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Um metodo de avaliação especialista para produtos de software, desenvolvido a partir dos requisitos de um edital

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA

COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

Um Método de Avaliação Especialista para

produtos de Software,

desenvolvido a partir dos requisitos de um Edital

Autora: Sônia Thereza Maintinguer Orientadora: Ana Cervigni Guerra

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA

COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

Um Método de Avaliação Especialista para

produtos de Software,

desenvolvido a partir dos requisitos de um Edital

Autora: Sônia Thereza Maintinguer

Orientadora: Ana Cervigni Guerra

Curso: Engenharia Mecânica – Mestrado Profissional Área de Concentração: Gestão da Qualidade Total

Trabalho Final de Mestrado Profissional apresentado à comissão de Pós Graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica, como requisito para a obtenção do título de Mestre Profissional em Engenharia Mecânica / Gestão da Qualidade Total.

Campinas, 2004 S.P. – Brasil

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA

COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

Trabalho Final de Mestrado Profissional

Um Método de Avaliação Especialista para

produtos de Software,

desenvolvido a partir dos requisitos de um Edital

Autora: Sônia Thereza Maintinguer

Orientadora: Ana Cervigni Guerra

Profa. Dra. Ana Cervigni Guerra, Presidente Centro de Pesquisas Renato Archer/MCT

Prof. Dr. Ademir J. Petenate UNICAMP

Prof. Dr. Eugênio J. Zoqui UNICAMP

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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA

BIBLIOTECA DA ÁREA DE ENGENHARIA - BAE - UNICAMP

M285m

Maintinguer, Sônia Thereza

Um método de avaliação especialista para produtos de software, desenvolvido a partir dos requisitos de um edital / Sônia Thereza Maintinguer.--Campinas, SP: [s.n.], 2004.

Orientadora: Ana Cervigni Guerra.

Dissertação (mestrado profissional) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica.

1. Licitação pública - Legislação. 2. ISO 9000. 3. Engenharia de software. 4. Qualidade dos produtos. 5. Garantia de qualidade. 6. Normas técnicas. 7. Tecnologia – avaliação. 8. Software – Desenvolvimento. I. Guerra, Ana Cervigni. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Mecânica. III. Título.

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Dedicatória:

Dedico este trabalho aos meus pais, ao meu querido esposo e minhas filhas maravilhosas:

Aos meus pais Moacyr (in memorian) e Amabile , responsáveis pela minha existência, dedico este trabalho como um retorno simbólico por todas as oportunidades oferecidas, pelo amor, educação e exemplo de vida.

A você Clodocir, que sempre me impulsionou para a conclusão desse trabalho, perguntando se havia terminado, abdicando-se de minha companhia em vários momentos e assumindo todas as responsabilidades de pai e muitas vezes de mãe também, para que nossas filhas tivessem o amparo necessário e eu, tranqüilidade para atingir o objetivo proposto.

Marina e Flávia, duas pérolas que Deus nos deu para cuidar e enfeitar nossas vidas. Sempre obedientes e respeitadoras quanto ao uso do computador, disponibilizando o equipamento tão logo era solicitado. Contribuíram muito para a rápida elaboração desse trabalho, quando me perguntavam se eu estava terminando de escrever para que pudéssemos retomar nossas noites e finais de semana em família. Marina, quando você me olhava com aquele olhar de admiração, mais coragem você me transmitia para ir adiante e concluí-lo. Espero que com isso eu consiga mostrar a você, que quando temos um sonho, precisamos buscar os meios para torná-lo realidade. Flávia, por todas as vezes que você encostava e pedia colo, obrigada – esse ato só contribuía ainda mais para acelerar a conclusão do trabalho. Agradeço também pelas massagens que delicadamente você fazia nos meus ombros, tentando relaxar os músculos que por horas estavam na mesma posição frente ao computador. Minhas queridas filhas, espero que este, seja mais um exemplo de vida para vocês e que independente da idade ou limitações, todos somos capazes.

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Agradecimentos

Este trabalho não poderia ter sido realizado sem o apoio do CenPRA – Centro de Pesquisas Renato Archer que proporcionou a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos teóricos e práticos na área de qualidade de software, além das contribuições técnicas dos amigos dessa instituição.

Agradeço ao Ministério da Fazenda/UCP – Unidade de Coordenação de Programas e aos técnicos das prefeituras municipais que atuaram no PNAFM, pela transferência de conhecimentos, companheirismo e profissionalismo durante o processo de pré-qualificação, fundamentais para o sucesso do programa e motivadores desse trabalho de dissertação.

Agradeço ao CPqD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, especialmente ao grupo que trabalha na Assessoria de Qualidade dessa empresa, pelo apoio e confiança depositados - fatores determinantes para a conclusão desse trabalho.

Diversas pessoas ajudaram diretamente na elaboração da dissertação, às quais presto minha homenagem:

À minha querida orientadora Ana Cervigini Guerra, sempre atenciosa, dedicada, pontual e comprometida com esse trabalho. Agradeço por todas as vezes que me motivou na pesquisa e escrita dessa dissertação, transmitindo segurança nos momentos difíceis e acreditando que eu seria capaz.

Às amigas Malú e Márcia pelo carinho, apoio técnico e administrativo fornecidos.

Ao pessoal da biblioteca do CPqD, sempre atenciosos e dispostos a me ajudar na busca do material de pesquisa utilizado.

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"Se é verdade que nada é perfeito, também é verdade que tudo pode ser melhorado."

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Resumo

MAINTINGUER, Sônia Thereza, Um Método de Avaliação Especialista para produtos de software, desenvolvido a partir dos requisitos de um Edital, Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas, 2004. 123 p. Trabalho Final de Mestrado Profissional.

Mediante a necessidade de ampliar a participação do produto de software brasileiro, a preocupação com a qualidade do produto colocado no mercado passa a ser prioritária e de

responsabilidade tanto dos órgãos governamentais como das entidades privadas. Nesse contexto, o objetivo dessa dissertação é apresentar uma proposta para a construção de um método de avaliação especialista para produtos de software, baseado na especificação de requisitos presente no conteúdo de editais. Esse método visa avaliar o produto de software na sua totalidade, considerando-se tanto os requisitos funcionais como os requisitos não funcionais. Para o desenvolvimento desse trabalho, procurou-se utilizar os conceitos existentes para qualidade de software presentes nas Normas ISO/IEC 9126, ISO/IEC 12119 e ISO/IEC 14598-5, o MEDE-PROS considerando-se sua estrutura, base teórica e vasta utilização, além do PNAFM que foi um processo de avaliação regido por um edital em conjunto com a Lei N .8.666, motivadores para esse trabalho de dissertação. As contribuições deste trabalho abrangem a divulgação dos conceitos existentes para qualidade de software, a utilização desses conceitos na elaboração de um edital e de um método de avaliação especialista para produtos de software.

Palavras Chave

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Abstract

MAINTINGUER, Sônia Thereza, A Specialist Evaluation Method for products of software, developed from the Request For Proposal (RFP) requirements, Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas, 2003. 123 p. Trabalho Final de Mestrado Profissional.

Considering the necessity to extend the participation of the Brazilian software product, the

concern with quality of product placed into the market became prioritized and it assign responsibility to private entities as well as to government institutions. The objective of this work is to present a proposal for construction of a specialist evaluation method for software products, based on Request For Proposal contents. This method allows evaluation of the software product in its totality, considering functional and no functional requirements. For the development of this work, it was considered the use of existing concepts described in Norms ISO/IEC 9126, ISO/IEC 12119 and ISO/IEC 14598-5 for quality of software, MEDE-PROS due to its structure, theoretical base and vast use, as well as the PNAFM, that was an evaluation process conducted for a Request For Proposal (RFP) associated with the Law N 8.666, which motivated this work. The contributions for this work enclose the spreading of the existing concepts for quality of software, the use of these concepts in the elaboration of a Request For Proposal and a method for specialist evaluation of software products.

Key Words

Quality, Software, Product, Request For proposal, ISO/IEC 9126, ISO/IEC 12119, ISO/IEC 14598-5, NBR 13596

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Premiação recebida

Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade em Software

PBQP - Software

Este trabalho de dissertação foi submetido ao ciclo de projetos 2003 do PBQP – Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade em Software, promovido pela SEITEC/MCT e recebeu o Prêmio “Dorgival Brandão Júnior da Qualidade e Produtividade em Software”, classificando-se em primeiro lugar na categoria “Métodos de Gestão” na qual foi inscrito, além de ser escolhido como o “Melhor projeto do ciclo de 2003” pela comissão julgadora.

O Prêmio Dorgival Brandão Júnior da Qualidade e Produtividade em Software é um instrumento motivador e conscientizador para a indústria brasileira de software. Ele é concedido anualmente aos projetos que merecem destaque pela inovação, relevância, impacto e abrangência, submetidos ao Programa Brasileiro da Qualidade e Prudutividade em Software - PBQP SOFTWARE.

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Índice

LISTA DE FIGURAS ...III

LISTA DE TABELAS ...IV

NOMENCLATURA ... V 1 INTRODUÇÃO... 1 1.1 PANORAMA TECNOLÓGICO... 1 1.2 OBJETIVOS... 3 1.3 ESCOPO E LIMITAÇÕES... 4 1.4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO... 5 2 QUALIDADE ... 7 2.1 QUALIDADE DE PRODUTO... 7

2.2 QUALIDADE DE PRODUTO DE SOFTWARE E AS NORMAS PARA QUALIDADE DE SOFTWARE... 8

2.2.1 Aspectos Gerais sobre Software ... 8

2.2.3 Iniciativas para a Qualidade de Produto de Software... 9

3 MEDE-PROS E EDITAIS PARA PRODUTOS DE SOFTWARE ... 12

3.1 INTRODUÇÃO... 12

3.2 BASE TEÓRICA DO MEDE-PROSOU DE UMA AVALIAÇÃO GENÉRICA... 13

3.3 ESTRUTURA DO MEDE-PROS... 22

3.4 EDITAL... 27

3.5 EDITAIS PARA DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS DE SOFTWARE... 37

4 ELABORANDO UM MÉTODO DE AVALIAÇÃO ESPECIALISTA ... 44

4.1 INTRODUÇÃO... 44

4.2 A CONTRIBUIÇÃO DO MEDE-PROSNA CRIAÇÃO DE UM MÉTODO DE AVALIAÇÃO ESPECIALISTA... 45

4.3 UMA PROPOSTA DE ESTRUTURA PARA UM MÉTODO DE AVALIAÇÃO ESPECIALISTA... 50

(12)

4.3.2 Elaborando uma Lista de Verificação ... 54

4.3.3 Elaborando um Manual do Avaliador ... 55

4.3.4 Elaborando um Relatório de Avaliação... 56

4.4 SUGESTÕES PARA VALIDAÇÃO DE UM MÉTODO DE AVALIAÇÃO ESPECIALISTA... 58

5 O PNAFM – UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA... 61

5.1 INTRODUÇÃO... 61

5.2 O EDITAL PARA O PNAFM... 62

5.3 O MÉTODO DE AVALIAÇÃO PNAFM ... 65

5.4 O PROCESSO DE AVALIAÇÃO PARA O PNAFM... 71

5.5 COMPORTAMENTO DE UM CSA AVALIADO PARA O PNAFM... 74

5.5.1 Comportamento do CSA - Tipo de Requisito ... 76

5.5.2 Comportamento dos Sistemas Aplicativos quanto aos Requisitos Obrigatórios ... 77

5.5.3 Comportamento dos Sistemas Aplicativos quanto aos Requisitos Desejáveis ... 78

5.5.4 Comportamento dos Sistemas Aplicativos quanto aos Requisitos Recomendáveis... 79

5.6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA EXPERIÊNCIA COM O PNAFM ... 80

5.7 RESULTADOS OBTIDOS DURANTE O PROCESSO... 82

5.8 CONCLUSÃO DO PROCESSO DE PRÉ-QUALIFICAÇÃO DO PNAFM ... 83

6 CONCLUSÃO ... 85

6.1 TEMAS PARA TRABALHOS FUTUROS... 87

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 88

PUBLICAÇÕES DA AUTORA... 97

ANEXO A: POSTURA DO AVALIADOR ... 99

ANEXO B: DIRETRIZES PARA A ESTRUTURAÇÃO DE UM LABORATÓRIO DE AVALIAÇÃO PARA O PNAFM... 104

ANEXO C: MODELO DE LAUDO TÉCNICO ... 119

ANEXO D: MODELO NUMERAÇÃO DOS CONTATOS COM O PROPONENTE ... 120

ANEXO E: MODELO DE E-MAIL PARA CONTATO COM O PROPONENTE ... 121

(13)

Lista de Figuras

FIGURA 3.1 ESTRUTURA DA LISTA DE VERIFICAÇÃO DO MEDE-PROS... 24

FIGURA 3.2 EXEMPLO DE ATRIBUTO DA LISTA DE VERIFICAÇÃO DO MEDE-PROS... 25

FIGURA 3.3 VALOR MEDIDO, NÍVEL DE PONTUAÇÃO E CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO... 42

FIGURA 4.1 ESTRUTURA DO MEDE-PROS, SEUS ELEMENTOS, E AS CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE... 47

FIGURA 4.2 EXEMPLO GENÉRICO DA ESTRUTURA DE UM ATRIBUTO... 48

FIGURA 4.3 EXEMPLO DE UMA RELAÇÃO DE HIERARQUIA ENTRE QUESTÕES DE UM ATRIBUTO... 50

FIGURA 4.4 EXEMPLO DE SEQUÊNCIA DE PASSOS PARA UM GUIA DE AVALIAÇÃO... 53

FIGURA 5.1 REQUISITOS PERTENCENTES AO ANEXO 2 DO EDITAL, TRANSFORMADOS NO ATRIBUTO 17... 67

FIGURA 5.2 CICLO PDCA ... 71

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Lista de Tabelas

TABELA 2.1 PESQUISA DE UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS DE ENGENHARIA DE SOFTWARE (MCT, 2003) ... 9

TABELA 3.1 CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DE SOFTWARE (NBR 13596, 1996)... 14

TABELA 3.2 SUBCARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DE SOFTWARE (TSUKUMO, 1997) ... 15

TABELA 3.4 PESQUISA DE TIPOS DE SOFTWARE DESENVOLVIDOS NO BRASIL (MCT, 2003) ... 36

TABELA 5.1 TOTAL DE REQUISITOS DA VERSÃO 1.0 DO MÉTODO DE AVALIAÇÃO PNAFM... 68

TABELA 5.2 TOTAL DE REQUISITOS DA VERSÃO 1.0 DO MÉTODO DE AVALIAÇÃO PNAFM APRESENTADO POR SISTEMA APLICATIVO E MANUAL DO ADMINISTRADOR... 70

TABELA 5.3 COMPORTAMENTO DO CSA - TIPO DE REQUISITO... 76

TABELA 5.4 COMPORTAMENTO DOS SISTEMAS APLICATIVOS – REQUISITOS OBRIGATÓRIOS... 77

TABELA 5.5 COMPORTAMENTO DOS SISTEMAS APLICATIVOS – REQUISITOS DESEJÁVEIS... 78

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Nomenclatura

Superescritos

“A letra ‘R’ dentro de um círculo é um símbolo significando marca registrada federal. O símbolo de marca registrada federal é usado para indicar que o produto, ou serviço, já foi registrado nos órgãos competentes nacionais de registro de marcas e patentes. Mesmo que a solicitação para registro esteja pendente, o símbolo não pode ser usado antes que a marca esteja realmente registrada. O símbolo de registro é

normalmente superescrito do lado direito da última letra da marca (APOLLO, 2001)”.

Abreviações

TI Tecnologia da Informação

ADT “Amostra de Dados para Teste (PNAFM, 2003)”

CSA “Conjunto de Sistemas Aplicativos (PNAFM, 2003)”

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Siglas

ABNT “Fundada em 1940, a ABNT – Associação Brasileira de Normas

Técnicas – é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Sediada na cidade de São Paulo/ Brasil, a ABNT é uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como Fórum Nacional de Normalização – ÚNICO – através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de 24.08.1992. É membro fundador da ISO - International Organization for Standardization, da COPANT - Comissão Pan-americana de Normas Técnicas e da AMN - Associação Mercosul de Normalização (ABNT, 2003)”.

BID Banco Interamericano de Desenvolvimento.

CenPRA Conforme Decreto 4.043 de 04 de dezembro de 2001, o Presidente da

República decretou a criação do CenPRA - Centro de Pesquisas Renato Archer, para o qual foram transferidas a estrutura organizacional e as atividades de pesquisa e desenvolvimento da Diretoria de Tecnologia da Informação da Autarquia ITI - Instituto Nacional de Tecnologia da

Informação (antiga Fundação CTI - Centro Tecnológico para Informática). Ligado diretamente ao MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia e criado em 1982 com a finalidade de desenvolver e implementar pesquisas

científicas e tecnológicas no setor de informática, o CenPRA contribui ativamente com o setor acadêmico e industrial, na medida em que promove a evolução das tecnologias da informação, mantendo-se no estado da arte em diversos segmentos tecnológicos chaves, abrangendo basicamente os setores de componentes, sistemas e software. Sua sede está localizada na cidade de Campinas, Estado de São Paulo – Brasil. (CenPRA, 2003).

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CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

CPF Cadastro de Pessoa Física.

CREA Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

IEC “Fundada em 1906, a IEC - International Electrotechnical Commission é uma organização global que prepara e publica normas internacionais

relacionadas com todas as tecnologias elétricas, eletrônicas e afins. A IEC, sediada em Gênova na Suíça, foi fundada como resultado de uma resolução do International Electrical Congress que ocorreu em 1904 na cidade de St. Louis, EUA. São mais de 60 países membros incluindo todas as grandes nações do mundo e um crescente número de países industrializados (IEC, 2003)”.

IEEE “O IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers, sediado

em NJ/EUA, nasceu em 1963 como fruto da fusão do AIEE - American Institute of Electrical Engineers e do IRE - Institute of Radio Engineers, que datam de 1884. O IEEE auxilia na prosperidade global promovendo a engenharia do processo de criação, desenvolvimento, integração,

compartilhamento e aplicação de conhecimento sobre tecnologia elétrica, da informação e ciências para o benefício da humanidade… (IEEE, 2003)”.

INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

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INSS Instituto Nacional de Seguro Social.

ISO “A ISO - International Organization for Standardization é uma federação internacional de organismos nacionais de padronização composta por aproximadamente 140 países, sendo 1 organismo de cada pais. A ISO e um organismo não governamental estabelecido em 1947 e sediado em Gênova na Suíça. Sua missão é promover o desenvolvimento de padrões e atividades afins ao redor do mundo, com a visão de facilitar a troca de experiências e o desenvolvimento corporativo de atividades na esfera

intelectual, científica, tecnológica e econômica. Os resultados do trabalho da ISO são consensos internacionais publicados como Normas Internacionais. (ISO, 2003)”.

ITS Instituto de Tecnologia de Software.

MEDE-PROS Método de Avaliação da Qualidade de Produto de Software

desenvolvido e registrado em 1997 pelo CenPRA – Centro de Pesquisas Renato Archer. (MEDE-PROS, 1997).

NBR “Norma técnica elaborada pela ABNT, em conformidade com os procedimentos fixados para o Sistema Nacional de Metrologia,

Normalização e Qualidade Industrial, pela lei 5.966, de 16 de dezembro de 1973 (FERREIRA, 1994)”.

PDCA Sigla do ciclo Plan, Do, Check e Act, que em português significa

Planejar, Fazer, Avaliar e Agir.

PNAFM Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos

Municípios Brasileiros.

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SEITEC Secretaria de Política de Informática e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia. É o órgão do Governo com funções para formular propostas de políticas e programas de âmbito nacional relacionados com Tecnologias da Informação - TI. Tais políticas e programas têm como objetivo a capacitação tecnológica da indústria de computação, automação, telecomunicações, microeletrônica, software e serviços técnicos associados instalados no Brasil, a atração de investimentos nessas áreas e o aumento da oferta local de bens e serviços que contribuam para o desenvolvimento e a maior competitividade dos demais setores da economia, com efeitos positivos para o cidadão brasileiro.

UCP Unidade de Coordenação de Programas do Ministério da Fazenda.

UEL Universidade Estadual de Londrina.

USP Universidade de São Paulo.

Definições

Atributo “Propriedade mensurável, física ou abstrata, de uma entidade

(NBR ISO/IEC 14598-1, 2001)”.

Avaliação da Qualidade

“Exame sistemático para determinar até que ponto uma entidade é capaz de atender os requisitos especificados (NBR ISO 8402, 1993)”.

Avaliação por Requisito

“Fase da Verificação de Conformidade em que, de forma detalhada, serão avaliados todos os Requisitos Obrigatórios e

Desejáveis e a facilidade de uso do CSA, do ponto de vista do usuário e consideradas as normas técnicas de qualidade de software (PNAFM, 2003)”.

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Características de Qualidade de Software

“Conjunto de atributos de um produto de software, através do qual sua qualidade é descrita e avaliada. Uma característica de qualidade de software pode ser detalhada em múltiplos níveis de subcaracterísticas (NBR 13596, 1996)”.

Características Gerais

“São características aplicáveis a todos os sistemas aplicativos que formam o CSA (PNAFM, 2003)”.

Certame “Ato público de certo relevo em que diferentes entidades

competem ou concorrem para estabelecer uma graduação de valores (FERREIRA, 1994)”.

Edital “Ato escrito oficial em que há determinação, aviso, postura,

citação, etc., e que se afixa em lugares públicos ou se anuncia na imprensa, para conhecimento geral, ou de alguns interessados, ou ainda, de pessoa determinada cujo destino se ignora (FERREIRA, 1994)”.

Entidade de Software

“Por entidade de software entende-se o conjunto completo, ou um item deste conjunto, de programas de computador, procedimentos, documentação associada e dados designados (LAWRENCE, 2001)”.

Engenharia de Software

“…disciplina que pode ser vista, de forma objetiva, como o estabelecimento e o uso dos princípios básicos da engenharia com a finalidade de desenvolver software de maneira sistemática e

econômica, resultando em um produto confiável e eficiente (PRESSMAN, 1995)”.

Implantar “Introduzir, inaugurar, estabelecer, inserir (FERREIRA, 1994)”.

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Necessidades Explícitas

Requisitos, condições e objetivos propostos, formalmente pelo consumidor, para um produto ou serviço.

Necessidades Implícitas

Requisitos, condições e objetivos, assumidos pelo consumidor como inerentes, do produto ou serviço nem sempre propostos formalmente.

Norma “Aquilo que se estabelece como base ou medida para a realização

ou a avaliação de alguma coisa. Princípio, preceito, regra, lei. Modelo, padrão (FERREIRA, 1994)”.

Norma Técnica “Documento técnico que fixa padrões reguladores visando

garantir a qualidade do produto industrial, a racionalização da produção, transporte e consumo de bens, a segurança das pessoas, a uniformidade dos meios de expressão e comunicação, etc.

(FERREIRA, 1994)”.

Normalização “Atividade que estabelece prescrições, relativas a problemas

existentes ou potenciais, destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado contexto (ABNT, 2003)”.

Pré-avaliação “Fase inicial da Verificação de Conformidade, destinada a

constatar que o CSA apresenta condições mínimas de funcionalidade (PNAFM, 2003)”.

Produto de Software “Entidade de software disponível para liberação a um cliente ou usuário (NBR 13596, 1996)”.

Proponente “Empresa, instituição ou consórcio que apresente proposta para

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Edital. (PNAFM, 2003)”.

Qualidade “Totalidade das características de uma entidade, que lhe confere

a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas (NBR ISO 8402, 1993)”.

Qualidade de Software

“Totalidade das características de software, que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas. (NBR 13596, 1996)”.

Reavaliação “Fase da Verificação de Conformidade em que é facultada ao

Proponente a correção dos erros graves eventualmente não sanados ao final da Avaliação por Requisitos (PNAFM, 2003)”.

Requisitos Desejáveis “Requisitos Desejáveis podem ser implementados ou não, a critério do produtor do CSA (PNAFM, 2003)”.

Requisitos Obrigatórios

“Requisitos Obrigatórios são aqueles que devem ser implementados corretamente para que um CSA possa ser pré-qualificado (PNAFM, 2003)”.

Verificação de Conformidade

“Apreciação do CSA quanto aos Requisitos Obrigatórios e Desejáveis e quanto às normas técnicas de qualidade de software. A

Verificação de Conformidade é parte do processo de avaliação do

CSA e é composta pelas fases de Pré-avaliação, Avaliação por

Requisito e Reavaliação. A Verificação de Conformidade pode ser

conduzida por equipe do CenPRA ou de Laboratórios de Avaliação Credenciados, sob a responsabilidade do CenPRA. (PNAFM, 2003)”.

(23)

Capítulo 1

1 Introdução

1.1 Panorama Tecnológico

Nos últimos anos tem ocorrido um crescimento sem precedentes na área de TI - Tecnologia da Informação. Com a globalização e a internet, facilitando ainda mais a abertura de mercado, a produção de software é escoada independentemente das fronteiras nacionais. (SANT’ANA, 2002).

Segundo uma pesquisa publicada na revista Exame de 25 de junho de 2003, o Brasil só chegará perto do número de produtos de software exportados pela Índia se houver uma estratégia por parte do governo. Quando representantes do governo foram questionados sobre o assunto, eles afirmaram: “a Tecnologia da Informação é um setor estratégico e não dá para pensar em desenvolvimento industrial, da ciência, da educação ou de qualquer outra área sem base na informática” (declaração do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral). Francelino Grando, responsável pela Secretaria de Política de Informática – Sepin, fez algumas

considerações sobre as medidas que o governo pode tomar para promover a marca Brasil. Entre elas, o envio de uma missão de empresas aos Estados Unidos com foco na exportação de software e na formação de recursos na área. Segundo declaração de José de Miranda Dias, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software – Abes, “um bom começo para empresas nacionais seria vender para o melhor cliente do país: o governo, e acrescenta: “É hora de desestatizar a produção de software – em qualquer órgão estatal, não apenas nas empresas

(24)

públicas especializadas, há desenvolvimento de tecnologia. Se a terceirização fosse estimulada, o impacto na indústria nacional seria enorme”.

Nesse sentido, discussões são realizadas com ampla participação do setor de TI, como a ocorrida em 01/out/2003 sobre o Programa de Exportação de Software, contando com a

participação de 22 empresas de significativa atuação no mercado e três entidades do setor entre elas dirigentes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e

Comércio, e do Planejamento, Orçamento e Gestão e representantes de empresas exportadoras de software para discutirem sobre a formatação do Programa de Exportação de Software e trocarem idéias a respeito do assunto. (02/10/2003- Fonte: MCT/Agência CT).

São vários os pontos que têm balizado essas discussões com vistas à elaboração do Programa de Exportação de Software. Entre eles, o entendimento de que a iniciativa deve

considerar diferenças e necessidades específicas dos segmentos da indústria de software; estudos e ações para impulsionar o desenvolvimento de segmentos emergentes e de alto potencial de crescimento da indústria de software; a consideração das diferenças e necessidades específicas segundo o porte das empresas e sua desconcentração geográfica; o desenvolvimento de ações específicas para a disseminação da qualidade e da certificação nas empresas de software; o desenvolvimento de ações específicas para a multiplicação dos recursos humanos para o setor de software, inclusive de nível médio, e a promoção do empreendedorismo e a gestão empresarial nas empresas de software, visando a qualificação de seus gerentes para atuação nos ambientes de negócios internacionais.

Tomando-se como base o panorama tecnológico atual, esse trabalho de dissertação vem propor uma solução voltada para o desenvolvimento de ações específicas para a disseminação da qualidade e da certificação nas empresas de software, mostrando uma experiência prática de iniciativa do Ministério da Fazenda em parceria com o CenPRA , como solução para pré-qualificar empresas produtoras de software e seu conjunto de sistemas aplicativos no âmbito municipal e que deve servir como instrumento motivador para os órgãos de governo competentes, na criação de um programa de certificação de empresas e produtos de software brasileiros

(25)

visando abertura de mercado para as empresas nacionais e conseqüente atendimento da demanda existente no mercado internacional.

1.2 Objetivos

Esta dissertação apresenta uma proposta para a elaboração de um método especialista para avaliar a qualidade de produtos de software desenvolvidos a partir de uma especificação de requisitos presente em editais.

A abordagem utilizada está focada na definição de qualidade de produto de software, na Norma brasileira (NBR 13596, 1996), que aborda as características de qualidade de um produto de software, na Norma (NBR ISO/IEC 12119, 1998) que é aplicável à avaliação de pacotes de software na forma como são oferecidos e liberados para uso no mercado e na Norma (NBR ISO/IEC 14598-5, 2001) que define as atividades necessárias para analisar os requisitos de um processo de avaliação de modo a especificar, projetar e executar as atividades de avaliação para se obter a conclusão sobre a avaliação de qualquer tipo de produto de software.

O trabalho dessa dissertação teve como base o MEDE-PROS– Método de Avaliação de Qualidade de Produtos de Software, de propriedade do CenPRA e como experiência prática o PNAFM – Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios

Brasileiros, sob responsabilidade da Unidade de Coordenação de Programas – UCP do Ministério da Fazenda.

A contribuição para a qualidade de software, promovida por esta dissertação resume-se na divulgação das Normas de qualidade existentes para software, na importância da utilização dessas Normas na definição do conteúdo de editais elaborados especificamente para produtos de software e a possibilidade de construção de um método de avaliação especialista que seja capaz de aferir a qualidade de produtos de software desenvolvidos a partir dos conceitos trazidos por essas Normas e a conformidade com os requisitos exigidos em um edital.

(26)

1.3 Escopo e Limitações

Esse trabalho tem como objetivo fornecer subsídios para a criação de um método especialista para avaliar a qualidade de produtos de software desenvolvidos a partir de uma especificação técnica apresentada em editais. Para tal, utiliza-se o conceito de editais como instrumento legal das licitações públicas (MUKAI, 2000), a estrutura e base teórica do MEDE-PROS e o conceito de exploração da base do conhecimento (ROCHA, 2001).

Em qualidade de software, deve-se considerar tanto a qualidade do processo de desenvolvimento de software como a qualidade do produto de software.

Nesse trabalho são fornecidos subsídios para se avaliar a qualidade de produtos de software verificando-se a conformidade desses produtos com a especificação técnica explícita em editais e a aderência às normas e padrões de qualidade de software, ou seja, são avaliados os requisitos funcionais e os requisitos não funcionais quando o produto final está pronto para o uso.

Não é foco dessa dissertação apresentar métodos de avaliação da qualidade de processos de desenvolvimento de software.

Um capítulo exclusivo é dedicado ao tema ‘Qualidade’ mas, neste momento é fundamental que o termo ‘Qualidade de Software’ seja definido e compreendido dentro do escopo desta dissertação.

A Norma (NBR ISO 8402, 1993) define ‘Qualidade’ como sendo a “Totalidade das características de uma entidade, que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas”. A Norma (NBR 13596, 1996) substituiu o termo ‘entidade’, da definição acima, por ‘produto de software’ e, desta forma, define ‘Qualidade de Software’ como a

“Totalidade das características de um produto de software, que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas”.

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A (NBR 13596, 1996) define ‘produto de software’ como sendo a “Entidade de software disponível para liberação a um cliente ou usuário”; que freqüentemente é chamado de produto final de software; e, ‘Software’ como “Programas, procedimentos, regras e qualquer

documentação associada pertinente à operação de um sistema computacional”.

Desta forma, ‘Qualidade de Software’ considerada nesta dissertação significa a ‘Totalidade das características de software, que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades

explícitas e implícitas’.

1.4 Estrutura da Dissertação

Inicialmente neste capítulo, através de uma descrição do panorama histórico da área de TI, a situação da qualidade de software no Brasil foi apresentada para se compreender a necessidade dos esforços que vêm sendo empregados na sua melhoria. Em seguida, foram abordados os objetivos, escopo e limitações da dissertação que é focada no MEDE-PROS®, nas normas NBR 13596 de produto de software, NBR ISO/IEC 12119, NBR ISO/IEC 14598-5 e no conceito de exploração da base do conhecimento utilizado na elaboração de um edital, específico para desenvolvimento de um produto de software.

No Capítulo 2 são abordados os temas: “Qualidade de Produto de Software” de forma geral e as “Normas para Qualidade de Produto de Software” utilizadas na criação do MEDE-PROS e que são a base desse trabalho de dissertação.

Em seguida, no Capítulo 3 são apresentados o MEDE-PROS e uma proposta de estrutura e conteúdo de um edital para desenvolvimento de produtos de software considerando-se os requisitos de qualidade para software.

O Capítulo 4 é dedicado a desenvolver o foco principal do trabalho, apresentando a contribuição do MEDE-PROS para a construção de um método de avaliação especialista, a partir da especificação técnica para um domínio de aplicação presente em um edital.

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No Capítulo 5 é apresentada uma experiência prática com o PNAFM. Nesse capítulo são apresentados o Edital elaborado para o processo de pré-qualificação das empresas e seus conjuntos de sistemas aplicativos, o Método de avaliação PNAFM e o processo de avaliação utilizado para o PNAFM.

Finalizando, o Capítulo 6 apresenta a conclusão e oportunidades para novos trabalhos que podem ser realizados de forma a dar continuidade nos esforços para a melhoria da qualidade de software e melhoria na execução do processo de avaliação utilizando-se um método de avaliação, seja ele genérico ou especialista.

(29)

Capítulo 2

2 Qualidade

2.1 Qualidade de Produto

Existem várias propostas de definição para ‘qualidade de produto’. Entre elas (CROSBY, 1995) afirma que: “o principal fundamento para obtenção da Qualidade é a conformidade com os requisitos”.

De acordo com (JURAN, 1995), a satisfação com o produto está relacionada com o seu desempenho e, a ausência de insatisfação com o produto está relacionada com a ausência de deficiência. Portanto, a satisfação com o produto é alcançada quando as necessidades do cliente são supridas e o produto não apresenta defeitos. Os requisitos, pregados por Crosby, representam as necessidades explícitas dos clientes, e devem procurar cobrir a maior parte das necessidades dos clientes em relação ao produto.

As necessidades explícitas nada mais são do que a definição dos requisitos, as condições e os objetivos propostos para o produto. Existem também as necessidades implícitas que focam a visão subjetiva do consumidor/usuário quanto ao produto, tais como: as necessidades razoáveis; implicações estéticas; itens de segurança, entre outras (SANT’ANA, 2002).

As necessidades explícitas para um Sistema de Folha de Pagamento podem ser, por exemplo: o cálculo da folha de pagamento, a emissão do cartão ponto e do demonstrativo de

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pagamento; e, as necessidades implícitas: ser de fácil utilização para os usuários do sistema, apresentar interface personalizada para a organização e não apresentar falhas com freqüência.

Na busca pela qualidade, as organizações procuram se basear em conceitos e diretrizes reconhecidos internacionalmente como as normas, que são elaboradas e revisadas por órgãos responsáveis por normalizações técnicas, tais como: ISO – International Organization for Standardization (ISO, 2003), IEC – International Eletrotechnical Commission (IEC, 2003) e ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2003).

2.2 Qualidade de Produto de Software e as Normas para Qualidade de Software

2.2.1 Aspectos Gerais sobre Software

O software está presente nas mais diversas áreas das quais, algumas vezes, simplesmente são usados, outras vezes, são a ferramenta de trabalho de muitas pessoas e ainda, em outras tantas, vidas são colocadas sob sua influência. Algumas destas áreas são: Educação,

Entretenimento, Transporte, Comunicação, Sistema Financeiro, Meio Ambiente, Indústria, Comércio, Medicina, Pesquisa e muitas outras de igual ou maior importância (SANT’ANA, 2002).

A Engenharia de Software, segundo (PRESSMAN, 1995), “...é uma disciplina que pode ser vista, de forma objetiva, como o estabelecimento e o uso dos princípios básicos da engenharia com a finalidade de desenvolver software de maneira sistemática e econômica, resultando em um produto confiável e eficiente.” Ou seja, a Engenharia de Software é uma disciplina que auxilia na melhoria da qualidade de software.

As organizações de software, que se preocupam com a qualidade, vêm utilizando os conceitos de Engenharia de Software. A cada dois anos, a Secretaria de Política de Informática e Automação do Ministério da Ciência e Tecnologia conduz pesquisas diretas com organizações de software, visando acompanhar a evolução da gestão da qualidade neste setor. Conforme a Tabela

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2.1, reproduzida a partir dos dados das três últimas edições desta pesquisa, é possível constatar a utilização de métodos de Engenharia de Software, o que indica a credibilidade em seu potencial.

TABELA 2.1 PESQUISA DE UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS DE ENGENHARIA DE SOFTWARE (MCT, 2003)

RESULTADOS (No de Empresas / %) MÉTODOS DE ENGENHARIA DE SOFTWARE

1997 (589 empresas) 1999 (426 empresas) 2001 (430 empresas) Empresas que adotam métodos de prevenção de defeitos

Auditorias 102 / 17% 88 / 21% 97 / 23%

Gerência de Configuração 40 / 7% 63 / 15% 101 / 24%

Joint Application Design (JAD) 46 / 8% 36 / 9% 35 / 8% Medições da Qualidade (Métricas) 48 / 8% 52 / 12% 75 / 18%

Prototipação 259 / 44% 187 / 44% 220 / 51%

Reuso 110 / 19% 104 / 24% ...

Verificação independente 81 / 14% 155 / 36% 88 / 21%

Empresas que adotam métodos de detecção/remoção de defeitos

Inspeções formais 100 / 17% 87 / 20% 70 / 16% Revisões estruturadas 113 / 19% 66 / 16% 70 / 16% Testes de aceitação 278 / 47% 205 / 48% 246 / 57% Testes de sistema 392 / 67% 199 / 47% 222 / 52% Testes de unidade 137 / 23% 130 / 31% 149 / 35% Validação 250 / 42% 192 / 45% ...

Empresas que adotam outras práticas de Engenharia de Software

Gestão de mudança 32 / 5% 31 / 7% 45 / 11%

Métodos estruturados 210 / 36% 146 / 34% 173 / 40%

Métodos orientados a objetos 216 / 37% 186 / 44% 232 / 54% Projetos interface com o usuário 207 / 35% 215 / 51% 244 / 57% Obs.: O símbolo ‘...’ indica dado não disponível

Apesar de todos os esforços da Engenharia de Software, os problemas de qualidade nos produtos persistem. Na próxima seção serão analisadas outras iniciativas que vêm sendo realizadas na busca pela qualidade do produto software.

2.2.3 Iniciativas para a Qualidade de Produto de Software

Diante do que foi apresentado nas seções anteriores, o produto de software, a algum tempo, necessita e busca por soluções para a melhoria na sua qualidade; tanto em função de seu grau de importância e integração na sociedade, quanto pelas falhas freqüentes e com possibilidade de

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conseqüências desastrosas. Tudo isso, sem deixar de mencionar também, o alto custo e elevado tempo de desenvolvimento e manutenção.

Analisando esta afirmação, percebe-se a necessidade de respostas para algumas questões básicas sobre como atingir a qualidade num produto de software a ser desenvolvido:

• A determinação do conjunto de características que atende as necessidades de seus usuários.

• A forma de avaliar se estas características foram alcançadas num grau que satisfaça seus usuários.

O Subcomitê de Software - SC7 do Comitê Técnico Conjunto - JTC1 da ISO (ISO, 2003) e IEC (IEC, 2003) vem trabalhando na elaboração de normas e relatórios técnicos que permitam especificar e avaliar a qualidade de produtos de software, consolidando as diferentes visões de qualidade em uma norma internacional.

Para auxiliar no processo em si de avaliação da qualidade de produtos de software, a ISO e IEC estabeleceram o seguinte conjunto de normas: (ISO/IEC 14598-1, 1999) com uma visão geral do processo de avaliação; (ISO/IEC 14598-2, 2000) sobre o planejamento e gestão do processo; (ISO/IEC 14598-3, 2000) sobre o processo de avaliação para desenvolvedores; (ISO/IEC 14598-4, 1999) sobre processo para adquirentes; (ISO/IEC 14598-5, 1998) sobre processo para avaliadores e; (ISO/IEC 14598-6, 2001) sobre documentação de módulos de avaliação.

A norma brasileira (NBR 13596, 1996) é uma tradução da Norma (ISO/IEC 9126, 1991) contendo as características de qualidade de um produto de software e as diretrizes de utilização destas características em uma avaliação. A norma brasileira (NBR ISO/IEC 12119, 1998) é uma tradução da Norma (ISO/IEC 12119, 1994) e estabelece requisitos de qualidade para um tipo particular de produtos de software denominados “pacotes de software”, além de fornecer instruções de como testar esse tipo de produto em relação aos requisitos definidos. A norma brasileira (NBR ISO/IEC 14598-5, 2001) é uma tradução da Norma (ISO/IEC 14598-5, 1998)

(33)

contendo orientações para a implementação prática da avaliação de produtos de software. Diante do objetivo e da abrangência desta dissertação, abordados no capítulo introdutório, serão

utilizadas apenas essas três Normas para a apresentação do trabalho.

Atualmente, a NBR ISO/IEC 9126-1, válida a partir de 30 julho de 2003, cancela e substitui a norma brasileira NBR 13596 de 1996. Porém, nessa dissertação será utilizada e referenciada a norma brasileira NBR 13596 porque o MEDE-PROS que é a base para a criação desse trabalho, foi elaborado a partir dessa versão da norma.

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Capítulo 3

3 MEDE-PROS



e Editais para Produtos de Software

3.1 Introdução

Nesse capítulo será apresentado o Método de Avaliação de Qualidade de Produtos de Software - MEDE-PROS - a base teórica utilizada na construção desse método e os elementos do produto de software considerados na sua estrutura.

O MEDE-PROS não é uma ferramenta de domínio público. Ele está registrado junto à Fundação Biblioteca Nacional (MEDE-PROS, 1997) e pertence ao CenPRA. Vários são os laboratórios de avaliação credenciados pelo CenPRA e portanto autorizados na execução de avaliações utilizando esse método: INSOFT; UNISINOS; ITS; UEL; USP - São Carlos.

Nem todas as informações sobre o MEDE-PROS poderão ser apresentadas devido ao Termo de Sigilo assinado pela autora dessa dissertação. A qualidade desse trabalho não será prejudicada uma vez que o insumo principal é a estrutura do método, vastamente divulgada em eventos da área de qualidade de software.

Será apresentado também o significado do termo Edital, como esse instrumento é amplamente utilizado pelos órgãos governamentais e quais informações devem constar no conteúdo de um edital elaborado para produtos de software.

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As informações apresentadas a seguir são fundamentais para um bom entendimento da proposta dessa dissertação.

3.2 Base Teórica do MEDE-PROS ou de uma Avaliação Genérica

O MEDE-PROS foi desenvolvido com o objetivo principal de fornecer subsídios para a melhoria da qualidade de produtos de software, através da execução de um processo de avaliação da qualidade de produtos de software.

Na criação do método, foram utilizadas as seguintes Normas aplicadas à qualidade de software:

• ISO/IEC 9126 (NBR 13596, 1996);

• ISO/IEC 12119 (NBR ISO/IEC 12119, 1998) e

• A série de normas ISO/IEC 14598.

O estabelecimento de Normas para a Avaliação da Qualidade de Produto de Software abre a possibilidade de se ter uma base conceitual comum que pode levar a aceitação universal de avaliações e certificações de produtos. (TSUKUMO, 1995).

Uma breve apresentação dessas Normas será feita a seguir.

ISO/IEC 9126 (NBR 13596, 1996) – “Tecnologia de Informação – Avaliação de produto de software – Características de qualidade e diretrizes para o seu uso”.

Essa norma define as características de qualidade de software que devem estar presentes em todos os produtos de software – são elas: Funcionalidade, Confiabilidade, Eficiência,

Usabilidade, Manutenibilidade e Portabilidade. Ela serve como referência base na avaliação de produtos de software, pois cobre os aspectos mais importantes para qualquer produto de software.

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As seis características de qualidade de software, segundo a Norma ISO/IEC 9126, estão transcritas na Tabela 3.1. Uma preocupação da Norma foi definir características com um mínimo de sobreposição de conceitos entre elas.

TABELA 3.1 CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DE SOFTWARE (NBR 13596, 1996)

CARACTERÍSTICAS DEFINIÇÕES

Funcionalidade

Conjunto de atributos que evidenciam a existência de um conjunto de funções e suas propriedades especificadas. As funções são as que satisfazem as necessidades explícitas ou implícitas. Confiabilidade

Conjunto de atributos que evidenciam a capacidade do software de manter seu nível de desempenho sob condições estabelecidas, durante um período de tempo definido.

Usabilidade

Conjunto de atributos que evidenciam o esforço necessário para se poder utilizar o software; bem como, o julgamento individual desse uso por um conjunto explícito ou implícito de usuários.

Por usuários entende-se usuários de software interativo, ou seja: operadores, usuário final e usuários indiretos, que estão sob influência ou dependência do uso do software.

Eficiência

Conjunto de atributos que evidenciam o relacionamento entre o nível de desempenho do software e a quantidade de recursos usados, sob condições estabelecidas.

Manutenibilidade Conjunto de atributos que evidenciam o esforço necessário para fazer modificações especificadas no software.

Portabilidade Conjunto de atributos que evidenciam a capacidade do software de ser transferido de um ambiente para o outro.

Os atributos, mencionados na definição de ‘funcionalidade’, caracterizam ‘o que’ o software faz para satisfazer as necessidades implícitas e explícitas do usuário; enquanto que, os atributos, mencionados nas demais características de qualidade, caracterizam principalmente ‘quando’ e ‘como’ o software faz para satisfazer estas necessidades.

As características de qualidade são desdobradas em subcaracterísticas como mostra a Tabela 3.2 a seguir:

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TABELA 3.2 SUBCARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DE SOFTWARE (TSUKUMO, 1997)

CARACTERÍSTICAS SUBCARACTERÍSTICAS DESCRIÇÕES

Adequação Presença de um conjunto de funções e sua apropriação para as tarefas especificadas. Acurácia Geração de resultados ou efeitos corretos. Interoperabilidade Capacidade de interagir com outros

sistemas especificados.

Conformidade Estar de acordo com normas, convenções e regulamentações.

Funcionalidade

Segurança de Acesso Capacidade de evitar acesso não autorizado a programas e dados. Maturidade Freqüência de falhas por defeitos. Tolerância a falhas

Capacidade de manter o nível de desempenho em caso de falha no software ou de violação nas interfaces. Confiabilidade

Recuperabilidade Capacidade de restabelecer seu

desempenho e restaurar dados após falha. Inteligibilidade

Atributos do software que evidenciam o esforço do usuário para reconhecer o conceito lógico e sua aplicabilidade. Apreensibilidade

Atributos do software que evidenciam o esforço do usuário para aprender sua aplicação.

Usabilidade

Operacionalidade

Atributos do software que evidenciam o esforço do usuário para sua operação e controle da sua operação.

Comportamento em relação ao tempo

Tempo de resposta, de processamento e velocidade na execução de funções. Eficiência

Comportamento em relação aos recursos

Quantidade de recursos utilizados e duração de seu uso.

Analisabilidade Esforço necessário para diagnosticar deficiência e causas de falhas. Modificabilidade Esforço necessário para realizar

modificações e remoção de defeitos. Estabilidade Ausência de riscos de efeitos inesperados

ocasionados por modificações. Manutenibilidade

Testabilidade Facilidade de ser testado.

Adaptabilidade Capacidade de ser adaptado a ambientes diferentes.

Capacidade para ser

instalado Esforço necessário para a instalação. Conformidade Consonância com padrões ou convenções

de portabilidade. Portabilidade

Capacidade para substituir

Capacidade e esforço necessário para substituir outro software.

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A ISO/IEC 9126 conduz a um entendimento dos conceitos que definem as diversas

características e subcaracterísticas da qualidade de produto de software, porém, na prática, ainda não facilita o suficiente a definição dos requisitos de qualidade a partir dela (ROCHA, 2001). E esse foi um dos motivos para a criação do MEDE-PROS.

ISO/IEC 12119 (NBR ISO/IEC 12119, 1998) – “Tecnologia de Informação – Pacotes de Software – Teste e requisitos de qualidade”.

Da mesma forma que a Norma ISO/IEC 9126 foi traduzida para a Norma NBR 13596, a Norma ISO/IEC 12119 também foi traduzida recebendo a denominação NBR ISO/IEC 12119.

A NBR ISO/IEC 12119 estabelece requisitos de qualidade para um tipo particular de produtos de software denominados “pacotes de software”, fornecendo instruções de como testar esse tipo de produto em relação aos requisitos definidos. São exemplos de pacotes de software: processadores de texto, planilhas eletrônicas, bancos de dados, software gráficos, programas para funções técnicas ou científicas e programas utilitários.

Diz essa Norma que o pacote de software a ser testado ou a ter sua qualidade avaliada deve dispor dos seguintes elementos: Descrição do Produto, Documentação do Usuário e Programas e Dados. A seguir será apresentado cada um desses elementos separadamente.

Descrição do Produto – Um documento impresso (folder) ou disponível nas páginas da internet, que estabelece as propriedades do produto de software a ser adquirido por um potencial comprador, antes desse efetuar a aquisição, com o propósito de orientar tais compradores na avaliação da adequação do produto. No idioma inglês pode ser expresso nas seguintes

denominações entre outras: product description, funcion description, product information ou product sheet. Caso o produto de software não disponha da descrição do produto, esta é considerada uma não-conformidade para o processo de avaliação da qualidade do produto.

Para a avaliação dos requisitos de qualidade da Descrição do Produto, são considerados pela Norma os seguintes aspectos:

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• Requisitos gerais sobre o conteúdo – a Descrição do Produto deve existir, ser inteligível, completa e apresentar boa organização e apresentação. Os aspectos apresentados a seguir, especificam o que a descrição do produto deve incluir.

• Identificações e indicações – a descrição do produto deve ser identificada podendo ser por exemplo Descrição Funcional ou Informação de Produto; a descrição do produto deve conter a identificação: do produto devendo ter no mínimo o nome do produto e uma versão ou data; do fornecedor, contendo no mínimo o nome e endereço de no mínimo um fornecedor do produto; das tarefas que podem ser executadas utilizando-se o produto; dos requisitos de hardware e software para colocar o produto em uso; das interfaces com outros produtos, caso o produto faça interface com algum; dos componentes físicos do produto a ser fornecidos, em particular todos os documentos impressos que acompanham o produto e todos os meios de armazenamento de dados; da possibilidade ou não da instalação do produto ser conduzida pelo usuário; do

fornecimento ou não de suporte para a operação do produto; do fornecimento ou não de manutenção no produto e em caso do fornecimento, o que está incluído.

• Declarações sobre funcionalidade – a descrição do produto deve fornecer uma visão geral das funções disponíveis para o usuário do produto, os dados necessários e as facilidades oferecidas; no caso do produto ser limitado por valores limite específicos, estes devem ser fornecidos na descrição do produto; informações para evitar o acesso não autorizado a programas e dados devem estar na descrição do produto, caso o produto possua esse recurso.

• Declarações sobre confiabilidade – a descrição do produto deve incluir informações sobre procedimentos para preservação de dados, por exemplo que é possível efetuar backup através de funções do sistema operacional, que a entrada de dados é verificada, que o produto dispõe de função para recuperação de erro, etc.

• Declarações sobre usabilidade – a descrição do produto deve especificar o tipo de interface com o usuário (linha de comando, menu ou janelas), o conhecimento

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necessário para a utilização do produto, a possibilidade do usuário adaptar o produto a suas necessidades e o que é necessário, proteção contra infrações a direitos autorais quando esta dificultar a usabilidade do produto.

• Declarações sobre eficiência – a descrição do produto pode especificar o comportamento do produto em relação ao tempo.

• Declarações sobre manutenibilidade – a descrição do produto pode conter declarações sobre manutenibilidade.

• Declarações sobre portabilidade - a descrição do produto pode conter declarações sobre portabilidade.

Documentação do Usuário: Conjunto completo de documentos disponível em forma impressa ou não, que é fornecido ao usuário para a utilização do produto de software. Esse conjunto de documentos é parte integrante do produto de software.

Para a avaliação dos requisitos de qualidade da Documentação do Usuário, são considerados pela Norma os seguintes aspectos:

• Completitude – a documentação do usuário deve conter as informações necessárias para o uso do produto. Todas as funções estabelecidas na descrição do produto e todas as funções do programa que os usuários tenham acesso devem ser completamente descritas na documentação do usuário. Todas as outras informações incluídas na descrição do produto devem estar na documentação do usuário também.

• Correção – Todas as informações na documentação do usuário devem estar corretas, sem ambigüidades e erros.

• Consistência – a documentação do usuário não deve apresentar contradições internas entre suas partes e com a descrição do produto.

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• Inteligibilidade – a documentação do usuário deve ser inteligível pela classe de usuários que normalmente executa a tarefa a ser atendida pelo produto, utilizando, por exemplo, uma seleção apropriada de termos, exibições gráficas, explicações detalhadas e citando fontes úteis de informação.

• Visão Geral – a documentação do usuário deve apresentar boa apresentação e organização, de tal modo que quaisquer relacionamentos sejam facilmente identificados, por exemplo, por índices analítico e remissivo.

Programas e Dados: Conjunto completo de programas de computador e dados fornecido para a utilização do produto de software. Esse conjunto é parte integrante do produto de software.

Para a avaliação dos requisitos de qualidade para Programas e Dados, são considerados pela Norma os seguintes aspectos:

• Funcionalidade – são avaliados o processo de instalação do produto de software, verificado a existência e execução de todas as funções descritas na documentação do usuário e as declarações contidas na descrição do produto, em particular, programas e dados devem estar de acordo com todos os requisitos definidos em qualquer documento de requisitos citado na descrição do produto.

• Confiabilidade – é avaliado a capacidade do produto de software em manter a integridade dos programas e dados, permitindo ao usuário controlar o sistema compreendendo hardware e software.

• Usabilidade – é avaliado se perguntas, mensagens e resultados dos programas são inteligíveis; se as mensagens de erro fornecem informações detalhadas explicando a sua causa ou forma de correção; se é possível ao usuário, quando estiver trabalhando com os programas, descobrir qual função está sendo executada; se os programas fornecem ao usuário informações claramente visíveis e fáceis de serem lidas, guiando o usuário por informações codificadas e agrupadas adequadamente; se quando necessário, os

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programas alertam o usuário; se as mensagens dos programas são projetadas de forma que o usuário possa diferenciá-las facilmente pelo tipo, por exemplo: confirmação, solicitações, advertências ou mensagens de erro.

• Eficiência – é avaliado se o produto está em conformidade com as declarações de eficiência citadas em sua descrição de produto.

• Manutenibilidade – é avaliado se o produto está em conformidade com as declarações de manutenibilidade citadas em sua descrição de produto.

• Portabilidade – é avaliado se o produto está em conformidade com as declarações de portabilidade citadas em sua descrição de produto.

A série de normas ISO/IEC 14598 é um conjunto de normas que define o processo de avaliação de produtos de software. Essa série de normas será apresentada a seguir segundo a interpretação publicada no livro “Qualidade e Produtividade em Software” (WEBER, 2001).

ISO/IEC 14598-1 – Visão Geral – Esta Norma apresenta toda a estrutura de funcionamento da série de normas para avaliação da qualidade dos produtos de software, além de definir os termos técnicos utilizados nesse modelo. Fornece também os conceitos e o funcionamento do processo de avaliação da qualidade de qualquer tipo de software, para utilização por

desenvolvedores (incluindo gerentes, analistas de requisitos, projetistas de software, implementadores e equipe de garantia da qualidade), por adquirentes e por avaliadores de software independentes. De maneira geral, pode ser utilizada por pessoas envolvidas no desenvolvimento, padronização e uso de tecnologia de avaliação.

ISO/IEC 14598-2 – Planejamento e Gestão – Esta Norma apresenta requisitos,

recomendações e orientações para uma função de suporte ao processo de avaliação dos produtos de software.O suporte está relacionado ao planejamento e gerenciamento de um processo de avaliação de software e a tecnologia necessária, incluindo: desenvolvimento, aquisição,

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padronização, controle, transferência e realimentação do uso de tecnologia de avaliação no âmbito da organização.

ISO/IEC 14598-3 – Processo para Desenvolvedores – Esta Norma destina-se ao uso

durante o processo de desenvolvimento e manutenção de software, enfocando a seleção e registro de indicadores que possam ser medidos e avaliados a partir dos produtos intermediários, obtidos nas fases de desenvolvimento de sistemas, com o objetivo de prever a qualidade do produto final a ser desenvolvido, de modo a orientar a tomada de decisões técnicas e gerenciais ao longo do processo de desenvolvimento.

ISO/IEC 14598-4 – Processo para Adquirentes – Esta Norma estabelece um processo sistemático para avaliação de: produtos de software tipo pacote, produtos de software sob

encomenda, ou ainda modificações em produtos já existentes. O objetivo da avaliação pode ser a comparação entre diversas alternativas de produtos existentes no mercado, ou a tentativa de garantir que um produto desenvolvido ou modificado sob encomenda atenda aos requisitos inicialmente especificados. A norma utiliza o processo de avaliação definido genericamente na ISO/IEC 14598-1.

ISO/IEC 14598-5 – Processo para Avaliadores – Esta Norma fornece orientações para a implementação prática da avaliação de produto de software, quando diversas partes necessitam entender, aceitar e confiar em resultados da avaliação. O processo descrito define as atividades necessárias para analisar os requisitos da avaliação de modo a especificar, projetar e executar as atividades da avaliação e para se obter a conclusão sobre a avaliação de qualquer tipo de produto de software.

ISO/IEC 14598-6 – Documentação de Módulos de Avaliação – Esta Norma define a estrutura e o conteúdo da documentação a ser usada na descrição dos Módulos de Avaliação. Explica como desenvolver módulos de avaliação e como validá-los. Um Módulo de Avaliação é um conjunto de instruções e dados usados para a avaliação. Ele especifica os métodos de

avaliação aplicáveis para avaliar as características de qualidade. Define também os

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das medições resultantes das aplicações dos métodos e das técnicas. O uso de módulos de

avaliação produzidos e validados, conforme a norma, deve garantir que as avaliações de produtos de software possam ser:

• Repetíveis – um mesmo produto, avaliado mais de uma vez, com a mesma especificação de avaliação e o mesmo avaliador deve apresentar resultados com um mínimo de variação.

• Reprodutíveis – um mesmo produto, avaliado mais de uma vez, com a mesma

especificação de avaliação e diferentes avaliadores deve apresentar resultados com um mínimo de variação.

• Imparciais – a avaliação deve ser livre de tendências.

• Objetivas ou empíricas – a avaliação deve ser baseada em fatos reais.

No próximo tópico desse trabalho será apresentada a estrutura do MEDE-PROS

mostrando quais elementos dos produtos de software são avaliados com esse método e onde essas Normas de qualidade foram aplicadas.

3.3 Estrutura do MEDE-PROS

O MEDE-PROS é formado por três componentes:

• Lista de Verificação

• Manual do Avaliador

• Modelo de Relatório de Avaliação

A Lista de Verificação é uma ferramenta de avaliação que os avaliadores utilizam durante o processo de avaliação da qualidade de produtos de software e foi elaborada tomando-se como base as Normas de qualidade apresentadas no tópico 3.2 dessa dissertação. Outras Normas tais como a (ISO/DIS 9241, 1996), (ISO/DIS 9241-10, 1996), (ISO/DIS 9241-11, 1997), (ISO/DIS 9241-12, 1997), (ISO/DIS 9241-14, 1997), (ISO/DIS 9241-16, 1997), (ANSI/IEEE 1063, 1987) e o método (ERGOLIST, 1997) também foram utilizados na criação dessa Lista de Verificação. Ela é composta por um conjunto de atributos e esses, por um conjunto de questões.

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Em um processo de avaliação os seguintes elementos que compõem um produto de software poderão ser avaliados: Embalagem, Descrição do Produto, Documentação do Usuário, Interface e Software. Nem sempre os produtos submetidos a um processo de avaliação

apresentam todos esses elementos. Por exemplo, produtos fornecidos através da internet, não apresentam embalagem uma vez que os compradores os obtém realizando um simples download.

A seguir, uma breve descrição desses elementos:

A Embalagem é um meio físico que acondiciona a mídia e documentos impressos.

Para a Descrição do Produto, utilizou-se a definição presente na norma NBR ISO/IEC 12119, apresentada no tópico 3.2 dessa dissertação.

A Documentação do Usuário é o conjunto completo de documentos, disponível ao usuário na forma impressa ou não, fornecida para auxiliar na utilização dos produtos de software.

A Interface permite que as informações sejam transferidas entre o usuário e os componentes de hardware ou software de um sistema computacional.

O Software são as instruções (programas de computador) que, quando executadas pelo usuário produzem a função e o desempenho esperados.

A Figura 3.1 mostra a estrutura da Lista de Verificação do MEDE-PROS e onde as normas de qualidade contribuíram para sua construção, permitindo que os elementos dos produtos de software considerados pudessem ser avaliados adequadamente.

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FIGURA 3.1 ESTRUTURA DA LISTA DE VERIFICAÇÃO DO MEDE-PROS

A série de normas ISO/IEC 14598, não aparece na figura porque ela fornece orientações para a realização do processo de avaliação e esse processo será apresentado posteriormente.

A Lista de Verificação é organizada pelos seguintes elementos do produto de software: Embalagem, Descrição do Produto, Documentação do Usuário, Interface e Software. Para cada um desses elementos são considerados os requisitos contidos nas respectivas normas de qualidade associadas.

Como a avaliação do produto de software baseia-se na comparação do produto contra alguns requisitos, ou ainda contra necessidades explícitas e implícitas dos usuários, o trabalho realizado durante a elaboração do MEDE-PROS foi o de transformar os requisitos de qualidade presentes nas normas de qualidade em atributos e esses em um conjunto de questões, de tal forma que avaliando o atributo através do conjunto de questões associadas fosse possível julgar o atendimento ou não do requisito.

Um exemplo de atributo presente na Lista de Verificação do MEDE-PROS pode ser visto na Figura 3.2 a seguir, ou em (COLOMBO, 2004).

Lista de Verificaçãodo MEDE-PROS Embalagem Descrição do Produto Documentação do Usuário Interface Software

ISO/IEC 12119 ISO/IEC 12119 ISO/IEC 12119 ISO/IEC 9126

ANSI/IEEE 1063 ISO/IEC 12119 ISO/IEC 9126 ERGOLIST ISO/DIS 9241 ISO/IEC 12119 ISO/IEC 9126

(47)

3.2 - Identificação do Produtor

Os documentos do usuário& impressos indicam:

( ).1. o nome do produtor (pode ser carimbo ou etiqueta impressa);

T=Todos; A=Alguns; N=Nenhum.

( ).2. o endereço do produtor (pode ser carimbo ou etiqueta impressa);

T=Todos; A=Alguns; N=Nenhum.

( ).3. o telefone, fax, e-mail, site ou outra forma de contato com o produtor;

T=Todos; A=Alguns; N=Nenhum.

FIGURA 3.2 EXEMPLO DE ATRIBUTO DA LISTA DE VERIFICAÇÃO DO MEDE-PROS

Para auxiliar os avaliadores durante o processo de avaliação da qualidade de produtos de software utilizando-se o MEDE-PROS foi criado o segundo componente do método – o Manual do Avaliador.

O Manual do Avaliador apresenta um conjunto de informações para a utilização da Lista de Verificação durante a avaliação da qualidade de um produto de software e fornece diretrizes e recomendações para a execução do processo de avaliação. Ele destina-se aos avaliadores credenciados pelo CenPRA para a utilização do MEDE-PROS.

Nesse manual são encontrados: explicações e exemplos de alguns atributos presentes na Lista de Verificação para uma melhor compreensão do aspecto a ser avaliado, as convenções utilizadas na Lista de Verificação, as diretrizes para a execução da avaliação, regras e obrigações dos avaliadores, informações sobre o preenchimento da Lista de Verificação, o material utilizado na avaliação, o procedimento da avaliação com sugestão de uma seqüência de passos adequada ao processo, orientações para a elaboração do relatório de avaliação e um glossário contendo explicações dos termos utilizados na Lista de Verificação.

Para apresentar o resultado obtido durante o processo da avaliação foi criado o terceiro componente do MEDE-PROS – o modelo de Relatório da Avaliação.

Referências

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