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DIREITO ELETRÔNICO. Palavras-chave: conceito; legislação subsidiária, direito penal, civil, consumidor, constitucional.

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DIREITO ELETRÔNICO

Samara Luna, aluna do 9º semestre do Curso de Direito do CEUNSP de Salto.

RESUMO

Este artigo tem por escopo traçar as primeiras linhas a respeito do Direito Eletrônico, tecendo breves comentários sobre o conceito, características, aplicação de leis subsidiárias para solucionar conflitos no meio eletrônico, relação com outras legislações e importância na atualidade.

Palavras-chave: conceito; legislação subsidiária, direito penal, civil, consumidor, constitucional.

Conceito de Direito Eletrônico

O Direito Eletrônico “é o ramo autônomo atípico da ciência jurídica que almeja regulamentar as relações jurídicas estabelecidas no mundo virtual” (PAIVA, 2002).

Deste conceito pode-se extrair que o Direito Eletrônico é atípico, na medida em que não existe legislação específica regulamentando as relações existentes no mundo virtual, as quais passaram a existir indiscutivelmente em razão do avanço tecnológico e que atualmente necessitam de urgente amparo.

Entretanto, não havendo legislação própria sobre o assunto, as relações virtuais acabam sendo amparadas por legislações já existentes, as quais apesar de não tratarem especificamente do assunto, tecendo riqueza de detalhes a fim de

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solucionar determinada questão ou lide, acabam oferecendo amparo às relações virtuais de forma subsidiária.

Legislações aplicáveis subsidiariamente

Exemplo de legislações aplicáveis subsidiariamente são os Códigos Cível, Penal, do Consumidor e o nosso mais importante diploma, a Constituição Federal de 1988.

No primeiro caso, além de outras situações que se pode exemplificar, encontramos a existência dos, cada vez mais freqüentes, contratos virtuais, a exemplo as inúmeras lojas virtuais atualmente existentes como Mercado Livre, Comprafácil, Americanas.com, entre outras centenas. Neste caso, certo é que mesmo não havendo legislação específica versando sobre contratos virtuais, aplicam-se as regras comuns a todos os contratos, regidos pelo Código Civil de 2002, sendo apregoados, portanto, os mesmos princípios, como o da boa fé e da pacta sunt servanda, cabendo ainda responsabilidade civil decorrente de algum dano causado no mundo virtual.

De outro bordo, aplicar-se-á as regras do Código Penal, quando tais condutas virtuais retratarem fato típico (na legislação penal), antijurídico e culpável, de acordo com a Teoria Tripartite, podendo citar-se como exemplo, as evidentes fraudes que ocorrem no dia a dia, como as de cartões de crédito.

Entretanto, discussão interessante que surge, é o fato de que para que haja a punição por um crime, como citado acima, o mesmo tem de estar legalmente previsto em um tipo penal. Neste mesmo diapasão, certo é que não existem especificamente crimes de informática. Diante disso surgiram duas correntes doutrinárias acerca do assunto, tendo de um lado, uma que defende estritamente a necessidade de que no tipo haja especificação de que o crime é cometido através de computadores e outra que defende que a legislação penal vigente pode ser adaptada à

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delitos informáticos, uma vez que os mesmos não podem ficar sem punição apenas por questões interpretativas.

Diante disso, o Professor José Caldas Góis (apud PAIVA, 2002) comentou o atraso do Brasil em relação a outros países desenvolvidos, o qual já possuí legislação específica,

os chamados crimes de informática, praticados por meio do uso de computadores, estão entre os novos tipos penais previstos na legislação dos países desenvolvidos. De fato existe uma crescente preocupação em regulamentar rapidamente o delito praticado com o uso de computador uma vez que as ocorrências vêm crescendo assustadoramente e a repercussão de tais crimes é cada vez maior.

No caso de aplicação do Código do Consumidor, pode dar-se como exemplo, os casos de propaganda enganosa, os quais, quando difundidos virtualmente alcançam número incalculável de consumidores, em razão da potencialidade que o meio eletrônico tem de atingir milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Já no caso de Nossa Magna Carta, encontramos que a mesma é utilizada visando garantir, por exemplo, o direito à imagem, intimidade, à autoria.

Com a existência dos diversos sites de relacionamento, vê-se que cada vez mais a intimidade e imagem das pessoas tem sido violada. Citemos o conhecido e mundialmente famoso orkut, em que seus usuários possuem acesso ao perfil de todos os outros usuários (milhões) e não muito raramente, copiam fotos dos álbuns ou perfis e utilizam indevidamente, causando indiscutível prejuízo aos mesmos, prejuízos muitas vezes de ordem puramente moral e portanto, imensurável.

De forma a torna inconteste a aplicação do Direito Constitucional em casos dessa espécie, leciona o Professor Demócrito Reinaldo Ramos ( apud PAIVA, 2002):

(...) na falta de um conjunto amplo e concatenado de leis protetivas da privacidade

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em suas mais variadas manifestações, o instrumento do jurista no trato desses assuntos será inevitavelmente a Constituição Federal, onde estão assentes os princípios basilares desse direito personalíssimo.

Outro exemplo que se pode citar que o Direito Constitucional, urgentemente vem garantindo nos meios eletrônicos é a propriedade intelectual, altamente atingida em razão dos avanços tecnológicos que nos permitem hoje, copiar em cerca de segundos a integralidade de obra artística, seja literária, musical, audiovisual etc.

Gandelman (apud PAIVA, 2002) em relação a esses grandes impactos nos diz que:

(...) o surgimento das máquinas de reprografia, que acabou por ser neutralizada pelo controle efetivo das máquinas, principalmente aquelas localizadas nas grandes instituições de ensino. A previsão de Mc Luhan, entretanto, torna-se verdadeira mais de vinte anos passados, uma vez que a tecnologia digital permite cópias perfeitas, enquanto que a Internet, sem fronteiras, propicia rápida disseminação das cópias, sem custo de distribuição. Um simples aperto de teclas tem o dom de colocar a obra copiada ao alcance de centenas de pessoas.

Conclusão

Diante de tudo acima exposto, resta evidente que o avanço tecnológico trazido pelos sistemas de computadores, na medida em que de certa forma facilitou e agilizou nosso dia a dia, também possibilitou o surgimento de diversos conflitos, uma vez que o mundo virtual nos possibilita acessar maior quantidade de informação em menor tempo em nosso favor, mas ao mesmo tempo também nos possibilita utilizar tais informações em desfavor de terceiros, daí o surgimento de inúmeras fraudes no meio virtual, clonagens de senhas, utilização de fotos, utilização de dados pessoais de terceiros etc.

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Isto posto, sendo inconteste a necessidade de se evoluir tecnologicamente, há de alertar o legislativo para que se atente à evolução do direito nesta área, regulando o uso da tecnologia informática, criando, pois, legislação específica sobre o assunto.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Direito eletrônico ou direito da

informática? Buscalegis, 2005. Disponível em

http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/5654/5223.

acesso em 26 de abril de 2010.

PAIVA, Mário Antônio Lobato de. Primeiras Linhas em Direito Eletrônico. Disponível em www.jusnavigandi.com.br - acesso em 26 de abril de 2010.

BELOMO, Valquiria. Aulas ministradas em PESQUISAS E ATIVIDADES COMPLEMENTARES – MÓDULO DIREITO ELETRÔNICO - CEUNSP, Salto, Abril. 2010.

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