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Sobrepeso e obesidade em idosos: associação com fatores de risco

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(1)

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO

STRICTU SENSO EM GERONTOLOGIA

SOBREPESO E OBESIDADE EM IDOSOS:

ASSOCIAÇÃO COM FATORES DE RISCO.

Autor: William Khalil El Chaer

Orientador: Rodolfo Giugliano.

(2)

WILLIAM KHALIL EL CHAER

SOBREPESO E OBESIDADE EM IDOSOS:

ASSOCIAÇÃO COM FATORES DE RISCO

Dissertação apresentada ao

programa de pós-graduação

“Stricto Sensu” em Gerontologia da

Universidade Católica de Brasília,

como requisito para obtenção do

título de mestre em Gerontologia.

Orientador: Prof. Dr. Rodolfo

Giugliano.

(3)

Chaer, William Khalil El

Sobrepeso e Obesidade em Idosos: Associação com

Fatores de Risco / William Khalil El Chaer – Brasília, 2005.

60 f.

Dissertação (Mestrado) – Curso de Pós Graduação em

Gerontologia, Universidade Católica de Brasília.

Orientador: Prof. Dr. Rodolfo Giugliano.

(4)

TERMO DE APROVAÇÃO

Dissertação defendida e aprovada como requisito parcial para obtenção do título de

Mestre em Gerontologia, defendida e aprovada, em ________ de abril de 2005, pela

banca examinadora constituída por:

Professor Doutor Rodolfo Giugliano

Professor Doutor Otávio Tolêdo Nóbrega

Professor Doutora Luciana Naves

(5)

A minha esposa Gilcilene e aos meus filhos Guilherme,

Felipe e Miguel, razão do meu viver e fonte de minha alegria. No olhar deles eu

(6)

A DEUS pela sabedoria e iluminação que me foi

dada para superar os obstáculos ao longo destes

dois anos.

Aos meus pais Khalil

’in memorian”

e Mounira,

meus exemplos, os quais tenho muito orgulho e

admiração, pelo apoio incondicional e pela

confiança que sempre depositaram em mim.

A minhas irmãs Helena, Liliane e Nádia e aos meus

sobrinhos Ana Luisa e Gabriel, que tanto amo, pela

admiração e carinho.

A todos os meus amigos que me deram apoio e

palavras carinhosas e esperançosas.

A todos os meus colegas de trabalho, em especial

ao Major Joselito, pela compreensão, apoio e

tolerância dispensadas.

Ao meu orientador Prof. Dr. Rodolfo Giugliano, por

me deixar conduzir o trabalho da melhor forma

possível, indicando e orientado os caminhos e

passando sua sábia experiência de vida.

(7)

“Não é horrível envelhecer, mas sim o

que pensamos a respeito. A alegria de viver

não nos é dada de presente, nem sequer é

fruto de sorte ou azar. Tampouco podemos

ingeri-la na forma de comprimidos

hormonais. A felicidade temos de

consegui-la nós mesmos, a cada dia e em

cada fase da vida. Porque nem a pele mais

lisa pode dar-nos a alegria de viver se a

alma está cheia de rugas”.

(8)

RESUMO

Objetivos:

Determinar a prevalência de sobrepeso e obesidade em idosas de

Brasília-DF a partir do IMC, e verificar suas associações, inclusive em subgrupos etários, com

alterações clínico-laboratoriais

Metodologia:

avaliou-se através de estudo transversal

139 idosas com mais de 60 anos participantes do projeto geração de ouro da

Universidade Católica de Brasília. Para definição de sobrepeso e obesidade foram

utilizadas duas classificações de IMC: OMS e CDC/NHANES III. Foram considerados

como significativos os resultados que apresentavam o valor de p< 0,05.

Resultados:

a

prevalência de sobrepeso e obesidade pela classificação OMS foi de 43,9 e 33,8%

respectivamente, enquanto que pelo critério CDC/NHANES III a prevalência de

obesidade foi de 53,3%. Também foram elevadas as freqüências de alterações

clínico-laboratoriais em todo o grupo estudado, tendo sido anotado 36,7% de

hipercolesterolemia, 51,8% de hipertrigliceridemia, 59% de aumento do LDL, 9,3% de

redução do HDL, 13,7% de hiperglicemia, 18,7% de hiperuricemia, 68% de hipertensão

arterial e 85,7% de osteopenia e osteoporose. Idosas com mais de 70 anos

apresentaram maior prevalência de hiperglicemia (p=0,025), hipertrigliceridemia

(p=0,01) e hiperuricemia (p=0,01) em relação às com 60 a 69 anos. As idosas com mais

de 70 anos apresentaram ainda médias significativamente maiores de glicose

(p=0,005), triglicérides (p=0,008) e ácido úrico (p=0,004), e significativamente menores

de HDL (p=0,001). Também se constatou através da comparação das médias dos

parâmetros bioquímicos das individuas eutróficas com as obesas, adotando-se ambas

as classificações OMS e CDC/NHANES III, uma associação entre a obesidade e a

(9)

hipertrigliceridemia (p=0,01) e a hipertensão arterial (p=0,025) foram significativamente

mais prevalentes nas idosas obesas empregando-se a classificação CDC/NHANES III.

Conclusões:

É alta a prevalência de sobrepeso e de obesidade e das alterações

clínico-laboratoriais associadas nas idosas estudas. As obesas apresentaram maior

prevalência de hipertrigliceridemia, hipertensão arterial e redução do HDL. Com o

envelhecimento ocorre uma exacerbação dos índices de glicose, triglicérides e ácido

úrico e uma redução dos níveis de HDL. A classificação CDC/NHANES III parece ser

mais adequada para identificação de obesidade em mulheres idosas. Estes resultados

contribuem para o conhecimento da obesidade em idosos, assim como suas

implicações clínicas e laboratoriais.

(10)

Abstract

Objective:

Determine the prevalence of overweigh and obesity in a group of old women

resident in Brasília-DF using the Body Mass Index (BMI), and verify its association,

inclusive in ages subgroups, with some laboratorial and clinical abnormalities.

Methods:

in a transversal study were evaluated 139 old women more than 60 years old,

participants of the Gold Generation Project from the Brasília Catholic University. The

OMS and the CDC/NHANES III BMI index criterions were used to classify overweigh

and obesity. The statistical analysis were significant with the p value < 0,05.

Results:

The prevalence of overweight and obesity classified by OMS was respectively 43,9 e

33,8% while the obesity by CDC/NHANES III criteria was 53,3%. The frequencies of

clinical and biochemistry abnormalities were high in all studied group.

Hypercholesterolemia was observed in 36,7%, hypertriglyceridemia in 51,8%,

hyperglycemia in 13,7%, hyperuricemia in 18,7%, high LDL in 59%, low HDL in 9,3%,

arterial hypertension in 68% and osteopeny/osteoporosis in 85,7%. The women older

than 70 years presented higher prevalence of hyperglycemia (p=0,025),

hypertriglyceridemia (p = 0,01) and hyperuricemia (p = 0,01) when compared to 60 – 69

years. The women older than 70 years also presented significant higher means of

glucose (p = 0,005), triglyceride (p = 0,008) and uric acid (p = 0,004), and significant

lower mean of HDL (p=0,001). The comparison of the biochemical means of normal

weight women with obese and overweight women showed an association of obesity with

HDL level reduction (p=0,001 by OMS criteria and p=0,003 by CDC/NHANES III

criteria), which was lower in obesity and overweight elder women. Hypertriglyceridemia

(11)

elder women applying CDC/NHANES III classification.

Conclusions:

overweigh and

obesity as well as the biochemistry and clinical abnormalities associated had a high

prevalence in the present study. Hypertriglyceridemia, hypertension and low HDL were

more prevalent in obesity women. With aging occur an increase of glucose, triglycerides

and uric acid levels, and a decrease of HDL levels. Maybe CDC/NHANES III

classification is more appropriated to identify obesity in old women. This results

contributes to the understand of obesity in elderly and its clinical and biochemistry

implications.

(12)

Lista de Quadros

Quadro 1: Classificação e limites do IMC para adultos ...12

Quadro 2: Critérios de sobrepeso ...12

Quadro 3: Equações de predição da gordura corporal de idosos ...17

(13)

Lista de Tabelas

Tabela 1: Idade, altura, peso e IMC médio de 139 mulheres idosas ...35

Tabela 2: Valores médios de alguns indicadores bioquímicos de 139 mulheres

idosas

...39

Tabela 3: Prevalência (%) de alterações bioquímicas em 139 mulheres idosas ....39

Tabela 4: Valores médios dos parâmetros

bioquímicos em 139 mulheres idosas

eutróficas, com sobrepeso e obesas, segundo classificação OMS ...41

Tabela 5:

Valores médios dos parâmetros

bioquímicos em 139 mulheres idosas

eutróficas, com sobrepeso e obesas, segundo classificação NHANES III ...41

Tabela 6: Prevalência de alterações bioquímicas e clínicas em mulheres idosas

eutróficas, com sobrepeso e obesas, segundo classificação OMS ...41

(14)

Lista de Figuras

Figura 1: Prevalência (%) de sobrepeso e obesidade em 139 mulheres idosas

segundo classificação OMS ...36

Figura 2: Prevalência (%) de obesidade em 139 mulheres idosas segundo

classificação CDC/NHANES III ...36

Figura 3: Prevalência (%) de Sobrepeso e Obesidade em 139 mulheres idosas, por

faixa etária, segundo Classificação OMS ...37

(15)

Lista de Abreviaturas e Siglas

BIA: Impedância Bioelétrica

CDC: Center for Disease Control

DEXA: Dual Energy X-Ray Absorption/ Absormetria de Raio X de Dupla Energia

DOC: Dobras Cutâneas

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IMC: Índice de Massa Corporal

HDL: High Density Lipoprotein/ Lipoproteína de Alta Densidade

LDL: Low Density Lipoprotein/ Lipoproteína de Baixa Densidade

NHANES III: National Health and Nutrition Examination Survey

OMS: Organização Mundial de Saúde

(16)

SUMÁRIO

LISTA DE QUADROS...x

LISTA DE TABELAS...xi

LISTA DE FIGURAS...xii

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS...xiii

RESUMO...vi

INTRODUÇÃO...1

OBJETIVO...4

1 – REVISÃO DA LITERATURA ...5

1.1 Obesidade: conceito e causas ...6

1.2 Epidemiologia da obesidade nos idosos ...7

1.3 Diagnóstico da obesidade em idosos ...10

A – Métodos antropométricos ...10

B – Composição corporal ...15

B1 – Métodos de avaliação ...15

B2 – Principais alterações no idoso ...18

1.4 Fatores de risco associados à obesidade em idosos ...20

1.5 Considerações finais ...26

2 – METODOLOGIA ...28

2.1 Tipo de estudo ...29

2.2 Seleção da amostra ...29

2.3 Coleta de dados ...29

(17)

2.5 Questões éticas ...31

2.6 Análise dos resultados ...31

2.7 Descrição das análises estatísticas ...32

3 – RESULTADOS ...34

3.1 Prevalência de sobrepeso e obesidade ...35

3.2 Alterações clínico laboratoriais ...38

3.3 Alterações clínico-laboratoriais associadas ao sobrepeso/obesidade ..39

DISCUSSÃO...43

CONCLUSÕES...50

(18)

I - INTRODUÇÃO

Diversos são os estudos que retratam o fenômeno do envelhecimento

populacional (IBGE, 2001; STEVENS, 2000; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Institutos

e órgãos de estatística aplicada freqüentemente divulgam dados comprobatórios desta

realidade, e perspectivas são traçadas a todo instante sugerindo uma contínua

intensificação deste processo em todo o mundo contemporâneo.

No Brasil, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística, os idosos representam 9,6% da população atual, o que totaliza 14,5 milhões

de indivíduos aproximadamente, sendo estimado que até 2020 este percentual se

elevará a 14,7%. Do total de idosos brasileiros, 50% apresentam faixa etária entre

60-69 anos, 36% entre 70-79 anos e 14% acima de 80 anos. Há predomínio de mulheres,

que correspondem a 55,31 % do total, estando a maioria (55,83%) compreendida na

faixa etária de 60 a 69 anos (IBGE, 2001).

Conforme a Organização Mundial de Saúde há diferenças no próprio conceito de

idoso entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Nos primeiros, são

considerados idosos os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, enquanto que

nos em desenvolvimento, com menor expe

ctativa de vida, a idade limítrofe é de 60 anos (WHO, 1997

).

É notório que o aumento da expectativa de vida da população mundial é fruto do

avanço do conhecimento na área da saúde, especialmente no que se refere ao controle

(19)

relação a medidas de prevenção de diversas patologias, à melhoria das condições

sanitárias e ao desenvolvimento de novas terapias e medicamentos.

O processo do envelhecimento é multicausal recebendo influências de uma série

de fatores, entre os quais a carga genética do indivíduo, agentes ambientais e sociais

como tabagismo, alcoolismo, dieta desbalanceada, sedentarismo e hipocinesia,

comportamento social, e presença concomitante de doenças crônico-degenerativas.

Surgem então inúmeras modificações morfológicas, bioquímicas e fisiológicas no

organismo, com repercussão nos sistemas cardiovascular, pulmonar, neurológico,

endócrino, digestivo e renal, o que culmina geralmente na redução das capacidades

funcionais gerais (FARO Jr. et al., 1996b).

Paralelamente, vem sendo observada desde as últimas décadas do século

passado, uma explosão de estudos em todo o mundo e nas mais diversas áreas do

conhecimento acerca desta temática. Contudo, ainda hoje permanece grande o

interesse da comunidade científica sobre assuntos relativos à maior idade, havendo

diversas indagações a serem esclarecidas, o que torna necessárias mais pesquisas.

O sobrepeso e a obesidade têm aumentado sua prevalência a nível mundial inclusive entre os idosos (WHO, 1997). No entanto o próprio diagnóstico nessa faixa etária e os fatores de risco associados permanecem merecendo estudos mais apropriados. Os limites estabelecidos para o diagnóstico de sobrepeso e obesidade nos adultos baseados no Índice de Massa Corporal (IMC) parecem não ser os mais adequados para os idosos, e os valores de referência do IMC para idosos continuam sendo discutidos (INELMEN et al., 2003).

(20)

constituem importante requisito para a patogênese de doenças crônico-degenerativas que representam as principais causas de óbito de idosos em diversas regiões do mundo (INELMEN et al., 2003).

Este estudo procura verificar a associação de alguns fatores de risco clínicos e bioquímicos com a ocorrência de obesidade e o sobrepeso em idosos, diagnosticados a partir do índice de massa corporal (IMC).

A seguir são apresentados os objetivos gerais e específicos da pesquisa:

Geral: verificar a associação de fatores de risco clínicos e bioquímicos ao sobrepeso e obesidade em idosos de Brasília-DF, segundo o IMC.

Específicos:

1 – Detectar a prevalência de sobrepeso e obesidade em idosos de Brasília-DF, a partir de duas classificações segundo o IMC;

2 – Verificar a associação de indicadores bioquímicos de risco ao sobrepeso e obesidade nas diferentes classificações segundo o IMC;

3 – Verificar a associação de morbidades comuns em idosos ao sobrepeso e obesidade nas diferentes classificações segundo o IMC;

(21)

II – REVISÃO DA LITERATURA

(22)

A obesidade é considerada uma epidemia mundial (WHO, 1997; POPKIN &

DOAK, 1998) sendo resultante do acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo,

com reflexos negativos para a saúde do indivíduo. O sobrepeso refere-se a um estágio

intermediário com peso excedente para a altura quando comparado a um padrão de

referência (WHO, 1997).

O conceito de obesidade está também na dependência do padrão de distribuição

da gordura corporal, podendo haver maior acúmulo na região central ou abdominal, o

que se conhece como obesidade em forma de maçã ou andróide, ou ainda na região

inferior ou do quadril, a qual é classificada como obesidade em forma de pêra ou

ginóide. Além disto, a presença exagerada de tecido adiposo intra-abdominal é

sabidamente um fator de risco para doença cardíaca coronariana e outras doenças

metabólicas (GRUNDY, 1998), sendo freqüentemente mensurada pela relação entre as

circunferências da cintura e do quadril (HAUNER, 1995).

A obesidade apresenta múltiplas causas, que muitas vezes estão presentes

simultaneamente contribuindo para o fenótipo obeso (JEBB, 1999). Deste modo, muitos

autores afirmam que a obesidade deve ser atribuída à interação entre fatores genéticos

e ambientais, em especial à dieta e ao sedentarismo (JEBB, 1998; WHO, 1990; ROLLS

& SHIDE, 1992; GRUNDY, 1998). Entretanto, é consenso que na predisposição à

obesidade em grande parte da população, prevalecem os fatores ambientais em

detrimento a carga genética do indivíduo (HILL & PETERS, 1998).

Ainda assim, a importância genética da etiologia da obesidade tem sido foco de

pesquisa em todo mundo. Vale ressaltar que muitas destas pesquisas se tornaram

viáveis após o desenvolvimento de diversos modelos experimentais animais, sendo os

(23)

codificador do peptídeo leptina. Mutações genéticas neste gene parecem ser a principal

causa de obesidade em ratos

ob/ob

, já que após a promoção de mutação em

laboratório, os animais tornaram-se obesos (ZHANG et al., 1994).

Recentemente, pesquisadores americanos mapearam uma região do

cromossomo sete humano, no qual acredita-se estar o gene codificador da leptina. Os

resultados do trabalho sugerem que existem dois ou mais genes na região

cromossômica 7q22.1-7q35, que estariam associados com a obesidade. Os autores

afirmam ter descoberto uma nova região gênica (D7S692-D7S523, 7Q31.1), que parece

estar contundentemente correlacionada com a obesidade (LI et al., 2003).

É certo que na obesidade há um balanço energético positivo, que ocorre quando

o valor calórico ingerido é superior ao gasto, resultando em estocagem do excesso e

aumento do peso corporal. A remediação poderia ser feita por aumento do gasto por

meio do incremento da atividade física (FREITAS et al., 1998), por regulação da dieta

com uma menor ingesta de alimentos hipercalóricos (MAHAN & ESCOTT-STUMP,

1998), ou ainda por ambos.

2 - Epidemiologia da obesidade nos idosos

A prevalência de obesidade em idosos, bem como sua correlação com morbi-mortalidades foi e continua sendo o alvo de estudo de pesquisadores, existindo inúmeros trabalhos publicados acerca da temática, com o emprego de metodologia diversa e com achados variados, oscilando de população para população.

(24)

como uma patologia secundária em idosos, sem importância médica; porém, atualmente cresce o estudo da obesidade também em geriatria, já que ela pode provocar disabilidades e influenciar diretamente na qualidade de vida do idoso (INELMEN et al., 2003).

O sobrepeso e a obesidade variam de região para região, estando diretamente relacionados com hábitos culturais e nutricionais, além obviamente das condições sócio-econômicas.

Nos Estados Unidos a prevalência de obesidade em homens de 65 a 74 anos é de 26%, enquanto que em mulheres brancas e negras na mesma faixa etária é de 36% e 60% respectivamente. Também na Europa, estudos comprovaram que é alta a prevalência de obesidade em ambos homens e mulheres (INELMEN et al., 2003).

Pesquisa realizada com 2600 idosos na Tailândia em 1991 adotando o IMC como preditor de sobrepeso e obesidade, evidenciou que 27,3% dos homens e 34,9% das mulheres estavam com sobrepeso, e que eram obesos 3,2% dos homens e 6,4% das mulheres (CHIU et al., 2000).

No Brasil, BARRETO et al. (2003) encontraram, ao analisar uma coorte de 1451 idosos residentes em Bambuí, Minas Gerais, um coeficiente de obesidade de 12,5%, tendo esta sida associada positivamente ao sexo feminino, à maior renda familiar e presença de hipertensão e diabetes, e inversamente à atividade física. O IMC foi o único método utilizado, sendo considerados obesos aqueles com resultados superiores a 30 kg/m2.

FERNANDES et al. (2002), em uma análise retrospectiva realizada em 595 prontuários de idosos atendidos no Hospital Universitário da Universidade Federal da Paraíba, detectaram, através da observação do IMC, um índice de 38,4% de sobrepeso e 28,8% de obesidade, numa amostra com média de idade de 73 anos, sendo a maioria mulheres e possuidoras de baixo nível de renda e de escolaridade.

Outro estudo semelhante foi procedido com 81 idosos atendidos em um hospital geral da cidade de Campinas (FCM/UNICAMP), tendo sido anotado 53% de sobrepeso ou obesidade, adotando-se exclusivamente o IMC como critério diagnóstico (RODRIGUES et al., 2001).

(25)

adolescentes e 28,3% entre adultos e a obesidade foi 7,3%, 1,8% e 9,7%, respectivamente. Por sua vez, os idosos foram divididos em três grupos: 60-69 anos, 70-79 anos e maiores de 80 anos, tendo sido anotada uma prevalência de sobrepeso de 35,8%, 29,6% e 16,5% nos homens e 35,9%, 27,5% e 26,6% nas mulheres respectivamente. Já a obesidade foi verificada em 6,4%, 5,4% e 0,9% dos homens e 19,2%, 14,7% e 5,7% das mulheres também respectivamente. Concluiu-se no estudo que a prevalência conjunta de sobrepeso e obesidade na população brasileira é maior no sexo feminino sendo que mais da metade das mulheres das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, com idade entre 50 e 69 anos, têm sobrepeso e/ou obesidade. Também ficou caracterizado que há um aumento gradativo da prevalência de sobrepeso e obesidade desde a infância até a idade adulta.

Em 196 idosos longevos (com idade ≥ 80 anos) do município de Veranópolis/ RS, foi determinada a prevalência de obesidade, bem como sua associação com fatores de risco e morbidades cardiovasculares, tendo sido utilizado o IMC para a avaliação e a classificação da obesidade, conforme os critérios da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1997) e do National Health and Nutrition Examination Survey (CDC/NHANES III< 1991). A prevalência de obesidade foi de 23,3% pelo critério da OMS e 45,6% pelo critério NHANES III em ambos os sexos. Mulheres obesas apresentaram maiores níveis de pressão arterial sistólica e de glicemia, menores níveis de HDL-colesterol e maior freqüência de hipertensão arterial e diabetes mellitus. Já os homens obesos apresentaram maiores níveis de pressão arterial diastólica, colesterol total, LDL-colesterol e maior freqüência de hipercolesterolemia. A média dos triglicérides e a freqüência de hipertrigliceridemia foi maior nos obesos de ambos os sexos (Da CRUZ et al., 2004).

Chama a atenção nos estudos que a obesidade é marcante nos idosos brasileiros, predominando nas mulheres. Na maioria dos trabalhos brasileiros, o IMC foi o único método empregado no diagnóstico da obesidade, tendo sido adotado principalmente o critério proposto pela OMS (WHO, 1997).

3 – Diagnóstico da obesidade em idosos:

A – Métodos antropométricos:

Apesar de não apresentarem alta acurácia na determinação da gordura corporal,

(26)

circunferência abdominal e relação cintura-quadril (RCQ) apresentam uso difundido

especialmente na prática clínica, sendo considerados eficientes preditores do volume e

da distribuição da gordura (KISSEBAH & KRAKOWER, 1994), fato que permite que o

IMC e o RCQ possam ser utilizados na avaliação nutricional geriátrica, não só como

indicadores de obesidade, mas também de desnutrição. Isto, em parte, deve-se ao fato

de que os métodos de avaliação da composição corporal descritos no próximo capítulo

exigem equipamentos de certa complexidade que não são acessíveis na rotina dos

serviços de saúde.

No que se refere ao IMC, embora este seja considerado por alguns como apenas

um índice rudimentar de obesidade, tendo seu uso limitado para a estimativa da

gordura corporal (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000), o mesmo é utilizado

freqüentemente por inúmeros clínicos e pesquisadores para avaliação do estado

nutricional de indivíduos adultos (McARDLE et al., 1998). Assim, basta uma rápida

revisão na literatura para se deparar com centenas de publicações, inclusive

relacionadas a idosos, que adotam o IMC como metodologia de escolha dada sua

praticidade e facilidade de aplicação.

No quadro 1 estão listados os limites para classificação de adultos, conforme

recomendação da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1997). É importante frisar que

o mesmo órgão não faz distinção para a população idosa, apesar de ser preconizado

por alguns autores que existe uma tolerância maior dos idosos quanto ao aumento do

IMC, o que determinaria que a obesidade fosse definida em um patamar de IMC mais

elevado nesta faixa etária (STEVENS, 2000).

Já no quadro 2 estão outras referências concernentes a diferentes critérios para

(27)

controvérsias acerca da validação do IMC como preditor de sobrepeso e obesidade em

idosos, especialmente no que se refere aos limites de referência para as classificações.

Quadro 1: Classificação e limites do IMC para adultos (WHO, 1997)

Classificação IMC

(KG/m

2

)

Subnutrição <

18,5

Normal

18,5 – 24,9

Sobrepeso

25

Pré-obeso

25 – 29,9

Obeso classe I

30 – 34,9

Obeso classe II

35 – 39,9

Obeso classe III

40

Quadro 2: Alguns critérios de sobrepeso e obesidade (Modificado de KUCZMARSKI & FLEGAL,

2000)

Limite Referência

Homens: IMC ≥27,8 Kg/m2 Mulheres: IMC ≥27,3 Kg/m2

CDC/NHANES III, 1991 Homens e Mulheres: IMC >= 25 Kg/m2 DIETARY GUIDELINES, 1987 Homens e Mulheres (55-65 anos): IMC >= 28 Kg/m2

Homens e Mulheres (> 65 anos): IMC >= 29 Kg/m2

COMMITTEE ON DIET AND

(28)

Segundo o trabalho de SARDINHA & TEIXEIRA (2000), no qual foi procedida a

comparação entre valores de IMC e percentual de gordura corporal, obtido por DEXA,

em uma amostra de 383 mulheres caucasianas com idade média de 60,5 anos, foram

consideradas obesas aquelas mulheres com IMC maior que 30 kg/m

2

e com percentual

de gordura corporal maior que 35 %, conforme classificação internacional baseada em

adultos. Os autores verificaram que o IMC apresentou baixíssima sensibilidade (26,8

%), com um alto número de casos falso-negativos, porém uma especificidade de 100 %,

pois todas as mulheres não obesas foram classificadas corretamente segundo o IMC.

Por outro lado, adotando-se um limite de IMC de 25,5 kg/m

2

, obteve-se uma

sensibilidade de 74,4 % e uma especificidade de 91,9%, tendo sido definido então que

este seria o melhor valor limítrofe de IMC para a classificação de obesidade em

mulheres acima de 60 anos.

Trabalho semelhante foi realizado por BEDOGNI et al. (2001), que determinaram a massa gorda através do DEXA e o IMC de 1423 mulheres com idade oscilando entre 60 e 88 anos. O IMC em relação a taxa de massa gorda obtida pelo DEXA apresentou um erro médio de 11 %, fato que levou os autores a desaconselharem o uso do IMC com preditor de adiposidade em mulheres idosas.

(29)

Em um outro estudo, foi investigada a associação entre o IMC e todas as causas de mortes ocorridas em 10169 homens acompanhados desde 1992 em dois grandes estudos de coorte (NHANES I e NHANES II, apud ALLISON et al., 2002), tendo sido notificados um total de 3722 óbitos. Foi averiguado que a taxa de mortalidade foi menor naqueles indivíduos com IMC próximos a 27,3 kg/m2, e que a taxa de mortalidade cresce naqueles com IMC menores (ALLISON et al., 2002).

Em paralelo, no mesmo estudo, afirma-se que em adultos o risco de morte aumenta com o incremento da massa gorda, e que este mesmo risco diminui exponencialmente com o incremento da musculatura, o que faz deduzir que para a manutenção ou mesmo ampliação do grau de saúde do idoso, é melhor incentivar o ganho de massa muscular através da introdução de atividade física, do que tentar a redução da massa gorda por meio de dietas (ALLISON et al., 2002).

Nota-se nas afirmações supracitadas certo viés de interpretação, já que não se

faz alusão às doenças diretamente relacionadas ao excesso de peso e de massa

gorda, podendo perfeitamente estar presentes entre as etiologias dos óbitos ocorridos

outras causas que configurariam variáveis de confundimento.

A razão cintura-quadril é um dos indicadores que melhor expressa a obesidade

central, a qual está diretamente associada a patologias como o diabetes mellitus e as

doenças cardiovasculares, independentemente da presença de obesidade global

(KISSEBAH & KRAKOWER, 1994).

Na população em geral, podem ser considerados portadores de obesidade

central os indivíduos que apresentarem RCQ > 0,9 caso pertençam ao sexo feminino, e

RCQ > 1,0 caso sejam do sexo masculino (KISSEBAH & KRAKOWER, 1994). Em

idosos parece haver dificuldades para se estipular exatamente o ponto de corte para

obesidade central, sendo comum se encontrar valores maiores (UKOLI et al., 1995).

B – Composição corporal:

(30)

A quantidade de gordura corporal é determinada avaliando-se a massa gorda e a

massa livre de gordura do indivíduo. A massa gorda inclui os lipídios que podem ser

extraídos do tecido adiposo e outros tecidos. A massa livre de gordura ou massa

corporal livre de gordura consiste em todos os tecidos e substâncias residuais, incluindo

água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos internos.

Constituem métodos de campo para a avaliação da gordura corporal a

antropometria, na qual se incluem a medida das dobras cutâneas (DOC), o método de

impedância bioelétrica (BIA) e o método da absormetria de raio X de dupla energia

(DEXA), entre outros. Cada um apresenta suas peculiaridades e aplicações, sendo

indicados em circunstâncias diversas considerando-se aspectos como a faixa etária,

sexo e raça dos indivíduos analisados, os custos e a finalidade principal do

procedimento.

Segundo HEYWARD & STOLARCZYK (2000), para avaliar a composição

corporal de homens e mulheres idosos deve ser utilizado o método de impedância

bioelétrica (BIA), e como alternativa somente para as idosas, as circunferências de

vários segmentos. Vale salientar que o primeiro método é de baixo custo operacional e

de fácil acesso, embora apresente como inconveniente principalmente a dependência

da experiência do avaliador e as equações utilizadas, muitas vezes de maneira

inadequada.

A avaliação da composição corporal de idosos usuários de diuréticos pela

metodologia BIA deve ser realizada com ressalvas, já que poderão ocorrer

interferências com implicações no resultado (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000).

O uso do método de DOC para avaliar a composição corporal de idosos é

(31)

com níveis relativamente maiores de gordura subcutânea e interna depositados no

tronco e não nas extremidades (CHUMLEA & BAUMGARTNER, 1989). Também são

fatores limitantes para a utilização do método de DOC em idosos a diminuição na

elasticidade e hidratação da pele, bem como a diminuição do tamanho das células de

gordura, o que provoca um aumento da compressibilidade da gordura subcutânea e dos

tecidos conjuntivos (KUCZMARSKI, 1989).

As equações validadas e aceitas para a predição da massa livre de gordura e da

densidade corporal estão listadas no quadro 3. As equações que melhor se adaptam

para idosos baseiam-se em modelos multicomponentes, que corrigem a variabilidade

interindividual do controle mineral ósseo e/ou água corporal total.

Diversos autores (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000; MELO et al., 2001)

recomendam a utilização do método BIA e da equação de LOHMAN (1992) para

mensuração da composição corporal de idosos, já que a mesma possui um grau

aceitável de exatidão com um erro padrão estimado em 2,8 kg em mulheres idosas e

obesas segundo MELO et al. (2001).

A absormetria de raios X de dupla energia (DEXA) é um método relativamente

novo, seguro e não invasivo, sendo considerado o padrão ouro para a avaliação da

composição corporal em todas as idades, sexos e etnias. Apresenta como

desvantagem seu alto custo, o que muitas vezes limita sua utilização apenas para

pesquisa e em centros especializados. Através da metodologia DEXA é possível obter

informações fidedignas do conteúdo ósseo, o qual representa seu objetivo original,

além do componente de gordura e da massa isenta de gordura de tecidos não-ósseos.

(32)

Quadro 3 – Equações de predição da gordura corporal de idosos (modificado de

HEYWARD & STOLARCZYK, 2000)

Método Sexo Equação Referência

BIA Mulheres

(50 – 70 anos) 1. MLG (Kg) = 0,474(AL2/R) + 0,180 (PC) + 7,3 LOHMAN (1992) (22 – 74 anos) 2. MLG (Kg) = 0,00151(AL2/R) – 0,0344(R) + 0,140 (PC) –

0,158(idade) + 20,387

GRAY et al. (1989)

(65 – 94 anos) 3. MLG (Kg) = 0,28(AL2/R) + 0,27(PC) + 0,31 (c coxa) – 1,732 BAUMGARTNER et al. (1991)

Homens

(50- 70 anos) 4. MLG (Kg) = 0,600(AL2/R) + 0,186(PC) + 0,226 (Xc) –10,9 LOHMAN (1992) (19 - 70 ANOS) 5. MLG (Kg) = 0,00139 (AL2/R) – 0,0801(R) + 0,187 (PC) +

39,83

GRAY et al. (1989)

(65 – 94 anos) 6. MLG (Kg) = 0,28(AL2/R) + 0,27 (PC) + 0,31 (c coxa) + 2,768 BAUMGARTNER et al.

(1991) Antopó-

metria

Mulheres

(15 – 79 anos) 7. DC (g/cm3)a = 1,168297 – (0,0002824 X C AB) + 0,0000122098 X (CAB)2 - ( 0,000733128 X C quadril) + (0,000510477 X AL) – (0,000216161 x idade)

TRAN & WELTMAN (1989)

AL = altura (cm); PC = peso corporal (kg); R = resistência (Ω); C = circunferência (cm); C AB = circunferência abdominal média = [(AB1 + AB2)/2], onde AB1 (cm) = circunferência abdominal medida anteriormente entre o processo xifóide do esterno e a cicatriz

umbilical e lateralmente entre a extremidade inferior da costela e a crista ilíaca, e AB2 (cm) = circunferência abdominal no nível da

cicatriz umbilical.

Vários trabalhos recentes (KOHRT et al., 1998; SIAL et al., 1998) optaram pela

metodologia DEXA para a avaliação da composição corporal da população idosa, entre

os quais HOUTKOOPER et al. (2000), que consideraram este método como o melhor

para a avaliação de pequenas mudanças na composição corporal de mulheres na

pós-menopausa.

Em contrapartida, BARBOSA et al. (2001) verificaram a concordância e

(33)

cutâneas, bioimpedância e DEXA, em 20 mulheres idosas. Foram utilizadas duas

equações distintas para dobras cutâneas e BIA, além do DEXA, tendo sido encontradas

diferenças estatisticamente significativas para quase todas as comparações efetuadas.

Os autores concluíram que nenhuma técnica deve ser aceita como método único de

referência na população idosa, e que comparações são válidas para a interpretação dos

resultados obtidos, sendo recomendado o emprego de mais de um método.

B2 – Principais alterações no idoso:

Diferenças significativas na composição corporal surgem com o envelhecimento. Há uma progressiva redução da massa livre de gordura com concomitante acúmulo de massa gorda, que são conseqüências do estilo de vida sedentário e da dieta inadequada de grande parte dos idosos (KYLE et al., 2001)

A despeito da massa livre de gordura, HEYMSFIELD et al. (1989) descrevem que há um decréscimo entre as idades de 25 e 65 anos devido às perdas de massa óssea, músculo esquelético e água corporal total. Ainda segundo estes autores, quando comparados aos equivalentes mais jovens (19 a 34 anos), os componentes mineral, água e proteína da massa livre de gordura em mulheres idosas diminuem 20%, 12% e 5%, respectivamente.

Há entretanto uma discrepância sobre o teor de água da massa livre de gordura nos idosos. Contrastando com os achados de HEYMSFIELD et al. (1989), BAUMGARTNER et al. (1991), identificaram que a proporção relativa de água na massa livre de gordura era mais alta em homens e mulheres idosas do que em indivíduos mais jovens.

A mudança na água corporal total reflete provavelmente a perda de fluido intracelular, correspondendo à diminuição da massa muscular esquelética. Com o envelhecimento, segundo KYLE et al. (2001), a massa muscular esquelética decresce proporcionalmente mais que a massa livre de gordura, o que sugere que a massa muscular não esquelética se mantém preservada.

(34)

desabilidades, independentemente de coexistência de morbidades, ocorrendo mesmo em idosos saudáveis (BAUMGARTNER, 1995; GALLAGHER, 2000).

Com relação à massa gorda, CHUMLEA et al. (1998) afirmam que seu acúmulo ocorre primariamente antes dos 60 anos, e que após esta idade, ocorre pouco ou nenhum ganho tanto em homens quanto em mulheres. Adicionalmente, o índice de massa gorda tende a se manter relativamente estável em homens mais velhos, porém pode sofrer decréscimo nas mulheres idosas (KYLE, 2001; BAUMGARTNER, 1995).

É comum haver no idoso uma redistribuição da gordura dos membros para o tronco, com maior acúmulo na região superior em relação à inferior. Também ocorre menor deposição de gordura corporal na região subcutânea e aumento da gordura visceral.

Foram propostos alguns mecanismos bioquímicos para se explicar as alterações associadas ao envelhecimento que contribuem para o acúmulo de gordura corporal, entre os quais: a) diminuição do transporte na membrana celular de ácidos graxos livres; b) diminuição do número de adrenoreceptores; c) menor utilização da gordura durante a atividade física; d) menor capacidade do músculo de oxidar gordura; e) menor utilização plasmática de ácidos graxos livres; f) afinidade do adrenoreceptor da acyltransferase e g) diminuição de 50% da lipólise pelas catecolaminas (SILVA, 1987; LEITE, 1990; SHEPARD, 1994; MATSUDO, 2001).

4- Fatores de risco associados à obesidade em idosos:

Identificar indivíduos obesos ou com sobrepeso é de suma importância, uma vez

que a obesidade tem sido classificada como fator de risco preponderante para

morbidades e mortalidades relacionadas (quadro 4). Assim sabe-se que o obeso possui

a priori menor expectativa de vida e risco aumentado para o desenvolvimento doença

arterial coronariana (STUNKARD & WADDEN, 1992), dislipidemias e diabetes tipo II

(MCNAMARA & HOWELL, 1992), hipertensão arterial, doença pulmonar obstrutiva,

(35)

Não são antigos os relatos de associação entre obesidade e tumores. Embora

não se saiba exatamente se existe relação de causalidade, nem tão pouco os

mecanismos patológicos envolvidos, parece haver forte correlação. CALLE et al. (2003),

em estudo de coorte prospectivo, após pesquisar a influência do excesso de peso no

risco de morte por câncer nos Estados Unidos, concluíram que a obesidade contribui

para 14% das mortes por câncer em homens e 20% em mulheres, e que o risco relativo

de morte por câncer é 1,52 vezes maior em homens obesos que em não obesos, e 1,62

vezes maior em mulheres obesas do que nas não obesas. Segundo os autores, altos

índices de massa corporal (IMC) estavam significativamente associados com câncer de

esôfago, cólon, medula, reto, fígado e pâncreas, além de linfomas não-Hodgkin’s e

mieloma múltiplo em ambos os sexos, de estômago e próstata em homens, e mama,

útero, colo do útero e ovário em mulheres.

Quadro 4: Condições associadas à obesidade (modificado de JUNG, 1997)

Cardiovasculares Hipertensão Tumores Câncer de mama Doença coronariana Câncer endometrial Acidente vascular cerebral Câncer de próstata Trombose venosa profunda Câncer colorectal Respiratórias Dispnéia Pele Micoses

Apnéia noturna Linfoedemas Síndrome da hipoventilação Celulites e acantose Gastrointestinais Hérnia de hiato Estéticas Ginecomastia

Cálculo na vesícula biliar

Cirrose Endócrinas Redução do GH esteatose hepática Redução do IGF 1

Hemorróidas Aumento do cortisol Hiperandrogenismo Metabólicas Hiperlipidemia

Resistência à insulina Ginecológicas Dismenorréias Diabetes mellitus Ovário policístico

Hiperuricemia Menor resposta a prolactina Neurológica Bloqueio nervoso Gravidez Partos cesarianas

Depressão e Ansiedade Macrogenitossomia Renal Proteinúria Ortopédicas Osteoartrites

(36)

Por outro lado, GUSTAFSON et al. (2003) pesquisaram a associação entre

obesidade e doença de Alzheimer na Suécia. Foi realizado um estudo de seguimento

de 18 anos em uma coorte de idosos suecos sem demência, acompanhados dos 70

aos 88 anos de vida. De 392 indivíduos analisados, 93 desenvolveram demência,

sendo a maioria mulheres, em torno dos 70 anos, e com IMC elevado. O autor afirma

que para cada aumento de 1 ponto no IMC aos 70 anos, o risco de surgimento de

doença de Alzheimer aumenta 36%, e que o sobrepeso constitui fator de risco para

doença de Alzheimer em mulheres idosas.

Os idosos, mesmo não obesos, usualmente possuem outras patologias inerentes

à idade. Caso haja coexistência de obesidade, estas patologias primárias acabam por

se potencializar, o que resulta em maior risco de surgimento de complicações.

É de se esperar que um idoso obeso apresente maior risco de desenvolver

qualquer uma das complicações associadas à obesidade em relação a um indivíduo

mais jovem, já que ocorre naturalmente com o avançar da idade um desgaste natural

de suas capacidades fisiológicas e somáticas, um processo lento, progressivo e

inevitável, com acúmulo de processos patológicos (OLIVEIRA & FURTADO, 1999).

Entre as causas de morte da população idosa brasileira, as doenças do aparelho circulatório continuam aparecendo como a principal causa de óbito em ambos os sexos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Inúmeros estudos comprovaram que a obesidade é importante fator de risco para o desenvolvimento de doença cardíaca coronariana, doenças cérebro-vasculares e hipertensão arterial (BARRET, 2001; JUNG, 1997). Assim, pode-se acreditar que o idoso obeso esteja fortemente vulnerável a ser acometido por qualquer uma destas enfermidades.

(37)

intimamente relacionada com o a obesidade, especialmente no idoso, sendo o excesso de massa gorda fundamental na patogênese do diabetes mellitus tipo II (DEWAN & WILDING, 2003).

A prevalência e distribuição da obesidade em idosos e sua associação com hábitos e co-morbidades foi estudada por CABRERA & JACOB-FILHO (2001), em uma amostra de 847 idosos atendidos em ambulatórios de geriatria da cidade de Londrina/Paraná. Foi observada uma prevalência de obesidade de 9,3% e 23,8% em homens e mulheres respectivamente, considerando-se o limite de IMC ≥ 30 kg/m2. Foi ainda verificada uma menor taxa de obesidade entre os idosos com 80 anos ou mais, em ambos os sexos. Entre homens obesos, identificou-se uma maior freqüência de diabetes mellitus, HDL-colesterol baixo e hipertrigliceridemia, quando comparados aos homens com IMC < 30 Kg/m2. As mulheres obesas apresentaram uma freqüência maior apenas de hipertensão arterial. Os autores ainda avaliaram a associação da gordura visceral com as variáveis consideradas, sendo que os pacientes com RCQ percentil 75 (RCQ > 1,01 para homens e RCQ > 0,96 para mulheres) apresentaram maiores freqüências de hipertensão arterial, diabetes mellitus, HDL-colesterol baixo e hipertrigliceridemia no sexo masculino e hipertensão arterial e diabetes mellitus no sexo feminino. Em sua conclusão os autores caracterizam as mulheres idosas como portadoras de maior tolerância à obesidade, já que estas resistem mais às patologias associadas, sendo mais longevas que os homens com as mesmas condições, o que justificaria a maior prevalência de obesidade nas idosas.

Em outro estudo multicêntrico de idosos atendidos em ambulatórios de cardiologia e geriatria de instituições brasileiras, objetivando-se avaliar os aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos daqueles portadores de doenças cardiovasculares foram analisados 2196 indivíduos de 65 a 96 anos, sendo 60% mulheres. Deste contingente, 74% eram sedentários, 53% possuíam pressão arterial elevada, 33% tinham LDL-colesterol aumentado e 15% HDL-colesterol reduzido, 30% hipercolesterolemia, 30% eram obesos, 15% diabéticos e 6% tabagistas. Observou-se maior prevalência em mulheres, com três ou mais fatores de risco presentes concomitantemente (TADDEI, RAMOS & MORAES, 1997).

(38)

e observacionais que as dislipidemias possuem papel primordial na patogênese da aterosclerose. Entretanto, em se tratando de idosos, permanecem dúvidas referentes a esta associação, inclusive sobre a conveniência de se tratar um idoso dislipêmico. Conforme os achados laboratoriais, os indivíduos dislipêmicos podem ser classificados como portadores de hipercolesterolemia isolada, de hipertrigliceridemia isolada, e de hiperlipidemia mista (aumento de colesterol e triglicérides), ou ainda como possuidores de HDL-colesterol diminuído isoladamente ou em associação como aumento de LDL-colesterol e/ou triglicérides.

A hipercolesterolemia é mais exacerbada em mulheres idosas que em homens da mesma faixa etária, prevalecendo entre os 65 e 74 anos. Tal fato se deve essencialmente à redução dos níveis de estrogênio, patognomônico do período climatério pós-menopausal. Após os 75 anos, ocorre gradativa diminuição dos níveis de colesterol sérico, o que reduz a freqüência de hipercolesterolemia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 1996).

Estudos recentes corroboraram o conceito de que o controle das dislipidemias em indivíduos maiores que 65 anos é importante para a prevenção de doença cardiovascular, embora ainda não haja consenso naqueles com idade superior aos 70 anos. Estudos como o de Framingham e o de EPESE (Established Populations for Epidemiologic Studies of the Elderly), concluíram que existe relação positiva entre colesterol total e doença coronariana dos 40 aos 70 anos, e que após este limite esta relação se atenua se tornando nula após os 80 anos (MORIGUCHI, MICHELON & COSTA VIEIRA, 2002). Pertinentemente, foi demonstrado em alguns estudos clínicos recentes que a redução da LDL-colesterol com a implementação de medidas profiláticas, contribui significativamente para a redução da morbidade e mortalidade por doença arterial coronariana (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 1996).

É óbvio que a freqüência de dislipidemias variar-se-á conforme os hábitos

alimentares e as condições sócio-econômicas de coortes de idosos. Por exemplo, na

Florida, Estados Unidos, foi verificada uma prevalência de hipercolesterolemia de 35%

na população idosa (MANTERO-ATIENZA et al., 1992).

(39)

constituírem importantes causas de óbito, o que faz pensar que em estudos correlatos com amostras de maiores de 70 anos, estejam presentes diversas variáveis de confundimento, muitas vezes de difícil controle (CALLE et al., 2003).

No Brasil, as doenças do aparelho circulatório continuam sendo a principal causa de morte de idosos, em ambos os sexos e em qualquer subgrupo etário (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Assim, qualquer redução do risco, em especial o controle das dislipidemias e da obesidade, tem importante repercussão na sua morbidade e mortalidade nos mais velhos.

Por outro lado, SMID et al. (2001), sugerem que existe uma forte correlação entre demência vascular e hipercolesterolemia e hipertensão arterial, o que reforça a necessidade de intervenção naqueles idosos dislipêmicos.

O tratamento das dislipidemias do idoso deve ser ou não adotado considerando-se as idades biológica e cronológica, o perfil de longevidade familiar, a associação de outros fatores de risco comuns nesta faixa etária (hipertensão arterial, diabetes mellitus), a presença de doença arterial, o estado físico geral, as doenças crônicas associadas e as interações medicamentosas.

Uma outra condição cuja incidência e conseqüências têm aumentado progressivamente em razão do envelhecimento populacional é a osteoporose. Osteoporose é definida como uma doença do esqueleto caracterizada pelo comprometimento da resistência e qualidade óssea, predispondo a um elevado risco de fraturas (NIH, 2001 apud OLIVEIRA, 2003). Nos Estados Unidos 10 milhões de pessoas possuem osteoporose enquanto que 18 milhões apresentam baixa densidade mineral óssea (osteopenia), contribuindo para uma ocorrência de 1,5 milhões de fraturas ao ano. Estima-se que uma fratura deverá ocorrer em uma de duas mulheres acima de 50 anos de idade, e em um homem a cada três acima de 75 anos (ROSENTHAL, 1998 apud OLIVEIRA, 2003).

5 – Considerações finais:

(40)

Parece haver discrepâncias quanto à metodologia empregada para a avaliação da composição corporal de homens e mulheres idosas, com maior viés de padronização da BIA e do DEXA. A aferição das medidas das dobras cutâneas é desaconselhada. O IMC e o RCQ constituem métodos alternativos baratos, práticos e válidos na rotina clínica ou mesmo em pesquisas. Sempre que possível, mais de um método deve ser utilizado na avaliação da composição corporal de idosos a fim de se garantir maior fidedignidade.

Grande parte dos estudos conduzidos no Brasil tem delineamento transversal, e

foram realizados com amostras ambulatoríais, o que limita suas interpretações.

Entretanto há uma certa coerência dos resultados, como a alta prevalência de

obesidade observada nesta faixa etária, especialmente em mulheres. Também é

evidente que os mais velhos, principalmente com 80 anos ou mais possuem

características corporais distintas, embora não tenha ocorrido diferenciação em muitos

dos estudos procedidos.

Em relação às dislipidemias no idoso, estas têm se demonstrado prevalentes, e

isoladamente ou em associação com outros fatores de risco, certamente contribuem

significativamente para a morbidade e mortalidade por doença cardiovascular no idoso.

Assim, considerando-se alguns critérios, as dislipidemias no idoso devem ser

eficazmente combatidas com a adoção de medidas profiláticas e terapêuticas

apropriadas.

Em tempos que se busca incessantemente a promoção da saúde de idosos,

faz-se necessários mais estudos relativos à obesidade neste grupo de indivíduos, a fim de

se propiciar a adequação da metodologia avaliatória, e com intuito de se compreender

as inter-relações entre o aumento do tecido gorduroso e as alterações clínicas e

(41)

(42)

O presente trabalho de pesquisa foi realizado na Universidade Católica de Brasília (UCB) e apresenta as seguintes características:

1– Tipo de estudo: analítico transversal.

2– Seleção da amostra: participaram da pesquisa 139 idosas integrantes do projeto Geração de Ouro da UCB, com idade oscilando entre 60 e 91 anos. A opção pelo sexo feminino deveu-se ao fato do pequeno número de voluntários do sexo masculino.

3– Coleta de dados: todos as participantes tiveram aferidas sua altura em estadiômetro de parede e seu peso corporal em balança fixa marca FILIZOLA com capacidade de 150 Kg e resolução de 100g, no Laboratório de Avaliação Nutricional (LAN) da UCB.Todas as idosas foram medidas e pesadas sem calçados e sem agasalhos, trajando apenas roupas leves e na posição em pé com os pés juntos. A partir do peso e da altura foi calculado o índice de massa corporal (IMC) dividindo-se o peso (kg) pela altura em metros ao quadrado. Para os exames bioquímicos, após jejum de 12 horas, foi coletada de cada integrante do estudo amostra sanguínea para as seguintes dosagens: glicose, colesterol total, triglicérides, ácido úrico e HDL-colesterol. Com algumas exceções, onde os triglicérides excederam 400 mg/dl, a fração LDL-colesterol foi calculada através da fórmula de Friedewald (FRIEDEWALD, 1972).

Em paralelo, procedeu-se a revisão dos prontuários médicos, tendo sido anotados o uso ou não uso de anti-hipertensivos e a densidade mineral óssea da coluna vertebral (L2-L4) e/ou do colo do fêmur obtida a partir do DEXA (Dual Energy X-Ray) realizado no laboratório de imagem da UCB. Do universo pesquisado, foi possível captar dados relativos à hipertensão arterial de 96 idosas, e relativos à densidade mineral óssea de 77 idosas.

A pesagem e a medida da altura, bem como as coletas sangüíneas, foram realizadas entre março e julho de 2004 no LAN da UCB, e as dosagens séricas foram prontamente executadas no Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Regional de Taguatinga, em equipamento ROCHE – HITACHI 902.

(43)

colesterol-esterase/PEG colesterol-oxidase para o HDL-colesterol (BURSTEIN et al., 1970), e uricase para o ácido úrico (PRAETORIUS & POULSEN, 1953).

4 - Critérios de classificação: foram considerados hiperglicêmicos os indivíduos que apresentaram glicemia de jejum maior que 115 mg/dl, ou seja, com tolerância à glicose diminuída (glicemia=110 a 126 mg/dl) ou portadores de diabetes mellitus (glicemia>126 mg/dl), conforme os novos critérios de diabetes mellitus dos grupos de trabalho da Organização Mundial de Saúde, que apresentam novos valores de corte para a glicemia de jejum para o diagnóstico do diabetes mellitus, em concordância com os novos critérios da ADA (American Diabetes Association) de 1997 (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2000).

No que concerne aos lipídeos e às lipoproteínas séricas, adotou-se as recomendações propostas nas III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2001), tendo sido assim considerados hipercolesterolêmicos os indivíduos cujo colesterol sérico total foi maior que 240 mg/dl, hipertrigliceridêmicos os que possuíam níveis de triglicérides maior que 200 mg/dl, com LDL aumentado aqueles que apresentaram LDL-colesterol maior que 130 mg/dl, e com HDL diminuído aqueles cujo HDL-colesterol foi menor que 40 mg/dl.

Idosas com níveis séricos de ácido úrico maior que 5,7 mg/dl foram diagnosticadas como possuidoras de hiperuricemia (RAVEL, 1997).

O uso contínuo de medicação anti-hipertensiva registrado em prontuário médico foi utilizado como critério para classificar as idosas como hipertensas.

Os dados relativos à densidade mineral óssea, obtidos por densitometria óssea e anotados no prontuário médico, foram utilizados para a classificação de osteoporose e de osteopenia, tendo sido considerados normais as idosas com T-Score até -1, osteopênicas aquelas com T-Score variando de -1 a -2, e osteoporóticas as com T Score abaixo de -2 (WHO, 1994 apud OLIVEIRA, 2003).

5– Questões éticas: o trabalho foi submetido, durante a fase de elaboração, à apreciação do comitê de ética em pesquisa da UCB, tendo sido aprovado conforme ofício CEP/UCB n° 11/2003.

(44)

1997). O objetivo foi verificar a ocorrência de fatores de risco para aterosclerose associados à obesidade, destacando-se a hipertensão arterial, a hiperglicemia, a hipercolesterolemia, a hipertrigliceridemia, a redução do HDL-colesterol e o aumento do LDL-colesterol. Além desses fatores, também foi pesquisado nos grupos a presença de hiperuricemia, de osteoporose e de osteopenia. A mesma análise foi procedida utilizando-se a classificação proposta pelo CDC (Center for Disease Control) baseado nos resultados obtidos no estudo NHANES III (1991) (quadro 2). Empregando-se as duas classificações propostas de obesidade, e após análise estatística exploratória, foram determinadas as médias das variáveis numéricas e a freqüência de alterações clínicas e bioquímicas presentes, conforme critérios definidos no item 4 da metodologia, em cada um dos subgrupos formados. Por fim, os resultados obtidos nos subgrupos foram estatisticamente comparados, a fim de se verificar a presença de diferença estatisticamente significativa entre eles.

A amostra foi ainda dividida por faixa etária em dois grupos: grupo 1 (60-69 anos; n=97) e grupo 2 (≥ 70 anos; n=42). Após a determinação das médias das variáveis e das prevalências das morbidades estudadas em cada um dos grupos, procedeu-se a análise estatística comparatória objetivando-se identificar diferenças estatisticamente significativas entre eles.

7– Descrição das análises estatísticas:

As análises estatísticas foram realizadas

utilizando-se o programa SPSS para Windows versão 8.0. Inicialmente foi efetuada uma

análise exploratória, tendo sido corrigidos os desvios ajustando-se os valores

discrepantes (outliers) para um valor acima do valor extremo superior ou para um valor

abaixo do valor extremo inferior. Ao final desta análise inicial, todas as variáveis

corrigidas assumiram níveis de normalidade. A seguir, os dados foram analisados

segundo a seguinte metodologia:

a) As freqüências de diabetes mellitus, hipertensão arterial, osteoporose, osteopenia,

hipercolesterolemia, HDL-colesterol baixo, LDL-colesterol alto, hipertrigliceridemia e

(45)

b) As médias do colesterol total, triglicérides, HDL-colesterol, LDL-colesterol dos

subgrupos obtidos a partir da classificação proposta pela OMS (quadro 2) foram

comparadas através de análise de variância múltipla (MANOVA). As médias das

variáveis glicose e ácido úrico foram comparadas através da análise de variância

univariada (One Way);

c) As médias da glicose, colesterol total, triglicérides, HDL-colesterol, LDL-colesterol e

ácido úrico dos subgrupos obtidos a partir da classificação proposta pelo CDC/NHANES

III (quadro 2) foram comparadas através do teste de

t

de student.

d) A amostra foi ainda dividida por faixa etária em dois grupos: grupo 1 (60-69 anos;

n=97) e grupo 2 (

70 anos; n=42). A comparação dos valores médios das variáveis

analisadas foi realizada através do teste de

t

de student, enquanto que e as

prevalências das alterações foram comparadas através do teste do qui-quadrado.

Adotou-se o nível de significância de 5% em todos os testes, ou seja, foram

(46)

(47)

1 – Prevalência de sobrepeso e obesidade:

Na tabela 1 encontram-se as médias de idade e do perfil antropométrico da população estudada. Verificou se que não haviam diferenças significativas quanto ao peso, altura e IMC entre os grupos formados por faixa etária.

As figuras 1 e 2 indicam respectivamente as prevalências de sobrepeso e obesidade obtidas através do IMC conforme os critérios de classificação propostos pela OMS (quadro 1) e de obesidade segundo os critérios CDC/NHANES III (quadro 2). Observa-se uma elevada prevalência de sobrepeso e obesidade que atingem em conjunto 77,8% das mulheres analisadas. Na classificação CDC/NHANES III a obesidade foi observada em mais da metade (53,3%) das mulheres avaliadas. Nesta classificação não são considerados os casos com sobrepeso. Quando os resultados das duas classificações são confrontados, observa-se uma maior freqüência de mulheres eutróficas na classificação CDC/NHANES III (46,7%) em relação à classificação OMS (22,2%), e uma maior prevalência de obesidade pela classificação CDC/NHANES III (53,3%) que pela classificação OMS (38,8%).

Nas figuras 3 e 4 estas prevalências são distribuídas por faixa etária. Nota-se pela classificação da OMS uma tendência a uma ligeira redução na prevalência de sobrepeso e obesidade com a idade. O sobrepeso e a obesidade atingiram 79,4% das mulheres entre 60 e 69 anos, enquanto que na faixa etária maior que 70 anos ela decresceu parar 73,8%. Essa diferença, no entanto não foi significativa.

Tabela 1: Idade, altura, peso e IMC médio de 139 mulheres idosas (Brasília, DF) Variáveis Total

Médias± dp

60-69 anos médias ± dp (n=97)

≥ 70 anos médias ± dp (n=42)

p*

Idade (anos) 67,1 ± 5,6 64,2 ± 7,1 73,79 ± 4,3 - Altura (cm) 152,9 ± 6,4 153,5 ± 5,8 151,3 ± 7,4 0,56

Peso (kg) 65,6 ± 11,1 66,5 ± 11,3 63,5 ± 10,6 0,85 IMC (kg/m2) 28,0 ± 4,1 28,2 ± 4,4 27,6 ± 3,5 0,55 *Teste t de Student

(48)

22,2

43,9

33,8

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

IDOSAS (n=139)

EUTRÓFICAS (n=31)

SOBREPESO (n=61)

OBESAS (n=47)

Figura 2: Prevalência (%) de obesidade em 139 mulheres idosas segundo classificação CDC/NHANES III (CDC/NHANES III, 1991) (Brasília, DF)

46,7

53,3

42

44

46

48

50

52

54

IDOSAS (n=139)

EUTRÓFICAS (n=65)

(49)

Figura 3: Prevalência (%) de Sobrepeso e Obesidade em 139 mulheres idosas, por faixa etária, segundo Classificação OMS (WHO, 1997) (Brasília, DF)

20,6

43,3

36,1

26,2

45,2

28,6

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

50

60-69 anos (n=97)

Mais de 70 (n=42)

EUTRÓFICAS

SOBREPESO

OBESAS

(50)

46,4

53,6

47,6

52,4

42

44

46

48

50

52

54

60-69 anos (n=97)

Mais de 70 (n=42)

EUTRÓFICAS

OBESAS

2 – Alterações clínico-laboratoriais:

Das 96 idosas nas quais se obteve dados sobre a hipertensão arterial, 68% (n=65) eram hipertensas. As prevalências de osteoporose ou osteopenia nas 77 idosas que possuíam em seus prontuários dados referentes à densidade mineral óssea foi de 85,7% (n=66).

Dividindo-se por faixa etária a hipertensão ocorreu em 67,6% das mulheres na faixa etária de 60 a 69 anos e em 71,4% daquelas maiores de 70 anos. Essa diferença não foi significativa.

Quanto à osteoporose e à osteopenia, elas ocorreram em 83,9% das idosas entre 60 e 69 anos, e em 95,2% daquelas com mais de 70 anos. Nota-se uma clara tendência para uma maior freqüência de redução da densidade mineral óssea com a idade apesar da diferença não ser estatisticamente significativa, talvez pelo número relativamente reduzido de mulheres avaliadas.

Imagem

Tabela 1: Idade, altura, peso e IMC médio de 139 mulheres idosas (Brasília, DF)  Variáveis Total  Médias± dp   60-69 anos médias ± dp (n=97)  ≥  70 anos médias ± dp (n=42)  p*  Idade (anos)  67,1 ± 5,6  64,2 ± 7,1  73,79 ± 4,3  -  Altura (cm)  152,9 ± 6,4
Figura 2: Prevalência (%) de obesidade em 139 mulheres idosas segundo classificação  CDC/NHANES III (CDC/NHANES III, 1991) (Brasília, DF)
Figura 3: Prevalência (%) de Sobrepeso e Obesidade em 139 mulheres idosas, por faixa etária,  segundo Classificação OMS (WHO, 1997) (Brasília, DF)
Tabela 3: Prevalência (%) de alterações bioquímicas em 139 mulheres idosas (Brasília, DF)
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