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Novas mídias e o Ensino Superior

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Universidade virtUal

A Univesp e as

tecnologias para a

educação: conhecimento

como bem público

TENDÊNCIA GERAL É QUE EM CURTO PRAZO NÃO SE DIFERENCIE MAIS O QUE SEJAM CURSOS ONLINE DE CURSOS PRESENCIAIS, MAS QUE SEJAM MINISTRADOS DE FORMA MEDIADA PELA TECNOLOGIA

Por Carlos Vogt

Poeta e linguista, é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Foi reitor da Unicamp (1990-1994), presidente da Fapesp (2002-2007) e secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo (2007-2010). Atualmente é coordenador cultural da Fundação Conrado Wessel, assessor especial do governador do Estado de São Paulo e presidente da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

a

educação é o grande motor para a evolução de um país, tanto nos aspectos econômicos como sociais. Em qualquer nação do mun-do, pessoas com um diploma de nível superior têm mais condições de se empregar do que aqueles sem tal certificação. Mesmo em tempos de crise, profissionais de nível superior têm maior oportuni-dade de se manter empregados, uma vez que são parte essencial dos esforços para a recuperação das economias. Segundo o relatório Education at

a Glance 2012 (OCDE, 2012), a tendência

brasi-leira está de acordo com o contexto internacional: durante a crise de 2008 e 2010, a taxa e o cresci-mento do desemprego entre os profissionais com nível superior permaneceram os mais baixos entre os diversos níveis de escolarização.

Embora ainda abaixo da média dos países que integram a OCDE (6,23%), o percentual do PIB investido em educação no Brasil também apresentou um aumento constante entre 2000 e 2009, chegando a 5,55%. O avanço, considera-do modesto, ainda assim contribuiu para que a

probabilidade de emprego aumentasse no país. Enquanto 68,7% dos brasileiros sem ensino médio estão empregados, a taxa de emprego é de 77,4% para aqueles com ensino médio, e de 85,6% para os brasileiros com ensino superior.

Os países desenvolvidos apresentam uma ten-dência pela universalização do ensino superior, alcançando índices de até 50% da população entre 25 e 64 anos, no caso do Canadá. Os Esta-dos UniEsta-dos atingem 41% e mesmo o Chile chega ao patamar de 24% de graduados, sendo que há pouco o Brasil atingiu o patamar de 11% (OCDE, 2011). Além da formação superior, a necessidade de uma educação continuada se apresenta cada vez mais como a principal forma de desenvolver o potencial econômico e social dos profissionais.

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desde o século passado, o intenso uso das tecno-logias tem estado na base do desenvolvimento da sociedade em todo o mundo.

O

uso das tecnologias de informação e comuni-cação (TICs) tem permeado o moderno ensino superior oferecido nas grandes universidades do mundo. Universidades internacionalmente famo-sas como Stanford, Purdue e Duke já oferecem os seus cursos em formato digital. Em muitas universidades já não se distingue mais o ensino presencial do online, uma vez que a cada momen-to o aluno pode escolher qual o componente que melhor lhe convém. A tendência geral é que em curto prazo, nessas

univer-sidades, não se diferencie mais o que sejam cursos on-line de cursos presenciais, mas que sejam cursos mi-nistrados de forma mediada pela tecnologia.

De acordo com o teórico de negócios americano Cla-yton Christensen, até ao ano de 2017, metade das aulas do mundo deverão ser mi-nistradas de forma remota e mediada por tecnologia

(TELLES, 2012). O grande desafio é o desenvol-vimento de novas metodologias educacionais que efetivamente usem a tecnologia de forma criativa e produtiva e não apenas mimetizando as metodo-logias tradicionalmente usadas nas universidades onde predominam os cursos presenciais.

Dessa forma, como já escrevi anteriormente (VOGT, 2012), acredito que, além dos aspectos ligados ao bem-estar social que a ciência pode acarretar na forma das facilidades que pode ofe-recer através de suas aplicações tecnológicas e inovativas (como é o caso das TICs), há outra espécie de conforto que diz respeito às relações da sociedade com as tecnociências, que envolve valores e atitudes, hábitos e informações, com o

pressuposto de uma participação ativamente crí-tica dessa sociedade no conjunto dessas relações. É a esse tipo de conforto que proponho chamar de

bem-estar cultural.

Buscar a qualidade de vida, também através da educação, com auxílio das tecnologias é, nes-se nes-sentido, orientá-las para o compromisso com o bem-estar social e com o bem-estar cultural das populações dos diferentes países que se dese-nham nas redondezas do planeta.

O bem-estar cultural, dessa forma, está dire-tamente associado ao desenvolvimento da edu-cação básica, fundamental e superior – que, no caso da formação superior de professores,

refle-te-se, num processo de re-troalimentação, nos demais níveis educacionais.

O Estado de São Paulo apresenta os melhores índi-ces sociais e econômicos do Brasil, compatíveis inclusive com os de países desen-volvidos. Entretanto, mui-to ainda há que se realizar quando se busca a evolução do bem-estar social e cultu-ral de sua população como um todo e o consequente avanço de sua sociedade para um pleno exer-cício da cidadania. E uma das chaves para isso está na forma de ver e tratar o conhecimento como bem público.

Os esforços na ampliação do acesso ao ensino superior que vêm sendo realizados no Estado de São Paulo já trouxeram avanços significativos. As vagas na graduação das três universidades esta-duais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) – que es-tão entre as melhores do País – foram aumentadas em mais de 60% no período de 1995 a 2010. Se somadas as vagas das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) criadas durante este mesmo período, o aumento passa dos 100%.

Com todo esse esforço e empenho dos últimos

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anos) continuam, contudo, fora das instituições de en-sino superior. Além disso, somente uma em cada dez cidades do Estado tem oferta de vagas públicas gratuitas no ensino superior paulista. Melhorar ainda mais o

aces-so ao ensino superior, universalizando-o efetiva-mente, é tarefa que deve ser enfrentada com zelo, objetividade e eficácia de ações consequentes e bem-estruturadas.

É

preciso e é possível universalizar o acesso ao ensino superior, utilizando, para tanto, meto-dologias inovadoras de ensino baseadas no uso intensivo de TICs. Trata-se de uma nova concep-ção de educaconcep-ção, que rompe os limites físicos do processo educacional, o que já vem aconte-cendo em universidades de diversas partes do mundo, como a Universidade Virtual do Pays de la Loire (França), a Universidade Aberta da Cata-lunha (Espanha), a Open University (Inglaterra) e a Universidade Virtual do Instituto Tecnológico de Monterrey (México). Agora é a vez do Estado de São Paulo.

TECNologiA, EDUCAção E CiDADANiA

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) já tem demonstrado que essas metodo-logias inovadoras possibilitam a efetiva ampliação da oferta de vagas no ensino superior público e gratuito com qualidade, atingindo as mais diver-sas regiões de São Paulo, com uma abrangência de atendimento à demanda social por vagas no ensino superior público capaz de modificar intei-ramente o panorama dessa modalidade de ensino

participação pública na oferta de vagas no ensino superior.

O Programa Univesp, lançado em 26 de agosto de 2009 [1], já tinha como

princi-pal foco a expansão do ensi-no superior público, gratuito e de qualidade no Estado de São Paulo, por meio da ampliação do número e da abrangência geográfica das vagas ofertadas. Para a consecução dos objetivos do programa, além das três universidades paulistas – USP, Uni-camp e Unesp, conta-se com o Centro Estadual de Ensino Tecnológico Paula Souza (CEETEPS) e a Fundação Padre Anchieta (FPA) como institui-ções parceiras. Desde o seu lançamento, cerca de 15 mil alunos já foram atendidos pelo sistema Univesp, entre cursos extracurriculares, gradua-ção e especializagradua-ção.

Por meio do seu primeiro curso implantado – de graduação em Pedagogia Univesp/Unesp –, o Programa já mostrou o acerto e as enormes poten-cialidades dessa abordagem. O curso, oferecido pela Unesp, permitiu a oferta de vagas de forma integrada em 21 cidades do Estado (capital, litoral e interior) ao mesmo tempo.

Em sua primeira oferta, de 1.350 vagas para o curso de Pedagogia, o Programa Univesp já con-seguiu ampliar em 21% o total de vagas de todos os cursos de graduação da Unesp e em 6,5% o nú-mero de vagas públicas no ensino superior no Es-tado, considerando-se a oferta conjunta das três universidades estaduais paulistas. As vagas para Pedagogia nas três universidades praticamente triplicou com o curso Univesp/Unesp (crescimen-to de 181%). Isso mostra o potencial de alcance da Univesp e a sua capacidade de atendimento à demanda social, que é grande no País e no Estado

[1] O Programa Univesp foi criado pelo decreto nº 53.536 de 9 de outubro de 2008.

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de São Paulo, relativamente aos jovens em idade universitária e aos cursos superiores.

O curso se destinou a professores em exercício nas redes pública e privada e ainda sem nível su-perior que, assim, puderam ter, através do curso, a sua diplomação. Consequentemente, os bene-fícios sociais não param na formação desses pro-fessores: eles virão diretamente pela sua formação em nível superior e indiretamente com todos os alunos com quem eles trabalharão, sendo de fato concretos e objetivos. Formar professores signi-fica ter melhores ensinos Fundamental e Médio.

a

formação de docentes de Ciências, área de-ficitária em todo País, também será em parte suprida pelo curso de licenciatura em Ciências, realizado no âmbito da Univesp em parceira com a USP, que já está na sua terceira turma (total de 1.080 vagas). A oferta inicial de 360 vagas para a primeira turma, simultaneamente em quatro polos da USP nas cidades de São Paulo, São Carlos, Pi-racicaba e Ribeirão Preto, representaram um au-mento de 3,5% das vagas de graduação da USP e, se somadas às vagas já oferecidas pelo curso de Pedagogia Univesp/Unesp, representaram um aumento de 8% do total de vagas de graduação das três universidades públicas paulistas.

Outros cursos da Univesp em parceria com a USP, as especializações em Ética, Valores e Saúde na Escola, e em Ética, Valores

e Cidadania na Escola, reali-zados através da Escola de Artes, Ciências e Humanida-des – EACH (USP-Leste), já ofertaram 2.350 vagas em 15 polos. Em relação a cursos extracurriculares, a Univesp já ofertou, em parceria com o Centro Paula Souza, dez mil vagas em cursos de língua inglesa e espanhola.

O Centro Paula Sou-za também oferecerá, em

parceria com a Univesp, 3.200 vagas no curso de graduação de Tecnologia em Processos Geren-ciais, o que representará um aumento de cerca de 10% no total de vagas de graduação no ensi-no superior público do Estado de São Paulo, in-cluindo as universidades e faculdades estaduais e as Fatecs.

Além do ensino formal, a Univesp conta tam-bém com iniciativas de oferta de educação para a cidadania. Nesse âmbito foi criada a Pré-Univesp – revista digital de apoio ao estudante pré-universi-tário (http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov. br/preunivesp/). O conteúdo da Pré-Univesp, que é temático e mensal, está focado nos grandes as-suntos da atualidade, presentes também na ma-triz curricular do ensino médio e nas questões das provas de ingresso à universidade. O objetivo da publicação é trazer conteúdo de qualidade e agra-dável voltado ao público pré-vestibulando, lançan-do mão de diversas mídias cabíveis na internet. O acesso ao conteúdo integral da revista é gratuito e o usuário pode se cadastrar e criar seu próprio arquivo de textos. Os assuntos são abordados de forma moderna e ágil, levando ao estudante os conteúdos através de reportagens instigantes, artigos e entrevistas que são complementados por vídeos, animações e infográficos, com lingua-gem motivadora para a juventude e por ela facil-mente absorvida.

Outra significativa reali-zação do Programa Univesp foi a instalação e entrada em operação regular da Univesp TV. Trata-se de um canal di-gital aberto, exclusivamente dedicado ao programa, que dá apoio aos cursos em anda-mento e oferece conteúdo de qualidade para a sociedade de uma forma geral. A Uni-vesp TV é o canal 2.2 da mul-tiprogramação da TV Cultura e se encontra no ar desde 26

o desafio é o

desenvolvimento

de novas

metodologias

educacionais que

efetivamente usem

a tecnologia de

forma criativa e

produtiva e não

apenas mimetizem

as metodologias

tradicionais

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de conteúdo original, distri-buídos em 35 programas. O conteúdo pode ser acessado ao vivo também pela internet, na página do canal (http:// Univesptv.cmais.com.br/). O canal da Univesp TV no You-Tube (http://www.youtube. com/user/Univesptv), que foi

ao ar em 26 de abril de 2010, já obteve cerca de 5,5 milhões de visualizações até o momento. Es-ses números de acesso colocam a Univesp entre as 40 instituições universitárias de todo o mundo que mantêm canais próprios no YouTube.

FUNDAção UNiVESP

Em 2012, uma das metas do atual governo do Estado de São Paulo e uma das prioridades da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia começou a se concretizar: a transformação do programa numa instituição com autonomia didático-científica, com a criação da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo – a Univesp, como quarta universidade pública paulista.

A criação da Univesp ocorreu pela lei 14.836 de 20 de julho de 2012, e o seu estatuto foi pro-mulgado pelo decreto 58.438 de 9 de outubro de 2012. A escritura pública de instituição e consti-tuição da Fundação Univesp foi assinada em 7 de dezembro de 2012, tendo o seu registro sido ho-mologado em 8 de janeiro de 2013, e o seu CNPJ, no dia 23 do mesmo mês e ano.

O conceito fundamental sobre o qual se as-senta o projeto da quarta universidade pública do Estado de São Paulo, na forma da Fundação Uni-vesp, é o do conhecimento como bem público. A Fundação Univesp fará uso intensivo das novas TICs (NTICs) para promover a evolução social do Estado, possibilitando a universalização do acesso

dade digital.

Tais objetivos serão de-senvolvidos a partir da oferta de vagas de graduação e de pós-graduação, na educação formal; e, na educação para a cidadania, na forma de cur-sos de extensão, de atualiza-ção e de educaatualiza-ção continua-da. A Univesp ministrará, ela própria, ou de forma consorciada com outras instituições de ensino, os cursos necessários visando à formação e ao aper-feiçoamento dos recursos humanos para prover o acesso ao conhecimento como bem público em todos os municípios do Estado.

No aspecto da educação formal propõe-se o estabelecimento de uma política que continuada-mente promova a ampliação da oferta de educa-ção pública superior, em dois eixos complemen-tares. O primeiro eixo corresponde ao aumento do número de cursos e de vagas públicas ofertadas à população. O segundo eixo corresponde à amplia-ção da abrangência geográfica da oferta de cur-sos públicos, de forma a prover educação supe-rior em regiões não atendidas pelas universidades estaduais, sem ficar vinculado aos tradicionais padrões de implantação de campi universitários. Com isso, além de atender cidadãos de todos os municípios do Estado, os cursos ofertados através da Univesp atuarão como indutores de desenvol-vimento regional.

A Univesp servirá também como apoio acadê-mico para diversas ações do Estado, desenvolven-do projetos em parceria com as Secretarias esta-duais e outras instituições públicas, por exemplo, suprindo demandas específicas de formação, especialização e atualização de professores da rede estadual.

Nos aspectos social e cultural, a Univesp servirá como instrumento de uma política que

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continuadamente promova a educação para o exercício da cidadania, ao agregar possibilidades de criação de novos programas de integração so-cial desenvolvidos com o lastro de uma instituição de ensino de qualidade. Tais iniciativas abrangerão não somente a inclusão digital de parte da popu-lação, como também o desenvolvimento de apoio acadêmico a programas de formação profissional para a inserção no mercado de trabalho, para a readaptação daqueles que foram desalojados pro-fissionalmente pelas novas tecnologias ou mesmo para a geração de renda, o empreendedorismo e a geração de novos negócios.

a

concepção acadêmico-administrativa da Univesp privilegia um modelo organizacional de pequeno porte corporativo (reduzido quadro permanente), mas moderno e de grande porte, pelo alcance, nos aspectos acadêmico, didático, social e geográfico, ao produzir cursos, obras de referência e materiais didáticos especificamente para a oferta de vagas com grande distribuição geográfica e grande alcance social através das NTICs. Esse conjunto de características permite o desenvolvimento de pesquisas e a criação e oferta de cursos geridos como projetos. Neste modelo de gestão, a pesquisa e o curso (graduação, pós e extensão) existem pelo tempo necessário para cumprir os objetivos e as metas sociais estabele-cidas no projeto. O pessoal acadêmico e técnico envolvido em cada projeto deverá ser contratado especificamente para o projeto em que participe.

Desse modo, a Univesp, emparelhada com as me-lhores tendências educa-cionais identificadas em todo o mundo, como enti-dade educacional ativa do Estado de São Paulo, virá contribuir de forma consis-tente para o atendimento da demanda por vagas no ensi-no superior público gratuito

e de qualidade, levando a universidade ao aluno nas mais diversas regiões, e trazendo o estudante, antes nelas isolado, para a possibilidade real de integrar-se, pela universidade, às novas perspec-tivas profissionais abertas pelos cursos que lhe serão ofertados.

FormAção ProFiSSioNAl iNTEgrADA

A estrutura dos cursos de formação profissio-nal da Univesp se estabelece por "Eixos Profis-sionais". Isso permite que os alunos tenham uma formação integrada de tal maneira que possam, sequencial ou paralelamente, ampliar seus estu-dos e obter novas certificações, estendendo dessa forma o conceito de educação continuada.

Dentro de um mesmo eixo profissional, os cursos se apresentam com um núcleo de forma-ção básica e, a seguir, com alternativas de trilhas profissionais correlatas de modo a permitir a seus alunos a escolha de uma ou mais habilitações pro-fissionais nesse eixo. Assim, após a conclusão de uma saída profissional, o aluno poderá dedicar-se, pela escolha de uma nova trilha, à obtenção de um novo diploma de graduação, com aproveitamento total das disciplinas do núcleo básico comum.

Por exemplo, nessa concepção integrada da estrutura dos cursos, a formação de profissionais para a área de Indústria, Comércio e Serviços no Eixo de Informática, se dará a partir de um nú-cleo básico e comum nos primeiros anos seguido, nos anos subsequentes, de alternativas de saídas

profissionais, à escolha do aluno, para: Comércio Eletrônico, Segurança da Informação, Desenvolvi-mento de Sistemas, Siste-mas de Informação, entre outras. Para a formação de professores no Eixo de Linguagens e Humanida-des, haverá, por exemplo, um núcleo básico e comum

A concepção

acadêmico-administrativa da

Univesp privilegia

um modelo

organizacional

de pequeno porte

corporativo, mas

moderno e de grande

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tre as possíveis trilhas cuja saída profissional seja Português, Língua e Literatura, Economia, Socio-logia, AntropoSocio-logia, Filosofia, História, Geografia, entre outras.

A oportunidade aberta por essa concepção é, portanto, a de que o graduado num determinado eixo profissional possa, dentro dele, obter, com pleno aproveitamento das disciplinas do núcleo comum, mais de um diploma para o exercício de sua vida profissional.

ProgrAmA PAUliSTA DE iNClUSão Com mériTo No ENSiNo SUPErior

O Governo do Estado anunciou em 20 de de-zembro de 2012 o Programa Paulista de Inclusão com Mérito no Ensino Superior (Pimesp), com o fim de garantir, em três anos, a partir de 2014, no sistema de ensino superior público do Estado de São Paulo, 50% das vagas para alunos oriundos de escolas públicas, das quais 35% para pretos, pardos e indígenas.

O Pimesp, desenvolvido pelo Conselho de Reitores das

Universida-des Estaduais de São Pau-lo (Cruesp), pePau-lo Centro Paula Souza, pela Fapesp e pela Univesp, prevê inves-timentos no montante de R$ 27,017 milhões no pri-meiro ano, devendo atingir R$ 94,679 milhões em 2021. Nesse período, a oferta de vagas destinadas aos estudantes de escolas públicas será incrementada gradativamente, começan-do com 35% em 2014, 43% em 2015, alcançando 50% em 2016.

destinadas aos alunos com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo. Os bolsistas serão avaliados mensalmente quanto à participação em ativida-des escolares.

a

Univesp, através do Instituto Comunitário de Ensino Superior (ICES), cuja criação está deli-neada no programa, oferecerá cursos superiores com duração de dois anos a esses estudantes. A seleção para ingresso será realizada de acor-do com o desempenho acor-dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

Desse modo, através do Ices, a Univesp ofe-recerá 2 mil vagas anuais do Curso Superior Se-quencial para alunos que cursaram ensino médio em escolas públicas, sendo que mil destas vagas serão destinadas a pretos, pardos e indígenas classificados meritoriamente através do Enem.

Aos alunos concluintes do curso sequencial, considerado o desempenho de cada um, serão ofertadas vagas nas universidades paulistas e no Centro Paula Souza. Já ao final do primeiro ano, o alu-no aprovado integralmente no curso sequencial terá acesso aos cursos das Fa-tecs. A aprovação integral no segundo ano, com ren-dimento no curso superior a 70%, garantirá o acesso aos cursos das universidades e faculdades estaduais, além das Fatecs.

As escolhas de vagas nas instituições ocorrerão respeitando o mérito aca-dêmico e de acordo com as ofertas apresentadas

Neste modelo de

gestão, a pesquisa

e os cursos – geridos

como projetos –

existem pelo tempo

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anualmente pelas universidades, faculdades isoladas e Centro Paula Souza. O aluno aprova-do após os aprova-dois anos aprova-do curso terá um diploma de curso superior sequencial, que permitirá de-senvolver atividades profissionais e prestar con-cursos públicos.

O Pimesp, uma vez aprovado internamente pelos Conselhos das instituições que integram o programa, deverá entrar em funcionamento já em 2014, como foi dito, trazendo, na linha das carac-terísticas que destacam São Paulo no cenário da educação e da pesquisa avançada no País, novas contribuições para as políticas públicas afirmati-vas do Estado e noafirmati-vas formas de responder, com mérito, aos desafios sociais e étnicos das deman-das crescentes pelo ensino superior de qualidade.

CoNSiDErAçõES FiNAiS

O sentido do conhecimento como bem público e a oferta de educação para o exercício da cidada-nia, fortemente presentes no projeto da Univesp, correspondem à ideia de alcançarem-se comple-tamente todos e, particularmente, os mais distan-tes municípios de São Paulo, formando uma rede de conhecimento com capilaridade em todos os rincões do Estado. Isso, atualmente, somente se viabiliza pelo uso integrado das tecnologias dispo-níveis e através da intervenção institucional direta do Estado, no sentido de prover amplo acesso das mais distantes comunidades a essas tecnologias.

O conhecimento é um bem público que traz ao indivíduo bem-estar cultural e leva a socieda-de, de posse desse tesouro, à busca incessante

de novas formas de conhecimento e de novas práticas sociais para o bem comum da coletivida-de. Nesse sentido, bem-estar cultural é também bem-estar social.

Com essa proposta, a Univesp busca usar as modernas tecnologias para prover algumas das necessidades básicas de parte da população e promover sua ampla inserção social e decorrente pleno exercício da cidadania, através da univer-salização do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade, e da universalização do acesso ao conhecimento na sociedade digital. É a tecnologia a serviço da educação e da cidadania, levando a educação de qualidade, em todos os ní-veis, para todas as regiões e municípios do Estado.

OCde (2011). Banco Mundial. Education at a

Glan-ce 2011. Disponível em: <http://www.oecd.org/

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Referências

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