ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DE
BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA E ESPESSURA DAS DOBRAS
CUTÂNEAS PARA ESTIMATIVA DO PERCENTUAL DE
GORDURA CORPORAL EM PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO
Luís Henrique Sales Oliveira1, Flávio Eduardo do Prado2, Ronaldo Júlio Baganha1,
Alexandre de Souza e Silva1, Rodolfo Malagó1, Pâmela Camila Pereira1.
RESUMO
Atualmente muitas são as maneiras de se avaliar a composição corporal de praticantes de exercícios físicos e dentre eles pode-se citar as técnicas de bioimpedância e dobras cutâneas. O objetivo do presente estudo foi analisar e comparar o percentual de gordura corporal de praticantes de musculação com os métodos de bioimpedância elétrica e espessura das dobras cutâneas (antropométrico). Participaram do estudo 40 alunos da Academia Energia Vital na cidade de Pouso Alegre/MG com idade entre 18 e 30 anos, praticantes de musculação a pelo menos seis meses. Foram mensuradas variáveis antropométricas de massa corporal, estatura e quatro dobras cutâneas (triciptal, abdominal, suprailíaca e coxa medial). Com as variáveis antropométricas foi estimado o percentual de gordura através da equação proposta por Jackson; Pollock (1978). E a mensuração da bioimpedância pelo analisador Tanita marca Slim®. Para a coleta de dados foi utilizada uma balança digital da marca Toledo® com unidade de medida de 0,1 kg para obtenção da massa corporal, estadiômetro da marca Sanny com unidade de 0,1 cm para obtenção da estatura e adipômetro da marca Sanny para obtenção das medidas das dobras cutâneas. Para análise dos dados foi utilizado o Software Microsoft Office Excel 2007, test t student para amostras pareadas com índice de significância de 5% (p ≤ 0,05), seguido da correlação de Pearson para determinar o coeficiente (r) de correlação entre os métodos. Os resultados apresentados mostraram diferença estatística significante para estimativa do percentual de gordura (p≤0,05) entre os métodos estudados e o método antropométrico através da espessura das dobras cutâneas parece ser uma melhor opção para estimativa da porcentagem de gordura corporal quando comparado a BIA devido a sua facilidade de aplicação e manuseio do equipamento.
Palavras-chave: Musculação. Gordura subcutânea. Distribuição da gordura corporal.
ANALYSIS AND COMPARISON BETWEEN BIOIMPEDANCE
ELECTRICAL AND THICKNESS OF SKIN FOLDS TO ESTIMATE
OF PERCENTAGE OF BODY FAT IN BODYBUILDERS
ABSTRACTCurrently there are different ways to assess body composition of physical exercise practitioners among them we can mention the techniques of bioimpedance and skinfolds. The aim of this study was to analyse and compare the percentage of body fat bodybuilders with methods of bioelectrical impedance and skinfold thickness (anthropometric). Study participants were 40 students of the Academy Vital Energy in the city of Pouso Alegre/MG aged between 18 and 30 years, bodybuilders at least six months. Anthropometric variables, body mass, height and four skinfolds (triceps, abdominal, suprailiac and medial thigh) were measured. With anthropometric variables was estimated body fat percentage using the equation proposed by Jackson; Pollock (1978). And the measurement of the bioimpedance analyzer Tanita ® Slim. To collect data, a digital
scale with the Toledo® brand unit of measurement of 0.1 kg to obtain the body mass of Sanny stadiometer
unit mark with 0.1 cm to obtain height and caliper of Sanny brand was used for obtaining measurements of skinfold thickness. For data analysis we used the Microsoft Office Excel Software 2007, Student’s t test for paired samples with a significance level of 5% (p ≤ 0.05), followed by Pearson correlation to determine the coefficient (r) correlation between methods. The results showed statistically significant differences for estimate the fat percentage (P ≤ 0.05) between the methods and the anthropometric method by skinfold thickness seems to be a better option for estimating percentage body fat when compared to BIA due to its ease of application and handling equipment.
V EI R A , L .H .S ., P R A D O , F .E . d o, B A G A N H A , R .J. , S IL V A , A . d e S ., M A LA G Ó , R ., P ER EI R A , P .C . A ná lis e e c om pa ra çã o e nt re o s m ét od os d e m pe dâ nc ia e lé tr ic a e e sp es su ra d as do br as cu tâ ne as pa ra e st im at iv a d o pe rc en tu al d e g or du ra c or po ra l e m p ra tic an te s de m us cu la çã o, C ole çã o qu is a e m E du ca çã o F ís ica , V ár ze a P au lis ta , v . 1 3, n . 4 , p . 3 9-46 , 2 01 4.
INTRODUÇÃO
A cineantropometria estuda os aspectos do ser humano relacionado ao seu tamanho, forma, proporção, composição e maturação. Dentre as áreas de estudo da cineantropometria, destaca-se a da composição corporal. O estudo científico adota o fracionamento principalmente sobre dois componentes, a massa gorda (MG) e a massa magra (MM) que podem ser analisadas de forma direta (análise química de cadáveres) ou indireta (densitometria, antropometria, entre outros) (CARVALHO; PIRES NETO, 1999).
A percepção da imagem corporal pode ser definida como uma ilustração que se tem na mente acerca do tamanho, imagem e forma do corpo, e também dos sentimentos relacionados a essas características, bem como as partes que a constituem. O componente subjetivo da imagem corporal se refere à insatisfação de uma pessoa com seu tamanho corporal e partes específicas do seu corpo (HRABOSKY, GRILO, 2007).
Distintos métodos laboratoriais e de campo são utilizados para estimar a densidade corporal e o percentual de gordura corporal e dentre estes destaca-se a coleta de dobras cutâneas, devido ao fato de requerer equipamentos de baixo custo, possibilitar a mensuração de um grande número de sujeitos em um curto espaço de tempo e principalmente por correlacionar-se significativamente com a pesagem hidrostática (PH) (GLANER; RODRIGUEZ-AÑEZ, 1999). A coleta de dobras cutâneas e a relação entre massa corporal e altura são técnicas muito utilizadas na determinação da composição corporal e do estado nutricional respectivamente, cada uma com suas vantagens, desvantagens e limitações. Como métodos menos utilizado, destaca-se a PH e a tomografia computadorizada, cujas medidas apresentam resultados de grande precisão, no entanto, são de difícil execução e elevado custo, sendo utilizadas em ambiente laboratorial.
A propriedade elétrica dos tecidos tem sido estudada desde 1871, mas somente em 1970 os fundamentos da BIA foram descritos e, desde então, uma variedade de aparelhos foram postos no mercado. É um método não-invasivo, rápido, prático e indolor que se baseia na passagem de corrente elétrica de baixa intensidade através do corpo e a impedância (Z), ou oposição ao fluxo da corrente, é medida através do analisador de BIA (HEYWARD, STOLARCZYK, 2000).
Com o avanço da tecnologia observa-se uma tendência para o desenvolvimento de técnicas de estimativa da composição corporal para o uso fora do ambiente laboratorial. Uma delas e objeto de crescente estudo é a técnica da bioimpedância (BIA). Sua utilização com o objetivo de fracionar os componentes da composição corporal vem se popularizando nas últimas décadas. Contudo, a confiabilidade da BIA tem sofrido várias críticas (RODRIGUES et al., 2001).
Grande parte dos estudos desenvolvidos para comparar a avaliação da porcentagem de gordura corporal total utilizando-se dos métodos de fácil execução, como a BIA e o somatório das DC, foi realizada em desportistas ou atletas (MARTINS et al., 2011).
A avaliação da composição corporal tem recebido cada vez mais importância devido ao papel dos componentes corporais na saúde humana. O excesso de gordura corporal e sua distribuição centralizada se destacam pela influência no aparecimento das doenças crônicas não-transmissíveis, principalmente as doenças cardiovasculares (REZENDE et al., 2007).
A BIA também é particularmente útil para a detecção precoce de retenção de fluidos corporais, auxiliando a terapêutica medicamentosa, inibindo a deterioração funcional e a piora da qualidade de vida do paciente com doença cardiovascular (BRITTO, MESQUITA, 2008).
Apesar de o índice de massa corporal (IMC) não fornecer informações relacionadas com a quantidade e distribuição da gordura corporal e demais componentes, muitos estudos demonstram a sua importância na avaliação do risco de mortalidade (REZENDE et al., 2010)
Acredita-se que em adultos saudáveis cerca de um terço da gordura total se localize na região subcutânea. Além disso, parece existir uma boa relação entre a gordura subcutânea com a gordura visceral (CYRINO et al., 2003).
Segundo Kennedy, Wilmore; Costill (2013), a constituição corporal se refere à forma e estrutura do corpo classificados em muscularidade, linearidade e gordura. O tamanho corporal refere-se à estatura e a massa de um indivíduo. A composição corporal refere-se à composição química do corpo. A composição do corpo humano, baseia-se em músculos estriados e liso, tecido adiposo e residual (MCARDLE; KATCH; KACTH, 2011).
Para Hernandes Junior (2000), são reconhecidas dentro da composição corporal mais de trinta componentes que, segundo a classificação biológica, estão divididas em cinco: atômico, molecular, celular, sistema tecidular e o corpo em sua totalidade.
Para que haja uma medição corporal é necessária a execução de cálculos que determinarão a quantidade de gordura corporal e a massa magra do indivíduo. A composição corporal ideal varia, mas de maneira geral quanto menor o percentual de gordura s atletas, mas para a maioria este se torna um problema (KENNEDY, WILMORE; COSTILL, 2013),
A bioimpedância elétrica tem sido uma alternativa atraente na avaliação da composição corporal, pela possibilidade de se trabalhar com equipamento não invasivo, portátil, de fácil manuseio, boa reprodutibilidade e, portanto, viável para a prática clínica e para estudos epidemiológicos (EICKEMBERG et al., 2011).
A inserção em um programa regular de exercícios físicos em academias, clubes, escolas, entre outros, leva a diversas adaptações em diversos sistemas corporais e a avaliação destes é fundamental para o conhecimento da velocidade com a qual as adaptações estão acontecendo no corpo. A avaliação física permite conhecer a atual situação do indivíduo e as mudanças após um período de treinamento, possibilitando assim a monitorização dos efeitos do programa de treinamento sobre os componentes morfológicos. A avaliação antropométrica permite avaliar os principais componentes estruturais do corpo humano, cujo enfoque é a MG e MM (CARVALHO; PIRES NETO, 1999).
Nossa hipótese é que existe diferença entre os métodos bioimpedância e dobras cutâneas para análise da porcentagem de gordura corporal. O objetivo do presente estudo foi analisar e comparar o percentual de gordura corporal de praticantes de musculação com os métodos de bioimpedância elétrica e espessura das dobras cutâneas
PROCEDIMENTOS E MÉTODOS
Participaram do estudo 40 voluntários praticantes de musculação, idade entre 18 e 30 anos, gênero masculino, praticantes da modalidade de musculação por um período mínimo de 6 meses, regularmente matriculados na Academia Energia Vital, localizada na cidade de Pouso Alegre/MG. A tabela 1 apresenta as características dos voluntários participantes do presente estudo.
Tabela 1. Características dos voluntários participantes do estudo. Valores apresentados em média e desvio padrão. (N 40).
Idade
(Anos) Altura(m) Massa(kg) (kg/m²)IMC
Média 24,85 1,78 77,22 24,3
Desvio Padrão 3,72 0,053 8,076 2,15
Min - máx 18 – 30 1,67 - 1,95 64,5 - 102,9 20,1 - 29,4
Mínimo (min). Máximo (máx).
A coleta de dados foi realizada na própria Academia Energia Vital, no período da manhã, com os voluntários respeitando um período de jejum de dez horas antes das tomadas das medidas, tendo-se abstido de atividades físicas e de bebidas alcoólicas, respectivamente nas 12 e 24 horas precedentes. Antes das medidas foram explicados os procedimentos necessários à coleta de dados.
A massa corporal foi obtida através da balança digital da marca Toledo® com unidade de medida de 0,1 kg e a estatura foi obtida através de um estadiômetro de marca Sanny®, com unidade de medida de 0,1 cm. A partir das medidas de massa corporal e estatura foi calculado o índice de massa corporal (IMC), por meio do índice de Quetelet que apresenta a massa corporal em kg dividido pelo quadrado da altura em metros (kg/m²).
Para análise do comportamento da adiposidade subcutânea foram tomadas as medidas das seguintes dobras cutâneas: triciptal (TR), abdominal (AB), supra-ilíaca (SI) e coxa medial (CM) de acordo com os procedimentos propostos por Jackson; Pollock (1978). Tais medidas foram realizadas por um único avaliador com experiência na área de avaliação física. Para coleta das dobras cutâneas, foi utilizando um adipômetro de marca Sanny®, sendo cada medida tomada por três vezes e a média utilizada como referência. Todas as mensurações foram tomadas no hemicorpo direito.
A partir dos valores da estimativa das dobras cutâneas, foi calculada a estimativa do percentual de gordura corporal de acordo com a equação de Jackson; Pollock (1978) para homens: %G= 0,29288(∑ DC)-0,0005(∑ DC)²+0,15845(I)-5,76377.
Onde: ∑DC significa o somatório das dobras cutâneas e I a idade em anos.
A estimativa do percentual de gordura com a utilização da técnica de BIA, foi realizada com a utilização do aparelho tipo Tanita da marca Slim® em disposição bipolar. Os dados idade, altura, gênero e nível de atividade física de cada um dos voluntários foram inseridos no aparelho, e após o voluntário subir na balança, foi calculado o percentual de gordura corporal diretamente. As medidas de BIA foram efetuadas uma única vez com os avaliados preparados de acordo com o manual do aparelho.
As tomadas das medidas antropométricas e BIA foram realizadas no mesmo dia, horário e local sendo tomada uma após a outra para evitar possíveis discrepâncias dos resultados.
O tratamento estatístico iniciou com aplicação do teste de normalidade Kolmorogorov-Smirnov, sendo as variáveis classificadas como normais. O teste estatístico utilizado para a análise dos resultados foi o teste t de student com amostras pareadas e índice de significância de 5% e a correlação de Pearson para determinação do coeficiente (r) entre as distintas metodologias de determinação da porcentagem de gordura corporal.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A principal preocupação deste estudo foi verificar se existe diferença significativa para obtenção estimada do percentual de gordura entre os métodos de BIA e o método da EDC que utiliza equações de regressão para se chegar a um resultado. O gráfico 1 apresenta os valores médios de percentual de gordura das duas técnicas utilizadas neste estudo.
Gráfico 1. Valores médios da % de gordura apresentados pelas técnicas de bioimpedância e antropométrica. *Diferença estatística significante em relação a BIA (p ≤0,05). BIA: Bioimpedância DC: dobras cutâneas. A análise dos dados permite observar que a técnica da BIA apresentou valores maiores do percentual de gordura quando comparado com EDC, ou seja, BIA 17,08 ± 3,76 e DC 14,95 ± 2,79. Neste estudo em particular observa-se na tabela 2, que os resultados apresentados pelos dois métodos se diferem significativamente (p ≤0,05).
Os resultados encontrados neste estudo veem a confirmar o que Tribess; Petroski; Rodriguez-Añez (2003), evidenciaram com seu estudo com praticantes de condicionamento físico. De acordo com os autores os resultados encontrados apresentaram diferença significativa (p≤0,001) quando comparado os valores apresentados pela técnica da BIA com os valores apresentados pela técnica antropométrica através de dobras cutâneas, ainda constataram que os valores de percentual de gordura por BIA foram maiores do que os valores encontrados pela técnica de dobras cutâneas, resultados também encontrados no presente estudo.
Tabela 2. Comparação do percentual de gordura obtido pelo método de BIA com o percentual de gordura obtido pelo método antropométrico através da DC, obtidos através do test t pareado.
Diferença n t p
% Gordura BIA X DC 40 0,000129 ≤ 0,05
n= Número de voluntários t= test t student p=índice de significância.
Após verificar a existência de diferença estatística significativa (p ≤ 0,05) entre as variáveis, foi aplicado um teste de análise de correlação de Pearson entre as medidas para determinar o coeficiente (r) de correlação entre os métodos. O resultado da correlação de Pearson entre a BIA e DC atingiu um valor de 0,511296, mostrando que há uma relação moderada positiva entre os valores encontrados pelos dois métodos propostos no estudo, ou seja, 0,5 ≤ r ≤ 0,8. O resultado do coeficiente (r) ficou entre 0,5 e 0,8, mostrando que há uma tendência de correlação positiva entre os resultados, mas que não sugere que os métodos são estatisticamente iguais, pois é uma correlação baixa.
Eliakim et al., (2000) apud (ROSSI; TIRAPEGUI, 2001) utilizaram a somatória de quatro dobras e BIA e encontraram correlação de r = 0,48 em dançarinas entre os dois métodos. Rodrigues et al., (2001) encontraram valores diferentes significativamente (p≤0,001) quando compararam em seu estudo a estimativa do percentual de gordura através de equipamentos de BIA, DC e pesagem hidrostática.
O percentual de gordura obtido a partir da mensuração das DC tem tido larga aceitação entre os pesquisadores da área. Isso por que o percentual de gordura obtido a partir da técnica da EDC se associa muito bem e não difere significantemente do percentual de gordura decorrente da pesagem hidrostática, que é tida como “padrão ouro” (GLANER, 2005). No gráfico 2 podemos notar que os pontos comuns entre os métodos de BIA e EDC seguem uma tendência linear.
Gráfico 2. Correlação do percentual de gordura pelos métodos de BIA e DC.
Neste estudo não foi realizado nenhum dos métodos considerado pela literatura da área como “padrão ouro”, como a pesagem hidrostática, a tomografia computadorizada, etc. Este fato limita nossas observações acerca da metodologia mais apropriada para ser empregada na determinação da composição corporal, revelando que há, conforme tabela 2, diferença estatística significativa no percentual de gordura
De acordo com Carvalho; Pires Neto (1999) estes dados abrem espaço para a necessidade de maior questionamento acerca dos métodos já estabelecidos e amplamente difundidos (equações antropométricas) frente a novas propostas de avaliação (BIA), que, entretanto precisam ser validadas com métodos mais fidedignos para obtenção da composição corporal de diferentes populações.
Segundo Petroski (1999 apud ROSSI; TIRAPEGUI, 2001), dentre os principais objetivos para estimar esses valores encontram-se: identificar e promover o entendimento dos riscos de saúde associados aos níveis baixos ou altos de gordura corporal total; identificar os riscos de saúde associados ao acúmulo excessivo de gordura intra-abdominal; monitorar as alterações na composição corporal associadas a certas patologias; determinar a efetividade das intervenções nutricionais e exercícios na alteração da composição corporal; estimar o peso ideal de atletas e não-atletas; prescrever dietas e exercícios e acompanhar o crescimento, desenvolvimento, maturação e as alterações na composição corporal relacionados à idade.
Paiva et al., (2002) compararam a BIA com absortometria radiológica de dupla energia na avaliação da composição corporal em 31 crianças de Porto Alegre/RS, e concluíram que o coeficiente de validade foi alto e o erro de predição foi pequeno estimado pela BIA, o que também corrobora com nossos resultados. Fett et al., (2006) compararam diferentes métodos de avaliação da composição corporal em mulheres com sobrepeso e obesas sedentárias submetidas a dois meses de treinamento com circuito ou caminhada e associaram o desempenho físico por “muscularidade” calculada por esses métodos. Concluíram que o treinamento em circuito obteve melhor resultado e que a BIA produz valores similares a antropometria para avaliação da composição corporal.
Ainda, Buscariolo et al., (2008) compararam bioimpedância e medidas antropométricas em atletas de futebol feminino e encontraram que o método de avaliação antropométrica foi o mais adequado para a avaliação da porcentagem de gordura corporal das atletas, visto que o método da BIA superestimou esse resultado, o que contradiz com nosso estudo.
Coqueiro et al., (2008) avaliaram 256 universitários com idade média de 23,1 anos em relação a insatisfação corporal e o estado nutricional dos mesmos e concluíram que o índice de massa corporal não foi determinante de insatisfação com a imagem corporal, enquanto o somatório de espessura de cinco dobras cutâneas mostrou-se um preditor significativo desse distúrbio, independentemente do sexo. Esse dado fortalece a importância tanto da BIA como avaliação por dobras cutâneas para mensuração e quantificação da MM e MG.
Cocetti; Castilho; Barros Filho (2009) compararam os componentes da composição corporal, obtidos pela bioimpedância elétrica perna-perna e pela espessura das dobras cutâneas em crianças e concluíram que a bioimpedância elétrica perna-perna pode ser utilizada em estudos populacionais para a avaliação da composição corporal de crianças brasileiras entre 7 e 9 anos, validando a hipótese de que a BIA pode ser um método avaliativo mais eficaz que o método de dobras cutâneas.
Eickemberg et al., (2011) discutiram e compararam princípios e a utilização da BIA, além de apresentar estudos que comparam esse método com outros de avaliação nutricional e de composição corporal, concluindo que estudos atuais valorizam o emprego da BIA para avaliação nutricional e dano celular, enriquecendo ainda mais nosso estudo.
CONCLUSÕES
Os resultados obtidos no presente estudo nos mostram que os métodos antropométrico, através da DC e BIA, são diferentes na estimativa do percentual de gordura corporal em praticantes de musculação, porém até o momento não há dados que permitam indicar um aparelho em detrimento do outro. Os resultados se equivalem quanto ao poder de estimativa do percentual de gordura, suas vantagens e desvantagens decorrendo mais do contexto da utilização. Vale ressaltar que não foi avaliada no estudo a massa livre de gordura, somente massa gorda e massa magra. A BIA continua a ser uma técnica de futuro promissor, necessitando de mais estudos com a finalidade de minimizar as suas limitações. A técnica antropométrica de DC mostra-se uma melhor opção de utilização para estimativa da porcentagem de gordura corporal quando comparado a BIA devido a sua facilidade de aplicação e manuseio do equipamento.
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