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Rev. bras. polít. int. vol.44 número1

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Academic year: 2018

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186 RESENHAS

Para finalizar o livro, há a valiosa contribuição do também professor titular do Departamento de Relações Internacionais da UnB, Antonio Augusto Cançado Trindade, que, de um modo mais abrangente, aborda a metodologia utilizada para a proteção internacional dos direitos humanos. Cançado Trindade, atualmente Presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, faz uma precisa exposição sobre os procedimentos e ações adotados para proporcionar às vitimas de violações garantias para a salvaguarda das prerrogativas legais a que fazem jus. Apesar dos avanços, chama o autor a atenção para a necessidade de “ratificação universal” de alguns tratados de direitos humanos (Teerã, 1968, e Viena, 1993) que assegurariam a universalidade de fato dos direitos humanos.

Além da adoção de determinados primados, há, de modo intransigente, que estabelecer um sistema de monitoramento dos direitos humanos, de sorte que o estipulado nas convenções não seja apenas figura de retórica.

Assim, conclui-se que a presente obra reúne esforços multidisciplinares, que tratam de temas atuais com diligência e competência, ofertando ao leitor um amplo painel com informações e análises, que superam o lugar comum. Demonstra-se, desta forma, a excelência da obra, que, sobejamente, propiciará aos leitores e estudiosos farto material de reflexão.

Virgílio Arraes

VIZENTINI, Paulo Fagundes; RODRIGUES, Gabriela. O Dragão Chinês e os Tigres Asiáticos. Porto Alegre: Novo Século, 2000. 166p.

Não à toa os autores se propõem a falar da China e dos Tigres Asiáticos. O tema que por si só chama a atenção se torna cada vez mais necessário quando se trata de refletirmos sobre a nova ordem mundial.

Desse modo, além de fornecer um panorama introdutório acerca da história da Ásia, região pouco conhecida e estudada, trata-se de sugerir reflexões que dizem respeito à inserção dos países orientais na economia mundial e suas já sentidas e possíveis conseqüências para a organização, principalmente econômica, internacional.

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O Leste asiático causou espanto com o crescimento econômico que apresentou aos olhos do Ocidente. Mesmo a crise decorrente desse impulso, frágil em certos aspectos, não abalou significativamente os indicadores de crescimento e desenvolvimento tecnológico. Conforme demonstram os autores, a sustentação dessa arrancada econômica tem uma contrapartida social cara à população. O “custo social” é, no entanto, a condição necessária para o bom desempenho destes países. A “modernização acelerada” provocou entre outras coisas o êxodo rural e os conseqüentes problemas de infra-estrutura daí decorrentes de um lado e, de outro, a deterioração das relações de trabalho efetivada sob a justificativa da necessidade da competitividade no mercado. Ou nas palavras dos autores que sintetizam o tom das transformações: “a construção desse novo modelo ainda implicou, nesses países, a estreita dependência dos capitais externos (resultando muitas vezes, em um alto endividamento) e do mercado internacional. Internamente, evidenciam uma forte geração e concentração de riqueza, um processo de urbanização descontrolada, além de uma forte poluição ambiental” (p. 47).

Por isso, a Guerra Fria teve papel fundamental no reordenamento de países como o Japão, a China e os Tigres Asiáticos. As disputas em torno de áreas de influência e a interferência direta das duas potências (EUA e URSS) neste período marcaram o desenvolvimento posterior daquelas economias, seja pelo investimento de capitais ou pela intervenção militar direta, fomentando e sustentando com armamentos os conflitos da região. Exemplos não faltam: Coréia, Indonésia, Filipinas etc. Da mesma, forma a queda da União Soviética implicou em profundas alterações nesse cenário, uma vez que as relações com os Estados Unidos, país então hegemônico, tornaram-se menos favoráveis, pois não era mais necessário conter o “avanço soviético”.

As divisões internas à região não são menos significativas. As disputas entre China e Japão em torno do controle político-econômico regional, além de expressarem a instabilidade das fronteiras e da organização sócio-política dos países que aí se situam, demonstram também o poderio destas economias que constituem uma real ameaça aos olhos dos norte-americanos. Com efeito, no que concerne à “nova ordem mundial”, os países asiáticos orientados pelos Estados Unidos que se consolidarão como hegemônicos na região, apontam para a possibilidade plausível de formação de um bloco regional forte o suficiente para questionar aquela hegemonia. Vários países asiáticos, inclusive o próprio Japão, tiveram seu desenvolvimento sustentado pelo capital norte-americano e mantiveram relações de dependência deste mercado consumidor. Contudo, o que se notou foi a diminuição dessa dependência, paralela ao fortalecimento das relações comerciais intracontinente e, mais atualmente, nos mercados do terceiro mundo e Oriente Médio.

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do “crescimento econômico asiático”. Ela permite vislumbrar uma alternativa possível ao modelo norte-americano. Resta saber se isso não passará de uma esperança vã, ou se, de fato, o país conseguirá imprimir novos rumos às relações internacionais.

Assim, esboçando a história de cada país e sugerindo reflexões de maior envergadura, o livro não só incita ao aprofundamento da história dos países asiáticos, como também nos faz pensar acerca das conseqüências e perspectivas da globalização que, com a entrada em cena da Ásia, faz cada vez mais jus ao nome.

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