PROJETO DE REGULAMENTO MUNICIPAL DAS HORTAS URBANAS

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Texto

(1)

PROJETO DE REGULAMENTO

MUNICIPAL DAS HORTAS URBANAS

HORTAS URBANAS DO PARQUE CORGO

Vila Real | 2015

(2)

Nota Justificativa O Concelho de Vila Real, com uma importante parcela territorial classificada como rural, é portador de uma grande sabedoria agrícola, construída em torno da experiência e labor quotidiano das suas gentes, que proporcionaram a acumulação de conhecimentos empíricos que foram sendo transmitidos de geração em geração.

Contudo, nas últimas décadas, fruto da crescente tendência de urbanização da sua população e o abandono mais ou menos sistemático da actividade agrícola, muitos daqueles saberes começam a correr o risco de ficar “perdidos” no percurso do tempo. As novas gerações foram adoptando novos hábitos de vida, que passam pelo abandono do cultivo, mas também pela mudança de técnicas ancestrais, carregadas de sapiência e adaptadas ao contexto local. Estas mudanças foram, em alguns casos, extremamente nefastas, não só sob o ponto de vista económico e social, mas também sob o ponto de vista ambiental, já que muitas das novas práticas adoptadas na agricultura (aplicação de adubos inorgânicos, pesticidas, etc.), sem o devido acompanhamento, são geradoras de impactos negativos no meio ambiente. A implementação das Hortas Urbanas no âmbito do Projecto RU: 4.2 - Ampliação do Parque Corgo do Programa ARTICULAR, para além de permitir a disponibilização de espaços dinâmicos para a produção de culturas vegetais, o contacto com a Natureza e a promoção de uma alimentação saudável, permite ainda o retomar da transmissão do conhecimento agrário adquirido ao longo das gerações. A prática da agricultura biológica preconizada para este projecto é uma forma de produção na qual não são usados insecticidas ou fertilizantes químicos, criando um ecossistema equilibrado.

As Hortas Urbanas é o projecto-piloto que o município pretende levar a cabo, na implementação de uma cadeia de Hortas Urbanas distribuídas dentro do perímetro urbano da cidade, e tem como objectivos a disponibilização de 26 parcelas de terreno com 50m2 para a prática de agricultura biológica, averiguar da adesão da população de Vila Real à Agricultura Biológica e ainda determinar o custo benefício desta iniciativa.

Este projeto visa promover práticas de planeamento urbanístico saudável, e reabilitar, ambiental e esteticamente, as hortas urbanas já existentes no Concelho. Proporcionará a melhoria do ambiente e da saúde da população, considerando que as hortas facultarão o aumento das áreas de infiltração de águas pluviais, da biodiversidade nas áreas urbanas e da qualidade dos solos. Artigo 1º Norma habilitante O presente regulamento é decorrente das competências atribuídas à autarquia nos termos dos artºs. 112º, nº 8, e 241º da Constituição da República Portuguesa e ao abrigo da alínea k), do nº 1 do artº 33º da Lei nº 75/2013, de 12 de setembro. Artigo 2º Objeto

(3)

O presente regulamento pretende definir as regras de utilização das hortas urbanas e determinar os critérios de atribuição das parcelas. Artigo 3º Objetivos 1 - As hortas urbanas visam, nomeadamente: a) Proporcionar prática de atividades ao ar livre, convívio e ocupação de tempos livres; b) Incentivar hábitos de alimentação saudáveis; c) Promover atividades para as famílias na área da educação ambiental; d) Promover a ocupação das pessoas idosas e reformadas; e) Diminuir a pobreza através do cultivo de alimentos para autoconsumo;

f) Promover o aproveitamento eficiente de terrenos municipais para fins de recreio, culturais e de educação;

g) Evitar a ocupação não autorizada de terrenos;

h) Incentivar o uso de práticas agrícolas tradicionais, o modo de produção biológico e a produção integrada;

i) Potenciar a utilização da compostagem, bem como sensibilizar as populações para a questão dos resíduos.

Artigo 4º Definições

Agricultura Biológica – cultivo de produtos vegetais por meio de métodos naturais, sem pesticidas, nem adubos químicos, evitando a erosão e produz múltiplas variedades de colheitas de modo a garantir a biodiversidade. Na agricultura biológica são utilizados materiais e práticas tradicionais e descobertas científicas que permitem manter e promover o equilíbrio ambiental

Horta Urbana - local onde são cultivados produtos agrícolas sem pesticidas nem adubos

químicos, organizados em talhões e promovendo os ecossistemas naturais.

Utilizador – pessoa que cultiva e mantém um talhão cultivável que lhe foi atribuído, seguindo

(4)

Gestor – Câmara Municipal de Vila Real. Formador – pessoa licenciada em Ambiente, Agricultura ou área relacionada, com experiência na área de formação. Compostagem - processo natural de decomposição biológica de resíduos orgânicos que origina um produto estabilizado chamado composto graças à actividade de seres vivos. O composto possui muitos nutrientes e é facilmente assimilado pelas plantas, é útil na agricultura, jardinagem, parques públicos, etc.

Compostor – recipiente usado para fazer compostagem.

Composto - é o resultado da degradação biológica da matéria orgânica, em presença de

oxigénio do ar, sob condições controladas pelo homem. Artigo 5.º Localização 1 – As hortas urbanas localizam-se em parcelas de terrenos, propriedade do Município de Vila Real, sito no Parque Corgo, na zona da Timpeira. Artigo 6.º Organização e utilização das Hortas Urbanas 1 – Nas Hortas Urbanas existem as seguintes áreas:

a) Parcelas - que compreendem áreas de cultivo viáveis a utilizar por elementos do mesmo agregado familiar, exercendo os direitos e cumprindo os deveres estabelecidos no presente Regulamento e no Acordo de Utilização;

b) Áreas de Grupo – que compreendem os espaços onde estão localizados os equipamentos de uso comum (abrigo de ferramentas, tanques de água e compostor); c) Áreas de passagem – destinadas à circulação na Horta Urbana, os utilizadores devem manter desimpedidas e em bom estado de conservação. 2 – A delimitação das áreas estará a cargo do Gestor das Hortas Urbanas. Artigo 7.º Produtos cultivados

(5)

1 – O utilizador pode cultivar na Horta Urbana plantas hortícolas, aromáticas, medicinais e ornamentais, potenciando as consociações de produtos de acordo com os princípios da agricultura biológica. 2 – Os produtos e sementes destinam-se a autoconsumo, troca em eventos de promoção de horticultura ou com outros utilizadores. 3 – É estritamente proibido e causa de rescisão do Acordo de Utilização, o cultivo de espécies vegetais legalmente proibidas. Artigo 8.º Direitos dos utilizadores 1- Utilizar a título gratuito, uma parcela de aproximadamente 50m2 de terreno cultivável e com ponto de água de utilização comum disponível; 2- Aceder a um local coletivo de armazenamento de ferramentas agrícolas próprias ou cedidas pela Câmara Municipal; 3- Usar o compostor coletivo e o produto final como adubo orgânico; 4- Vasilhame para recolher água e auxiliar na rega da produção agrícola: 5- Frequentar, gratuitamente, uma ação de formação em Agricultura Biológica. Artigo 9º Deveres dos utilizadores 1- Frequentar, com aproveitamento, uma acção de formação em agricultura biológica com um mínimo de 15 horas; 2- Utilizar e zelar pela boa conservação e manutenção do compostor e do vasilhame de recolha de água; 3- Utilizar apenas meios de cultivo biológico; 4- Promover a diversidade de cultivos; 5- Cumprir as regras de limpeza e imagem do local; 6- Cumprir os horários de utilização estabelecidos em cada local;

7- Divulgar e disseminar as práticas da compostagem caseira, agricultura biológica e do consumo sustentável;

(6)

8- Preenchimento de um inquérito anual apresentado pelo gestor do local; 9- Garantir o asseio, segurança e bom uso do espaço da Horta; 10- Utilizar a água de rega de forma racional; 11- Dar início às práticas agrícolas até 1 mês após a entrega do parcela e respetiva assinatura do Acordo de Utilização, mantendo as hortas em produção; 12 - Assegurar a conservação do moinho e do cacifo que lhe for atribuído. Artigo 10.º Condições de participação

1 - Pode candidatar-se a utilizador qualquer cidadão residente num dos seguintes Bairros: Santa Maria, Pimenta, Dr. Francisco Sá Carneiro (Araucária) e Ferreiros, que pretenda ter uma horta biológica para produção de bens agrícolas.

2 – No caso do número de interessados ser inferior ao número de parcelas a atribuir, o Município de Vila Real pode aceitar inscrições de outros interessados que não residam nos locais referidos no ponto 1.

3 - As candidaturas deverão ser apresentadas mediante o preenchimento do formulário de candidatura disponibilizado pelo Serviço de Atendimento ao Público ou na página eletrónica do Município de Vila Real (www.cm-vilareal.pt).

Artigo 11º Selecção dos utilizadores

1- A Câmara Municipal de Vila Real procederá à seleção dos candidatos para utilização das parcelas disponíveis, utilizando os princípios da audição dos interessados e da máxima transparência de procedimentos, seguindo, genericamente, os seguintes critérios: a) Residência num dos seguintes Bairros: Santa Maria, Pimenta, Dr. Francisco Sá Carneiro e Ferreiros; b) Estar desempregado; c) Ter 3 ou mais filhos ao seu encargo; d) Ordem de entrada da inscrição.

(7)

Artigo 12º Duração, renovação e rescisão dos contratos de utilização das parcelas 1- O acordo celebrado ao abrigo do presente regulamento será válido por um período de 1 ano a contar da data de assinatura e é passível de renovação por períodos de um ano, a pedido do utilizador.

2- A Câmara Municipal de Vila Real pode, em qualquer altura, e desde que devidamente fundamentado, anular a inscrição do utilizador, caso considere que não estão a ser cumpridos os deveres previstos.

3- O utilizador pode rescindir o acordo e deixar de utilizar o espaço cedido, devendo informar a Câmara Municipal de Vila Real com a antecedência de 30 dias úteis, não podendo reclamar qualquer indemnização por eventuais benfeitorias realizadas no local.

4- A Câmara Municipal de Vila Real pode proceder à rescisão unilateral do contrato de utilização, em consequência de manifesta má utilização do espaço.

5- O referido no ponto anterior será comunicado por edital, afixado no local previsto no contrato de utilização, com uma antecedência de 15 dias úteis. Artigo 13º Aceitação 1- A participação dos utilizadores da Hortas do Parque Corgo implica a aceitação das normas do presente Regulamento e a assinatura de um Acordo de Utilização, bem como a renúncia a qualquer tipo de indemnização por quaisquer benfeitorias eventualmente introduzidas na parcela concedida.

Artigo 14º Dúvidas e omissões

1- As dúvidas suscitadas na aplicação do presente regulamento ou no Acordo de Utilização serão solucionadas, caso a caso, pela Câmara Municipal de Vila Real.

(8)

Hortas Urbanas do Parque Corgo

Acordo de Utilização de Parcela

Entre o Município de Vila Real, representado pelo Presidente da Câmara Municipal Eng.º Rui Jorge Cordeiro Gonçalves dos Santos, pessoa coletiva n.º 506359670 e ______________________________________ contribuinte n.º _____________, na qualidade de utilizador da Parcela n.º ____ das Hortas do Parque Corgo, é estabelecido o presente Acordo de Utilização de Parcela, ao abrigo do Regulamento Municipal das Hortas Urbanas do Parque Corgo, aprovado em reunião de Câmara de ___ de ___________ de 2015. 1 – O Município de Vila Real disponibilizará ao utilizador uma parcela com a área aproximada de 50 m2 e os recursos, meios e equipamentos destinados única e exclusivamente à utilização prevista no Regulamento Municipal das Hortas Urbanas do Parque Corgo;

2 – O Utilizador aceita esta cedência e compromete-se a cumprir com o disposto no Regulamento Municipal das Hortas Urbanas do Parque Corgo;

3 - O Utilizador renúncia a qualquer tipo de indemnização por quaisquer benfeitorias eventualmente introduzidas na parcela;

4 – O Utilizador assume a total responsabilidade sobre o que resultar de acidentes pessoais ou provocados a terceiros, bem como sobre os materiais depositados no espaço destinado a armazenamento de ferramentas agrícolas; 5 – A validade do presente Acordo de Utilização é de um ano, podendo ser renovado por iguais e sucessivos períodos, a pedido do utilizador; 6 – A Câmara Municipal poderá suspender o projecto em casos devidamente fundamentados, não conferindo ao utilizador direito a qualquer indemnização. Vila Real, ____ de __________ de 2015 O Presidente da Câmara Municipal ______________________________________ (Eng. Rui Jorge Cordeiro Gonçalves dos Santos) O Utilizador

(9)

______________________________________

Imagem

Referências

temas relacionados :