11- 1Introdução à Microeconomia 1º ano da licenciatura de Gestão ISEG
2004 / 5
1º
semestre
Bibliografia: Lipsey & Chrystal cap.33 Samuelson cap. 35
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Aspectos principais
• Os ganhos do comércio resultam da vantagem comparativa dos paises que têm custos de oportunidade diferentes na produção de determinados bens.
• O principio da vantagem comparativa constitui a base para as trocas e para o comércio internacional: cada país (ou
individuo) pode desfrutar de mais bens e serviços se produzir de acordo com a sua vantagem comparativa.
• A especialização da produção e a exportação dos bens que podem produzir com um custo relativamente menor, significa que uma sociedade alcança um nivel de produtividade e de padrão de vida mais elevado relativamente a uma situação de auto- suficiencia individual ou autarcia.
• Os termos de troca determinam o modo como os ganhos de comércio são distribuidos.
• A vantagem comparativa pode resultar de diferenças inatas (nas dotações naturais), adquiridas (através da educação, da experiência, …) ou do conhecimento.
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Vantagem Absoluta
Tempo inteiramente dispendido na produção
num ou noutro bem
Tempo dividido igualmente Entre a produção dos
dois produtos
Especialização completa
Batatas Camisolas Camisolas Camisolas
Pedro Joana Total 100 400 40 ou 10 50 20 - 40 200 5 400 -250 25 400 40 ou Batatas Batatas
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Vantagem Absoluta
• A primeiro coluna mostra que, trabalhando unicamente para si, o Pedro pode produzir 100 kgs de batatas ou 40 camisolas por ano, enquanto a Joana pode produzir 400 kgs de batatas
ou 10 camisolas – situação em economia fechada- . Assim a
Joana tem vantagens absolutas em produzir batatas e o Pedro tem vantagens absolutas em produzir camisolas.
• A segunda coluna mostra a produção se ambos gastam metade do seu tempo produzindo cada bem.
• A terceira coluna mostra o resultado quando o Pedro se especializa em camisolas, produzindo 40 unidades, e a Joana specializa em batatas, produzindo 400 kgs.
• A produção de batatas aumenta de 250 para 400 kgs, enquanto a produção de camisolas passa de 25 a 40.
• Quando cada pais tem vantagens absolutas sobre os outros num determinado bem, os ganhos do comércio são obvios. Mas se um país pode produzir todos os bens de modo mais eficiente relativamente aos outros paises? A resposta está nas vantagens comparativas.
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Vantagem comparativa
Tempo inteiramente dispendido na produção
num ou noutro bem
Tempo dividido igualmente Entre a produção dos
dois produtos
Especialização
Batatas Camisolas Camisolas Camisolas
Pedro Joana Total 100 400 40 ou 48 50 20 - 40 200 24 300 12 250 44 300 52 ou Batatas Batatas
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Vantagem Comparativa
•
A primeira coluna do quadro mostra que a Joana é mais
produtiva que o Pedro nas camisolas e nas batatas. A
Joana produz 400 % mais batatas que o Pedro e 20 %
mais camisolas.
•
A segunda coluna mostra a produção quando dividem
equitativamente seu tempo pelos dois produtos =>
aumenta a produção combinada de ambos os bens.
•
A terceira coluna mostra como o Pedro se especializa
completamente na produção de camisolas e a Joana
gasta 25% do seu tempo na produção camisolas e 75%
em batatas.
•
A produção total de batatas aumenta de 250 para 300,
enquanto a produção total de camisas passa de 44 para
52.
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• O exemplo é uma ilustração de alguns principios, válidos tanto a nivel interpessoal, interregional e internacional.
• A eficiência absoluta não é necessária para a existência de ganhos de especialização. Um país tem vantagens
absolutas na produção dum bem quando determinados
recursos permitem produzir maior quantidade desse bem em relação a outro país. Um país tem vantagem
comparativa na produção de um bem cujo custo de
oportunidade é menor.
• Ganhos de especialização traduzem maior disponiblidade
de bens e serviços. O comércio internacional cria ganhos e perdas (nomeadamente desemprego, falências, etc.) mas, globalmente, os ganhos superam as perdas.
• A produção total aumenta sempre que cada produtor se torna mais especializado na produção do bem na qual tem vantagem comparativa.
11- 8 Ganhos do Comércio (Custos de oportunidade constantes) • Vamos analisar as diferenças nas condições de produção
em diferentes paises com custos de oportunidade
constantes a partir de um exemplo com dois paises e dois
produtos. Trigo [1 kg.] Tecido [1 metro] E.U.A. U.E. 0,60 m. tec. 2,00 m. tec. 1,67 kg. de trigo 0,50 kg. de trigo Custo de oportunidade
EUA têm vantagem comparativa na produção de trigo e UE na produção de tecido: O custo de produzir 1 kg. de trigo em termos de tecido (0,6 m) nos EUA é menor que na UE (onde 1 kg.trigo = 2,0 m.tec.).
Na produção de tecido, a perda de trigo envolvida na produção de um metro de tecido é menor na UE (=0,5 kg. de trigo) que nos EUA (=1,67kg.)
Os ganhos na produção de trigo a nivel mundial são mais signifiactivos no EUA relativamente a UE, ao contrário da produção de tecido.
11- 9 Ganhos do comércio com custos de oportunidade diferentes Trigo [ kg.] Tecido[metro] E.U.A. U.E. Total + 1,0 - 0,5 - 0,6 Ganhos na especialização de cada pais na produção
na qual tem vantagens comparativas
+ 1,0
+ 0,5 + 0,4
Para produzir um kg. adicional de trigo o EUA, desistem de 0,6 m de tecido. Para produzir um metro adicional de tecido a EU, abdica de 0,5 kg. de trigo. Ao efectuarem estas transferências, a produção de trigo e tecido aumenta.
11- 10 Vestuário U U E c b a Trigo Vestuario
[i]. E.U.A. [ii]. União Europeia 0
0 S
Trigo
Ganhos do Comércio (custos de Oportunidade Constantes)
c b a d d FPP Vantagem comparativa no trigo Vantagem comparativa no vestuario Export. Import. Import. Export.
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• O declive da fronteira de possibilidades de produção - FPP – indica os custos de oportunidade do bem no eixo horizontal e a existência de diferentes custos de oportunidade implicam vantagens comparativas que podem levar a ganhos de
comércio.
• As linhas US e UE nos gráficos (i) e (ii) representam a fronteira das possibilidades de produção para os Estados Unidos e a União Europeia, respectivamente. Em economia fechada e na ausência de comércio internacional (situação de autarcia), também representam as possibilidades de consumo de cada país.
• A diferença nos declives da fronteira das possibilidades de produção reflecte as diferenças de vantagem comparativa. O custo de oportunidade de aumentar a produção de trigo pelo mesmo montante (medido pela distancia ba) é o montante pelo qual a produção de vestuário tem que ser reduzido (medido pela distancia bc).
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• O menor declive implica uma vantagem comparativa na produção do bem no eixo horizontal. Ao contrario a maior inclinação indica vantagem comparativa no bem do eixo vertical. A inclinação mais acentuada da fronteira de possibilidades de produção indica um menor custo oportunidade na produção trigo nos Estados Unidos relativamene à União Europeia.
• O comércio internacional induz a especialização da produção e um aumento das possibilidades de consumo. Cada país vai transferir recursos para a produção do bem na qual tem vantagem comparativa. De cada lado a representação da produção situa- se em U; os Estados Unidos produz unicamente trigo, e a União Europeia produz unicamente vestuario.
11- 13 Ganhos do Comércio (Custos de oportunidade constantes)
• O comércio é possivel nos termos de troca situados entre os custos de oportunidade de produção de cada país. As possibilidades de consumo são dadas pela linha exterior cuja origem é U e cujo declive é igual ao termo de troca.
• As possibilidades de consumo aumentam em ambos os paises; o nivel de consumo pode situar- se num ponto d que envolve uma combinação de trigo e tecido que não seria possivel na ausência de comércio. Os ganhos de comércio representa este consumo acima das suas fronteiras de possibilidades de produção.
• O ponto d, representa um conjunto da pares onde as exportações de E.U.A. igualam as importações da U.E. para um determinado bem. As exportações de um país são as importações do outro.
• Parte da produção de trigo dos E.U.A. é exportada e a restante é consumida internamente. A parte exportada é trocada por vestuario importado da U.E. de acordo com o termo de troca definido pelo declive no ponto d.
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• Por sua vez, parte da produção de vestuario da U.E. é exportada para os E.U.A. e o restante é consumida internamente. O consumo de trigo da U.E. resulta da importação com origem nos E.U.A. de acordo com o termo de troca referido no § anterior.
• O termo de troca (ou relação de troca) internacional refere-se ao racio dos preços entre os bens exportadas e importados, e indicam a quantidade das importações que podem ser obtidas por unidade de exportação.
• Os termos de troca ou racio de preços determinam como os ganhos do comércio vão ser distribuidos.
• Uma variação favoravel nos termos de troca – isto é, um aumento dos preços à exportação relativamente aos preços de importação - significa que um país pode adquirir mais importações por unidade de exportações.
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Determinantes da vantagem comparativa
• A teoria tradicional encara a a vantagem comparativa
como sendo determinada em grande parte pelas
dotações naturais de factores, e portanto dificil de
modificar. Esta teoria é chamada de determinismo
geográfico e está associada a factores como a terra,
o clima e recursos
naturais. Ex. D. Ricardo no
comércio de vinho e lã entre Portugal a Inglaterra no
sec.19.
• Actualmente, a teoria do comércio internacional
assume que as vantagens comparativas podem ser
adquiridas e logo as dotações podem ser
modificadas. Os recursos
tanto
fisicos
–
equipamentos, fabricas, produtos- como humanos –
trabalho qualificado – que um país conseguiu obter
podem dar origem as vantagens comparativas.
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Determinantes da vantagem comparativa
• É importante para os paises possuirem não somente osrecursos, mas também o conhecimento (incluindo tecnologico) necessário para utilizar esses recursos de modo mais eficiente. No passado certos padrões de especialização acontecem quase como acidentes, nas economias modernas a especialização aparenta ser consequência de decisões deliberadas. Intervenções bem sucedidas levam ao desenvolvimento nos paises de vantagens comparativas enquanto decisões erradas impedem tais desenvolvimentos => politicas estratégicas de comércio.
• As vantagens comparativas levam à especialização, mas a especialização pode levar as vantagens comparativas entre paises que são similares em outros aspectos. Uma nação pode realizar beneficios de economias de produção de
escala e de aprendizagem, e assim a especializar- se em
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Protecionismo e comércio internacional
• Apesar do aumento de eficiencia global no comércio livre, a interdepencia internacional está associada a um certo
numero de efeitos adversos, para certos individuos e grupos.
Beneficários com o comércio: consumidores de bens
importados e produtores de bens exportados. Prejudicados com o comércio: produtores de bens importados e
consumidores de bens exportados.
• O comércio e a concorrência internacional pode estar
associado a aumento de desemprego, a um aumento de
vulnerabilidade, à existência de comércio desigual (“unfair”),
aumento da dívida externa (e do deficit comercial) e, ao enfranquecimento das economias mais frágeis.
• O protecionismo aparece como a perspectiva destinada a reduzir os prejuizos da liberalização do comércio. As
barreiras ao comércio mais comuns são as tarifas, ou
impostos aduaneiros sobre os bens importados e, as quotas
(ou ainda acordos voluntários à exportação –AVE’s) limites
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