Aj G – Bol da PM n.º 080 - 05 JUN 2008
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3. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR – CONFECÇÃO – DETERMINAÇÃO AOS ENCARREGADOS.
Considerando o excessivo número de formalidades e procedimentos não observados pelos encar-regados de IPM;
Considerando que as principais fontes legais para a confecção de um IPM são a CRF/88B, CPPM, CPM e o M-5 (Manual de Inquérito Policial Militar e Auto de Prisão em Flagrante de Delito);
Considerando que o Comandante Geral da PMERJ é a maior autoridade no exercício da compe-tência originária dentre as autoridades de polícia judiciária militar, que delega aos encarregados de IPM a atribuição de polícia judiciária militar (CPPM, art. 7º);
Considerando que os encarregados de IPM também podem ser responsabilizados administrati-vamente e/ou criminalmente por erros cometidos durante a apuração;
Considerando que o IPM é procedimento administrativo inquisitorial, onde não incidem as ga-rantias constitucionais da ampla defesa e contraditório, sendo ele um instrumento de suma importância para a Administração da justiça e para a Corporação;
Face o exposto, o Comandante Geral, no uso de suas atribuições, elenca as falhas mais comuns na confecção de IPM, e determina aos encarregados que doravante não cometam tais erros durante a con-fecção do procedimento, sob o risco de serem penalizados administrativamente e/ou criminalmente.
1.Falta de autuação nas peças exordiais (“autue-se” com a respectiva data, rubrica e carimbo do en-carregado) nos autos do IPM (CPPM, art. 21);
2.Termos - conclusão, recebimento, certidão e juntada, usados de forma incorreta;
3.Utilização indevida do Termo de Juntada para documentos expedidos pelo Encarregado de IPM, quando somente é utilizado o Termo em comento por ocasião de documentos recebidos, ou seja, os documentos que “vem de fora” (inclusive ofícios de apresentação de policiais militares), assim como do despacho de “julgo procedente junte-se aos autos”, no documento ou documentos a serem juntados, no qual deverá ser feito pelo encarregado do IPM;
4.Termo de inquirição superficial, deixando de aprofundar questões relevantes como, por exemplo, procedência de veículo, armamento, telefone celular, além da não utilização do termo de acareação por ocasião de depoimentos contraditórios;
5.Falta de auditoria via GPS, quando necessário;
6.Falta de ficha disciplinar do Indiciados e Ofícios de apresentação; 7.Utilização do termo ‘convite’ ao invés de ‘notificação’ (CPPM, art. 347);
8.Relatório bastante sucinto, não descrevendo de forma detalhada o que foi apurado, conforme prevê o M-5 (OBJETIVO DO IPM, DILIGÊNCIAS REALIZADAS e RESULTADOS OBTIDOS e CONCLU-SÃO). Em síntese, cumprir rigorosamente o disposto no artigo 22, do CPPM, principalmente quanto a necessi-dade do Pedido de Prisão Preventiva – PP do indiciado;
9.Falta de comunicação à CIntPM quando concedida prorrogação de prazo pela promotoria em e-xercício junto à AJMERJ;
10. Quando da confecção do relatório não mencionar se houve transgressão da disciplina (e qual) por parte dos envolvidos no procedimento, além de infração penal militar;
11. Falta de perícia nos crimes que deixam vestígios, tais como: lesão corporal, homicídio etc (CPPM, art. 328);
12. Amarração incorreta e capa imprópria para os autos;
13. Não observância das medidas preliminares a serem adotadas (CPPM, art. 12),
14. Denominação incorreta das pessoas ouvidas no procedimento, tais como: declarante, envolvi-do, depoente. No IPM o sujeito é ouvido como INDICIADO, TESTEMUNHA ou OFENDIDO, dependendo de cada situação;
15. Termo de Encerramento de Volume (O termo de encerramento só se usa na fase judicial, por ordem da autoridade judiciária competente); e,
16. Atraso na remessa dos autos à CIntPM para posterior solução do Comandante Geral. Tal fato acarreta prejuízos tanto para a administração como para a justiça.