólogos está certa que existem, mas que talvez estejam com medo de nós. De qual-quer forma o gerente da segurança já mobili-zou alguns homens para manter o perímetro seguro. ...[fim de leitura].

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cardíacos, cerebrais, circulatórios ou, na pior das hipóteses, despedaçar totalmente o cor-po do argonauta. A maioria das viagens demora dezenas de anos antes de com-pletar todo o percurso, e manter um argonauta ativo durante esse período, além de totalmente desnecessário e pe-rigoso, seria um desperdício de tempo, recursos e da própria vida do indivíduo, que envelheceria demais (ou faleceria) antes mesmo de chegar ao destino da missão. Por conta disso, os cruzadores são equipados com inúmeras câmaras individuais de hibernação criogênica, que funcionam como leitos de ani-mação suspensa, onde os tripulantes são enclausurados e mantidos em estase, teoricamente, protegidos das mazelas da viagem. A cápsula in-duz o ocupante a um sono constante enquanto um sistema de criogenia e introdução de nutrientes alimenta e conserva o corpo do argonauta por períodos às vezes superiores a cente-nas de anos, dependendo de onde se quer chegar na galáxia.

O processo de hibernação criogênica preserva totalmente o corpo, e, mesmo que se passe centenas de anos, todas as funções orgânicas continuam exatamente iguais ao momento inicial do processo. Os argonau-tas simplesmente não envelhecem enquan-to estiverem dormindo nas cápsulas. No entanto, o processo de hibernação é um advento ainda em estudo e não se sabe ao certo por quanto tempo uma pessoa

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pode hibernar antes de apresentar qualquer sequela física ou mental, ou se o processo prejudica psico-logicamente os ocupantes, ou se o uso consecutivo/ abusivo do processo causa algum mal grave.

Enquanto a tripulação hiberna guardada pelo Talo responsável, o Nomo da nave segue o percurso

distorcendo o continuum espaço-tempo

Segundo a física einsteiniana, o espaço e o tempo são dois lados da mesma moeda, estão naturalmente relacionados. Todas as medições de tempo são, de fato, medições no espaço, e as medições de espaço dependem das medições de tempo. Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, estações... são medidas da posição da Terra no espaço em relação ao Sol, à Lua e às estrelas. O meio-dia, por exemplo, é apenas um ângulo do Sol.

Uma das forças conhecida capaz de distorcer o Continuum Espaço-tempo é um buraco de verme (tanto os naturais quanto os artificiais criados pelo Motor de Dobra). Um buraco de verme gera um túnel de deslocamento espacial, como um vórtex, que liga dois pontos determinados no universo, reduzindo a distância e o tempo entre eles. O termo nasceu de uma analogia simples e genial: da mesma forma que um verme que perambula pela casca de uma maçã poderia pegar um atalho atravessando o miolo para o lado oposto da fruta, um viajante espacial poderia pegar um atalho por um buraco de verme para o lado oposto de uma região espacial. O motor de dobra é justamente a máquina capaz de produzir e manipular buracos de verme artificiais possibilitando a viagem através deles.

Buracos de Verme naturais, são quase impossíveis de prever, a entrada e a saída podem se localizar em

galáxias diferentes; fluxos temporais diferentes, ou mesmo em multiversos diferentes. Isto é, entrar em um buraco de verme natural pode levar um cruzador para períodos de tempo diferentes (no passado ou no futuro), para regiões muito distantes e desconhecidas no universo, ou para dimensões paralelas imprevisíveis. Um cosmólogo pode usar seus métodos científicos para especular a intensidade de uma distorção cósmica, definir o destino da garganta de um buraco de verme natural e dizer onde e quando sua outra extremidade leva. Mas mesmo para um cosmólogo experiente, essa tarefa é extremamente complexa, e pode levar muito tempo para qualquer tipo de resultado realmente efetivo.

até o destino. Depois do tempo programado, a in-dução do sono criogênico é automaticamente cor-tada fazendo com que os tripulantes acordem pou-cas horas, dias ou semanas depois (dependendo do organismo de cada um). Os tripulantes nem perce-bem os longos anos, ficando apenas com a sensação de uma noite de sono longa e conturbada.

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autoctônias

As teorias astronômicas sobre planetas habi-táveis se tornaram ainda mais evidentes no quar-to milênio, há pelo menos milhões de possibili-dades espalhadas pela Via Láctea, observadas de longe por telescópios poderosíssimos, drones de mapeamento e sondas-satélites de monitoração.

Planetas ou luas potencialmente habitáveis, se-jam já formados, em formação ou em processo de terraformação, são rebatizados como Autoctônias.

Algumas Autoctônias estão em seu estado pri-mordial, em plena formação geológica, como era a Terra bilhões de anos atrás: tempestuosos, ins-táveis, com a atmosfera composta de gases como, por exemplo, monóxido de carbono e dióxido de enxofre. A colonização de planetas primordiais necessita de um trabalho longo e custoso de terra-formação, que pode adiantar o processo de forma-ção geológica natural e tornar o planeta habitável em poucos séculos.

Outras Autoctônias já passaram da fase mordial caótica e começam a apresentar os pri-meiros sinais de vida animal e vegetal, como pa-raísos extraterrestres misteriosos, perigosos e po-tencialmente colonizáveis. Como estão totalmen-te formados, o processo de totalmen-terraformação é mais simples, demorando, teoricamente, pouco mais de centena de anos, apenas ajustando o ecossis-tema, tornando o ar, água, plantas e animais acei-táveis para a vida humana. Algumas Autoctônias apresentam tanta similaridade com a Terra, que praticamente dispensam o processo de terraforma-ção, no entanto, como a natureza do planeta não foi administrada desde sua fase primordial, a vida nesse planeta pode ter tomado rumos perigosos ou exóticos demais para uma possível colonização.

nomenclatura

cronos

Quando um planeta qualquer na galáxia demonstra potencial em se tor-nar uma colônia terrestre, esse planeta é rebatizado como Autoctônia. Cada Autoctônia também possui um sufixo numérico, também seguindo a ordem em que são descobertas; por exem-plo: Autoctônia-122, Autoctônia-123, Autoctônia-124, e assim por diante. Quando esse planeta é reprovado, inca-paz de sustentar vida, volta para o seu nome original. Os Argos, Hipérions, Nomos e Talos, seguem a mesma ló-gica, recebendo sufixos numéricos na ordem em que são construídas. Por exemplo: Argo-23, Argo-24, Argo-25; Hipérion-3, Hipérion-4, Hipérion-5; Nomo-11, Nomo-12, Nomo-13; Talo-197, Talo-198, Talo-199 etc.

Algumas equipes de argonautas preferem arranjar nomes mais particu-lares para seus cruzadores, como ape-lidos que refletem bem o espírito de cada equipe. Por exemplo: a tripulação do Argo-41 chama-o de Orfeu; a tripu-lação do Argo-87 chama-o de Galatea; a tripulação do Argo-77 chama-o de Ícaro.

Algumas equipes chegam até a criar bandeiras ou pictogramas próprios cheios de significados particulares.

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Nos últimos séculos, várias equipes de argonau-tas foram enviadas para alguns desses planeargonau-tas, com a missão de confirmar as especulações científicas sobre as possibilidades de colonização ou se, pelo menos, po-dem ser terraformados. Mas até hoje pouquíssimas retor-naram com respostas. Algumas equipes ainda estão em

processo de viagem intergaláctica, atravessando as pon-tes de dobra, que, dependendo do setor galáctico onde

a Autoctônia está localizada, pode demorar várias dezenas de anos.

fauna e flora

extraterrestre

Diversas formas de vida podem ser encontra-das em planetas e luas da Via Láctea. Algumas

dóceis, como pequenos répteis e roedores, outras totalmente hostis, como bestas carnívoras fero-zes. Certos planetas são habitados por animais gigantes, similares aos do período pré-histórico da Terra, outros apenas por formas de vida simples, como se estivessem nos primeiros estágios da longa estrada da evolução. Curiosamente, todas as formas de vidas (animais e vegetais) parecem versões esqui-sitas das formas de vida já conhecidas na Terra (mi-cróbios, larvas, cactus, algas, insetos, anfíbios, rép-teis, mamíferos, aves, trepadeiras etc.) como se toda

a vida na galáxia partisse de uma mesma origem, mas com processos evolutivos diferentes de

acor-do com as necessidades de cada meio ambiente (ler A Origem do Universo, pág. 35).

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terraformação

Terraformação é o processo de criar uma biosfera planetária que imite a Terra em um outro planeta, modificando a ge-ologia desse planeta inóspito até deixá-lo em condições aceitáveis para sustenta-ção de um ecossistema com seres vivos da Terra. Terraformar um planeta é um trabalho complexo, demorado e absur-damente caro. Dependendo do planeta a ser terraformado, o processo pode durar várias centenas de anos até a atmosfera e temperatura se tornarem adequadas para a vida humana. Planetas primordiais são os principais candidatos a terraforma-ção, principalmente quando a formação geológica do planeta já indica que, em alguns bilhões de anos, ele seria seme-lhante a Terra. Neste caso, a terraforma-ção encurtaria os bilhões de anos para somente algumas centenas de anos, além do controle sobre a evolução animal, mi-neral e vegetal do planeta.

Ainda não existem planetas comple-tamente terraformados, mas há dezenas de processos iniciados em vários pontos da galáxia, principalmente no braço de Órion, por conta da proximidade com a Terra, o que facilita o transporte de mão de obra especializada e equipamentos.

Holodiário de Joana S. Ramsés, Gerente

de Astrofísica - Fragmentos #165 a #167

[Início de leitura] ...#165 28•03•3066 21:30 - um

ani-mal hostil matou quatro homens da segurança no início da tarde. A criatura parecia um urso negro gigante com uns três pares de chifres, os homens foram brutalmen-te mortos, estraçalhados pelas presas do animal. Feliz-mente o restante da equipe de seguranças, liderada pelo Comandante S. Montenegro, conseguiram alvejar a cria-tura até que ela caísse totalmente sem vida, próximo ao que sobrou da cerca elétrica de contenção. A equipe de cientistas está extremamente assustada, portanto decidi encerrar as atividades de pesquisa por tempo indetermi-nado, pelo menos até que a segurança do perímetro esteja reforçada... [trecho corrompido] ...Amanhã pela manhã os corpos dos homens mortos serão cremados em uma pe-quena cerimônia na câmara funerária... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#166 28•03•3066 00:47 -

juro que acabei de dar “boa noite” para um dos homens mortos no início da tarde. Estava caminhando pelo cor-redor, um pouco sonolenta, quando passou por mim um daqueles homens; não o reconheci imediatamente, então cumprimentei como faço a qualquer um, ele desapare-ceu no ar, como a fumaça de um cigarro. Não acredito em fantasmas, e tenho certeza que isso tem haver com o grande acúmulo de estresse e insônia nos últimos dias. Já solicitei uma consulta imediata com o médico de plantão, e espero realmente que isso seja apenas... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]...#167 07•04•3066 03:10 - as

vezes, entre as imagens oníricas de meu estado constante de sonolência, lembro das coisas que deixei para trás, na Terra. Minha família, meus amigos, a comida da minha mãe... Onde diabo estava com a cabeça para aceitar esse maldito serviço? Toda aquela ladainha de heróis da hu-manidade não faz mais nenhum sentido quando se está a milhares de anos luz de casa... [fim de leitura]

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zona hadeana

Os arredores do núcleo galáctico, ou Zona Ha-deana como alguns navegadores costumam cha-mar, é com toda a certeza a região mais perigosa de toda a galáxia. Aqui estão presentes os elementos mais curiosos da Via Láctea, assim como a maior quantidade de fenômenos cósmicos incontroláveis, como os temidos buracos negros e supernovas. É do núcleo que brotam todos os braços galácticos que compõem nossa galáxia, girando no universo como um redemoinho. Geralmente as expedições evitam a Zona Hadeana, a não ser que exista algo de extrema importância nessa região, como fontes de minérios raros, pesquisas sobre a origem do universo e da radiação galáctica, ou exploração de ruínas xenoarqueológicas.

Além disso, colônias nessa região são quase sempre descartadas já que o lugar exerce uma in-fluência perigosa sobre o cérebro humano - pesqui-sas indicam que ondas de radiação indetectáveis alteram drasticamente o comportamento de alguns argonautas, tornando-os violentos e, às vezes, qua-se irracionais. Os motivos e padrões biológicos afe-tados por esse tipo de influência ainda é fonte de estudo da comunidade científica.

sagitário-a

No núcleo da galáxia existe um buraco negro de proporções assombrosas batizado de Sagitário--A ou, como é chamado por alguns navegadores, O Olho de Deus. Assim como qualquer outro bura-co negro, qualquer massa que passe dentro de seu raio de atração é tragada até ser engolida, absor-vida e desmaterializada por completo; a diferença

em relação a outros buracos negros (pelo menos os já registrados pela Cronos) é que Sagitário-A tem proporções quase incalculáveis e um poder de atração suficiente para devorar planetas inteiros em poucas horas. No entanto, Sagitário-A pode ser a resposta que vários cosmólogos procuram para desvendar os mistérios quanto à origem da Via Láctea, e, se todas as expectativas forem saciadas, compreender o processo que originou o universo.

estrelas primordiais

O núcleo da galáxia também é onde se localizam as estrelas mais antigas já registradas pela Cronos, chamadas de Estrelas Primordiais ou Estrelas Ver-melhas. Essas estrelas ancestrais possuem um bri-lho rubro intenso, dando ao lugar uma tonalidade avermelhada vibrante. Alguns criptólogos acredi-tam que a origem da vida na galáxia tenha iniciado em alguns dos planetas dessa região.

braços galácticos

Há cinco braços galácticos - Perseu, Norma,

Scutum-Centauro, Carina-Sagitário e, o menor

de todos, Órion, onde está localizado o nosso sis-tema solar - giram ao redor do núcleo galáctico, que por sua vez gira ao redor de Sagitário-A, formando um redemoinho a deriva no universo, rebocando centenas de trilhões de corpos celestes. Os nave-gadores usam os braços como elementos cosmo-cartográficos, delimitando regiões que ajudam na própria localização entre as estrelas da Via Láctea.

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labirinto de estrelas

O Labirinto de Estrelas se localiza em toda região entre os Braços de Carina-Sagitário e Perseu. É uma região superlotada de corpos celestes, com planetas muito próximos uns dos outros e os maiores cintu-rões de asteroides da galáxia. É uma zona totalmen-te caótica, o lugar onde mais se perderam Argos e pra onde mais se destacam missões de resgate.

Não se sabe ao certo os motivos, mas navegar por esta região faz os sensores de localização enlou-quecerem assim como o próprio senso de espaço e percepção temporal dos argonautas. Certos cos-mólogos afirmam que a região possui uma carga magnética alterada impossível de ser medida ou driblada; essa carga magnética além de desregu-lar equipamentos de localização galáctica, afeta a mente humana, fazendo os argonautas perderem o próprio senso de compreensão espaço-temporal. Um ser humano afetado pelo Labirinto de Es-trelas é incapaz de compreender tempo e espaço; não consegue distinguir distâncias nem contabili-zar qualquer fração temporal, pode, por exemplo, confundir altura com largura com profundidade, segundos com minutos com horas, direita com es-querda, e nunca sabe ao certo se está descendo ou subindo ou se está na vertical ou horizontal. Nesse estado, um argonauta explorando uma lua rochosa pode achar que o fosso profundo a sua frente é uma caverna horizontal na lateral de uma montanha, e caminhar para uma queda iminente achando que vai simplesmente dobrar para a esquerda; ou pode correr na direção de um amigo e ter a nítida sensa-ção que está se afastando ao invés de se aproximar; ou até mesmo correr na direção errada, mesmo se

esforçando para manter a direção certa. Obviamen-te, a sensação da perda total de percepção deixa os argonautas desesperados, e, em certos casos, a men-te não resismen-te a total falta de referenciais e entra em colapso.

zona obscura

Entre os braços de Norma e Scutum-Centauro há uma região que desperta terror absoluto nos ar-gonautas, fazendo da Zona Obscura o setor menos explorado da Via Láctea. Alguns argonautas mais supersticiosos acreditam que é nessa zona que nas-cem todos os medos e onde se acumulam todos os pesadelos; funcionando como um receptor, tragan-do toda a energia negativa da galáxia e acumulantragan-do- acumulando--a entre as estrelas. Argonautas afetados pela Zona Obscura são expostos a uma atmosfera emocional pesada, estimulando surtos crônicos de irritação e depressão. Cosmólogos e psicólogos concordam com a teoria de que há uma influência magnética crítica nessa região que, por algum motivo, distorce gravemente a mentalidade humana.

zona de extração mineral

É próximo ao braço de Órion (o braço galáctico onde a Terra está localizada) onde, até agora, mais se fundaram refinarias. No entanto, todas as regiões onde as fontes de minérios foram encontradas são totalmente inóspitas e tempestuosas, incapazes de sustentar formas de vida (ou, segundo alguns astro-geólogos, se tornaram incapazes no decorrer de mi-lhões de anos). O aproveitamento desses recursos

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ainda é lento e custoso, e a logística de transporte ainda é muito complicada devido a distância, mes-mo com o poder da dobra espacial.

cemitério de estrelas

Há uma região entre os braços de Perseu e Nor-ma que causa preocupação nas academias científi-cas. Um evento que talvez tenha acontecido há so-mente alguns milênios, tornou praticaso-mente todos os planetas e luas da região completamente desola-dos e mortos, como rochas inúteis orbitando sóis fracos e instáveis, ou planetóides desgarrados va-gando pela região, chocando-se com outros corpos celestes. Os astrogeólogos e exobiólogos chamam a região de Cemitério de Estrelas.

Além do colapso planetário massivo, de alguma forma a região exerce influência sobre organismos vivos, corrompendo-os aos poucos. Inúmeros argo-nautas, após visitar a região, envelheceram e fica-ram com o aspecto de terem avançado dezenas de anos em poucos dias, contraindo todos os males de uma idade avançada. Outros, desenvolveram graves casos de necrose e outros males semelhantes. Ao que parece, mesmo formas de vida perfeitamente saudáveis apodrecem e morrem quando são levadas a região. Há inúmeras teorias que tentam explicar esse fenômeno; a mais popular dentre elas, e a que realmente preocupa os cientistas, é que talvez se trate de uma onda de desolação como uma nuvem de radiação cósmica imperceptível e extremamente prejudicial à formas de vida, como uma peste inter-galáctica em expansão.

sítios

xenoarqueológicos

Entre os braços de Carina Sagitário e Scutum--Centáuro, encontram-se vários sítios xenoarqueo-lógicos de antigas civilizações extraterrestres; algu-mas datadas de bilhões de anos. Em alguns planetas desse setor podem ser encontradas ruínas de cida-des inteiras, além de templos e monumentos; em outros, apenas pouquíssimos detritos e alguns raros artefatos. Todos os vestígios dessas civilizações são surpreendentemente semelhantes às antigas estru-turas arquitetônicas humanas, como as egípcias, as-tecas, maias e incas etc.

os pré-humanos

A Teoria dos Pré-Humanos, ou Primarcas, como os criptólogos costumam chamá-los, defende que criaturas extraterrestres super inteligentes visita-ram a Terra em um passado remoto, relacionan-do o evento com a origem e desenvolvimento da cultura e civilização humana. Os seres humanos seriam descendentes, experiências, criações ou fi-lhos desses seres dotados de grande conhecimento, herdando uma parcela da ciências, arte e tecnologia trazidos por eles. As origens das primeiras religiões humanas são, em teoria, reações aos encontros com os Pré-Humanos. Os humanos primitivos teriam co-locado os Pré-humanos como figuras divinas, tendo--os como deuses na terra vindos do céu.

Logo que começaram as expedições galácticas, os criptólogos encontraram inúmeros indícios que reforçam as teorias da existência dos Pré-Humanos. Ruínas de civilizações perdidas foram encontradas em diversos planetas e luas da Via Láctea; todas

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com assombrosa semelhança aos padrões arquitetônicos de ruínas egípcias, maias, incas, astecas e outros monumentos mis-teriosos terrestres; sugerindo que talvez os construtores fossem os mesmos ou tives-sem a mesma base cultural. Essas constru-ções extraterrestres datam de épocas muito mais remotas, quase incalculáveis, talvez mais antigas que o próprio planeta Terra. Por algum motivo ainda desconhecido os habitantes dessas civilizações foram extin-tos ou simplesmente abandonaram seus planetas natais. Talvez tenham deixado a Via Láctea prevendo um desastre cósmico iminente ou apenas uma possível infertili-dade dos planetas em que habitavam.

iconografia

extraterrestre

Existem centenas de padrões na icono-grafia presente em praticamente todas as ruínas Pré-Humanas, aparentemente cada povo desenvolveu seus próprios códigos de comunicação, mas seguindo um design iconográfico e representações significati-vas extremamente semelhantes. Alguns parecem com a escrita Maia, outros com a escrita ancestral egípcia e outros totalmen-te inéditos, que levam vários criptólogos a uma perplexidade perturbadora. Ne-nhuma das formas iconográficas extrater-restres foi totalmente compreendida, um criptólogo experiente pode tentar traduzir algumas sequências, como uma criança no jardim de infância se esforça pra juntar as

Holodiário de Joana S. Ramsés, Gerente

de Astrofísica - Fragmentos#199 a #206

[Início de leitura] ... #199 12•06•3066 15:11 - há

mi-lhares de corpos lá fora, o solo desse planeta maldito é composto de carne negra, pulsante, borbulhante, proto-plasmática. O fedor é tão intenso que mesmo os filtros de ar dos capacetes de exploração não foram capazes de conter a podridão...[trecho corrompido]...de corpos estão espalhados até onde a vista alcança... meu deus... corpos HUMANOS, como se uma cidade inteira tivesse sido exterminada e despejada aqui. Que deus proteja minha família e... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]...#200 12•06•3066 16:00 -

estou banhada em sangue, vi com meus próprios olhos, centenas de tentáculos enormes recolhendo os corpos, levano-os para um grande abismo...[trecho corrompido]... identifiquei como sendo uma boca quilométrica, cheia de dentes pedregosos... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]...#201 12•06•3066 16:21 - o

planeta está vivo e faminto, estou nesse momento aban-donando a expedição, programando a dobra... [erro de

leitura]

[carregando novo trecho]...#202 12•06•3066 16:30 -

Hoje está um bom dia, a paisagem aparentemente é bem agradável, hoje, logo cedo, detectei um riacho próximo daqui que seria um bom lugar para as primeiras expe-riências externas sem trajes de proteção. [trecho

corrom-pido]...ar deste planeta, segundo os resultados dos

pri-meiros testes, é o oxigênio de ótima qualidade... [erro de

leitura]

[carregando novo trecho] ...#203 12•06•3066 19:23 -

Hoje tivemos um ótimo dia, espero um rever este diário no... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#20412•06•3066 19:30 - os

corpos estão sendo consumidos... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#205 12•06•3066 19:45 -

tentei inúmeras vezes decolar, mas aparentemente algo está engatando os propulsores da nave de transporte. Que deus tenha piedade da minha alma... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#206 12•06•3066 20:00 -

hoje tivemos um bom dia, espero que os próximos tam-bém sejam assim. [fim de leitura]

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sílabas de uma palavra simples, e até ter um nível de acerto muito bom e entender ou interpretar os significados da mensagem; mas está longe de

en-tender por completo a complexidade iconográ-fica de cada civilização perdida, de cada região

ou de cada planeta. Alguns criptólogos acredi-tam que a iconografia de alguns povos extra-terrestres, dependendo de onde estão empre-gadas, servem para propósitos muito além da simples comunicação escrita; são como chaves que ligam e desligam certos fenômenos obscuros associado a essas civilizações perdidas.

pirâmides ancestrais

Analisando as estruturas arquitetônicas das ruínas Pré-Humanas, pode-se perceber a obsessão pela forma de “pirâmide”; quase todas, de um jeito ou de outro assumem essa forma. Criptólogos acreditam que essas construções estejam em perfeita simetria com configurações estelares, apontando para determinados corpos celestes que deviam ser importantes para a cultura local, posicionadas no solo com o mesmo desenho es-quemático que certas estrelas estão posicionadas no universo. Como representações de constelações, ou conjunto de constelações. Talvez o propósito seja de se comunicar com o espaço, recebendo e enviando mensa-gens, ou servindo de faróis estelares, ou sim-plesmente uma representação cultural ou religiosa sem nenhuma função prática. Há registros de algumas

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pirâmides que refletem luminosidade cósmica, como feixes de luz que conectam a ponta da construção com o universo. Os motivos e adven-tos que possibilitam esse fenômeno de comuni-cação luminosa com o espaço ainda são estuda-dos pelas academias de criptologia e discutidas em fóruns de ciência xenoarqueológica.

portões estelares

Portões Estelares são como os criptólogos ba-tizaram os grandes arcos de pedra ornamentada encontrados em diversos planetas de exploração xenoarqueológica, principalmente entre as ru-ínas das civilizações antigas dos Pré-Humanos. Alguns criptólogos acreditam que esses portões serviam (ou servem) como passagens dimensio-nais, criando atalhos no continuum espaço-tempo para regiões remotas do universo (como buracos de verme) ou gerando horizontes eventuais li-gados a realidades paralelas; outros acreditam que essas estruturas eram puramente artísticas--religiosas, representações de braços galácticos ou entidades cultuadas pelos povos locais.

Há inúmeros relatos de argonautas que en-traram em um curto estado de transe ao entrar em contato com estes arcos, alguns dizem terem sidos transportados para lugares estranhos em épocas desconhecidas, até lugares familiares presentes apenas no seu próprio subconsciente. Outros dizem terem tido revelações cataclísmi-cas e vislumbres divinos além do tempo e do espaço; há também aqueles que simplesmente nunca mais foram encontrados ou nunca acor-daram do transe.

Holodiário de Joana S. Ramsés,

Geren-te de Astrofísica - Fragmentos #241 a #245

[Início de leitura] ... #241 10•08•3066 11:11 -

te-nho certeza que não estamos sozite-nhos, quer dizer, tem algo aqui além dos tripulantes, algo habitando esta nave conosco, algo inumano, assombroso e letal. Às vezes a coisa entra nos meus sonhos e tenta me ferir a todo custo, às vezes ela espreita pelos cantos, enquan-to ainda esenquan-tou acordada... [trecho corrompido]...talvez esteja louca, talvez tenha contraído alguma doença espacial ou então a sensação angustiante de estar tão longe de casa tenha afetado a minha mente... [erro de

leitura]

[carregando novo trecho] ... #242 19•08•3066 02:26

- passei duas horas conversando com o meu filho morto, ele tinha morrido a pelo menos uns cinco anos atrás, em um incêndio. A princípio sabia que era mais um ilusão, mais um sonho, mas ele me pareceu tão real, tão vívido, ele me olhou daquele jeitinho dele, meu coração de mãe não resistiu, depois de horas de tormento, eu o abracei, apertei forte, chorei, e ele se desfez em fumaça... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]... #243 01•09•3066 05:03

– hoje, 01 de setembro de 3066, estou oficialmente abandonando a missão, há dias não encontro nenhum outro tripulante, e o pior é que não sei se quem desa-pareceu foram eles ou fui eu. Estou sozinha nesse lu-gar maldito, as vezes penso estar em outro lulu-gar, com as paredes sujas de sangue, vejo pedaços de corpos de crianças em todos os lugares... não posso aguentar isso, não fui treinada para isso... [trecho corrompido]...todos me abandonaram... [trecho corrompido]...se algum dia alguém encontrar este holodiário, diga a meu marido que eu o amo demais; diga que nosso filho veio me visitar e que disse que também o ama, infelizmente não posso continuar, estou apavorada demais pra ra-cionalizar qualquer solução. Desculpe, mas estou de-sistindo da missão e... de minha vida... [erro de leitura]

[carregando novo trecho]... #244 01•09•3066 05:25

– não é real... não é real... [erro de leitura]

[carregando novo trecho] ...#245 01•09•3066 05:30 –

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Há um grande número de criptólogos que acredita que a ativação desses portais (se é que podem ser ativados) está diretamente relacionado com certos significados e ma-nipulações iconográficas presentes nos arcos. Acreditam ainda que a configuração dos portões depende inteira-mente da forma como os iconogramas são representados, sobrepostos ou compreendidos.

a febre do espaço

O espaço infinito exerce uma influência misteriosa so-bre a mente humana. A maioria dos argonautas que se

afastam muito da Terra relata sobre alucinações e sur-tos de pânico. Talvez a série de novas informações

visuais e a possibilidade de nunca mais voltar para casa, sejam os responsáveis pelos distúrbios psicológicos e crises de insanidade. Os

psi-cólogos chamam isso de “Febre do Espaço”. Alguns dizem que essa demência é ativada pelo processo de hibernação criogênica nas cápsulas de animação suspensa, outros

di-zem que são ventos galácticos indetectá-veis que desregulam a racionalidade hu-mana; outros culpam equipamentos de

sustentação vital defeituosos; e tem até quem diga que uma força

cós-mica obscura e maligna trama contra os exploradores.

Já era previsto que a mente demoraria a se

rea-daptar depois dos longos anos hibernação. A le-targia e confusão do que é real e do que é sonho

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eram sintomas esperados, mas nada tão grave ou perigoso a ponto de comprometer gravemente a sa-nidade do argonauta. Não se sabe ao certo se todas as missões passaram ou passam por isso, já que nem todas as missões retornaram ou se comunicaram.

pesadelo lúcido

Depois de tanto tempo em hibernação, os tripu-lantes passam por longos dias em estado de letargia, alguns até desenvolvem um tipo temporário de nar-colepsia. A parte subconsciente do cérebro simples-mente não desliga facilsimples-mente, fazendo com que eles cheguem a sonhar enquanto ainda estão acordados. Esses sintomas já eram previstos, e teriam como so-lução apenas o tempo e reorganização cerebral na-tural de cada tripulante. Teoricamente, a confusão mental duraria poucas semanas - um triste engano. A distância no espaço e o tempo em hibernação, de alguma forma inexplicável, tiveram uma influência terrível sobre essa condição de sonolência. O que era para ser apenas um leve estado temporário de confusão da realidade, nada que prejudicasse a sa-nidade dos tripulantes, tende a se tornar um turbi-lhão de loucura e morte.

Alguns psicólogos chamam os casos graves de sonolência pós-hibernação de “Febre do Espaço”. Não há evidências concretas sobre a suposta doen-ça, mas, o que se sabe, é que os tripulantes simples-mente perdem a noção do que é real e do que é um sonho, ouvindo vozes, vendo coisas, perdidos em ilusões e manifestações oníricas horrendas. E o pior, tudo que se manifesta são alucinações terríveis dos

pavores particulares de cada um, como um grande surto de delírio coletivo. Às vezes há dúvidas até se eles estão realmente acordados ou se tudo faz parte de um sonho ruim enquanto ainda estão viajando pela ponte, inertes em suas Câmaras de Hibernação. Não há estudos profundos o suficiente em cima desses distúrbios para um diagnóstico ou tratamen-to adequado. Segundo os registros da Cronos, gran-de parte dos tripulantes em missões distantes no es-paço, além do nosso braço galáctico, apresentaram algum nível desse mal.

a origem

do universo

À medida que as expedições encontravam novos mundos e estudavam sobre as evoluções das formas de vida contida neles, os argonautas ficavam sur-presos em quanto àquilo que deveria ser alieníge-na, na verdade, era bem familiar. De certa forma, era de se esperar que em planetas parecidos com a Terra, a vida se manifestasse de forma parecida. No entanto, a vida tomou formas diferentes em cada planeta, a evolução moldou as espécies de animais e plantas de acordo com as necessidades de cada meio ambiente, fazendo com que a vida nesses planetas pareçam versões esquisitas da vida que conhece-mos na Terra. As teorias sobre a Origem do Universo - quase todas sobre uma suposta matriz biológica de onde vieram todas as formas de vida na galá-xia - defendem inúmeras ideias sobre como isso é possível; talvez todas as respostas estejam na Zona

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O que se precisa saber sobre a Terra? Apenas que o planeta está morrendo. Poluição extrema, fome, a maioria dos animais extintos, raras árvores tentando absorver alguma coisa de um solo infértil, tempestades ácidas, furacões, terremotos, maremo-tos, erupções vulcânicas devastadoras etc. A super populosa civilização humana – mais de um trilhão de indivíduos – vive a sua época de sociedade inte-lectualmente evoluída em um mundo devastado pe-las gerações anteriores – a pior melhor época da raça humana. A Terra simplesmente é incapaz de abri-gar uma demanda populacional tão alta; o planeta não tem recursos naturais suficientes, e os séculos anteriores de total abuso ambiental a desgastaram tanto que não sobrou mais nada além de constantes desastres naturais e pandemias. O planeta pouco a pouco vai se tornando inabitável e sem possibilida-de possibilida-de reversão.

a terra no quarto milênio

o cidadão moderno

A rotina urbana do cidadão moderno ainda continua semelhante ao antigo milênio: sai para trabalhar, enfrenta o trânsito, contribui com pro-gramas de auxílio social, almoça com a família no domingo, frequenta festas no sábado à noite, clubes etc. No entanto, o cidadão deste milênio é muito mais consciente de seu papel social; é res-ponsável e sabe como deve contribuir para man-ter a civilidade em um patamar intelectualmente saudável. Os problemas sociais agora são outros, não mais a ignorância, crime ou corrupção, mas a quantidade enorme de seres ocupando o mesmo planeta e usufruindo dos escassos recursos que ele tem a oferecer.

Hadeana ou Estrelas Primordiais, onde estão os pla-netas mais antigos da Via Láctea, ou nas ruínas dos supostos Pré-Humanos.

a origem da vida

A comunidade científica de exobiologia teoriza que a química da vida se baseia nos elementos C, H, O, N, os elementos quimicamente ativos mais abundantes em todo a galáxia (e talvez em todo o universo). É provável que a vida em geral

(terres-tre e extraterres(terres-tre) seja baseada em “CHONs” que evoluíram de formas diferentes de acordo com as necessidades de sobrevivência em cada planeta.

Segundo os criptólogos, a vida foi distribuída estrategicamente pela galáxia por civilizações per-didas, a partir de planetas ancestrais. Os Pré-Hu-manos seriam a primeira grande raça, responsáveis pela origem dos seres humanos, extremamente avançada, fundadora de várias colônias em diver-sos planetas da Via Láctea, e responsáveis por se-mear a vida animal e vegetal nesses planetas.

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era do esclarecimento

A raça humana nunca antes esteve tão esclare-cida a respeito da ciência e das artes quanto está neste quarto milênio. É, sem dúvida, uma geração mais inteligente, sofisticada e visionária. A huma-nidade simplesmente ascendeu intelectualmente, deixando de lado os grilhões culturais milenares que atrasavam essa evolução. A nova sociedade humana é totalmente ciente das consequências de atos irresponsáveis – existe um longo histórico de erros para se basear. É uma sociedade informada, pois sabe o quanto a ignorância pode ser perigosa; é uma sociedade solidária e economicamente dinâ-mica, minimizando as diferenças entre classes so-ciais, epiderme e gênero sexual. Mas, infelizmente, a sociedade chegou a esse nível civilizacional tarde demais, por mais evoluídas que as pessoas tenham se tornado, não há como corrigir os milênios de er-ros ambientais do passado, erer-ros que condenaram completamente o planeta.

unicracia

A Unificação Mundial é um gover-no sobre todos os outros govergover-nos; um governo único mundial para quem as autoridades de cada pais tem que responder. É a Unicra-cia, uma variante menos utópica do socialismo, onde uma pessoa, eleita pelo mundo, se torna o go-vernador da raça humana. Como neste milênio a racionalidade e sobrevivência da espécie huma-na é mais importante que fatores culturais ancestrais, a população

mundial, pelo menos grande parte dela, concorda em viver politicamente equivalente a outros países. O sistema unicrático sofre pequenas variações de acordo com quem está no poder - variações estas que promovem calorosos debates políticos ao redor do mundo sobre qual seria o mais apropriado. O sistema nasceu dentro da necessidade de adminis-trar os recursos terrestres remanescentes e distri-buí-los entre os povos em partes iguais (ou quase iguais). Foi também graças ao governo Unicrático que nasceu o Projeto Cronos.

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via láctea:

mapa

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References

Outline : regiões perigosas