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Embargos de Declaração à fl. 41, rejeitados à fl. 43.

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Academic year: 2021

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Acórdão 5a Turma

EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO.

Recurso da reclamante. VÍNCULO DE EMPREGO. MANICURE. O fato de a recorrente receber 70% de

comissão e os demais elementos que comprovam a ausência de subordinação, como por exemplo, a liberdade de estabelecer seu horário de trabalho, bem como de aumentar o valor do serviço prestado aos clientes, descaracteriza o vínculo empregatício pleiteado. Recurso não provido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Recurso Ordinário em que são partes: TALITA RAFAELA BATISTA BARRETTO, como recorrente, e

VALERIANO LOURENÇO RODRIGUES, como recorrido.

Insurge-se a reclamante contra a decisão proferida pela 1ª Vara do Trabalho de Nilópolis-RJ, que julgou improcedentes as pretensões deduzidas (fls. 39/40v).

Embargos de Declaração à fl. 41, rejeitados à fl. 43.

A reclamante, às fls. 45/49, manifesta seu inconformismo sob o argumento de que a decisão recorrida não estaria em consonância com o art. 7º da Constituição da República e com o Decreto-lei n. 5452/43. Pretende a nulidade da sentença, alegando que esta não preencheu os seus requisitos básicos (relatório, fundamentação e dispositivo), não apresentando fundamentação específica, e que não houve fixação do ponto controvertido da relação jurídica processual entre as partes. No mérito, ressalta que a prova testemunhal arrolada pela recorrente demonstrou a existência da relação de emprego pleiteada. Por fim, reitera o pedido de concessão da gratuidade de justiça.

Contrarrazões da reclamada, às fls. 52/57, requerendo seja aplicado o art. 557 do CPC, para negar liminarmente admissão ao recurso.

Os autos não foram remetidos à douta Procuradoria do Trabalho, por não ser hipótese de intervenção legal (Lei Complementar n. 75/1993) e/ ou das situações arroladas no ofício PRT/1º Região nº 27/08-GAB, de 15/01/2008, ressalvando o direito de futura manifestação, caso entenda necessário.

É o relatório.

V O T O

ADMISSIBILIDADE

A recorrente reitera o pedido de concessão de Gratuidade de Justiça, carecendo, todavia, de interesse recursal, tendo em vista que a matéria já foi decidida pela sentença a quo, não se verificando a sucumbência da autora nesse aspecto.

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Dessa forma, por preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso ordinário da reclamante, com exceção do pedido de Gratuidade de Justiça, por falta de interesse recursal.

Preliminar de Nulidade da Sentença

A reclamante pretende a nulidade da sentença, alegando que esta não preencheu os seus requisitos básicos (relatório, fundamentação e dispositivo), não apresentando fundamentação específica, e que não houve fixação do ponto controvertido da relação jurídica processual entre as partes.

Não tem razão a autora.

Não se verifica da sentença de fls. 39/40 qualquer vício processual capaz de invalidá-la, mas, ao contrário, em observância ao art. 832, da CLT, e, subsidiariamente, art. 458, do CPC, observa-se a presença dos requisitos essenciais da decisão proferida pelo i. Julgador de primeiro grau, quais sejam: relatório, contendo os nomes das partes, resumo do pedido e da resposta do réu, e registro das principais ocorrências havidas no processo; fundamentação, em que o juiz apreciou especificamente as questões de fato e de direito, com a devida apreciação das provas, apresentando fundamentos para a sua decisão; e o dispositivo, no qual foi apresentada a conclusão da lide submetida à apreciação judicial.

Também não há que se falar em não fixação do ponto controvertido da relação jurídica processual entre as partes, na medida em que a r. decisão a quo apresentou, em tópico específico, a questão relativa ao vínculo empregatício (fls. 39v/40) postulado pela autora e negado pelo réu, trazendo assim, tese, antítese e conclusão devidamente fundamentada acerca da matéria.

Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade da sentença.

MÉRITO

Relação jurídica

A autora afirma ter sido admitida em 01/09/2006 pelo reclamado, para exercer a função de manicure, sem anotação na CTPS, percebendo ultimamente o salário de R$ 1.000,00 (mil reais) por mês, sem reflexo de horas extras e repouso semanal remunerado.

O reclamado, em contestação, nega a existência do vínculo, destacando que “a Reclamante não era obrigada a trabalhar, e a maior parte dos seus clientes eram agendados por telefone pela mesma, marcando dia e hora para fazer o serviço, chegando ao local de trabalho na hora que bem entendesse e saindo quando queria, sem nenhuma obrigação de cumprir horário”. Acrescenta que não havia salário nos termos do art. 3º Consolidado, tendo sido acordado entre as partes que o valor recebido dos clientes da reclamante seria distribuído da seguinte forma: 70% para a autora e 30% para o empregador, como pagamento pela utilização do salão e da mesa utilizada.

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alegando relação jurídica diversa da empregatícia, argumentando que a reclamante exercia a função de manicure, como autônoma.

Nesse contexto, tendo apresentado fato impeditivo e modificativo do direito da autora (arts. 818, da CLT, e 333, II, do CPC), passa ao recorrido o encargo de comprovar suas alegações, ao que se desincumbiu satisfatoriamente, mediante produção de prova testemunhal.

Com efeito, para a configuração da relação de emprego, a doutrina, com respaldo no art. 3º, da CLT, exige a presença concomitante dos seguintes requisitos: pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade.

A prova testemunhal produzida pelo recorrido, em especial, a segunda testemunha trazida à fl. 34, que também era manicure do salão do reclamado, confirmou as alegações da defesa, demonstrando autonomia no serviço prestado pela recorrente. Nesse sentido, afirmou que a manicure podia receber e dar o troco, marcava seu próprio horário conforme agendado com os clientes, não recebia ordens do reclamado, detinha autonomia para aumentar o preço do serviço, ocorrendo, ainda, a divisão do valor recebido pelos clientes na base de 70% para a manicure e 30% para o reclamado.

Ressalte-se que a própria reclamante, em depoimento pessoal (fl. 36), confessou que, até dezembro de 2008, recebia 70% do que era pago pelos clientes e, a partir de 2009, o percentual passou a ser de 65% da féria diariamente. Disse, ainda, que “não tinha horário sempre” (fl. 36), confessando, pois, a ausência de subordinação ao reclamado no que se refere à determinação do horário de trabalho.

Quanto à prova testemunhal produzida pela recorrente, por se tratar de cliente e que, portanto, comparecia eventualmente ao salão, não se pode conferir força probatória suficiente para caracterizar a existência do vínculo empregatício entre as partes.

Assim, da apreciação do conjunto probatório trazido aos autos, infere-se que o desempenho do trabalho da reclamante como manicure enquadra-se numa espécie de contrato de aluguel do espaço, pagando o profissional ao proprietário do salão um percentual a cada trabalho executado.

Ademais, o fato de a recorrente receber 70% de comissão e os demais elementos que comprovam a ausência de subordinação, como por exemplo, a liberdade de estabelecer seu horário de trabalho, bem como de aumentar o valor do serviço prestado aos clientes, descaracteriza o vínculo empregatício pleiteado.

Necessário ressaltar, outrossim, que o fato alegado na inicial, de que a reclamante comparecia ao salão todos os dias, não é suficiente para ensejar o reconhecimento do vínculo de emprego, justamente por ter uma agenda de clientes para atender e, por óbvio, ser do seu interesse auferir uma renda maior.

A fim de corroborar o entendimento aqui exposto, transcreveremos a seguir farta jurisprudência sobre o assunto, in verbis:

“RECURSO ORDINÁRIO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO CONFIGURADO. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO. MANICURE.

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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO AUTÔNOMO. A prestação de serviço autônomo, consubstanciada na concessão do uso de salão de beleza, para exercer a função de manicure, com material próprio, angariando 60% do valor cobrado de cada cliente, não configura o vínculo contratual, por falta de pressupostos, como consta no art. 3º da CLT. Para a configuração da relação de emprego, a doutrina com respaldo no artigo 3º da CLT exige a presença concomitante dos seguintes requisitos: pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade. A ausência de qualquer desses requisitos importa na descaracterização da relação de emprego.” (TRT 2ª Região - RO 01670-2008-047-02-00-1, Relator: Marcelo Freire Gonçalves, pub. 07/05/2010)

“EMENTA: VÍNCULO EMPREGATÍCIO. INEXISTÊNCIA. MANICURE. AUTONOMIA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DIVISÃO DA QUANTIA AUFERIDA. Não forma vínculo de emprego o labor autônomo da reclamante, na função de manicure, sem subordinação jurídica e, ainda, retendo para si 70% da quantia arrecadada pela prestação de seus serviços; repassando apenas 30% ao reclamado, dono do salão e responsável pelos encargos fiscais e pela manutenção das instalações físicas do estabelecimento.” (TRT 3ª Região - RO 01120-2006-060-03-00-5, Relator: Hegel de Brito Boson , Data de Publicação: 08-02-2007)

“EMENTA: MANICURE. PARCERIA. RELAÇÃO DE EMPREGO NÃO RECONHECIDA. O alto percentual de comissões percebido pela reclamante, manicure, revela que a relação estabelecida com a reclamada, proprietária do salão, era de parceria e não uma autêntica relação de emprego. Os elementos dos autos revelam que houve uma típica conjunção de interesses entre as partes, tendo a reclamante assumido os riscos do desenvolvimento da sua atividade, remunerando a reclamada com um pequeno percentual dos serviços para usufruir de toda a estrutura do salão, com a qual arcava a ré, usando a autora o estabelecimento como um ponto para receber sua clientela. Nesse contexto, as tratativas entre as partes e os compromissos recíprocos relativamente a uniformização dos prestadores de serviço, a horários de disponibilização dos serviços e a preços a serem cobrados dos clientes, não devem ser vistos friamente como caracterizadores de subordinação jurídica, pois revelam apenas o consenso das partes em atender seus interesses comuns de manter a organização do salão, com oferecimento de satisfatória estrutura à clientela. Verifica-se, portanto, a organização conjunta das condições de trabalho pelas parceiras, reclamante e reclamada, e não a unilateral subordinação jurídica típica da relação empregatícia.” (TRT 3ª Região - RO 0211200-73.2009.5.03.0041, Relator: Sebastião Geraldo de Oliveira, Data de Publicação: 13-05-2010)

“Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. VÍNCULO DE EMPREGO.

MANICURE/PEDICURE. TRABALHO AUTÔNOMO.

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contrato de arrendamento com a profissional autônoma, a qual recebia 65% dos valores que o Salão de Beleza auferia das clientes, indicando a autonomia da autora, que dispunha livremente de seu tempo. Entendeu, portanto, não caracterizado salário nem subordinação jurídica. Diante de tais premissas fáticas, inviável a reforma da v. decisão recorrida, sem o reexame do fato e da prova controvertida, pois essa pretensão encontra óbice na Súmula nº 126 deste Tribunal Superior do Trabalho.” (TST - Processo: AIRR - 887740-65.2005.5.09.0016 Data de Julgamento: 08/08/2007, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, Data de Publicação: DJ 24/08/2007)

Dessa forma, por não estarem presentes todos os elementos caracterizadores da relação de emprego, mantenho a sentença recorrida, julgando improcedente o pedido de reconhecimento de vínculo empregatício.

Nego provimento.

A C O R D A M os componentes da 5ª Turma do Tribunal Regional do

Trabalho da 1ª Região, por unanimidade, conhecer do recurso da reclamante, com exceção do pedido relativo à Gratuidade de Justiça, rejeitar a preliminar de nulidade de sentença e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Juiz Relator.

Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2010.

Juiz do Trabalho Bruno Losada Albuquerque Lopes

Relator

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