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PUBERDADE
PRECOCE
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PUBERDADE
PRECOCE
CONTEÚDO: JÚLIA KELMAN
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 4
Adolescência X Puberdade... 4
PUBERDADE FISIOLÓGICA ... 4
EPIDEMIOLOGIA DA PUBERDADE PRECOCE ... 4
EIXO HIPOTÁLAMO – HIPÓFISE – GONADAL ... 5
DEFINIÇÃO ... 5
CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA ... 5
Puberdade precoce verdadeira, central ou gonadotrofina dependente ... 5
Pseudopuberdade, periférica ou gonadotrofina independente ... 6
AVALIAÇÃO ... 8
TRATAMENTO ... 11
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INTRODUÇÃO
A puberdade precoce representa um
grupo de doenças que abrange desde va-riantes normais do crescimento
(adre-narca precoce e telarca precoce) até
con-dições potencialmente fatais, como tumor
de células germinativas.
Antes de abordarmos a puberdade pre-coce propriamente dita, alguns conceitos devem ser consolidados.
Adolescência X Puberdade
Adolescência: Corresponde a um período do desenvolvimento ao qual todos os
in-divíduos são submetidos entre os 10 e 19 anos de idade (segundo a OMS), marcado por grandes transformações físicas,
psi-cológicas e sociais.
Puberdade: Corresponde a processo bio-lógico no qual a criança adquire
caracterís-ticas de um adulto, refere-se às mudanças
fisiológicas e morfológicas resultantes da
reativação dos mecanismos neuro-hormo-nais do eixo hipotalâmico – hipofisário- go-nadal.
PUBERDADE FISIOLÓGICA
Inicialmente vamos abordar a puberdade fisiológica para, então, entendermos o pa-tológico.
Pode ser caracterizada por:
• Desenvolvimento de caracteres se-xuais secundários (ex. mudanças na composição corporal)
• Crescimento estatural (estirão pu-beral)
• Capacidade reprodutora
O desenvolvimento puberal masculino ocorre entre os 9 e 14 anos de idade, sendo o principal marco de início da puber-dade o aumento do volume testicular. Após isso, tem-se a pubarca, caracteri-zada pelos aumentos dos pelos corporais,
aumento peniano e espermarca.
Quanto ao desenvolvimento puberal
femi-nino, a puberdade inicia antes, dos 8 aos 13 anos de idade. O primeiro marco é a te-larca, correspondendo ao surgimento do
broto mamário. Na sequência, pubarca e
menarca, a primeira menstruação.
Mneumônico: Ordem dos marcos da pu-berdade feminina TPM (Telarca – Pu-barca – Menarca).
EPIDEMIOLOGIA DA PUBERDADE
PRECOCE
É uma condição mais comum no sexo
fe-minino, correspondendo a 87% dos casos.
A incidência é bastante variável de acordo com a população estudada, a depender de
5 características clínicas, etnia e presença de
obesidade.
EIXO HIPOTÁLAMO –
HIPÓFISE – GONADAL
É fundamental o entendimento do eixo
hi-potálamo-hipófise-gonadal.
Esse eixo é ativado diversas vezes durante a vida, sendo que na primeira infância os eventos são chamados de “mini
puber-dade”. A primeira ativação ocorre no perí-odo intra útero, sendo o pico de atividade
e liberação hormonal aos 3 meses de
idade. Após isso, ocorre uma redução de LH a níveis pré púberes entre 6 e 9 meses. Entretanto, em meninas, o FSH pode se manter circulante até os 2 anos de idade.
DEFINIÇÃO
A puberdade precoce pode ser definida de acordo com:
CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA
Pode ser dividida em:Puberdade precoce verdadeira, central ou gonadotrofina dependente
É considerada isossexual porque segue a mesma sequência da puberdade fisioló-gica. Ou seja, ocorre ativação do eixo (de-pendente de hormônios), porém de forma precoce.
Geralmente associada a telarca antes dos 8 anos nas meninas (5 a 10 x mais comum) e aumento testicular antes dos 9 anos de idade nos meninos.
Meninos secundários antes dos 9 anos de Presença de caracteres sexuais idade.
Meninas secundários antes dos 8 anos de Presença de caracteres sexuais idade.
Vamos descomplicar! O
hipotálamo libera GnRh, o qual
estimula a hipófise a liberar o
LH. Nas meninas, o LH
(Hormônio Luteinizante)
associado ao FSH (Hormônio
Folículo Estimulante) faz com
que o ovário libere estrogênio (o
qual determina os caracteres
sexuais femininos). Já nos
meninos, o LH faz com que o
testículo libere a testosterona,
hormônio responsável pelas
características masculinas.
6 Então trata-se de um desenvolvimento
que segue a sequência esperada, além de aceleração do crescimento com
cresci-mento estatural final inferior (devido ao
fechamento rápido das epífises) e
desen-volvimento mental compatível com a idade cronológica.
Quanto às causas da puberdade central, a
idiopática é a mais comum entre as meni-nas. Já nos meninos, quando presente,
normalmente está relacionado a lesões
ce-rebrais.
1. Quais são essas lesões cerebrais? Hamartomas hipotalâmicos (principal),
tumores benignos de SNC, tumores malig-nos de SNC, pressão ou invasão do hipo-tálamo, irradiação do SNC (ex. devido a leucemia prévia) associada à deficiência de GH.
Pseudopuberdade, periférica ou gona-dotrofina independente
Pode ser isossexual (adequação na ordem segundo o sexo) ou heterossexual (carac-terísticas do sexo oposto).
Não ocorre ativação central do eixo hormo-nal.
Ocorre devido a produção de hormônios
pelas gônadas ou adrenais, presença de hormônios externos e produção ectópica hormonal (sem a necessidade do eixo
hi-potálamo – hipófise – gônada).
Nas meninas, a puberdade precoce perifé-rica comumente ocorre pela presença de
cistos ovarianos e tumores ovarianos
pro-dutores de hormônios.
Já nos meninos, devido à presença de
tu-mor de células de Leydig (geralmente
uni-lateral), hepatoblastoma (o HCG mimetiza a produção de LH), teratoma e puberdade
precoce familiar limitada (modulação
gê-nica que ativa o LH).
2. Mas o hepatoblastoma não pode aco-meter meninas também? De fato, sim,
en-tretanto, o HCG mimetiza apenas o LH. Para que fosse uma causa de puberdade precoce nas meninas precisaria mimetizar o FSH também!
Por fim, dentre as causas que afetam
am-bos os sexos, têm-se: hipotireoidismo prolongado (comum em pacientes com Sd. de Down), hormônios exógenos
(ali-mentos, medicações), hiperplasia adrenal
congênita, Sd. de McCune-Albright.
O hipotireoidismo prolongado ocorre na presença de altos níveis de TSH e devido à semelhança do TSH com o FSH.
3. O que é a Sd. de McCune-Albright? É
uma síndrome caracterizada por uma
pig-mentação cutânea irregular e displasia fi-brosa esquelética, associada à puberdade precoce. Trata-se de uma doença
7 ocasionada por uma mutação da proteína
G, gerando hiperfunção glandular autô-noma.
É mais comum em meninas, por volta dos
3 anos de idade, com altos níveis de
estra-diol e FSH e LH suprimidos (eixo não está ativado).
Achados da puberdade precoce periférica:
• Telarca prematura (isolada)
Mais comum nos primeiros 2 anos
de vida (mini puberdade);
Unilateral ou bilateral, flutuação do
grau de Tanner;
Ausência de outros caracteres se-cundários;
USG pélvico sem alterações;
Velocidade de crescimento e idade
óssea sem alterações (ainda não entrou no estirão, acompanha a idade cronológica);
Estradiol e LH em níveis normais.
• Pubarca prematura
Aparecimento dos pelos antes do momento adequado, geralmente isolada também;
Mais comum em meninas do que
em meninos;
Possui caráter lento e progressivo;
Sem necessidade de tratamento; Normalmente associadas à etnia,
hiperandrogenismo, Sd. do Ovário Policístico (SOP), Sd. Metabólica.
• Menarca prematura
Relativamente rara em comparação com a telarca e por esse motivo, devem ser feitos
diagnósticos de exclusão para o
sangra-mento: abuso, vulvovaginites, corpo estra-nho, etc.
Preparamos uma tabela resumo para auxiliar o seu estudo!
Puberdade Precoce Central Puberdade Precoce Periférica
Ativação do Eixo Hipotálamo – Hipófise - Gonadal
Ausência da ativação do Eixo Hipotálamo – Hipófise – Gonadal
LH e FSH elevados LH e FSH normais ou baixos Meninas: causas idiopáticas
Meninos: relacionado a lesões no SNC
Principais causas: exógena, produção gona-dal, produção ectópica, hipotireoidismo
pro-longado. Casos isolados: telarca precoce, menarca
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AVALIAÇÃO
A avaliação da puberdade precoce con-siste em:
• História Clínica
Aumento das mamas ou
testícu-los precocemente à idade.
Pesquisa por doenças prévias,
medicações hormonais, histórico familiar.
Explorar a cronologia dos fatos. Medidas antropométricas: Peso,
altura e velocidade de cresci-mento (para verificar se já está no estirão puberal).
• Exame físico: Procurar por alterações
de pele, características sindrômicas, entre outras.
• Estadiamento de Tanner: A
monito-rização do desenvolvimento puberal é feita pela classificação de Tanner, que estudou e sistematizou a se-quência de eventos puberais em am-bos os sexos, em cinco etapas, consi-derando, quanto ao sexo feminino, o
desenvolvimento mamário e a dis-tribuição e quantidade de pelos. Já
no sexo masculino, o aspecto dos
órgãos genitais e também a quanti-dade e distribuição dos pelos pubi-anos.
Mamas
M1: mama infantil
M2 (8-13 anos): fase de broto mamário, com elevação da mama e aréola como pequeno montículo M3 (10-14 anos): maior aumento da mama, sem separação dos contornos
M4(11-15 anos): projeção da aréola e das papilas para formar montículo secundário por cima da mama.
M5 (13-18 anos): fase adulta, saliência somente das papilas.
Pelos pubianos: sexo feminino
P1: fase pré púbere, não há pelugem.
P2 (9-14 anos): presença de pelos longos, macios e ligeiramente pigmentados ao longo dos grandes lábios.
P3 (10-14,5 anos): pelos mais escuros e ásperos sobre o púbis.
P4(11-15 anos): pelugem do tipo adulto, mas a área coberta é consideravelmente menor que a do adulto.
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M•Komorniczak -talk-, polish wikipedist.Illustration by : Michał Komorniczak. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tanner_scale-female.svg.
Pêlos pubianos: sexo masculino
P1: fase pré púbere, não há pelugem.
P2 (11-15,5 anos): presença de pelos longos, macios e ligeiramente pigmentados na base do pênis. P3 (11,5-16 anos): pelos mais escuros e ásperos sobre o púbis.
P4(12-16,5 anos): pelugem do tipo adulto, mas a área coberta é consideravelmente menor que a do adulto.
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Genitália: sexo masculino
G1 (9,5 – 13,5 anos): fase pré púbere, infantil.
G2 (10-13,5 anos): crescimento da bolsa escrotal e dos testículos, sem o aumento do pênis. G3 (10,5-15 anos): ocorre também o aumento do pênis, incialmente em toda a sua extensão. G4(11,5-16 anos): aumento do diâmetro do pênis e da glande, crescimento dos testículos e do es-croto, cuja pele escurece.
G5 (12,5-17 anos): tipo adulto.
M•Komorniczak -talk-, polish wikipedist.Illustration by : Michał Komorniczak. Disponível em:< https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tanner_scale-male.svg>
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• Exames complementares
Dosagem hormonal: estradiol e
testosterona;
Dosagem de LH e estímulo com GnRH;
Idade Óssea (IO): radiografia de
mãos e punhos;
USG abdome (para verificar cistos,
tumores, tamanho dos ovários, etc);
RNM de crânio: pelo risco de
le-sões tumorais e malformações do SNC, recomendado em todos os
meninos e nas meninas menores de 6 anos com diagnóstico clínico
e laboratorial de Puberdade Pre-coce Central.
TRATAMENTO
Uma vez estabelecida a causa de base, o tratamento é feito de acordo com a neces-sidade, no caso da puberdade precoce pe-riférica.
Entretanto, se causa central e idiopática, os agonistas de GnRH são usados. Parece contraditório, mas lembre-se que o GH é secretado em picos e, ao administrá-lo de forma não fisiológica, passa a ser secre-tado continuamente. Desse modo, faz um
feedback negativo (inibe o eixo).
Quais os objetivos dos agonistas de GnRH? Bloquear a evolução puberal e, com isso, promover a regressão dos carac-teres sexuais secundários, diminuir a velo-cidade de crescimento e a progressão da idade óssea. Esses medicamentos supri-mem a secreção de gonadotrofinas hipofi-sárias e assim evitam a produção de este-roides sexuais.
Devo prescrever hormônio de cresci-mento? Depende do caso e dos critérios utilizados pelo médico.
E quanto aos casos idiopáticos e lenta-mente progressivos? Gerallenta-mente não ne-cessitam de tratamento, apenas acompa-nhamento ambulatorial.
12 @jalekoacademicos Jaleko Acadêmicos @grupoJaleko
REFERÊNCIAS
Pediatria – Endocrinologia Pediátrica – Puberdade Precoce (Professora Kelly Monteso). Jaleko Acadêmico. Disponível em: <https://jaleko.com.br>. MENESES, C., OCAMPOS, D.L., TOLEDO, T.B. Estadiamento de Tanner:
um estudo de confiabilidade entre o referido e o observado. Disponível
em: http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=52>. MONTE, O., LONGUI, C.A., CALLIARI, L.E.P. Puberdade precoce: dilemas
no diagnóstico e tratamento. Disponível em:
https://www.scielo.br/sci-elo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302001000400003>.
Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas:
puber-dade precoce central. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.
br/images/pdf/2017/julho/03/PCDT-Puberdade-Precoce-Cen-tral_08_06_2017.pdf>.