Universidade Estadual de Londrina

Texto

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Universidade

Estadual de Londrina

CENTRO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE

CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

EFEITO AGUDO DE DIFERENTES MÉTODOS DE

ALONGAMENTO SOBRE A VELOCIDADE

MÁXIMA DE CORRIDA E DESEMPENHO NO

SALTO SOBRE A MESA EM GINASTAS

Diogo Farias Ribeiro

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DEDICATÓRIA

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AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Fábio Yuzo Nakamura que me deu a honra e a oportunidade de trabalhar ao seu lado, e todos os membros do GEAFIT – Grupo de Estudos em Adaptações Fisiológicas ao Treinamento, em especial meus amigos Marcelo Vitor da Costa, Rafael Evangelista, Nilo Massaru Okuno, Ricardo Oliveira, Thiago Alfredo Pereira, Henrique Bortolotti por terem sido verdadeiramente meus MESTRES em toda a minha jornada acadêmica.

A minha família, Edson Farias Ribeiro, Marcia Ribeiro, Mariana Ribeiro, Felipe Ribeiro, Marina Oliveira, meus avós e tios pela confiança, paciência e motivação durante os quatro anos de graduação e por serem minha fortaleza.

Aos amigos Marcos Brito, Otávio Tasca (ex-técnicos e árbitro), Juliana Sasaki, Glauber Garcia, Diego Brito, Kamila Mariana, Junior Elias, Bruno Cesar, Edson Santana, Anne Furlanetto, Ivone Gardin, Andressa Destácio e demais colegas de sala pela força e pela vibração em relação a esta grandiosa jornada.

Aos professores Fábio Nakamura, Tony Honorato, Jeane Barcelos, Nilo Okuno, Inara Marques, Marcos Polito, Anísio Calciolari, Evangelina Sanches, Mathias Loch, Abdallah Achour, Marcos Rocha e colegas de Curso, pois juntos trilhamos uma etapa importante de nossas vidas.

Aos meus ex-atletas e companheiros de trabalho, pela participação no estudo, no qual forneceram informações valiosas para contribuirmos com os seus treinamentos.

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EPÍGRAFE

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RIBEIRO, Diogo Farias. EFEITO AGUDO DE DIFERENTES MÉTODOS DE

ALONGAMENTO SOBRE A VELOCIDADE MÁXIMA DE CORRIDA E DESEMPENHO NO SALTO SOBRE A MESA EM GINASTAS. Trabalho de Conclusão

de Curso. Curso de Bacharelado em Educação Física. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina, 2012.

RESUMO

O alongamento prévio a esforços de alta intensidade vem sendo bastante estudado, contudo seus resultados ainda deixam dúvidas, pois dependem das características dos sujeitos bem como a sua prática com o alongamento. O objetivo do estudo, foi testar diferentes métodos de alongamentos em uma sessão de aquecimento sobre a velocidade de corrida e desempenho no salto sobre a mesa em ginastas. Para tanto, 8 atletas de ambos os sexos foram selecionados e foram submetidos a quatro protocolos de alongamento: (a) passivo, (b) estático, (c) facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) e (d) aquecimento geral (controle). Todos os protocolos tiveram o mesmo volume e intensidade (2 x 30s), acima do ponto de desconforto. Foi avaliado o nível de flexibilidade pré e pós protocolo, a velocidade de corrida e o desempenho no salto sobre a mesa. Quando realizada a estatística convencional, não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os escores médio finais nos diferentes protocolos. Contudo, quando analisada a magnitude da diferença percebemos uma tendência a um desfecho possivelmente negativo, do protocolo com FNP quando comparado ao controle (66%). Em relação à velocidade de corrida, apesar de não encontrarmos diferença significativa, podemos perceber também através da análise de magnitude que o protocolo com FNP provavelmente tenha influenciado na velocidade de corrida, fazendo com que o escore médio final fosse menor para aqueles atletas que tiveram uma velocidade de corrida menor. Nossos achados, apesar de não significantes estatisticamente (p > 0,05) mostram ser eficazes quando realizamos a análise de magnitude, uma vez que na GA diferenças mínimas (décimos), podem separar o campeão do quarto lugar.

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RIBEIRO, Diogo Farias. ACUTE EFFECT OF DIFFERENT METHODS OF STRETCH

ON THE MAXIMUM PERFORMANCE IN THE RUNNING AND VAULT ON THE TABLE IN GYMNASTS. Completion of course work. Course Bachelor of Physical

Education. Centre for Physical Education and Sport. University Staste of Londrina, 2012.

ABSTRACT

The stretching prior to high intensity efforts has been extensively studied, but the results still leave no doubt therefore depend on the characteristics of the subjects and the practice with stretching. Therefore our objective was to test different methods of stretching in a warm-up session on the running speed and jump performance on the table in gymnasts. Therefore, 8 athletes of both genders were selected and underwent four stretching protocols: (a) liability, (b) static, (c) proprioceptive neuromuscular facilitation (pnf) and (d) general warming (control). All protocols were the same volume and intensity (2 x 30s), above the point of discomfort. We assessed the level of pre and post protocol flexibility, speed racing and jump performance on the table. When conventional statistical performed, there was no statistically significant difference between the average final scores in different protocols. However, when analyzing the magnitude of the difference we noticed a trend to a possibly negative outcome, with the pnf protocol when compared to the control (66%). In relation to the running speed, although not find significant differences, we can also see through the analysis of magnitude as the protocol with pnf probably has an influence on the running speed, causing the average final score was lower for those athletes who had an lower running speed. Our findings, although not statistically significant (p> 0.05) shown to be effective when we analyze the magnitude, since minimal differences in GA (tenths), can separate the champion from fourth place.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Descrição Antropométrica dos Atletas ... 08 Tabela 2 - Estágio Maturacional dos Atletas ... 09 Tabela 3 - Valor das despontuações segundo Código de Pontuação... 15 Tabela 4 - Média e Desvio Padrão dos níveis de flexibilidade nos diferentes protocolos 19 Tabela 5 - Escore médio nos diferentes protocolos e no primeiro e segundo salto

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Tamanhos do efeito e mudanças percentuais associadas ao efeito de várias durações de alongamentos estáticos na força e potência no

isocinético, altura do salto vertical e velocidade do Sprint ... 8 Figura 2 - Fluxograma do estudo ... 11 Figura 3 - Movimento de Flexão do quadril, para avaliação da musculatura

ísquiotibial ... 12 Figura 4 - Movimento de Extensão do Quadril, para avaliação da musculatura

do Quadríceps ... 13 Figura 4 - Espacato com auxílio do plinto ... 14 Figura 6 - (A) Alongamento de Ísquiotibial; (B) Alongamento para quadríceps .. 15 Figura 7 - (A) Alongamento de Quadríceps e ísquiotibial; (B) Alongamento de

Adutores ... 16 Figura 8 - Correlação de todos os escores médios finais com as velocidades

médias (4m-14m) ... 21 Figura 8.A - Correlação do escore médio final com a velocidades médias

(4m-14m) no protocolo Controle ... 22 Figura 8.B - Correlação do escore médio final com a velocidades médias

(4m-14m) no protocolo Estático ... 22 Figura 8.C - Correlação do escore médio final com a velocidades médias

(4m-14m) no protocolo com FNP ... 22 Figura 8.D - Correlação do escore médio final com a velocidades médias

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LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS

GA - Ginástica Artística

ALGA - Associação Londrinense de Ginástica Artística FNP - Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva CBG - Confederação Brasileira de Ginástica

TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Kg - Quilogramas

cm - Centímetros

IMC - Índice de Massa Corporal OTG - Órgão Tendinoso de Golgi

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LISTA DE ANEXOS

Anexo A - Termo de Consentimento Livre e esclarecido ... 31

Anexo B - Escala de Tanner para avaliação em meninas ... 32

Anexo C - Escala de Tanner para avaliação em meninos... 33

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SUMÁRIO DEDICATÓRIA i AGRADECIMENTOS ii EPÍGRAFE iii RESUMO iv ABSTRACT v LISTA DE TABELAS vi

LISTA DE FIGURAS vii

LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS viii

LISTA DE ANEXOS iv 1 INTRODUÇÃO... 01 1.1 Problema... 01 1.2 Justificativa... 03 1.3 Objetivos... 04 1.3.1 Objetivos Gerais... 04 1.3.2 Objetivos Específicos... 04 1.4 Hipóteses... 04 2 REVISÃO DE LITERATURA... 05 2.1 Ginástica Artística ... 05 2.2 Métodos de alongamento ... 06

2.3 Alongamento e esforços de alta intensidade ... 07

3 METODOS ... 09

3.1 Sujeitos ... ... 09

3.2 Delineamento Experimental ... 10

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3.3.1 Flexão de Quadril (Joelhos estendidos) ... 12

3.3.2 Quadril (Extensão) ... 13

3.4 Protocolos de Alongamentos ... 14

3.4.1 Alongamento Estático ... 14

3.4.2 Alongamento Passivo ... 15

3.4.3 Alongamento com Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva ... 16

3.4.4 Protocolo Controle ... 17

3.5 Avaliação da Velocidade ... 17

3.6 Avaliação do Salto Sobre a Mesa ... 18

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1 INTRODUÇÃO

1.1 Problema

O treinamento esportivo visa à repetição sistematizada de exercícios com a finalidade de adquirir destreza em uma determinada habilidade motora e modificações que possam aumentar o desempenho (VIRU, 1995). Estas modificações podem ser de ordem física, metabólica, estruturais, psicológicas ou quando apresentadas de forma adequada, uma interação destas capacidades. Assim as pesquisas realizadas têm o objetivo de fornecer informações a técnicos e preparadores físicos das diversas modalidades. Essas pesquisas realizam desde comparações mais simples, como os modelos de treinamentos (ARKAEV et

al., 2004), até marcadores bioquímicos de estresse/recuperação (CAMARGO et al., 2012) e

análises de movimentos com equipamentos sofisticados.

Algumas modalidades chegam-se ao seu objetivo com análises mais simples, pois poucas variáveis influenciam o treinamento, enquanto, outras englobam mais variáveis que podem determinar uma melhora do desempenho. Dentro disto surge a ginástica artística (GA), uma vez que necessita da interação entre a parte física e técnica bem estruturada (NUNOMURA et al., 2009). Não obstante com o fato de aliar a parte física com a técnica, a GA ainda possui outro desafio que é o de aliar exercícios que exijam altos níveis de alongamento e movimentos com grande amplitude articular com esforços de altíssimas intensidades.

Por isso, pesquisadores vêm testando os efeitos da realização de vários tipos de alongamentos previamente a esforços de alta intensidade (RIBEIRO e VECCHIO, 2011). Behm e Chaouachi (2011) realizaram uma revisão da literatura sobre os efeitos agudos do alongamento estático e dinâmico sobre o desempenho e concluíram que há uma queda no desempenho após a realização de alongamento estático. Porém um ponto que eles abordam sobre os estudos, é que em suma, estes adotam situações que não correspondem à realidade do treinamento e os indivíduos que compõem a amostra normalmente não são atletas diminuindo a validades dos achados.

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2 dinâmico e uma situação (c) só com aquecimento geral. Os exercícios de alongamento estático foram: 1) o atleta sentado com as penas estendidas realizava a flexão do tronco à frente e realizava a manutenção durante trinta segundos em duas séries; 2) em decúbito dorsal, os atletas realizavam uma flexão de joelhos deixando que a parte da tíbia apoiasse no chão e realizavam a manutenção da posição por trinta segundos em duas séries. O intervalo entre as séries foi de trinta segundos. No alongamento dinâmico o exercício consistiu de uma flexão da perna à frente e uma flexão de joelhos quando a perna passasse a trás. Estes foram realizados durante trinta segundos por duas séries.

Neste estudo (2003) a única variável mensurada foi à velocidade de corrida durante a realização do salto sobre a mesa, e foi evidenciado que o alongamento estático prejudicou o desempenho de corrida nas distâncias correspondentes a 0-15 m. Estes resultados sugerem que mesmo em indivíduos que possuem um alto grau de flexibilidade, exercícios de alongamento estático precedentes a um salto sobre a mesa interferem negativamente na velocidade de corrida. Contudo, o desempenho na GA não é avaliado pela velocidade da corrida e sim por escores alcançados a partir da avaliação subjetiva (realizada por um árbitro) de sua execução do salto sobre a mesa, mas a velocidade de corrida pode interferir na nota final dos atletas.

Porém, devemos tomar cuidado ao adotar uma visão de que o alongamento é prejudicial, pois os protocolos adotados pelos pesquisadores algumas vezes fogem da realidade dos atletas, pois seu volume e intensidade irão acarretar prejuízos.

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1.2 Justificativa

Os estudos que analisaram o efeito agudo de diferentes métodos de alongamento antecedendo um exercício de alta intensidade, em sua grande maioria, utilizaram métodos, intensidades e volumes de alongamento que não condizem com a modalidade ou realidade investigada. Outro fator importante é de que os estudos foram conduzidos com indivíduos não atletas ou que não tenham experiência prévia no tipo de alongamento, onde o efeito agudo da intervenção pode ser aumentado (BEHM e CHAOUACHI, 2011). Como a GA faz do uso de alongamentos previamente à realização de suas atividades nos aparelhos, sendo realizado na parte de postural básico (NUNOMURA et al., 2009), é de suma importância à detecção de uma estratégia de alongamento que possa vir a melhorar o desempenho ou qual destas estratégias possa atenuar os efeitos agudos do alongamento.

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1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo Geral

Analisar o efeito agudo de aquecimento com diferentes métodos de alongamentos (estático, passivo, facilitação neuromuscular proprioceptiva [FNP] e controle) sobre a velocidade de corrida e desempenho no salto sobre a mesa de ginastas.

1.3.2 Objetivos Específicos

ü Verificar se há relação entre a velocidade de corrida e desempenho na nota final do salto sobre a mesa.

ü Verificar se há relação dos níveis de flexibilidade pós-protocolos de alongamento sobre o escore médio final do salto e velocidade de corrida.

1.4. Hipóteses de Pesquisa

A hipótese do estudo é de que os protocolos de alongamento estático, passivo e FNP diminuam o desempenho na velocidade de corrida e desempenho no salto sobre a mesa.

No protocolo controle não é esperado uma diminuição na velocidade de corrida e escore final médio do salto sobre a mesa.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Ginástica Artística

A Ginástica Artística (GA) é um conjunto de exercícios corporais sistematizados, aplicados com fins competitivos, em que se conjugam a força, a agilidade e a elasticidade (CBG, 2012). A GA é um esporte de caráter individual onde a competição ocorre em quatro

aparelhos para o feminino: solo, salto sobre a mesa, trave de equilíbrio e paralelas assimétricas e no masculino seis aparelho, solo, salto sobre a mesa, cavalo com alças, argolas, paralelas simétricas e barra-fixa. Devido a essa grande quantidade de aparelhos o treinamento torna-se extremamente complexo, pois se deve aliar de maneira adequada, a parte física juntamente com a parte técnica, sendo esta última considerada essencial (SMOLEVSKIY e GAVERDOVSKIY, 1996).

Cada aparelho na GA possui sua característica, por exemplo no salto sobre a mesa, o atleta deve apresentar um misto de potência e força de membros inferiores, para desenvolvimento de velocidade de corrida, como também a abordagem junto ao trampolim. Além dessas características físicas, o atleta deve apresentar uma técnica bastante apurada sobre os exercícios que irá realizar, para tanto é sugerido que a introdução da GA deve ser precoce, pois desde as idades menores, os atletas vão tendo uma aquisição de consciência corporal e a partir dos 6 anos já se introduz a técnica dos movimentos a fim de quanto mais cedo este atleta vivenciar a técnica, mais apurada ela será no futuro.

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2.2 Métodos de Alongamento

O alongamento baseia-se na aplicação de tensão sobre uma determinada musculatura, onde seus componentes estruturais têm seu comprimento aumentado (STONE et al., 2006). O desenvolvimento dos componentes elásticos da musculatura vem sendo relatados como um importante fator a ser treinado, pois uma vez melhorados, aumentam a amplitude de movimento, consequentemente facilitando a realização dos exercícios exigidos na GA.

Nesse sentido, ao longo dos anos foram desenvolvidos diversos métodos de alongamentos com a intenção de melhorar os níveis de flexibilidade dos indivíduos.

Segundo (JUNIOR, 2006) há inúmeros métodos para desenvolver a flexibilidade: § Alongamento estático: consiste em realizar o alongamento de uma determinada musculatura até a sua amplitude de movimento máxima de movimento seja alcançada lentamente e ao chegar neste ponto, permanecer mantendo a tensão muscular sem auxílio de outra pessoa.

§ Alongamento Passivo: É realizado com a ajuda de forças externas (aparelhos, companheiros), estando o atleta numa posição passiva, isto é, com descontração muscular e boa posição do sistema musculoarticular.

§ Alongamento Dinâmico: É determinado pelo maior alcance do movimento voluntário, utilizando a força dos músculos agonistas e o relaxamento dos antagonistas.

§ Alongamento por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: Em geral este método combinam alternadamente contração e relaxamento dos músculos agonistas e antagonistas. Dantas (1999) acrescenta que o alongamento por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) utiliza a influência recíproca entre o fuso muscular e o Órgão Tendinoso de Golgi (OTG) de um músculo entre si e com os do músculo antagonista, para obter maiores amplitudes de movimento.

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2.3 Alongamento e esforços de alta intensidade

Uma sessão de treinamento esportivo ou de exercício físico normalmente é precedida de um aquecimento consistindo de atividades aeróbias e durante muito tempo o alongamento fez parte desta rotina de aquecimento. Porém esse alongamento na parte de aquecimento juntamente com a parte aeróbia acarreta em prejuízos na realização das tarefas de alta intensidade subsequentes (BEHM et al., 2001; BEHM et al., 2004; POWER et al., 2004; FLETCHER e ANNESS, 2007; VETTER, 2007; CÈ et al., 2008).

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8 Figura. 1 - Tamanhos do efeito e mudanças percentuais associadas ao efeito de várias durações de alongamento estático na força e potência no isocinético, altura do salto vertical e velocidade de Sprint.

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3 MÉTODOS

3.1 Sujeitos

Foram recrutados oito atletas praticantes de ginástica artística do Centro de ginástica Artística Alceu Mallucelli, sede da Associação Londrinense de Ginástica Artística (ALGA), sendo que dos oito atletas, cinco serão meninos e três meninas com idade cronológica entre 10 e 14 anos, constituindo uma amostra por conveniência (Tabela 1). Como critério para participação no estudo, os atletas deveriam apresentar:

ü Prática na modalidade de no mínimo três anos;

ü Frequência semanal mínima de 75% nos últimos seis meses; ü Não possuírem nenhuma lesão osteomioarticular;

Após a seleção dos atletas, eles foram informados sobre os procedimentos da pesquisa juntamente com os respectivos responsáveis (pais, avós) e, após a anuência dos métodos que foram aplicados, assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) (Anexo A) para efetivação de sua participação.

Todos os atletas passaram por avaliações antropométricas (peso e estatura) para cálculo do Índice de massa corporal (IMC). Os resultados encontrados estão expressos na tabela 1.

Foi realizada uma avaliação maturacional, onde os pais dos atletas se basearam em figuras (ANEXO B) a eles ofertadas para reportarem a imagem que mais se assemelhasse ao encontrado no atleta. Estes resultados estão expressos na tabela 2.

Tabela 1. Descrição antropométrica dos atletas

Atletas n = 8

Idade

Peso

Estatura

IMC

12±1,07 38,1±6,81 138,3±7,29 19,75 ±1,73

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10 Tabela 2. Estágio Maturacional dos Atletas. DM/G = Desenvolvimento Mamário e de Genitália. DPP = Desenvolvimento de Pilosidade Pubiana.

Atletas n = 8 DM/G

DPP

Estágio 1

2

2

Estágio 2

3

4

Estágio 3

3

-

Estágio 4

-

1

3.2 Delineamento Experimental

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Figura 2. Fluxograma do estudo.

3.3 Avaliação da Flexibilidade

Os atletas foram avaliados em dois momentos em cada protocolo, sendo antes e depois do aquecimento com ou sem alongamento. Para a avaliação da flexibilidade foi utilizado o aparelho Fleximeter®. Esse equipamento consiste em uma escala de medida em círculo

completo de 360°, com agulha de gravidade em seu centro, que se move livremente, acompanhada de um velcro para fixação ao segmento articular que será medido.

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3.3.1 Flexão de Quadril (Joelhos estendidos)

Atleta: em decúbito dorsal em uma maca, com o tronco ereto, a região occipital, a cintura escapular e os glúteos em contato com a maca. O joelho da perna a ser medida em extensão e o joelho da perna contrária fletido em aproximadamente 90°.

Fleximeter: na região lateral superior da coxa, com o centro da escala de medida aliando-se ao trocantérico maior do fêmur.

Movimento de flexão: a perna estendida se moveu descrevendo um arco para cima e para frente o máximo possível. (figura 3)

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3.3.2 Quadril – Extensão

Atleta: em decúbito ventral em uma maca, com o tronco ereto, as regiões peitoral, abdominal e pélvica em contato com a maca. A cabeça em rotação lateral e a face lateral em contato com a maca. As pernas estendidas e os pés unidos.

Fleximeter: na região lateral superior da coxa, com o centro da escala de medida aliando-se ao trocantérico maior do fêmur.

Movimento de Extensão: a perna, estendida, move-se descrevendo um arco para cima e para frente tão elevado quanto possível. (Figura 4)

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3.4 Protocolos de Alongamento

Os atletas foram submetidos a quatro protocolos de alongamentos, sendo estes: (a) aquecimento geral, alongamento passivo e realização do salto Hubber, (b) aquecimento geral, alongamento estático e salto Hubber, (c) aquecimento geral, alongamento pelo método de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) e salto Hubber e (d) aquecimento geral e salto Hubber (controle).

Os exercícios foram realizados seguindo sempre a mesma ordem conforme descrito no delineamento experimental (Figura 2).

3.4.1 Alongamento Estático

O alongamento estático foi realizado com os seguintes movimentos: afastamento anteroposterior (espacato) e afastamento lateral (abertura) das pernas. Os atletas sempre começavam com a perna direita à frente e sustentavam a posição por 30 segundos e ao final, já passavam a posição de afastamento lateral e também mantiveram a posição por 30 segundos e ao fim, passavam ao afastamento anteroposterior com a perna esquerda à frente. Todas as posições foram sustentadas por 30 segundos nas duas séries realizadas com um intervalo entre as séries de também 30 segundos. Para os atletas que possuíam espacato negativo foi utilizado um plinto de 20 cm de altura para auxílio, onde o atleta apoiava o pé em cima e realizava o espacato. (Figura 5)

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3.4.2 Alongamento Passivo

O exercício de alongamento passivo foi realizado com ajuda de um profissional com experiência nos seguintes exercícios: para os isquiotibiais, os atletas se posicionaram de joelhos e colocaram primeiro a perna direita à frente onde o avaliador se posicionou atrás do atleta e realizou uma flexão de quadril do atleta em direção ao rosto até atingir a amplitude acima do ponto de desconforto, realizando a manutenção da posição durante 30 segundos cada perna. O segundo exercício, para quadríceps, foi realizado com os atletas se posicionando de joelhos no solo com afastamento anteroposterior de pernas mantendo a planta do pé apoiado ao solo. O joelho da perna de trás estava apoiado no chão com o quadril em hiperextensão, assim, o avaliador realizou uma flexão de joelhos direcionando o tornozelo para o glúteo atingindo a amplitude acima do ponto de desconforto e manteve a posição durante 30 segundos. O protocolo dos exercícios foi realizado primeiramente com a perna direita à frente e posteriormente com a perna esquerda, sustentando a posição por 30 segundos nas duas séries. Bem como no primeiro protocolo, houve um intervalo de um minuto entre as séries (Figura 6A, B). O terceiro exercício foi de afastamento lateral (abertura), onde os atletas estavam posicionados em decúbito dorsal com as pernas em um ângulo de noventa graus onde realizavam o afastamento lateral das pernas. O avaliador se colocou a frente do atleta e conduziu o movimento até que o ponto de desconforto seja ultrapassado mantendo a posição por 30 segundos nas duas séries.

(A) (B)

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3.4.3 Alongamento com Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva

O método de FNP se caracteriza por combinar alternadamente contração e relaxamento da musculatura agonista e antagonista. Sendo assim, o protocolo de exercícios de alongamento com FNP consistiu de uma contração da musculatura agonista por dez segundos e posterior relaxamento desta durante 20 segundos, somando ao final, 30 segundos. O exercício para os isquiotibiais consistiu de afastamento anteroposterior das pernas (espacato), sendo realizado no solo para os atletas que ainda não possuíam angulação zero ou negativa no movimento e para os que já possuíam angulação zero ou negativa foi utilizado uma caixa (plinto) de aproximadamente 20 cm de altura que foi colocado no solo onde o atleta apoiava o calcanhar da perna da frente, para que houvesse uma angulação a ser alcançada no momento em que o atleta realizar o relaxamento. Para os adutores foi realizado o mesmo exercício que no método passivo, em decúbito dorsal e os membros inferiores na angulação de 90° , o avaliador realizou o afastamento lateral das pernas, alcançando dez segundos de contração da musculatura agonista e 20 segundos de relaxamento da mesma, sendo realizada a extensão da musculatura direcionando o movimento até a angulação acima do ponto de desconforto. O tempo dos exercícios foi padronizado para todos os movimentos (estático, passivo e FNP), sendo sempre duas séries de 30 segundos de manutenção, com intervalo de 30 segundos entre as séries. Após o término do aquecimento com alongamento, os atletas foram reavaliados (Figura 7 A, B).

(A) (B)

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3.4.4 Protocolo Controle

Neste, os atletas realizaram a sequência descrita no delineamento experimental com apenas uma modificação, não realizaram o alongamento, foi realizado apenas o postural. Terminado o postural os atletas permaneciam sentados por cinco minutos e ao fim, realizavam as mesmas avaliações como nos outros protocolos.

3.5 Avaliação da Velocidade

Foram realizados dois saltos sobre a mesa em uma pista oficial de salto de ginástica artística. Este salto é denominado de Hubber (Anexo D), iniciando com uma corrida de aproximadamente 18 metros, imediata abordagem ao trampolim, apoio das mãos na mesa de salto, realizando uma passagempela paradade mãos, e chegada em pé no colchão à frente da mesa de salto. Cada atleta realizou dois saltos com intervalo de até 45 segundos entre os saltos. Este tempo seguiu as recomendações do Código de Pontuação (CP) formulado pelo comitê técnico da Federação Internacional de Ginástica (FIG)(FEDERATION, 2012).

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3.6 Avaliação do Salto Sobre a Mesa

Para a avaliação do salto Hubber, foi permitido um aquecimento aos atletas, consistindo de um salto Hubber. Após o aquecimento foi realizada a avaliação dos saltos. Esta foi realizada por um árbitro da FIG através da análise visual em tempo real do salto e este atribuiu uma nota ao salto do ginasta seguindo as recomendações do CP. O salto Hubber teve uma nota inicial fixa de 13,00 pontos, ou seja, todos os atletas tiveram a mesma nota de partida. Este valor é a soma do valor estipulado para a dificuldade do salto de 3,00 pontos, mais 10,00 pontos de execução do salto. Porém a nota final pode ser diferente, uma vez que, cada atleta recebeu uma despontuação de acordo com a avaliação do árbitro. Esta despontuação foi descontada dos 10,00 pontos que cada ginasta tem no salto, sendo que o valor de dificuldade (3,00) foi mantido. Estes descontos seguiram uma progressão, como pode ser observado na tabela abaixo:

Tabela 3. Valor das despontuações segundo o Código de Pontuação. (FEDERATION, 2012)

VALOR DAS DESPONTUAÇÕES

0,10 Erro pequeno

0,30 Erro médio

0,50 Erro Grande

1,00 Queda

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3.7 Análise Estatísticatrivial

A normalidade dos dados foi testada através do teste de Shapiro-Wilk e todos os dados se mostraram normais e estão expressos em média e desvio padrão. Para comparação dos níveis pré e pós flexibilidade foi utilizado o teste-t de Student para amostras dependentes. Para comparação dos escores médios finais entre os protocolos foi utilizado ANOVA para medidas repetidas. Foi aplicada a correlação de Pearson para a velocidade de corrida com o escore médio final, tanto geral, quanto específico para cada protocolo de alongamento. A significância estatística foi estipulada em 5% (P < 0,05). Uma vez que na ginástica a diferença do escore obtido pelo campeão e o quarto lugar pode ser por décimos da nota final, testes estatísticos podem não serem sensíveis para detectar mudanças significantes. Assim em complemento aos testes de hipótese nula, foi aplicada a inferência prática baseada em magnitudes. Foi analisada a chance das magnitudes das alterações percentuais, obtidas através da transformação logarítmica, encontradas pela aplicação da FNP, terem efeito positivo, trivial ou negativo comparado com as magnitudes das alterações percentuais encontradas para o protocolo controle.

A probabilidade dos efeitos encontrados foi analisada da seguinte forma: <1% quase certamente positivo/trivial/negativo; 1-5% muito improvavelmente positivo/ inconclusivo/negativo; 5-25% improvavelmente positivo/trivial/negativo; 25-75% possivelmente positivo/trivial/negativo; 75-95% provavelmente positivo/ trivial/negativo; 95-99% muito provavelmente positivo/trivial/negativo e >95-99% quase certamente positivo/irrelevante/negativo. Se os valores negativos e positivos apresentassem resultados > 10%, a inferência foi considerada inconclusiva.

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4. RESULTADOS

Não foram encontradas diferenças significantes nos níveis de flexibilidade da musculatura do quadríceps e dos músculos ísquiotibiais nos momentos pré-protocolo e pós-protocolo nos diferentes métodos aplicados (Tabela. 4).

Tabela 4. Média e Desvio Padrão dos níveis de flexibilidade nos diferentes protocolos. * p < 0,05.

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Referências

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