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Revista iMasters by Imasters [Revista-iMasters-Web.pdf] (72 Pages)

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(1)

O ladO B

da tecnOlOgia

criatividade e inOvaçãO alternativas

R$24,00 Nós fazemos a Inter net no Brasil Fever eir o 2013 / Ano 02 / Edição 05

entrevista

nada é acessível O

suficiente que nãO

pOssa melhOrar

pela web afora

deep WeB e O ladO

OBscurO dO ser

humanO

desenvolvimento

um guia para

Otimizar as suas

aplicações WeB

(2)
(3)

expediente

TIAGO BAETA Publisher LUIS LEÃO Editor

RINA NORONHA (MTB 2759-ES) Jornalista Responsável

EDU AGNI

Projeto Gráfico / Diagramação NATHÁLIA TOREZANI Revisão

COLABORADORES

Adriana Pedrosa, Alê Borba, Bernard de Luna, Equipe Blab, Bruno Pulis, Clécio Bachini, Davidson Fellipe, Diego Ivo, Edu Agni, Fabiano Pereira, Fernando Bass, Horácio Soares, Hugo Cisneiros, Iliana Grinstein, Italo Lelis de Vietro, João Neto, Lina Lopes, Marcela Dani-otti, Marcio Paulo Mello Martins, Lucia Freitas, Ofelquis Gimenes, Pedro Gravena, Plínio Balduíno, Ramon Bispo, Reinaldo Ferraz, Richard Duchatsch Johansen, Sergio Nascimento (Elvis Detona), Vinicius Depizzol. ESkENAZI INDúSTRIA GRÁfICA

Gráfica

GRUpO ImASTERS Organização > 1000 exemplares > ISSN 1981-0288

Alameda Santos, 2395 - 1º andar Cerqueira César, São Paulo/SP CEP: 01419-101 - Brasil www.imasters.com.br/revista redacao@imasters.com.br Twitter: @iMasters Facebook: /PortaliMasters Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião da revista. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização dos artistas ou do editor da revista.

(4)
(5)

editOrial

Foi com muita felicidade que aceitei o desafio de ser o editor desta nova etapa da Revista iMasters. Não é de hoje que tenho o desejo de poder escrever sobre os assuntos e experimentos que têm circulado pela mi-nha carreira e, nesse sentido, espero poder corresponder ao convite. Você, leitor, deve estar se perguntando: quem é esse cara? Desde sem-pre, me interesso pelo desenvolvimento de projetos que envolvam intera-tividade, tecnologia, redes sociais, hardware e o que mais você imaginar que conecte o mundo real ao virtual. Nesse último ano, trabalhei em São Paulo, buscando aprender coisas novas e vivendo o mercado publicitá-rio, no que você poderia chamar de marketing experimental: prototipan-do ideias para serem utilizadas pelas marcas.

Aprendi aqui uma lição fundamental: que a mensagem/ideia é muito mais importante que o meio ou a tecnologia em que ela está inserida. E isso me conforta, pois sempre acreditei que tecnologia boa é aquela que ninguém sabe que existe. Um ótimo exemplo é que você não precisa explicar como funciona um forno microondas, mas precisa saber quanto tempo é necessário para esquentar uma pizza gelada – e isso não quer dizer que não existe tecnologia aplicada. Ou seja, quanto mais natural e menos imposto for o uso dessa tecnologia (qualquer que seja), melhor. Hoje, mais do que nunca, a tecnologia permitiu aproximar marcas e con-sumidores, e a experimentação de produtos e serviços cria um novo modelo de relacionamento entre eles, muito além do “xingar muito no Twitter”. Marcas criam plataformas e serviços que complementam seus produtos, e agora vemos uma nova onda de APIs e dados que podem gerar novos subprodutos (quando não criam novos modelos de negó-cio). Se você desenvolve para alguma plataforma de rede social ou já consumiu algum tipo de aplicativo, sabe o que isso significa.

É isso que pretendo levar a você, leitor da Revista iMasters: experiên-cia, interatividade e como é possível incluir tecnologia e inovação nos seus projetos.

Mais uma vez, agradeço pelo convite para estar à frente desse projeto, e peço o seu feedback, sempre, na certeza de que sempre podemos fazer melhor.

Luis Leão é desenvolvedor web que encontrou em

APIs e hardware aberto novas formas de integrar a web com o mundo real.

www.luisleao.com.br redacao@imasters.com.br

(6)

44 ::

6 > Sumário

20 :: capa > O lado B da tecnologia

front-end

Como otimizar

aplicações web

08 :: entrevista

Acessibilidade

web, com

Horácio Soares

66 :: pela web afora

Deep Web e o

lado obscuro do

ser humano

(7)

A iMasters é uma revista de Tecnologia/Web aberta a novas ideias.

Para colaborar envie o seu material por e-mail

<revista@imasters.com.br>

14 :: +interatividade > If ( ignorância == benção) return false;

16 :: marketing digital > Um mundo “novo” para o marketing: Big Data

18 :: padrões Web > Por dentro da W3C Brasil

26 :: criatividade tecnológica > Festival das luzes na era da interatividade

30 :: Opinião > Frameworks para Front-End

32 :: segurança > Confiança, certificados digitais e autenticação

40 :: comunidade > Busão Hacker: da internet para as ruas

42 :: código livre > Informações e dicas sobre projetos open source

50 :: 7masters: encontro imasters de especialistas

56 :: user experience > O design de interface a favor do Front-End

59 :: conexão vale do silício > O Vale do Silício é um estado mental

60 :: seO > 8 dicas, tendências e previsões para SEO

64 :: review > MariaMole: um ambiente brazuca para Arduino

70 :: imasters Box

(8)

nada é acessível O

suficiente que nãO

pOssa melhOrar

Por <Rina Noronha>

8 > Entrevista > Acessibilidade > Horácio Soares

“No Brasil falta vontade política em fazer

valer as leis e temos escassez de mão de

obra capacitada para projetar, desenvolver,

testar e auditar acessibilidade”

Acessibilidade web não é nenhum

assunto novo. No entanto, ainda

assim encontramos um grande

nú-mero de páginas que não são

aces-síveis e, pior ainda, um número de

profissionais que não sabe, não quer

ou não se importa com o assunto.

A mudança já caminha mais

rapida-mente, em comparação com anos

atrás, mas ainda são passos

peque-nos, que precisam ser fortalecidos.

Horácio Soares é especialista em

acessibilidade web, design,

ex-periência do usuário, usabilidade

e Web Standards, trabalha com

acessibilidade web há mais de uma

década. É fundador e consultor da

Acesso Digital e da Interativa, além

de fazer parte do Conselho

Consul-tivo do Instituto Intranet Portal, do

GT de Acessibilidade na Web do

W3C Brasil e da equipe julgadora

Prêmio Nacional de Acessibilidade

- Todos@web. Nessa entrevista

ex-clusiva, ele fala um pouco sobre o

status do assunto no Brasil, onde

estamos e o que precisamos fazer

para chegar “lá” – em uma web real

e verdadeiramente acessível.

(9)

Revista imasters: Como você começou a tra-balhar com acessibilidade web?

Horácio Soares: Meu primeiro contato com o termo acessibilidade foi em 2001, quando participei da resposta de um edital de licitação para construção de um sistema web para uma empresa do governo. Um dos itens do edital exigia que a solução fosse acessível para defi-cientes visuais.

Na época eu não sabia exatamente o que re-presentava a palavra acessibilidade e muito menos o que precisaria ser feito para desenvol-ver um site acessível. Também não tinha a me-nor idéia de como, nem com que tipo de tecno-logia, alguém com deficiência poderia acessar o conteúdo das páginas de um site.

Acabamos ganhando a licitação e fui um dos responsáveis por desenvolver a solução aces-sível da interface do sistema. Tive que apren-der na marra e acabei me apaixonando pelo tema. Na verdade, fui mordido pelo mosquito da acessibilidade e descobri que seus efeitos são irreversíveis.

Rim: Nesse tempo de mercado, o que mais te assusta? E o que mais te da orgulho?

HS: Me assusta ver que empresas de grande porte que ainda ignoram a acessibilidade e sua importância. A mensagem é clara, elas não es-tão preocupadas em atender e fornecer servi-ços para essa “minoria”.

É a velha cultura da reatividade, afinal, mudar para que, se estão ganhando... “Por que pre-cisamos oferecer serviços com mais qualidade se a demanda é bem maior que a oferta? Quan-do a concorrência crescer nos preocupamos com isso...”.

Ignoram que, quando a concorrência avançar, já poderá ser tarde. Que qualidade não é cus-to, mas sim investimento e que é bem mais barato manter um cliente do que que conquis-tar um novo.

Ignoram que dentro de diferentes contextos, todos nós somos usuários diretos de acessibili-dade e não apenas as pessoas com deficiência. Mas me dá muito orgulho em ver que parte

cada vez mais significativa de nossos desig-ners/desenvolvedores, mesmo lutando com tudo e todos, se qualificaram em acessibilidade e, quando podem, implementam suas técnicas em seus projetos digitais, mesmo sem seus clientes e gestores se darem conta.

Rim: Qual o estado atual da acessibilidade no Brasil? Ja é possível considerar que nossa web é acessível? Por quê?

HS: A acessibilidade no Brasil ainda é bem in-cipiente, principalmente se considerarmos os serviços oferecidos pela internet.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o W3C Brasil realizou, em 2010 e 2011, uma avaliação automática dos sites do Governo Brasileiro com domínio .gov. Foram aplicados testes automáticos de HTML, CSS e acessibi-lidade. O resultado foi preocupante pois, em 2010, apenas 2,5% dos sites do Governo não apresentavam erros nas avaliações. Já em 2011, esse número dobrou para 5%, mas ain-da é muito pouco, considerando-se que a va-lidação automática só é capaz de realizar uma pequena parte dos testes de acessibilidade e padrões web.

Infelizmente, ainda estamos longe de uma web brasileira verdadeiramente inclusiva e democrática.

Rim: Acessibilidade web é uma só, indepen-dentemente do tipo de pagina? (Portais de no-ticia, blog, E-commerce, etc)

HS: Dependendo dos tipos conteúdos (textos, Imagens, links, vídeos, áudios, tabelas, formu-lários,...), das tecnologias utilizadas e das in-terações de cada página, as técnicas podem ser diferentes, mas a acessibilidade web será sempre uma só.

Todos os conteúdos/serviços devem estar acessíveis, com acesso facilitado, da forma mais intuitiva e com menor esforço, para o maior número possível de usuários, indepen-dente de suas culturas, experiências, deficiên-cias, sistemas e dispositivos utilizados.

Rim: Qual é o grande paradigma hoje em unir usabilidade, acessibilidade e padrões web?

(10)

sim-plesmente permitir o acesso a serviços e con-teúdos. Por exemplo, minha amiga Lêda Spel-ta, que é cega, faz compras mensalmente em um supermercado virtual. Sua compra já está cadastrada, mas para adicionar e retirar alguns produtos e realizar o pagamento, leva em torno de duas horas. Algo que um vidente (uma pes-soa sem deficiência visual, que vê totalmente) com a mesma experiência que ela não leva-ria mais do que 20 minutos. O site parece ser acessível, mas na verdade só está “acessável”. Nessa caso, para o supermercado virtual ser acessível de verdade, além do usuário con-seguir realizar a compra (efetividade), precisa realizar as tarefas com facilidade e rapidez (eficiência), e no dispositivo e sistema que desejar (portabilidade).

É preciso entender que não basta aplicar téc-nicas de acessibilidade e de padrões web, é preciso garantir a acessibilidade através da validação com usuários e com melhoria con-tínua. Nada é acessível o suficiente que não possa melhorar.

Rim: Qual é o principal pecado dos sites brasi-leiros em termos de acessibilidade?

HS: São muitas as heresias que prejudicam a acessibilidade web, mas classifico como sen-do o pecasen-do capital sen-dos sites brasileiros a falta de foco. Isso mesmo, os projetos são desen-volvidos sem se saber ao certo quais são os objetivos e metas, quem são os beneficiados e suas necessidades e os quais são problemas que realmente precisam ser resolvidos.

Como esperar que um projeto web seja aces-sível se não se sabe quais problemas ele irá

resolver e menos ainda quem é seu público- alvo? Impossível...

Identificar corretamente o alvo significa ter que investir tempo e dinheiro em coisas aparente-mente abstratas, mesmo antes de começar a colocar a mão na massa. Os projetos vivem na cultura da pressa, onde todos estão sobre-carregados e sempre atrasados, muitas vezes correndo atrás do próprio rabo. Tudo é “pra ontem” e “não há tempo a perder com pes-quisa, estratégia, design, testes etc”. Para so-breviver a prazos e cronogramas impossíveis, os projetos são movidos a dose cavalares de ASAP (as soon as possible – ou, em bom por-tuguês, o quanto antes). Mas como qualquer droga pesada, tem efeitos colaterais devasta-dores, como a falta de qualidade, muito retra-balho, insatisfação dos clientes, aumento da taxa de churn*, desgaste da imagem da em-presa, queda do lucro etc.

Assim, mesmo em projetos onde a acessibilida-de faz parte da lista acessibilida-de requisitos obrigatórios, primeiro desenvolvem o site, para só depois im-plantar a acessibilidade. É como construir um prédio e depois quebrar tudo para adaptar uma rampa para cadeirantes. O resultado sempre será caro e a acessibilidade duvidosa... Uma maquiagem para inglês ver.

Rim: Muito se fala que as empresas/os chefes nao deixam que os sites sejam mais acessíveis por conta da falta de verba e tempo para de-senvolver os projetos, mas até onde isso é re-almente um culpado, e até onde a culpa é do desenvolvedor/designer, por não fazer uso dos padrões web e, consequentemente, criar pági-nas que nao são acessíveis?

* Taxa do churn é a proporção dos clientes que deixam o fornecedor durante um ano. [http://wikipedia.qwika.com/en2pt/Churn_rate]

(11)

HS: Certamente os maiores culpados são as empresas/chefes que já estão totalmente vicia-dos a trabalhar contra o relógio. Porém, mesmo correndo o risco de uma cara feia, os desen-volvedores/designers têm o dever de alertar os responsáveis que esse tipo de postura certa-mente causará problemas na qualidade dos projetos, além de poderem ser processados por falta de acessibilidade.

É sempre muito difícil mudar a cultura, princi-palmente dentro de empresas estabelecidas e que mantém uma boa taxa de crescimento e lucratividade. Mas antes que seja tarde demais, esses profissionais podem tentar convencer seus chefes e clientes aplicando testes A/B, onde possam facilmente comparar os resulta-dos de um projeto original “A”, com um outro dentro dos padrões “B”. Ou ainda, os gesto-res podem ser sensibilizados ao verem uma pequena gravação com testes de usabilidade com usuários utilizando o principal produto/ser-viço da empresa.

Dentro do possível, é preciso sempre tentar in-cluir as técnicas de acessibilidade, usabilidade e padrões web em seus projetos.

Rim: Quais tem sido os maiores desafios para uma web acessível no Brasil?

HS: São grandes as dificuldades, mas pode-mos listar três grandes desafios/barreiras que precisam ser vencidos/superados para uma web mais acessível no Brasil:

A. Conhecimento: as empresas, seus execu-tivos e profissionais precisam saber o que realmente é acessibilidade web, sua impor-tância, leis, estatísticas, normas, público alvo, custos e benefícios.

B. Capacitação: após serem conscientizados, os profissionais Web precisam de treina-mento para conhecerem as técnicas de de-senvolvimento, validação e manutenção de sites acessíveis.

C. Cultura: o terceiro e maior desafio é mudar a cultura dentro das corporações. É preciso que as empresas incluam em suas normas, padrões e processos a cultura da acessibili-dade Web, caso contrário, todo investimen-to se investimen-tornará inútil, volátil.

Rim: O que tem sido feito, na esfera governa-mental, para que a web seja mais acessível? E no plano privado?

HS: Pouco tem sido feito, em ambos planos. As empresas/instituições ainda “enxergam” a acessibilidade web como um patinho feito, que só serve para aumentar os custos do proje-to, limitar a criatividade e o design e atrasar o desenvolvimento. Consideram “um preço mui-to almui-to para atender um número pequeno de pessoas e que não fazem parte de meu públi-co alvo”. Certamente não leram o ótimo artigo “Acessibilidade web: 7 mitos e um equívoco”, da Lêda Spelta (http://bit.ly/11qOoR)

Ainda são poucos, mas a boa notícia é que existem empresas, instituições, universidades e profissionais que realmente se preocupam com a acessibilidade e começam a fazer diferença. Um bom exemplo é o Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web - todos@web, uma ini-ciativa do W3C Escritório Brasil, lançado em 2012 e que será repetido em 2013. O prêmio

“Dentro de diferentes

contextos, todos nós

somos usuários diretos de

acessibilidade e não apenas

as pessoas com deficiência”

(12)

tem como objetivo promover nacionalmen-te a acessibilidade na web, para conscienti-zar desenvolvedores e homenagear pesso-as, empresas e ações em prol do acesso de pessoas com deficiências na web. Veja mais http://premio.w3c.br/

Muito ainda precisa ser feito, mas um passo importante foi a criação do Decreto Lei 6.949, de 2009. Ele promulgou a Convenção Interna-cional da ONU sobre os Direitos das Pesso-as com Deficiência (Nova York, 30 de março de 2007), que passou a ter força de lei. Mais abrangente do que o Decreto Lei 5.296, ele de-termina que todas as empresas e instituições, de administração pública ou privada, devem assegurar o acesso a informação e a comuni-cação a todas as pessoas com deficiência e, a elas, devem ser oferecidas as mesmas opor-tunidades oferecidas aos demais. Leia o artigo “Análise de Acessibilidade dos Sites Oficiais dos Três Principais Candidatos à Presidência do Brasil”, onde este decreto é comentado, http://bit.ly/bQCmaQ

A partir daí, empresas estatais e privadas po-dem ser processadas pelo Ministério Público por falta de acessibilidade. Só para ter uma ideia, em 2011 e 2012 nossa consultoria aten-deu cinco grandes empresas privadas que es-tavam com processo devido a isso.

Rim: Com relação a outros países, como esta-mos? Muito atrasados, acompanhando bem o ritmo mundial, na frente?

HS: O mundo está atrasado, mesmo em na-ções mais desenvolvidos as mudanças são len-tas. O Brasil segue o caminho de países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Australia, entre outros, com adoção de leis nacionais so-bre a acessibilidade web para empresas esta-tais e privadas.

O lado negativo é que no Brasil falta vontade política em fazer valer as leis e temos escassez de mão de obra capacitada para projetar, de-senvolver, testar e auditar acessibilidade.

Rim: Como é possível pensar acessibilidade web “fora da caixa”? Como fazer diferente?

HS: Apesar de parecer óbvio, não projetamos a “experiência do usuário”; na verdade,

proje-12 > Entrevista > Acessibilidade > Horácio Soares

tamos para a sua experiência. Essa pequena mudança de paradigma faz toda a diferença na criação e desenvolvimento de sites que aten-dam de verdade as necessidades das pessoas. Precisamos focar mais nas pessoas e menos nas tecnologias.

As pessoas acreditam que acessibilidade é sem-pre direcionada para pessoas com deficiência, mas ela não só pode como deve ser pensada para atender melhor todas as pessoas.

Rim: Quais são os desafios relacionados a acessibilidade nos dispositivos móveis e qual sua avaliação sobre a nova funcionali-dade de assistentes pessoais (Siri e Google Now)? O que poderia tornar dispositivos mó-veis mais acessímó-veis?

HS: O curioso com relação à acessibilidade em dispositivos móveis é que as dificuldades apresentadas por pessoas com deficiência ao utilizarem computadores do tipo desktop são muito semelhantes às apresentadas por todos nós em dispositivos móveis. Portanto, somos todos usuários diretos de acessibilidade quan-to estamos usando dispositivos móveis, em movimento, com apenas uma das mãos, com baixa precisão, sem feedback, luz direta, baixo contraste e resolução reduzida, assim como o tamanho das letras, campos de formulário, links e botões.

Por isso mesmo, as técnicas e os problemas de acessibilidade são muito parecidos em disposi-tivos móveis e em desktop.

Algo que pode ajudar a melhorar a acessibilida-de dos sistemas e sites para dispositivos mó-veis é o uso da técnica “Mobile First”. Ao invés de adaptar os conteúdos e serviços do desktop para o Mobile, a ideia dessa técnica é fazer exatamente o contrário: começar pela versão móvel, incluindo na interface apenas o que real-mente é relevante e prioridade para os usuários, para depois projetar a versão para desktop. Como resultado, obtemos uma versão móvel otimizada para atender às especificações e ne-cessidades dos pequenos dispositivos, e uma versão desktop mais leve e objetiva, impregna-da pela simpliciimpregna-dade do dispositivo menor. Com relação ao uso do Siri e o Google Now,

(13)

“Não projetamos a

experiência do usuário; na

verdade, projetamos para a

sua experiência”

não sou usuário e nem fiz testes com ambos, mas acredito que podem ser bem úteis para todas as pessoas, com e sem deficiência, em diferentes contextos.

Rim: Games hoje são utilizados não só como entretenimento, mas também como plataforma de educação (ensino de lógica, por exemplo). Como a acessibilidade é tratada nesse merca-do? Ela existe? Como funciona?

HS: Esse é um grande e promissor mercado. Hoje, com o uso das técnicas de acessibilida-de propostas pela WAI/ARIA (Accessible Rich Internet Applications) do W3C (http://www. w3.org/WAI/intro/aria.php), já é possível de-senvolver conteúdo dinâmico e interfaces inte-rativas bem acessíveis com Ajax, HTML, JavaS-cript, e tecnologias relacionadas.

Falta melhorar o suporte dos navegadores e tec-nologias assistivas, mas tanto os leitores de telas quanto os navegadores têm evoluído bastante nos últimos anos, meses e, sinceramente, estou muito otimista com o futuro dessas tecnologias.

Rim: Você é professor, como trata o assunto acessibilidade em sala de aula? Como é a res-posta/entendimento dos alunos?

HS: Tentando um misto entre conscientização, paixão, técnica e perseverança. Sei que abra-çar essa causa não é uma tarefa fácil, por isso, preciso fazer com que os alunos sejam picados pelo mosquito da acessibilidade, exatamente como fui. E, além das técnicas, precisam de ar-gumentos fortes sobre as vantagens da acessi-bilidade e por que ela não deve ser tratada pelas empresas como uma obrigação social e legisla-tiva, mas sim como uma vantagem competitiva.

Rim: Qual é o papel das universidades em rela-ção à acessibilidade? Existe pesquisa?

HS: Um papel de extrema importância, mas certamente poderiam ser mais ativos e com resultados mais eficazes para acessibilidade digital. Um caminho seria incluir a cadeira de acessibilidade web nos cursos de graduação em Tecnologia da Informação, Sistemas de In-formação, Design, Web Design e afins. Esses profissionais não só precisam sair das universidades conscientizados da

importân-cia da acessibilidade, mas preparados para o desenvolvimento de projetos acessíveis. Por exemplo, os desenvolvedores saem de seus cursos especialistas em algoritmo, lógica, as principais linguagens de programação e tec-nologias, mas desconhecem por completo as necessidades de seus usuários com diferentes experiências e habilidades. A boa notícia é que isso já começou a mudar, principalmente nos cursos de pós-graduação Latu e Stricto Sensu, onde o tema tem sido cada vez mais pesqui-sado.</>

(14)

if ( ignOrancia == BençãO )

return false;

Por <Pedro Gravena>

14 > Coluna > +Interatividade

Nos últimos 2 anos, tenho passado por uma lavagem cerebral intensa para aprender pro-gramação. Sei que um publicitário não tinha nada que se meter com isso :) mas acredito que saber uma linguagem e lógica de progra-mação é ainda mais importante do que apren-der uma segunda língua.

Minha ideia era simples: aprender a progra-mar melhor para sair da ignorância. Tropeços à parte, tenho conseguido andar até que bem. Estava muito feliz em saber um Java basicão, quando recebi a visita de um cara, no mínimo inspirador, que me fez mudar um pouco a vi-são do meu objetivo.

Explico: normalmente fico olhando pessoas que fazem design com códigos, ou traquita-nas incríveis. Acompanho o trabalho do Mr. Doob, ou do pessoal do Google Creative Labs e fico invejando como eles são capazes de re-alizar coisas incríveis e eu não.

É claro que coloco toda a culpa nos códigos, afinal eles sabem programar e eu não.

Quando eu deixar de ser ignorante, eles vão ver só!

Mas dessa vez foi diferente. Recebi a visita do Mick Ebeling, um cara/empresa que veio mostrar o trabalho da sua produtora, e tam-bém falar sobre o Eye Writer. O trabalho da produtora é incrível! Para quem gosta de mo-tion graphics, basta citar que fizeram a aber-tura do filme do “007-Quantum of Solace” e a peça mais copiada da história, depois de Star Wars, a abertura do filme “Mais Estranho do

que a Ficção”.

Tudo muito incrível e bem feito, até que che-gou a hora de mostrar o Eye Writer. Quando ele abriu o keynote imediatamente mudou de expressão, estampava orgulho nos olhos e na fala. Não dava pra ficar indiferente enquanto ele mostrava um óculos meio tosco e barato, que lê o movimento da retina e transforma em letras, uma traquitana feita para ajudar um amigo grafiteiro que ficou tetraplégico.

Tudo muito incrível, a história, a geringonça, tudo. Tão incrível que virou uma palestra no TEDx. Fiquei tão intrigado com o entusiasmo do cara que perguntei a quanto tempo ele programava (afinal quando eu aprender a programar gosta-ria de fazer algo assim, arduino, geringonças, etc). Fiquei bem surpreso quando ele respon-deu: “não sei fazer uma linha de código”. Mas como?

Ele fala com tanta propriedade sobre o projeto aberto do Eye Writer, sobre como está rece-bendo contribuições e melhorando o projeto inicial, como montou uma comunidade de de-senvolveres para melhorar as funcionalidades. Como?! Será que aquele orgulho no olhar era só um artifício de um vendedor?

Acostumado com as farsas da propaganda e com pessoas que levam créditos por outras, pensei: “pronto tá aí mais um cara que não fez nada e está rodando o mundo fazendo palestras e levando o crédito pelo trabalho dos outros”.

Perguntei, então, como ele desenvolveu a ideia. Digo, a partir da ideia, como ele fez para juntar tecnologias e colocar tudo

(15)

funcio-nando? Afinal, todos sabemos que da ideia ao protótipo há um longo caminho, que sempre passa por um desenvolvedor. Veio a primeira resposta:

- Ele estava tão aficionado em fazer algo para ajudar, que conseguiu convencer dois programadores a se mudarem para sua casa. Eles estavam morando lá e traba-lhando na garagem.

Antes que eu pudesse fazer mais alguma pergunta, veio a se-gunda resposta:

- Ele só consegui porque não tinha a mínima ideia do que estava fa-zendo, que se ele tivesse ideia do quanto seria complicado e de toda tecnologia que seria envolvida, não teria nem começado.

E fechou com uma frase conheci-da, mas mudando uma palavra: “Naivety is a Bliss!” - Como se

diz Naivety em português?

A palavra é inocência. E a fra-se faz muito mais fra-sentido com essa palavra.

Depois desse encontro, entendi que só devo continuar apren-dendo a programar se mantiver a minha inocência em relação ao assunto. Afinal eu não preciso continuar ignorante em programa-ção, preciso continuar ingênuo. A ingenuidade é que te faz ter a “falta de noção” para fazer. </>

Pedro Gravena é Diretor de Criação Digital da

Wieden+Kennedy São Paulo, já foi arquiteto, músico, artísta plástico, e está estudando para ser um inventor frustrado. Conheça mais em @pedrogravena e pedrogravena.posterous.com

Para saber mais, procure por Mick Ebeling no site do TED, ou acesse: http://new.theebelinggroup.com

(16)

um mundO

“nOvO” para O

marketing digital:

Por <Marcela Daniotti>

16 > Artigo > Marketing Digital

Falar sobre novidade em Internet é pleonasmo e ao mesmo tempo perigoso. Muitos conceitos já existentes e praticados ganham roupa nova ao serem batizados com termos tecnológicos e BAM!, a revolução se instaura. Mesmo assim, vale a pena colocar definição + cases e enfati-zar o que já era feito no passado, mas que ago-ra virou disciplina e tópico de muita discussão. Muitos de vocês já devem ter se deparado com a expressão big data. Vamos dissecar? O termo Big Data refere-se ao volume absurdo de informações que é produzido e consumido na era em que vivemos e na impossibilidade de processar essas informações com as ferramen-tas convencionais.

Trazendo isso para o mundo corporativo, ima-gine a dificuldade que empresas têm em extrair, armazenar, processar e então, o mais impor-tante, visualizar esse volume crítico de informa-ções a fim de obter insights valiosos?

Vamos trazer essa realidade para o nosso mun-do? Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que um dos “culpados” pelo altíssimo volume de informações produzidas e consumidas hoje é o marketing digital, que exponencializou o número de touch points entre consumidores e marcas/empresas.

Seria lindo se não fosse trágico, pois:

ƒ 91% de profissionais de marketing seniors acreditam que marcas de sucesso fazem bom uso de Big Data para suas decisões de marketing, mas...

ƒ 39% dizem que os dados na empresa onde trabalham são coletados sem frequência certa ou não “suficientemente real-time” ƒ 51% dizem que a falta de compartilhamento

dos dados de clientes dentro da sua própria organização é uma barreira para medir efeti-vamente o ROI de marketing

ƒ Grandes empresas são muito menos pro-pensas a coletar novas formas de dados digitais como dados móveis (19%) do que para reunir dados tradicionais sobre os clien-tes, como informações demográficas (74%) e comportamentais (54%)

ƒ 85% das grandes empresas já estão usan-do contas de redes sociais (por exemplo, sobre as contas da marca Facebook, Twit-ter, Google, Foursquare) como uma ferra-menta de marketing

ƒ 65% dos profissionais de marketing, ao comparar a eficácia do marketing entre dife-rentes meios digitais, Big Data é “um grande desafio” para o seu negócio.

Big

(17)

O desafio e ao mesmo a promessa das no-vas tecnologias que prometem lidar com este grande volume de informações é permitir que os profissionais de marketing tomem melhores decisões em todos os níveis, sejam varejistas, fabricantes, prestadores de serviços ou até mesmo governos e ONGs.

Falando em Governo... que tal um exemplo bem recente de como as tecnologias que ma-nipulam Big Data podem prosperar?

Obama, o Presidente Digital

Se nas penúltimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, Obama revolucionou, nas últi-mas ele abalou as estruturas do mundo digital. Ao fazer uso de Big Data, Obama colocou seus cientistas de dados para trabalhar e sua equipe montou um banco de dados gigantesco com colunas e colunas de informação sobre elei-tores. Em poucas palavras, o processamento dos dados estimou como cada grupo reagiria a cada tipo de abordagem e, ao colocar as ações em prática, os esforços eram medidos e viravam mais dados, que eram reinseridos no banco de dados e permitiam a obtenção de in-sights mais e mais inteligentes. Um verdadeiro Big Brother Eleitoral, como a própria equipe en-volvida carinhosamente apelidou.

Os dados vieram de campanhas passadas, empresas especializadas (como Experian e Acxiom), redes sociais, assinantes do apli-cativo Obama for America e etc. Um volume gigantesco de dados, chegando a 4gb pro-cessados por segundo, 8,5 bilhões de requisi-ções ao banco de dados e 180 tb de armaze-namento em três data centers.

Quer mais um exemplo de aplicação desta tec-nologia? Ok, vamos lá.

Cidades Inteligentes:

Projeto Cidade 2020

Com o objetivo de desenvolver um novo mode-lo de cidade inteligente sustentável, ecológica e economicamente por meio da análise da deman-da real dos cideman-dadãos aliademan-da às oportunideman-dades de comunicação oferecidas pela internet e cada vez mais numerosos dispositivos conectados à rede, o projeto pretende atender as necessidades de usuários com serviços públicos aprimorados.

Além de integrar diferentes âmbitos e tecnolo-gias, o principal atrativo e diferencial do projeto é que a análise de dados obtidos em grande escala do comportamento urbano do cidadão, mediante a integração dos grandes dados di-gitais para aprimorar e definir os serviços ofe-recidos. A coleta destas informações sobre os cidadãos em termos de uso de transporte, energia, meio-ambiente e comunicação será utilizada para retroalimentar as tecnologias e os serviços desenvolvidos e assim permitirão ajus-tar os serviços interativos acessíveis oferecidos para as necessidades reais.

Além disso, já existem projetos mais ambicio-sos de aproveitar as informações de cidades inteligentes para gerar receita proveniente de anunciantes. Imagine o seguinte: e se uma te-lecom cruzar dados demográficos e de geolo-calização de seus assinantes e oferecer para empresas que desejam saber onde seu público alvo circula na cidade, a fim de escolher o me-lhor ponto para uma loja?

Respeitando a dualidade universal mais famo-sa, a tecnologia de Big Data é clamada pelo bem e crucificada pela “mal”. O problema, neste caso, é a preocupação com privacida-de. Enquanto o projeto de cidades inteligentes conserva a identidade do indivíduo e se importa somente com dados coletivos, a campanha de Obama utilizou os insights conquistados para ações one on one.

Nos últimos anos, legisladores e reguladores têm manifestado preocupações crescentes sobre o volume de dados que as empresas estão coletando, como essa informação é uti-lizada, se o dado coletado é vendido, e se os consumidores são avisados sobre as práticas dessas empresas.

Penso assim: é uma escolha do indivíduo forne-cer informações. Outro dia ouvi um amigo dizer: “não ligo para o modo como as redes sociais fazem uso dos dados pessoais. Não estou em nenhuma delas mesmo”.

Interconectividade: ônus e bônus. Cabe a nós escolher. </>

Marcela Daniotti é profissional de marketing online

focada em conteúdo digital. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em Gestão de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

(18)

pOr dentrO dO W3c Brasil

Por <Reinaldo Ferraz>

O World Wide Web Consortium (W3C) ater-rissou em terras brasileiras em outubro de 2007. Há quase seis anos, o primeiro escri-tório da América Latina atua com princípios muito claros: trabalhar por uma Web para todos, em qualquer dispositivo, em qualquer lugar, segura e confiável!

Trazer um escritório do W3C para o Brasil foi uma iniciativa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e do Núcleo de informação e Co-ordenação do Ponto BR (NIC.br) para que a co-munidade brasileira não seja apenas adotadora de padrões Web. O Brasil pode contribuir para o desenvolvimento da Web participando ativa-mente dos fóruns de discussões do W3C. Nós queremos que a realidade brasileira faça parte das discussões de padrões internacionais. Mesmo acompanhando as discussões de al-cance mundial sobre grande parte dos pa-drões, o W3C Brasil dá atenção especial a de-terminados temas:

Open Web platform

Esse é o conjunto de tecnologias abertas cria-da para o desenvolvimento cria-da Web. Entre eles, estão nossos conhecidos do cotidiano, como HTML, CSS, SVG, Web APIs etc. A utilização da Open Web Platform permite que qualquer pessoa possa implementar um componente de software da Web sem a necessidade de quais-quer aprovações ou ter que pagar qualquais-quer taxa de licença. O W3C Brasil tem feito um grande trabalho de conscientização da comunidade da importância do uso de padrões abertos.

Dados abertos

Possibilita que dados públicos na Web estejam disponíveis em formato aberto, padronizados e compreensíveis por máquina. Com esses da-dos, outras pessoas podem fazer uso dessas informações e criar aplicações mesclando os dados das mais diversas fontes. Temos traba-lhado bastante para disseminar a cultura de da-dos abertos no Brasil e no mundo.

Acessibilidade na Web

Permitir que a Web seja acessada por qualquer pessoa, independentemente de alguma deficiên-cia, é fundamental para o maior princípio do W3C: uma Web para todos. A tecnologia trouxe auto-nomia para as pessoas com deficiência e por isso a acessibilidade na Web é tão importante.

W3C Brasil em 2013

Desde 2007, o W3C Brasil promove e partici-pa de ações e projetos partici-para fomentar o uso e o desenvolvimento dos padrões. Dos diversos projetos que temos planejados para 2013, pos-so destacar alguns deles de grande importân-cia nacional e internacional.

Conferência WWW2013

A maior conferência mundial sobre a World Wide Web acontecerá no Brasil, de 13 a 17 de maio de 2013. O Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para sediar esse grande encontro com os maiores nomes da Web mundial. Tim

18 > Coluna > Padrões Web

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Berners-Lee, Jeff Jarvis, Luis von Ahn e Jon Kleinberg são apenas alguns dos palestrantes confirmados para esse evento, que tem como um dos organizadores o W3C Brasil. Acesse http://www2013.org/.

Conferência Web W3C Brasil

Também em 2013 acontecerá a 5ª edição da Conferência Web W3C Brasil, prevista para outubro. Uma conferência que reunirá a co-munidade Web brasileira para a discussão e o fomento do uso e desenvolvimento de pa-drões para uma Web livre e aberta. Acesse http://conferenciaweb.w3c.br/.

prêmio Nacional de Acessibilidade na Web

A segunda edição do Prêmio Nacional de Aces-sibilidade na Web foi lançado em janeiro de 2013 e estará com inscrições abertas em breve. Serão premiadas pessoas que fizeram grandes ações em favor da acessibilidade na Web, tecnologias assistivas, websites e aplicações que sigam pa-drões de acessibilidade e não criem barreiras de acesso para pessoas com deficiência. Acesse http://premio.w3c.br/.

Open Data Conference in Latin America

and the Caribbean 2013

A Conferência sobre Dados Abertos na Améri-ca Latina e Caribe ocorrerá em junho de 2013, em Montevidéu, Uruguai. No âmbito do projeto Open Data for Development in Latin America and the Caribbean (OD4D), o W3C Brasil rea-lizará a conferência em parceria com a Comis-são Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), o Centro Internacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Canadá (IDRC), o Banco Mundial, a Fundação Omidyar e o Governo do Uruguai. Reunirá grandes nomes engajados na discussão sobre dados abertos e abordará temas como o impacto dos dados abertos na sociedade, a importância dos dados abertos governamentais, o desenvolvimento

econômi-co e econômi-como assegurar a sustentabilidade e a escalabilidade dos projetos desenvolvidos com dados abertos. Acesse http:// www.od4d.org.

Ações do Dia Internacional das

pesso-as com Deficiência

Todo dia 3 de dezembro, dia esse proclamado pela ONU como o Dia Internacional das Pes-soas com Deficiência, o W3C Brasil promove ações para a conscientização sobre a impor-tância da acessibilidade na Web. Em 2012, deixamos nossa página toda escura e fizemos uma ação espetacular de cenografia na mão do memorial da América Latina, em São Paulo (o vídeo está disponível na página do W3C Brasil em http://www.w3c.br/ ou diretamente pelo YouTube em http://youtu.be/mWuZfDnor2c).

Você também pode participar do W3C

Uma forma de participação são as listas de dis-cussão do W3C (http://lists.w3.org/). Grande parte dessas listas é pública e aceita participa-ções e contribuiparticipa-ções da comunidade. Algumas delas, especialmente as relacionadas a Grupos de Trabalho, são restritas a membros (mais um dos grandes benefícios de se filiar ao W3C - http://www.w3c.br/filiese). Você também pode participar de traduções, revisões de pa-drões testes etc., tudo isso de forma aberta e li-vre. Esta a é a grande vantagem do W3C: permi-tir que todos possam contribuir para que a Web seja efetivamente de todos e para todos. </>

Reinaldo Ferraz é especialista em desenvolvimento

web do W3C Brasil. Formado em Desenho e Computação Gráfica e pós graduado em Design de Hipermídia pela Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Trabalha há mais de 12 anos com desenvolvimento web. Coordenador do Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web e do Grupo de Trabalho em Acessibilidade na Web e representante do W3C Brasil em plenárias técnicas do W3C.No Twitter é

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20 > Capa

O ladO B

da tecnOlOgia

criatividade e inOvaçãO alternativas

Lado B é uma expressão que

surgiu com os antigos discos

de vinil, onde os artistas

apro-veitavam a pausa que havia

para virar o disco para expor

um outro lado do seu trabalho

que não era aquele com maior

potencial de vendas, mas o

lado mais experimental e

alter-nativo. Esse outro lado podia

não ter interesses comerciais

e, por isso mesmo, era mais

autêntico e representava

me-lhor a essência do artista.

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móveis, I Lv Yr GIF (http://www.desvirtual. com/i-lv-yr-gif-webapp/), que permite com-posições visuais interativas através de antigos GIFs animados. Com isso, temos que o de-senvolvimento de aplicativos não se restringe apenas aos engenheiros da computação, sen-do uma área das mais cobiçadas pelos artistas contemporâneos. Além do mais, o I Lv Yr GIF é um aplicativo é open source, o que demonstra que nem toda obra de arte precisa custar uma fortuna e pode, sim, ser gratuita – no universo digital a gratuidade é mais uma condição para a sua existência do que um princípio, pois dentro de mídias de massa dependemos de sua popu-larização para que o aplicativo permaneça vivo. Do analógico para o digital, não existem mais

lados, é mais uma questão sobre conter ou não conter informação, além de ser uma infor-mação que pode ser maleável, diferentemente do conteúdo analógico ao qual não podemos manipular. Mas, a grosso modo, nem porque deixamos de utilizar as mídias analógicas como principal meio de propagação, que o lado B se perdeu, aliás nem o velho vinil se perdeu, ele está mais vivo do que anos atrás. Mas, e se o chip tivesse um lado B? Qual lado do universo digital você estaria escutando? Será que você está encarando o universo digital como se fos-se um disco de vinil, com dígitos imutáveis, ou você está escutando o lado B do universo digi-tal e acessando o seu lado mais maleável?

Arte

Nossa cultura é inteiramente permeada por meios digitais e, no entanto, sem um lado B, sem um comparativo, não há crítica. Vílem Flusser, em seu livro A filosofia da caixa preta, usa como metáfora a câmera fotográfica para apontar a forma como usufruímos dos meios tecnológicos. Sabemos apertar um botão para tirar uma foto, no entanto, essa automatização nos afasta de todo o processo de como o sis-tema funciona.

A arte lida com os meios de seu tempo, e os artistas midiáticos de hoje representam o que há de mais avançado na arte. A atual tecno-logia não foi inicialmente desenvolvida para a atividade artística, porém são estes os respon-sáveis pelo desenvolvimento que vai além da dimensão técnica, desprogramando suas fun-ções e deixando a nú sua lógica. E isso faz com que muitos artistas estejam bem na frente de algumas empresas de tecnologia. A turma que pensa em desenvolvimento tecnológico pensa em padrões e tudo que possa agilizar a vida, claro, mas com isso acabam se arriscando mui-to pouco, e é aí que a arte entra, sujeita a errar e a ver coisas novas.

Giselle Beiguelman, midiartista, curadora e pes-quisadora, criou um aplicativo para dispositivos

(22)

22 > Capa

O Arduino, por exemplo, hardware livre que revolucionou a cena digital, é open source, ou seja, toda informação sobre seu desenvolvi-mento está disponível e você pode construir o seu próprio e ainda por cima comercializá-lo. Nem por isso seus desenvolvedores deixam de faturar, pois muita gente acaba comprando o Arduino produzido pelos próprios desenvol-vedores. Assim, eles faturam com as vendas e também se beneficiam com a expansão do número de usuários. Veja aqui alguns projetos bacanas que foram feitos com Arduíno no ano passado http://bit.ly/10cgmbk

A grande diferença entre a criação e a inovação é que a criação envolve a idéia, e a inovação envolve a aplicação de uma idéia. Até então, o papel do artista era o da criação e, após a ce-lebração de uma obra de arte, criam-se inúme-ras formas de utilização da idéia ali criada. Hoje o que vemos é o oposto: engenheiros e afins criando tecnologias, as quais artistas se ocu-pam de sua aplicação. Se a arte se contamina pela tecnologia, por que não deixar a tecnologia se permear pela arte?

Cadu Lacerda, artista multimeios do Rio de Ja-neiro, criou uma série de pinturas que se ba-seiam nas imagens obtidas por um algoritmo que ele mesmo criou utilizando uma ferramenta de código aberto que facilita o uso de determi-nadas linguagens de programação para desig-ners e artistas, tornando suas criações interati-vas e generatiinterati-vas, a Processing. Depois do seu surgimento, a arte e o design nunca mais foram os mesmos - http://processing.org/

Para a criação da série intitulada “Parasimétrica

– Algoritmo das Cores”, Cadu utilizou o software

para designar uma cor para cada letra, substi-tuiu as letras de um poema por pixels coloridos e os transferiu para a tela, originando a obra. Pode parecer estranho uma tela sem nenhum

tipo de interatividade participando de inúmeras exposições de Arte Digital, mas a função bási-ca que ele usou com este software para pintar o quadro exemplifica com a mais pura clareza o que o universo digital está constantemente fazendo: traduzir. Uma quantidade enorme de zeros e uns pode ser traduzida como letras que formam os textos que você lê no seu computa-dor. Em obras interativas, a posição cartesiana do seu mouse é traduzida como o ponto de ori-gem para algum outro acontecimento.

Muitas vezes é na simplicidade que se encontra o complexo. O trabalho de Cadu Lacerda aca-bou evoluindo para um aplicativo para iPhone – você aponta a câmera para uma imagem e o processo reverso se dá, os números obtidos pelas cores em RGB são substituídos por le-tras, e assim podemos ler o texto “existente” em cada imagem.

Futuro no passado

Muitas vezes a inovação vem de peças já ul-trapassadas, e é nessa releitura que surgem as ideias mais mirabolantes. O midiartista Mateus Knelsen desenvolveu, em 2012, um workshop ao estilo DYI, faça você mesmo, na Freguesia do Ó em São Paulo, onde os inscritos eram convidados a construir seu próprio carinho de rolimã e acoplar pequenos transmissores de si-nal de rádio e TV; ao descerem a ladeira, eles transmitiam estes sinais às TVs e rádios locais. Confira em http://labmovel.net/

A releitura do passado só é possível devido ao grande avanço tecnológico atual, que nos permite, por exemplo, transformar uma fita K7 em um minicomputador, devido a uma tecno-logia que é cada vez mais potente, porém em menores escalas. O Raspberry Pi, computador

Projeto utilizando Arduino (Polar Plotter - http://ow.ly/hUJTW)

(23)

que surgiu em 2012 do tamanho de um cartão de crédito, é o auge da tecnologia hoje e quem mais esta aproveitando disto é o lado B. Vale a pena ler este artigo que mostra 10 criações com Raspberry Pi e como um mini-PC pode ser incrível: http://ow.ly/hdUyX

Muita coisa nova pode surgir do passado, mas nem tudo que vemos de inovador é tão novo assim. Os filmes 3D estereoscópicos que assis-timos com os óculos ganharam enorme credibi-lidade com o filme Avatar, de James Cameron, mas eles existem desde 1915; só que agora, com a tecnologia digital, ganharam força nova-mente. Outra grande cartada do passado são as holografias, que estão fazendo sucesso em shows onde antigos músicos, digamos já “ex-tintos”, voltam de suas tumbas através de ima-gens holográficas que interagem com a banda real. Esse é um efeito que era muito usado por antigos mágicos e se chamava phantasmago-ria, e não eram holografias, mas um jogo de es-pelhos muito bem feito.

Lixo eletrônico

Por isso não jogue fora o passado, aliás, não jogue nada fora! O lixo eletrônico pode ser va-liosíssimo nas mãos de pessoas como as do Metareciclagem (rede.metareciclagem.org), que começaram recebendo computadores usados para serem concertados e doados em projetos sociais. O grupo amadureceu e hoje se envolve em diversas ações de desconstrução para reconstrução da tecnologia como propos-ta de transformação social. Na página inicial do site você é recebido com todo o bom humor

que jamais se esperaria de um grupo que se envolve com desenvolvimento tecnológico e políticas sociais.

O lado mais humano dentro dos

hackerspaces

Mais do que por produtos, o lado B é for-mado por pessoas. Parece que a galera des-colada esta invadindo o espaço dos nerds. Radamés Ajna lidera já há alguns anos o ha-ckerspace do SESC Pompéia, em São Paulo (http://hackzilian.com). Muito jovem para tanto conhecimento, ele não tem medo de compartilhar livremente tudo que sabe para quem estiver disposto a aprender. Em uma época onde a informação vale muito, os ha-ckerspaces funcionam ao oposto disto. Um hackerspace, como o nome já diz, é um lo-cal onde hackers, curiosos que gostam de fuçar coisas, se encontram fisicamente. É um movi-mento internacional que vem crescendo todos os dias, com grupos e mais grupos surgindo, com o intuito de compartilhar seus conhecimen-tos construindo uma comunidade de gente es-perta capazes de superar qualquer desafio. Esses grupos existem, mais do que pelo encon-tro físico, por uma vasta lista de comunidades que compartilham na rede tutoriais e códigos sobre tudo que diz respeito a este universo, en-voltos, é claro, sobre a bandeira do software li-vre. São inúmeros sites que podem te ensinar a fazer qualquer tipo de coisa, aparentemente de uma sofisticada tecnologia, mas que pode ser Imagem: Parasimétrica – Algoritmo das Cores

(24)

construída com objetos que estão à nossa volta. Ao compreendermos como escrever nossos próprios softwares ou construir nossas pró-prias máquinas, compreendemos mais o mun-do à nossa volta e podemos nos expressar melhor de uma maneira que rompe com os limites que as grandes instituições e corpora-ções estão nos impondo.

A Casa de Cultura Digital, em São Paulo, é quase uma vila de hackerspaces – como a sede do Garoa Hacker Club – engajadíssimos e em um constante clima de festa. Um dos projetos mais interessantes que surgiu lá é o Ônibus Hacker, isso mesmo, um ônibus todo hackeado e cheio de hackers viajando pelo Brasil compartilhando conhecimento. O proje-to foi financiado através de crowdfunding, ou seja, por pessoas físicas interessadas na ini-ciativa e engajado pelo site Catarse.

Outro projeto surgiu quando decidiram comprar uma Makerbot, impressora que imprime peças em 3D, para construir sua própria máquina de pinball e perceberam que a impressora poderia ser bem melhor. Daí fizeram a impressora impri-mir outra impressora 3D, ainda mais avançada. A Casa de Cultura Digital ainda abriga o Meme-Lab (memelab.com.br), onde trabalham o VJ Pixel e a produtora Andressa Viana, que têm a pilha de produzir tanto um evento como um software – a questão é realizar. Um dia decidi-ram que queriam criar seu próprio software de Realidade Aumentada e reuniram quem mais estava a fim de se envolver, fuçaram um pouco e criaram o Jandig, software que já participou de vários festivais de cultura digital, mostrando o que um grupo de pessoas ousadas é capaz. Mas o desenvolvimento de gambiarras, aquele jeitinho brasileiro de improvisar soluções, não se

restringe ao eixo Rio-São Paulo. O grupo Gam-biologia (gamGam-biologia.net/blog), de Belo Hori-zonte, marca presença na cena com sua cultura pop tupiniquim. E em festivais e encontros de cultura digital podemos ouvir toda uma série de sotaques baianos e pernambucanos discutindo códigos e calando muito carioca e paulista. Os que frequentam o universo do desenvolvi-mento tecnológico formam uma cena cada vez mais variada e animada. Entre eles está Mar-celo Castilha, músico da banda Improvisado. Ele vira o disco da cena eletrônica noturna e toca jazz em uma das festas mais descoladas de São Paulo; durante o dia ele revira o dis-co novamente e se introduz na cena hacker: já conduziu o hackerspace do SESC Belenzinho e já foi visto usando tupperwares como distorce-dores de som, criando e modificando músicas com um resultado harmônico. Mais um pouco e vamos ter o lado C da tecnologia!

Conclusão

Podemos virar o disco, ou unir os lados. Se-gundo Arlindo Machado, o segredo é a conver-gência – quanto mais individualizamos os cam-pos de atividade, menos produtivos somos, enquanto a hibridização gera possibilidades e melhores soluções. Compartilhar é a chave do negócio e, sem as comunidades que disponi-bilizam livremente a informação na rede, nada disso seria possível.

Olhar para o outro lado é estar livre de padrões, criar com as próprias mãos e ver que é possí-vel alcançar seus objetivos por diferentes cami-nhos. Sem medo de errar, somos capazes de improvisar e de onde menos esperamos é que surgem as ideias mais bacanas. O lado B é que aqui a gente faz samba, e esse é o nosso ritmo, uma incorporação de diversos gêneros com um resultado singular.</>

24 > Capa

Texto: Blab - Adriana Pedrosa e Iliana Grinstein Fotos: cedidas

O Blab é um coletivo voltado para tecnologias audiovisuais e interativas, que reúne designers, programadores, videomakers, músicos, surfistas e ex-modelos para projetos imersivos extrasensoriais.

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(26)

festival das luzes na era da

interatividade

Por <Lina Lopes>

26 > Criatividade Tecnológica

Tomei de empréstimo para estas divaga-ções o tema de um dos tópicos aborda-dos na Conferência do Festival da Luzes de Lyon 2012, organizado pela LUCI As-sociation e Prefeitura de Lyon, a que tive a oportunidade de assistir. Mais informações no site da LUCI em http://bit.ly/V5q3kN

Fiat Lux. Deus criou a luz e o homem criou

a iluminação artificial, com a qual dominou a noite, afugentou os perigos e foi para a ba-lada. Dizem que, desde 1850, os lionenses saem às ruas para admirar a atmosfera lumi-nosa que a cidade ganha, sempre no dia 8 de dezembro.

Inicialmente, essa iluminação era criada com velas acesas e dispostas nas janelas das casas de Lyon em homenagem e agradeci-mento à Virgem Maria por ela ter salvado a cidade da peste. Essa, pelo menos, é a

his-tória contada sobre o mais antigo e famoso festival das luzes, “La Fête des Lumiéres”, em Lyon, França. O que sempre me leva a pensar em como as possibilidades tecnoló-gicas de iluminação mudaram muito nestes 150 anos de história.

Da parafina ao LED, passamos por ilumina-ção a gás, luminárias de querosene, lâmpa-das a arco voltaico, lâmpalâmpa-das elétricas incan-descentes e fluorescentes, neon, fibra ótica,

light flex, refletores cênicos, moving heads, e

assim por diante - isso sem contar o advento do cinema e seus desdobramentos digitais, como a projeção mapeada (videomapping). Um festival das luzes discute tudo isso, já que é, de fato, uma relação íntima entre as tecnologias de luz disponíveis, a arquitetura, o espaço público e a arte.

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Para ampliar nosso entendimento dessas re-lações, voltemos à balada, ou melhor, à ilu-minação pública. Ela é fruto de um processo de urbanização crescente a partir do século XIX, que ampliou o convívio em espaços pú-blicos noite adentro, gerando uma noção de segurança aos cidadãos. O que um festival das luzes dilata nesse contexto é a celebra-ção conjunta dos conhecimentos científicos, responsáveis pela história humana, aplicados à imaginação e ao lúdico. Eu, pessoalmente, considero essa tarefa uma arte.

Dentre as obras que gostaria de destacar, pela união que fizeram entre o estético e a solu-ção engenhosa pela sua simplicidade, está a

“Et Si?”. Nela, as imagens luminosas, que

ti-nham suas referências no universo das gran-des pinturas, estavam sobre as fachadas de edifícios que faziam parte do patrimônio da cidade, como o Palácio da Justiça, a Cate-dral de Saint-Jean e a Basílica de Fourvière (erguida em homenagem à Virgem Maria). Dessa forma, a dimensão espacial chama-va a atenção ao longo do canal. Pensei se estaria diante do maior videomapping que já tinha visto.

Para minha surpresa, a solução tecnológi-ca da obra era bem menos onerosa do que

eu esperaria, uma vez que, do lado opos-to do canal, havia uma dúzia de refleopos-tores cênicos com lâmpadas de alta potência da família dos elipsoidais (na verdade, de-viam ser do tipo seguidores). Esse refle-tor possui a capacidade de utilizar gobos, uma espécie de filtro físico que possui ima-gens fixas e, dessa forma, diminui o custo da produção. As imagens, assim, muda-vam dinamicamente e acompanhamuda-vam um

videomapping (sim, havia uma parte

mape-ada, mas bem menor). A imersão dada pela projeção em todas aquelas fachadas, pelo reflexo na água e ainda com uma combi-nação entre luzes e videomapping, foi mais que garantida.

Outra obra que gostaria de citar é “Highlights” – não imagino melhor nome para descrevê--la, esta sim um videomapping monumental. Trata-se de um vídeo de aproximadamente sete minutos que se estende por três facha-das distintas que cercam a Place des Ter-reaux. O vídeo foi feito com bailarinos que, em determinados momentos, são projetados como pilastra dos edifícios e, em outros, aparecem desenhando as fachadas com luz de lanterna. Nota para a sincronização dos

(28)

pos-sibilitam o movimento do facho de luz pelo espaço, que entram em cena para acompa-nhar o videomapping com luzes coloridas, ou para fazer parte da narrativa.

Para não se perder entre as inúmeras obras do festival de Lyon, foi criado um app (http://bit.ly/142imc8), no qual constavam pequenas curadorias de caminhos propos-tos ao longo da cidade para visualizar as in-tervenções luminosas (eram cerca de 60 pro-jetos). As rotas do app contavam com mapas e, se conectadas à internet 3G, eram capa-zes de orientar o usuário pelo festival. Além disso, era possível compartilhar as próprias fotos do festival, votar nas mais interessan-tes, e na iluminação que mais agradou, tudo por meio do aplicativo. Não tive oportunida-de oportunida-de usar as opções que necessitavam oportunida-de Internet - vai ficar para o próximo ano.

E o que isso tem a ver com a

era da interatividade?

E assim, meio sem querer e timidamente, este texto adentra ao tema: interatividade. Primeiro, vamos definir o que tratamos como interatividade. Da mesma forma que tomei de

empréstimo o título, peguei emprestado tam-bém o conceito geral da série de palestras com a participação do artista Miguel Chevalier (www.miguel-chevalier.com), que tratou a interatividade como um modo de encorajar a participação e a apropriação da obra por parte do espectador.

O conceito não é novo para um usuário mais avançado da Internet e dos videogames. Contudo, o suporte digital das novas tecnolo-gias permite ampliar a ideia de interatividade para espaços cada vez mais diversificados. Entre as obras presentes no festival, pude perceber o uso generalizado de câmeras de detecção de profundidade, como a kinect. Ela emprega uma técnica que não é nova e consiste em usar iluminação infravermelha e uma câmera sensível a essa iluminação para detectar um corpo no espaço. O que a kinect fez foi criar uma ferramenta estável e acessí-vel com esse conhecimento e ampliar para uma detecção 3D do seu objeto. Esse siste-ma de computação visual é tão aperfeiçoado e tangível que a opção por seu uso, atual-mente de maneira massiva, em obras ditas interativas não é nenhuma surpresa. Basica-mente, essa tecnologia foi usada no festival para permitir ao espectador usar seu corpo para interferir nas projeções. Lembro-me

28 > Artigo > Criatividade Tecnológica

(29)

Lina Lopes é graduada no curso superior de

audiovisual da universidade de São Paulo (ECA/ USP), está cursando engenharia da computação (FIAP) e se especializando em iluminação e design (IPOG). Pesquisa a relação entre corpo, espaço cênico, linguagem da fotografia, do vídeo e das artes&tecnologias. - lina@blab.art.br

especificamente do “LABO#6”, uma experi-ência de estudantes de arte e design, e da obra “Murs Sensibles”, na fachada da Alian-ça Francesa de Lyon. Creio que havia mais uma obra, o “Eclat-Fresque Interactive”, que não consegui ver. Todas elas apontam para a expectativa de o festival se alinhar com essa questão contemporânea de engajamento do seu público, tornando-o coautor e provocan-do uma experiência cada vez mais afetiva. Quem acompanhou o Intercon 2012, organi-zado pelo iMasters, pode ver na Arena Cria-tividade, eu e o parceiro Luis Leão demons-trando o uso da kinect. Mudamos as cores da iluminação lateral do evento de acordo com o movimento horizontal da mão (da esquerda para a direita) em frente à câmera. Para quem quiser ainda dar uma conferida nas experiên-cias que fizemos com a iluminação do Inter-con e possibilidades interativas, deixo o link: http://bit.ly/Y6ArJf

É claro que sistemas de computação visual que rastreiam o corpo no espaço não são a única forma de se fazer interatividade. Ainda temos outra possibilidade da qual o Festival talvez se aproprie nos próximos anos, como a internet das coisas. Usar twitters,

instagra-ms e outras redes sociais, ou mais

ferramen-tas da rede para modificar e interagir com as obras, é uma possibilidade real hoje em dia. Outra novidade à qual vale ficar atento é o “hue”, que a Philips lançou em outubro (http://bit.ly/S7g7Xc), um sistema de ilumi-nação wireless em que o usuário é capaz de, a partir de seu sistema (iphone/ipad ou android), controlar a intensidade e a cor das lâmpadas instaladas. Não vejo a hora de en-contrar uma dessas lâmpadas na balada. </>

(30)

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30 > Opinião

frame

W

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Após o surgimento do Bootstrap

(de-senvolvido no Twitter), vários outros

fra-meworks têm surgido. Isso representa um

avanço na padronização e o acesso mais

fácil a webstandards ou pode ser uma

ar-madilha quando você precisa desenvolver

multi-plataforma e com a preocupação

com acessibilidade? Por quê?

Quando este termo de CSS Frameworks surgiu, havia sim um certo receio do uso, pois não se enxergava o verdadeiro potencial que os Framewors poderiam proporcionar. Para quem era acostumado a “fazer na mão”, houve um certo receio de seu uso. Em alguns casos ele pode não se aplicar, dependendo da complexidade dos layouts. Hoje eles estão mais “maduros” com algumas melhorias em acessibilidade e responsivo. Mas eles ainda tem muito a evoluir, porém, há casos de frameworks modificados derivados do Bootstrap (Twitter), que estão fazendo melhorias além da versão standard do mesmo, afim de suprir estas deficiências. No mesmo ritmo da Biblioteca jQuery, eles estão também deixando o legado de suporte a navegadores antigos e ficando mais leves e também com técnicas de OOCSS (Object Oriented CSS), que fazem o uso inteligente do CSS. Existem também uma variedade de frameworks conhecidos como o Fondation (Zurb Fondation), Semantic Grid (Semantic.gs), 960.gs e entre outros.

<Richard Duchatsch Johansen> é front-end Developer na empresa Eventials.com e membro do GT de Acessibilidade do W3C Brasil

Eu imagino que as duas coisas. O Twitter Bootstrap e seus congêneres não afetam diretamente na padronização e no acesso aos web standards, pois o papel deles, na verdade, consiste em ajudar a tornar o desenvolvimento para web mais prático, versátil e rápido. Em contrapartida, sabendo que esses frameworks procuram cobrir a maior parte dos elementos que usamos no dia a dia, padronizações proprietárias nascem naturalmente, o que é interessante para o estudo de quem está começando. Digo “proprietárias” porque as decisões partem das equipes que criaram e mantêm os projetos, o que muitas vezes dão margem para resultados inconsistentes e que não agradam a maioria. É preciso cuidado para decidir quando usar (ou não usar) esses frameworks.

Referências

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