PARA QU
E
A
M
A
TEMÁTICA HOJ
E
?
Daniel de Freitas Barbosa
*
Esta é aquestão que mais me incomoda nos últimos anos. Eesse incômodo está diretamente vinculado ao fato de que está setomando cada vez mais difícil -senão inviãvel -pensar o que ensinar de Matemática hoje e, aseguir, como ensinar Matemática hoje, sem antes ter pelo menos vislumbrado para que aMatemática hoje.
Mediante osupra colocado, é possível ao leitor imaginar oestado de angús -tia eansiedade noqual vive um professor que trabalha num Curso deLicenciatura em Matemática -onde se pretende formar professores de Matemática para o 1°e2° graus - e que, ultimamente, está trabalhando exatamente com Prática de Ensino de Matemática. No caso, sou um desses professores.
A uma primeira vista, parece-me claro que ocampo de aplicação da Mate -mática seamplia constantemente e que esta ampliação nãoé possível por um limi-te. O crescimento das aplicações é uma das evidências da existência edo fortaleci-mento das relações da matemática com outras ciências, o que levou alguns cientis-tas a chamarem aMatemática de "rainha e escrava de todas as ciências".
Assim parecendo ser, ao invés de redigir este texto embasado unicamente em estudos bibliográficos, achei oportuno e esclarecedor antes ouvir pessoas com formação acadêmica diversa da minha a resposta
à
questão em pauta, para aseguir tentar algumas colocações pessoais, ou seja, colocar os meus questionamentos a respeito do tema, objetivando suscitar debates entre os colegas - principalmente os atuantes em Matemática para o 1°lou
2° graus.Para tanto, escolhi - sem amenor pretensão de inferências generalizadas -10 (dez) pessoas cujas formações acadêmicas são as seguintes: Engenharia Civil (A), Zootecnia (B), História (C), Pedagogia (D eE), Jornalismo (F), Direito (G), Educação Física (H), Psicologia (I) e Estatística (J). Cabe esclarecer que com for -mação acadêmica em Pedagogia foram entrevistadas duas pessoas, sendo que uma delas trabalha com Orientação Educacional e a outra, no momento, exerce apenas atividades de dona-de-casa.
As entrevistas foram realizadas em julho de 1988 ea nenhum dos entrevis-tados a questão foi colocada com qualquer antecedência. Todos deram suas
res-• Departamento deMatemática da UEM - MaringáPR
postas de imediato, as quais foram gravadas e por mim transcritas.
As respostas dos entrevistados à pergunta" Para que aMatemática Hoje ?" Foram as seguintes:
A) A Matemática eu considero que do jeito que nós caminhamos hoje, é a base de tudo. Técnicas, estruturas, a parte da Engenharia, Computação, abase de tudo é a Matemática na vida de hoje. Eu considero. Apesar do meu ramo não ser cálculo estrutural, mesmo assim eu uso Matemática. Orçamentos, controle deobras, estoque, controle financeiro, tudo uso Matemática.
B) Na minha área, especificamente, como a gente lida com fase experime n-tal, depende da Matemática também. Não só da Estatística. No caso de fazer aval i-ação e testar resultados deprojetos, entra a Matemática fundamentalmente. E não só aí mas numa série de outras atividades relacionadas ao Curso você precisa. Mesmo que seja, por exemplo, um cálculo simples: prá fazer ocálculo do interv a-lode parto de um animal, esquemas de ganho de peso; são coisas que necessitam o uso de fórmulas matemáticas, embora sejam simples. Tanto é que o nosso Curso de Zootecnia tem Matemática no currículo básico. Além disso, aparte decálculos prá construções simples de instalações
prá
animais, por exemplo.Agora, em termos mais gerais me fica mais difícil responder. Mas eu acho que a Matemática
é
tão importante como o estudo da Língua Portuguesa, nonosso caso. Talvez ele seja mais importante porque a Matemática é uma cultura un iver-sal, ela embasa tudo. Em qualquer lugar, 2+
2=4.C) Ah! Mas a Matemática é importante. O que é que você pode fazer sem Matemática ? Eu acho que nada, não é ? A numeração está aí, todo mundo usa, todo mundo usa a Matemática em tudo. A matemática não é usada em tudo? Eu acho que é. Eu não sou da área da Matemática, sou da área deHistória mas dentro da História nós usamos a Estatística. A Matemática eu acho que entra em todos os campos. A Estatística é Matemática, não é? Eu acho, não deixa de ser um ramo da Matemática. Eu acho que aMatemática entra em todos os campos do conhecim en-to humano.
É
importantíssima, Não se pode fazer nada sem aMatemática. Princ i-palmente no mundo de hoje.D) Na minha vida diária, sendo apenas dona-de-casa, eu não preciso da Matemática. Agora, pensando como pedagoga, eu acho que aMatemática desen -volve o raciocínio; a pessoa fica com o raciocínio mais rápido. Enão só prá racio -cinar na Matemática mas também em outras coisas. A Matemática sempre foi uma das matérias que mais gostei. Eu gosto da Matemática.'
E) Nos últimos 10 anos trabalho com
Orientação
Educacional
.
Eu acho que
a
Matemática é uma matéria fundamental
.
Porque, principalmente depois da
Mate-mática
Moderna,
eu acho que de um modo geral, globaliz
o
u
tudo. Sem
a
Matemá-tica eu
acho que seria impossível porque com
a
Matemática
Moderna o aluno
aprende brincando; com uma historinha
al
i
globalizando a aula, por meio de uma
brincadeira você desperta o interesse na
criança
e
ela aprende. Depende também
do professor.
Porque não é só chegar e falar
que
2
+
2
=
4
.
A matemática mudou
bastante. Então eu acho fundamental, eu acho que seri
a i
mpossível ensinar uma
outra
matéria sem a Matemática. Eu tive alguma
dificuldade em Matemática mas
acho
que foi mais por falta dos meus primeiros
professore
s
.
Em termos
de utilidade, de um
modo
geral,
pro s
er
humano, eu acho que
seja impossível
fazer qualquer coisa que não
entrasse a
Ma
temática.
F)
Depende de como resolver.
Se
f
or
prá
Curso
Su
perior,
não. Mas para
nível
secundário eu acho que é altamente importante
pa
r
a
poder desenvolver o
raciocínio.
Pra
humanidade de modo
geral, hoje, a
gente not
a no
s
ramos
técnicos que
a
Matemática é altamente importante nos
ce
ntros de pes
quis
a e
nas
fábricas.
Mas
para
as empresas, digamos do
meu ram
o,
ela não tem
gra
nde influência. É mais
conhecimento de
teoria. Agora, para as
i
ndústrias ela t
em
grande influência para
cálculos.
Nesta parte a Matemática é
fun
da
mental
,
porq
ue é
através da Matemática
aliada aos princípios
de Física, de Eletri
cid
ade e outros
mai
s, que se utiliza a
Ma-temática
para poder chegar ao avanço da
t
ecnologia.
Eu acho que nessa
parte de avanço
te
cnológic
o
a
Mat
emática é fundamental
mas na parte humana, a gente nota que
os
gran
d
es m
atem
áticos são poucos
e se
distanciam muito em relação à pessoa
hu
mana. Fica
m cri
aturas um pouco mais
embrutecidas e não dão tanto valor na pa
rte
humana. E
les ac
ham que só eles terem
uma grande capacidade de raciocínio ma
te
mátic
o é
mai
s im
portante do que
outras
coisas ligadas às próprias
criaturas.
A Matemática hoje,
com o avanço
do
s computad
ores
, com programas
espe-cífico
s
de cálculos, os matemáticos
em si
ho
je perderam
tam
bém uma grande força
com a procura. Porque
hoje
os comput
ado
res, por exe
mpl
o, na construção
civil,
tirou
praticamente a mão-de-obra
de ele
m
entos de mat
emá
tica que faziam
cálcu-los. Hoje se faz tudo através de compu
tad
ores. Eu es
tava
conversando com
um
engenheiro construtor
e
ele
disse de tu
do
que é de cá
lculo
s dos edifícios
daqui,
eles
mandam
prá
São
Paulo e com 3
(
t
r
ês) dias volt
a tu
do calculado,
tudo já
esquematizado, pronto,
sem perda de tem
p
o. Antigame
nte
em edifício de 20 (vin
-te) andares, para
se calcular levava-se m
e
ses. Hoje co
m 3
(três) dias vai
e
volta
tudo pronto. Modificou muito. O avanço tecnológico ti
r
ou co
m
os compu
t
adores,
essa suprema
ci
a que existia com matemáticos pa
r
a cá
l
culos.
G) Eu não posso fal
a
r que Matemática sig
n
if
i
ca alguma coisa prã
m
im
por-que eu nunca fui expressiva em Matemática. Mas eu a uso prá calcula
r
minha vida
econômica, mi
n
ha dotação orçamentária. Na minha vida profissional
s
ão os cá
l
cu-l
o
s trabalhistas. Na vida doméstica, na orientação dos me
u
s filhos. A
m
pliando um
pouquinho mais o horizonte, vo
c
ê coloca um número. Os números
sã
o infinitos
,
não é ? Dentro da ciência, da tecnologia dentro da informãtica em tu
d
o e
n
tra
Ma-temática. Até prá explicar certos
f
enômenos dentro das ciências ocu
l
t
a
s, tais com
o
a cabala, a numerologias explic
a
ndo o sentido da tua vida num pl
a
no além do
consciente ativo.
Quando você falou Matem
á
tica
,
eu fui colhida de surpresa, p
or
que eu olho
a Matemática com trauma. Na ve
r
dade, quando você fez a pergunta eu
f
ique
i
assim
meio bloqueada
,
porque a Mate
má
tica sempre significou um bloque
io
. Eu nunc
a
tive opor
t
unidade de lidar com números com desenvoltura
.
Númer
os,
par
a
mim,
sempre foram letras
g
r
e
gas
.
Entã
o
eu fico bloqueada quando se fala
em
Matem
ã
ti
-ca. Se eu pego o cad
e
rno de Mat
e
mática de meus filhos, um de 1
Qa
no
de 1
Qgrau
,
eu sinto dificuldade
e
m ensin
a
r.
E
u tenho que me preparar antes, psi
co
logicamen
-te
,
prá depois tentar
exp
licar
a
lg
u
ma cois
a
prá eles.
Eu sei que a
Mat
emática
e
stá interligada em tudo. Mas eu
, até
prá faze
r
cálculo trabalh
i
sta, d
e
uma ação
tr
abalh
i
sta, eu tenho que recorrer
a
uma pesso
a
mais entendida n
o
a
ss
unto porq
ue
eu não consigo calcular. Você v
ê e
u tenho u
m
diploma
d
e nível superior e sou l
i
mitada na Matemática
.
Isso, por q
ue
? Def
i
ciên-cia de um
a
formação escolar.
Éa i
sso qu
e
eu atribuo. Não
édeficiê
nci
a minha
.
E
esse meu bloqueio
édevido a pe
s
soas despreparadas que vão prá
fre
nte de uma
turma de alunos e não tem, por
e
xemplo
,
psicologia prá lidar com
o
aluno
.
Não
têm uma forma pedagógica de ap
l
icar a matéria. Talvez saiba para si mesmos mas
não saibam transmitir. Ou talvez nem saibam e p
e
gam a incumbênci
a
só pelo
di-nh
e
iro
. E
u s
ou
fru
st
rada p
o
r
n
ão sa
b
er Mate
mátic
a.
E
u sei as q
u
atr
o
op
e
rações,
j
ur
os
e
olhe
l
á ! N
u
m esfo
r
ço
so
bre
hum
a
n
o.
Que h
orr
o
r,
n
ã
o
?
H) P
a
ra que a
M
atemática
n
a vida de um indivíduo
?
Eu
a
ch
o que
a Esco
la
deveria d
ire
cionar m
a
is
,
relacion
ar
mais
a
Matemática com
a
vida, c
om a
s ne
ce
s
si
-dades do
in
divíduo, como utiliz
ar
as contas que ele aprende dentro
do
coti
di
a
no
dele. Prá
q
ue serve aquilo que el
e
está aprendendo? Porque as pess
oas
ach
am
t
ão
difícil a matemática, tão complic
a
do? Porque não tem um tanto dir
eci
onament
o,
talvez, pr
á
vida delas. A partir do momento que for sentindo que aq
uil
o
éimpo
r
-tante, que vai beneficiar
,
vai faci
lit
ar
,
as pessoas gostariam mais. Eu
ne
m m
e l
e
m
-bro mais mas tinha tanta c
o
isa, ta
n
to esquema, regras e teorias e eu n
ão
consegu
ia
visu
a
liza
r
prá q
ue
f
i
m era aquilo
.
Embor
a
n
ã
o se
n
t
i
s
s
e di
fic
u
lda
de
,
t
ambém n
ão
ach
av
a nem rui
m
mas não tinha uma visão mais am
pl
a.
A
gor
a
,
a u
tilid
ade da M
a-tem
át
ica é em
t
u
do
.
Ela desen
v
o
l
ve o ra
c
iocín
i
o
. A
lé
m
de
s
er u
sad
a na v
id
a
o
próp
ri
o exercíc
i
o
e
u acho que
d
e
s
en
v
o
l
v
e o racio
cíni
o.
E
u
a
ch
o que
só por
e
s
te
f
a
to
é
bom. Ag
o
r
a, se
fosse d
ad
o
ma
is um
d
i
r
e
c
i
on
am
e
nto
,
porqu
e
o
a
luno tal
vez
não
c
apta isso s
e
ria
melho
r
aind
a
. Ma
s
el
a
é impo
r
tant
e
p
r
á
m
i
m
.
I
) A Mat
e
mática, dentro d
o
trabalho do p
s
i
c
ólo
g
o,
é u
t
il
iz
a
da n
o mome
nt
o
em
q
ue se faz
um l
evantamento estatísti
c
o
, a
lgu
m
a c
oi
sa
a
ss
i
m
. For
a isso, n
ã
o.
A
g
o
r
a,
na vid
a
di
ária
, tem merca
d
o
,
tem com
p
r
a
,
te
m
c
asa
e n
i
s
so
se
u
sa Mate
má
-t
ic
a. E
m
t
erm
os
g
e
r
ai
s pro se
r
hum
a
no
,
a M
a
tem
áti
ca é
út
i
l
em
t
u
do. U
ma mú
sic
a
é M
at
emáti
ca.
J)
Par
a
q
ue a
M
a
t
em
á
ti
ca? Pa
ra qu
e ser
v
e?
Be
m,
c
omo
c
i
ên
c
ia,
prá de
sen
-v
ol
ver
te
c
nolog
ia
. M
atemática
, co
m
o
ens
in
o
, e
u
n
ão c
o
nsi
go ente
nder.
Matem
á
t
i-c
a prá
m
i
m, é u
m
a c
iência prá desenvo
l
ve
r tec
n
olo
gia,
Ép
r
á
i
s
so
que
ela serve
n
a
min
ha vi
da hoj
e
.
A utilidade da Matemát
i
c
a
,
m
e
s
mo
no
ger
a
l, e
u
v
ej
o só ass
i
m
:
com
o
um dese
nv
o
l
vimento de tecnologia
.
Ela
é a
fe
rr
am
en
t
a q
ue v
ocê tem
p
rá
desenvol ver as
c
o
isas que a sociedade está pedindo
. P
o
r ex
e
mp
lo
,
a
Ec
onomia
te
m
que
a
ndar mais
r
á
pido
?
A Matemática serve exata
m
e
n
te
aí.
P
r
a
m
im
ela continua
ser
vi
ndo
.
Inicialm
en
te
,
as falas dos entrevistados e
vi
de
n
c
i
ara
m a M
ate
m
ática co
m
o
pos
s
uidora
,
ess
en
c
i
almente, de tr
ê
s tipos de
v
alore
s: f
o
rm
ativo
,
in
for
m
ativo e
ut
i
-litár
i
o (Araújo
,
1
983)
.
Formati
v
o
,
p
orque é através dela que o i
n
div
í
duo
a
d
qui
r
e
a
maneir
a
de
pensar, de utiliz
a
r o seu pensamento de maneira c
oe
r
e
nte.
"(
...
) pen
s
a
ndo como pedagoga, e
u
acho qu
e a
Mat
em
á
t
i
c
a des
envolve
(
D)
o ra
ci
ocínio (...
)
não só (...) na Matemática mas t
a
mb
é
m e
m
o
utr
as co
isa
s
.
"
"(
.
..) Ela
(
a
Matemática) desenvol
v
e o ra
c
i
o
c
í
n
io
(
.
.
.
),
o p
róp
r
io
(H) exe
rc
í-cio
eu
acho que
d
esenvolve o raciocínio
.
"
"(
.
..)
'p
ar
a
n
í
vel secundári
o
eu acho que é
alt
a
me
nte imp
orta
n
te (F
) p
a
ra
pod
e
r desenvol
v
er o raciocínio."
Informa
ti
v
o, porque o individuo toma conh
e
ci
ment
o
d
e
t
o
d
o o
seu cont
e
x-to fi
l
osófico e
h
i
stórico, sendo que através da ling
u
a
g
em e
da co
muni
cação m
at
e-mát
i
ca, tem-se
u
ma eficaz forma para situar a linh
a d
e tempo
d
e
uma
civilizaç
ã
o
.
"(...) pri
n
cipalmente depois da Matemátic
a
M
oder
n
a
,
e
u
acho
que de
(
E)
um modo geral
,
globalizou tudo (E) seria imposs
í
vel
ensina
r out
ra m
até
r
ia se
m
a
Matemá
ti
ca. "
"(...) até dentro da nossa área de História nós usamos a (
C
)
Estatística
(...)
que (
.
..) não deixa de ser um
r
amo da Matemática. Eu acho que a Matemática e
ntra
em todos os campos do conhecimento humano."
Utilitária, no sentido de que o homem transfere as suas hab
i
lidades adqu
iri-das durante todo o processo
'
de educação de forma a enriquecer o
a
prendido, co
mo
também num instrumento de trabalho necessário a uma profiss
ã
o e o de ou
tras
ciências.
"(...) todo mundo usa a Matemática em tudo. (...) Não s
e
pode fazer
(C)
nada sem Matemática. Princ
i
palmente no mundo de hoje."
"(...) Técnicas, estruturas, a parte de Engenharia, comput
aç
ão, (A) (
.
..
)
or-çamento, controle de obras,
e
stoque, controle financeiro, tudo
us
a
Matemát
i
c
a."
Para que
a
Matemát
i
ca (...) Bem, como ciência, pr
a
d
esenvol
v
er
(J)t
ecnologia.
"(
.
..) eu a uso para ca
l
c
ular minha vida econômica (...).
N
a
minh
a
(G
)
vida
profissional, são os cálculos
t
rabalhistas
.
"
"Na [Zootecnia) (
.
.
.
),
c
omo a gente lida com a fase exp
er
i
mental, (B
)
de-pend
e
de Matemáti
c
a também. (
.
.
.
) No caso de fazer avaliação
e t
estar resu
l
t
a
dos
de pr
o
jetos, entra a Matemát
i
ca fundamentalmente."
"(...) dentro do trabalho do psicólogo, é utilizada no mom
e
n
t
o em (I
)
qu
e se
faz um levantamento estatíst
i
co. (...) Em termos gerais, pro se
r
h
u
mano, a
M
ate-mática é útil em
t
udo. Uma
m
úsica é Matemática!"
"(...) nessa parte de avanço tecnológico a Matemática
é (
F) fundame
ntal
(
...
)."Particularmente uma
d
as
a
firmações feitas por um dos
e
n
t
revi
s
tado
s
,
le-v
ou-
m
e a achar cabível faz
er
aqu
i
uma rápida retrospectiva
,
pa
ra
se
te
r
a
l
g
uns
elementos para reflexão e de
b
ates
.
Vejamos:
" ela [a M
a
temática)
é
a ferramenta que você tem
prã
de
s
envolve
r
a
s
(J)
coisa
s
que a sociedade está
pe
dindo."
Conforme NAGEL (
1
988), a Idade Moderna desponta t
r
az
endo a dest
rui
-ção da rela-ção social através da nega-ção do "trabalho-para-uso"
e d
a afirmaçã
o
do
"trab
a
lho-para-troca", desba
n
cando a prioridade dada aos conh
eci
mentos rel
i
g
i
o
sos e/ou morais daIdade Média (de meados do séc. V até 1453). Uma nova forma de trabalho desbanca o conteúdo teórico da sociedade da Idade Médiarelativo
À
"Cidade de Deus" e impõe um novo conteúdo da sociedade capitalista nascente,relativo à "Cidade dos Homens".
O conhecimento e o controle sobre a natureza vem a ser a base da produção de mercadoria. Mercadoria que se constitui na "célula mater" da sociedade regi da pela relação social de Capital e Trabalho.
Assim, de maneira anárquica e contraditória o homem dominou aforma de produzir mercadorias concretizando as crises econômicas de superprodução e de destruição de parques industriais. Crises contínuas de superprodução do capitalis-mo expõem a sua própria decadência. A relação entre riqueza (mercadoria) estoca-da e a miserabiliestoca-dade crescente da população explicita adecadência dessa socieda-de que produz somente com o objetivo socieda-de acumulação sobre a expropriação.
Entretanto, o processo de decomposição de uma sociedade corre
paralela-mente à gestação de outra. E a contradição da sociedade capitalista atual, segundo a autora citada, fica assim posta: ao mesmo tempo que a necessidade nova acena
para um método de conhecimento cuja a premissa éatotalidade com abstrações
em mais alto nível, as carências materiais obrigam a raciocínios particulares e prag-máticos.
Após quantidade considerável de leituras pertinentes, consultas a estudio-sos de diversas áreas e principalmente de acordo com RIBNIKOV (1987) e com a
compreensão proporcionada por SIMMEL (1976), tomou-se bastante claro que: a
economia política
é
determinante dos fins a que se destinam aMatemática. A História nos mostra que a Matemática é diluída na Filosofia dos primei-ros tempos. Ela a Matemática não tem lugar na Idade Média, por excelência. Co-meça a ter lugar, ater estatuto de ciência, à medida que ocapitalismo começou a sedesenvolver, quando o homem viu-se na obrigação de trocar, de vender, de multi-plicar, de fazer empréstimos, cálculos de juros, análise de custos, planejamento de
custos para se obter uma lucratividade maior, de integrar a Matemática com a
Física e a Química para se ter uma produtividade maior.
A Matemática tem uma evolução, um crescimento acentuado, exatamente
quando ela está sendo utilizada para aumentar e racionalizar a produtividade. Enquanto a Matemática é um instrumento de otimização de custos, ela está no
processo cvolutivo, está sendo procurada e trabalhada pois está sendo necessária, útil e importante.
No momento em que o desenvolvimento da sociedade entra para a fase
chamada monopólica, onde a livre concorrência deixa de existir. não se tem mais
Matemática com o espírito de antes, integrado a livre concorrência. Creio não haver divergência deopinião quanto aofato de que hoje o monopólio éum acordo
político de divisão de mercado mundial e estabelecimento de preços. O preço,
hoje, das mercadorias
é
a determinação do preço político
.
Assim a Matemática deixou de ser um instrumento, hoje, de otim
izaç
ão da
produção. Em que área
está sendo utilizada a Matemática hoje?
Basta
aco
mpa
-nhar, mesmo que
não
e
xaustivamente, os noticiários para
s
e
perceber qu
e a
Mate-mática hoje
está
sendo
usada na área bélica,
na arte militar
q
ue
monopóli
o ex
clusi-vo de
uma área estratégica da
política.
Não é da sociedade em geral
-
hu
mani
dade.
Não tem aí
uma aplicabilidade e nem é
daí uma
exigênci
a
.
,
É claro,
a
Matemática referida nos últimos parág
r
a
f
os é
a
que e
stá
sendo
criada e desenvolvida
atualmente e não apenas a já conhec
i
da
pela
hum
anid
ade.
Enfim, como
já
r
eferida anteriormente, o
proce
s
so
de decomposiç
ão d
e
uma
sociedade corre paralelo
àgestação de outra.
Não tenho sequer a pre
tens
ão de
ventilar aqui que a soc
i
edade está sendo gestada. Porém,
po
r
mais
que
o
já c
oloca-do possa levar
a concluir
que
hoje, na sociedade capitalista
-
que
é a úni
ca n
a
qual
vivi
- a Matemática não tem
para
que e nem porque em
t
e
rmos
de
hu
mani
dade,
creio que
o
objetivo
dessa
publicação seja alcançado, ou
s
eja,
que os
alm
ejados
debates entre os profissionais
ligados
àMatemática se dêem, de fato,
em
to
dos os
graus de ensino.
REFERÊNCIAS BlliLIOGRÁFICAS
[01] ARAÚJO, Antonio Pinheiro de. " Educação Matemática: Importância, Proble-mas e Conseqüências". in Ciência e Cultura. SBPC, 35(5): 580-583, 1983;
[02] NAGEL, Lizia H .. " Avaliação ". Texto apresentado no11ENEM na Mesa Redon-da: Educação Matemática, Matemática e Educação. Maringá - PR, 1988;
[03] . " Quando o Conteúdo Vai além da Frase ...".Tesede d outora-do em Filosofia da Educação, pue/sp, 1986;
[04] RmNIKOV, K.."História de-Ias Matemáticas ". Moscú: Editorial Mir. 1987; [05] SIMMEL, Johanges M.. " Só o Vento Sabe A Resposta". Tradução de José Abrahão. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, (1976).