PROJETO PA 2477/18. SANTO INÁCIO / PR Produção de Carne e Soja em Sistema de ILP

Texto

(1)

PROJETO PA 2477/18 SANTO INÁCIO / PR

Produção de Carne e Soja em Sistema de ILP Vigência:

RELATÓRIO FINAL DA PESQUISA:

1. INTRODUÇÃO

A integração da agricultura e pecuária consiste na diversificação da produção, possibilitando o aumento da eficiência de utilização de recursos naturais e a preservação do ambiente, resultando em incrementos e maior estabilidade de renda do produtor rural.

Como as áreas de lavoura são em sua maioria cultivadas apenas durante a estação de verão, faz-se necessário demonstrarmos e avaliar economicamente tecnologias de Integração Lavoura/Pecuária que viabilizem a produção intensiva destas áreas agrícolas durante o ano todo, e assim agindo com que após a colheita da cultura de verão os produtores possam obter lucros com a integração, ao passo que vencido o ciclo da lavoura de verão, a área será utilizada para o pastoreio de bovinos

TRATAMENTOS

Estaremos relatando nossa experiência do Projeto Arenito ( desde 2013 ) na Estância JAE em Santo Inácio/PR, onde se realizam pesquisas, validações e demonstrações apoiadas pela Fundação Agrisus. Por 14 anos consecutivos vem se produzindo forragem para gado de leite e corte no intervalo de duas culturas de soja de verão. É o que se chama de integração lavoura / pecuária - ILP, onde “a plantação e a criação se alternam na mesma área”. A sequência ininterrupta por vários anos comprova a viabilidade técnica e econômica da rotação soja/pastagem no mesmo ano agrícola.

O solo, da série Arenito Caiuá, com 70% a 80% de areia, recoberto originalmente por mata alta de perobal denso não muito grosso, porém sem os padrões de alta fertilidade como figueira branca p.ex.Plantado com café na década de 1950 que durou poucos anos, no limite da fertilidade inicial e em conseqüência das geadas intensas. Seguiu-se algodão substituído por pastagem devido à erosão.

A braquiária cede hoje lugar aos cereais depois de adotado o plantio direto.

A fertilidade original é média, com teores de bases (2/3 cmol/ dm3) e MO (1/2%) baixos, compatíveis com a textura arenosa com menos de 20% de argila e silte.

Na seqüência dos 12 anos em revista as chuvas de abril a outubro somaram de 388 a 698 mm, a temperatura média das máximas ficou entre 24,7 e 32º C, a média das mínimas foi de 10 a 18º C; e a mínima absoluta de -2 a 13º C (Q.1).

E após 11 anos trabalhando com produção exclusivamente de Leite, foi observado através de contato com agropecuaristas da região Noroeste do PR, Oeste de SP e Sul do MS a necessidade de concretizarmos resultados com produção de Carne em sistemas de ILP, visto que o Gado de Corte tem uma maior representatividade de animais e consequentemente produção nas regiões

mencionadas, e para a Safra 18-19 o Projeto Arenito trabalhou com animais com aproximadamente

300 kg de Peso Vivo de idade entre 15 a 18 meses, da raça Nelore.

(2)

Tratamentos Outono/Inverno 2018

T1- Pastejo dos animais (garrotes) em Ruziziensis ( 100 kg/ha/N ), suplementado com Sal Mineral.

T2- Pastejos dos animais ( Garrotes ) em Ruziziensis ( 100 kg/ha/N ), suplementado com 0,3% do Peso Vivo com ração energética a base de Milho moido.

T3- Ruziziensis ( 100 kg/ha/N ) sem pastejo, somente roçadas ( simulando pastejos )

Tratamentos Primavera/Verão 2018/2019

T1- Plantio de Soja em área de palhada Ruziziensis ( com pastejo dos animais )

T2- Plantio de Soja em área de palhada Ruziziensis ( sem pastejo dos animais )

Q.1 – CLIMA

2018 Med. Máx. Med. Min. Min. Abs. Precip.

Abril/Set 27,1º 15,5º 4,1º 277 mm*

* periodo de 1º de Abril a 30 de Setembro.

E durante o período de Outono/Inverno de foi 2018, as temperaturas foram acima da média dos últimos dez anos, com uma precipitação no período abaixo da média do projeto desde 2008 para o período, observando que a média dos últimos 10 anos ficou entre 388 a 698 mm, e a temperatura média das máximas foi de 27,1º e a média das mínimas 15,5º, com mínima absoluta de 4,1º, não ocasionando geadas nas áreas de Brachiárias do Projeto, destacando no Outono/Inverno as altas temperaturas e nenhuma precipitação do dia 01 de abril a 12 de Maio ( 42 dias ), o que inviabilizou uma o pastejo em Maio, conforme planejado incialmente, como também um baixo

desenvolvimento vegetativo para época do ano, diferentemente dos últimos cinco anos de realização do Projeto, com mensurações que demonstravam que nos meses de abril e maio,

tínhamos uma grande produção de MS e alta qualidade bromatológicas e consequentemente maiores produções de Leite e Carne, obtido no início do Projeto, e não represada para o meio e final do pastejo, como ocorreu em 2017.

E repetimos o tratamento que a produção comercial adotou o melhor resultado ao longo dos anos, que é o de plantio direto pós colheita da soja, do capim de Brachiaria ruziziensis, utilizando sempre sementes revestidas na proporção de 600 pontos de valor cultural/ha, e adubação de cobertura de 100 kg/N/ha após 58 dias ( devida a falta de chuva ) após plantio a forrageira.

Q.2 - FORMAÇÃO DE PASTAGEM Plantio da Ruziziensis 15-03-18

Inicio de Meio de Final de média

(3)

pastejo

*

pastejo pastejo

Altura capins cm 35 36 13

No. Touceiras/m

2

15 14 14 14,3

Fitomassa verde- kg/ha MS 2.730 2.420 977

Proteína bruta – PB % 11,3 9,6 6,2 9,03

Nutrientes digest. totais – NDT % 54,8 52,7 48,9 52,1

Q.3 - PASTOREIO GARROTES 90 dias (16/6 a 16/09 )

T1 T2 T3

Carga animal – cab (UA) ha 2,2 2,5 0

Diárias/ ha 198 225 0

Oferta inicial MS kg/ha 2810 2650 2890

Sobra final MS ( pós pastejo ) kg/ha 1020 934 1.240*

Consumo 2,3% PV** kg/ha 1.639,00 1.620,00***

* pós duas roçadas no mesmo período do pastejo dos Garrotes.

** Garrotes com média de 360 kg

*** Cálculo feito com base em 2% de consumo de PV ( foi descontado 0,3% da suplementação ).

Q.4 - PRODUÇÃO PESO VIVO

P1 P2 Média

Peso entrada / animal ( kg ) 340,5 341,9 341.2

Peso saída / animal ( kg ) 407,1 421,1 414,01

GMD / animal g 0,740 0,880 810

Ganho Total Hectares ( kg de peso vivo) 146,5 198,00 172,25

O GMD dos dois tratamentos foram superiores a 700 gramas, o que resulta em uma satisfatória performance para o período de Outono/Inverno de 2018, ano com acentuada estiagem, que comprometeu a produção agrícola ( queda de 40% de produção de Milho Safrinha no Paraná comparado com 2017 )e pecuária em toda a região de solos de Arenito.

Tendo como resultados de carga animal um diferença na casa dos 10% superior conquistado no

tratamento T2, comparativamente ao T1, aonde neste tratamento fornecemos suplementação na

ordem de 0,3% do PV, o T2 também respondeu com um maior ganho de peso dia, creditando

este adicional ao fornecimento de Milho ( 0,3% ), contribuindo para uma dieta mais energética.

(4)

Estaremos relatando o custo/benefício deste tratamento na tabela Q.6. E para cálculo de ganho total por hectares no T1, obtivemos um GMD de 0,740 kg, somente com fornecimento de Sal Mineral e água, também podemos observar uma grande oportunidade de fazermos uma

terminação na ILP com fornecimento apenas de uma suplementação complementar de uma fonte de energia ( Ex: Milho ) o que irá aumentar o NDT na dieta, viabilizando uma melhor cobertura de carcaça e também um maior ganho de peso por animal ( recria ), mas sua utilização

dependerá da avaliação do custo/benefício desta ferramenta adicional, em detrimento do preço do Grão de Milho.

Q.5 – FITOMASSA

Kg/ha T1 com

pastoreio

T2 com suplementa

ção

T3- sem pastejo

Final pastoreio 1.020 934 1.240*

Recuperação 30 dias 1.780 1.860 2.180

MS no plantio 2.800 2.794 3.420

* manejo com roçadas mecânicas.

Q.6 - DESEMPENHO ECONÔMICO - T1

R$ / ha Hectare Custo/un T3

Desp. Sementes 6 kg 11,00 66,00

Desp. Suplem. Min. 11 kg 2,50 27,50

Desp. Semeadura 1 hora 80 80,00

Fertilizante Nitrogenado 100 kg/ha 3,3 330,00

Cercamento e água 150,00

Despesas 653,5

Produção de carne R$ 146,5 kg 5,00 730,00

Lucro Bruto* R$ 76,5

Q.6 - DESEMPENHO ECONÔMICO – T2

R$ / ha Hectare Custo/un T2

Desp. Sementes 6 kg 11,00 66,00

Despesas suplementação ( Milho ) 240,3 kg 0,48 116,6

Desp. Semeadura 1 hora 80 80,00

Fertilizante Nitrogenado 100 kg/ha 3.3 330,00

Cercamento e água 150,00

Despesas 742,6

(5)

Produção de carne R$ 198 kg 5,00 990,00

Lucro Bruto* R$ 247.4

OBS: Para o Tratamento T3, não tivemos receita, pois não houve a realização de pastejo e a despesas foram de R$ 72,00 ( sementes )+ R$ 330,00 ( fertilizantes ) de R$ 60,00/ha ( 1,5 horas de Maquina ) referente as roçagens realizadas para manejo das forrageiras. Totalizando R$ 462,00 de despesas.

Os custos obtidos sejam pelas diárias foram de R$ 3,62 para o T1, e do T2 o custo da diária foi de R$ 3,30. Ambos tratamentos se apresentaram favoravelmente com os preços vigentes no mercado para confinamento ou outro tipo de sistemas de Boitel ( de R$ 7,5 a R$ 9,00 ). Notando uma

rentabilidade superior no tratamento com Suplementação, comparativamente ao tratamento somente com fornecimento de Sal Mineral.

Tratamentos Primavera/Verão 2018/2019

T1- Plantio de Soja em área de palhada Ruziziensis ( com pastejo dos animais ) T2- Plantio de Soja em área de palhada Ruziziensis ( sem pastejo dos animais )

A cultura da Soja foi plantada dia 26 de Outubro de 2018, em sistema de Plantio Direto a variedade utilizada foi a Nidera 6700 IPRO( resistente a Glifosato e lagarta da Soja ), as sementes foram tratadas com inseticidas, fungicidas e inoculantes, a adubação de base foi de 300 kg/ha da fórmula 06-24-12, e após 12 dias de plantio foi realizado uma adubação de cobertura de 100 kg/ha de cloreto de potássio, sendo necessário uma aplicação de herbicida ( glifosato ) para controle de plantas daninhas, embora em baixa incidência devido a ótima cobertura de palhada, para controle de percevejo foi realizada 3 aplicação de Inseticidas ( sistêmico + contato ), e devido a ocorrência de um clima mais seco, realizamos duas aplicações de Fungicidas de prevensão. A Colheita foi realizada dia 14 de março de 2019.

2018/2019 Med. Máx. Med. Min. Min. Abs. Precip.

Out/Março 32,1 21,3º 16,1º 566 mm*

* Chuvas mais concentradas nos meses de Outubro e Novembro.

Q.7 – AVALIACÕES E RESULTADOS DA CULTURA DA SOJA T1 – com pastejo T2 – sem pastejo*

MS no plantio 2.800 3.420

Plantas de Soja/hectare 196.000 198.500

(6)

MS pós 100 dias de plantio 1,230 1,315

Produção sacas/ha 42,8 39,2

* áreas roçadas mecanicamente, para ajustar a altura da Forragem com animais pastejando.

Estatisticamente não foi observado diferenças de altura, stand, arquitetura e número de vagens das plantas amostradas dos tratamentos T1 x T2.

As produções de Soja da safra 18/19, foram abaixo dos últimos dois anos, e de uma forma geral no estado do Paraná, com maiores agravantes na região do Arenito, foi a altíssimas temperaturas com uma má distribuição das chuvas nos meses de janeiro e fevereiro, o que impactou fortemente a produção de Soja no Paraná, a média de produção na região do Projeto Arenito , foi de 28,3 sacas/há. Das nossas visitas e observação de campo nas áreas de amigos produtores, constatamos que a palhada residual das gramíneas, fizeram grande diferença na produção, seja ele oriundo da ILP ou Milho Safrinha em consórcio.

5. DESCRIÇÃO DAS DIFICULDADES E MEDIDAS CORRETIVAS.

RELATÓRIO PRÁTICO: Só para relatórios FINAIS( contendo os principais resultados escrito em linguagem de extensão, de fácil compreensão por lavradores, de no máximo 1 página) Tendo estes resultados uma maior confiabilidade, devido a obtenção dos resultados dos últimos 15 anos de projeto e 8 anos com tratamento padrão ( P.D. de Ruziziensis ) proporcionou os melhores resultados de Produção de Leite, a experiência com Gado de Corte pelo terceiro ano foi positiva, pois além do tradicional sistema de pastejo com fornecimento de Sal Mineral, no Outono/Inverno de 2018, validamos um tratamento com suplementação energética, que resultou em resultados de produção e financeiros promissores, visto que embora tenha sido superior ao tratamento padrão pelo segundo ano consecutivo, será necessário repeti-lo por mais um ou dois anos, e assim buscar a consistência de resultados superiores para que possamos ter uma maior segurança na recomendação aos Produtores Rurais, visto que não foi contabilizado o custo de mão de obra do trato diário, por se tratar de pequenas parcelas ( poucos animais) do projeto, e com certeza a nível comercial o custo do fornecimento da ração a maiores lotes, terá um menor custo por diária/animal..

O tratamento T1( piquetes que foram pastejados ) demonstrou por mais um ano superioridade de resultados da Produção da Soja, o que vem a nós estimular a trabalhar pois mais anos afim de entender as sinergias que possam a concretizar entre o pastejo dos animais e produção de grãos posteriormente, temos várias hipóteses como, excreções dos animais, ciclagem de nutrientes, etc.

E estes resultados do quarto ano de Gado de Corte como também de tratamentos com e sem pastejo, nos dá uma maior segurança da viabilidade deste sistema de ILP. Visto que por mais um safra, os resultados do tratamento padrão do Projeto Arenito foram promissores e de grande eficiência dentro do sistema de Integração na propriedade.

COMPENSAÇÕES OFERECIDAS À FUNDAÇÃO AGRISUS: Só para relatórios

FINAIS( descrever de forma sucinta como foram asseguradas as compensações prometidas).

(7)

Os créditos referentes ao Financiamento do Projeto serão atribuídos a Fundação Agrisus, quando da apresentação do campo e resultados iniciais de disponibilidade de Forragens e produção de Leite durante o 24º Dia de Campo Projeto Arenito.

Como também apresentação dos resultados do Projeto Arenito, durante participação a convite da Fundação Agrisus no 16º Encontro de Plantio Direto na Palha em Sorriso-MT, nos dias 1 a 3 de Agosto de 2018.

Assim como todas as futuras publicações independentes ou agregadas ao Projeto Arenito do Vale, serão feitas as citações e atribuídos os créditos a Agrisus, seja em Congressos, Simpósios e Dias de Campo.

Da mesma forma os resultados estão a disposição da Fundação para uma eventual publicação, no Site da Fundação ou Revistas do gênero.

.DATA E NOME DO COORDENADOR

Fernando Ribeiro Sichieri e Prof. Jamil Constatin

27 de Abril de 2019

Imagem

Referências

temas relacionados :