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Interface (Botucatu) vol.12 número27

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Academic year: 2018

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v.12, n.27, p.695, out./dez. 2008 695 COMUNICAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO

Formação em saúde: investigando práticas no âmbito de cursos de graduação

No momento em que enfrentamos desafios e abrimos perspectivas de transformação do ensino superior em saúde, (re) construindo processos formativos significativos para alunos, professores e comunidade, o conjunto de artigos que compõem a seção Dossiê deste fascículo de Interface

representa uma fecunda incursão em experiências, saberes e pressupostos que têm constituído cenários de aprendizagem e ensino, com seus ritmos, especificidades e significados.

O primeiro artigo, Mudança curricular: construção de um novo projeto pedagógico de formação na área da Fonoaudiologia, apresenta uma cuidadosa pesquisa descritivo-analítica com foco nas

transformações educacionais em uma experiência formativa. As autoras identificaram como pontos de avanço no processo de mudança no curso analisado, dentre outros, a maior integração das disciplinas básicas com as atividades de caráter profissionalizante; uma maior articulação entre atividades de ensino, pesquisa e extensão e a interação entre estudantes dos vários níveis de formação nas ações de

promoção da saúde e prevenção de agravos. Analisando os desafios de reformulação do já estabelecido, enfatizam os desarranjos e rearranjos próprios deste processo e as dificuldades de enfrentamento dos atores envolvidos.

Como possibilidade de inserção dos alunos em espaços de aprendizagem potencialmente

diferenciados em relação aos cenários mais tradicionais, o segundo artigo, Ligas Acadêmicas e Formação Médica: contribuições e desafios, investiga o lugar das ligas acadêmicas no currículo informal e na aprendizagem do futuro médico. As possibilidades dos graduandos elaborarem itinerários formativos significativos e mobilizadores da construção de conhecimentos práticos, articulando o aprender nas dimensões intelectuais, afetivas e relacionais, bem como o desenvolvimento de capacidade crítica e reflexiva, são destacadas pelos autores como aspectos importantes no desenvolvimento destas atividades acadêmicas no interior dos cursos médicos.

A terceira pesquisa, Formação reflexiva: representações dos professores acerca do uso de portfólio reflexivo na formação de médicos e enfermeiros, contribui, também, com o atual debate sobre o ensino em saúde ao trazer para discussão uma pesquisa sobre o uso do portfólio na formação de graduandos de Enfermagem e Medicina.

As autoras realçam que a construção deste instrumento foi reconhecida pelos professores entrevistados como uma estratégia capaz de estimular a capacidade reflexiva dos estudantes e o acompanhamento contínuo dos processos relativos ao seu desenvolvimento pessoal e profissional. Isto implica uma potencialização do conhecimento reflexivo, tendo como direção ético-acadêmica a emancipação dos sujeitos em formação.

Além do fio temático condutor – transformando o ensino em saúde - identifica-se que os três estudos aqui apresentados também partilham da pesquisa qualitativa como caminho metodológico privilegiado para responder a questões que perpassam o cotidiano da formação de profissionais da saúde. Enuncia-se uma complexa e relevante tríade entre saúde, educação e pesquisa qualitativa.

Ainda nesta direção, o texto Lista de discussão como estratégia de ensino-aprendizagem na pós-graduação em Saúde, publicado na seção Espaço Aberto deste número, situa uma análise teórico e metodológica próxima e convergente com a discussão sobre a formação em saúde e sua investigação a partir do olhar investigativo.

Educação, essa palavra imensa! Esta expressão de Cecília Meireles situa o sentido de investigar sobre processos de formação em saúde: abrir interlocuções, expor idéias, alimentar o debate, inspirar estudos. Que as idéias, os projetos e as perspectivas presentes neste número sejam também disparadoras de diálogo, aprendizagem e projeção de novas investigações sobre as relações entre educação, saúde, formação e pesquisa.

Referências

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