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Livro Proprietário - Tecnologia Da Informação e Comunicação

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Tecnologia da Informação e

Comunicação

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Editorial

© UniSEB © Editora Universidade Estácio de Sá

Todos os direitos desta edição reservados à UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá.

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, e mecânico, fotográfi co e gravação ou qualquer outro, sem a permissão expressa do UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá. A violação dos direitos autorais é punível como crime (Código Penal art. 184 e §§; Lei 6.895/80), com busca, apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98 – Lei

dos Direitos Autorais – arts. 122, 123, 124 e 126).

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Comitê Editorial

Fernando Fukuda Simone Markenson Jeferson Ferreira Fagundes

Autor do Original

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Capítulo 1: Ciência, Tecnologia e Sociedade ... 7

Objetivos de aprendizagem ... 7

Você se lembra? ... 8

1.1 Conceitos de ciência, tecnologia e sociedade ... 9

1.2 Relacionamento entre ciência, tecnologia e sociedade ... 11

1.3 Evolução social, científica e tecnológica ... 13

1.4 Neutralidade ... 14 1.5 O determinismo tecnológico ... 15 1.6 A associação em rede ... 17 Atividades ... 20 Reflexão... 21 Leitura recomendada ... 22 Referências ... 22 No próximo capítulo ... 23

Capítulo 2: Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento ... 25

Objetivos da sua aprendizagem ... 25

Você se lembra? ... 25

2.1 Definição de sociedade da informação e sociedade do conhecimento ... 26

2.2 Sociedade em rede... 30

2.3 Modelos de sociedade da informação ... 34

2.4 Reestruturação produtiva e sociedade da informação ... 38

2.5 Cadeias de negócio ... 38

2.6 OCDE ... 40

2.7 O livro verde da sociedade da informação no Brasil... 42

Atividades ... 42

Reflexão ... 44

Leitura recomendada ... 44

Referências ... 44

No próximo capítulo ... 44

Capítulo 3: A Revolução Digital ... 45

Objetivos da sua aprendizagem ... 45

Você se lembra? ... 45

3.1 A Internet ... 46

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Atividades ... 62 Reflexão ... 64 Leitura recomendada ... 64 Referências ... 64 No próximo capítulo ... 65

Capítulo 4: Tecnologias da Informação e Comunicação ... 67

Objetivos da sua aprendizagem ... 67

Você se lembra? ... 67

4.1 Conceito de TIC ... 68

4.2 Aplicações das TICs ... 70

4.3 O impacto das TICs na sociedade ... 74

4.4 Relação dialética entre a sociedade e as TICs... 80

Atividades ... 83

Reflexão ... 84

Leitura recomendada ... 85

Referências bibliográficas ... 85

No próximo capítulo ... 86

Capítulo 5: Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade ... 87

Objetivos da sua aprendizagem ... 87

Você se lembra? ... 88

Introdução ... 89

5.1 Aspectos éticos e legais relacionados ao exercício profissional na área de TI ... 90

5.2 Mercado de trabalho na área de TI e tendências ... 94

5.3 Mercado de trabalho ... 95

5.4 Perfil Profissional ... 96

5.5 Regulamentação da profissão na área de Tecnologia da Informação ... 100

5.6 TI Verde e Sustentabilidade ... 102

5.7 Uso de TI em prol do meio ambiente ... 106

5.8 Estratégias empresariais de TI “Verde” ... 109

5.9 Usando a TI para sustentabilidade ambiental ...111

Atividades ... 112

Reflexão ... 113

Leituras recomendadas ... 113

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Prezados(as) alunos(as)

Todos possuem conceitos variados sobre os termos ciência, sociedade e tecnologia. Ao consultarmos o Dicionário Aurélio, encon-tramos a seguinte definição:

“Um conjunto organizado e relativo aos conhecimen-tos de certas categorias que estão relacionados com os fatos ou fenômenos.”

Toda ciência, para definir-se como tal, deve necessariamen-te recortar, no real, seu objeto próprio, assim como definir as bases de uma metodologia específica: ciências físicas e naturais. A sociedade, por sua vez, pode ser definida:“Reunião de homens, de animais, que vivem em grupos organizados; corpo social. Con-junto de membros de uma coletividade, sujeitos às mesmas leis. Cada um dos diversos estágios da evolução do gênero humano.” E a ciência: “Estudo dos instrumentos, processos e métodos empregados nos diver-sos ramos industriais.”

Portanto, podemos perceber claramente que a ciência está diretamente relacionada ao conhecimento, à sociedade, aos seres humanos e à tecno-logia, às técnicas, aos métodos, processos e instrumentos.

Nesta disciplina, estudaremos um pouco sobre este importante assunto: Ciência, sociedade e tecnologia. Ambientaremos o aluno neste tema,

pro-curando mostrar-lhe que a tecnologia, de que tanto gostamos, precisa ser contextualizada juntamente com outros elementos.

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Vamos estudar a ideia de neutralidade

Sociedade

da ciência. A questão da neutralidade da ci-ência está no centro do debate entre os estudos sobre as características da ciência e seu papel na sociedade.

A questão principal é se a ciência é ou não influenciada pelo contexto sociocultural, pelos valores sociais, inte-resses políticos e econômicos. Tal discussão é importante porque a visão da ciência neutra tem implicações na escolha dos temas, na política que define as prioridades de pesquisa e in-fluencia as relações entre o ambiente científico e os outros setores da sociedade.

É importante sabermos que a questão da neutralidade da ciência está relacionada a um modo de produzir conhecimento sobre os fenômenos da natureza baseado na matemática, que procurou definir leis gerais de alcance universal para controlar e transformar a natureza. Esse modo de fazer ciência separa a natureza (objeto) da sociedade (sujeito). Ve-remos que a visão dominante de ciência neutra, autônoma e universal está sendo negada pelo próprio avanço do conhecimento, com o surgi-mento de novas teorias nas ciências naturais que superam as anteriores,

e por fatos históricos que estão relacionados ao uso da ciência para fins político-militares no desenvolvimento de armas e aplicação no processo

de produção capitalista.

Objetivos de aprendizagem

Neste capítulo, vamos estudar os seguintes assuntos: ▪conceitos de ciência, tecnologia e sociedade;

▪ relacionamento entre ciência, tecnologia e sociedade; ▪evolução social, científica e tecnológica;

▪neutralidade;

▪determinismo tecnológico; ▪dialética;

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Há alguns anos passava um seriado na televisão cujo protagonista era um cientista maluco com dois ajudantes: um rato de laboratório gi-gante e uma assistente. Embora bem-humorado, o seriado era interessante porque ele, juntamente seus auxiliares, fazia várias experiências para mostrar as leis da física, química, matemática, mecânica e outras. Era bas-tante interessante e lúdico para quem lhe assistia. Ele mostrava a ciência na prática. Vamos estudar um pouco sobre a ciência neste capítulo.

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C.C Conceitos de ciência, tecnoCogia e sociedade

As três palavras: ciência, tecnologia e sociedade formam um con-junto muito mais abrangente do que podemos imaginar. Existem vários autores com diferentes abordagens para tratar cada uma delas separada-mente e em conjunto. Porém, nosso estudo será baseado numa definição geral e com aplicações nas áreas de informática a fim de dirigir e orientar os alunos desta área sobre estes conceitos importantes.

Podemos iniciar observando que não é possível separar os conheci-mentos científicos e artefatos tecnológicos, pois entendemos que ambos estão relacionados. Onde há ciência, há tecnologia, e neste caso tecnolo-gia não é apenas equipamentos de hardware ou infraestruturas complexas. A palavra tecnologia é derivada do grego tekhne, “relativo à arte, aos trabalhos de artesão” mais logos, “estudo, tratado, palavra”. Portanto tecnologia significa “estudo da técnica”.

Segundo o dicionário Michaelis, tecnologia pode ser definida como “aplicação de conhecimentos científicos à produção em geral” (EDITO-RA MELHO(EDITO-RAMENTOS, 2009).

A palavra ciência provém do latim scientia e seu significado é “co-nhecimento” ou qualquer “conhecimento sistemático”. Esse conhecimen-to é adquirido por meio de méconhecimen-todos científicos, geralmente estudados na disciplina “Metodologia científica”, presente em vários cursos de gradua-ção e pós (strictu ou latu sensu).

Segundo (CHIBENI, 2014), existe uma definição estrita na qual a ciência é tratada como o conhecimento claro e evidente de alguma coisa fundamentado por princípios evidentes e demonstrações ou por raciocí-nios experimentais ou mesmo pela análise da sociedade e fatos humanos. Desta forma, aparecem três tipos de ciência: as ciências formais, as

mate-máticas e as sociais.

A ciência é um campo de estudo muito abrangente. Existem vários autores, desde a Antiguidade, que pesquisam este assunto, inclusive do ponto de vista filosófico. Para os cientistas tradicionais, a definição mais empregada é a definição estrita, citada no parágrafo anterior.

Entre as correntes filosóficas que tratam da ciência, existe uma cha-mada empirismo. No empirismo, basicamente, a ciência e suas teorias são objetivas, testadas e previstas empiricamente.

Dentro do empirismo, encontramos o positivismo, que, fundamen-tado pelos estudos do filósofo Augusto Comte, defende a ideia central que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro.

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Segundo o dicionário Michaelis (2009), o empirismo é um “Sistema filosófico que nega a existência de axiomas como princípios de conhecimento, logicamente in-dependentes da experiência”. Outra definição é “Conhecimentos práticos devidos meramen-te à experiência”.Ou seja, quando tratamos de algo empírico, estamos lidando com algo

que foi testado experimentalmente. ”.

Ou, ainda, o positivismo busca, a partir da razão, formular leis para conhecer e ordenar a realidade. Ainda, o posi-tivismo defende o uso da ciência a fim de governar as relações humanas. E, dessa forma, entramos na terceira palavra da tríade tecnologia, ciência e socie-dade.

Antes de tratarmos da pa-lavra sociedade, é necessário comentar

que essas posições filosóficas são objetos de críticas por vários autores, os quais defendem suas ideias filosóficas de acordo com outras abordagens. Porém, como nosso contexto aqui é outro, vamos adotar a linha exposta neste texto.

Quando apresentamos a definição de ciência que vamos usar nesta disciplina, citamos que existem três campos da ciência, e um deles é cha-mado de ciências sociais. Como podemos perceber, o termo sociais está relacionado ao termo sociedade e, por sua vez, sociedade, na verdade, origina-se de uma palavra latina: societas, a qual significa “associação de amizade com vários”. Portanto, a sociedade é o assunto de estudo das ciências sociais, em especial a sociologia.

Segundo FONSECA (2010), a sociedade constrói a ciência e a

tec-nologia e, ao mesmo tempo, a ciência e a tectec-nologia constroem a socieda-de. Esta frase mostra bem como a tríade está relacionada. De acordo com

CAMARGO (2014), a sociedade pode ser resumida como um sistema de

interações humanas culturalmente padronizadas [...] A sociedade é um sistema de símbolos, valores e normas, como também um sistema de posi-ções e papéis.

A sociedade, na verdade, pode ser interpretada sob diversas formas. Algumas das formas são: positivismo, como vimos rapidamente, e outras como: funcionalismo, sociologia compreensiva, marxismo (histórico-crí-tica), estruturalismo, pós-estruturalismo, fenomenologia, existencialismo, hermenêutica, genealogia, perspectiva pós-moderna e outras, de acordo com os seus principais fundamentadores. Portanto, é outro campo de

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A sociedade portanto constitui-se de um conjunto baseado em regras e constituído de pessoas, as quais constroem conhecimentos pela ciência por meio da tecnologia. Vamos ver este relacionamento no próximo tópico.

Portanto, em vista dos vários estudos envolvendo ciência, sociedade e tecnologia, apareceu o movimento CTS na tentativa de obter maiores atitudes envolvendo discussões, questionamentos e críticas em relação ao que é chamado de tecnociência.

O movimento CTS surgiu por volta de 1970 com o objetivo de ter como lema a necessidade do cidadão de conhecer os seus direitos e obrigações, de poder pensar por si mesmo e de adquirir uma visão crítica da sociedade da qual participa e vive e, principalmente, poder ter a dis-posição de transformar sua realidade, para melhor. Esse movimento tem ganhado muita força no contexto educacional.

C.2 ReCacionamento entre ciência, tecnoCogia e

sociedade

Embora tenhamos apresentado os termos ciência, tecnologia e so-ciedade separadamente no tópico anterior, já podemos perceber que eles não podem ser totalmente separados.

Porém, podemos estudá-los em duas grandes categorias: a primeira fazendo uma análise do elemento determinante da dinâmica da relação, a ciência e tecnologia (C&T), e a segunda categoria, a sociedade.

A primeira forma de abordagem supõe que a C&T caminha de for-ma própria, podendo ou não influenciar a sociedade de algufor-ma for-maneira.

Na segunda abordagem, a C&T em si e não somente o uso que se faz dela é socialmente determinada. Em razão dessa função que existe en-tre a C&T e a sociedade em que foi gerada, ela tende a copiar as relações sociais existentes e até mesmo inibir a mudança social.

Essas duas abordagens dão origens a duas ideias variantes do mes-mo tema: a neutralidade da C&T e do determinismes-mo tecnológico, e a neutralidade do construtivismo. Iremos abordar esses assuntos posterior-mente.

Podemos perceber que existe um forte relacionamento entre os ter-mos. Eles estão ligados por uma relação dialética. A tradução da palavra dialética leva a “caminho entre as ideias”. É um método de diálogo no qual a atenção é voltada para a contraposição e contradição de ideias e pensamentos que levam a outras ideias. Porém, por ser outro termo

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filo-sófico de que estamos tratando nesta disciplina, ela é usada por diferentes doutrinas filosóficas e assume e, portanto, significados distintos.

Quando dizemos que a relação entre ciência, tecnologia e sociedade é dialética, estamos estabelecendo a seguinte relação:

• a sociedade determina os impactos na ciência e na tecnologia; • a ciência determina os impactos na sociedade e na tecnologia; • a tecnologia determina os impactos na sociedade e na ciência.

Usando uma figura como representação, temos:

Tecnologia Sociedade

Ciência

Figura 1 – Relação dialética entre ciência, tecnologia e sociedade

A figura 1 tenta representar, de maneira muito simples, a relação dialética entre os termos. As setas da figura indicam um duplo sentido si-multâneo que indica o que “determina” e o que é “determinado”.

Estudaremos este conceito mais à frente, no capítulo 4.

Uma vez de posse do conhecimento adquirido a respeito da relação entre ciência, sociedade e tecnologia, devemos entender que cada termo reflete um momento histórico em nossa evolução moderna, carregado de crenças, valores, argumentos e conhecimentos próprios do cenário e do período evolutivo em questão.

Portanto, há conceitos diferentes sobre sociedade, ciência e tecno-logia, variando de acordo com o período histórico, a cultura, o contexto e a abordagem que lhes são atribuídos. Sociedade, ciência e tecnologia mantêm uma relação dialética contínua entre si, em constante interação e determinação mútua de impactos em sua evolução.

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C.3 EvoCução sociaC, cientCfica e tecnoCógica

Como já comentamos, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia tem ocasionado muitas transformações na sociedade moderna com refle-xos nas áreas econômicas, políticas e sociais.

Normalmente, consideramos a ciência e a tecnologia os maiores propulsores de todas essas transformações, pois proporcionam a evolução do desenvolvimento do saber humano e do próprio homem. Portanto, de certa forma, damos muito crédito a esses dois fatores. E isso pode ser perigoso, porque muitas pessoas ainda possuem dificuldades em perceber que, por trás desses avanços, amplamente divulgados pela mídia, podem se esconder interesses políticos, sociais e econômicos.

Vários autores abordam o estudo das relações entre ciência, tec-nologia e sociedade por duas abordagens principais, como já citamos no tópico anterior:

• “com foco na C&T”, onde existem duas variantes associadas a ela: a neutralidade da C&T e do determinismo tecnológico. Neste foco, a C&T é caracterizada com o seu avanço próprio podendo ou não in-fluenciar a sociedade de alguma maneira.

• “com foco na sociedade”, com a tese fraca da não neutralidade, tam-bém denominada construtivismo, e a tese forte da não neutralidade. Neste foco, a C&T é socialmente determinada.

Foco na C&T Foco na Sociedade

A C&T avança contínua, linearmente e sem mudança, seguindo um caminho próprio.

O desenvolvimento da C&T não provém do seu interior, e sim é influenciado pela sociedade.

A C&T não influencia a sociedade (neu-tralidade da C&T).

As características da C&T são social-mente determinadas (tese fraca da não neutralidade).

A C&T determina o desenvolvimento econômico (determinismo tecnológico).

Devido à sua funcionalidade, ela inibe a mudança social (tese forte da não neu-tralidade).

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Tecnociência é um conceito que tem sido bastante usado no campo de estudo da ciência e tecnologia; retrata o contexto social e tecnológico da ciência. Principalmente depois do período da Segun-da Guerra Mundial, a comuniSegun-dade científica se viu forçaSegun-da a distinguir o que era ciência e o que era tecnologia. Como vimos, a ciência é confundida com a tecnologia, porém são distintas. Na prática, é im-possível separá-las, pois o desenvolvimento e o progresso de cada uma residem na sua cooperação mútua. Dessa forma, precisam ser tratadas como uma unidada, a tecnociência!

A evolução social, científica e tecnológica trata das questões envolvendo estes termos e, principalmente, da relação deles com o impacto da C&T na sociedade. É interessante abordar estas questões envolvendo também valores éticos, estéticos e culturais existentes na

tecnologia.

C.4 NeutraCidade

A ideia da neutralidade na C&T nasceu juntamente com a própria ciência, no século XV, em oposição ao pensamento religioso, marcante na época. O pensamento religioso era considerado obviamente não neutro, porque exercia grande influência na realidade social.

O Iluminismo foi um dos primeiros movimentos que questionaram o pensamento religioso e abordaram o assunto neutralidade. O positivismo, movimento que já foi citado anteriormente, contribuiu para reforçar a neutra-lidade. O positivismo aceita que a subjetividade deve estar dentro dos limites da objetividade e, da forma como prega, aceita a realidade do jeito que ela é e assim reforça que a ciência é uma expressão de uma verdade absoluta.

A ideia da neutralidade aceita que a C&T não se relaciona com o contexto no qual ela é gerada. Além disso, ficar longe deste contexto é um objetivo e uma forma de se fazer ciência corretamente. Outra coisa é realmente isolar a C&T da sociedade. Dessa forma, existe uma impossibi-lidade da percepção dos interesses da sociedade e seu envolvimento com o desenvolvimento da C&T, indeterminando assim a sua trajetória.

Portanto, essa ideia leva a um contexto em que não é possível o de-senvolvimento alternativo de uma C&T que esteja num mesmo ambiente. Quer dizer, a C&T é única. Qualquer diferença: geográfica, cultural, ética e outras fica em segundo plano e deveria ser adaptável à C&T. Sendo as-sim, as contradições seriam resolvidas de uma maneira natural por meio

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de caminhos apontados pela própria ciência e através de conhecimentos e técnicas que se acumulariam com o passar do tempo e que acabariam por superar os antigos sem que fossem colocados em questão a ação e os interesses da sociedade no processo inovador.

Portanto, por meio deste ponto de vista, a ciência e a tecno-logia não são nem boas nem más, são neutras. A sua evolução seria o resulta-do de um desnivelamento que aumentaria

com o passar do tempo, numa progressão, e numa descoberta contínua e frequente da verdade e desta forma única, universal, e que fosse compatí-vel com o progresso.

Logo, a neutralidade é uma teoria na qual a ciência é imparcial, es-tabelecida e feita por observações simples, por fatos e experimentações a fim de se obterem conclusões científicas.

Porém, como já abordamos brevemente, o cientista está sujeito a um contexto no qual são inseridas as suas concepções políticas, religiosas e filosóficas, consciente ou não, para poder gerar a ciência, e não somente por meio de observações.

C.5 O determinismo tecnoCógico

De maneira geral, o determinismo tecnológico é uma suposição de que os novos avanços tecnológicos, sejam eles conceituais ou físicos, como os sistemas computacionais, gadgets móveis etc, seja um meio de comunicação, afetam a vida das pessoas de alguma forma.

Por exemplo, vamos supor que um determinado cliente liga para o

call center de sua operadora de cartões de crédito.

O cliente se identifica e diz ao atendente que possui um determinado problema e gostaria de resolvê-lo o mais breve possível.

Veja se você já passou por esta situação:

O atendente então responde que não pode fazer nada, pois o problema que gerou a reclamação do usuário não foi gerado pelo atendente, e sim pelo sistema. E pior: pede ao usuário que ligue mais tarde porque o sistema, que gerou o problema, está fora do ar e nada pode ser feito naquele momento!

Conexão:

Abaixo apresentamos alguns links interessantes para você entender um pouco mais sobre a neutralidade da ciência: http://www.mindmeister.com/pt/248053930/neutra-lidade-cient-fica. Esse link mostra um mapa mental

a respeito da neutralidade. É muito interessante! https://www.youtube.com/watch?v=WMhyK4t473U. Esse vídeo mostra quanto a ciência pode ser usada

para o bem ou para o mal. https://www.youtube.com/ watch?v=afmqmxinT2Y. Um vídeo bem

humorado a respeito da metodologia científica.

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Esta situação é muito comum, não é?

Como pode o homem criar máquinas e sistemas para uma finalida-de particular e limitada e estes controlarem e mudarem nossos hábitos e formas de pensar e agir? Isto é o determinismo tecnológico! Neste caso, o sistema tem vida própria? Por que não pode ser feito nada?

É claro que são perguntas exageradas, pois o atendente muitas vezes não tem mesmo poder ou autonomia, mas é uma situação bem caracterís-tica, onde ficamos totalmente dependentes de uma máquina.

Aliás, por trás de qualquer máquina ou sistema existirá sempre a participação humana, o responsável intelectual por tê-la criado, inclusive com as falhas as quais são de responsabilidade de seus criadores.

Figura 2 – A junção entre a tecnologia e a participação humana.

Ainda para ilustrar o determinismo tecnológico, vamos observar um pouco nossa sociedade. Podemos notar que existem muitas pessoas que estão cada vez mais isoladas e, de uma certa maneira, o aparecimento e a popularização da Internet acentuou este comportamento.

A Internet, de fato, facilita muitas coisas: o trabalho em casa, a co-municação entre pessoas distantes por meio de voz e vídeo, solicitar ser-viços e produtos sem sair de casa e recebê-los dentro de um prazo deter-minado, porém isso tem tornado as pessoas mais individualistas, de modo que o contato físico passa cada vez mais a ser virtual.

Porém, segundo os autores em que estamos nos baseando para este capítulo, a Internet apenas acentuou um comportamento de individualiza-ção que já era histórico. A Internet é apenas um reflexo da modernidade neste caso, ou, usando os termos que temos estudado, a tecnologia seria apenas mais um fator que estimula essa tendência individualista.

Ainda usando o “ciberespaço” como exemplo, perceba o

ALE1969

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depois o MSN e agora temos os comunicadores das redes sociais como o Facebook Messenger e via telefone celular o Whats App, que, aliás, per-tence ao Facebook. O Facebook percebeu o tamanho sucesso deste aplica-tivo que comprou a empresa que o desenvolvia.

No uso desses comunicadores, até mesmo a linguagem empregada nos diálogos é nova, cheia de abreviaturas e neologismos. Para os deter-ministas, toda essa tecnologia está, na verdade, acabando com a estrutura da linguagem e do idioma. Para os não deterministas, a linguagem dos comunicadores só estaria envolvida neste ambiente, uma vez que na vida real não afetaria o idioma atual.

Porém, neste caso, existem outros problemas para serem acrescenta-dos na situação: existem problemas na educação e problemas sociais que, somados à extrema liberdade desses comunicadores e forma de escrita, acabam por endossar a deturpação do idioma.

De maneira geral, cada tecnologia possui sua linguagem, sua pro-posta e seu objetivo. Para finalizar este exemplo, não podemos negar que os meios de comunicação têm influência na forma e no conteúdo nas mensagens e, não considerar isso, é ignorar um processo de modernização existente. Porém, também não é possível “culpar” a tecnologia como a única responsável pelas mudanças que há no mundo.

C.6 A associação em rede

A visão que tem ganhado destaque nos estudos sobre ciência, tecno-logia e sociedade é a chamada associação em rede.

A sociedade atual tem experimentado o intenso uso das redes de relacionamentos. E isto não vem apenas da Internet, aparece em vários aspectos da sociedade moderna. É claro que as redes sociais digitais cor-roboram para esta afirmativa, mas, como citado, é possível ver o aumento das relações inter-pessoais em vários âmbitos da sociedade.

A associação em rede, por sua vez, prega que a tecnologia está inserida e associada a esta rede de relacionamentos. Neste caso, não apenas as pessoas estão envolvidas, mas atores não humanos também. Portanto, ampliam-se a atuação da tecnologia e suas mudanças. Vários elementos da sociedade pas-sam a ser envolvidos, como, por exemplo, o campo técnico, o científico, o econômico, o político, militar e o organizacional. Estes elementos, então, se associam em redes para a construção de elementos tecnológicos.

É evidente que as novas tecnologias fizeram surgir muitas possibi-lidades para a análise de redes sociais e, consequentemente, redes de

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co-laboração. O advento da Internet é de fato o elemento mais significativo. As comunidades virtuais que são formadas são promovidas com suporte tecnológico valendo-se de elementos técnicos.

Segundo REIS (2008), a associação em rede é uma visão pela qual a tecnologia é vista inserida numa rede de relações, na qual concorrem os diferentes aspectos da vida em sociedade, tendo como protagonistas diferentes atores, que se movimentam em redes, movidos por interesses específicos.

Atualmente, temos percebido a proliferação das redes sociais. No trabalho dos autores da figura 4, as redes sociais são analisadas como forma de colaboração científica. Uma rede social atualmente pode ser definida como uma estrutura social constituída de pessoas ou mesmo or-ganizações ligadas por um ou vários tipos de conexões que compartilham objetivos comuns.

Figura 3 – Representação dos nós de uma rede social

A análise das redes sociais é uma técnica importante na análise da sociologia moderna. É um conceito antigo, proveniente do século passado, porém que tomou grande proporção no final do século XX e também passou a ser observada por meio de outro paradigma pelas ciências sociais.

A figura “geométrica” que a rede acaba tendo, como mostrado na figura 3, é um grafo. O grafo é uma estrutura que possui muitos estudos

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e algoritmos de percursos. Um deles possibilita o cálculo da distância de cada nó, ou de cada participante da rede, ou da determinação do ponto central.

BALANCIERI, BOVO, et al. (2005) contribuíram com um trabalho que resultou na figura 4. Esta figura mostra um quadro com as perguntas feitas pelo estudo e autores que possuem pesquisas para respondê-las. Estas perguntas, como podemos perceber, estão relacionadas com a tríade ciência, tecnologia e sociedade, de que estamos tratando neste capítulo aliada com a questão das redes sociais e colaborativas.

Desse modo, percebe-se que as TICs podem vir a ser uma base para o desenvolvimento de sistemas em várias áreas de interesse para as redes sociais.

Autores Questões de interesse às TICs

MEDOWS;

O’CONNOR, 1971 O que é cooperação científica? Caracteriza-se por traba-lhos cooperativos identificados por artigos coassinados SUBRAMA NYAM,

1983 O que caracteriza uma coautoria em um artigo? Há uma variedade de formas de colaborar. LUUKONE N ET AL.,

1992 Por que pesquisadores colaboram? Fatores cognitivos, eco-nômicos e sociais, com diferenças por áreas do conhecimento. KATZ, 1994 O que influencia a formação de redes? Exemplo: padrões de financiamento das agências e necessidade de

comparti-lhar equipamentos também influenciam a formação de redes. WEISZ; ROCO, 1996 O que é uma rede? É concebida como uma coesão tênue com diferentes indivíduos ou grupos conectados por vínculos

de diversas naturezas. KATZ; MARTIN,

1997

Como se comportam os vértices da rede? O grau de

coo-peração varia com a natureza do trabalho (experimentalistas cooperam mais que teóricos).

NEWMAN, 2000 O que é uma rede? Rede definida como conjunto de pessoas ou grupos com conexões originadas por diferentes formas de relacionamento social.

Figura 4 – Principais conclusões sobre os estudos de redes sociais, sob a ótica das possibilidades das TICs (BALANCIERI, BOVO, et al., 2005).

Uma vez que obtemos os conceitos e relacionamentos entre ciência, tecnologia e sociedade e alguns dos muitos elementos que são usados para estudá-las, vamos desenvolver algumas atividades.

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Atividades

01. Faça uma breve pesquisa sobre a formação da ciência moderna. Você

vai encontrar referências que mostram que apareceram formas de conheci-mento que se diferenciavam do conheciconheci-mento tradicional da Idade Média. Tente escrever quais características da ciência moderna permanecem até nossa época.

02. Pesquise a neutralidade da ciência, assunto que vimos neste capítulo.

Escreva um texto argumentando contra ou a favor da neutralidade da ciên-cia, respondendo à seguinte pergunta: a busca do conhecimento é indepen-dente de interesses pessoais, econômicos e políticos ou procura atender a objetivos específicos? O que você acha disso?

03. Explique as implicações da visão de neutralidade da ciência na

rela-ção entre ciência e sociedade.

04. Procure na Internet a palavra “tecnologia”. O que você encontrou?

Liste os três primeiros links e faça um resumo do que eles contêm sobre tecnologia. Eles possuem alguma relação entre si?

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05. Vamos fazer uma experiência. Pense em um período do seu dia

(ma-nhã, tarde ou noite) e com quais tecnologias você interage. Depois, imagi-ne esse mesmo período sem as tecnologias às quais você está habituado a usar e escreva um texto explicando.

06. Escreva um breve texto que responda à seguinte questão: quais são as

relações entre a ciência, a tecnologia e a sociedade?

RefCexão

Vimos que a ideia de neutralidade da ciência tem sua origem no modo de produzir conhecimento científico, que procurava identificar as leis que determinam o mundo, o que permitia que a sociedade pudesse controlar e transformar a natureza. De acordo com esse objetivo da ciên-cia, de conhecer as leis de funcionamento da natureza para poder dominar os fenômenos naturais, as ciências naturais foram úteis para o desenvol-vimento da sociedade industrial. Exemplificamos como os estudos da mecânica foram importantes para o desenvolvimento da navegação e da indústria do sistema capitalista. Entretanto, a ciência moderna deixou como herança uma forma de conceber o mundo na qual a sociedade se vê separada da natureza e o progresso significa controlar e transformar a natureza. Também foi passada uma visão determinista, na qual a evo-lução social e econômica da sociedade é resultado do desenvolvimento científico e tecnológico. Mostramos que a ciência não é neutra, isto é, ela é influenciada pelos interesses econômicos, políticos e valores de um determinado período. Disponível em: <http://webcache.googleu-sercontent.com/search?q=cache:0PvvD6VYvyEJ:www.sedis.ufrn.br/ bibliotecadigital/pdf/TICS/CTS_LIVRO_Z_WEB.pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>.

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Leitura recomendada

A ilha. Direção de Michael Bay. EUA: Dreamworks Distribution LLC, 2005.

Na verdade, não é uma leitura, e sim um filme. Nele é mostrada uma situação na qual cientistas e empresários criam clones humanos. O filme pode ser uma boa sugestão para se pensar a respeito dos limites da ciência e os impactos na sociedade.

PINHEIRO, N. A. M.; SILVEIRA, R. M. C. F.; BAZZO, W. A. O contexto

científico-tecnológico e social acerca de uma abordagem crítico-reflexiva. Disponível em: <http://www.rieoei.org/deloslectores/2846Maciel.pdf>.

Acesso em: 17 maio 2014. Este artigo faz uma reflexão muito interessante a respeito de tecnociência.

Referências

BALANCIERI, et al. A análise de redes de colaboração científica sob as novas tecnologias de informação e comunicação: um estudo na Pla-taforma Lattes. Ciência da Informação, v. 34, n. 1, out. 2005. ISSN 1518-8353.

CAMARGO, O. Sociedade. Brasil Escola, 2014. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/sociedade-1.htm>. Acesso em: 18 maio 2014.

CHIBENI, S. S. O que é ciência. Campinas, 2014. Disponível em: <http://www.unicamp.br/~chibeni/textosdidaticos/ciencia.pdf>. Aces-so em: 18 maio 2014.

DAGNINO, R. Aulas. Instituto de Geociências ― Unicamp, 2011. Disponível em: <http://www.ige.unicamp.br/site/aulas/138/UM_DE-BATE_SOBRE_A_TECNOCIENCIA_DAGNINO.pdf>. Acesso em: 19 maio 2014.

EDITORA MELHORAMENTOS. Dicionário Online Michaelis.

Di-cionário Online Michaelis, 2009. Disponível em: <http://michaelis.

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FONSECA, R. Ciência, tecnologia e sociedade. Rede de tecnologia

social, 2010. Disponível em:

<http://www.rts.org.br/artigos/arti-gos_-_2009/ciencia-tecnologia-e-sociedade>. Acesso em: 17 maio 2014.

REIS, D. R. Gestão da inovação tecnológica. 2. ed. São Paulo: Mano-le, 2008.

No próximo capCtuCo

No próximo capítulo, iremos discutir e conhecer temas bastante importantes para a nossa formação profissional. Trata-se do estudo da sociedade da informação e do conhecimento e seus impactos de maneira geral. Até lá!

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Conhecimento

Informação e Sociedade do

A jornalista Sally Burch fez a seguinte per-gunta no livro Desafios de palavras: “Estamos vivendo uma época de mudanças ou uma mudança de época?”. Esta pergunta é intrigante e serve para introduzirmos este capítulo. A popularização da Internet, a necessidade de estar o tempo todo on-line, o mercado nos induzindo a comprar os últimos e mais modernos gadgets para permanecer on-line, as redes sociais digitais; enfim, é uma onda de muita tecnologia que estamos vivendo. É uma nova era da sociedade, e os termos “sociedade da informação” ou “socieda-de do conhecimento” acabam aparecendo naturalmente.

Neste capítulo, vamos estudar alguns tópicos desse assunto, o qual é muito mais abrangente e detalhado na academia, e que aqui vamos ter uma noção desta interessante área.

Bons estudos!

Objetivos da sua aprendizagem

Neste capítulo, vamos estudar os seguintes assuntos:

• definição de sociedade da informação e sociedade do conhecimento; • sociedade em rede;

• modelos de sociedade da informação; • reestruturação produtiva e sociedade;

• cadeias de negócio; • OCDE;

• o livro verde.

Você se lembra?

Você já ouviu falar do Mosaic? Netscape? Já ouviu falar do Archie? Webcrawler? Estes foram os primeiros grandes

pro-dutos que os usuários utilizavam para acessar à Internet e, certamente, foram os softwares que deram um grande impulso para a sociedade da informação da forma

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2.C Definição de sociedade da informação e

sociedade do conhecimento

Antes de definirmos os termos sociedade da informação e sociedade do conhecimento, é interessante conhecermos os conceitos de dados, in-formação e conhecimento.

Segundo SETZER (2001), dado é:

(...) uma sequência de símbolos quantificados ou quantificáveis. Portanto, um texto é um dado. De fato, as letras são símbolos quantificados, já que o alfabeto, sendo um conjunto finito, pode por si só constituir uma base numérica (a base hexadecimal emprega tradicionalmente, além dos 10 dígitos decimais, as letras de A a E). Também são dados fotos, figuras, sons gravados e animação, pois todos podem ser quantificados a ponto de se ter eventualmente di-ficuldade de distinguir a sua reprodução, a partir da representação quantificada, com o original. É muito importante notar-se que, mes-mo se incompreensível para o leitor, qualquer texto constitui um dado ou uma sequência de dados (...)

Ainda segundo o autor, dado é uma entidade matemática puramente sintática, ou seja, os dados podem ser descritos por estruturas de represen-tação.

Assim sendo, podemos dizer que o computador é capaz de arma-zenar dados. Estes dados podem ser quantificados, conectados entre si e manipulados pelo Processamento de Dados.

Podemos definir dado também como unidades básicas a partir das quais as informações poderão ser elaboradas ou obtidas. São fatos brutos, ainda não organizados nem processados.

Já a informação seria:

(...) uma abstração informal (isto é, não pode ser formalizada atra-vés de uma teoria lógica ou matemática), que está na mente de alguém, representando algo significativo para essa pessoa. Note-se que isto não é uma definição, é uma caracterização, porque “algo”, “significativo” e “alguém” não estão bem definidos; assumo aqui um entendimento intuitivo (ingênuo) desses termos. Por exemplo,

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a frase “Paris é uma cidade fascinante” é um exemplo de informa-ção – desde que seja lida ou ouvida por alguém, desde que “Paris” signifique para essa pessoa a capital da França (supondo-se que o autor da frase queria referir-se a essa cidade) e “fascinante” tenha a qualidade usual e intuitiva associada com essa palavra.

Assim, a informação depende de algum tipo de relacionamento, avaliação ou interpretação dos dados.

Veja também que informação e dado mantêm relações:

(...) Se a representação da informação for feita por meio de dados, como na frase sobre Paris, pode ser armazenada em um computador. Mas, atenção, o que é armazenado na máquina não é a informação, mas a sua representação em forma de dados. Essa representação pode ser transformada pela máquina, como na formatação de um texto, o que seria uma transformação sintática. A máquina não pode mudar o significado a partir deste, já que ele depende de uma pessoa que possui a informação. Obviamente, a máquina pode embaralhar os dados de modo que eles passem a ser ininteligíveis pela pessoa que os recebe, deixando de ser informação para essa pessoa. Além disso, é possível transformar a representação de uma informação de modo que mude de informação para quem a recebe (por exemplo, o computador pode mudar o nome da cidade de Paris para Londres). Houve mudança no significado para o receptor, mas no computador a alteração foi puramente sintática, uma manipulação matemática de dados. Assim, não é possível processar informação diretamente em um computador. Para isso é necessário reduzi-la a dados. No exemplo, “fascinante” teria que ser quantificado, usando-se por exemplo uma escala de zero a quatro. Mas então isso não seria mais informação (...).

Podemos agrupar dados isolados e torná-los consistentes ao se transformarem em informações. Por exemplo, se tivermos um conjunto de dados que descreva a temperatura do ambiente num local, horário e data, poderíamos ter a seguinte relação:

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15h10 Em Ribeirão Preto, SP, no dia 3 de fevereiro, às 15h10 estava uma temperatura de 24o. 24o Ribeirão Preto/SP Entrada

(dados) (informações)Saída

Processamento

Classificar Filtrar Organizar 3 de fevereiro

Assim, o conjunto de dados inicial foi organizado de maneira que “faça sentido” àqueles que o estiverem lendo. Isto os torna informação.

No entanto, a representação no computador é feita baseada nos da-dos. E como fica o conhecimento?

Caracterizo conhecimento como uma abstração interior, pessoal, de algo que foi experimentado, vivenciado, por alguém. Continuando o exemplo, alguém tem algum conhecimento de São Paulo somente se já visitou.

Dessa maneira, o conhecimento precisa ser descrito por informações.

(...) A informação pode ser inserida em um computador por meio de uma representação em forma de dados (se bem que, estando na máquina, deixa de ser informação). Como o conhecimento não é sujeito a representações, não pode ser inserido em um computa-dor. Assim, neste sentido, é absolutamente equivocado falar-se de uma “base de conhecimento” em um computador. O que se tem é, de fato, é uma tradicional base (ou banco) de dados”. Um nenê de alguns meses tem muito conhecimento (por exemplo,reconhece a mãe, sabe que chorando ganha comida, etc.). Mas não se pode dizer que ele tem informações, pois não associa conceitos. Do mesmo modo, nesta conceituação não se pode dizer que um animal tem in-formação, mas certamente tem muito conhecimento. (...)

A informação, segundo o autor, associa-se à semântica, enquanto o conhecimento está associado à pragmática, ou seja, algo existente no mundo real. Então, será que é impossível aos computadores manipularem

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conhecimento? Será que não há computadores capazes de armazenar tais conhecimentos?

O termo “sociedade da informação” surgiu na década de 1970, nos EUA e Japão, a respeito do que seria a “sociedade pós-industrial” e quais seriam suas características principais.

O conceito da sociedade da informação e do conhecimento também aparece com os evidentes avanços das tecnologias de informação e da comunicação.

Uma das características mais marcantes deste conceito é a partici-pação dos indivíduos e sua integração e adaptação às novas tecnologias. Portanto, como consequência, surge deste tipo de ambiente uma necessi-dade muito grande de desenvolver habilinecessi-dades para controlar e armazenar dados, e a capacidade de criar combinações e aplicações da informação.

A sociedade da informação e do conhecimento está baseada em uma rede dinâmica de relacionamentos na qual a compreensão e a intervenção humanas extrapolam o ambiente natural e cultural e entram no ambiente do ciberespaço.

No ciberespaço, os relacionamentos sociais são ampliados e reali-zados por meio de vários recursos de tecnologia: imagem, som, vídeo etc. Mesmo distantes, os indivíduos são compensados com a rapidez da inte-ração e da informação em máquinas cada vez mais modernas e cheias de recursos. Atualmente, os smartphones e tablets têm ampliado ainda mais o alcance da rede. Com estes equipamentos móveis e a facilidade de aces-so à Internet, os limites territoriais passam a não existir. Porém, o acesaces-so às informações e a produção de conhecimentos delimitam outro tipo de fronteira: a digital.

As novas tecnologias fazem parte da nossa vida de uma maneira muito presente tanto no campo individual quanto no campo da estrutura econômica e social. Como exemplo, o conhecimento é um fator de produ-ção. Isto ocorre porque a automação fez com que a informação tenha sido transformada em matéria-prima no processo de produção e manufatura de bens e serviços. Neste processo, a manipulação da informação ocorre por meio da inserção, remoção e atualização dos conteúdos para buscar resul-tados eficientes desse modo.

Portanto, observa-se que a qualificação não está mais limitada à execução de tarefas, pois isto foi automatizado, então novas capacidades e qualificações são exigidas da sociedade para a inserção de profissionais neste novo ambiente de produção. Neste novo ambiente, foram atribuídos

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outros valores às ideias e sua concretização. O conceito de capital intelec-tual, da década de 1980, aparece como uma forma de mostrar e reforçar estes recursos intangíveis.

O capital intelectual pode ser quantificado e qualificado por meio do capital humano, o qual é medido por meio do nível de qualificação, de habilidades e conhecimentos e capacidade de geração de ideias de cada indivíduo.

Assim, como consequência desse novo ambiente, as empresas perceberam a necessidade de valorização do capital humano porque as inovações não eram mais conseguidas por meio de equipamentos e de tec-nologia, e sim por meio da capacidade e habilidade humanas de estruturar ideias e fabricar conhecimento.

Portanto, somente a tecnologia não garante a produção de ções e conhecimentos. Neste novo contexto, existem múltiplas informa-ções acessíveis em um curto período de tempo que, ao serem manipuladas e interpretadas, tendem a gerar conhecimentos.

Esta interpretação identifica as inter-relações do significado existen-te em cada informação e quais os impactos ao ambienexisten-te ela pode causar. As características e necessidades da sociedade da informação mostram que na sua estrutura existe além, do consumo de tecnologia, o acesso às novas formas de relacionamentos sociais e aos novos meios de produção.

2.2 Sociedade em rede

Na década de 1990, o sociólogo espanhol Manuel Castells escreveu a trilogia “Sociedade em rede – A era da informação: economia, sociedade e cultura”. Neste livro, o autor propõe que, a partir das décadas de 60 e 70, um novo mundo começa a surgir no qual a sociedade, economia e cultura estão inter-relacionadas devido à tecnologia, aparecendo assim uma socie-dade em rede, também chamada de sociesocie-dade informacional.

A economia interdependente é a nova característica desse novo mundo, onde vários países passaram a desejar fazer parte do crescimento na produção e no comércio. Essa participação teve sucesso por causa das tecnologias. A economia global fez com que surgissem regras econômicas comuns no mundo todo.

Segundo Castells, existe uma redefinição nas relações produtivas de poder e experiência no meio dos três pilares (economia, sociedade e cultura). As relações de produção foram transformadas em uma forma de

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capitalismo informacional e, para que elas sejam entendidas, faz-se neces-sária a análise do processo produtivo, do trabalho e do capital.

Segundo Castells,

a sociedade em rede está baseada em uma sociedade em que as estruturas sociais e as atividades principais estão organizadas em torno das redes de informação eletronicamente processadas. A sociedade em rede se caracteriza pela globalização das atividades econômicas decisivas e sua organização em redes; pela flexibilida-de e instabilidaflexibilida-de do trabalho, bem como por sua individualização; pela chamada cultura da “virtualidade real e pela transformação das bases materiais da vida: o espaço e o tempo mediante a consti-tuição de um espaço de fluxos e de um tempo atemporal

CASTELLS (1999) propõe três modos de desenvolvimento que possuem os elementos específicos para o aumento da produtividade:

• agrário: sua resultante é o aumento de trabalho e de terra;

• industrial: seu desenvolvimento resulta de novas fontes de energia na produção e na circulação de produtos;

• informacional: sua origem de produtividade está nas tecnologias de geração de:

• conhecimento;

• processamento de informação; • comunicação de símbolos. Segundo CASTELLS (1999), o uso dessas tecnologias passou por três fases: a automação de tare-fas, a experiência e a reconfigu-ração de aplicações.

A primeira e a segunda fases (automação de tarefas e experiência) se baseavam no aprendizado pelo uso, isto é, o conhecimento era adquirido pelo tempo de trabalho em determina-do produto.

Para a terceira fase (reconfiguração

de aplicações), o aprendizado é gerenciado pela

Conexão: https://www.youtube.com/ watch?v=kXyGmZablp0. Esse vídeo tra-ta da revolução da tecnologia da informação e

baseia-se no livro de Manuel Castells. https://www.youtube.com/watch?v=6GBEF1aizwo. Nesse vídeo, o doutor em sociologia Marcos Troyjo

fala sobre a integração do homem à era digital. https://www.youtube.com/watch?v=WuHQjrPnRtA.

Nesse vídeo, podemos ouvir o próprio Manuel Castells falar sobre a colaboração pela Internet.

Encontra-se em espanhol porém de fácil compreensão.

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elaboração, na concepção do conhecimento interagindo com o próprio co-nhecimento. A terceira fase permitiu o desenvolvimento de novas aplica-ções, que podiam ser implementadas com maior rapidez, isso fez com que os usuários se apropriassem da tecnologia, compreendendo melhor seus fundamentos e a capacidade de traduzi-las para seu cotidiano.

A sociedade em rede também permitiu a constituição de novas for-mas de comunicação à medida que as possibilidades de novos conheci-mentos e aplicações evoluíam abrindo novos horizontes profissionais.

Como exemplo, temos a combinação das redes sociais e de seus meios de comunicação que estão moldando as organizações e as estruturas importantes em todos os seus níveis: individual, organizacional e social.

Temos também uma lógica própria desse trabalho em rede, em que alteramos bastante os conceitos das operações e dos resultados nos pro-cessos de produção. Pode-se afirmar que as redes transformaram-se em um modelo de comunidade na sociedade atual.

Segundo CASTELLS (1999):

O tema das comunidades é ventilado, mas também delicado e le-vanta todo tipo de suspeitas, ironias e perigos. A verdade é que a Internet é apenas um instrumento que estimula, e não muda, certos comportamentos; ao contrário, é o comportamento que muda a In-ternet

E ainda acrescenta:

A sociabilidade está se transformando em nova maneira de relação pessoal, por meio da qual se formam laços eletivos diferentes da-queles formados no trabalho ou no ambiente familiar, como andar de bicicleta ou jogar tênis”.

Hoje é muito comum encontrarmos pessoas que fazem parte de al-guma rede social como o Facebook, Twitter, Linkedin e outras. E isto tem feito o conceito de redes sociais se modificar atualmente sob diferentes perspectivas. A proliferação das redes sociais e sua popularização maciça é resultado de vários avanços na área de TI, tanto na parte de software, quanto de hardware e redes.

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Numa rede social, observamos as diversas possibilidades que po-dem ser compartilhadas, como:

• informações e conhecimento; • interesses;

• ações para alcançar objetivos comuns etc.

A estrutura de uma rede social é formada por pessoas e organizações conectadas através de algum tipo de relação ou interesse, possibilitando o compartilhamento de valores e objetivos em comum.

Mas também é necessário entender que uma rede social possui siste-mas abertos, podendo simplesmente, de uma hora para outra, desmanchar rapidamente os relacionamentos não hierárquicos de uma rede virtual.

Em uma sociedade em rede nem tudo funciona ou trabalha de forma correta, pois também possui suas vantagens e desvantagens:

• Vantagens: o uso das redes possui efeitos benéficos quando abre por-tas para:

• aprendizado;

• interação social ou profissional; • criação de redes de contatos; • exposição positiva da imagem;

• divulgação de trabalhos, conhecimentos, produtos ou ideias; • trocas de opiniões e compartilhamento de diferentes visões

so-bre um mesmo tema; • mobilização social, e outros • Desvantagens

• gerar uma exposição exagerada ou negativa; • facilitar crimes como pedofilia ou estelionato; • compulsão;

• redução na produtividade durante o trabalho;

• ser levado a cometer atos insanos como por exemplo agendar manifestações violentas;

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2.3 ModeCos de sociedade da informação

Segundo POLIZELLI e OZAKI (2009), existem três modelos de sociedade da informação resultantes do que foi estudado até aqui sobre o assunto: o modelo americano, com foco no mercado; o modelo europeu, baseado nas instituições; e o modelo asiático, que privilegia as cadeias de negócios.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a avançar na área de computação, principalmente durante e após a Segunda Guerra Mundial, e também a área de negócios, representada por hardware e software. Devido a isso, os EUA se transformaram na principal referência da sociedade da informação para os modelos de negócio desse segmento.

Além disso, foi nos EUA que houve os primeiros desenvolvimentos relacionados com a comunicação entre os computadores, como as redes, posteriormente a Internet e os sistemas de computadores pessoais.

O modelo americano passou por algumas eras: a era do papel, a era do sistema de computação em massa e a era do computador.

A era do papel mostra a importância do conhecimento desde a época da colonização pelos peregrinos no século XVII. Nesta época, começou a ser desenhado um dos grandes valores da administração pública daquele país: a governança por meio de informações escritas e publicadas.

Nesse período é que o conhecimento começou a ser relacionado com as pessoas. Somente um cidadão bem-informado fazia parte da elite, e o conhecimento residia no que era impresso: nos contratos, nos acordos e de-mais atividades de pessoas relacionadas com a igreja, advogados e médicos. Durante a Guerra de Independência,vários planfetos eram usados para informar as pessoas a respeito do andamento das ações dos envolvidos.

Em razão da educação e das atividades relacionadas, nos EUA, serem bem desenvolvidas, isso propiciou o desenvolvimento de uma grande rede de bibliotecas públicas, aumentando assim a rede de conhecimento. Como consequência, a imprensa também teve avanços e, por causa da crescente necessidade de comunicação, os correios e telégrafos também passaram a ter maior importância.

Conforme a sociedade e as atividades em geral evoluíam, questões como a proteção dos direitos autorais começaram a aparecer. Ainda na área legal, também apareceu um conjunto de leis para proteção de encomendas que eram enviadas pelo correio, surgindo também um sistema de catálogos e compras a distância. Empresas como a Sears resultaram desse processo. A

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Sears é hoje uma grande loja de departamentos e, desde aquela época, de-senvolveu uma grande rede de comunicação, informação e logística.

De 1850 a 1870, ocorre a Segunda Revolução Industrial no país, ala-vancando assim um grande crescimento econômico relacionado principal-mente com o desenvolvimento da indústria bélica, da indústria editorial e da mecânica.

Durante as guerras, foi desenvolvida uma rede de coleta de infor-mações que contribuiu para a cultura de valorizações dos registros, contri-buindo para a expansão das empresas, gerando a criação de monitoramen-to do sistema de inovações.

Alguns dos inventos mais importantes do século XIX apareceram nos EUA por meio dessa infraestrutura que foi criada ao longo do tempo. Os inventos eram protegidos por patentes e estão exemplificados nas figu-ras a seguir.

Figura 1 – Cartão perfurado

Figura 2 – Máquina analítica

WIKIPEDIA

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Figura 3 – Fotograma e cinema

Figura 4 – Maquina de escrever

Uma vez que o sistema de patentes provocou uma explosão de in-venções, apareceu então a era da comunicação em massa.

Outras invenções também contribuíram para a aceleração das co-municações, principalmente com o uso da eletricidade. Invenções como o fonógrafo, telefone, computador, a luz elétrica residencial, o rádio e a televisão aceleravam cada vez mais o acesso à informação.

WIKIPEDIA

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As invenções ampliaram muito a velocidade das comunicações dos negócios e começavam a dar uma face mais próxima a que conhecemos por escritórios e empresas.

O desenvolvimento do computador nos Estados Unidos abre uma nova abordagem estratégica de implantações de tecnologias inéditas com início nos anos 1920.

Sendo assim, uma nova era passa a ser concebida: a do computador. Os projetos militares foram os maiores patrocinadores da indústria da computação e os pioneiros no que é chamado de “modelo de gestão de TI com base em encomendas”.

Em 1950, o modelo de negócios com base no mercado foi adotado por essa indústria, em particular nos escritórios para a parte de produção, contabilidade e finanças.

Em 1952, a GM instalou o primeiro computador para o controle de operações comerciais.

Nos anos 50 e 60, as aplicações para computador de grande porte, os mainframes, sustentam o seguimento de software e assim um novo tipo de negócio é gerado, o de comercialização de tecnologias.

A constatação de que essa cadeia de negócios seria irreversível le-vou as empresas e universidades, com o apoio do governo, a organizar a ARPANET, que foi a precursora da Internet como conhecemos hoje.

Os resultados desse novo tipo de negócio começam a aparecer em várias inovações: o ATM (Auto Teller Machine – caixa eletrônico) na área bancária, o POS (Point Of Sale – ponto de venda) e a automação.

Em 1971, quatro supercomputadores localizados em universidades americanas permitiram a troca de informações entre os cientistas.

Em 1987, o NSF (National Science Foundation) assume a responsa-bilidade de manter o backbone dessa rede.

Foi o pontapé incial da World Wide Web, ampliando toda essa rede com a escala global.

Em 1993, é criado o navegador Mosaic, pela Universidade de Illi-nois, tornando possível o acesso à Internet, levando a um crescimento exponencial do número de computadores conectados à rede.

Outra inovação, decorrente da Internet, é o e-Governmebt (governo eletrônico), o qual disponibiliza informações para os cidadãos, de docu-mentos, estatísticas e serviços em geral.

Os grandes laboratórios passam a contar com um ambiente de inter-câmbio digital.

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E com a consolidação da indústria de TI no mundo, as pesquisas se orientaram para produtos e soluções específicao, ampliando os estudos voltados para as tecnologias básicas e os fundamentos de negócios.

Entre os modelos de sociedade da informação, o americano é o que mais se destaca. Sendo assim não iremos nos aprofundar nos modelos asi-ático e europeu.

2.4 Reestruturação produtiva e sociedade da

informação

A era do computador, apesar de ter sido uma época produtiva e po-sitiva, teve seus impactos críticos nos anos 1980 e 90, principalmente na economia, no emprego e nos processos trabalhistas. Isso ocorreu porque o uso da tecnologia da informação atuou diretamente em alguns processos como o redesenho da produção em massa e introduziu novas formas de organização da produção e dos mercados de trabalho devido à globaliza-ção.

Alguns autores chamam esse paradoxo de “Reestruturação produ-tiva”. Esse conceito tem relação com as novas formas de organização da produção possibilitada pelas TICs.

Alguns autores mostram que as organizações perceberam duas es-tratégias para o uso das novas tecnologias a fim de reestruturar a produ-ção:

• a primeira estratégia privilegiou o emprego da tecnologia sobre as relações de trabalho;

• a segunda estratégia foi marcada por uma abordagem de redução dos riscos, em que a ideia seria o de combinar o uso dos equipamentos com novas relações de trabalho mais horizontais, voltadas para a tro-ca de informações entre departamentos.

2.5 Cadeias de negócio

Já mencionamos as cadeias de negócio anteriormente, e não pode-mos deixar de tratá-las sem falar do capitalismo americano.

Uma grande força do capitalismo americano é o espírito empreen-dedor de seus executivos, que são permanentemente encorajados a inves-tir e a compeinves-tir nas mais diferentes áreas da economia, fazendo com que alguns negócios assumam proporções inéditas.

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A área de tecnologia da informação e comunicação (TIC) oferece grandes oportunidades de crescimento sustentável e competitividade para as empresas.

Entretanto, a tecnologia por si só, sem alinhamento estratégico com o negócio, não faz sentido. Introduzir novos artefatos de

har-dware e software não garante aumento de produtividade do pessoal e

melhoria de processos. Para que as iniciativas de tecnologia tenham sucesso, é necessário estabelecer uma linguagem comum e definir um mapa unificado entre o negócio e a TIC. Uma forma de buscar esse alinhamento e demonstrar o valor das iniciativas de TIC é utilizar uma matriz de valor focada em duas dimensões: criticidade do empreendi-mento e prática de inovação.

Existem três questões polêmicas sobre tecnologia da informação e comunicação:

1. A TIC muda realmente os conceitos básicos da estratégia de gestão?

Tecnologia e negócio são de naturezas diferentes. Enquanto a tecno-logia avança rapidamente, as práticas de negócios evoluem de forma mais lenta e são mais estáveis.

2. A TIC gera efetivamente novos benefícios e vantagens compe-titivas para as empresas?

Gira em torno da discussão sobre como medir o retorno de investi-mento das iniciativas de TIC nas áreas de negócios.

3. A disseminação da tecnologia não transforma a TIC numa

commodity (mercadoria), que desta forma reduz sua importância

re-lativa?

Essa questão é polêmica e a que mais contribui para que a TIC tenha uma imagem de uma área para suporte aos negócios, sem muita importância estratégica relativa. Se a área de tecnologia é reativa (casual) às solicitações das áreas de negócios, sempre teremos a impressão de que as soluções são uma commodity (mercadoria), mesmo que essa solução introduza inovações tecnológicas (novas formas de tecnologia).

Devido ao sucesso do modelo de capitalismo americano, muitas so-ciedades vêm adotando esse padrão, do qual o Brasil faz parte.

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Democracia representativa é a forma de exercer o poder político por meio de representantes eleitos pela população. Economia de livre mercado é uma forma de prática da economia quando existe pouca ou nenhuma intervenção dos governos. Neste caso,

todas as ações econômicas e individuais respei-tam a transferência de dinheiro, bens e serviços voluntariamente. Porém, quando há contratos

voluntários, o cumprimento é obrigatório. A propriedade privada é protegida pela

lei e ninguém pode ser forçado a trabalhar para terceiros.

No geral, baseia-se em redes de negócios de grandes empresas líde-res em parceria com universidades para desenvolvimento de projetos.

Seu foco passa a ser no cliente e os produtos e serviços, a serem adequados a esse cliente e aos seus desejos.

Também temos a inovação como a mola-mestre nesse modelo, em que fornecedores e empresas líderes se aliam em cadeias de negócios para consolidar posição no mercado.

2.6 OCDE

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco-nômico) é uma organização com sede em paris que agrega 34 países que adotam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado.

A OCDE sucede uma outra organiza-ção chamada OECE (Organizaorganiza-ção

Europeia para a Cooperação Econômica), que foi formada em 1947 com o objetivo de sustentar o Plano Marshall após a Segunda Guerra Mundial.

A OCDE é, na ver-dade, um fórum entre os países participantes que fo-menta políticas públicas en-tre os países que apresentam os maiores IDHs (Índices de Desen-volvimento Humano). A organização

ajuda no desenvolvimento e na expansão econômica dos países partici-pantes para proporcionar ações que possibilitem a estabilidade financeira e o fortalecimento da economia global.

A organização possui um conselho formado por um representante de cada país, além de um representante da Comissão Europeia. A organi-zação não trata somente dos aspectos econômicos, mas também promove projetos nas áreas social, ambiental, de educação e geração de emprego. Entre os principais objetivos, estão:

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• promover o desenvolvimento econômico; • proporcionar novos postos de emprego; • melhorar a qualidade de vida;

• contribuir para o crescimento do comércio mundial; • proporcionar acesso à educação para todos;

• reduzir a desigualdade social;

• disponibilizar sistemas de saúde eficazes.

Atualmente, os países-membros são: Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça, Turquia, Alemanha, Espa-nha, Canadá, EUA, Japão, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, México, República Checa, Hungria, Polônia, Coreia do Sul, Eslováquia, Chile, Eslovênia e Israel.

A OCDE influencia o desenvolvimento da sociedade da informação por meio de fóruns e congressos que estruturam as ações dos países-membros.

Quando a OCDE foi criada, a sociedade da informação atuava em qua-tro pontos devido ao contexto dos anos 1990, com a Internet se consolidando e com sua formação ligada a questões de infraestrutura, preços e regulação:

• Infraestrutura • Recursos públicos • Governo

• Implementações

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