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Rev. Bras. Estud. Presença vol.4 número2

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Academic year: 2018

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A pr e s e nt a ç ã o

Rev. Bras. Estud. Presença, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 172-173, maio/ago. 2014.

D i s p o n í v e l e m : < h t t p : / / w w w . s e e r . u f r g s . b r / p r e s e n c a > 172 ISSN 2237-2660

Apresentação

Gabriele Sofia

Universidade Paul Valéry Montpellier 3 – Montpellier, França

Quando apresentei ao professor Gilberto Icle a proposta de dedicar uma seção temática sobre Teatro e Neurociências para a Revista Brasileira de Estudos da Presença, foi-me solicitado que não convidasse estudiosos com trabalhos já publicados na revista. Por um lado, esse pedido me impediu de entrar em contato com alguns estudiosos que já tinham desenvolvido o tema, mas, por outro, permitiu que eu dedicasse boa parte da seção temática a uma nova geração de pesquisadores que, nos últimos anos, procuraram conectar os estudos do teatro com a neurociência cognitiva. Como já é sabido, o interesse das culturas do teatro pelas ciências do cé-rebro não é nada novo. O que é novo, entretanto, é a maneira pela qual as neurociências começaram a estudar o ser humano como um sistema profundamente relacional, necessariamente intersubjetivo. O advento de novos campos de investigação interdisciplinar, como, por exemplo, as assim chamadas neurociências sociais, destaca a necessidade de superar paradigmas experimentais que isolam o sujeito do ambiente em favor de um estudo de mecanismos cognitivos em situações de interação com outros indivíduos. Em um panorama como esse, as culturas do teatro não apenas descobriram que determinadas abordagens neurocientíficas são mais apropriadas ao estudo da relação ator-espectador, mas também demonstraram como o teatro pode ser um lugar especial para o estudo dos potenciais relacionais do ser humano. Ao selecionar contribuições para esta seção, escolhemos, portanto, representar especialmente essa nova fase de investigações interdisciplinares entre as artes cênicas e as neurociências.

O artigo de Enrico Pitozzi abre a seção com uma reflexão sobre como as novas tecnologias influenciam os processos perceptivos de performers e espectadores. Ao analisar as práticas criativas de alguns coreógrafos contemporâneos, Pitozzi nos mostra como determinados dispositivos permitem que o performer tenha uma percepção diferente de si e do es-pectador, multiplicando, assim, os potenciais criativos dessas percepções. O artigo de Pitozzi é seguido por um ensaio na forma de uma carta escrita pelo performer e pesquisador Victor Jacono. Ambiciosa em seu escopo, a carta parte da ideia básica de que tanto os cientistas cognitivos como os pesquisadores teatrais exploram o potencial das funções cognitivas do ser humano em suas investigações. Mesmo assim, ainda está faltando

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A pr e s e nt a ç ã o

Rev. Bras. Estud. Presença, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 172-173, maio/ago. 2014.

D i s p o n í v e l e m : < h t t p : / / w w w . s e e r . u f r g s . b r / p r e s e n c a > 173

uma circulação adequada de aprendizagem entre os dois campos. A carta destaca os aspectos que dificultam essa circulação de saber, as vantagens que esse intercâmbio traria a ambos os campos e alguns possíveis pontos de partida para um diálogo que agora é necessário. O terceiro artigo, de Dorys Calvert, apresenta-nos um relato histórico das relações entre teatro e ciência, enfocando particularmente o tema das emoções, um aspecto que é tão espinhoso quanto central ao debate interdisciplinar corrente. O quarto artigo relata um dos primeiros experimentos científicos realizados para investigar a experiência do espectador: o autor, Yannick Bressan, apresenta-nos os desafios metodológicos e os resultados científicos oriundos de uma colaboração entre neurocientistas, estudiosos do teatro e artistas. Após o artigo de Bressan, o leitor terá a possibilidade de acessar duas con-tribuições fundamentais, defendendo uma abordagem interdisciplinar dos Estudos Teatrais. O primeiro artigo é de John Schranz, diretor teatral, pedagogo e estudioso da Universidade de Malta. A partir da década de 1990, Schranz associou sua pesquisa artística prática a diversas colaborações com neurocientistas e psicólogos cognitivos. O artigo, primeiro publicado em 2004 e aqui traduzido, representa uma das reflexões epistemológicas mais articuladas sobre o potencial de um Encontro entre os paradigmas das ciências e aqueles pertencentes às culturas do teatro. Segue-se a tradução de um artigo de Rose Whyman, estudiosa da Universidade de Birmingham. Inicialmente publicado em 2007, o artigo desenvolve uma minuciosa reflexão histórica sobre a influência que alguns fisiologistas e psicólogos importantes tiveram sobre o pensamento e a terminologia de Stanislavski. Uma compreensão profunda da base epistemológica das ciências pode, de fato, oferecer uma nova perspectiva sobre a história do teatro. Ao ter essa ideia como meu ponto de partida, no último artigo, sugiro determinados critérios para uma análise vertical dos encontros entre o teatro e as ciên-cias do cérebro no século XX, refletindo sobre os temas recorrentes que atravessam os dois campos.

Obviamente, uma seção temática como esta não pretende ser exaus-tiva, mas propor uma visão geral – necessariamente parcial – sobre estudos contemporâneos. Ao justapor duas contribuições fundamentais a cinco artigos da nova geração de pesquisadores, tentamos oferecer ao leitor uma reflexão atualizada sobre diversos aspectos e, ao mesmo tempo, ter presentes as raízes que produziram perspectivas interdisciplinares contemporâneas metodologicamente precisas. Desejo a todos uma boa leitura.

Traduzido do original em inglês por Ananyr Porto Fajardo e publi-cado neste mesmo número da revista.

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