EIXO TEMÁTICO:
( ) Bacias Hidrográficas, Planejamento e Gestão dos Recursos Hídricos ( ) Biodiversidade e Unidades de Conservação
( ) Campo, Agronegócio e as Práticas Sustentáveis ( ) Cidade, Arquitetura e Sustentabilidade
( ) Educação Ambiental
( ) Geotecnologias Aplicadas à Análise Ambiental ( ) Gestão dos Resíduos Sólidos
( ) Gestão e Preservação do Patrimônio Arquitetônico, Cultural e Paisagístico ( ) Mudanças Climáticas
( x ) Novas Tecnologias Sustentáveis
( ) Paisagem, Ecologia Urbana e o Planejamento Ambiental ( ) Saúde, Saneamento e Ambiente
( ) Turismo e o Desenvolvimento Local
INOVAÇÃO SOCIAL E SUSTENTABILIDADE
Social Innovation and Sustainability
Innovación social y Sostenibilidad
Cibele Roberta Sugahara
Doutora em Ciência da Informação USP/SP, Brasil Professora do Mestrado em Sustentabilidade PUC Campinas, Brasil [email protected]
Eduardo Luiz Rodrigues
Mestrando do Programa em Sustentabilidade PUC Campinas, Brasil [email protected]
Fábio Luiz Papaiz Gonçalves
Mestrando do Programa em Sustentabilidade PUC Campinas, Brasil [email protected]
1 INTRODUÇÃO
A sociedade busca constantemente soluções para a melhoria da qualidade de vida diante dos desafios sociais. A capacidade de criar alternativas para os problemas sociais de forma susten-tável ganha respaldo com a inovação social. É neste contexto, que a OECD (2010); Phillips et al. (2015), entre outros autores ressaltam que os modelos de negócio atuais, com fins lucrati-vos, parecem não possuírem meios para solucionar muitos problemas sociais.
Essa situação ocorre porque os problemas sociais são inúmeros, e envolvem questões como: a desigualdade da distribuição de renda; o desemprego; entre outros. Como forma de estrutura-ção da prática social que a inovaestrutura-ção social pode ser considerada uma alternativa para minimi-zar problemas sociais. Segundo Gupta; Dey; Singh (2017) a inovação social é uma forma de equalizar problemas sociais, ao ser considerada uma opção para falhas de mercado, do Estado e da sociedade. Ainda para compor o universo da importância da inovação social como alter-nativa para os problemas sociais, Phills et al. (2013) afirmam que ela é percebida a partir da criação de valor social. De modo mais específico, o valor social depende da:
[...] a criação de benefícios ou redução de custos para a sociedade – por meio de esforços para direcionar necessidades e problemas sociais – em modos que vão além dos ganhos privados e benefícios gerais da atividade de mercado (PHILLS et al., 2013, p.39).
Assim, como enfatizado por Mulgan (2006) as organizações que em sua concepção possuem propósitos sociais são as que parecem de fato desenvolver atividades para solução de proble-mas sociais. Por isso, neste ambiente há a possibilidade de estabelecer-se a ideia de cooperação entre as organizações e os beneficiados como apontado por Bignetti (2011). Contudo, o elemento que regeria a ação da inovação social é a aplicação do conhecimento às necessidades sociais, num ambiente em que há cooperação entre as organizações e beneficiados, resultando em solu-ções duradouras para comunidades de baixa renda ou para a sociedade em geral (BIGNETTI, 2011).
Para Pol e Ville (2009), a inovação social se distingue da inovação tradicional pelo impacto social na qualidade de vida da sociedade. Ademais, de acordo com Phills et al. (2013), a inova-ção social é uma soluinova-ção para um problema social, sendo que essa é mais efetiva e sustentável que outras soluções que já existiam; o valor criado vai para a sociedade como um todo. Em complemento, Howaldt e Schwarz (2010) enfatizam que a inovação social não ocorre por meio da tecnologia, mas por meio de práticas sociais que trazem benefícios à sociedade. Assim, ela é concebida para lidar com as necessidades da sociedade.
Para Lubelcová (2012), a inovação social é voltada para atividades e serviços com objetivos sociais, como uma resposta à demanda da sociedade por soluções aos problemas sociais de maneira sustentável. É esse movimento que gera valor social.
A inovação social implementa compromissos sociais, mobiliza recursos e leva à soluções para problemas que ainda não têm soluções adequadas, usando ação coletiva das pessoas. Os ato-res das inovações sociais devem difundir esse tipo de inovação para várias empato-resas e melho-rar as relações sociais da sociedade (KLEIN, 2012). Ela quebra barreiras e envolve os setores público, privado e sem fins lucrativos, não privilegiando apenas uma parcela da população (PHILLS; DEIGLMEIER; MILLER, 2008).
De modo mais abrangente, Ville e Pol (2008) reforçam que a sociedade precisa da difusão de inovações sociais, pois ela melhora a relação entre as condições e qualidade de vida dos seres humanos e o meio ambiente atendendo expectativas recíprocas.
Por isso, parece evidente que a melhoria das condições de vida das pessoas por meio da ino-vação social sugere um alinhamento com as pretensões dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. O que a Organização das Nações Unidas - ONU (1987), propõe como base para o Desenvolvimento Sustentável é considerá-lo como sendo aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas necessidades e aspirações.
Proveniente da combinação dos conceitos desenvolvimento e sustentabilidade, o Desenvolvi-mento Sustentável é um importante caminho para a solução de problemas enfrentados pela humanidade. Entretanto, o Desenvolvimento Sustentável é um conceito em constante cons-trução (BOFF, 2012; NASCIMENTO, 2012; VEIGA, 2010).
O desenvolvimento pode ser visto como um processo do aumento das liberdades reais indivi-duais e de “florescimento” do ser humano, como defendido por Amartya Sem (1999). Em sua obra, o autor defende que as liberdades individuais podem ser de naturezas variadas, como a liberdade de saciar a fome, de não sofrer discriminação, de participar de discussões e averi-guações políticas e de ser tratado com dignidade (SEN, 1999). Já a sustentabilidade, está rela-cionada com a sua resiliência, isto é, a habilidade que um ecossistema possui de enfrentar distúrbios e absorver impactos de modo que sua estrutura e funções se mantenham e, conse-quentemente, com a capacidade de extração de recursos naturais do planeta Terra (VEIGA, 2010).
Neste discurso, pode-se questionar até que ponto o que o Desenvolvimento Sustentável, como apresentado pela Comissão Brundtland e pela ONU é essencialmente contraditório, por tratar de crescimento e desenvolvimento juntamente com a sustentabilidade social e ambiental (ROBINSON, 2004). Esse conceito consegue convergir para as preocupações sociais e ambien-tais da atualidade, sendo de grande importância, ao menos política.
De-com as gerações atuais e futuras. Acredita-se na Justiça para as gerações atuais a partir de um desenvolvimento equânime. Já a Sustentabilidade trata para que o desenvolvimento não de-grade o meio ambiente para não prejudicar o Desenvolvimento das gerações futuras.
Neste contexto, cabe pensar o valor social das organizações de maneira como define Phills et al. (2013), a criação de benefícios ou redução de custos para a sociedade. Pois, isso sim implica uma nova leitura sobre o desenvolvimento sustentável mesmo que não atenda na plenitude às gerações futuras.
2 OBJETIVO
Apresentar aspectos conceituais da inovação social e sua relação com a sustentabilidade a partir de um referencial teórico.
3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, que segundo Richardson (1999) caracteriza-se por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social. Neste sentido, este trabalho por meio da pesquisa qualitativa visa apresentar aspectos concei-tuais da inovação social inseridos no contexto da sustentabilidade.
4 RESULTADOS
Os aspectos conceituais da inovação social apresentados no Quadro 1 permitem observar que em relação ao proposto por Cloutier (2003), o conceito de inovação social apresenta sintonia com o conceito de Desenvolvimento Sustentável, como abordado por Sen (1999), mas pouco se relaciona com a dimensão ambiental da sustentabilidade.
Quadro 1: Aspectos conceituais da inovação social
Autores Conceito
Cloutier (2003) Uma resposta nova, definida na ação e com efeito duradouro, para uma
situação social considerada insatisfatória, que busca o bem-estar dos indi-víduos e/ou comunidades.
Mulgan et al. (2007) Novas ideias que funcionam na satisfação de objetivos sociais; atividades
inovativas e serviços que são motivados pelo objetivo de satisfazer neces-sidades sociais e que são predominantemente desenvolvidas e difundidas através de organizações cujos propósitos primários são sociais.
Phills et al. (2008) O propósito de buscar uma nova solução para um problema social que é mais efetiva, eficiente, sustentável ou justa do que as soluções existentes e para a qual o valor criado atinge principalmente a sociedade como todo e não indivíduos em particular.
Pol e Ville (2009) Nova ideia que tem o potencial de melhorar a qualidade ou a quantidade da vida.
Murray et al. (2010) Novas ideias (produtos, serviços e modelos) que simultaneamente
satisfa-zem necessidades sociais e criam novas relações ou colaborações sociais. Em outras palavras, são inovações que, ao mesmo tempo, são boas para a sociedade e aumentam a capacidade da sociedade de agir.
Howaldt, J.; Schwarz, M. (2010, p.16)
Nova combinação e/ou configuração de práticas sociais em certas áreas de ação ou contextos sociais, propostas por certos atores ou constelação de atores em um alvo intencional com o proposito de melhor satisfazer ou responder necessidades e problemas do que as práticas já estabelecidas.
Fonte: Adaptado de Bignetti, 2011
Na abordagem conceitual de inovação social de Mulgan et al. (2007), nota-se um alinhamento conceitual com o conceito de Desenvolvimento Sustentável, como abordado por Sen (1999). O autor não faz menção ao aspecto ambiental e não define “necessidades” humanas.
Em relação ao conceito de inovação social apresentado por Phills et al. (2008), há menção ao termo sustentabilidade, bem como para a questão da justiça social. Parece, neste sentido, mais abrangente comparado a outras definições. Para o conceito de inovação social de Pol e Ville (2009), embora note-se sintonia com o conceito de Desenvolvimento Sustentável apresentado por Sen (1999), não faz distinção entre a geração atual e às gerações futuras, parecendo desconsiderar as questões com o Meio Ambiente.
Murray et al. (2010), apresenta sintonia com o conceito de Desenvolvimento Sustentável, co-mo abordado por Sen (1999), mas pouco se relaciona com o Meio Ambiente e, por sua vez, com a sustentabilidade.
A abordagem conceitual de inovação social de Howaldt, J.; Schwarz, M. (2010), apresenta sin-tonia com o conceito de Desenvolvimento Sustentável, como abordado por Sen (1999), mas pouco se relaciona com o Meio Ambiente e, consequentemente, com a sustentabilidade.
De-no entanto, não faz menção às gerações futuras.
5 CONCLUSÃO
As abordagens conceituais sobre inovação social apresentadas neste trabalho relativizam um pouco as limitações entre a inovação social e o desenvolvimento sustentável. Contudo, obser-va-se uma importante contribuição de Phills et al. (2008) que serve de ponto de partida quan-to à menção da Sustentabilidade e da justiça na definição de Inovação Social. Assim, o conceiquan-to exposto por estes autores parece mais alinhado com os desafios enfrentados atualmente pela sociedade. Contudo, também é válido ressaltar que esta definição também carrega os mesmos problemas do conceito de Desenvolvimento Sustentável, ao propor um Desenvolvimento que não fere o meio ambiente, tornando necessário levantar o debate sobre crescimento econô-mico indeterminado.
Assim, encontrar um respaldo conceitual para a Inovação Social no conceito de Desenvolvi-mento Sustentável apresenta-se, neste primeiro moDesenvolvi-mento um desafio. Desse modo, é impor-tante optar por padrões que unam interesses destes conceitos. É necessário, portanto, combi-nar, de forma justa, os frutos de um Desenvolvimento Sustentável, como proposto por Sen (1999), sem prejudicar o Meio Ambiente e as futuras gerações.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pela concessão das bolsas de Mestrado.
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