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PRODUTOS BIOLÓGICOS NO CONTROLE DE MOFO BRANCO EM DIVERSAS CULTURAS 1

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Academic year: 2021

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PRODUTOS BIOLÓGICOS NO CONTROLE DE MOFO BRANCO EM

DIVERSAS CULTURAS

1

HECKLER, Leise Inês

2

; SILVA, Gerarda Beatriz Pinto

3

; SANTOS, Ricardo

Feliciano

2

; SCHEEREN, Laura Engroff

3

; FÍNGER, Geísa

4

; BLUME, Elena

5 ¹ Trabalho de Pesquisa_UFSM

² Curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria , RS, Brasil

³Mestando em Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

4

Engenheira Agrônoma, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil 5

Professora Associada de Fitopatologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

E-mail: [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected];

RESUMO

Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary é um fungo fitopatogênico que causa uma

doença conhecida por mofo-branco. Esse fungo ataca uma enorme gama de espécies vegetais, levando à perda total de lavouras. O controle biológico aparece como uma alternativa para diminuição da doença destacando-se os fungos do gênero Trichoderma e as bactérias do gênero Bacillus. Foi realizado um teste in vitro, em placas de petri contendo Ágar-Água, foram dispostas sementes de alface da cv. Regina e adicionado 1 mL dos produtos comerciais Biotrich®,Trichodel® e Rizolyptus®, com ou sem a presença do patógeno S. sclerotiorum. Foi verificado que os produtos Biotrich®, Trichodel®, ambos à base de Trichoderma spp., foram eficientes no controle do patógeno e como promotores de crescimento, porém o produto Rizolyptus®, à base de Bacillus spp. não foi eficiente no controle de S. sclerotiorum.

Palavras-chave: controle biológico, S. sclerotiorum, Trichoderma spp., Biotrich®, Trichodel® e Rizolyptus®.

INTRODUÇÃO

Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary é um fungo que causa a doença

conhecida por mofo-branco, que ataca inúmeras culturas como a soja e o feijoeiro. No Brasil, a lista de espécies hospedeiras também é bastante extensa, incluindo um grande número de hortaliças, tais como cenoura, batata, tomate, pimentão,berinjela e algumas folhosas (MENDES et al., 1998). O fungo causa perdas de até 100% nas culturas agrícolas (SAHARAN; MEHTA, 2008) e constitui um problema sério em plantios de hortaliças, quando instalados em solos contaminados e sob condições de temperatura amena (15°C a 21°C) e alta umidade do solo (REIS; LOPES, 2007).

(2)

Os sintomas causados por S. sclerotiorum são murchas das plantas, tombamento, escurecimento da região do colo da planta e podridão de raízes. As partes afetadas podem exibir um micélio branco de aspecto cotonoso, junto à superfície do solo. Com o avanço da doença, observa-se a formação dos escleródios, responsáveis pela disseminação da doença, que são esféricos (2 mm de diâmetro), rígidos, inicialmente de coloração branca, e, posteriormente, tornam-se marrons (INSTITUTO BIOLÓGICO, 2012).

O controle de mofo-branco causado por S. sclerotiorum é muito difícil, devido à capacidade que o fungo tem de formar estruturas de resistência, os escleródios, que permanecem no solo por mais de cinco anos (BARRETO, 1997). O controle da doença é baseado no manejo cultural, de forma a reduzir o potencial de inóculo, uma vez que, por se tratar de um patógeno de solo, o uso de fungicidas químicos, além de dispendioso, não apresenta resultados satisfatórios.

Deste modo, agentes biológicos constituem uma alternativa viável para diminuir o potencial de inóculo de patógenos habitantes do solo, sem trazer danos ao meio ambiente (MELLO et al., 2007). Porém, esse tipo de controle é ainda pouco difundido, e não há registros desses produtos junto ao Ministério da Agricultura, devido ao entrave legislativo, o que dificulta ainda mais o uso desses biocontroladores por produtores de hortaliças. Entre os micro-organismos de controle biológico, destacam-se os fungos do gênero Trichoderma, que possuem mecanismos de ação capazes de atuar como agentes de biocontrole em doenças de várias plantas cultivadas, além de serem promotores de crescimento e indutores de resistência (MOHAMED; HAGGAG, 2006). Como vantagem adicional, esses micro-organismos são atóxicos ao homem e animais (MERTZ; HENNING; ZIMMER, 2009) e como simbiontes avirulentos associados às plantas (HARMANet al., 2004). Além disso, são citados na literatura como promotores de crescimento de plantas.

Este trabalho justifica-se pela falta de informações sobre controle do mofo-branco em hortaliças, carência de informações que comprovem o controle de S.

sclerotiorum por Trichoderma spp. e a importância que a doença apresenta para as

culturas.

O objetivo do trabalho foi testar os produtos comerciais Biotrich®, Trichodel® e Rizolyptus® no controle de S. sclerotiorum, in vitro, e verificar seu efeito sobre crescimento plântulas de alface.

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Esse ensaio foi realizado no Laboratório de Fitopatologia, Departamento de Defesa Fitossanitária da Universidade Federal de Santa Maria, o experimento foi realizado in vitro utilizando placas de Petri.

Para o ensaio de biocontrole foram utilizadas sementes de alface da cultivar Regina, do tipo lisa, o isolado fúngico patogênico foi S. sclerotiorum, obtido a partir da coleta de escleródios em plantas doentes, contendo micélio branco característico do fungo, em áreas com cultivos sucessivos de alface e histórico do patógeno na área. Para controle biológico do patógeno, foram utilizados os produtos comerciais à base de Trichoderma spp. na dose recomendada pelo fabricante, sendo eles Biotrich® e Trichodel®. Também foi testado um produto à base da bactéria Bacillus subtilis, Rizolyptus®.

Todos os produtos comerciais foram diluídos em água destilada previamente a sua utilização e aplicados diretamente nas sementes, que foram deixadas descansando por 24 h para melhor aderência dos produtos até que fossem utilizadas nos ensaios subsequentes.

Sementes de alface foram dispostas em folhas de papel germitest previamente umedecidas com água esterilizada, onde permaneceram por 24 horas em câmera BOD com ambiente controlado a 24°C ± 2°C. Após a embebição, foram depositadas sete sementes em placas de Petri contendo meio de cultura Ágar-Água (AA) e, em seguida, adicionado 1mL da solução em sua determinada concentração. Seguidas mais 24 horas, foi adicionado, no centro das placas, um disco de 6 mm de diâmetro, contendo micélio do patógeno S. sclerotiorum com 5 dias de cultivo.

Utilizou-se um total de 10 tratamentos mostrados a seguir: T1 – Testemunha: sem Trichoderma spp. e sem S. sclerotiorum. T2 - Testemunha: Biotrich®.

T3 - Testemunha: Trichodel®. T4 – Testemunha: Rizolyptus®.

T5 – Testemunha: somente S. sclerotiorum. T6 – Trichodel® + S. sclerotiorum.

T7 – Biotrich® + S. sclerotiorum.

T8 – Rizolyptus® + S. sclerotiorum.

As placas contendo os respectivos tratamentos ficaram armazenadas em ambiente controlado por sete dias, com temperatura de 24°C ±2°C e, após esse período, foram avaliados o comprimento de radícula, comprimento do hipocótilo e percentagem de plântulas sobreviventes.

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Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado com cinco repetições, os dados submetidos à análise de variância e quando constatado efeito significativo, realizou-se comparação das médias através do teste de Tukey, em nível de 5% de probabilidade. As análises foram realizadas pelo programa computacional Sistema para Análise de Variância – SISVAR (FERREIRA, 2003).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os testes realizados in vitro demonstraram que o isolado de Sclerotinia

sclerotiorum foi altamente patogênico em alface cv. Regina, tendo reduzido

significativamente a percentagem de plântulas sobreviventes, o comprimento do hipocótilo e da radícula (Tabela 1).

Tabela 1. Plântulas sobreviventes (%), comprimento da parte aérea (CPA) e

comprimento do sistema radicular (CSR) (cm) de plântulas de alface cv. Regina, obtidos de sementes tratadas com Sclerotinia sclerotiorum e os produtos biológicos Biotrich®, Trichodel® e Rizolyptus®.

Plantas sobrev. (%) S. sclerotiorum CPA (cm) S. sclerotiorum CSR* (cm) S. sclerotiorum

Com Sem Com Sem Com Sem

Biotrich® 35,72 a 54,76 a 3,30 a 3,95 a 1,83 a 1,77 a Trichodel® 33,33 a 47,62 a 3,41 a 3,69 a 2,02 a 1,35 b Rizolyptus® 23,81 b 30,95 b 2,98 b 3,04 b 1,50 b 1,40 b Testemunha 38,09 a 52,38 a 2,55 b 2,77 b 1,04 b 2,04 a CV (%) 35,10 23,50 21,57 *

Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

No parâmetro sobrevivência de plântulas, não houve resultado positivo quando as sementes se encontravam na presença do patógeno em nenhum dos tratamentos, pois as notas obtidas foram baixas e os tratamentos com os produtos Biotrich® e Trichodel®, não diferiram estatisticamente da testemunha. Nos tratamentos com ausência do patógeno também não foi observado a promoção de sobrevivência das plântulas, para os produtos Biotrich® e Trichodel®, que não diferiram estatisticamente da testemunha. Porém o produto comercial Rizoplyptus® diminuiu a sobrevivência na presença e ausência do patógeno.

Houve uma promoção no comprimento da parte aérea nos tratamentos com os produtos Biotrich® e Trichodel®, com e sem a presença do patógeno, indicando que

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esses produtos à base de Trichoderma spp. podem ser estimuladores de crescimento. O produto Rizolyptus®, não diferiu estatisticamente da testemunha, com resultados inferiores aos demais produtos.

O crescimento do sistema radicular foi maior no tratamento com Biotrich®, sem a presença do patógeno. Trichodel® mostrou-se eficiente no tratamento com a presença do patógeno, porém não ocorreu o mesmo na ausência deste. O produto Rizolyptus® também não apresentou resultados expressivos. Em trabalhos com alface também foram encontrados resultados insatisfatórios no que diz respeito à promoção de crescimento, tanto por isolados de Bacillus spp. quanto os de outras bactérias rizosféricas não mostraram habilidade específica em promover crescimento (FREITAS; MELO; DONZELI, 2003).

CONCLUSÂO

Os produtos Biotrich® e Trichodel®, ambos a base de Trichoderma spp., controlam S. sclerotiorum e promovem crescimento de plântulas de alface. O mesmo não acontece com o produto Rizoplyptus®.

REFERÊNCIAS

BARRETO, M. Doenças do amendoim. In: KIMATI, H.; et al. Doenças de plantas cultivadas.

Manual de fitopatologia, v. 2, p.65-77, 1997.

FERREIRA, D. F. Sisvar versão 4.3 (Build 45). Lavras: DEX/UFLA, 2003.

FREITAS, S. S.; MELO, A. M. T.; DONZELI, V.P. Promoção do crescimento de alface por rizobactérias. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.27, p.61-70, 2003.

HARMAN, G.E. et al. Trichoderma species-opportunistic, avirulent plant symbionts. Nature

Reviews Microbiology, v.2, p.43-56, 2004.

INSTITUTO BIOLÓGICO. Disponível em http://www.biologico.sp.gov.br/. Acessado em 11 de julho de 2012.

MELLO, S.C.M., et al. Cepas de Trichoderma para el control biológico de Sclerotium rolfsii Sacc. Fitosanidad, v. 11, n. 1, p.3-9, 2007.

(6)

MENDES, M. A. S.; et al. Fungos em Plantas no Brasil. Brasília, DF. Embrapa Cenargen, 569 p. 1998.

MERTZ, L.M.; HENNING, F.A.; ZIMMER, P.D. Bioprotetores e fungicidas químicos no tratamento e sementes de soja. Ciência Rural, v.39, p.13-18, 2009.

MOHAMED, H.A.L.A.; HAGGAG, W.M. Biocontrol potential of salinity tolerant mutants of

Trichoderma harzianum against Fusarium oxysporum, Brazilian Journal Microbiology, v. 37,

n. 2, p.181-191. 2006.

REIS, A.; LOPES, C. A. Principais fungos de solo em hortaliças: epidemiologia e manejo. In: ZAMBOLIM, L.; LOPES, C. A.; PICANÇO, M. C.; COSTA, H. (Org). Manejo integrado de doenças e pragas: hortaliças. Viçosa: UFV. p.189-224, 2007.

SAHARAN, G.S.; MEHTA, N. Sclerotinia diseases of crop plants: biology, ecology and disease management. New Delhi: Springer, 2008, 486 p.

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