REV PORT PNEUMOL Ill (3): 299-307
PONTO DA SITUA(:AO
Tuberculose e SIDA em Portugaf
MARIAJOAO MARQUES GOMES**
Com~ a ser urn Iugar com urn afirmar que a tubercu-lose continua a ser urn importante problema de Saude Publ•ca, do mesmo modo que ja
e
sobejamente conhecida importancia da pandemia da SIDA e os riscos tremendos da associa¥ao destas duas afecyaes ( 18,27).A infec¥iiO pelo Mycobacterium tuberculosis e pelo VIH quando associadas agravam-se mutuamente eo risco da infec~o tuberculosa evoluir para doen¥a aumenta muito consideravelmente. Segundo NARAIN et al. ( 19), o risco de progressao da tuberculose
infec-¥iio para tuberculose activa nos individuos infectados pelo VIH
e
muito superior ao dos individuos nao infectados eo risco anual de progressao nos infectados pelo VIHe
de 5 a 8%, o que cumulativamente da urn aumento do risco ao Iongo da vida de 30% ou rna is. 0 C.D.C aponta para valores muito mais elevados, referindo que o risco de urn doente com SIDA e infecta-do pelo Mycobacterium tuberculosis vir a sofrer de tuberculosee
170 vezes maior do que o de urn indivi-duo imunocompetente, e que esse riscoe
de 117 se houver co-infecyao pelo VIH e pelo Mycobacterium tuberculosts (5).A coexistencia destas duas afecyoes tern s5es no individuo e na comunidade. Entre as repercus-s5es no individuo, salientamos o aumento do risco de exposiyao a tuberculose principal mente nos paises de elevada prevalencia, aumento do risco de infecyao tuberculosa se houver contactos com doentes com tuberculose, aumento da proporyao de individuos nos quais a tuberculose infec¥iio evolui para tuberculose encurtando a hist6ria natural desta ultima e altera¥oes do quadro clinico, tam bern ja suficientemente conheci-das ( 18). Quanto as repercussoes na comunidade,
traduz-se pelo aumento do ntimero de casos de tubercu-lose, aurnento da transmissiio de bacilos resistentes, aumento da mortalidade por esta afecyao, perda do controlo sobre a doen¥a principalmente nas comunida-des mais comunida-desfavorecidas e urn aumento do numero de casos entre os adultos jovens ( 15,21,25).
A eclosao de tuberculose nos doentes com VIH vai depender de prevalencia da infecyao tuberculose numa comunidade, da probabilidade de urn individuo ser contagiado e do grau de imunocomprometimento do individuo infectado ( 1 ) .
• Conferencia proferida no Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Pnewnologia. Porto 1996 •• Ptofessora Associ ada de Pneumologia da F aculdade de Ciencias Medicas.
Chefe de Serviyo e Directora do Serviyo de Pneumologia 4 do Hospital de Pulido Va.lente Recebido para publica~lo em : 97.01.22
REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA
Quanto aos factores que favorecem a evolur;ao da infecr;ao tuberculosa para doenr;a nos doentes co-in-fectados pelo VIH, grande parte
ja e
conbecida. Num trabalho publicado por ANTONUCCI et al. (2) que abrangeu 2695 doentes com infecr;ao pelo VIH,verificou-se que o risco da infecyao peloMycobacteri-um tuberculosis evoluir para doenya nos doentes com infecyao pelo Vlli, aumenta se houver hist6ria anterior
de tuberculose, se o nfunero de CD4+ no sangue periferico for inferior a 200/mm3 e se forem
tuberculino-positivos.
Local
Nova York, EUA Nova York, EUA EUA (14 cidades) Haiti Mexico Brasil Nairobi, Kenia Burkina Faso Abidjan, C. Marfim Zimbabue Franya Portugal Portugal
Infuneros estudos tern sido realizados para avaliar a prevalencia da infecyao pelo VIH em doentes com tuberculose, do mesmo modo que se tern procurado conhecer a prevalencia de tuberculose entre os doentes com SIDA (Quadros I ell). (23). 0 estudo europeu
QUADRO I
Diversos estudos sobre a prevalencia da infecy!o Vffi em doe.ntes com Tuberculose
Ano N• doentes Prevalencia Autores
1979-1985 I 1640 2.2 Laroche et al 1979-1988 13820 8.1 1988-1989 3077 0-46.3 Onorato et at 1989 143 39 Clennont et al 1992 1201 0-5 Valdes pi no et al 1987-1988 453 3.3 Ribeiro et al 1989 240 30 Nunnetal 1988-1990 573 22.7 Malkin etal 1989 263 11.8 Sassan eta! 1988-1989 927 40.1 Mahari eta! 1985-1990 68 53 Beaulieu et al 1990-1992 767 1.8 Telo eta! 1993-1995 165 11.5 Pariaet al
Adaptado de Garcaia, MLG et al , Bull P.A.H.O. 29 (1 ):37; 1995
QUADROO
Pandemia de Tuberculose e SIDA e Tuberculose nos estrangeiros nalguns paises da Europa Ocidental
Dinarnarca Franya AJemanha I !Alia Holanda Noruega Espanha Suecia Suiya Reino Unido Portugal % VIH entreos TB 1-18 22 1,8-11,5 % Tb entre os VJH I 10 > 10 II 37 2,6 4 54,5 Adaptado de Raviglionc at at. W.H.O. Bull. 71 : 302; 1993
300 Vol.
m
N"3 Tb entre os estrangeiros % 38 (I 990) 27 (1988) 20(1989) 16 (1990) 41 (1990) 23 (1990) 6 (I 990) 41 (1987-90) 51 (1990) ? Tendencia ? ? I I ? Maio/Junho 1997sobre tuberculose nos doentes com SIDA (28) conclu-em que as diferen~ de incidencia da tubercuJose entre os doentes com SIDA nos diferentes paises europeus, esta sobretudo relacionada com a prevaJencia da tuberculose em cada pais.
Segundo DOLIN et aJ. (9) em 1990, 4.2% dos
doentes com tuberculose tinham SIDA, em 1995 este valor passou para 8.4% e para o ano 2000 preve-se que este numero atinja os 13.8%, isto a nivel mundial. Esta
situa~o
e
particulannente grave no continente africano onde no ano 2000, se adrnite que 29.0% dos doentes com tuberculose ten ham SIDA associada.(/) 700 600 ~500 -t1l ~400 (J Q) ""0300 (/) 0
TUBERCULOSE E SIDA EM PORTUGAL
0 que se passa em Portugal?
A prevaJencia da tuberculose em Portugal (8)
continua a ter niveis bern ma.is elevados do que a maioria dos Paises europeus, principal mente dos Paises
da C.E. (22.23,24) eo numero de casos de SIDA tern aumentado rapidamente (Gnifico 1) (6.7), pelo que nao
e
de estranhar que esta associa~o seja frequente entre nos. Ao analisannos a distribui~o dos casos de SIDA por categoria da doen¥a oportunista. vemos que 83% dos doentes tern infecvoes oportunistas, tendo 54.5% tuberculose e 45.5% infe~s nao tuberculosasrr
-r
-r-
--~200
~
(.) 100 0 +---+--f-Ll+ . 1-1983 85 87 89 91 93 95GRAFICO l -Casos declarados de SID A. Portugal I Jan 83-30 Jun 96
Fontes: Teresa Paixao eCVEDT
Outros 3% Linfoma 2% Kaposi 5% Kaposi+lnf.oport. 6% Tubercu lose 54,5% Int. nao Tb 45,5%
GRAFICO 2 - SID A em Portugal .. Distribui~o dos casos por categoria da doen~ oportunista Portugal I Jan 83-Jun 96. CVEDT-SIDA. A situa~o em Portugal . Doc. 95
(GnHico.2) (6,7). No Gnifico 3
e
nitido que a propon~aode doentes com SIDA que tern simultaneamente tuberculose tern vindo a aumentar (6.7).
Dos numeros naciona1s publicados pela CVEDT
(6.7)
e
nitido quea
categona de transm•ssao ma1sfrequente
e
actual mente 0 do grupo dostoxicodepen-dentes, seguido do grupo dos heterossexuais e dos homo e bissexuais. A analise destes numeros ao Iongo dos anos toma nitido o assustador aumento dos toxico-dependentes entre os doentes declarados com SIDA. enquanto se observa uma horizontalizacao dos heteros-sexuaJs e uma regressao entre os homolbissexuais (Ora fico 4 ). 350 300 • ComTB 1/) .g250 CJ SemTb ro -+-%VIH+TbNIH ~200 0 Q) '0 150 1/) 0 ~100 () 50 0 1983 85 87 89
Quando analisamos os dados de doentes com SIDA atendendo
a
coexistencia ou nao de tuberculose, verificamos quee
precisamente nos grupos etarios entre os 15 e os 49 anos que predominarn os doentes com tubercu1ose e SIDA (G rafico 5); a analise dos dados tendo em atenyao a sua distribuiyao por compor-tamentos de risco, mostra o predomlnio desta associa-yao nos doentes toxicodependentes (62.5%) (Grat1co 6); tal como habitual mente descrito, 40% dos doentes com tuberculose e SfDA tin ham tuberculose pulmonar, 48% tinham formas extrapulmonares e os restantes 12% tinham atingimento pulmonar e extrapulmonar (20 ). Finalmente ao ava1iannos o tipo de virus nos60 50 ~ 0 40
<
I 30 --i + CT<
20 I I 1\.) 10 0 91 93 95 DescGRAFICO 3 - Tubercu lose c SID A Portugal I Jan-30 Jun 96
Fontes Teresa Paixaao e CVEDT
350 300 250 200 150 100 =<8 8 Homo/8 1s -c.-TOXICO -<>-Homoffox1co - Hemof1l Trans f. - o - Hetero .., MaeiF1Iho 90 Toxicodependentes Heterossexuais Homo/Bissexuais -ij
- =r
91 92 93 94 95GRAFlCO 4-SIDA em Portugal Evolu~o dos casos diagnost1cados por catcgorias de ttansmissao. Portugal I Jan 83-Jun 96.
Fonte: CYEDT-SIDA . A suua~ao em Portugal . Doc. 95
TUBERCULOSE E SIDA EM PORTUGAL
O SIDA srrb • SIDA crrb
tq)iC\11
fft
i... .
< 15 20 a 24 30 a 34 40 a 44 50 a 54 60 a 64 Desc GRAF ICO 5- Tuberculose e SID A. Distribuicao por grupos etllnos Portugal I Jan 83-30 Jun 96. Fontes Teresa Patxiio e CVEDT
Transf r=J Toxico Mae/Filho
0
Homo ou Toxico.:1
23,8%
Homo ou Bi Heterossexual Hemofilico U Desc-=::::J
Dador 3~,9%62,2%
O SIDAs/Tb • SIDAc/ TbGRA FICO 6 - Tuberculose e SID A. 'Distribuicao por comportamentos de risco. Portuga l I Jan 83-30 Jun 96 Fontes· Teresa Patxiio e CVEDT
doentes com SIDA com e sem tuberculose nao encon-tnimos diferen~as stgnificativas (20).
Ou seja. Estamos perante uma situayao em que assistimos a uma aumento da tuberculose nos individu-os com SID A, com grande predomfnio de uma
popula-~ao de toxicodependentes.
E que problemas nos poe esta situar;iio?
Urn dos grandes problemas que a associayao destas
Maio/Junho 1997
duas patologias tern acarretado e urn aurnento do numero de resistencias e mesmo de multirresistencias aos antibacilares, dificuJtando ou mesmo impedindo o tratamento eficaz e transmitindo na comunidade bacilos resistentes com os riscos dai inerentes ( 15,30).
Este problema tern sido referido largamente na literatura constituindo ja uma seria ameaya ao controlo da tuberculose a ter em conta nalguns paises. nomeada-mente nos E.U.A. (3, 12.30). Entre nos nao sabemos
ainda a dimensao deste problema; no en tanto a elevada prevalencia de tubercuJose, o crescimento da SIDA e a
REVIST A PORTUGUESA DE PNEUMOLOGJA
grande propor~ao de toxicodependentes, doentes que habitualmente aderem mal
a
terapeutica e portanto facili tam o aparecimento de resistencias, fazem com que no nosso pais estejam criadas as condic;oes para que as resistencias se venham a tomar um problema de dimensao imprevisivel. Num trabalho realizado no Hospital de Pulido Valente ao Iongo de 2 anos ( 17). queincluiu 141 doentes com tuberculose sem tratamento anterior e 56 com bist6ria de tratamento antituberculo-so pn!vio encontnimos resistencias em 17.7% e 37.5% respectivamente. As multirresistencias, entendida como resistencia pelo menos
a
Hidrazida ea
Rifampicina, atingiu 4.3% e 23 .2% dos mesmos grupos. A analise das resistencias encontradas tendo em conta a presen~do VlH , de alcoolismo ou de toxicofilia, apontou para a existencia de resistencias em 28%, 26.7% e 19.5% dos doentes com estes antecedentes respectivamente. Tam.bem num trabalho efectuado na mesma institui~o
( 16 ) que incidiu sobre doentes com tuberculose e
toxicodependencia, fo i realizado antibiograma em 7 doentes sem historia de tratamento anterior e em 14 com tratamento anterior. Entre os primeiros encontni-mos resistencias em 57. 1% ( 4 deles com resistencias a varios farmacos) e em 42.9% dos segundos. Fomos seguir o percurso destes doentes ap6s a alta hospitalar, e dos 29 doentes inclu idos, apenas nos foi possivel obrer dados de 20. Os restantes nao constam dos registos dos Servic;os de Luta Antituberculosa. Dos 20 referidos, apenas 9 fizeram o tratamento e destes 5 fizeram-no com regularidade e 4 com grande irregulari-dade. Chamamos a aten~ao para a elevadissima preva-lencia de resistencias em doentes sem tratamento anterior, o que traduz muito provavelmente a transmJs-sao de bacilos resistentes entre os toxicodependentes, dado os seus habitos promiscuos e falta de adesao
a
rerapeutica.Um outro aspecto que nao podemos escamotear, e a forte imigra~ao de individuos vindos do continente africano, onde a prevalencia de Mycobactenurn tuber-culosis, de YrH e de co-infecc;ao e muito elevada. Dados publicados por Narain et al (19) apontam para
urn a seroprevalencia para o Y1H que varia entre I 0. 8 e 66% em djversos paises afiicanos. Fernandes et al. ( 11)
304
encontraram oma prevalencia de tuberculose de 24% entre os doentes com SIDA em Mo~mbique. Na Figura 1 estao assinalados o numero de casos declara-dos de SID A nesses paises. No entanto face
a
prevalen-cia de infecc;ao pelo VlH na Africa subsahariana, e as dificuJdades socio-econ6micas e de cobertura sanitaria, adm1timos que estes numeros esteJam muito subvalori-zados. Zi ment (31) refere que em Portugal 10% dos doentes com tuberculose sao imigrantes. numero muito aba 1xo do valor encontrado nos restantes paises da C.E._ com exce~o da Espanha, ja que nestes paises a prevalencia de tuberculose entre OS nativose
relativa-mente baixa, fazendo com que a tuberculose seja mal ) frequente entre a populayao imigrante. Tambem estes numeros nos levan tam serias duvidas ja que. no nosso pais, nao ha um rastreio activo e sistematico daspopula<,~oes imigrantes, ao contnirio do que
e
referido por este mesmo autor. Este problema parece-nos particulannente gravoso nas populac;oes que vern do continente africano dada a elevada prevalencia destas duas patologias neste continente. Tambem o grande numero de individuos sem existt~ncia legal no nosso pais vem dificultar o controlo da tuberculose.Como conclusoes podemos referir que entre nos a percentagem de doentes com tuberculose e com SIDA eelevada e esta.em constante crescimento, constituindo os toxicodependentes o grupo de individuos com SIDA mais atingido por estas duas patologias. A ma adesao destes doentes ao tratamento eo desconhecimento do perfi l nacional de resistencias, vao necessariamente contribuir para o aumento das resistencias. para a cronicidade e para a morte destes doentes, bern como para uma maior transmissao do Mycobacterium tuberculosis
a
popuJayaO geral, factos que estao a impedir a eliminac;ao da tuberculose entre n6s.Em face destes dados e fundamental e urgente que os Servic;os de Luta Antituberculosa pautuem a sua acc;ao em func;ao destas real idades.
Acc;oes especialmente dirigidas aos b>rupos de risco anw1c1ados sao prementes, nomeadamente um segui-mento muito estreito dos doentes toxicodependentes de modo a permitir o djagn6stico precoce e leva-los ao cumprimento da terapeutica, rastreio activo das
Cabo Verd
117G . .
ume
786
Sao Tome e Principe
19
Angola
1181
TUBERCULOSE E SIDA EM PORTUGAL
fij!. I - Numero de casos declarados de SlDA nos Paises Africanos de Expressao Ponuguesa. ate 30 de Junho de 1996
la~oes imigrantes, ae<;:oes coordenadas com a Comissao de !uta contra a SJDA , a cobertura nacional com medicos especialista, enfermeiras e assistente sociais devidamente treinadas nesta
area,
sao apenas algumas das medidas necessarias e urgentes.E urn dado adquirido que o tratamento correctamen-te prescrito e adminjstrado a doencorrectamen-tes motivados, permitem o tratamento eficaz da tuberculose. No en tanto a sua eficacia reduz-se mwto substancialmente se o esquema usado nao for correcto e nao houver adesao ao tratamento, como acontece por exemplo entre grupos marginais da populac;ao, o tratamento pode ter urn efeito desastroso: 50% dos doentes nao se curam, desenvolvem resistencias eo doente que habitu-al mente vive em mas condic;oes vai aumentar as Maio/Junho 1997
resistencias entre os contactos.
E
pois essencial a implementa<;lio de medidas pniticas que conduzam ao cumprimento do tratamento, no!lleadamente a toma totalmentecontrolada ( ), o internamento, eventualmen-te compulsivo, etc.Na opiniao de EN ARSON et al. (to) hA que encarar frontalmente a necessidade de fomecer aos doentes tratamento especial izado e desenvolver programas verticais. Segundo estes Autores, o sucesso da luta contra a tuberculose nos paises desenvolvidos foi devido ao controlo realjzado atraves de programas verticais, enquanto que nos paises em que o programa foi integrado houve insucesso em muitos deles.
Por outro lado muitas duvidas nos ficam, enumeran-do aqui apenas algumas delas: qual a prevalencia da
infecyao tuberculosa? Qual a prevalencia da infec~ao
pelo Vll-I? Que rastreio
e
realizado nas popula~oes de risco, nomeadamente os toxicodependentes, as popula-90es imigrantes, os presos, os individuos de bolsas de pobreza, etc?.BffiLIOGRAFIA
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306
AGRADECIMENTO
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