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A conceituação na Gramática Tradicional – uma análise

crítica

Marlene Silva Sardinha Gurpilhares

Doutora em Linguística Aplicada pela PUC – SP. Professora de Linguística no Centro Universitário Teresa D’Ávila – UNIFATEA.

Vanessa dos Reis Fagundes Monteiro

Graduada em Letras com habilitação em Inglês, pelo Centro Universitário Teresa D’Ávila – UNIFATEA. Professora de Língua Portuguesa na Escola Estadual Luis de Castro Pinto – Lorena.

Resumo

Considerando que a mistura de critérios – sintático, semântico e morfológico – nas conceituações da Gramática Tradicional, causa dificuldades no ensino / aprendizagem de Língua Portuguesa, esta pesquisa tem por objetivo discutir essas dificuldades e propor possíveis soluções. Como Fundamentação teórica, utilizamos, entre outras, as obras: a) Gurpilhares (2016), sobre história da Linguística; b) Lyons (1979), sobre Filologia e Gramática; c) Mattos e Silva (1989), sobre origem da Gramática. A metodologia é de abordagem qualitativa, pois utiliza só dados bibliográficos. Os resultados foram relacionados aos objetivos propostos.

Palavras – chave

Conceituação; mistura de critérios; proposta de solução. Abstract

Considering that the mix of criteria - syntactic, semantic and morphological - in the concepts of Traditional Grammar, causes difficulties in teaching / learning Portuguese Language, this research aims to discuss these difficulties and propose possible solutions. As a theoretical basis, we use, among others, the works: a) Gurpilhares (2016), on the history of Linguistics; b) Lyons (1979), on Philology and Grammar; c) Mattos e Silva (1989), about the origin of Grammar. The methodology is qualitative, since it uses only bibliographic data. The results were related to the proposed objectives.

Key words

Conceptualization; mix of criteria; proposed solution.

Introdução

Esta pesquisa se justifica na medida em que se propõe a sanar dificuldades causadas pela mistura de critérios apresentada na Gramática Tradicional, ao conceituar termos e classes de palavras.

Como referencial teórico utilizamos, entre outras, as obras: a) Lyons (1979) sobre a Gramática Tradicional e sua origem;

b) Gurpilhares (2016) sobre uma abordagem histórica dos estudos de língua; c) Mattos e Silva (1989) sobre a influência da filosofia na Gramática.

A metodologia é de abordagem qualitativa pois só trabalha com dados bibliográficos, não utilizando pesquisa de campo.

Para análise do “corpus” foram selecionados alguns conceitos de três gramáticos: Bechara (2009), Cunha (1977) e Rocha Lima (1978). A seguir foram discutidos e

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confrontados, concluindo-se que a mistura de critérios prejudica o ensino / aprendizagem de Língua Portuguesa.

Seguindo-se, foram sugeridas algumas possíveis propostas de solução, para sanar, em parte, essas dificuldades.

O trabalho abre perspectivas para outras pesquisas, abordando outros aspectos gramaticais.

Fundamentação Teórica

1. A Gramática Tradicional

1.1 Origem

A gramática é filha da Filologia, ciência nascida na Antiguidade grega, com os filósofos gregos, que se dirigiram à Alexandria, para estudar na famosa biblioteca dessa cidade, textos antigos, especificamente a Ilíada e a Odisséia, de Homero.

Tais filósofos foram denominados alexandrinos e iniciaram seus estudos sobre os textos gregos, no período helênico, extinto com a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C.

Conforme exposto, a biblioteca de Alexandria abrigava imensa coleção de manuscritos gregos antigos, com textos de poetas, dramaturgos, filósofos e historiadores. Os estudiosos gregos que para lá se dirigiram, se dedicaram a catalogar esse precioso material e estabelecer, com base no exame criterioso dos fragmentos disponíveis, o texto que se poderia considerar como definitivo da obra de cada um dos autores gregos clássicos. Estava lançada aí a semente da Filologia.

Esse trabalho minucioso era necessário porque os manuscritos de um mesmo texto variavam entre si ou estavam danificados, tinham lacunas, trechos obscuros, acréscimos ou cortes indevidos. Dedicando-se a fixar uma forma aceitável dos clássicos, os sábios alexandrinos preservaram e nos legaram todo um conjunto de obras fundamentais da cultura humana.

Para realizar esse estudo, os alexandrinos tiveram de criar os métodos que, mesmo aperfeiçoados depois, constituem ainda hoje a base de qualquer atividade de edição crítica dos textos reconhecidos como clássicos da cultura – textos literários, filosóficos, religiosos.

Em resumo: o objetivo de estudo do filólogo são manifestações escritas antigas culturalmente importantes e seu objetivo é fixar esses textos numa forma que possa ser considerada confiável, isto é, a mais próxima possível do original. Para isso, o filólogo tem de comparar vários manuscritos ou (depois da invenção da imprensa) diferentes edições de um texto, buscando livrá-lo de defeitos decorrentes do processo de sua transmissão.

Parte desse trabalho envolve o estudo das palavras e de seus sentidos nos textos. Por isso, os filólogos se dedicam também à etimologia (a investigação da origem e da história das palavras) e se envolvem diretamente com a feitura – ou o modo de fazer – dos dicionários. Estava, assim, lançado o embrião dos estudos filológicos.

Daí para se lançar as primeiras sementes da Gramática foi apenas um passo: os filósofos gregos chamados alexandrinos tinham uma preocupação literária com a língua. Esses estudiosos são assim chamados por terem desenvolvido seus estudos em Alexandria. Nas suas pesquisas perceberam que a língua dos textos clássicos diferia em muitos aspectos do grego contemporâneo de Alexandria. Desenvolveram, então, entre eles a “prática de

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publicar comentários de textos e tratados de Gramática para elucidar as várias dificuldades que poderiam perturbar o leitor dos antigos poetas gregos. A admiração pelas grandes obras literárias do passado encorajou a crença de que a própria língua na qual elas tinham sido escritas era em si mais “pura” mais “correta” do que a fala coloquial corrente de Alexandria e de outros centros helênicos. (Lyons, 1979, p.9).

Portanto, segundo Lobato (1986), dois fatores contribuíram para o interesse em estudar a língua como parte dos estudos literários:

1 – o desejo de tornar acessíveis aos contemporâneos as obras de Homero;

2 – a preocupação com o “uso correto” da língua (pronúncia e gramática) a fim de preservar o grego clássico de corrupções.

Estava lançado o embrião da gramática tradicional: essas primeiras gramáticas, ainda incompletas e pouco sistemáticas, baseadas na língua escrita, tinham os dois objetivos citados acima: (1) elucidação da língua dos textos literários arcaicos, e (2) proteção do grego clássico, que devia ser resguardado de corrupções. Aqui nos permitimos uma observação: se ela nasceu para preservar uma variante padrão, o grego clássico, até hoje esse objetivo se mantem, qual seja: “reforçar padrões de uso que são próprios a uma classe dominante, que seu ensino (quer bem ou mal feito) faz silenciar os outros usos” (Mattos e Silva, 1989, p.13).

Segundo Lyons (1979) essa postura dos filósofos alexandrinos envolvia dois erros de concepção: o 1º diz respeito à relação entre língua escrita e língua falada, e o 2º, à maneira como a língua evolui.

Na esteira de exposto, fica evidenciada a relação entre a filologia e a origem da gramática.

1.2 A contribuição da Filosofia para a Gramática

Se afirmamos acima que a Gramática é filha da Filologia, é lícito considerar que ela (a gramática) é neta da Filosofia, pois seus alicerces são, predominantemente filosóficos.

Sendo assim, passamos a examinar a influência de alguns filósofos na elaboração da Gramática.

1.2.1 Platão

Em dois aspectos, principalmente, esse filosofo contribuiu para a elaboração da Gramática Tradicional.

1º - quanto à estruturação da oração: segundo Platão a oração grega compõe-se de um elemento nominal e um elemento verbal, o que posteriormente se denominou: sujeito / predicado;

2º - quanto à relação entre a língua e as coisas: é uma relação natural ou convencional? É uma discussão que perdura até Saussure, quando esse linguista afirma que o signo linguístico é convencional. Temos resquícios dessa discussão na gramática: as palavras onomatopaicas, o conceito de regular / irregular, a criação dos termos: paradigma, analogista, anomalista.

1.2.2 Aristóteles

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chamamos classes de palavras, anteriormente denominadas categorias, as quais o filosofo denominou: partes dos discurso.

Ao criar as categorias, Aristóteles fundamenta-se no pensamento da estrutura da língua como correspondência da estrutura do mundo. Ou seja, tais categorias têm a função de explicar o mundo.

São 10 as categorias aristotélicas, segundo Benveniste (1976, p.71).

“Cada uma das expressões que não entram numa combinação significa: a substancia; ou quanto; ou qual; ou relativamente a que; ou onde; ou quando; ou estar em posição; ou estar em estado; ou fazer; ou sofrer. “Substância”, por exemplo, em geral, “homem”; “cavalo”; - quanto, por exemplo, “de côvados; de três côvados”; - “qual”, por exemplo, “branco; instruído”; - “relativamente a que”, por exemplo, “duplo; meio; maior” – “onde”, por exemplo, “no Ginásio; no mercado”, - “quando”, por exemplo, “ontem; no ano passado”; - “estar em posição”, por exemplo, “ontem; no ano passado”; - “estar em posição”, por exemplo, “está deitado; está sentado”; - “estar em estado”, por exemplo, “está calçado; está armado”; está armado”; - “fazer”, por exemplo, “corta; queima” – “sofrer”, por exemplo, “é cortado; é queimado”.

Tais categorias passaram à gramática Tradicional, incialmente denominadas “partes dos discurso”, posteriormente “categorias” e atualmente “classe de palavras”.

Relativamente à sintaxe, Aristóteles, com base na Lógica, elaborou uma teoria da frase, embrião da nossa análise sintática.

A filosofia aristotélica distinguia conceitos (como “seres”, “ações”, “qualidades”, “quantidades”), juízos (associações predicativas de dois conceitos) e raciocínios (associação de juízos sob a forma de premissas e conclusão).

Exemplo: associando-se o conceito “pássaro” (ser), “voar” e “todo” (quantidade), formula-se um “juízo”, que pode ser o ponto de partida de um raciocínio:

 Todo pássaro voa (premissa maior).  O pardal é um pássaro (premissa menor).  Logo, o pardal voa (conclusão).

Trata-se de silogismo.

Portanto, “a origem dos estudos gramaticais no Ocidente se confunde com essas reflexões. A teoria aristotélica se confunde com essas reflexões. A teoria aristotélica dos conceitos – ou categorias – se tornaria o fundamento da distinção entre classes de palavras (substância / substantivo, etc), e a estrutura do juízo como associação predicativa de 2 conceitos (proposição) serviria de base à definição do objeto da sintaxe.

Enfatizemos que a proposição é sempre uma oração declarativa, afirmativa ou negativa.

Associados os 2 conceitos na proposição, o terceiro sobre o qual se declara algo é o sujeito, e a declaração mesma, o predicado.

A análise gramatical, sendo derivada da análise lógica, passou a chamar sujeito e predicado às partes centrais fundamentais de qualquer construção centrada no verbo, fosse ou não, proposição, e a dar-lhes as mesmas definições que recebiam dos lógicos: sujeito – ser sobre o qual recai uma declaração; predicado – tudo aquilo que se declara do sujeito.

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1.3 A Conceituação na gramática Tradicional

1.3.1 – A conceituação nas primeiras gramáticas: embora trabalhassem, nos bastidores, com uma bateria de critérios – semânticos, morfológicos e sintáticos, os gramáticos privilegiaram só um ou dois, ao definirem as classes de palavras.

O conceito de substantivo, por exemplo, como a classe das palavras com que designamos os seres em geral (ou como a classe de palavras com que denotamos pessoas, lugares ou coisas) é incompleto, pois temos palavras como julgamento, beijo, saudade, beleza, eletricidade e inteligência, que são substantivos e não designam nem pessoas, nem objetos, nem lugares. Nesse caso foi usado o critério semântico ou nocional.

Basílio (1991, p.49), sobre esse assunto, afirma:

Já é quase uma tradição em estudos da linguagem dizer-se que as classes de palavras (também conhecidas como partes do discurso ou categorias lexicais) podem ser definidas por critérios semânticos, sintáticos e morfológicos.

As gramáticas normativas privilegiam o critério semântico na classificação das palavras, embora utilizem todos os critérios. Na teoria gerativa transformacional, as classes de palavras são definidas apenas em termos de propriedades sintáticas.

Os três critérios

Passaremos a considerar a questão dos critérios de definição de classes de palavras a partir das motivações internas à formação de palavras. Para isso, vamos inicialmente caracterizar cada critério e posteriormente estudar sua relevância. Dado que apenas substantivos, adjetivos, verbos e advérbios estão envolvidos em processos de formação de palavras, vamos nos deter aqui apenas nessas classes.

O critério semântico

Dizemos que as classes de palavras são definidas pelo critério semântico quando estabelecemos tipos de significado como base para a atribuição de palavras e classes.

A maior parte das definições de substantivo que encontramos nas gramaticas é de base semântica. Em geral, o substantivo é definido como a palavra com que designamos os seres. Pela sua própria natureza, o substantivo é definido com relativa facilidade pelo critério semântico.

O adjetivo, no entanto, é de definição bem mais difícil a partir de um critério semântico puro, dada a sua vocação sintática, por assim dizer. De fato, o adjetivo não pode ser definido por si só sem a pressuposição do substantivo, já que sua razão de ser é a especificação do substantivo.

No entanto, a função semântica do adjetivo é de importância crucial na estrutura linguística: de certa maneira, o adjetivo tem a mesma razão de ser que os afixos, no sentido de permitir a expressão ilimitada de conceitos sem exigências de uma sobrecarga de memória com rótulos particulares.

Quanto ao verbo, é normal defini-lo semanticamente como a palavra que exprime ações, estados ou fenômenos. Essa definição pura e simples em termos semânticos não é suficiente, no entanto, já que ações, estados e fenômenos podem ser expressos por substantivos. Assim, há que se acrescer à definição semântica do verbo ou uma dimensão morfológica, em virtude da gama de variações flexionais que lhe são características, ou uma dimensão discursiva, relacionada à questão do momento do enunciado, por exemplo.

No caso do adverbio, teríamos algo análogo ao caso do adjetivo, já que advérbios permitem especificação da ação, estado ou fenômenos descritos pelo verbo.

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Em suma, o critério semântico é fundamental para a definição das classes vocabulares produtivas no léxico.

Mas não é um critério suficiente, pelo menos nos termos até agora encontrados em definições, já que noções igualmente rotuladas podem ser expressas por mais de uma das classes estabelecidas. Por exemplo, ações podem ser expressas por nomes e verbos, qualidades são designadas por substantivos e adjetivos, e assim por diante.

O critério morfológico

Entendemos por critérios morfológicos a atribuição de palavras a diferentes classes, a partir das categorias gramaticais que apresentem, assim como das características de variação de forma que se mostrem em conjunção com tais categorias.

De acordo com o critério morfológico, o substantivo é definido como uma palavra que apresenta as categorias de gêneros e números, com as flexões correspondentes.

Embora demonstre alto teor de eficiência em relação a classes como verbo e adverbio, a definição morfológica do substantivo não distingue adequadamente esta classe dos adjetivos.

A classe dos verbos é talvez a mais privilegiada no que respeita a uma definição pelo critério morfológico, dada a riqueza a particularidade da flexão verbal. Assim, o verbo às vezes é definido exclusivamente em termos de sua caracterização morfológica.

Quanto ao adverbio, este pode ser definido em oposição às demais classes observadas pela simples propriedade de ser morfologicamente invariável.

O critério sintático

As classes de palavras podem também ser definidas por um critério sintático. Nesse caso, atribuímos palavras à classe, a partir de propriedades distribucionais (em que posições estruturais as palavras podem ocorrer) e/ou funcionais (que funções podem exercer na estrutura sintática).

Por exemplo, afirma-se que o substantivo é a palavra que pode exercer a função de núcleo do sujeito, objeto e agente da passiva. Outra possibilidade de caracterização é a posição de núcleo frente a determinantes, como artigos, demonstrativos e possessivos, ou modificadores, como adjetivos e sintagmas preposicionados. Assim, por exemplo, dizemos que sapato é um substantivo porque podemos dizer o sapato, meu sapato, este sapato, sapato bonito, sapato de Pedro.

A definição do adjetivo em termos funcionais é bastante fácil, dada a função natural do adjetivo em relação ao substantivo. Assim, muitas vezes o adjetivo é definido como palavra que acompanha, modifica ou caracteriza o substantivo. É interessante notar, no entanto, que a definição puramente sintática do adjetivo não é suficiente, dado que não distingue adjetivos de determinantes: estes últimos também acompanham o substantivo. A diferença é que determinantes apontam e estabelecem relações enquanto adjetivos caracterizam ou especificam. Mas essa diferença é mais de natureza semântica e discursiva do que sintática.

A classe dos verbos é bastante difícil de definir em termos sintáticos, dado que o predicado pode não ser verbal.

Já no caso do adverbio, a definição sintática é fácil, pois o advérbio exerce junto ao verbo função de modificador, análoga à função exercida pelo adjetivo junto ao nome. Essa colocação não cobre todos os casos, naturalmente, já que as palavras que consideramos como advérbios podem se referir à frase como um todo, entre outras possibilidades que necessitam de um estudo detalhado.

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Conclusão parcial

Uma questão que às vezes se coloca em relação às classes de palavras é a questão da multiplicidade de critérios de classificação. Vimos, por exemplo, que há teorias que classificam palavras em termos puramente sintáticos; existem propostas de classificação exclusivamente morfológicas, e a gramática tradicional privilegia, embora sem exclusividade, a noção semântica.

Essa questão se prende diretamente à questão da hierarquia de critérios, dentro do problema de generalidade da descrição.

Em princípio, um item lexical é um complexo de propriedades morfológicas sintáticas e semânticas. Assim, sua pertinência à classes deve ser estabelecida em termos morfológicos, semânticos e sintáticos.

Ora, poderíamos teoricamente imaginar propriedades sintáticas, semânticas e morfológicas independentes umas das outras, de tal modo que uma palavra designando seres poderia ser modificadora de outra e apresentar um esquema de variações flexionais de tempo, modo, aspecto, etc.

Ora, na medida em que há uma relação óbvia (embora não totalmente uniforme) entre propriedades semânticas, sintáticas e morfológicas, uma questão geral de descrição se coloca: seriam certas propriedades derivadas de outras propriedades? Se esse fosse o caso, a definição mais adequada seria aquela em que teríamos refletida essa hierarquia.

Reiterando o exposto, lembremos que na antiguidade grego –latina encontramos gramáticas que utilizam definições assentes em critérios morfológicos, semânticos e sintáticos.

Dionísio da Trácia, autor da 1ª Gramática Grega (já mencionada), por exemplo, utiliza critérios semânticos e morfológicos para conceituar o nome, o verbo e o particípio; morfológicos e sintáticos para o artigo e o pronome; para as preposições, advérbios e conjunções, critérios e sintáticos.

1.3.2 – A conceituação nas gramáticas de Língua Portuguesa.

Uma análise elaborada por Jofre (209), aponta os critérios utilizados por alguns gramáticos da Língua Portuguesa, para conceituar as classes de palavras.

O critério utilizado para a seleção das gramaticas foi cronológico:

a) Oliveira, Fernão de (2000. 1ªed. 1536) Gramática da Linguagem Portuguesa; b) Barros, João de (1540) Gramática de Língua Portuguesa;

c) Barbosa, Jerônimo Soares (1875) Gramática Philosophica de Língua Portugueza; d) Riberio, Júlio (1913) Grammatica Portugueza;

e) Pereira, Eduardo Carlos (1918) Gramática Expositiva; f) Bechara, Evanildo (2009) Moderna Gramática Portuguesa. Segue-se o quadro para melhor visualização:

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Classes de palavras a) Oliveira, (1536) b) Barros, (1540) c) Barbosa, (1857) d) Ribeiro (1913) e) Pereira (1907) f) Bechara, (2009) Nome / Substantivo Não define critérios Morfológico Semântico

Semântico Morfológico Semântico Semântico

Adjetivo Não define critérios Morfológico Sintático Morfológico Sintático Morfológico Semântico Sintático Semântico Sintático Verbo Não define critérios

Morfológico Morfológico Morfológico Semântico Morfológico

Semântico Morfológico

Quadro – critérios de classificação das classes palavras nas gramaticas do Português, selecionadas.

1.4 Análise do “corpus”.

Como “corpus” para análise, nessa pesquisa, selecionamos alguns aspectos relacionados à Sintaxe da Gramática Tradicional.

1.4.1 – Conceito de sujeito

1.4.2 – A categoria da transitividade

1.4.3 – A transitividade dos verbos de movimento.

O conceito de sujeito

1.5 Análise do “corpus”

O “corpus” selecionado para análise, nessa pesquisa, consta de alguns tópicos relacionados à Sintaxe da Gramática Tradicional, ou seja:

1.5.1 – o conceito de sujeito;

1.5.2 – a categoria da transitividade;

1.5.3 – a transitividade dos verbos de movimento.

O desenvolvimento da análise segue as seguintes etapas: a) O levantamento dos conceitos nas Gramáticas de:

a1 – Bechara (2009);

a2 – Cunha (1977);

a3 – Rocha Lima (1978).

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c) Uma proposta de solução.

1.5.4 – O conceito de sujeito a1 – Segundo Bechara

– “Sujeito: a unidade ou sintagma nominal que estabelece uma relação predicativa com o núcleo verbal para constituir uma oração”. (2009: 409)

– “A característica fundamental do sujeito explícito é estar em consonância com o sujeito gramatical do verbo do predicado, isto é, se adapte (isto é, concorde) a seu número, pessoa e gênero (2009: 410).

a2 – Cunha (1977)

– “O sujeito é o termo sore o qual se faz uma declaração” (Cunha, 1977: 137).

– “Sujeito oculto é aquele que não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal e pela sua presença em outra oração” (Cunha, 1977: 141). – “Algumas vezes o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se desconhecer quem executa a ação ou por não haver interesse no seu conhecimento. Dizemos então que o sujeito é indeterminado” (Cunha, 1977: 141).

a3 – Segundo Rocha Lima (1978)

– “Sujeito é o ser de quem se diz algo” (Rocha lima, 1978: 205).

– “Sujeito determinado é aquele identificável na oração, explícita ou implicitamente” (Rocha Lima, 1978: 206).

– Sujeito indeterminado é aquele que não podemos ou não queremos especificá-lo (Rocha Lima, 1978).

1.5.5 O conceito de “transitividade verbal” a1 – Segundo Bechara (2009)

O autor, apenas na parte dedicada ao “predicado”, alude a dois tipos de verbo: – “aqueles que necessitam de uma delimitação semântica e que são os transitivos. Ex. O porteiro viu o automóvel.

Eles precisam de socorro” (Bechara, 2009: 415);

– “aqueles que não necessitam de outros signos léxicos e que são os intransitivos. Ex. Ela não trabalha.

José acordou cedo.

O autor alude, ainda, a verbos que podem ser usados transitiva ou intransitivamente. Ex. Eles comeram maçãs (transitivo)

Eles não comeram (intransitivo)”

O autor conclui afirmando que a oposição entre transitivo e intransitivo não é absoluta, e mais pertence ao léxico do que à gramática (Bechara, 2009).

a2 – Segundo Cunha (1977)

O autor chama de verbos significativos os que trazem uma ideia nova ao sujeito. Podem ser “intransitivos e transitivos”.

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São intransitivos aqueles cuja ação está integralmente nas formas verbais. Ex. O cocheiro parou.

São transitivos aqueles que exigem termos para completar-lhes o significado. Ex. Helena desvia o olhar.

O autor observa que a análise da transitividade, na Gramática tradicional é feita dentro da frase. Considerado isoladamente, um verbo não é nem transitivo nem intransitivo, dependendo do seu emprego.

a3 – Segundo Rocha Lima (1978).

Pontua Rocha Lima (1978: 208), “verbos há que são suficientes para, sozinhos, representar a noção predicativa. Chamam-se intransitivos.

Ex. Neva

Todos fugiram.

Já os verbos transitivos, para que representem uma completa compreensão, exigem presença de um ou mais complemento.

Ex. A menina comprou um livro.

1.5.6 – A transitividade dos verbos de movimento Considerações sobre os verbos de movimento.

Cumpre esclarecer que estamos considerando os verbos de movimento somente no domínio espacial. Por exemplo: Venho de S. Paulo.

Os domínios temporal e nocional não serão tratados aqui. Isto significa que construções do tipo: Vou à tarde (domínio temporal) ou Vou com ele (domínio nocional) não serão objeto desse trabalho.

Com relação ao tipo de movimento, salientamos que serão considerados: a) verbos de movimento com deslocamento espacial, como: ir, vir, correr, etc. b) verbos de movimento sem deslocamento espacial, como: sentar-se, levantar-se.

O ponto de referência do movimento será o sujeito (sintático) considerado na sua totalidade.

Essas delimitações são pertinentes na medida em que: verbos de movimento com deslocamento e verbos de movimento sem deslocamento espacial apresentam estruturas sintático-semânticas diferentes.

A delimitação referente ao sujeito exclui do nosso estudo verbos como escrever, que implica movimento, apenas das mãos, como remar, que implica movimento, somente dos braços.

a1 – Segundo Bechara (2009)

Partindo do exemplo: “A criança caiu da cama”, o autor considera a expressão sublinhada “como termo obrigatório, argumental, pois pertence à regência do verbo cair”, e não adjunto adverbial, como querem alguns (Bechara, 2009: 436).

Para o autor na frase: “A criança caiu da cama durante a noite”, da cama é o complemento relativo de cair e durante a noite, adjunto circunstancial.

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Para Celso Cunha, tais expressões são adjuntos adverbiais e denotam “alguma circunstância do fato expresso pelo verbo, ou intensificam o sentido deste, de um ajetivo, ou de um advérbio”.

Ao classificar os adjuntos adverbiais, o autor cita, entre outros: – de lugar aonde:

Chegamos afinal a uma casa (L. Barreto) De noite foram ao teatro (M. de Assis)

– de lugar donde:

Quando voltei do colégio, já não a encontrei (G. Amado).

– de lugar para onde:

Sigo para Genebra (A. Nobre)

a3 – Segundo Rocha Lima (1978)

O autor distingue, entre as expressões de lugar, aquelas que são simples adjuntos daquelas que são essenciais à construção do verbo.

Assim, em: Irei a Roma, a preposição forma um bloco com o verbo, sendo portanto uma expressão essencial.

Já, em: jantarei em Roma, o liame entre a preposição e o substantivo é mais forte, tratando-se de simples adjunto.

B – Discussão sobre as falhas e contradições desses conceitos b1 – O conceito de sujeito

– A importância dos conceitos é lugar comum no ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa, pois os estudantes costumam ser avisados de que precisam dominar as definições gramaticas (grifo nosso):

– saber o que são substantivos, orações subordinadas etc. – para produzir ou compreender um texto.

É o que ocorre na prática? – contradições entre descrições e exemplos. Vejamos algumas dessas contradições, com relação ao conceito de sujeito: 1º – O sujeito é o termo sobre o qual se faz uma declaração.

Há inúmeros exemplos que não se adaptam a esse conceito: – Esse bolo, eu não comerei.

– Em Belo Horizonte chove muito.

2º – O sujeito deve concordar em gênero, número e pessoa com o verbo.

No caso chamado pela Gramática de concordância ideológica, temos exemplos como: – Os portugueses somos valorosos.

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No 1º caso recupera-se o sujeito pela desinência verbal: Fui à festa (Eu). Saíram da sala (Eles)

No 2º caso, não se quer identificar o sujeito: Saíram da sala.

b2 – A categoria da Transitividade Verbal

1º Com relação ao conceito de transitividade verbal, os três gramáticos consultados são unânimes em afirmar que: verbos transitivos são aqueles que exigem termos para completar-lhes o significado e intransitivos os que se bastam, semanticamente.

Ex. João leu o livro (transitivo) O cocheiro parou (instransitivo)

Bechara (20090 e Cunha (1977) observam que a oposição entre transitivo e intransitivo é relativa, ou seja, há verbos que podem ser usados, ora transitivamente ora intransitivamente.

Ex. João leu o livro (transitivo) João leu muito (intransitivo)

A contradição apontada no 2º exemplo refere-se à intransitividade atribuída ao verbo “ler”: na verdade, ele continua transitivo, apenas o objeto está oculto, por razões de natureza pragmática. Por que não denominá-lo objeto oculto, do mesmo modo que há sujeito oculto? b3 – A Transitividade dos verbos de movimento.

1º – Bechara (2009) denomina as expressões de lugar que acompanham os verbos de movimento de complemento relativo, quando são termos obrigatórios e de adjunto adverbial ou circunstancial, quando não necessárias.

Exemplo: A criança caiu da cama, durante a noite. – da cama: – complemento relativo

– durante a noite – adjunto circunstancial Rocha Lima (1978) tem postura idêntica

Celso Cunha (1977) considera tais expressões, indistintamente, de adjuntos adverbiais merece crítica a proposta de Cunha (1977), pois todo verbo de movimento implica, necessariamente, três lugares:

– lugar “de onde”, ponto de partida do movimento; – lugar “por onde”, percurso do movimento; – lugar “para onde”, ponto final do movimento.

Sendo assim, as expressões de lugar que acompanham tais verbos, são complementos, pois são inerentes, semanticamente, aos verbos e não meros adjuntos adverbiais, como afirma Cunha (19770.

C – Uma proposta de solução

Como toda solução decorre, necessariamente, de uma causa, apontamos, inicialmente, uma possível causa, para então propor uma solução.

1º Quanto ao conceito de sujeito

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Conforme exposto, anteriormente, nessa pesquisa, a Gramática Tradicional, desde a sua origem, na Grécia antiga (séc. III a. C.), mistura os critérios: sintático, semântico e morfológico, na conceituação das classes gramaticais, o que, por vezes, causa complicações, como nos exemplos que se seguem:

– João leu o livro

Nesse caso, recupera-se o sujeito, por um conceito semântico: “sujeito é o termo da oração sobre o qual se declara alguma coisa”.

– Esse bolo, eu não comerei.

Nesse caso, o conceito semântico não se adequa, pois o termo sobre o qual se declara alguma coisa, é “Esse bolo”.

Nesse caso, recupera-se o sujeito pelo critério morfológico: o pronome pessoal “eu”, flexionado numa concordância de “pessoa”, com o verbo “comer”.

Com relação à distinção entre sujeito oculto e indeterminado entendemos que o problema é também de mistura de critérios: No exemplo: “Fui ao cinema”, o critério é morfológico: o sujeito: “eu”, está em concordância de pessoa e número com o verbo.

Já em: “Bateram à porta”, o critério é semântico: não se pode determinar o sujeito, portanto é indeterminado. Se usado o critério para sujeito oculto, seria: eles/elas.

Categoria da Transitividade Verbal

Com relação à conceituação da Transitividade verbal entendemos que há mistura dos critérios: semântico e sintático.

No exemplo “João leu o livro”, o verbo é transitivo, porque exige um complemento: o livro é um critério semântico.

Já, em “João leu muito”, o verbo é intransitivo (segundo a Gramática Tradicional), segundo um critério sintático, pois o complemento está implícito.

A transitividade dos verbos de movimento

No exemplo: Maria fez a lição, a Gramática Tradicional afirma que: a lição é um complemento, termo inerente ao verbo, indispensável. É um critério semântico.

Com relação aos verbos de movimento, alguns gramáticos afirmam que as expressões que os acompanham são complementos. É um critério semântico. Outros gramáticos discordam, considerando-as adjuntos circunstanciais, acessórios.

Ex. João foi a São Paulo.

A expressão grifada é, para uns, adjunto, e para outros, complemento.

Em ambos os casos, o critério é semântico, mas interpretado diferentemente.

Proposta de solução

Neves (2004) propõe que se leve o aluno até o conceito, mas de dentro para fora, sem cobrar que ele chegue a uma definição:

“Para conceituar o que é substantivo comum, não posso começar pela definição e achar que, pela definição ele vai deduzir. Devo fazer o contrário. Ele usa a linguagem, substantivos, adjetivos, faz predicados. Tenho de levá-lo a perceber o conceito a partir das reflexões do uso, e ele não precisa chegar a uma definição, porque isso é produto da ciência e você só define uma coisa quando sabe tudo sobre ela”. (Neves, 2014: 42)

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Consideramos viável a proposta de Neves (2014) para minimizar as contradições da Gramática Tradicional entre a definição teórica e os procedimentos de análise.

Sugerimos, por outro lado, a adoção de um só critério: semântico ou morfológico ou sintático, nas conceituações.

Considerações finais

O levantamento e análise de contradições entre alguns conceitos da Gramática Tradicional, nessa pesquisa, mostram as implicações negativas desse procedimento para o ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa.

Face ao exposto, esse trabalho tem como objetivo, a partir dos conceitos de: sujeito, transitividade e verbos de movimento, apontar as contradições, apontar possíveis causas e propor soluções.

Como referencial teórico utilizamos, entre outras, as obras: a) Gurpilhares (2016), sobre história da Linguística b) Lyons (1979), sobre Filologia e Gramática

c) Mattos e Silva (1989), sobre origem da Gramática

A metodologia é de abordagem qualitativa, pois não utiliza dados quantitativos, nem pesquisa de campo, mas apenas dados bibliográficos.

Os nossos objetivos foram alcançados, uma vez que detectamos as falhas, apontamos possíveis causas e sugerimos possíveis soluções.

Essa pesquisa abre perspectivas para inúmeras outras, utilizando a mesma metodologia, porém abordando outros aspectos gramaticais, como: o conceito de artigo, o conceito de oração, etc.

Referências

BASÍLIO, Margarida. Teoria lexical. São Paulo: Ática, 1991.

BARBOSA, Jerônimo Soares. Grammatica Philosophica da Lingua Portuguesa. Lisboa. 1875.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2009. BENVENISTE, Émile. Problemas de Linguística Geral. São Paulo: Nacional, 1976.

CUNHA, C. Ferreira da. Gramática da Língua Portuguesa. Fename – Ministério da Educação e Cultura. 1977.

GURPILHARES, M. S. Sardinha. Uma visão histórica dos Estudos Linguísticos – da Antiguidade ao séc. XXI – 3ª ed., revista e ampliada. Lorena: Casa, 2016.

JOFRE, V. Aparecida. A mistura de critérios na conceituação de classes de palavras e suas implicações para o ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa. In: Gêneros discursivos: propostas de análise e aplicação. Orgs: Gurpilhares, M. S. Sardinha; Lucas, Jeane. Lorena: Grafist, 2009.

LIMA, Carlos H. da Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1978.

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LOBATO, L. M. Pinheiro. Sintaxe Gerativa do Português – da Teoria Padrão à Teoria da Regência e Ligação. Belo Horizonte: Vigília, 1986.

LYONS, John. Introdução à Linguística Teórica. São Paulo: Editora da USP, 1979.

MATTOS e Silva, Rosa. Tradição Gramatical e Gramática Tradicional. São Paulo: Contexto, 1989.

NEVES, M. H. Moura. Tradição do desequilíbrio. In: Revista Língua, nº 110. São Paulo: Camila Ploennes, 2014.

OLIVEIRA, Fernão de. Gramática da Linguagem Portuguesa. 1ª ed. (1536). Lisboa. 2000. PEREIRA, E. Carlos. Grammatica Expositiva. 8ª ed. São Paulo: Nacional, 1918.

RIBEIRO, Julio. Grammatica Portugueza. 11ª ed. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1913.

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Referências

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