Janeiro, 2019
data base: 31 de Dezembro de 2018
O novo governo está apontando a política econômica para a direção correta, de modo
que as atenções tendem a seguir direcionadas para a questão da execução. Do ponto
de vista dos indicadores, tudo aponta para um cenário de recuperação da atividade e
de inflação baixa. Com isso, esperamos que a taxa de juros permaneça estável nos
próximos trimestres.
Projeções Itaú Asset Management
Do ponto de vista estrutural, as indicações iniciais da nova equipe econômica são animadoras:• O novo governo vem se comprometendo com uma política monetária ortodoxa conduzida por um Banco Central autônomo, com uma ampla agenda de privatização e com uma rápida consolidação fiscal.
• Outra agenda importante, a abertura comercial, também pode ganhar espaço nos próximos anos.
O desafio de implementação da agenda fiscal e o ambiente externo, no entanto, seguem como pontos de atenção:
• O sucesso da agenda proposta dependerá da coordenação política, e choques externos podem atrapalhar a recuperação da confiança.
Encerramos o ano de 2018 em um contexto de crescimento abaixo do potencial e inflação moderada:
•Indicadores de atividade de outubro decepcionaram bastante, sugerindo crescimento levemente positivo para o último trimestre de 2018;
• Os dados de novembro devem mostrar recuperação das vendas no varejo por conta do efeito da Black Friday;
• Os indicadores de confiança dão suporte à expectativa de que essa melhora da atividade continue no mês de dezembro e acelere ao longo do primeiro trimestre de 2019.
•A inflação, por sua vez, surpreendeu para baixo, algo que deve persistir em 2019, sobretudo do segundo trimestre em diante (pós-El Niño).
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Cenário
Macroeconômico
Os dados de curto prazo podem sofrer com o inverno mais rigoroso e com as discussões
sobre gastos do governo federal. Entretanto, acreditamos que o risco de recessão no
curto prazo permanece baixo. Entre um crescimento acima do potencial e uma inflação
consistente com a meta, esperamos que o Banco Central norte-americano dê
continuidade ao processo de altas de juros - ainda que com uma retórica mais
dovish
.
Tensões políticas seguem dando o tom das discussões europeias. Além das negociações
em torno do Brexit e das incertezas fiscais na Itália, a própria desaceleração chinesa e a
crise turca geram impulsos negativos para o ambiente de negócios na região. Os dados
de atividade sugerem alguma acomodação adicional na margem que deve se aprofundar
no 1º trimestre de 2019.
Dados de atividade piores na margem tanto na produção industrial quanto nas vendas
no varejo. A notícia boa ficou por conta dos sinais mais positivos associados à discussão
da guerra comercial com os Estados Unidos. Ainda não está claro se haverá mesmo um
acordo final entre os dois países, mas parece haver hoje uma maior boa vontade de
ambas as partes de se atingir um acordo.
Estados
Unidos
Europa
O desempenho do mercado de renda fixa brasileiro foi positivo em dezembro, apesar das oscilações trazidas pelos riscos atrelados ao cenário internacional. A queda das curvas de juros nominal e real, especialmente em seus segmentos de prazos intermediários, refletiu o aumento da chance de um cenário de taxa Selic em nível baixo por um período prolongado. A inflação corrente voltou a surpreender, as projeções para o IPCA são inferiores às metas, a cotação do petróleo
despencou e os recentes dados do nível de atividade vieram mais fracos do que o esperado. A curva de juros prefixados embute alta de 0,64 p.p. para a taxa Selic, em 2019, e de 1,92 p.p., para 2020, números
compatíveis com os prêmios de risco históricos. No final de novembro, tínhamos 1,56 p.p., para 2019, e 1,66 p.p. para 2020.
Sob a expectativa de encaminhamento de uma agenda de ajuste fiscal e da influência de notícias sobre a reforma previdenciária, as taxas prefixadas mais longas também recuaram, ainda que pairem dúvidas sobre a capacidade de execução rápida das medidas. A taxa indicativa do DI janeiro 2021 caiu 0,58 p.p. (para 7,36% a.a.) e a taxa indicativa do DI janeiro 2025 caiu 0,47 p.p. (para 9,1% a.a.). Nesse contexto, o IRF-M rendeu 1,53% (0,56% no IRF-M1 e 1,92% do IRF-M1+). A inflação implícita seguiu em queda, principalmente nos negócios com a NTN-B 2019 (0,34 p.p.), em reação ao IPCA de novembro e IPCA15 de dezembro abaixo do
esperado e com a possibilidade de queda dos preços dos combustíveis. Nos vértices até 2024, a inflação implícita caiu 0,21 p.p. em média. Mesmo com a menor inflação esperada, pela conjuntura favorável já citada acima, o desempenho do IMA-B (1,65%) foi favorável em comparação ao IMA-S (0,49%). Considerando o risco relacionado à diferença de duração dos índices, destacamos o resultado do IMA-B5 (1,36%) em comparação ao IMA-B5+ (1,88%). O cupom da NTN-B 2050 atingiu 4,99% contra 5,09% em novembro. O dólar perdeu força frente às moedas das principais economias, incluindo a divisa chinesa. Uma das influências veio da comunicação mais branda emitida pelo G20 sobre a amplificação das tarifas comerciais nas disputas entre EUA, China e Europa. Também ocorreu uma reavaliação de expectativas para o diferencial de crescimento e juros americanos em relação às demais economias, trazida pela redução de projeções por parte do Federal Reserve e dos analistas de mercado para ambas as variáveis. Mas o dólar ganhou valor contra a maioria das moedas dos emergentes, em meio às discussões sobre uma eventual desaceleração abrupta do crescimento mundial. Em relação ao real, a alta foi de 0,30% no mês (cotação PTAX). Entretanto, o desempenho da moeda brasileira foi melhor em termos relativos. Ocorre que algumas divisas sofreram mais com o impacto da queda de commodities como o petróleo. O barril recuou cerca de 11% na Bolsa de Nova York, cotado a US$ 45,41.
Informação pública - Política de Segurança da Informação | Pág. 4 Fonte: Bloomberg. 31 de Dezembro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
Fonte: Bloomberg. 31 de Dezembro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
Fonte: Bloomberg. 31 de Dezembro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 a g o -2 0 a g o -2 2 a g o -2 4 a g o -3 0 m a i-3 5 a g o -4 0 m a i-4 5 a g o -5 0 31/12/2018 21/12/2018 14/12/2018 07/12/2018 30/11/2018 7,0% 8,0% 9,0% 10,0% 11,0% ja n -2 1 ja n -2 3 ja n -2 5 ja n -2 7 31/12/2018 21/12/2018 14/12/2018 07/12/2018 30/11/2018 60 100 140 180 220 260 300 340 m a r-1 4 a b r-1 4 m a i-1 4 ju n -1 4 ju l-1 4 a g o -1 4 se t-1 4 o u t-1 4 n o v-1 4 d e z-1 4 ja n -1 5 fe v-1 5 m a r-1 5 a b r-1 5 m a i-1 5 ju n -1 5 ju l-1 5 a g o -1 5 se t-1 5 o u t-1 5 n o v-1 5 d e z-1 5 ja n -1 6 fe v-1 6 m a r-1 6 a b r-1 6 m a i-1 6 ju n -1 6 ju l-1 6 a g o -1 6 se t-1 6 o u t-1 6 n o v-1 6 d e z-1 6 ja n -1 7 fe v-1 7 m a r-1 7 a b r-1 7 m a i-1 7 ju n -1 7 ju l-1 7 a g o -1 7 se t-1 7 o u t-1 7 n o v-1 7 d e z-1 7 ja n -1 8 fe v-1 8 m a r-1 8 a b r-1 8 m a i-1 8 ju n -1 8 ju l-1 8 a g o -1 8 se t-1 8 o u t-1 8 n o v-1 8 d e z-1 8
Peso Mexicano Real Peso Chileno Lira Turca
O mês foi marcado pelo aumento da volatilidade nos principais mercados acionários pelo Globo, sendo que vários índices americanos, europeus e asiáticos fizeram suas mínimas de 2018 no decorrer de dezembro. Dessa forma, praticamente todos os mercados relevantes acumularam perdas no ano. A situação no Brasil foi antagônica, com o Ibovespa e o IBrX subindo (15,03% / 15,42%), ainda que recuando em dezembro (1,81% / -1,29%). Mas, quando consideramos as variações dos índices denominados em dólares, o ano de 2018 foi de fraco desempenho generalizado. O MSCI-Word caiu 10,44%; o Emerging Markets 16,64%; e o MSCI-Brazil 3,90%.
As incertezas sobre o futuro da política monetária e do crescimento econômico nos EUA avançaram, assim como as dúvidas sobre os impactos das disputas comerciais sobre o PIB mundial. A forte queda das commodities, encabeçada pelo barril do petróleo, também impactou negativamente o desempenho de alguns mercados emergentes. O fluxo de investimentos estrangeiros seguiu negativo, segundo a B3: R$ 1,8bi/mês e R$11,4bi/ano (dados até 26/12/18).
No Brasil, as sondagens setoriais continuaram mostrando forte recuperação da confiança, o que é compatível com o cenário de aceleração da recuperação do PIB no decorrer de 2019. Contudo, os dados conjunturais da produção industrial e das vendas do comércio varejista
decepcionaram e sugerem fraqueza do nível de atividade no 4º trimestre de 2018. Importante registrar que a consolidação de um cenário de juros baixos por um longo tempo, que influencie o custo de capital para as
companhias listadas, e a expectativa de avanço de uma agenda econômica construtiva pelo novo Governo têm atenuado as influências dessas decepções e dos riscos externos. Ainda que o desafio de ajuste fiscal seja grande, o teor do discurso liberal sobre privatizações, independência do banco central e reforma da previdência vem sendo bem recebido pelos atores de mercado. As maiores quedas mensais no Ibovespa ocorreram novamente em materiais básicos, além de bens industriais. Do lado positivo, tivemos os setores de utilidades públicas e imobiliário.
Nos Estados Unidos, o S&P500 caiu 9,18% (-6,24% no ano). No pior momento de dezembro, quando avizinhou 2.300 pontos, a queda mensal cumulada foi de cerca de 15%. As expectativas de crescimento dos lucros corporativos continuam elevadas, mas cresceram os riscos de uma revisão para baixo no decorrer de 2019. Até porque, o impacto dos estímulos fiscais tende a ser cada vez menos relevante e os juros seguirão subindo. O conjunto de indicadores macro e micro, conhecidos até o momento, não são compatíveis com o início de um ciclo recessivo em um futuro próximo nos EUA, mas esse é o principal risco que passou a ser monitorado.
Informação pública - Política de Segurança da Informação | Pág. 6 Fonte: Bloomberg. 31 de Dezembro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
A perspectiva continua positiva. O cenário de taxa Selic estável por um longo tempo vem ganhando força num contexto de surpresas inflacionárias relevantes nos últimos meses, expectativas abaixo da meta para o IPCA em 2018/19 e recuperação gradual do crescimento.
A expectativa de um financiamento externo confortável pode contribuir para a valorização do real. Contudo, as preocupações com o crescimento mundial devem trazer oscilações às moedas de emergentes.
Apesar do aumento das incertezas com o cenário internacional, espera-se uma evolução positiva do mercado acionário nacional pela aceleração do crescimento dos lucros das companhias listadas. Apesar dos níveis baixos projetados para a inflação em 2019, no 1º trimestre do ano esperamos resultados mais pressionados por influências climáticas. Isso contribui para a atratividade das NTN-Bs com prazos mais curtos. Já um forte fechamento adicional dos juros reais longos, que favoreça a relação risco x retorno das NTN-Bs com prazos acima de cinco anos, depende dos detalhamentos e da execução de reformas tornando-se mais claros.
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