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Rev. esc. enferm. USP vol.21 número2

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Academic year: 2018

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PESQUISA E M E N F E R M A G E M PEDIÁTRICA *

Ana Lacia de L. Bonilha ** Ana Lúcia de Moraes Horta *** Moneda Oliveira Ribeiro ***

BONILHA, A.L. de L.; HORTA, A.L. de M.; RIBEIRO, M.O. Pesquisa em Enfer-magem Pediátrica. Rev. Esc. Enf. USP, São Paulo, 27(2):117-134, ago. 1987. O presente trabalho informa sobre as modalidades das pesquisas na área de enfermagem pediátrica, realizadas para a obtenção de graus acadêmicos no periodo de 1975 a 1985, no Brasil.

UNITERMOS: Pesquisa. Enfermagem pediátrica.

INTRODUÇÃO

Entendemos a pesquisa como um recurso para explicar a realidade, relacionar os fatos e promover mudanças.

Segundo RIBEIRO ( 9 )

, "a investigação científica é um dos processos mais seguros para melhorar a atuação de enfermagem na saúde e na doença".

Para SCHLOTFELDT, citada por De Maio & S C O L O V E N O5, a pesquisa é necessária para a determinação dos caminhos e maneiras de prover efetivamente as necessidades do serviço.

De MAIO e S C O L O V E N O5 afirmam que a pesquisa é importante para aperfeiçoar o cuidado prestado à criança e família, uma vez que permite alternativas para mudanças na qualidade da assistência.

Acreditamos que a prática de enfermagem ainda não tem embasa-mento totalmente científico, e que deriva de cuidados tradicionais a partir de ações reiterativas e/ou modelos médicos.

* Trabalho feito para a disciplina Enfermagem Pediátrica I I , no P r o g r a m a de Pós-Gra-duação, nível Mestrado, da Escola de Enfermagem da U S P , 1986.

** Enfermeira Pediatra — Mestranda em Enfermagem Pediátrica da Escola de Enferma-gem da U S P .

(2)

Um dos fatores que podem ter contribuído para tal fato neste Pais é que a produção científica em enfermagem é recente no Brasil. Além disso, A L M E I D A et alii1 comentam que a investigação no campo da enfermagem fora da pós-gradução é pequena e que a produção científica é feita por uma elite constituída por docentes.

R I B E I R O9 enfatiza a importância do preparo do profissional tanto ao nível de graduação como no de pós-graduação, o que resultaria em benefícios para prática e ensino da enfermagem.

A implantação de programas de pós-graduação em enfermagem, "stricto sensu" no Brasil, ocorreu no primeiro qüinqüênio da década de 70, em decorrência da reforma universitária de 1969. A partir deste pe-ríodo houve aumento na produção de pesquisas em enfermagem, como já o demonstraram outros autores 4- 7.

Buscamos com este trabalho conhecer as modalidades da pesquisa na área de Enfermagem Pediátrica, realizadas nos últimos onze anos por profissionais que concluíram programas de pós-graduação, bem como quem são esses pesquisadores.

METODOLOGIA

O período abrangido neste estudo vai de 1975 a 1985. Foram utilizados dados obtidos nas seguintes fontes:

• Informações sobre pesquisas e pesquisadores em enfermagem2. • Catálago do Banco de Teses3.

• Relação de dissertações apresentadas na Escola Paulista de Me-dicina 6.

• Relação de dissertações apresentadas na Escola de Enfermagem da U S P1 1.

Os trabalhos analisados são referentes às áreas neonatal, pediátrica e de puricultura realizados por pesquisadores, enfermeiros ou não, para obtenção de grau acadêmico.

Os dados referentes as pesquisas e pesquisadores foram assim sis-tematizados:

1. quanto aos pesquisadores:

• área de atuação profissional;

• grau acadêmico obtido;

(3)

• produção por região geográfica;

• área de abrangência;

• método e nível de pesquisa.

Quanto à área de abrangência, as pesquisas foram classificadas em:

• assistenciais — sobre a prestação de cuidados de enfermagem nas

áreas hospitalar e comunitária;

• de ensino — sobre a educação e ensino em enfermagem;

• administrativas — sobre a administração de ações de enfermagem

nas áreas hospitalar e comunitária.

De acordo com N E V E S8, classificamos método e nível de pesquisa

em:

— quanto ao método: • qualitativo • quantitativo

— quanto ao nível:

• Quantitativo: nível I exploratório descritivo

nível n descritivo correlacionai

nível III explicativo (experimental e semiex-perimental).

RESULTADOS E COMENTÁRIOS

Para este estudo foram utilizados 61 trabalhos elaborados num pe-ríodo de 11 anos ( A N E X O ) .

N o gráfico 1, os dados referentes à área de atuação profissional dos pesquisadores mostram que os docentes são os principais responsáveis pela produção científica (91,8%), em virtude dessa produção ser requisito para a obtenção de títulos acadêmicos. Estes dados confirmam aqueles en-contrados por COZZUPOLI & GARCIA4, sobre pesquisa de enfermagem

na área materno-infantil. ROCHA et alii1 0, em levantamento,

consta-taram a mesma predominância de docentes de Escola de Enfermagem, na área materno-infantil, na autoria dos artigos publicados pela Revista Bra-sileira de Enfermagem.

(4)

G R A F I C O 1 — A R E A P R O F . P E S Q . E N F . P E D . D e 1975 a 1985

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T A B E L A 1

AREA DE ATUAÇÃO PROFISSIO-NAL DOS PESQUISADORES EM ENFERMAGEM PEDIÁTRICA, DE

1975 A 1985.

Atuação

Profissional Número % Docentes 56 91,8 Não-Docentes 2 3,3 Não-identificados 3 4,9

T o t a l 61 100,0

Conforme mostra o gráfico 2, a obtenção de título de mestre foi a motivação para a realização de 91,8% das pesquisas, enquanto a obtenção dos títulos de Doutor e de Livre-Docente foi de apenas 6,6% e 1,6%, res-pectivamente.

A implantação de programas de pós-graduação no País é, provavel-mente, justificativa dessa freqüência de 91,8% para obtenção de título de mestre.

G R A F I C O 2 — T Í T U L O S O B T I D O S P E L O S P E S -Q U I S A D O R E S .

De 1975 a 1985

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T A B E L A 2

TÍTULOS OBTIDOS PELOS PES-QUISADORES, DE 1975 A 1985.

Título

Mestre

Doutor

Livre-Docente

T o t a l

Número

56'

4

1

61

No gráfico 3 encontramos, no período de 1975-79, média anual de pesquisa de quatro trabalhos por anoj já no período de 1980-85, a média anual passa a ser de 6,8 pesquisas por ano. A crescente produção cien-tífica, fpi também constatada por COZZUPOLI & GARCIA4.

(5)

USP-SP, USP-Ribeirão Preto e Federal-SC, foram iniciados em 1972,1973, 1975 e 1976, respectivamente.

G R A F I C O 3 — P R O D U Ç Ã O C I E N T Í F I C A A N U A L D O S P E S Q U I S A D O R E S E M E N -F E R M A G E M P E D I Á T R I C A .

D e 1975 a 1985

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T A B E L A 3

PRODUÇÃO CIENTIFICA A N U A L DOS PESQUISADORES EM E N -FERMAGEM PEDIÁTRICA, DE

1975 A 1985.

Ano Número

%

1975 2 3,3

1976 1 1,6

1977 2 3,3

1978 4 6,6

,1979 , 11 18,0

1980 4 6,6

1981 8 13,1

1982 8 13,1

1983 8 13,1

1984 6 9,8

1985 7 11,5

T o t a l 61 100,0

A figura 4 mostra que a produção científica em Enfermagem Pediá-trica concentra-se na região sudeste (85,3%) e sul (13,1%).

Este dado é devido ao fato de, nestas regiões, terem sido instalados os primeiros programas de pós-graduação em enfermagem no País, pro-vavelmente por contarem com maior disponibilidade de recursos humanos.

G R A F I C O 4 P R O D U Ç Ã O C I E N T Í F I C A E M E N -F E R M A G E M P E D I Á T R I C A . P o r Região Demográfica no Brasil 75/85

T A B E L A 4

PRODUÇÃO CIENTIFICA EM E N -FERMAGEM PEDIÁTRICA, POR REGIÃO G E O G R Á F I C A , NO

BRASIL, DE 1975 A 1985.

Região Geográfica

Sudeste Sul

Nordeste

T o t a l

Número 52 8 1 61 85,3 13,1 1,6 100,0

(6)

a enfermagem; demonstra, também, que os docentes estão realizando suas pesquisas na área de assistência, em detrimento da área de ensino, fato retratado pela pouca contribuição para os estudos sobre a qualidade do ensino.

N E I R A HUERTA et alii7 encontraram, igualmente, prevalência de pesquisas sobre a assistência na área Materno-Infantil e perguntaram: "embora os problemas da assistência sejam mais evidentes e exijam so-lução imediata, não seriam eles o reflexo de educação falha? Nesse caso, não mereceria a educação de enfermagem materno-infantil maior rele-vância nas pesquisas a serem desenvolvidas?"

T A B E L A 5

AREA DE ABRANGÊNCIA D A PESQUISA EM ENFERMAGEM PEDIÁTRICA, DE 1975 A 1985.

Abrangência . Número %

Assistência 45 73,8 Administração 11 18,0 Ensino 5 8,2

T o t a l 61 100,0

O gráfico 6 mostra que o método quantitativo foi o mais utilizado pelos pesquisadores (95,1%).

Esse resultado também foi constatado por ROCHA et alii1 0, N E I R A HUERTA et alii7

, e COZZUPOLI & G A R C I A4

, em levantamentos efetuados sobre pesquisa na área materno-infantil.

Em relação ao método quantitativo, o nível 1 — descritivo — ana-lítico, é o predominante (86,9%).

A não utilização de outros níveis de pesquisa indica que os pesquisa-dores não estão buscando solucionar os problemas e sim apenas identi-ficá-los.

O método qualitativo foi o menos utilizado pelos pesquisadores (4,9%), provavelmente por ser recente o seu emprego.

Embora esse percentual não seja significativo o fato de ter sido uti-lizado demonstra que já há algum interesse pela qualidade, e que os en-fermeiros já buscam meios de investigação que sejam mais adequados ao estudo proposto pelo pesquisador.

G R A F I C O 5 — A R E A D E AGRANGJSNCTA D A P E S Q U I S A .

D a Enf. P e d . (1975-1985)

(7)

G R Á F I C O 6 — C L A S S I F I C A Ç Ã O D A P E S Q U I S A E N F . P E D . 1975-85.

Quanto ao Método e Nivel

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J I.U CO.:- í U JJ X .

. T A B E L A 6

CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUI-SAS EM ENFERMAGEM PEDIÁ-TRICA QUANTO A O MÉTODO E

NIVEL, DE 1975 A 1985.

Método

e Nivel Número

Mét. Quant. Nível 1 Nivel 2 Nivel 3 Mét. Qualit. (58) 53 1 4

T o t a l 61

Obs.: Nivel 1 — Descritivo-Analítico Nivel 2 — Correlacionai Nivel 3 — Experimental

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Em face dos dados obtidos podemos concluir que:

— na pesquisa em Enfermagem Pediátrica, no tocanto à abrangência, há predomínio de assuntos: sobre assistência. Esse fato demonstra que a pesquisa, nesta área, não difere da pesquisa na área de enfermagens, materno-infantil;

— como na área materno-infantil, na enfermagem pediátrica existe grande preocupação com a prática assistencial, demonstrado pela maior utilização de trabalhos no nível descritivo-analítico;

— a docente demonstra maior interesse em investigar sobre a assis-tência, em detrimento da investigação sobre o ensino;

— os programas de pós-graduação são mais freqüentados por do-centes, que por enfermeiros de campo;

— o método qualitativo está sendo pouco utilizado pelo pesquisador da área de enfermagem pediátrica. É um método recentemente empregado nas pesquisas e indica a preocupação com novas formas de investigação.

A partir das conclusões apresentadas recomendamos que:

— as entidades que se utilizam de enfermeiros procurem incenti-vá-los a freqüentar programas de pós-graduação, liberando-os de suas funções durante o curso, bem como proporcionando recursos materiais para a realização de tais programas.

(8)

— os pesquisadores utilizem-se de outros métodos e níveis de pesquisa além do quantitativo-descritivo; proponham soluções e busquem as causas dos problemas investigados, por meio da utilização do método qualitati-vo, e dos níveis correlacionai e explicativo do método quantitativo.

— as escolas divulguem com maior precisão as pesquisas realiza-das pelos alunos de pós-graduação e as fontes bibliográficas de utilização nacional, como por exemplo o catálago de Banco de Teses do MEC, isto porque nem todas as pesquisas de enfermagem estão catalogadas e os dados disponíveis são incompletos, no que se refere aos pesquisadores. BONILHA, A.L. de L.; HORTA, A.L. de M.; RIBEIRO, M.O. Research in pediatric

nursing. Rev. Esc. Enf. USP, São Paulo, 2/(2):117-134, Aug. 1987.

This work give informations about modalities of research in pediatric nursing realized to obtain academical title from 1975 to 1985, in Brazil.

UNITERMS: Research. Pediatric Nursing.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2. A S S O C I A Ç Ã O B R A S I L E I R A D E E N F E R M A G E M . Informações sobre pesquisas e pesqui-sadores em enfermagem. Brasília, Centro de Estudos e Pesquisas em enfermagem, 1979-1984. v. 1-4.

3. B R A S I L . Ministério da Educação e Cultura. Catálogo do Banco de Teses. Brasília, 1977-1982. v. 1-4.

4. C O Z Z U P O L I , C A . & G A R C I A , T . J . M . Pesquisa em enfermagem materno-infantil. I n : S E M I N Á R I O N A C I O N A L D E P E S Q U I S A E M E N F E R M A G E M , 49, São Paulo, 1985. Anais. São Paulo, Associação Brasileira de Enfermagem, 1985. p. 31-41.

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11. U N I V E R S I D A D E D E SAO P A U L O . Escola de Enfermagem. Relação de dissertações apresentadas na Escola de Enfermagem da U S P . São Paulo, Secretaria da Pós-Gra-duação, 1986. (datilografado)

(9)

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