• Nenhum resultado encontrado

Interface (Botucatu) vol.3 número4

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Interface (Botucatu) vol.3 número4"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

168

Interface

_

Comunic, Saúde, Educ 4 TESES

O idealismo de Hegel e o

materialismo de Marx:

demarcações questionadas

Hegel e Marx têm sido relacionados na História da Filosofia pela redução de um ao outro, pela exclusão de um em relação ao outro e ainda pela completitude entre eles.

O que é investigado aqui é precisamente a relação que afirma a complementaridade entre eles. Não se busca anular a diferença que distingue um do outro, mas recuperar a aproximação que a mesma diferença

viabiliza.

A mencionada aproximação entre Hegel e Marx é procurada na dialética idealismo-materialismo. Hegel é marcadamente idealista e Marx, por sua vez, materialista, mas até que ponto ambos encontram-se enclausurados em si mesmos e afastados da posição do outro?

Da análise do que Hegel pensava sobre o idealismo e sobre o materialismo e do que Marx pensava sobre o idealismo de Hegel e sobre o materialismo depreende-se que tanto um quanto outro invadem o campo alheio. Se isso não atesta a assunção dos

posicionamentos do outro, também não

possibilita uma desconsideração cabal do contrário. Em outras palavras, Hegel não evitou o materialismo e o mesmo não fez Marx com o idealismo. O momento da passagem do idealismo pelo materialismo e vice-versa é um momento de superação, que ocorre necessariamente por esse caminho.

Procurando aprofundar e oferecer sustentação a essa tese, realizou-se a busca do materialismo na ontologia, na

epistemologia e na história em Hegel e, por outro lado, as indicações da presença do idealismo na ontologia, na epistemologia e na história em Marx. Obviamente, a ontologia, a epistemologia e a história não são vistas em separado nem por Hegel nem por Marx. Por isso a abordagem empreendida

intenciona uma exposição para efeito de melhor compreensão.

A consideração dos textos de Hegel permite apontar para a materialidade do Espírito mesmo que ela seja resultante deste, pois a exteriorização do Espírito nas diversas formas de matéria é o que garante o ser em-si. Não há em-si sem o para-si. O infinito depende do finito. A dependência é uma necessidade, mas é o único fundamento da liberdade.

A obra de Marx insiste na primazia da materialidade e essa insistência abre espaço ao Espírito, à idealidade, ao constituir a premência de uma explicitação. Esta não acontece sem referenciais postos antes e que projetam o depois. A realidade dada não se abre por completo, posto que o dado é também um em-si que precisa ser tomado no para-si da idéia para ser atingido.

Hegel e Marx também são um sem o outro, mas enquanto empenharam-se em buscar o real parece que, unidos pela diferença, compõem melhor o todo tão perseguido.

Pedro Geraldo Novelli

Tese de Doutorado, 1998 Programa de Pós-graduação em História e Filosofia da Educação Faculdade de Educação, Unicamp

EDOU

ARD MANET

Referências

Documentos relacionados

Assim, além de suas cinco dimensões não poderem ser mensuradas simultaneamente, já que fazem mais ou menos sentido dependendo do momento da mensuração, seu nível de

Vale à pena destacar ainda, que de acordo com o pedagogo Paulo Freire, (1974 apud MOITA LOPES, 1996, p.134) sobre o ensino de leitura em língua estrangeira “[...] pode

O método utilizado para elaboração textual foi o de levantamento de publicações com base em banco de dados nacionais e internacionais, com o objetivo de identificar

A mudança do comportamento dos clientes em relação ao consumo de água na região metropolitana de São Paulo decorrente da crise hídrica em 2014/2015 ocasionou

Acima dessas vigas será construído mais dois pilares e uma viga fazendo um fechamento ao redor da cobertura metálica, pores suas funções são apenas arquitetônicas.. Todos

Com esta análise pode-se concluir que o facto de uma empresa se internacionalizar não quer dizer que seja uma multinacional pois são muito poucas as pequenas empresas

Porém, a excepção invocada não procede, quer porque não se instaurou qualquer novo processo, quer porque a decisão proferida no douto acórdão mencionado não julgou o