Realismo
@CONSUELOHOLANDA
“Nunca pintei um anjo porque nunca vi
nenhum”
Gustave Courbet
Professora Consuelo Holanda
@consueloholanda
E-book “Arte em Movimento”50 análises para enem e vestibulares
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@CONSUELOHOLANDA
Realismo: a
arte da
objetividade
Determinismo social Politização da arte Revolução Industrial Ruptura com a temática tradicional Personagens anônimos Sem idealização Trabalho Técnica realistaRealismo
Embora utilizado em geral para designar formas de representação objetiva da realidade,
o realismo como doutrina estética específica se impõe a partir de 1850 na França,
triunfando com Gustave Flaubert (1821 1880) na literatura e Gustave Courbet (1819
-1877) na pintura. As três telas de Coubert expostas no Salão de 1850, Enterro em
Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras, marcam seu
compromisso com o programa realista, pensado como forma de superação das
tradições clássica e romântica, assim como dos temas históricos, mitológicos e religiosos.
O enfrentamento direto e imediato da realidade, com o auxílio das técnicas pictóricas,
descarta qualquer tipo de ilusionismo. O pintor é simpatizante das posições anarquistas
de Proudhon e tem participação decisiva durante a Comuna de Paris, e seria impossível
compreender suas decisões estéticas sem considerar suas escolhas políticas. A
pintura, arte concreta por excelência, se aplica aos objetos reais, às "coisas como elas
são".
Os principais fatos históricos que permeiam o
Realismo são:
•Desenvolvimento de teorias científicas na Europa,
tais como o
•Evolucionismo;
•Comunismo;
•Determinismo;
•Positivismo;
•Abolição da escravidão no Brasil, em 1888;
•Proclamação da República brasileira, em 1889;
Características da pintura realista
*oposição à idealização romântica
*reprodução da realidade objetiva a partir de fatos
observáveis
temáticas sociais e o cotidiano: trabalho braçal, prostituição,
exclusão e miséria são temáticas representadas
*apego com o presente
*ausência de heróis
*histórias protagonizadas por pessoas comuns
*análise crítica da sociedade
• Apego ao sóbrio
• Técnica realista(reprodução da realidade com espaço,
Batatas e ancinho
Moisés fazendo referência ao bebê (ausente)
morto na cena Ossos espalhados pelo chão reforçando a relação com o enterro
O ângelus de Millet
A obra recebe o nome de
“Angelus” em homenagem a
oração que tem esse mesmo
nome e que foi feita em
homenagem ao momento em que
o anjo Gabriel anuncia à virgem
Maria que ela está grávida.
O Angelus é uma prática religiosa,
realizada em devoção à
Imaculada Conceição, repetida
três vezes ao dia, de manhã, ao
meio dia e ao entardecer.
Millet explicou que essa posição
foi inspirada em sua avó, que
sempre rezava quando ouvia os
sinos da igreja badalando no fim
Duas figuras silenciosas e
anônimas, no meio de uma
vasta planície cultivada, com
apenas algumas ferramentas
simples para ajudá-los a ganhar
a vida com o solo, Millet destaca
a vida desoladora do
trabalhador rural com sua rotina
diária de trabalho físico que
perdura ao longo das
estações. Ao mesmo tempo, o
momento de silêncio nos lembra
uma conexão inevitável com
o Todo-Poderoso e nossa
insignificância diante dele. o
homem retirou o chapéu e
inclinou sua cabeça em oração
silenciosa, assim como a mulher.
.
Estudos com raios X revelaram que nesse
quadro, Millet havia pintado, originalmente, o filho morto do casal de camponeses. O
pintor, entretanto, achou muito chocante a cena e retocou o quadro para a forma atual, apagando a figura da criança.
Moisés com o corpo do bebê: fome e miséria causando mortalidade infantil @consueloholanda
Com o rosto quadrado em
“close-up”, o pintor Gustave
Courbet olha para o observador,
em total estado de desespero,
como se estivesse a pedir-lhe
socorro.
Ainda que se encontre nesse
estado emotivo, ele se mostra
belo, com seus grandes olhos
escuros abertos, sobrancelhas
grossas e bem feitas, testa
contraída, bochechas coradas,
que se contrapõem à palidez do
rosto, bigode e barbichas negros,
boca carnuda vermelha,
entreaberta, e narinas dilatadas.
A sua beleza ameniza o estado
de desespero, sendo o
Mulheres Peneirando
Trigo Gustave Courbet
"Mulheres Peneirando Trigo“
é um exemplo do realismo
do trabalho de Courbet.
Ao contrário das pinturas do
estilo romântico, esta pintura
não tem um perfeito uso da
linha e da forma. Em vez
disso, ilustra as paredes sujas,
o olhar entediado no rosto
da mulher deitada, e o
cabelo desgrenhado do
menino curioso.
Courbet utilizou modelos
reais nas suas pinturas; diz-se
que as mulheres na pintura
são as suas duas irmãs Zoe e
Julieta, e o menino é o seu
filho ilegítimo, Desire Binet.
Enterro em Ornans
Gustave Courbet
- 1849-1850
Os personagens: a tela é composta por 46 figuras humanas, retratadas em tamanho natural. Gustave
Courbet representa três grupos distintos: mulheres, homens e eclesiásticos, separados como se estivessem em uma Igreja. O artista privilegia uma abordagem naturalista dos personagens do quadro, sem qualquer
esforço em embelezá-los.
Os trajes insólitos: próximo ao cachorro, dois homens vestem trajes antigos – polainas, meias longas azuis,
chapéu de duas pontas. Estes trajes eram comuns no final do século XVIII, ou seja, pelo menos cinquenta anos antes da realização desta pintura. Podem representar, para Gustave Courbet uma citação a
proclamação da Primeira República Francesa, em 1793. Em 1848, um ano antes de “Enterro em Ornans”, a Segunda República havia sido proclamada no país.
A cova: a sepultura aberta no primeiro plano é vista em diagonal, como se o observador da pintura estivesse
à esquerda da cova. Um crânio pode ser observado próximo ao buraco. Segundo a Bíblia, no momento da agonia do Cristo Crucificado, a terra se abriu, e o crânio de Adão, enterrado há milênios, reapareceu.
Elemento comum em pinturas religiosas, pode estar sendo citado por Courbet, pode aludir, também, à cena do cemitério em Hamlet, retratada por muitos pintores do movimento romântico.
O caixão: não se sabe ao certo quem está sendo enterrado em Ornans. A hipótese mais conhecida é
que Courbet retrata o enterro de Claude Etienne Teste, seu tio avô, morto em 1848. Teste foi o primeiro homem a ser enterrado no cemitério novo da cidade de Ornans. Quando indagado sobre a identidade do
Observe a pintura de Gustave Coubert, Mulheres peneirando trigo, e assinale a alternativa que corresponde a CORRETA relação entre o estilo literário e a pintura de Coubert.
a)
A presença da mulher em primeiro plano torna-a idealizada o que aproxima a pintura do ROMANTISMO.
b)
A pintura retrata apenas aquilo que vê sem exaltação ou sentimentalismo como é próprio do REALISMO.
c)
A pintura retrata a vida tranquila e feliz no campo representando assim o ARCADISMO.
d)
A dificuldade da vida no sertão é retratada através dessa pintura mostrando o engajamento social da 2ª GERAÇÃO MODERNISTA.
e)
A imagem busca simbolizar a libertação da mulher, sua
independência representando assim a 1ª GERAÇÃO MODERNISTA. Questão de Vestibular
A pintura é uma poesia muda e a poesia uma pintura cega; e tanto uma quanto a outra tentam imitar a natureza segundo seus limites, e tanto uma quanto a outra permitem demonstrar diversas atitudes morais, como fez Apeles na sua Calúnia.
Contextualização
Homens e mulheres, moradores das comunidades próximas ao aterro sanitário de Alagoinhas, catam materiais recicláveis em uma situação de trabalho
insalubre e degradante. Enquanto o caminhão
despeja os dejetos, os catadores recolhem todo tipo
de material reciclável, disputando espaços com os urubus
Millet procurou captar a verdadeira essência
do que era o trabalho destas mulheres.
Não tentou idealizar a imagem, mas ao invés ele captou a “fealdade” da pobreza e do trabalho manual.
Representa três mulheres camponesas de forma destacada em primeiro plano,
inclinando-se para recolher os restos de uma colheita do trigo
Olympia de Manet – 1863- Museu D’Orsay O nu, tradicional na arte
acadêmica, é aqui representado sem idealização. Todo os adornos de Olympia a caracterizam como cortesã A EMPREGADA DE OLYMPIA: A empregada negra chama-se Laura e é usada como modelo
profissional na pintura. Em pé, totalmente vestida,
Laura segura um buquê de flores, provavelmente
enviado por um cliente para a sua patroa.
Olympia parece
indiferente à presença da empregada. Essa distância emocional é reforçada pela separação física das figuras.
BUQUÊ DE FLORES: Símbolo clássico da
sexualidade feminina, o buquê chama a atenção para a carga erótica da cena. O motivo floral aparece novamente na colcha sobre o divã da modelo, realçando ainda mais a sua condição de cortesã comum
GATO PRETO:
O gato preto, símbolo da superstição, indica a
condição de tabu da cena representada.
Posicionado ao lado da empregada negra, o gato chama a atenção para os estereótipos da
feminilidade e sexualidade negra que circulavam na época em que o quadro foi exibido.
A Vênus romântica e a “Vênus” realista
Vênus de Ticiano Vecellio
Musée d ‘Orsay
Foto: arquivo pessoal
Edouard Manet, Olympia, 1863, Musée d´Orsay, Paris. Fig. 2-Goustave Courbet, A origem do
Almoço na Relva - Manet
A presença de uma mulher nua entre os homens vestidos não é justificada por
precedentes mitológicos ou alegóricos. Isto lhe rendeu a estranheza da cena irreal e obscena aos olhos do público. O estilo e tratamento de Manet foram considerados muito chocantes. Ele não fez nenhuma
transição entre os elementos leves e escuros da imagem, abandonando as gradações sutis habituais em favor de contrastes
brutais. E os personagens parecem se
encaixar desconfortavelmente em segundo plano esboçado na floresta a partir do qual Manet excluiu deliberadamente a
profundidade e a perspectiva.
O Almoço na Relva é um testemunho da recusa de Manet em seguir a convenção, iniciando uma nova liberdade de temas tradicionais e modos de representação,
talvez essa obra possa ser considerada como o ponto de partida para a Arte Moderna.
Almoço na Relva, 1863, óleo sobre tela, 215 x 271 cm, Édouard Manet, Museu d’Orsay, Paris
Victorine Meurand (cortesã conhecida na época)olha fixamente para o espectador. O corpo nu e as roupas
jogadas pelo chão atestam ela se despiu no lugar.
A rã que é um trocadilho
visual e aponta a ironia típica do Realismo
Figuras planas que não se comunicam entre si
Composição piramidal
Manet e a ruptura com o academicismo: o precursor do Impressionismo e da
O Beijo – Hayez - 1859
O Beijo – Rodin – 1888- 1889
«Os dois corpos
entrelaçados, em pleno movimento, captam a luz e a sombra; os
planos fluidos e
contínuos não negam o real, mas, pelo
contrário, tornam a pedra mais viva. O amor que Rodin sente pelo corpo é sensual e, por vezes, francamente erótico. A macieza da pele contrasta com a aspereza do bloco de pedra […]»
Escultura realista – características:
. Tal contraposição ainda ajuda a expor os contornos do "Pensador" que destacam-se
nas costas criando uma ideia constante de luz e sombra
Características da escultura de Rodin, entre o realismo e o impressionismo: * Trabalhos em bronze e mármore.
* Rejeição do polimento e do acabamento aperfeiçoado. * Valorização artística de fragmentos e “obras inacabadas”. * Valorização dos efeitos (vibrações e reflexos) de luz.
* Intensificação da expressividade através da essência da matéria. * Valorização do movimento fluido e contínuo.
* Sensualidade/Erotismo/Expressividade na representação do corpo.
Rodin e o “Pensador” de 1902
Foto : arquivo pessoal
O queixo sobre a mão: Imagem eternizada, a cabeça apoiada na mão tornou-se um símbolo internacional e já inconsciente de reflexão e/ou pensamento profundo. A feição fixa e rígida também ajuda no desenho de uma alma pensativa.
A Porta do Inferno - Rodin
obra “A Divina Inspirada na Comédia” deDante
Alighieri
“O que faz meu Pensador pensar é
que ele pensa não só com o
cérebro, mas também com suas
sobrancelhas tensas, suas narinas
distendidas e seus lábios
comprimidos. Ele pensa com cada
músculo de seus braços e pernas,
com seus punhos fechados e com
seus artelhos curvados”
O Vagão de Terceira Classe – Daumier - 1864
Daumier não representou os cidadãos ricos que
viajavam em primeira classe, mas as pessoas da
terceira classe, para denunciar a miséria que
reinava em grande parte da sociedade francesa da
época. Era, para o artista, o reflexo de uma realidade que alguns preferiam esconder.
Esta representação da realidade é preocupante, não tanto por aquilo que é mostrado, as
personagens, as roupas, as crianças miseráveis, mas pela força dos olhares. Os olhos escuros da mulher com a cesta, em primeiro plano, olhando fixamente o espectador, parecem terrivelmente acusadores e refletem a profunda desordem que existe nessas gentes, na sua vida de sofrimento e miséria. Em primeiro plano temos também uma mulher com o seu filho e um menino. Em segundo plano, podemos ver outras pessoas que também vivem em sofrimento e miséria, estando o quadro marcada por linhas predominantemente
Contextualizando: Ônibus da madrugada na capital paulista roda cheio durante quarentena. Linha noturna com mais passageiros leva trabalhador com janela
Arte realista no Brasil
Luz e sombra dão destaque ao drama empreendido pela personagem feminina. Na cena, o
corpo feminino recebe a luz sobre o vestido amarelo, destacando assim sua posição “rebaixada” em relação ao jovem marido. A desordem do mobiliário da sala de estar (representando a
convivência dos personagens), assim como as flores caídas ao chão, enfatizam o estado psicológico da mulher.
Ao lado direito, as cores solenes e sóbrias das vestimentas do personagem masculino (inspirado no escritor Gonzaga Duque, que serviu de modelo para o personagem e teceu elogiosas críticas sobre a pintura) estabelecem um contraponto ao destempero feminino. O homem, bem vestido, composto e com pose de soberba superioridade e indiferença em relação ao drama feminino, pousa o olhar sobre um cachimbo, transformando sua reação aos arrufos da esposa em algo cotidiano e banal. Sua postura é a da indiferença.
A briga entre o casal é realçada pelo enquadramento que o artista dá aos personagens. A
narrativa é dividida em dois espaços complementares: a mulher, ao chão, representa todos os arroubos e desequilíbrio emocional que são, segundo a visão da época e do artista, destinadas
ao espaço feminino. Toda a cena que envolve a mulher está desestruturada e desordenada
visualmente, como o seu comportamento. Apenas o vestido lhe emoldura o corpo como sinal de sua classe social e gênero.
“Arrufos” é uma obra que mantém um caráter instigante até a atualidade, ao mesmo tempo em que marca a burguesia urbana como temática, bem como os retratos ou pinturas de “gênero”, representando assim todas as transformações sociais pelas quais passava o Rio de Janeiro, especificamente, marcando assim a obra como uma importante pintura na classificação (e reforço) de estereótipos burgueses, na arte e no comportamento; na vida e em sociedade.
Arrufos de Belmiro de Almeida - 1887
Trecho do e-book
“Arte em Movimento” 50 análise para Enem e vestibulares de
Consuelo Holanda e Nathália de Freitas
A Redenção de Cam- Modesto e Brocos- 1895
Três gerações diferentes aparecem na cena: à esquerda, a avó negra levanta o olhar e as mãos para os céus num gesto claro de agradecimento. No centro, uma mulher de pele “morena” mais
jovem, aponta para a esquerda como se
apresentasse a avó ao filho, que ela segura em seu colo, sobre os joelhos. O filho é branco. Levanta os olhos para a avó, seu olhar não tem
estranhamento algum. Como se fosse um
“menino Jesus” dos
ícones cristãos, abençoa a avó. Ele a perdoa pelo pecado de sua raça. Ele foi redimido da culpa que ela carrega na pele.
“Caipira Picando Fumo” recorta
o instante em que, cansado da
lida do trabalho duro com a
terra, esse caipira se põe a
descansar, contemplar o
trabalho feito e por esse
trabalho realizado, sentir o
prazer do dever cumprido
fumando seu cigarro.
Momento breve de ócio e
descanso. “Picar o fumo” é um
gesto cuidadoso e esmerado,
mostra que o prazer de cada
dia está reservado para
aqueles que cumpriram a dura
tarefa de lidar com a roça.
Bibliografia
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna - do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo : Cia. das
Letras, 1996.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte e crítica de arte. Lisboa: Editorial Estampa, 1998
CLARK, T.J (1999) The Painting of Modern Life: Paris in the Art of Manet and H is Followers. Revised edition.
Princeton: Princeton University Press, p.86.
ECO, Umberto. História da Beleza. Rio de Janeiro: Record, 2004. ECO, Umberto. História da Feiúra. Rio de Janeiro: Record, 2004
GOMBRICH, Ernst Hans. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. 688 p.
HOLANDA, Consuelo; FREITAS, NATHÁLIA - E-book “Arte em Movimento”50 análises para Enem e vestibulares
em: https://l.instagram.com/?u=https%3A%2F%2Fgo.hotmart.com%2FH43132372E%3Fdp%3D1. Acesso em 25 de
janeiro de 2021
MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. Impressionismo. Disponível