Datas da visita: 5 a 7 de Março de 2008
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GRUPAMENTO
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SCOLAS DE
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ONCARAPACHO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o lançamento de um “programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho”.
Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento Vertical de Escolas de Moncarapacho realizada pela equipa de avaliação que visitou esta Unidade de Gestão entre 5 e 7 de Março de 2008.
Os capítulos do relatório ― caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação por domínio, avaliação por factor e considerações finais ― decorrem da análise dos documentos fundamentais da Unidade de Gestão, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento Vertical de Escolas de Moncarapacho, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere.
A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pelo agrupamento, será oportunamente disponibilizado no sítio Internet da IGE (www.ige.min-edu.pt).
E sca la de ava lia ção ut iliza da
N ív eis de cla ssif ica ção do s cinco domínios na U nidade de Gest ão
Muito Bom ― Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base emprocedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos.
Bom ― Revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em
procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos.
Suficiente ― Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos
positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da Unidade de Gestão. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos.
Insuficiente ― Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. Não demonstra uma prática coerente e
não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos.
II – Caracterização do Agrupamento
O Agrupamento Vertical de Escolas de Moncarapacho situa-se no concelho de Olhão, distrito de Faro. Foi constituído no ano lectivo de 2002/2003 e dele fazem parte a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos (EB2/3) Dr. António João Eusébio (escola sede) e a Escola Básica do 1.º Ciclo/Jardim de Infância (EB1/JI) de Moncarapacho. Na sua formação inicial estavam incluídas mais três escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) – Maragota, Estiramantens e Pereiro – que, posteriormente, foram encerradas.
No ano lectivo de 2007/2008, o Agrupamento é frequentado por 515 crianças/alunos: 50 na educação pré-escolar (2 grupos), 214 no 1.º CEB (10 turmas), 105 no 2.º CEB (5 turmas) e 112 no 3.º CEB (6 turmas). Existem ainda 2 cursos de educação e formação (CEF) frequentados por 34 alunos: 1 turma (18 alunos) no curso de Acção Educativa e outra (16 alunos) no de Instalação e Operação de Sistemas Informáticos. Para além do ensino regular, funcionam, em regime nocturno, 1 curso de alfabetização do 1.º CEB (13 alunos) e 4 cursos formativos, sendo 2 turmas de Inglês (36 alunos), 2 de Informática (44 alunos), 1 de Português para estrangeiros (28 alunos) e 1 de Higiene e Segurança no Trabalho (20 alunos).
No Agrupamento, trabalham 61 docentes: 18 (30%) do quadro de escola, 24 (39%) do quadro de zona pedagógica e 19 (31%) contratados. O pessoal não docente é constituído por 31 trabalhadores: 8 funcionários administrativos e 23 auxiliares/assistentes de acção educativa. Destes funcionários, 20 (65%) são contratados, 8 (25%) pertencem ao quadro do Agrupamento e 3 (10%) são do quadro da autarquia.
As instalações da escola sede distam cerca de 100 metros dos edifícios da EB1/JI. Aquela escola foi construída em 2001/2002 e integra um edifício constituído por dois pisos e um pavilhão gimnodesportivo. Para além das salas de aula, existem outros espaços, como biblioteca/centro de recursos (BE/CRE), auditório, reprografia, papelaria, salas de Informática e de Educação Visual e Tecnológica, laboratórios de Ciências e de Físico-Química e salas de professores e de convívio de alunos. A EB1/JI é uma construção do tipo Plano dos Centenários, inaugurada no ano lectivo de 1958/1959, embora o JI tenha sido criado apenas em 1992/1993. Esta unidade escolar é constituída por cinco salas de aula e duas salas de actividades, uma sala onde funcionam as actividades de tempos livres (ATL), cozinha, refeitório, instalações sanitárias, arrecadações e zona de recreio.
III – Conclusões da avaliação por domínio
1. Resultados Suficiente
Os resultados escolares dos alunos são submetidos, no final de cada período lectivo, a análise e reflexão no conselho de docentes, nos departamentos curriculares e/ou grupos disciplinares e no Conselho Pedagógico (CP). Como resultado desta análise, e no intuito de combater o insucesso e o abandono escolares, foi alargada a oferta de CEF. Foram igualmente implementadas diversas medidas organizativas no sentido da melhoria das competências de Língua Portuguesa e Matemática, entre as quais se destacam a atribuição da componente do currículo de decisão do Agrupamento a “oficinas” de escrita e de cálculo e a dinamização de actividades por parte de todos os níveis de educação/ensino, no âmbito do Plano Nacional da Leitura. Contudo, e apesar dos resultados dos exames do 9.º ano, em 2006, se terem aproximado das médias nacionais, em 2007 os valores médios obtidos em Matemática desceram de 2,3 para 1,7. Nas provas de aferição dos 4.º e 6.º anos, tanto em Língua Portuguesa como em Matemática, as percentagens de classificações positivas foram inferiores às médias nacionais. Quanto às taxas de conclusão dos diferentes ciclos de ensino, no ano lectivo de 2006/2007, constatou-se que a mais elevada foi no 2.º CEB (89,2%), a que se seguiu o 3.º CEB (86,1%) e, por último, o 1.º CEB (83,9%). A taxa de abandono escolar situou-se nos 0,2%.
A educação para a cidadania é promovida através da adesão a projectos que contemplam actividades orientadas para a educação ambiental, a saúde e o desporto. A diversidade cultural dos alunos e o património histórico da localidade também são aproveitados no sentido da formação pessoal e social. Todavia, a participação dos alunos e dos EE nas reuniões dos conselhos de turma não está instituída, sendo reduzido o seu envolvimento na tomada de decisões do Agrupamento. Os alunos têm um comportamento disciplinado e assiduidade regular. A oferta de CEF e de cursos de educação e formação de adultos (CEFA) tem contribuído para um maior impacto e valorização da actividade escolar, na medida em que não só corresponde aos interesses e às necessidades dos alunos, mas também tem reflexos ao nível da sua empregabilidade.
2. Prestação do serviço educativo Suficiente
A articulação entre os diferentes ciclos de ensino é reduzida. Embora sejam desenvolvidas diversas actividades em conjunto, designadamente a comemoração das datas festivas e a dinamização do Plano Nacional da Leitura e de
vários projectos no âmbito das bibliotecas escolares, não existem procedimentos que assegurem a sequencialidade curricular entre os diferentes ciclos. São realizadas reuniões para análise e discussão das dificuldades manifestadas pelos alunos nos vários ciclos e são discutidas algumas estratégias de superação, em particular nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática. Contudo, este processo carece de uma abordagem mais formal e sistemática. Não é contínuo e regular o processo de planeamento, execução e avaliação, no sentido da melhoria dos resultados alcançados.
A interdisciplinaridade nos 2.º e 3.º CEB é insuficiente. Apesar de serem realizadas actividades que envolvem professores de várias disciplinas – “Entrudo a Montante”, o “Museu Escolar” e os clubes “Artes Visuais” e “Artes e Letras”, dinamizados articuladamente por professores de Educação Visual e Tecnológica, Línguas e História –, estas iniciativas enquadram-se principalmente nas actividades de complemento curricular. A análise dos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas não tem sido uma prática sistemática, desenvolvida no sentido de uma melhor gestão curricular, designadamente nas disciplinas que abordam conteúdos afins.
Não existe acompanhamento da prática lectiva em sala de aula. Apesar das planificações trimestrais e anuais serem elaboradas em sede de conselho de docentes e em departamento curricular e/ou grupo disciplinar, a planificação das aulas é feita individualmente, não existindo mecanismos de supervisão desse planeamento, nem das evidências da sua concretização.
No sentido da diferenciação pedagógica, são dados apoios pedagógicos aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE). Também são aplicados planos de recuperação e de acompanhamento, realizados pelos professores/directores de turma e dados a conhecer aos respectivos EE. Aos alunos de nacionalidade estrangeira que necessitem são disponibilizadas aulas de Língua Portuguesa.
No sentido de diversificar as actividades escolares, são oferecidas actividades de complemento/enriquecimento curricular, como os clubes, a Actividade Física e Desportiva, a Educação Musical e o Inglês. Em regime nocturno, são proporcionadas acções formativas que contribuem para uma maior abrangência do currículo, chamando à escola elementos da comunidade local que pretendem melhorar a sua qualificação profissional.
3. Organização e gestão escolar Bom
Tendo em conta as características do meio e do Agrupamento, o Projecto Educativo (PE) enuncia as metas a atingir e as medidas a implementar: “preservar a memória, estruturar o presente e preparar o futuro”, através de um processo de ensino e aprendizagem que privilegia a “qualidade pedagógica e científica”. Neste sentido, propõe-se melhorar os recursos humanos, as infra-estruturas e os equipamentos, bem como a gestão curricular e organizacional. O Plano Anual de Actividades (PAA) contempla essencialmente as iniciativas a dinamizar no âmbito dos projectos de complemento curricular.
A coordenação dos conselhos de docentes e dos departamentos curriculares é assumida pelos respectivos educadores/professores titulares. Os critérios de distribuição do restante serviço docente, para além do estipulado nos normativos, vai ao encontro do definido no CP: garantem a continuidade dos grupos/turma e de projectos pelos mesmos docentes; na atribuição das turmas dos CEF, é considerado o perfil dos professores. Contudo, a gestão dos recursos humanos, sobretudo do pessoal não docente, nem sempre tem dado resposta às necessidades da EB1/JI.
A escola sede possui espaços diversificados e os alunos intervêm no embelezamento dos mesmos. Na EB1/JI o número de salas de actividades/aula é insuficiente, face ao elevado número de crianças/alunos, o que faz com que exista uma lista de espera de crianças que não têm vaga no JI e que seis turmas do 1.º CEB funcionem em regime duplo. Os restantes espaços também são de reduzida dimensão, em particular a sala de ATL, a cozinha e o refeitório. No entanto, é de relevar a intervenção da associação de pais/encarregados de educação (APEE) na melhoria destas instalações, sobretudo das zonas de recreio. A segurança das crianças/alunos nos espaços escolares, apesar de ser um objectivo comum ao Agrupamento e à APEE, ainda não teve uma resposta eficaz por parte da autarquia, nomeadamente no que se refere à criação de passeios que assegurem melhores condições de acesso entre a escola sede e a EB1/JI.
A interacção com as famílias e a comunidade local é igualmente um dos objectivos do Agrupamento. É incentivada a intervenção dos EE na vida escolar, designadamente através das actividades de acolhimento realizadas no início do ano lectivo e do seu envolvimento nas festas organizadas durante o ano.
4. Liderança Suficiente No PE relativo ao triénio 2006/2009, estão registadas as linhas orientadoras da acção do Agrupamento, especificadas em “perfis de mudança desejados”. A concretização destas mudanças passa pelo envolvimento das entidades locais na vida escolar, numa lógica de “mecenato”, de modo a colmatar a carência de recursos e a promover a “imagem” do Agrupamento na comunidade.
O pessoal docente e não docente mostrou-se empenhado. Contudo, é reduzido o dinamismo ao nível das lideranças intermédias, cujos coordenadores assumem essencialmente um papel de cumprimento das orientações do CP. A Assembleia tem tido uma actuação interventiva nas decisões do Conselho Executivo (CE) e do CP e na auscultação dos diferentes agentes educativos, em particular do corpo docente e da APEE.
A adesão às novas tecnologias é uma aposta do Agrupamento, visível na oferta de cursos de informática (CEF e CEFA) e na dinamização de projectos que permitem o acesso a equipamento informático (computadores portáteis e quadros interactivos). Contudo, a utilização destes recursos em sala de aula não é generalizada.
O estabelecimento de parcerias e a assinatura de protocolos com entidades locais e regionais é uma estratégia utilizada para a concretização do PE, que tem viabilizado a prestação de serviços como o almoço e os transportes, bem como a oferta de actividades curriculares e de complemento/enriquecimento curricular. No entanto, estas parcerias ainda não respondem às necessidades do Agrupamento, nomeadamente no que respeita às condições das instalações da EB1/JI, da competência da autarquia.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento Suficiente
São diversos os registos de auto-avaliação produzidos pelo Agrupamento. Contudo, nas declarações dos entrevistados foi evidente a reduzida consistência e sustentabilidade dos processos avaliativos desenvolvidos, designadamente por parte da “equipa de auto-avaliação”. Os resultados da aplicação de questionários em dois momentos diferentes (2005/2006 e 2007/2008) não deram origem à elaboração e implementação de planos de melhoria partilhados por todos os intervenientes escolares. Tal facto poderá condicionar a melhoria dos resultados académicos dos alunos e o desenvolvimento organizacional. Porém, existem factores que parecem favorecer o progresso do Agrupamento, como o bom relacionamento interpessoal, a diversidade cultural e a crescente participação da comunidade local.
IV – Avaliação por factor 1. Resultados
1.1 Sucesso académico
A comparação das classificações obtidas nas provas de aferição pelos alunos do Agrupamento com os resultados a nível nacional, no ano lectivo de 2006/2007, revela percentagens de níveis negativos superiores às referências nacionais, tanto em Matemática como em Língua Portuguesa, nos 4.º e 6.º anos. A diferença mais evidente ocorreu em Língua Portuguesa, no 4.º ano, constatando-se 23,2% de classificações negativas no Agrupamento e 9,4% a nível nacional. Em Matemática, neste ano de escolaridade, a percentagem de valores negativos foi de 28,1%, tendo sido a média nacional de 16,9%. No 6.º ano, em Língua Portuguesa e em Matemática, foram de 27% e 45,9%, respectivamente, enquanto os resultados nacionais foram de 16,6% e 43,1%.
Em 2006, as médias obtidas pelos alunos do 9.º ano, nos exames nacionais de Língua Portuguesa e de Matemática (2,7 e 2,3, respectivamente), situaram-se abaixo das classificações internas (3,8 e 3,7). Em Língua Portuguesa, nos exames, acompanharam a média nacional (2,7) e, em Matemática, posicionaram-se abaixo 0,1 valores (2,2). No ano de 2007, os valores obtidos em Língua Portuguesa (3,1) aproximaram-se da média nacional (3,2) e superaram a classificação interna (2,9). Em Matemática, os resultados no exame (1,7) baixaram consideravelmente, não só em relação à média nacional (2,2), mas também ao ano de 2006 (2,3).
No ano lectivo de 2006/2007, as taxas de conclusão nos 1.º, 2.º e 3.º CEB foram de 83,9%, 89,2% e 86,1%, respectivamente. A menor percentagem de conclusão do 1.º CEB foi justificada pela integração dos alunos provenientes das escolas encerradas.
A análise dos resultados académicos dos alunos é realizada no conselho de docentes, nos departamentos curriculares/grupos disciplinares e no CP. Esta análise ocorre por período e no final do ano lectivo, momento em que esta informação é tratada relativamente a níveis por disciplina e a transições e aprovações por anos de escolaridade. Entre outras medidas para combater o insucesso, o Agrupamento criou dois CEF, de modo a dar
resposta aos interesses e às necessidades dos alunos com maiores problemas de aprendizagem e em risco de abandono escolar. Para a melhoria das competências de Língua Portuguesa e de Matemática, o Estudo Acompanhado, no 3.º CEB, foi atribuído àquelas disciplinas, em tempos de 45 minutos cada. Foram igualmente implementados apoios pedagógicos nestas áreas de aprendizagem, dirigidos a todos os alunos do ensino regular. Dada a diversidade de nacionalidades dos alunos, foram ainda implementadas aulas de apoio aos alunos com Português como língua não materna. O tempo lectivo a decidir pelo Agrupamento foi atribuído a “oficinas” de escrita (6.º ano) e de cálculo (5.º, 7.º e 8.º anos), como reforço destas disciplinas. Em todas as turmas dos 2.º e 3.º CEB, um tempo semanal de 45 minutos de Matemática ocorre em assessoria, no âmbito do Plano de Acção da Matemática. Todos os grupos/turmas têm actividades integradas no Plano Nacional da Leitura, que levaram, entre outras iniciativas, à edição do livro “Antologia Poética”.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
O PE privilegia a formação pessoal e social das crianças/alunos, através da partilha de diferentes culturas, uma vez que o Agrupamento é frequentado por alunos provenientes de doze nacionalidades. As sessões temáticas sobre “Higiene e Saúde Oral” e “A sexualidade na adolescência”, realizadas com a colaboração da equipa de saúde escolar, têm promovido a educação para a cidadania e a interacção entre os alunos, os EE e a comunidade local. Estas actividades resultam dos planos de acção do Agrupamento e da APEE, quer em acção isolada, quer em parceria. O “Museu Escolar”, criado no presente ano lectivo, e o projecto “Presépios” são iniciativas que visam preservar o património histórico e cultural da comunidade. A “feira do livro usado”, realizada no âmbito das actividades da BE/CRE, e o “Parlamento dos Jovens”, que visa promover a intervenção dos alunos como cidadãos, também contribuem para a sua formação cívica. Contudo, não está instituída a participação dos alunos e dos EE nas reuniões dos conselhos de turma, à excepção dos de natureza disciplinar, o que condiciona o seu envolvimento na tomada de decisões do Agrupamento.
1.3 Comportamento e disciplina
Existe um bom relacionamento interpessoal entre crianças/alunos, docentes e não docentes. As situações de indisciplina e/ou violência são praticamente inexistentes. No presente ano lectivo, há apenas a registar um processo disciplinar. O ambiente em sala de aula é tranquilo e favorável ao processo de ensino e aprendizagem. Quando se verificam comportamentos menos adequados por parte dos alunos, quer na sala de aula, quer no espaço escolar, os docentes, os auxiliares de acção educativa e o CE procuram intervir de imediato, de modo a evitar a repetição de tais atitudes. Na recepção aos alunos e EE, no início do ano lectivo, são dadas a conhecer as normas de funcionamento do Agrupamento, constantes do Regulamento Interno (RI). Na Formação Cívica, aquelas regras são analisadas, reforçando atitudes positivas nos alunos. Nas salas de actividades/aula, estão afixadas algumas normas de conduta. A assiduidade dos alunos é regular. Sempre que se verificam situações de ausência prolongada, os directores/professores titulares de turma intervêm junto dos EE, no sentido de evitar o abandono escolar.
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens
De modo a ir ao encontro das metas definidas no PE, e no sentido de dar resposta às necessidades da população escolar, o Agrupamento, em oferta educativa mais alargada, tem vindo a implementar CEF e a dinamizar actividades de complemento curricular na escola sede. Desde o ano lectivo de 2006/2007, são proporcionados cursos de alfabetização do 1.º CEB e de Português para estrangeiros, que têm contribuído para uma valorização das aprendizagens escolares por parte da comunidade local. A oferta dos CEF e a integração destes alunos na vida activa, com a sua colocação profissional em empresas/instituições locais, têm contribuído para um impacto positivo na comunidade. Perspectivam-se níveis de empregabilidade elevados para os alunos que frequentam os actuais CEF, sobretudo o de Acção Educativa. Estes alunos, no âmbito dos estágios curriculares, desenvolvem práticas pedagógicas nos JI da comunidade, sendo previsível a sua inserção profissional nestas instituições após a conclusão do curso.
2. Prestação do serviço educativo 2.1 Articulação e sequencialidade
A articulação entre os diferentes níveis de educação/ensino baseia-se essencialmente no desenvolvimento de iniciativas a realizar no âmbito da comemoração das efemérides e dos projectos extracurriculares, previstas no PAA. O conselho de docentes de articulação curricular, constituído por educadores de infância e por professores
de diferentes ciclos, reúne trimestralmente e tem vindo a identificar as competências a adquirir em cada um dos níveis de educação/ensino. Esta análise tem incidido nas áreas disciplinares de Língua Portuguesa, Matemática e Inglês. Todavia, deste processo não resultam planos de articulação e de sequencialidade curricular, continuamente avaliados no sentido da sua sistemática reformulação e melhoria.
Nas práticas pedagógicas, foi mais evidente a articulação entre a educação pré-escolar e o 1.º CEB. Os docentes partilham os mesmos espaços e cooperam na dinamização de projectos e actividades, como a “Sala da Fifi”, integrada na BE/CRE, e o Plano Nacional da Leitura. Contudo, a planificação e a avaliação destas acções assume um carácter essencialmente informal. Na transição do JI para o 1.º CEB, os educadores transmitem informações sobre o comportamento e as aprendizagens das crianças aos professores do 1.º ano. Por sua vez, alguns professores do 4.º ano participam na constituição das turmas do 5.º ano. O facto de algumas turmas do 4.º ano funcionarem na escola sede parece facilitar a transição daqueles alunos para o 2.º CEB.
Nos 2.º e 3.º CEB, é reduzida a articulação entre os diferentes departamentos curriculares. Os grupos disciplinares, isoladamente, asseguram o planeamento das actividades lectivas, reflectem sobre as práticas, analisam os resultados académicos dos alunos, elaboram instrumentos de avaliação e partilham experiências e alguns materiais específicos. Nos conselhos de turma, são programadas acções pontuais que envolvem mais que um professor, sendo realizadas algumas actividades em conjunto no âmbito da Área de Projecto, bem como visitas de estudo. Ao nível da abordagem dos conteúdos programáticos não foi evidente um trabalho articulado.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
Não existe um acompanhamento e uma supervisão da prática lectiva dos docentes. A preparação das aulas acontece de forma individualizada, parecendo delegar-se nos diferentes educadores/professores a opção pelas metodologias usadas no processo de ensino e aprendizagem. São excepção as disciplinas de Estudo Acompanhado e de Educação Visual e Tecnológica, leccionadas em par pedagógico. Nas reuniões de conselho de docentes e de departamento, no final dos períodos lectivos, é feita a análise dos resultados dos alunos, bem como o balanço dos conteúdos programáticos leccionados. Aos professores é solicitada uma justificação quando não são cumpridas as planificações previamente elaboradas. Há partilha de materiais e de testes de avaliação entre alguns docentes que leccionam a mesma disciplina e/ou ano de escolaridade, ainda que com carácter informal e pouco sistemático. Existem dossiês onde os professores colocam esses instrumentos de trabalho.
Os professores que chegam pela primeira vez ao Agrupamento recebem orientações, por parte do CE, dos coordenadores dos respectivos departamentos ou do conselho de docentes. A reunião geral de professores realizada no início do ano lectivo também pretende integrar os novos professores, momento em que lhes são disponibilizados os documentos estruturantes da acção educativa, como o PE e o RI.
2.3 Diferenciação e apoios
No ano lectivo de 2007/2008, existem nove crianças/alunos com NEE. Estes alunos têm planos educativos individuais e são apoiados por uma professora da educação especial e por uma professora do apoio socioeducativo. A identificação das crianças/alunos com NEE pelos docentes dos diferentes grupos/turmas antecede a avaliação diagnóstica que é feita em articulação com a psicóloga do Centro de Saúde e os EE. A partir deste diagnóstico, são determinadas as medidas a adoptar, quer junto dos alunos, quer do seu agregado familiar, quando a situação o justifica. Entre outras medidas, foi implementado o apoio pedagógico, por parte das referidas professoras, dentro e fora da sala de aula. Também foram realizados planos de recuperação e de acompanhamento, no intuito de adequar as estratégias às especificidades dos alunos. No presente ano lectivo, foram realizadas sessões formativas sobre a aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), que contaram com a colaboração da Direcção Regional de Educação do Algarve. Aos alunos de nacionalidade estrangeira (10%) são facultadas aulas suplementares de Língua Portuguesa.
2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem
O PE e o PAA apresentam objectivos, estratégias e iniciativas que visam promover a interacção escola/meio. Para tal, são dinamizados alguns projectos e actividades de complemento/enriquecimento curricular. Estas iniciativas pretendem diversificar as aprendizagens dos alunos e contemplam particularmente a educação para a saúde, a educação ambiental e o desporto. São exemplos destas actividades os projectos “NAC-Jovem” (Núcleo de Apoio à Criança e ao Jovem), Promoção e Educação para a Saúde (PES), Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte (PREAA), Eco-Escolas e Desporto Escolar. As expressões artísticas são trabalhadas particularmente nos projectos “Juventude, Escola e Cinema”, “Portal Mágico”, “A arte – um primeiro olhar – presente, passado e futuro”, “Magia –
uma arte de ensinar”, “A arte das descobertas dos jogos” e clubes de “Artes e Letras”, “Artes Visuais” e “Rádio”. A adesão dos alunos a estas iniciativas é significativa. No entanto, a insuficiência de espaços condiciona a qualidade do serviço prestado, em particular às crianças/alunos da EB1/JI, onde não existem espaços próprios para a realização destas actividades. Algumas decorrem na escola sede, mas em espaços pouco acolhedores, como um anexo do pavilhão gimnodesportivo. A valorização do ensino experimental não tem grande relevo. Os alunos referiram algumas experiências realizadas no âmbito das ciências, embora com pouca regularidade. Alguns professores do 1.º CEB frequentam o Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências, sendo pouco evidente, no entanto, a partilha das experiências com os colegas.
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
O PE para o triénio 2006/2009 resultou do trabalho realizado por uma equipa constituída por docentes dos diferentes níveis de ensino e por um representante da APEE. Este documento teve por base a informação recolhida através da aplicação de questionários a alunos, pessoal docente, não docente e EE. Em resultado da análise das necessidades e dos problemas evidenciados por estes intervenientes, foram identificadas algumas estratégias no sentido da melhoria da qualidade e do sucesso educativo, em particular o estabelecimento de mais parcerias com entidades locais. Também foram elaborados projectos curriculares, onde estão registadas as competências a adquirir pelos alunos nos diferentes ciclos. Contudo, é insuficiente a articulação entre estes documentos, o que também se reflecte nas práticas pedagógicas. Do PAA constam as propostas apresentadas pelos diferentes departamentos, grupos disciplinares e conselhos de docentes, não sendo evidente o seu desenvolvimento articulado. Este documento inclui as actividades relativas à comemoração das efemérides, as visitas de estudo, os projectos a dinamizar nas diferentes unidades escolares e as acções de formação que, a nível interno, serão promovidas. Não estão integradas as actividades a desenvolver pela APEE, autonomamente ou em parceria. 3.2 Gestão dos recursos humanos
Existem critérios de distribuição do serviço docente que resultam de orientações do CP, em concordância com os normativos legais. O CE dá prioridade a professores do quadro, de modo a garantir a estabilidade e a continuidade do trabalho e a viabilizar planos/projectos anuais e plurianuais. Os grupos/turmas são acompanhados, na sua grande maioria, pelo mesmo director/professor titular de turma e pela mesma equipa de professores, ao longo do ciclo de ensino. Nas turmas CEF, tem-se em atenção o perfil dos professores, procurando-se que exista uma maior empatia entre alunos e professores, de modo a que a resposta educativa seja mais eficaz. A coordenação dos conselhos de docentes e dos departamentos curriculares é assumida pelos respectivos educadores/professores titulares.
Foi salientada a insuficiência de funcionários, quer na escola sede, quer na EB1/JI. Três auxiliares que colaboram no JI pertencem ao quadro da autarquia e alguns funcionários que realizam as ATL estão integrados no plano ocupacional do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Os objectivos fixados para a avaliação do desempenho dos auxiliares de acção educativa nem sempre são adequados às respectivas funções. O serviço administrativo funciona com base na atribuição de áreas específicas a cada funcionário, não estando prevista a rotatividade de funções. O afastamento por doença, com carácter prolongado, da responsável pelo serviço de acção social escolar (SASE) implicou que a chefe dos serviços de administração escolar tivesse de proceder à formação e ao acompanhamento de uma outra funcionária, de modo a que fosse ultrapassada esta situação. A falta de assiduidade do pessoal não docente, apesar de pouco expressiva, é remediada com a redistribuição das tarefas. A substituição dos docentes do 1.º CEB e do JI é assegurada pela professora do apoio socioeducativo e/ou pelos elementos do CE daqueles níveis de educação/ensino. Quando tal não é possível, as crianças/alunos são encaminhados para as ATL. Nos 2.º e 3.º CEB, estão previstos a permuta de aulas, a leccionação de aulas de substituição ou, em última alternativa, o desenvolvimento de actividades orientadas por professores responsabilizados por esse serviço.
O Agrupamento tem desenvolvido algumas acções de formação interna para pessoal docente, resultantes das necessidades por eles evidenciadas e contempladas no PAA: “Utilização de audiovisuais em contexto de sala de aula” e “Plataforma Moodle”, entre outras. Três professores tiveram formação sobre os quadros interactivos, com o objectivo de, internamente, procederem à partilha dessas experiências. Para o pessoal não docente, o CE dinamizou uma acção sobre a “Avaliação de Desempenho”. Também são solicitadas acções ao Centro de Formação Dâmaso da Encarnação, sediado na EB2/3 Dr. Alberto Iria, em Olhão, quando, a nível interno, não é possível responder às necessidades.
3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
O CE e a APEE têm desenvolvido procedimentos no sentido da melhoria dos recursos físicos, de modo a serem criadas melhores condições de bem-estar para os seus utentes. As instalações da EB1/JI têm vindo a ser progressivamente melhoradas, não só em consequência de pontuais intervenções da autarquia, mas também em resultado da participação da APEE, que, entre outros aspectos, efectuou melhoramentos no parque infantil e procedeu à cobertura de um passeio entre os diferentes edifícios. Contudo, as salas de actividades/aulas estão degradadas e são insuficientes, pelo que seis turmas se encontram a funcionar em regime duplo. O número elevado de alunos neste ciclo de ensino levou a que, desde o ano lectivo de 2005/2006, duas turmas do 4.º ano desenvolvam as actividades lectivas na escola sede. Acrescenta-se também a utilização de uma sala da EB1 para criar mais uma sala de actividades para as crianças do JI, de modo a minimizar os efeitos da lista de espera ainda existente. A componente de animação socioeducativa, por insuficiência de espaços, funciona nas salas de actividades. As crianças deslocam-se três vezes por semana à escola sede para realizarem actividades de psicomotricidade, visualizarem filmes e utilizarem a BE/CRE e a “Sala da Fifi”. A cantina da EB1/JI está sob a responsabilidade da APEE, que assegura o serviço de almoço das crianças/alunos desta escola, assumindo também as remunerações das três funcionárias que aí trabalham. A elaboração das ementas é supervisionada por um elemento desta associação com formação na área da saúde.
A segurança é uma preocupação comum ao Agrupamento e à APEE. Foi constituída uma equipa que integra elementos da APEE e docentes de todos os ciclos de ensino que é responsável pela elaboração dos planos de prevenção e de emergência dos edifícios da EB1/JI. A acessibilidade a esta escola também suscita preocupações. A via demasiado estreita e a inexistência de passeios no percurso entre a EB1/JI e a escola sede levantam problemas de segurança na deslocação diária das crianças/alunos para a realização de actividades curriculares e de enriquecimento curricular desenvolvidas na EB2/3. Apesar dos inúmeros contactos junto da autarquia, esta entidade ainda não apresentou uma resposta para a resolução deste problema.
Os edifícios escolares que compõem o Agrupamento permitem o acesso a pessoas com mobilidade condicionada. As instalações da escola sede são adequadas e o estado de conservação das salas de aula é bom. Os laboratórios e as salas específicas são adequados e não foi evidenciada, pelos entrevistados, qualquer falta de material que impedisse a realização de trabalhos ou a prática experimental. Na decoração dos espaços interiores e exteriores, são implicados os alunos, em resultado de actividades promovidas nas disciplinas de Educação Visual e Tecnológica e na Área de Projecto.
A gestão dos espaços é feita de modo a atribuir, preferencialmente, uma sala a cada turma. O apetrechamento informático dos espaços é um objectivo do Agrupamento. Na sala de informática e na BE/CRE da escola sede, os alunos têm acesso a computadores com ligação à Internet. Porém, os entrevistados manifestaram a necessidade de dotar o espaço da BE/CRE com equipamento informático mais actualizado. Na EB1/JI todas as salas de aula/actividades possuem um computador com acesso à Internet, embora esta funcionalidade careça de intervenção, dado estar frequentemente inacessível.
As receitas do Agrupamento derivam, principalmente, da candidatura a projectos financiados pelo Fundo Social Europeu, do contributo de mecenas para projectos apresentados pelos docentes e do aluguer do pavilhão gimnodesportivo a uma entidade bancária e a associações de índole desportiva. Os lucros do bufete e da papelaria e as importâncias realizadas aquando das feiras “do livro” e “da flor” também têm permitido a angariação de fundos.
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
Foi evidente a interligação do Agrupamento com o meio, nomeadamente através de um projecto que surgiu no JI, que envolveu os EE e que culminou com a edição do livro “A Boneca Rebeca”, e da sua participação no “Entrudo a Montante”, uma actividade da responsabilidade do Agrupamento e de referência no concelho. No entanto, segundo os entrevistados, o envolvimento dos EE na vida escolar é insuficiente, sobretudo nos níveis de escolaridade mais elevados. Quando convidados para participarem nas actividades dinamizadas no contexto escolar, comparecem em reduzido número, tal como sucedeu na sessão “Os pais e os livros” que ocorreu na “Semana da Leitura”, integrada no plano de acção da BE/CRE. Outras iniciativas são levadas a efeito para motivar o envolvimento dos EE: a recepção aos alunos e respectivos EE, no início do ano lectivo; a criação da página da Internet, onde consta informação relativa às actividades escolares; e a sua auscultação no processo de auto-avaliação. Todavia, o CE nem sempre tem criado condições que permitam a realização das actividades que a APEE se propõe realizar, por sua própria iniciativa. Por condicionalismos do Agrupamento, no presente ano lectivo, não se realizou o “Natal multicultural” proposto por aquela associação. A Casa do Povo de Moncarapacho, em
articulação com o Agrupamento e a APEE, organiza o “Mês das Escolas” e colabora nas actividades alusivas ao “Dia Internacional das Bibliotecas Escolares”. Com a Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho, foi comemorado o “Dia Mundial da 3.ª Idade”. A APEE realizou sessões de esclarecimento vocacional aos alunos do 9.º ano, implicando uma psicóloga e um docente da Universidade do Algarve.
3.5 Equidade e justiça
Tal como é estabelecido no PE, o Agrupamento tem, entre outros desafios, o objectivo de promover o respeito pela diversidade cultural e a integração plena de todos os alunos. Neste sentido, alargou a oferta formativa através dos CEF, tendo em vista a inserção na vida activa. Mais recentemente a criação de cursos de Português para estrangeiros e de alfabetização vieram também dar resposta às necessidades do meio, de modo a criar condições de igualdade de oportunidades no seio da população.
No intuito de assegurar um processo avaliativo dos alunos mais justo, os professores, nos grupos disciplinares em que existe mais do que um docente, procuram partilhar fichas de trabalho e proceder conjuntamente à elaboração de planificações e à definição de critérios de avaliação.
4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
O CE assume uma liderança que, segundo as suas palavras, assenta em princípios de uma “hierarquia diluída, democrática e com autonomia na gestão curricular”. Em coerência com este princípio, os entrevistados manifestaram um juízo de valor positivo sobre as práticas de gestão e evidenciaram a liderança democrática assumida pelo CE. Foram excepção os alunos e os EE, que denunciaram algumas situações que motivam o seu desagrado, em particular o seu reduzido envolvimento na tomada de decisões. Não foi visível uma actuação dinâmica e dinamizadora dos diferentes elementos que integram as estruturas intermédias de orientação educativa, marcada por iniciativas criativas e inovadoras, designadamente no que se refere às práticas em sala de aula. Os coordenadores dos departamentos curriculares e dos conselhos de docentes e de directores de turma parecem limitar a sua actuação ao cumprimento das orientações emanadas do CP, sem grande capacidade de, ao nível do seu grupo disciplinar, apresentarem propostas geradoras da melhoria das aprendizagens e dos resultados nas respectivas disciplinas. É reduzida a supervisão, o acompanhamento e a partilha de experiências, no sentido de promover a diversificação e a diferenciação das práticas pedagógicas na sala de aula e a consequente melhoria dos resultados académicos dos alunos.
4.2 Motivação e empenho
Estão instituídas algumas práticas no sentido de elevar a motivação e o empenho das crianças/alunos, do pessoal docente e não docente e dos EE. No primeiro dia de actividades lectivas, todos os alunos são convidados a apresentar-se na escola com os respectivos EE. É prestado um acompanhamento especial às crianças da educação pré-escolar e aos alunos dos 1.º e 5.º anos, por parte dos educadores/professores/directores de turma. É distribuído um documento que sintetiza, entre outros aspectos, os direitos e deveres dos alunos, o calendário escolar, os critérios gerais de avaliação e os horários dos serviços prestados no Agrupamento. Também é feita uma reunião por grupo/turma que, para além do docente titular/director de turma, conta com a presença da coordenadora de estabelecimento e/ou de um elemento do CE. Nas turmas do 5.º ano, é realizada, com a colaboração de um professor de História, uma sessão sobre as características históricas e geográficas da vila de Moncarapacho. Os alunos também são motivados para participarem em concursos promovidos, a nível regional e nacional, no âmbito da educação ambiental e da literatura – “Leitor do Ano” e “Ajude já antes que arrefeça” –, sendo de destacar os diversos prémios que ganharam.
A integração e a motivação dos docentes são promovidas na reunião geral realizada no início do ano lectivo, seguida de um almoço convívio. Aos novos professores são disponibilizados o PE e o RI, embora não lhes seja proposta uma visita às diferentes unidades escolares que integram o Agrupamento, existindo professores que não conhecem as instalações da EB1/JI. O coordenador do conselho de docentes e o coordenador pedagógico dos 2.º e 3.º CEB também reúnem com os directores/professores titulares de turma, com o objectivo de lhes darem orientações e esclarecimentos quanto às funções inerentes aos cargos pedagógicos que assumem.
A Assembleia mostra motivação e empenho no exercício das suas competências. Tem vindo a assumir um papel de supervisão das decisões do CP e do CE, sendo um exemplo desta actuação a discordância quanto à organização dos departamentos curriculares proposta pelo CP. Acompanha de perto a vida escolar e procura recolher as
sugestões dos diferentes agentes escolares (colocação de um dispositivo na sala de professores para recolha anónima de críticas/propostas). Também dá a conhecer as ordens de trabalho e as decisões tomadas nas reuniões, através da sua afixação em quadro próprio.
4.3 Abertura à inovação
A adesão às novas tecnologias é uma aposta actual do Agrupamento, visível na dinamização de projectos que viabilizaram a aquisição de 24 computadores portáteis e 2 quadros interactivos. A utilização destes equipamentos em sala de aula tem vindo a ser progressiva. Esta não é, contudo, uma prática regular e generalizada, tendo sido evidente a necessidade de formação, principalmente no que se refere aos quadros interactivos.
As acções formativas proporcionadas à população adulta no âmbito das TIC, a criação da página da Internet, a criação de um “blogue” para divulgação das actividades da BE/CRE, a ampliação da plataforma sem fios e a oferta do CEF na área da Informática também reflectem a motivação do Agrupamento para as novas tecnologias. Foi evidente o interesse dos alunos nesta área e a sua satisfação relativamente ao equipamento da sala de informática. Todavia, são insuficientes os dispositivos de supervisão dos sítios da Internet a que os alunos podem aceder no decurso das aulas.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
Consciente da necessidade de abertura ao exterior, o Agrupamento tem estabelecido algumas parcerias com as entidades do meio envolvente: Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), Guarda Nacional Republicana, Casa do Povo de Moncarapacho, Centro de Saúde de Olhão e Protecção Civil. Envolve-se também em alguns projectos dinamizados a nível regional e nacional, como Eco-Escolas, PREAA, PES, Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares, Projecto Gulbenkian de Formação de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares (Theka) e Planos Nacionais da Leitura e da Matemática.
O estabelecimento de parcerias com entidades exteriores também tem permitido a sua colaboração na realização dos estágios dos alunos dos CEF, na prestação de serviços (manutenção dos espaços verdes) e na atribuição de donativos. Com a Câmara Municipal de Olhão foram assinados protocolos que asseguram o transporte dos alunos para a EB1/JI (nomeadamente dos que são oriundos das localidades das escolas do 1.º CEB encerradas), a componente de animação socioeducativa, as actividades de enriquecimento curricular, a atribuição de auxílios económicos e o serviço de almoço. A Junta de Freguesia de Moncarapacho tem colaborado na manutenção dos edifícios da EB1/JI, na atribuição de uma verba para expediente e limpeza, bem como no apoio a algumas iniciativas apresentadas pelo Agrupamento, nomeadamente a disponibilização de transporte para visitas de estudo, em particular para os 45 alunos com melhores resultados académicos.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento 5.1 Auto-avaliação
No ano lectivo de 2005/2006, aquando da elaboração do PE, foi distribuído um questionário aos alunos, EE, professores e auxiliares de acção educativa. Neste inquérito, eram questionados sobre o desempenho do CE, dos docentes e dos restantes funcionários, bem como sobre as condições físicas e a qualidade do serviço prestado nos diferentes espaços escolares. A análise dos dados recolhidos levou à identificação de “indicadores de opinião/qualidade”. Em 2007/2008, o mesmo instrumento foi aplicado aos diferentes agentes escolares, a fim de se poderem comparar os dados relativos aos dois anos lectivos. Perante esta análise, foram identificadas as melhorias verificadas entre os dois momentos avaliativos, assim como enunciadas propostas de intervenção para cada um dos indicadores avaliados.
Apesar deste trabalho, foi notório nas declarações da “equipa de auto-avaliação” a reduzida sistematização e sustentabilidade deste processo avaliativo. Os resultados ainda não foram divulgados à comunidade escolar e não é evidente, a curto prazo, a concretização das alterações propostas. Os entrevistados manifestaram alguma dificuldade em identificar estratégias capazes de solucionar os problemas diagnosticados, nomeadamente a insuficiência de recursos humanos para assegurar um horário de funcionamento mais alargado de alguns serviços (BE/CRE) e as condições de segurança e bem-estar da EB1/JI, problemas evidenciados por todos os inquiridos. 5.2 Sustentabilidade do progresso
Existem factores que parecem favorecer o desenvolvimento do Agrupamento, nomeadamente a existência de uma reflexão interna por parte de alguns professores, a identificação dos pontos fortes e dos constrangimentos do seu
funcionamento, o desejo de reconhecimento local de uma “escola de referência”, a diversidade cultural da população escolar e a existência de diversos parceiros motivados para colaborar na melhoria do serviço educativo. Estes factores, associados a um processo de auto-avaliação orientado para a concepção de planos de melhoria que, de forma partilhada e consequente, determinem metas a alcançar e estratégias a implementar, serão uma mais-valia para o progresso do Agrupamento.
V – Considerações finais
Apresenta-se agora uma síntese dos atributos do Agrupamento (pontos fortes e pontos fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos) que poderá orientar a sua estratégia de melhoria. Neste âmbito, entende-se por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus
objectivos; ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos; oportunidade: condição externa à organização que poderá ajudar a alcançar os seus objectivos; constrangimento: condição externa à organização que poderá prejudicar o cumprimento dos seus objectivos.
Todos os tópicos seguidamente identificados foram objecto de uma abordagem mais pormenorizada ao longo deste relatório.
Pontos fortes
O clima educativo e as interacções positivas entre as crianças/alunos e o pessoal docente e não docente
favorecem o processo de ensino e aprendizagem;
A liderança do CE promove o empenho e a motivação dos docentes e dos auxiliares de acção educativa;
A dinamização de diversos projectos e actividades de complemento curricular contribuem para a
formação pessoal e social dos alunos e para o envolvimento da/na comunidade;
A interacção com a autarquia, a APEE e outras entidades locais e regionais contribui para a diversificação
das experiências de aprendizagem e para a melhoria da qualidade do serviço educativo. Pontos fracos
A reduzida articulação curricular entre os três ciclos do ensino básico não garante a sequencialidade dos
conteúdos programáticos e a melhoria dos resultados académicos dos alunos;
O diminuto envolvimento dos alunos na tomada de decisões não incentiva a sua motivação e empenho
nas tarefas escolares e condiciona a sua formação pessoal e social;
As lideranças intermédias pouco actuantes não promovem práticas pedagógicas mais diversificadas e
motivadoras na sala de aula;
A falta de articulação entre o PAA do Agrupamento e o Plano de Actividades da APEE não favorece uma
actuação concertada;
A reduzida sustentabilidade dos processos de auto-avaliação não assegura a implementação e o
acompanhamento contínuo das medidas de melhoria adequadas. Oportunidades
O estabelecimento de parcerias com entidades da comunidade local pode contribuir para a melhoria dos
recursos físicos do Agrupamento e para a diversificação da oferta de cursos que correspondam às necessidades do mercado de trabalho;
A diversidade cultural e linguística da comunidade favorece o respeito pelas diferenças e a educação
multicultural. Constrangimentos
A insuficiente intervenção da autarquia no melhoramento dos espaços da EB1/JI pode pôr em causa a
segurança das crianças/alunos e impedir a melhoria da qualidade do serviço prestado naquela unidade escolar.