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Rev. LatinoAm. Enfermagem vol.2 número2

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Academic year: 2018

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APLICAÇÃO DE RESULTADOS DE PESQUISA NA PRÁTICA DE ENFERMAGEM

por CRESO MACHADO LOPES - São Paulo. Sarvier, 1993, 89 páginas.

Silvia Helena de Bortoli Cassiani*

O autor, professor adjunto do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Acre e enfermeiro do INAMPS do Acre, já havia publicado sua dissertação de mestrado tratando sobre a produção científica dos enfermeiros assistenciais, obra, aliás, largamente citada e reconhecida.

Traz agora, sob a forma de livro, sua tese de doutoramento defendida na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP e continuando na temática do mestrado, se propõe a focalizar a utilização do conhecimento científico produzido pelo enfermeiro assistencial na sua prática profissional.

Não se trata de obra volumosa, 86 páginas, porém é densa em suas informações e citações. É apresentada em seis capítulos, sendo os três primeiros sobre pesquisa pura e aplicada e seus conceitos teóricos, o capítulo quatro traz a questão da comunicação dos resultados da pesquisa como recurso para sua aplicação na prática e o capítulo cinco, quase que introdutório ao seguinte, trata da utilização dos resultados das pesquisas na prática da enfermagem.

O sexto capítulo, denominado produção do conhecimento por enfermeiros assistenciais - sua utilização na prática, é o corarão desta obra. O capítulo apresenta os resultados do levantamento do conhecimento produzido pelos enfermeiros assistenciais publicado em dez periódicos nacionais, no período de 1960 a 1985; verifica se houve aplicação desse conhecimento pelos enfermeiros nos seus campos práticos e identifica as facilidades e/ou dificuldades encontradas por esses enfermeiros ao aplicar os resultados de suas próprias pesquisas.

*Assistente do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da EERP-USP

RESENHA DO LIVRO

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Neste capítulo percebe-se claramente as posições do autor, que remete o leitor ao seu primeiro trabalho, diminui a citação de outros autores e torna a leitura sobremaneira agradável, principalmente por mostrar, conhecer as diversas razões e justificativas apresentadas pelos enfermeiros para a utilização ou não de pesquisa na sua prática. Encontrando desde aquele que "mencionou sentir fobia pelos trabalhos acadêmicos, uma vez que são feitos para obter títulos ou preencher requisitos legais, sendo que 90% deles

não serviam para nada, a não ser ocupar lugar nas prateleiras" (p. 61); até os que acreditam no valor da pesquisa e da importância do oferecimento de condições para que o enfermeiro realize investigações, como forma de aprimoramento profissional (p.79).

Todos os capítulos têm numerosas citações de autores, basta ver as cento e seis referências bibliográficas dispostas ao final da obra. Encontra-se neste ponto uma pequena crítica, não desmerecendo o valor da obra, e que a toma densa e com leitura que flui com alguma dificuldade dada as inúmeras citações de idéias dos vários autores mencionados.

A obra finaliza sob o argumento de que as mudanças são conseguidas nos serviços pelos esforços dos enfermeiros, que trabalham solitariamente e o autor conclama para o desenvolvimento de mais trabalhos em grupos integrados.

Sem dúvida, CRESO MACHADO LOPES soube tratar bem de um tema difícil e que causa certo desconforto, tanto nos que produzem, como nos que consomem a pesquisa. Nos primeiros porque querem ver os resultados de suas pesquisas divulgados e aplicados e creditam aos enfermeiros assistenciais, a aplicação destes resultados e aos enfermeiros assistenciais, ao argumentarem que muitas vezes as pesquisas não têm aplicabilidade prática quando não, mencionam encontrar dificuldade em implementar os resultados na prática dada a falta de condição das instituições de saúde.

É um livro de interesse para enfermeiros assistenciais, docentes e administradores de serviços de enfermagem, para quem, aliás, considero leitura obrigatória, dada a importância de sua atuação para o desenvolvimento de pesquisas por parte dos enfermeiros assistenciais. Seria inclusive um ótimo presente, embora provocador para esses administradores.

Tem lugar, pois, além das bibliotecas, nas mãos de todos os enfermeiros que estejam na direção, docência ou atuando nos serviços de enfermagem.

Referências

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