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Radiol Bras vol.34 número4

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Academic year: 2018

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Radiol Bras 2001;34(4):206 Resumo de Artigo

Tomografia computadorizada de pacien-tes com câncer de cólon ascendente e espessamento da parede ileal distal. Kim AY, Ha HK, Seo BK, et al. CT of patients with right-sided colon cancer and distal ileal thickening. AJR 2000;175:1439–44.

Como já demonstrado por outros pes-quisadores, o segmento colônico proxi-mal a um câncer de cólon obstrutivo pode tornar-se espessado devido às alterações isquêmicas associadas à distensão intes-tinal. Contudo, há poucos relatos descre-vendo as alterações do íleo distal em pa-cientes com câncer de cólon, particular-mente do ceco ou do cólon ascendente. Quando a parede do íleo distal de pacien-tes sabidamente portadores de câncer de cólon está espessada, não é evidente se este representa um processo neoplásico ou não-neoplásico. Além disso, caso os radiologistas não tenham conhecimento da história de câncer de cólon, a presen-ça de espessamento da parede do íleo dis-tal e do cólon proximal pode ser interpre-tada erroneamente como sendo uma ou-tra condição neoplásica ou inflamatória, como o linfoma ou a doença inflamató-ria intestinal. O objetivo deste estudo foi determinar a incidência e as causas do espessamento da parede ileal distal em pacientes com câncer do cólon direito.

No período de setembro de 1997 a agosto de 1999, foram coletadas infor-mações de 131 pacientes que foram sub-metidos a hemicolectomia direita e res-secção parcial do íleo distal devido a cân-cer do cólon. Uma análise retrospectiva das tomografias computadorizadas (TC) desses 131 pacientes, realizada por dois radiologistas em consenso, revelou 15 pacientes com espessamento da parede ileal distal. A revisão da peça cirúrgica pós-operatória desses pacientes revelou achados positivos em 13 dos 15 pacien-tes. As TCs desses pacientes foram ava-liadas quanto a localização, extensão, tipo (polipóide/infiltrativo) e padrão de im-pregnação (homogêneo/heterogêneo) de cada tumor, bem como o grau de infiltra-ção da gordura pericolônica e a presça ou ausência de linfonodomegalia e en-gurgitamento vascular regional. O íleo foi avaliado quanto a espessura, extensão e

padrão de impregnação de todos os seg-mentos afetados, e quanto a presença ou ausência de obstrução intestinal e en-volvimento da valva ileocecal.

No estudo histopatológico, o envolvi-mento ileal distal foi causado por proces-so neoplásico em nove pacientes (69%). A disseminação tumoral ocorreu por in-vasão direta em cinco pacientes, por dis-seminação linfática em dois e por ambos em dois pacientes. Nos quatro pacientes restantes (31%) o espessamento ileal dis-tal foi causado por edema e congestão, sem infiltração por células neoplásicas. Em quatro pacientes com obstrução in-testinal o espessamento ileal distal foi um processo neoplásico em três e não-neoplásico (edema e congestão) em ape-nas um paciente. Quando comparamos os aspectos tomográficos dos pacientes com espessamento ileal neoplásico, com os dos pacientes com espessamento ileal não-neoplásico, descobrimos que o pri-meiro grupo apresentava tumores maio-res, segmentos mais extensamente aco-metidos, envolvimento mais grave da val-va ileocecal e maior incidência de linfo-nodopatia, engurgitamento vascular, obs-trução do intestino delgado e infiltração pericolônica.

O estudo demonstrou que o íleo dis-tal foi acometido em 10% dos pacientes com câncer de cólon direito. O íleo distal foi acometido por processos neoplási-cos (disseminação tumoral por contigüi-dade ou por via linfática) e por proces-sos não-neoplásicos (com congestão e edema). A incidência de envolvimento neoplásico (n = 9) foi maior que do en-volvimento não-neoplásico (n = 4). A dis-seminação tumoral por contigüidade pa-rece estar relacionada principalmente ao acometimento da valva ileocecal e ao ta-manho do tumor. Em outras palavras, o envolvimento ileal distal ocorre quando o tumor cresce o suficiente para invadir a valva ileocecal. Em quatro pacientes com câncer de cólon (31%) o espessamento ileal distal foi resultado de processos não-neoplásicos, como edema da sub-mucosa e congestão. A principal causa da isquemia seria a distensão intestinal proximal causada pela obstrução. Da mesma forma, se a valva ileocecal está

incompetente nos casos de obstrução colônica, o íleo distal pode estar acome-tido pelo aumento da pressão intralumi-nal e isquemia da parede. Todavia, ou-tros fatores podem contribuir para o de-senvolvimento do espessamento não-neoplásico da parede ileal distal. A isque-mia focal pode ocorrer quando os ramos periféricos dos vasos íleo-cólicos são en-globados pela infiltração tumoral pericó-lica e perientérica. E como mencionado previamente, o íleo distal pode estar es-pessado devido ao acúmulo do líquido linfático causado pelo bloqueio dos va-sos linfáticos regionais. Adicionalmente, o espessamento da parede do íleo distal pode ser um achado falso-positivo. Em pacientes com espessamento leve da pa-rede intestinal, sua espessura pode ser interpretada como normal no exame pa-tológico, pela retração dos tecidos ede-maciados durante a fixação e desidrata-ção das peças cirúrgicas ressecadas.

Os padrões de envolvimento da pare-de intestinal no linfoma e na doença in-flamatória intestinal podem ser semelhan-tes aos do câncer de cólon com espessa-mento ileal distal. Contudo, a espessura da parede pode ser um fator discriminan-te. Em contraste com as doenças neo-plásicas, a espessura da parede intesti-nal nas doenças inflamatórias intestinais geralmente não excede 2 cm. O acometi-mento da região ileocecal pela doença de Behçet intestinal pode se apresentar como espessamento difuso da parede intestinal ou massa polipóide. Contudo, a impregnação dos segmentos intestinais envolvidos é acentuada, em muitos ca-sos. Em casos de linfoma intestinal, a parede está concêntrica e simetricamen-te envolvida. Além disso, a maioria dos segmentos envolvidos apresenta pouca impregnação pelo meio de contraste.

Em conclusão, o íleo distal pode estar anormalmente espessado em cerca de 10% dos pacientes com câncer de cólon direito. Este espessamento resulta da ex-tensão tumoral (69%) ou de um proces-so não-tumoral (31%).

Daniel Andrade Tinoco de Souza

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