Gabriela de Santana Domingos
Gera¸ c˜ ao de Energia El´ etrica: tendˆ encias e previs˜ oes de energia hidroel´ etrica, t´ ermica, termonuclear e e´ olica para suprir a demanda
nas Regi˜ oes Sudeste e Centro-Oeste
Niter´oi - RJ, Brasil 08 de Dezembro de 2017
Gabriela de Santana Domingos
Gera¸ c˜ ao de Energia El´ etrica:
tendˆ encias e previs˜ oes de energia hidroel´ etrica, t´ ermica, termonuclear e e´ olica para suprir a demanda nas Regi˜ oes Sudeste e Centro-Oeste
Trabalho de Conclus˜ao de Curso
Monografia apresentada para obten¸c˜ao do grau de Bacharel em Estat´ıstica pela Universidade Federal Fluminense.
Orientador: Prof. Mois´es Lima de Menezes
Niter´oi - RJ, Brasil 08 de Dezembro de 2017
Universidade Federal Fluminense
Gabriela de Santana Domingos
Gera¸ c˜ ao de Energia El´ etrica: tendˆ encias e previs˜ oes de energia hidroel´ etrica, t´ ermica, termonuclear e e´ olica para suprir a demanda nas Regi˜ oes Sudeste e Centro-Oeste
Monografia de Projeto Final de Gradua¸c˜ao sob o t´ıtulo
“Gera¸c˜ao de Energia El´etrica: tendˆencias e previs˜oes de ener- gia hidroel´etrica, t´ermica, termonuclear e e´olica para suprir a demanda nas Regi˜oes Sudeste e Centro-Oeste”, defendida por Gabriela de Santana Domingos e aprovada em 08 de Dezembro de 2017, na cidade de Niter´oi, no Estado do Rio de Janeiro, pela banca examinadora constitu´ıda pelos professores:
Prof. Dr. Mois´es Lima de Menezes Departamento de Estat´ıstica – UFF
Profa. Dra. Keila Mara Cassiano Departamento de Estat´ıstica – UFF
Profa. Dra. Patricia Lusi´e Velozo da Costa Departamento de Estat´ıstica – UFF
Niter´oi,08 de Dezembro de 2017
D671 Domingos, Gabriela de Santana
Geração de Energia Elétrica: tendências e previsões de energia hidroelétrica, térmica, termonuclear e eólica para suprir a demanda na Região Sudeste e Centro-Oeste /Gabriela de Santana Domingos. - Niterói: [s. n.], 2017.
64f.
Orientador: Prof. Dr. Prof. Moisés Lima Menezes TCC ( Graduação de Bacharelado em Estatística) – Universidade Federal Fluminense, 2017.
1. Singular Spectrum Analysis. 2. Tendência.
3. Energia Elétrica. 4. Previsões.
I. Título.
CDD 519.53
Resumo
A vasta diversidade de recursos naturais no Brasil permite que a gera¸c˜ao de energia possa ser feita `a partir de v´arias fontes diferentes. O presente trabalho ressalta a im- portˆancia do planejamento da utiliza¸c˜ao desses recursos para a gera¸c˜ao de energia el´etrica e suprimento da demanda. Foram estudados os principais tipos de gera¸c˜ao de energia:
hidrel´etrica, t´ermica, nuclear e e´olica. An´alises de comportamento das tendˆencias e pre- vis˜oes para as s´eries s˜ao fundamentais para melhor uso dos recursos respons´aveis por esses tipos de gera¸c˜ao. O trabalho aborda m´etodos de previs˜ao recorrentes em s´eries temporais como os modelos de Box & Jenkins e os modelos de Holt-Winters, como poss´ıveis meios de planejamento. Com intuito de melhorar a acur´acia das previs˜oes, foi utilizado o m´etodo estat´ıstico Singular Spectrum Analysis (SSA), que consiste principalmente em filtrar as s´eries temporais. A finalidade principal desse trabalho ´e avaliar o ganho preditivo da modelagem Box & Jenkins e Holt-Winters usando filtragem SSA. A escolha dos modelos mais adequados foi feita com base nas estat´ısticas de aderˆencia como a Raiz Quadrada do Erro Quadr´atico M´edio (RM SE - Root Mean Square Error), o Erro Percentual M´edio Absoluto (M AP E - Mean Absolute Percentage Error), o Desvio M´edio Absoluto (M AD - Mean Absolute Deviation) e o coeficiente de determina¸c˜ao R2. De acordo com os re- sultados obtidos nos diferentes cen´arios abordados, concluiu-se que a abordagem SSA ´e mais eficiente no ganho preditivo das diferentes modelagens. Al´em disso, nas an´alises sem filtragem e com filtragem, os modelos de Box & Jenkins com componentes sazonais apresentaram melhor desempenho, que foram evidenciadas na observa¸c˜ao das tendˆencias das s´eries de gera¸c˜ao de energia el´etrica.
Palavras-chaves: Singular Spectrum Analysis, Tendˆencia, Energia el´etrica, Previs˜oes
Agradecimentos
Gra¸cas `a Deus, que com seu infinito amor e miseric´ordia me permitiu concluir essa etapa com sucesso.
A minha fam´ılia pelo amor e apoio incondicional, por ser meu lar e por me proporci-` onar a dedica¸c˜ao exclusiva a gradua¸c˜ao.
Aos professores e colegas que participaram da minha forma¸c˜ao, partilhando conheci- mento e dividindo as dificuldades dessa jornada.
Aos amigos que fiz, que me apoiaram, que torceram e brigaram por mim. Gratid˜ao!
Ao meu orientador Mois´es Lima de Menezes por me acolher, pelo aux´ılio e pela liber- dade dados para a constru¸c˜ao deste trabalho. Obrigada pelo exemplo de profissional e de ser humano.
Sum´ ario
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
1 Introdu¸c˜ao p. 13
1.1 Contextualiza¸c˜ao . . . p. 13 1.2 A importˆancia de fazer previs˜ao . . . p. 14 1.3 Proposta . . . p. 16 1.4 Estrutura . . . p. 17
2 Objetivos p. 18
3 Materiais e M´etodos p. 19
3.1 Base de Dados . . . p. 19 3.1.1 Descri¸c˜ao dos dados . . . p. 19 3.2 Processos Estoc´asticos . . . p. 22 3.3 S´eries Temporais . . . p. 23 3.4 Modelos de Previs˜ao . . . p. 24 3.4.1 Modelos de Holt-Winters . . . p. 24 3.4.1.1 Modelo Aditivo . . . p. 25 3.4.1.2 Modelo Multiplicativo . . . p. 25 3.4.2 Modelos Box & Jenkins . . . p. 26 3.4.2.1 Modelos Autorregressivos (AR): . . . p. 27
3.4.2.2 Modelo de M´edias M´oveis (M A): . . . p. 27 3.4.2.3 Modelos Autorregressivos e de M´edias M´oveis (ARM A): p. 27 3.4.2.4 Modelos Autorregressivos Integrados e de M´edias M´oveis
(ARIM A): . . . p. 28 3.4.2.5 Modelos SARIM A . . . p. 28 3.4.2.6 Fun¸c˜ao de Autocorrela¸c˜ao (F AC) e Fun¸c˜ao de Autocor-
rela¸c˜ao Parcial (F ACP) . . . p. 28 3.5 Estat´ısticas de Aderˆencia . . . p. 30 3.6 Filtragem SSA . . . p. 31 3.6.1 Decomposi¸c˜ao . . . p. 32 3.6.2 Reconstru¸c˜ao . . . p. 33 3.6.3 An´alise Gr´afica dos Autovetores . . . p. 35 3.6.4 Resumo da Metodologia . . . p. 35
4 An´alise dos Resultados p. 37
4.1 S´eries Originais . . . p. 37 4.1.1 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica . . . p. 37 4.1.2 Gera¸c˜ao T´ermica . . . p. 38 4.1.3 Gera¸c˜ao Nuclear . . . p. 39 4.1.4 Gera¸c˜ao E´olica . . . p. 40 4.2 Modelagem . . . p. 41 4.2.1 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica . . . p. 42 4.2.2 Gera¸c˜ao T´ermica . . . p. 43 4.2.3 Gera¸c˜ao Nuclear . . . p. 44 4.2.4 Gera¸c˜ao E´olica . . . p. 45 4.3 Filtragem SSA . . . p. 47 4.3.1 Decomposi¸c˜ao . . . p. 47
4.3.1.1 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica . . . p. 48 4.3.1.2 Gera¸c˜ao T´ermica . . . p. 48 4.3.1.3 Gera¸c˜ao Nuclear . . . p. 49 4.3.1.4 Gera¸c˜ao E´olica . . . p. 49 4.3.2 Reconstru¸c˜ao e Modelagem p´os Filtragem SSA . . . p. 50 4.3.2.1 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica . . . p. 50 4.3.2.2 Gera¸c˜ao T´ermica . . . p. 51 4.3.2.3 Gera¸c˜ao Nuclear . . . p. 52 4.3.2.4 Gera¸c˜ao E´olica . . . p. 52 4.4 Previs˜oes . . . p. 53 4.4.1 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica . . . p. 54 4.4.2 Gera¸c˜ao T´ermica . . . p. 55 4.4.3 Gera¸c˜ao Nuclear . . . p. 56 4.4.4 Gera¸c˜ao E´olica . . . p. 57
5 Conclus˜ao p. 58
Referˆencias p. 60
Anexo A -- Lista de abreviaturas p. 63
Lista de Figuras
1 Gera¸c˜ao el´etrica por fonte no Brasil (2015) . . . p. 14 2 S´eries hist´oricas (2005 - 2016) . . . p. 20 3 S´erie hist´orica demanda de energia (2005 - 2016) . . . p. 20 4 S´eries de m´edias anuais . . . p. 21 5 M´edia mensal da demanda de energia el´etrica . . . p. 22 6 Exemplos de F AC e F ACP para modelos AR(1), M A(1) e ARM A(1,1) p. 29 7 Fluxogramas da Metodologia . . . p. 36 8 S´erie temporal de gera¸c˜ao de energia hidrel´etrica . . . p. 38 9 Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao
hidrel´etrica de energia. . . p. 38 10 S´erie temporal de gera¸c˜ao t´ermica de energia el´etrica. . . p. 39 11 Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao
t´ermica de energia . . . p. 39 12 S´erie temporal de gera¸c˜ao de energia nuclear . . . p. 40 13 Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao
nuclear de energia . . . p. 40 14 S´erie temporal de velocidade dos ventos . . . p. 41 15 Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de velocidade
dos ventos. . . p. 41 16 Representa¸c˜ao gr´afica das fun¸c˜oes de Autocorrela¸c˜ao e de Autocorrela¸c˜ao Par-
cial da s´erie Hidrel´etrica. . . p. 42 17 Representa¸c˜ao gr´afica das fun¸c˜oes de Autocorrela¸c˜ao e de Autocorrela¸c˜ao Par-
cial da s´erie T´ermica. . . p. 44
18 Representa¸c˜ao gr´afica das fun¸c˜oes de Autocorrela¸c˜ao e de Autocorrela¸c˜ao Par-
cial da s´erie Nuclear. . . p. 45 19 Representa¸c˜ao gr´afica das fun¸c˜oes de Autocorrela¸c˜ao e de Autocorrela¸c˜ao Par-
cial da s´erie E´olica. . . p. 46 20 Decomposi¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao Hidrel´etrica via Filtragem SSA . . . p. 48 21 Decomposi¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao T´ermica via Filtragem SSA . . . p. 48 22 Decomposi¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao Nuclear via Filtragem SSA . . . p. 49 23 Decomposi¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao E´olica via Filtragem SSA . . . p. 49 24 Reconstru¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao Hidrel´etrica via Filtragem SSA . . . p. 50 25 Reconstru¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao T´ermica via Filtragem SSA . . . p. 51 26 Reconstru¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao Nuclear via Filtragem SSA . . . p. 52 27 Reconstru¸c˜ao da s´erie de Gera¸c˜ao E´olica via Filtragem SSA . . . p. 53 28 S´erie de Gera¸c˜ao Hidrel´etrica via Filtragem SSA e S´erie modelada porSARIM A p. 54 29 S´erie de Gera¸c˜ao T´ermica via Filtragem SSA e S´erie modelada porSARIM A p. 55 30 S´erie de Gera¸c˜ao Nuclear via Filtragem SSA e S´erie modelada porSARIM A p. 56 31 S´erie de Gera¸c˜ao E´olica via Filtragem SSA e S´erie modelada porSARIM A p. 57
Lista de Tabelas
1 Estat´ısticas Descritivas . . . p. 19 2 M´edia mensal das s´eries de energia el´etrica . . . p. 21 3 Comportamento t´ıpico da F AC e da F ACP nos processos AR, M A e
ARM A . . . p. 29 4 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados originais de Gera¸c˜ao de
Energia Hidrel´etrica . . . p. 43 5 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados originais de Gera¸c˜ao de
Energia T´ermica . . . p. 44 6 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados originais de Gera¸c˜ao de
Energia Nuclear . . . p. 46 7 Medidas de Acur´aciados Modelos para os dados originais de Gera¸c˜ao de
Energia E´olica . . . p. 47 8 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados filtrados via SSA de
Gera¸c˜ao de Energia Hidrel´etrica . . . p. 50 9 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados filtrados via SSA de
Gera¸c˜ao de Energia T´ermica . . . p. 51 10 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados filtrados via SSA de
Gera¸c˜ao de Energia Nuclear . . . p. 52 11 Medidas de Acur´acia dos Modelos para os dados filtrados via SSA de
Gera¸c˜ao de Energia E´olica . . . p. 53 12 Modelos Box & Jenkins e Holt-Winters para os dados de Gera¸c˜ao de
Energia Hidrel´etrica . . . p. 54 13 Medidas de Acur´acia para os dados de Gera¸c˜ao de Energia Hidrel´etrica p. 54 14 Modelos Box & Jenkins e Holt-Winters para os dados de Gera¸c˜ao de
Energia T´ermica . . . p. 55
15 Medidas de Acur´acia para os dados de Gera¸c˜ao de Energia T´ermica . . p. 55 16 Modelos Box & Jenkins e Holt-Winters para os dados de Gera¸c˜ao de
Energia Nuclear . . . p. 56 17 Compara¸c˜ao das medidas de Acur´acia para os dados de Gera¸c˜ao de Energia
Nuclear . . . p. 56 18 Modelos Box & Jenkins e Holt-Winters para os dados de Gera¸c˜ao de Energia
E´olica. . . p. 57 19 Compara¸c˜ao das medidas de Acur´acia para os dados de Gera¸c˜ao de Energia
E´olica. . . p. 57
13
1 Introdu¸ c˜ ao
1.1 Contextualiza¸ c˜ ao
A energia el´etrica ´e a capacidade de uma corrente el´etrica realizar trabalho. Essa forma de energia pode ser obtida por meio da energia qu´ımica ou da energia mecˆanica, por interm´edio de turbinas e geradores que transformam essas formas de energia em ener- gia el´etrica. Grande parte dos avan¸cos tecnol´ogicos alcan¸cados se deve `a energia el´etrica.
Quanto mais os pa´ıses se desenvolvem, mais se torna necess´ario aumentar a produ¸c˜ao de energia. Ela pode ser convertida para gerar luz, for¸ca para movimentar motores e fazer funcionar diversos produtos el´etricos e eletrˆonicos. Ela ´e gerada, principalmente, nas usinas hidrel´etricas, usando o potencial energ´etico da ´agua. Por´em, ela pode ser pro- duzida tamb´em pela for¸ca dos ventos, por origem t´ermica, solar, nuclear dentre outras.
O Brasil possui um dos maiores e melhores potenciais energ´eticos do mundo, com cerca de 8,5 milh˜oes de quilˆometros quadrados, mais de 7 mil quilˆometros de litoral e condi¸c˜oes clim´aticas extremamente favor´aveis. A energia el´etrica brasileira provem, em primeiro lugar, de usinas hidrel´etricas; seguida de termel´etricas; e, por ´ultimo, de usinas nucleares (ANEEL, 2008).
A grande extens˜ao da rede de transmiss˜ao no Brasil ´e explicada pela configura¸c˜ao do segmento de gera¸c˜ao, constitu´ıdo, na maior parte, de usinas hidrel´etricas instaladas em localidades distantes dos centros consumidores. A principal caracter´ıstica desse segmento
´e a sua divis˜ao em dois grandes blocos. O SIN (Sistema Interligado Nacional) ´e formado pelas empresas das regi˜oes Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da regi˜ao Norte.
Apenas 1,7% da energia requerida pelo pa´ıs encontra-se fora do SIN, em pequenos siste- mas isolados localizados principalmente na regi˜ao amazˆonica. O ONS (Operador Nacional do Sistema El´etrico) ´e respons´avel pela coordena¸c˜ao e controle da opera¸c˜ao do SIN, reali- zada pelas companhias geradoras e transmissoras, sob a fiscaliza¸c˜ao e regula¸c˜ao da Aneel (Agˆencia Nacional de Energia El´etrica)(ROCHA, 2012).
1.2 A importˆancia de fazer previs˜ao 14
Entre os benef´ıcios desta integra¸c˜ao e opera¸c˜ao coordenada est´a a possibilidade de troca de energia el´etrica entre regi˜oes. Isto ´e particularmente importante em um pa´ıs como o Brasil, caracterizado pela predominˆancia de usinas hidrel´etricas localizadas em regi˜oes com regimes hidrol´ogicos diferentes. O sistema Norte ´e respons´avel por 15% da gera¸c˜ao de energia el´etrica no pa´ıs, o Nordeste respons´avel por 16,2%, o Sul por 28,7%
e o sistema Sudeste/Centro-Oeste ´e respons´avel por 40,1% da gera¸c˜ao de energia (EPE, 2016). As reservas de combust´ıveis f´osseis s˜ao reduzidas, por´em os potenciais hidr´aulicos, da incidˆencia solar, da biomassa e da for¸ca dos ventos s˜ao suficientemente abundantes para garantir a autossuficiˆencia energ´etica do pa´ıs.
1.2 A importˆ ancia de fazer previs˜ ao
Duas fontes energ´eticas – hidr´aulica e petr´oleo – tem sido extensivamente aproveitadas no Brasil ao longo dos anos. Em 2015, cerca de 65 % do suprimento de energia el´etrica do pa´ıs veio de gera¸c˜ao hidr´aulica e o petr´oleo representou mais de 28% da matriz energ´etica nacional (EPE, 2016). A Figura 1 mostra a representa¸c˜ao dos tipos de fontes energ´eticas na gera¸c˜ao de energia el´etrica no Brasil no ano de 2015.
Figura 1: Gera¸c˜ao el´etrica por fonte no Brasil (2015)
O aumento da demanda, a escassez de oferta e restri¸c˜oes financeiras, socioeconˆomicas e ambientais, que s˜ao cen´arios atuais do setor el´etrico brasileiro, indicam que o suprimento futuro de energia el´etrica exigir´a maior aproveitamento de fontes alternativas. ´E necess´ario buscar formas de suprimento energ´etico compat´ıveis com os potencias energ´eticos e as
1.2 A importˆancia de fazer previs˜ao 15
necessidades econˆomicas nacionais e regionais atrav´es do planejamento e estudo da oferta de energia. Da´ı a importˆancia do estudo do comportamento das s´eries temporais hist´oricas e a previs˜ao da gera¸c˜ao de energia das diferentes fontes energ´eticas.
A energia hidr´aulica representa significativamente a produ¸c˜ao mundial. No Brasil, al´em de ser um fator hist´orico de desenvolvimento da economia, a energia hidrel´etrica desempenha papel importante na integra¸c˜ao e no desenvolvimento de regi˜oes distantes dos grandes centros urbanos e industriais. A ´agua ´e uma das poucas fontes para produ¸c˜ao de energia que n˜ao contribui para o aquecimento global, principal problema ambiental da atualidade. Silveira et al. (2012) utilizaram a metodologia de S´eries Temporais para estimar a s´erie de gera¸c˜ao de energia hidr´aulica, em GWh do Brasil. A s´erie estudada se ajustou bem aos dados e pode prever com eficiˆencia via modeloARIM A.
Em fun¸c˜ao do grande potencial h´ıdrico, o Brasil utiliza a energia termoel´etrica de forma estrat´egica. Esse uso ocorre quando h´a diminui¸c˜ao de ´agua, provocada pela carˆencia de chuvas, nas represas que abastecem as usinas hidrel´etricas (REIS, 2011). As usinas t´ermicas geram energia a partir da queima de combust´ıveis s´olidos, l´ıquidos ou gasosos.
Os principais combust´ıveis utilizados nas usinas termoel´etricas s˜ao o carv˜ao mineral, o petr´oleo, o g´as natural e a biomassa, fonte renov´avel que ´e produzida a partir da cana de a¸c´ucar. Silva (2007) encontrou no modelo ARIM Amaior eficiˆencia para descrecrever o comportamento de matrizes termoenerg´eticas, em particular o caso do g´as natural no cen´ario brasileiro. Consequentemente, a an´alise de previs˜ao utilizou como referencial a metodologia de Box & Jenkins. As termoel´etricas s˜ao respons´aveis por parte da emiss˜ao dos gases que contribuem para o aquecimento global. Na maioria, as fontes de energia utilizadas pelas termoel´etricas n˜ao s˜ao renov´aveis, o que eleva a preocupa¸c˜ao sobre a disponibilidade desses recursos a m´edio e longo prazo (GUENA, ALMEDA & AQUINO, 2006).
A energia t´ermica gerada por fonte nuclear ´e vista como uma poss´ıvel fuga ao alto consumo e dependˆencia externa do petr´oleo. ´E apontada como uma alternativa por apre- sentar atratividade econˆomica para gera¸c˜ao, al´em de eliminar o problema das emiss˜oes de gases na atmosfera. No entanto, este benef´ıcio ´e substitu´ıdo pelos res´ıduos nucleares, que, sem uma solu¸c˜ao at´e hoje encontrada, a produ¸c˜ao ´e feita a partir do urˆanio e do t´orio, dois min´erios radioativos, sendo o urˆanio o mais utilizado e conhecido, devido as reservas abundantes (N3E, 2014). Sorato et al. (2013) tamb´em utilizaram o modelo Box & Jenkins para previs˜ao de gera¸c˜ao de energia, por se mostrar mais eficiente para descrever o comportamento temporal da produ¸c˜ao de energia termonuclear no Brasil.
1.3 Proposta 16
O potencial e´olico brasileiro para aproveitamento energ´etico tem sido objeto de es- tudos e invent´arios desde os anos 1970 e o seu hist´orico revela o lento mas progressivo descortinamento de um potencial energ´etico natural de relevante magnitude existente no pa´ıs (AMARANTEet al., 2001). Barros (2015) propoz uma nova metodologia e aplica¸c˜ao em dados de produ¸c˜ao de energia e´olica utilizando o m´etodo de Holt-Winters e sua recente varia¸c˜ao, que lida com m´ultiplos padr˜oes de sazonalidade. Os resultados das m´etricas de avalia¸c˜ao mostraram que os m´etodos desenvolvidos foram promissores para lidar com o problema levantado. Nos ´ultimos anos, a energia e´olica vem despontando como uma das principais fontes alternativas de energia no mundo. Ela tem se destacado pelo re- duzido impacto ambiental e pela sua base tecnol´ogica e industrial j´a desenvolvida, al´em da experiˆencia e confiabilidade adquiridas com a opera¸c˜ao de grandes parques e´olicos (MILLAIS, 2005).
A necessidade de previs˜oes precisas de eventos futuros e suas consequˆencias levou a um desenvolvimento est´avel na t´ecnicas de previs˜ao em uma s´erie temporal. A An´alise Spec- tral Singular (SSA - Singular Spectrum Analysis) ´e um m´etodo n˜ao param´etrico usado em an´alise de s´eries temporais. Essa t´ecnica investiga o comportamento da s´erie temporal atrav´es da decomposi¸c˜ao e reconstru¸c˜ao dos componentes como tendˆencia, componen- tes harmˆonicas e ru´ıdo (BOJAR, 2011). SSA tamb´em descreve os principais fenˆomenos f´ısicos refletidos pelos dados e fornece filtros espectrais adaptativos associados `as oscila¸c˜oes dominantes do sistema e esclarece as caracter´ısticas de ru´ıdo dos dados (VAUTARD &
GHIL, 1989). SSA ´e uma t´ecnica poderosa que permite decompor uma s´erie temporal em componentes de acordo com seu comportamento definidas por: tendˆencia, harmˆonicas e ru´ıdo e com a remo¸c˜ao desta ´ultima parte, obter uma s´erie temporal filtrada aproximada a s´erie original que pode proporcionar modelos mais acurados. Menezeset al. (2014) uti- lizaram SSA para realizar filtragem de uma s´erie temporal de consumo de energia el´etrica de uma distribuidora do Estado do Rio de Janeiro. Neste experimento, o modelo de Box
& Jenkins obteve melhor capacidade preditiva e a filtragem SSA melhorou a acur´acia do modelo.
1.3 Proposta
Este projeto prop˜oe a filtragem SSA antes da modelagem a partir das classes de modelos ARIM A de Box & Jenkins e de Amortecimento Exponencial de Holt-Winters para s´eries temporais de gera¸c˜ao de energia el´etrica a partir de fontes diferentes como hi- drel´etrica, e´olica, nuclear e t´ermica. Prop˜oe tamb´em comparar a tendˆencia destas fontes
1.4 Estrutura 17
e o comportamento delas a fim de obter um sistema de complementariedade de uso de energia como forma alternativa ao despacho hidro-t´ermico. Por fim, prop˜oe uma com- para¸c˜ao entre a demanda e as formas de gera¸c˜ao de energia para atender esta demanda de forma mais eficiente.
Para a escolha do melhor modelo em termos de ajustes ser˜ao testadas as estat´ısticas de aderˆencia como a Raiz Quadrada do Erro Quadr´atico M´edio (RM SE - Root Mean Square Error), o Erro Percentual M´edio Absoluto (M AP E - Mean Absolute Percentage Error), o Desvio M´edio Absoluto (M AD-Mean Absolute Deviation) e o coeficiente de determina¸c˜ao R2. Os softwares utilizados para este projeto ser˜ao o Forecast Pro for Windows (F P W) para modelagens Holt-Winters e Box & Jenkins, al´em das estat´ısticas de aderˆencia e as an´alises dos res´ıduos, Gretlpara testes de normalidade e de raiz unit´aria, Microsoft Excel para formata¸c˜ao gr´afica e Caterpillar SSA para a realiza¸c˜ao das filtragens.
1.4 Estrutura
O trabalho est´a subdivido em cinco cap´ıtulos. O cap´ıtulo 1 apresenta a introdu¸c˜ao com a contextualiza¸c˜ao e a proposta. No cap´ıtulo 2 est´a o objetivo deste projeto. Os materiais e m´etodos est˜ao no cap´ıtulo 3. No cap´ıtulo 4 est˜ao as an´alises e os principais resultados e no cap´ıtulo 5, as conclus˜oes.
18
2 Objetivos
O projeto tem a finalidade de analisar as modelagens das s´eries temporais de gera¸c˜ao de energia de acordo com o melhor modelo encontrado. O objetivo principal ´e avaliar o ganho preditivo da modelagem Holt Winters e Box & Jenkins usando fitragem SSA. Os objetivos secund´arios s˜ao: avaliar a possibilidade de incluir a energias e´olica e a energia nuclear no despacho hidro-t´ermico de acordo com as tendˆencias e com as previs˜oes obtidas no per´ıodo de maior demanda e apresentar tendˆencias das gera¸c˜oes t´ermica, nuclear e e´olica em fun¸c˜ao da demanda de energia.
19
3 Materiais e M´ etodos
3.1 Base de Dados
Para esse estudo, foram considerados bases de dados de gera¸c˜ao de energia el´etrica oriunda de fontes h´ıdricas, t´ermicas e nucleares no subsistema Sudeste/ Centro-Oente (em MWmed) encontrados no site da ONS, dispon´ıveis em: http://www.ons.org.br/, e dados de velocidade dos ventos no mesmo subsistema (em m/s) provenientes do INMET (Ins- tituto Nacional de Metereologia), encontrados em: http://www.inmet.gov.br/. Tamb´em foi obtido no site da ONS, o hist´orico da s´erie de demanda de energia para futuras com- para¸c˜oes. Os dados tem periodicidade mensal entre janeiro de 2005 a julho de 2016. Cada banco possui 139 observa¸c˜oes.
3.1.1 Descri¸ c˜ ao dos dados
A Tabela 1 apresenta algumas estat´ısticas descritivas das s´eries temporais em estudo.
Tabela 1: Estat´ısticas Descritivas
S´erie M´ınimo M´aximo M´edia Desvio Padr˜ao
Demanda de Energia (MWmed) 34278,19 51497,35 4192,59 3187,9 Gera¸c˜ao Hidrel´etrica (MWmed) 13460 25910 20010 2552,6 Gera¸c˜ao T´ermica (MWmed) 364,9 7423 3079 2278,8
Gera¸c˜ao Nuclear (MWmed) 0,6 2018 1611 409,2
Velocidade dos Ventos (m/s) 4,1 7,3 5,2 0,7
A Figura 2 apresenta o comportamento temporal das s´eries de gera¸c˜ao de energia em estudo. Pode-se perceber que as s´eries possuem comportamentos distintos.
3.1 Base de Dados 20
(a) Energia Hidrel´etrica (b) Energia T´ermica
(c) Energia Nuclear (d) Velocidade dos ventos
Figura 2: S´eries hist´oricas (2005 - 2016)
A Figura 3 apresenta a s´erie temporal de demanda de energia no subsistema Sudeste/Centro- Oeste.
Figura 3: S´erie hist´orica demanda de energia (2005 - 2016)
A Tabela 2 apresenta os valores m´edios mensais de cada uma das s´eries de energia.
3.1 Base de Dados 21
Tabela 2: M´edia mensal das s´eries de energia el´etrica
Mˆes Demanda Hidrel´etrica T´ermica Nuclear E´olica
(MWmed) (MWmed) (MWmed) (MWmed) (m/s)
Janeiro 42185,2 21388,0 2617,7 1563,6 5,0
Fevereiro 43503,9 21470,4 2906,8 1519,3 5,0
Mar¸co 43264,6 21734,2 2849,3 1435,7 4,7
Abril 42268,5 20521,5 2951,5 1551,6 4,8
Maio 41354,6 1873,7 3144,7 1529,6 4,8
Junho 40777,3 18578,1 3101,0 1652,0 4,9
Julho 40699,7 18427,4 2846,2 1682,4 5,2
Agosto 41059,2 19094,6 3140,7 1563,7 6,1
Setembro 41761,5 19386,5 3346,0 1778,3 6,3
Outubro 42352,9 19659,8 3403,9 1644,2 5,7
Novembro 41762,2 20085,1 3511,5 1709,4 5,3
Dezembro 42090,7 20673,1 3232,1 1737,6 5,0
A Figura 4 apresenta o comportamento m´edio anual das s´eries de gera¸c˜ao em estudo.
(a) Energia Hidrel´etrica (b) Energia T´ermica
(c) Energia Nuclear (d) Velocidade dos ventos
Figura 4: S´eries de m´edias anuais
3.2 Processos Estoc´asticos 22
Pode-se perceber que as s´eries possuem comportamentos distintos. As energias t´ermica e nuclear concentram uma maior gera¸c˜ao nos ´ultimos meses do ano enquanto a energia hidrel´etrica concentra sua gera¸c˜ao nos meses iniciais do ano, come¸cando esse aumento a partir do final do inverno. Percebe-se que a velocidade do vento tende a ser mais intensa nos meses agosto a novembro.
A Figura 5 apresenta o comportamento m´edio anual da s´erie de demanda de energia.
Pode-se perceber que a s´erie possui comportamento similar ao da m´edia anual de gera¸c˜ao de energia hidrel´etrica, vista na Figura 4.
Figura 5: M´edia mensal da demanda de energia el´etrica
3.2 Processos Estoc´ asticos
Os processos estoc´asticosX(t)s˜ao fam´ılias arbitr´arias de vari´aveis aleat´orias indexadas por t onde t ∈ T (sendo T um conjunto qualquer, geralmente N+) e X(t) representa o estado do processo no tempo t. O conjunto ´ındice do processo t pode ser visto como um indexador de tempo ou espa¸co.
• SeT´e um conjunto enumer´avel, ent˜aoX(t),t ∈T, ´e um processo estoc´astico discreto no tempo.
• Se T ´e um conjunto n˜ao enumer´avel ou T ´e um intervalo aberto ou fechado da reta, ent˜aoX(t), t∈T, ´e um processo estoc´astico cont´ınuo no tempo. Os resultados assumidos por X(t) (ou Xt) s˜ao denotados como conjunto dos estados do processo.
Os processos estoc´asticos s˜ao definidos de maneira estritamente formal atrav´es do Teorema Fundamental dos Processos Estoc´asticos (ANTENEODO, 2004).
3.3 S´eries Temporais 23
Defini¸c˜ao 3.2.1 Se a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao de probabilidade conjunta das vari´aveis aleat´o- rias Xt1, Xt2, ..., Xtn ´e conhecida para todo n enumer´avel positivo, e para todo conjunto valorest1, t2, . . . , tnondetkqualquer pertence a um conjuntoT, podemos denotar conjunto destas vari´aveis, Xti, por Processo Estoc´astico.
Um processo ´e dito estacion´ario se quando dividido em intervalos de tempo as v´arias se¸c˜oes do processo exibem essencialmente as mesmas propriedades estat´ısticas. Caso contr´ario, por apresentar tendˆencia, ´e dito n˜ao-estacion´ario. Para detectar a n˜ao-estaciona- riedade de uma s´erie, o comportamento temporal pode ser analisado graficamente, ou aplicando os testes estat´ısticos de raiz unit´aria.
3.3 S´ eries Temporais
A classe de fenˆomenos cujo processo observacional e consequente quantifica¸c˜ao num´eri- ca gera uma sequˆencia de dados distribu´ıdos no tempo ´e denominada s´erie temporal (SOUZA, 1989). Uma s´erie temporal ´e amostra de um processo estoc´astico. ´E definida como qualquer conjunto de observa¸c˜oes ordenadas no tempo (MORETTIN & TOLOI, 2006). Segundo SAMOHYL et al. (2001), se as observa¸c˜oes consecutivas s˜ao dependen- tes umas das outras, ent˜ao ´e poss´ıvel obter uma previs˜ao e assim, fornecer bases para compreender o comportamento do evento ao qual est´a se analisando.
Uma das considera¸c˜oes para o uso de modelos de s´eries temporais consiste em assumir que os eventos futuros ter˜ao os mesmos comportamentos dos eventos passados. O objetivo da an´alise de s´eries temporais ´e identificar padr˜oes n˜ao aleat´orios na s´erie temporal de uma vari´avel de interesse, e a observa¸c˜ao deste comportamento passado pode permitir fazer previs˜oes sobre o futuro orientando a tomada de decis˜oes.
Pressup˜oe-se que as componentes que influenciaram um a s´erie temporal no passado e no presente continuar˜ao a persistir no futuro, deste modo, identificar e analisar tais fatores constitui-se na t´ecnica de previs˜ao de eventos futuros para uma mesma s´erie. Existem, basicamente, quatro caracter´ısticas inerentes a estas s´eries, quais sejam:
Tendˆencia: corresponde a um padr˜ao persistente que descreve um comportamento geral e a longo prazo, podendo ser ascendente ou descendente, caracterizando uma dire¸c˜ao para a curva;
Efeito C´ıclico: Corresponde a oscila¸c˜oes ou movimentos ascendentes ou descendentes ao longo de toda a s´erie. Estes movimentos variam de extens˜ao, geralmente durando de
3.4 Modelos de Previs˜ao 24
2 a 10 anos (LEVINE et al., 2012);
Efeito aleat´orio: Oscila¸c˜oes que n˜ao correspondem a efeitos c´ıclicos nem a tendˆencia da curva geralmente se classificam como efeito aleat´orio;
Efeito Sazonal: Sazonalidade ´e um padr˜ao que se repete na curva em intervalos regulares de tempo, podendo estar ainda mais evidente quando a s´erie corresponde a dados mensais ou trimestrais.
Os objetivos de se analisar as s´eries temporais s˜ao:
• Investigar o mecanismo gerador da s´erie temporal;
• Fazer previs˜oes de valores futuros da s´erie;
• Descrever o comportamento da s´erie;
• Procurar periodicidades relevantes nos dados.
3.4 Modelos de Previs˜ ao
A partir dos objetivos da an´alise e das caracter´ısticas da s´erie temporal, para este pro- jeto ser˜ao considerados os modelos de amortecimento exponencial de Holt-Winters (1960) e os modelosARIM Apropostos por Box & Jenkins (1970). Tradicionalmente considera- dos no planejamento de expans˜ao de m´edio prazo de fenˆomenos naturais (MENEZES et al., 2014).
3.4.1 Modelos de Holt-Winters
Os modelos de Holt-Winters descrevem apropriadamente dados em que se verifica a ocorrˆencia de tendˆencia linear, al´em de componente de sazonalidade (PELEGRINI &
FLOGIATTO, 2000). O m´etodo Holt-Winters ´e uma expans˜ao do m´etodo Holt (1957) desenvolvida por Winters (1960), que utiliza a m´edia m´ovel transformada de simples em exponencial, para aplicar em s´eries temporais, visando representar melhor a tendˆencia e a sazonalidade dos dados. Com isso, geralmente produz previs˜oes melhores do que as realizadas com m´edias m´oveis simples (SAMOHYL et al., 2008). ´E um dos m´etodos mais utilizados para previs˜ao de curto prazo da demanda devido a sua simplicidade, baixo custo de opera¸c˜ao, boa precis˜ao e capacidade de ajustamento autom´atico e r´apido a mudan¸cas na s´erie em an´alise. Partindo do princ´ıpio de que determinadas s´eries possuem um fator
3.4 Modelos de Previs˜ao 25
sazonal, al´em do n´ıvel e tendˆencia que capta caracter´ısticas da s´erie que se repetem a intervalos regulares de tempo, os modelos de amortecimento exponencial de Holt-Winters se dividem em dois grupos: aditivo e multiplicativo. No modelo aditivo, a amplitude da varia¸c˜ao sazonal ´e constante ao longo do tempo. Ou seja, a diferen¸ca entre o maior e menor valor de demanda dentro das esta¸c˜oes permanece relativamente constante no tempo. No modelo multiplicativo, a amplitude da varia¸c˜ao sazonal aumenta ou diminui como fun¸c˜ao do tempo (LAWTON, 1998).
3.4.1.1 Modelo Aditivo
M´etodo de Holt-Winter para Efeitos Sazonais Aditivos ´e utilizado na modelagem de dados onde a amplitude do ciclo sazonal independe do n´ıvel local da s´erie, ou seja, permanece constante com o passar do tempo. Considere um modelo cuja s´erie sazonal, de per´ıodos, ´e formada pela soma do n´ıvel, tendˆencia, um fator sazonal e um erro aleat´orio, dado por :
Zt=a1+a2t+ρt+et. (3.1) Esse m´etodo se aplica melhor em s´eries com tendˆencia e sazonalidade que n˜ao au- mentam com o tempo. Para a estima¸c˜ao de valores futuros de Zt, a equa¸c˜ao utilizada ´e:
Zbt(h) =ba1(t) +ba2(t)h+ρbm(t+h)(t). (3.2) OndeZbt(h) ´e estimador do valor da s´erie no instantet,h passos `a frente, ba1 ´e estimador do n´ıvel em t, ba2 ´e estimador da tendˆencia em t, ba2 ´e estimador da tendˆencia em t, ρbm(t+h) ´e estimador do fator em t sazonal e α, β e γ, s˜ao respectivamente, parˆametros de amortecimento de n´ıvel, tendˆencia e sazonalidade. As equa¸c˜oes de atualiza¸c˜ao dos estimadores, est˜ao a seguir.
ba1(t) = α[Zt−ρbt(t−1) + (1−α)[ba1(t−1) +ba2(t−1)] (3.3) ba2(t) = β[ba1(t)−ba1(t−1)] + (1−β)ba2(t−1) (3.4) ρbm(t) = γ[Zt−ba1(t)] + (1−γ)ρbm(t−1) (3.5) 3.4.1.2 Modelo Multiplicativo
O m´etodo de Holt-Winters para efeitos sazonais multiplicativos ´e utilizado na mode- lagem de dados onde a amplitude do ciclo sazonal varia proporcionalmente ao n´ıvel da
3.4 Modelos de Previs˜ao 26
s´erie com o passar do tempo. Considere um modelo de s´erie sazonal, de per´ıodo s, fator sazonal multiplicativo e tendˆencia aditiva, isto ´e,
Zt= (a1+a2t)ρt+et, (3.6) que descreve o comportamento estrutural da s´erie. As proje¸c˜oes dos valores futuros da s´erie s˜ao efetuadas atrav´es da fun¸c˜ao de previs˜ao do m´etodo. Este m´etodo ´e melhor para dados com tendˆencia e com a sazonalidade que aumenta ao longo do tempo. Isso resulta em uma previs˜ao curva que reproduz as mudan¸cas sazonais nos dados. Para a estima¸c˜ao de valores futuros, a equa¸c˜ao utilizada ´e:
Zbt(h) = (ba1(t) +ba2(t)h)ρbm(t+h)(t) (3.7) As equa¸c˜oes de atualiza¸c˜ao dos estimadores, est˜ao a seguir.
ba1(t) = α
Zt ρbt(t−1)
+ (1−α)[ba1(t−1) +ba2(t−1)] (3.8)
ba2(t) = β
ba1(t) ba1(t−1)
+ (1−β)ba2(t−1) (3.9)
ρbm(t) = γ Zt
ba1(t)
+ (1−γ)ρbm(t−1) (3.10)
Ondeba1 ´e estimador do n´ıvel emt,ba2 ´e estimador da tendˆencia emt,ρbm(t+h)´e estima- dor do fator emt sazonal e α, β eγ, s˜ao respectivamente, parˆametros de amortecimento de n´ıvel, tendˆencia e sazonalidade.
3.4.2 Modelos Box & Jenkins
A idetifica¸c˜ao das estruturas Box & Jenkins baseia-se no comportamento te´orico da fun¸c˜ao de autocorrela¸c˜ao (F AC) e da fun¸c˜ao de autocorrela¸c˜ao parcial (F ACP ). O m´etodo ´e aplicado ao conjunto de processos estoc´asticos denominados modelos ARIM A (Autoregressive Integrated Moving Average) onde, em cada instante de tempo t, existe um conjunto de valores que a s´erie pode assumir, aos quais est˜ao associadas possibilidades de ocorrˆencia. A modelagem parte do princ´ıpio que cada valor da s´erie temporal pode ser explicado por seus valores pr´evios, em virtude da utiliza¸c˜ao de uma estrutura de correla¸c˜ao temporal, presente na s´erie (GUJARATI, 2000; FAVA, 2000;WERNER ;RIBEIRO, 2003).
Partindo do pressuposto que os valores de determinada s´erie temporal s˜ao altamente dependentes dos valores passados, seus valores futuros poder˜ao ser explicados pelos valores
3.4 Modelos de Previs˜ao 27
passados da s´erie (PELLEGRINI, 2000). A metodologia Box & Jenkins ´e aplicada aos processos estoc´asticos estacion´arios. Se o processo n˜ao ´e estacion´ario, pode-se torn´a-lo estacion´ario por sucessivas diferencia¸c˜oes na s´erie original.
3.4.2.1 Modelos Autorregressivos (AR):
Os modelos autorregressivos de ordem p, AR(p), foram criados com a id´eia de que a presente observa¸c˜ao da s´erie Zt pode ser explicada como uma fun¸c˜ao das p observa¸c˜oes passadas,Zt−1, Zt−2, ..., Zt−p, onde p determina o n´umero de passos entre as observa¸c˜oes passadas e a previs˜ao da pr´oxima observa¸c˜ao. A estrutura autoregressiva geral ´e expressa por:
Zt =φ1Zt−1+φ2Zt−2+...+φpZt−p+at. (3.11) Onde φi s˜ao coeficientes da estrutura, i= 1, ..., p eat´e ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia σ2a.
3.4.2.2 Modelo de M´edias M´oveis (M A):
Os modelos m´edias m´oveis, M A(q), s˜ao formados por combina¸c˜ao linear do ru´ıdo branco, at, ocorridos no per´ıodo corrente e nos q per´ıodos passados. A estrutura de m´edias m´oveis geral ´e expressa por:
Zt=at−θ1at−1−θ2at−2−...−θqat−q. (3.12) Onde θi s˜ao coeficientes da estrutura, i= 1, ..., q eat ´e ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia σ2a.
3.4.2.3 Modelos Autorregressivos e de M´edias M´oveis (ARM A):
Esse modelo ´e uma combina¸c˜ao dos dois anteriores ondeZt´e descrito por seus valores passados e pelos ru´ıdos branco corrente e passados. A estrutura geral ARM A(p, q) ´e expressa por:
Zt=φ1Zt−1+φ2Zt−2+...+φpZt−p+at−θ1at−1−θ2at−2−...−θqat−q. (3.13) Onde φi s˜ao coeficientes da estrutura, i = 1, ..., p, θi s˜ao coeficientes da estrutura, i = 1, ..., q e at ´e ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia σa2.
3.4 Modelos de Previs˜ao 28
3.4.2.4 Modelos Autorregressivos Integrados e de M´edias M´oveis (ARIM A):
O modelo ARIM A(p, d, q) (Auto-Regressive Integrated Moving Average) ´e adequado para a previs˜ao de s´eries temporais cujo processo estoc´astico n˜ao ´e estacion´ario. Logo, a s´erie original passar´a por algumas diferencia¸c˜oes a fim de torn´a-la estacion´aria (Box
& Jenkins, 1994). O n´umero necess´ario de diferen¸ca para tornar a s´eries estacion´aria ´e denominado ordem de integra¸c˜ao (d). A estrutura geralARIM A(p, d, q) ´e expressa por:
φ(B)∇dZt=θ(B)at. (3.14) Ondeφ(B) representa o operador auto-regressivo de ordemp,θ(B) representa o operador m´edias m´oveis de ordem q,at ´e ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆanciaσa2, drepresenta o n´umero de diferen¸cas e ∇d representa o operador diferen¸ca, definido como:
∇Zt =Zt−Zt−1 =Zt−BZt = (1−B)Zt (3.15)
∇dZt= (1−B)dZt. (3.16) 3.4.2.5 Modelos SARIM A
O modelo que contempla as s´eries que apresentam autocorrela¸c˜ao sazonal, um dos mais recorrentes, ´e conhecido comoSARIM A(MORETTIN & TOLOI, 2006). O modelo SARIM A cont´em uma parte n˜ao sazonal com parˆametros (p, d, q) e uma sazonal com parˆametros (P, D, Q). Logo, o modelo geral para a s´erie, com per´ıodo sazonals, ´e escrito da forma:
φ(B)Φ(Bs)∇d∇Ds Zt=θ(B)Θ(B)at. (3.17) Ondeφ(B) representa o operador auto-regressivo de ordemp, Φ(B) representa o operador sazonal auto-regressivo de ordemP, θ(B) representa o operador m´edias m´oveis de ordem q, Θ(B) representa o operador m´edias m´oveis de ordem Q, d representa o n´umero de di- feren¸cas,∇drepresenta o operador diferen¸ca, ∇Ds representa o operador sazonal diferen¸ca eat ´e ru´ıdo branco com m´edia zero e variˆancia σ2a.
3.4.2.6 Fun¸c˜ao de Autocorrela¸c˜ao (F AC) e Fun¸c˜ao de Autocorrela¸c˜ao Parcial (F ACP)
A identifica¸c˜ao do modelo a ser estimado ocorre pelo comportamento das fun¸c˜oes de autocorrela¸c˜oes (F AC) e das fun¸c˜oes de autocorrela¸c˜oes parciais (F ACP). Segundo Pinto (2006), a F AC decai exponencialmente para modelos AR estacion´ario, sofre um
3.4 Modelos de Previs˜ao 29
corte brusco ap´os a defasagemq para modelosM Aestacion´ario e decai exponencialmente ap´os a defasagem q para o modelo ARM A estacion´ario, ou seja, analisando a F AC ´e poss´ıvel identificar apenas o parˆametroq. A defini¸c˜ao do parˆametro p´e feita atrav´es da an´alise da F ACP, que ´e definida para essa finalidade. A F ACP decai exponencialmente para os modelos M A, sofre um corte brusco ap´os a defasagem p para os modelos AR e decai exponencialmente ap´os a defasagemppara os modelosARM A. A Tabela 3 resume as caracter´ısticas das fun¸c˜oes para os diversos processos.
Tabela 3: Comportamento t´ıpico daF AC e daF ACP nos processos AR,M A eARM A
F AC F ACP
AR Decai exponencialmente Corte brusco ap´os defasagem p M A Corte brusco ap´os a defasagem q Decai exponencialmente
ARM A Decai exponencialmente ap´os a defasagem q
Decai exponencialmente ap´os a defasagem p
A Figura 6 apresenta alguns exemplos dos correlogramas (gr´aficos te´oricos daF AC e F ACP) (BROOKS, 2002).
(a) AR(1) (b) M A(1)
(c) ARM A(1,1)
Figura 6: Exemplos de F AC e F ACP para modelos AR(1), M A(1) e ARM A(1,1)
3.5 Estat´ısticas de Aderˆencia 30
No modeloARIM A´e necess´aria a defini¸c˜ao o parˆametrod, que representa o grau de diferencia¸c˜ao necess´ario para tornar os dados estacion´arios. Pela an´alise da F AC e da F ACP, a s´erie ´e diferenciada at´e o graud, de forma que o processo seja estacion´ario. A F AC pode ser definida como a raz˜ao entre autocovariˆancia e variˆancia para um conjunto de dados:
F AC(k) =ρk = γk
γ0, k = 0, ..., N −1, (3.18) onde γ0 ´e a variˆancia da s´erie estacion´aria e a estimativaγk ´e dada por:
γk =
T−k
X
t=1
1
T −k(Zt−E(Zt))(Zt+k−E(Zt+k)) (3.19) A F ACP corresponde a correla¸c˜ao de Zt e Zt−k removendo o efeito das observa¸c˜oes Zt−1, Zt−2, ..., Zt−k+1 e ´e denotada por φkk ( ´Ultimo coeficiente de um modelo AR(k)), ou seja,
φkk=Cor(Zt, Zt−1/Zt−1, Zt−2, ..., Zt−k). (3.20)
3.5 Estat´ısticas de Aderˆ encia
Dependendo do comportamento da s´erie temporal que se deseja analisar, v´arios mo- delos podem ser empregados na previs˜ao de seus valores futuros. A maioria dos m´etodos de previs˜ao baseia-se na ideia de minimizar soma dos erros gerados por cada modelo
et =zt−zbt. (3.21)
Uma vez que o c´alculo dos erros pode resultar em valores positivos e negativos, zerando assim o seu somat´orio, diferentes formas de c´alculo para o somat´orio dos erros podem ser empregadas tais como a soma de quadrados ou de valores absolutos dos erros de previs˜ao, que ´e tamb´em uma medida usada para comparar a adequa¸c˜ao de modelos alternativos. A ideia ent˜ao ´e comparar o M SE (erro quadr´atico m´edio) ou M AD (erro absoluto m´edio) para diferentes modelos. Entre as formas de medir a acur´acia de previs˜oes, o M AP E (erro m´edio percentual absoluto) ´e a mais popular. No entanto, este crit´erio limita-se a medir a acur´acia de s´eries temporais que n˜ao contenham valores iguais a zero. Os erros a serem considerados como estat´ısticas de aderˆencia ser˜ao:
3.6 Filtragem SSA 31
• Desvio M´edio Absoluto ou M AD (Mean Absolute Deviation)
M AD=
T
X
t=1
|et|
T (3.22)
• Erro M´edio Percentual Absoluto ou M AP E (Mean Absolute Percentage Error)
M AP E = PT
t=1
|et| zt
T ×100 (3.23)
• Raiz quadrada do Erro Quadr´atico M´edio ouRM SE (Root Mean Squared Error ):
RM SE = v u u t
T
X
t=1
e2t
T (3.24)
• Coeficiente de Determina¸c˜ao ou R2:
R2 = 1−SQE
SQT (3.25)
SQE =
T
X
t=1
(zt−zbt)2
T (3.26)
SQT =
T
X
t=1
(zt−z)2
T (3.27)
onde, zt ´e o valor observado, zbt ´e a previs˜ao e z ´e a m´edia dos valores observados. O instantet ∈[1, T].
3.6 Filtragem SSA
Singular Spectrum Analysis (SSA) ´e uma t´ecnica n˜ao param´etrica que permite de- compor uma s´erie temporal em sinal e ru´ıdo. E uma t´´ ecnica ´util para filtrar dados de s´eries temporais. Menezes et al. (2014) utilizaram trˆes metodologias na abordagem SSA: An´alise de componentes principais (ACP), ACP associado com An´alise de Cluster e An´alise Gr´afica dos Vetores Singulares. Nesse artigo ´e mostrado que o melhor m´etodo em SSA ´e a An´alise Gr´afica dos vetores singulares, que ser´a usado neste projeto. SSA ´e um m´etodo recente e poderoso em s´eries temporais que incorpora elementos de an´alise
3.6 Filtragem SSA 32
cl´assica de s´eries temporais, estat´ıstica multivariada, geometria multivariada, sistemas dinˆamicos e processamentos de sinais (ELSNER, 1996). SSA tem sido aplicada com su- cesso em diversas ´areas: na matem´atica e f´ısica a economia e matem´atica financeira, na meteorologia e oceanografia a ciˆencias sociais (GOLYANDINA et al., 2001).
O m´etodo SSA ´e um procedimento que pode ser utilizado, dentre outras aplica¸c˜oes, na remo¸c˜ao de ru´ıdo e de s´eries temporais (GOLYANDINAet al., 2001; HASSANIet al., 2012). A vers˜ao b´asica do m´etodo SSA pode ser dividida em duas etapas: decomposi¸c˜ao e reconstru¸c˜ao.
3.6.1 Decomposi¸ c˜ ao
Segundo Menezes et al. (2014), a etapa de decomposi¸c˜ao pode ser subdividida em duas partes: Incorpora¸c˜ao e decomposi¸c˜ao em valores singulares (SVD – Singular Value Decomposition).
Seja Yt = [y1, . . . yT]1×T uma s´erie temporal e considere L tal que 2 ≤ L ≤ T de modo que L ´e um parˆametro a ser estimado e ´e chamado de comprimento da janela (GOLYANDINAet al., 2001). Entende-se por Incorpora¸c˜ao o procedimento no qual uma s´erie temporalYT ´e levada a uma matrizX chamada “Matriz Trajet´oria” dada por (3.28).
X =
y1 y2 y3 . . . yk y2 y3 y4 . . . yk+1
... ... ... . .. ... yL yL+1 yL+2 . . . yT
(3.28)
A matrizX´e uma matriz Hankel, ou seja, os elementos dexi,j tal quei+j = constante s˜ao iguais.
Considere S = XX0. Os autovalores de S dispostos em ordem de significˆancia λ1 ≥ . . . ≥ λL ≥ 0 s˜ao obtidos e os respectivos autovalores U1, . . . , UL s˜ao encontrados.
ConsidereV0 = (X0UL)/√
λ, comoS´e positivo semi-definido, ent˜ao a matriz trajet´oriaX pode ser expressa pela decomposi¸c˜ao em valores singulares (SVD) apresentada em (3.29):
X =E1+E2+· · ·+EL, (3.29) ondeEl =√
λUlVl0, para todol = 1, . . . , L. A cole¸c˜ao (√
λl, Ul, Vl) ´e conhecida como auto- tripla da expans˜ao SVD deX. Os elementos da autotripla s˜ao definidos respectivamente
3.6 Filtragem SSA 33
por: valor singular, vetor singular `a esquerda e vetor singular `a direita de X (MENEZES et al., 2014). A contribui¸c˜ao de cada componente em (3.29) pode ser mensurada pela raz˜ao de autovalores λl/PL
l=1λl.
3.6.2 Reconstru¸ c˜ ao
Segundo Menezes et al. (2014), a etapa de reconstru¸c˜ao est´a subdividida em duas partes: agrupamento e m´edia diagonal. A etapa de agrupamento consiste no procedimento de agrupar algumas sequˆencias de matrizes elementares resultantes da decomposi¸c˜ao SVD em grupos disjuntos e, ap´os isso, som´a-las, gerando novas matrizes elementares.
Considere a sequencia PL
l=1El de matrizes elementares da expans˜ao de SVD. Agrupe as mesmas em m grupos disjuntos utilizando algum m´etodo, por exemplo, por meio de an´alise de componentes principais, an´alise gr´afica de vetores singulares ou agrupamento hier´arquico e assumir que o conjunto de ´ındices gerado ´e dado por {I1, . . . , Im}, de modo que a expans˜ao (3.29) pode ser reescrita como em (3.30), sendoXIiarbitr´aria tal queXIi = Ppi
j=1XIij (MENEZES et al., 2014).
X =
L
X
l=1
El =
m
X
i=1
XIi (3.30)
O objetivo do agrupamento ´e diminuir o n´umero de componentes na expans˜ao da matriz trajet´oria X. A contribui¸c˜ao de cada componente ´e mensurada pela raz˜ao (3.31) (MENEZES et al., 2014).
Ppi
j=1λIij PL
l=1λl . (3.31)
Considere a matriz trajet´oria X e assuma que L∗ = min(L, K) e K∗ = max(L, K).
Considere x(i)l,k um elemento na linha l e coluna k na matriz XIi. O elemento y(i)t da componente h
yt(i)i
1×T da s´erie temporal [yt]1×T ´e calculado por meio da m´edia diagonal
3.6 Filtragem SSA 34
da matriz elementarXIi definida em (3.32), a partir da matriz elementar XIi.
yt(i)=
t
P
l=1
x(i)l,t−l+1
t , se 1≤t < L∗
L∗
P
l=1
x(i)l,t−l+1
L∗ , se L∗ ≤t < K∗
T−K∗+1
P
l=t−K∗+1
x(i)l,t−l+1
T−K∗+1 , se K∗ ≤t≤T
(3.32)
Cada componente h yt(i)i
1×T concentra parte da energia da s´erie temporal original [yt]1×T que pode ser mensurada pela raz˜ao de autovalores
pi
P
j=1
λIij/
d
P
l=1
λl. De acordo com Hassani et al. (2012), podemos classificar as componentes SSA h
yt(i)i
1×T de uma s´erie temporal arbitr´aria [yt]1×T em trˆes categorais: tendˆencia,componentes harmˆonicas(ciclo e sazonalidade) eru´ıdo (GOLYANDINA et al., 2001).
Um dos principais conceitos estudados em SSA ´e a propriedade de separabilidade (HASSANI et al., 2012). Tal propriedade caracteriza qu˜ao bem separados est˜ao as dife- rentes, componentes, umas das outras. Uma boa medida de separabilidade ´e a Correla¸c˜ao Ponderada. Por correla¸c˜ao ponderadaweighted correlation ouw-correla¸c˜ao, podemos en- tender como uma fun¸c˜ao que quantifica a dependˆencia linear entre duas componentes SSA YT(1) e YT(2) definida em (3.33) (MENEZES et al., 2014).
ρ(w)ij =
YT(i), YT(j)
w
||YT(i)||w||YT(j)||w. (3.33) onde||YT(i)||w=
r
YT(i), YT(i)
w
; ||YT(j)||w= r
YT(j), YT(j)
w
;
YT(i), YT(j)
w
=
T
P
k=1
wkyk(i)yk(j) e wk = min{k, L, T −k}.
Atrav´es da separabilidade, pode-se verificar estatisticamente se duas componentes SSA est˜ao bem separadas, em termos de dependˆencia linear. Segundo Hassani et al.
(2012), o valor absoluto da w-correla¸c˜ao ´e pequeno, ent˜ao as componentes SSA corres- pondentes s˜ao classificadas como w-ortogonais (ou quase w-ortogonais); caso contr´ario, s˜ao ditas mal separadas. Salienta-se que comumente utiliza-se a correla¸c˜ao ponderada na fase de agrupamento SSA (GOLYANDiNA et al., 2001).
3.6 Filtragem SSA 35
3.6.3 An´ alise Gr´ afica dos Autovetores
A an´alise das coordenadas da s´erie temporal na base definida pelos vetores singulares resultantes da SVD permite identificar as componentes de tendˆencia e da sazonalidade da s´erie. O problema geral aqui consiste em identificar e separar as componentes oscilat´orias das componentes que fazem parte da tendˆencia. De acordo com Golyandinaet al. (2001) a an´alise gr´afica de tais coordenadas aos pares permite identificar por meio visual as componentes harmˆonicas da s´erie.
As coordenadas da s´erie temporal em duas componentes ortogonais podem ser dispos- tas em um diagrama de dispers˜ao. Considere um harmˆonico puro com frequˆencia igual a ω, fase igual a δ, amplitude igual aξ e per´ıodoρ= ω1 definido como um divisor do tama- nho da janela L e K. Se o parˆametro ρ assume um valor inteiro, ent˜ao ρ ´e classificado como per´ıodo do harmˆonico. Por exemplo, as fun¸c˜oes seno e o cosseno com frequˆencias, amplitudes e fases iguais resultam em um diagrama de dispers˜ao que exibe um padr˜ao circular. Por sua vez, se ρ = ω1 ´e um inteiro, ent˜ao o diagrama de dispers˜ao exibe um pol´ıgono regular com ρ v´ertices. Para uma frequˆencia ω = mn <0,5 com m e n inteiros e primos, os pontos s˜ao v´ertices de um pol´ıgono regular denv´ertices (GOLYANDINAet al., 2001). Dessa forma, a identifica¸c˜ao dos componentes que s˜ao gerados por um harmˆonico ´e reduzida `a an´alise pict´orica do padr˜ao determinado nos diferentes pares de componentes.
3.6.4 Resumo da Metodologia
Os objetivos deste trabalho foram mencionados no cap´ıtulo 2. As s´eries de gera¸c˜ao de energia ser˜ao modeladas via Holt-Winters e via Box & Jenkins sem e com a abordagem SSA. A partir das s´eries originais e filtradas via SSA, os modelos de Box & Jenkins e de Holt-Winters ser˜ao aplicados e comparados entre si a partir das estat´ısticas de aderˆencia.
O que obtiver melhor desempenho ser´a considerado para previs˜ao. Os softwares utilizados para o estudo ser˜ao: F P W (Forecast Pro for Windows) para fazer a modelagem Holt- Winters e Box & Jenkins eCaterpillar SSA para abordagem SSA. Os resultados obtidos ao longo dos experimentos computacionais realizados ser˜ao comparados em termos das estat´ısticas de aderˆencia (M AP E,RM SE,M ADeR2) que amb´em ser˜ao obtidas a partir doF P W. A Figura 7 apresenta um fluxograma com resumo da metodologia.
3.6 Filtragem SSA 36
Figura 7: Fluxogramas da Metodologia
37
4 An´ alise dos Resultados
4.1 S´ eries Originais
A aplica¸c˜ao da metodologia apresentada, atrav´es de experimento computacional, foi realizada a partir das m´edias mensais de gera¸c˜ao de energia no subsistema Sudeste/Centro- Oeste (MWmed). Cada uma das s´eries originais possui 139 observa¸c˜oes mensais de janeiro de 2005 e julho de 2016.
4.1.1 Gera¸ c˜ ao Hidrel´ etrica
Uma usina hidrel´etrica tem por finalidade a gera¸c˜ao de energia el´etrica a partir do aproveitamento da for¸ca das ´aguas. A estrutura da usina ´e composta, basicamente, por barragem, sistema de capta¸c˜ao de ´agua, casa de for¸ca e sistema de restitui¸c˜ao de ´agua ao leito natural do rio. No interior da barragem, onde s˜ao formados os reservat´orios, s˜ao instalados grandes tubos inclinados, geralmente chamados de aquedutos, que abrigam as turbinas. A ´agua desce pelos tubos e faz girar um sistema de h´elices, movimentando o eixo dos geradores, que convertem a energia cin´etica do movimento das ´aguas em a ener- gia el´etrica. Perto dos geradores s˜ao instalados os transformadores, equipamentos que acumulam e enviam a energia el´etrica para os cabos das linhas de transmiss˜ao. Depois de movimentar as turbinas, as ´aguas voltam para o leito do rio sem sofrer nenhum tipo de degenera¸c˜ao.
A Figura 8 apresenta o comportamento temporal da s´erie mensal de gera¸c˜ao de energia el´etrica proveniente de fonte h´ıdrica no subsistema Sudeste/Centro-Oeste para o per´ıodo de janeiro/2005 a julho/2016.
4.1 S´eries Originais 38
Figura 8: S´erie temporal de gera¸c˜ao de energia hidrel´etrica
Na Figura 8 ´e poss´ıvel observar a repeti¸c˜ao do comportamento ao longo dos per´ıodos, indicando sazonalidade, apesar da quebra do crescimento cont´ınuo entre 2013 e 2014. A Figura 9 apresenta a compara¸c˜ao da curva de tendˆencia com a s´erie original. Esta Figura evidencia a identifica¸c˜ao da tendˆencia na s´erie original.
Figura 9: Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao hidrel´etrica de energia.
4.1.2 Gera¸ c˜ ao T´ ermica
A energia el´etrica proveniente das usinas termel´etricas ´e gerada por um sistema que consiste em uma caldeira, uma turbina a vapor, um condensador e um sistema de bombas.
O calor liberado pela combust˜ao, aquece a ´agua na caldeira, que se transforma em vapor.
Este vapor movimentam as turbinas que transformam a energia t´ermica em mecˆanica. O gerador transforma a energia mecˆanica em energia el´etrica. Ap´os mover as turbinas, o vapor ´e direcionado ao condensador para retornar ao estado l´ıquido, que por sua vez, ´e direcionado, por meio do sistema de bombas, novamente para a caldeira, que repetir´a o processo de produ¸c˜ao da energia t´ermica.
4.1 S´eries Originais 39
A Figura 10 apresenta o comportamento temporal da s´erie de gera¸c˜ao de energia el´etrica proveniente de fonte t´ermica no subsistema Sudeste/Centro-Oeste para o per´ıodo de janeiro/2005 a julho/2016.
Figura 10: S´erie temporal de gera¸c˜ao t´ermica de energia el´etrica.
Na Figura 10 pode-se observar a repeti¸c˜ao do comportamento e o crescimento cont´ınuo ao longo dos per´ıodos, indicando poss´ıvel presen¸ca de ciclo sazonal no hist´orico da gera¸c˜ao de energia de origem t´ermica. A Figura 11 apresenta a compara¸c˜ao entre a s´erie original e a curva de tendˆencia.
Figura 11: Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao t´ermica de energia
4.1.3 Gera¸ c˜ ao Nuclear
As usinas termonucleares funcionam similarmente ao processo de gera¸c˜ao de energia nas usinas t´ermicas, mas a energia ´e proveniente da fiss˜ao de urˆanio em reator nuclear. A
´
agua dentro do reator ´e aquecida atrav´es da energia do ´atomo e passa do estado l´ıquido para o gasoso. Este vapor movimenta as turbinas, que transformam a energia nuclear em
4.1 S´eries Originais 40
energia mecˆanica. Um gerador transforma a energia mecˆanica em energia el´etrica.
A Figura 12 apresenta o comportamento temporal da s´erie mensal de gera¸c˜ao de energia el´etrica proveniente de fonte nuclear no subsistema Sudeste/Centro-Oeste para o per´ıodo de janeiro/2005 a julho/2016.
Figura 12: S´erie temporal de gera¸c˜ao de energia nuclear
Pode-se observar a repeti¸c˜ao do comportamento e crescimento ao longo dos per´ıodos, indicando poss´ıvel presen¸ca de sazonalidade na s´erie de gera¸c˜ao de energia de origem termonuclear. A Figura 13 mostra a compara¸c˜ao da curva de tendˆencia com a s´erie original.
Figura 13: Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de gera¸c˜ao nuclear de energia
4.1.4 Gera¸ c˜ ao E´ olica
A gera¸c˜ao e´olica ocorre atrav´es dos aerogeradores. O contato do vento com as p´as do cata-vento d˜ao origem `a energia mecˆanica que aciona o motor da turbina e produz a eletricidade. O subsistetema Sudeste/Centro-Oeste n˜ao produz esse tipo de energia,
4.2 Modelagem 41
por´em observa-se uma m´edia de velocidade dos ventos favor´avel a gera¸c˜ao e´olica por apresentar m´edia acima de 3,5 m/s, velocidade m´ınima de funcionamento da maioria dos aerogeradores (TOMALSQUIM, 2016).
A Figura 14 apresenta o comportamento temporal da s´erie de velocidade m´edia dos ventos nas regi˜oes Sudeste e Centro-Oeste.
Figura 14: S´erie temporal de velocidade dos ventos
Pode-se observar a repeti¸c˜ao do comportamento ao longo dos per´ıodos, indicando poss´ıvel presen¸ca de ciclo sazonal na s´erie de for¸ca dos ventos. O gr´afico a seguir evidˆencia a identifica¸c˜ao da tendˆencia na s´erie original.
Figura 15: Compara¸c˜ao entre a curva de tendˆencia e a s´erie original de velocidade dos ventos.
4.2 Modelagem
Cada s´erie de fonte de energia foi avaliada quanto aos requisitos de aplica¸c˜ao e medidas de acur´acia dos modelos propostos neste trabalho: Holt-Winters e Box & Jenkins. O modelo Sugerido ´e o modelo indicado pelo programa utilizado nas modelagens, o F P W. Os testes realizados foram avaliados ao n´ıvel de 5% de significˆancia.
4.2 Modelagem 42
4.2.1 Gera¸ c˜ ao Hidrel´ etrica
Para a modelagem de Box & Jenkins ´e necess´ario que os dados obede¸cam alguns crit´erios como Normalidade e Estacionariedade.
• Normalidade: Para se testar a normalidade dos dados, o teste de Shapiro-Wilk foi aplicado. A hip´otese nula deste teste ´e a de normalidade e o n´ıvel de significˆancia 0,05. O teste apresentou um p-valor de 0,195455. Portanto a hip´otese nula n˜ao ´e rejeitada, n˜ao havendo ind´ıcios para rejeitar a normalidade dos dados.
• Estacionariedade: Para se testar a estacionariedade da s´erie, um teste de raiz unit´aria de Dickey Fuller (ADF) foi aplicado. A hip´otese nula deste teste ´e a de existˆencia de raiz unit´aria e o n´ıvel de significˆancia 0,05. O p-valor obtido do teste ADF foi 0,0694 sendo maior que o n´ıvel de significˆancia e, portanto, aceitando a hip´otese de existˆencia de raiz unit´aria, concluindo-se que a s´erie n˜ao ´e estacion´aria e, desta forma, sendo necess´aria diferencia¸c˜ao na s´erie.
A Figura 16 apresenta o correlograma da s´erie temporal de m´edias mensais de energia el´etrica de origem h´ıdrica.
(a) F AC (b)F ACP
Figura 16: Representa¸c˜ao gr´afica das fun¸c˜oes de Autocorrela¸c˜ao e de Autocorrela¸c˜ao Parcial da s´erie Hidrel´etrica.
Na Figura 16 ´e poss´ıvel perceber um decaimento na F AC e um corte brusco na primeira defasagem daF ACP . Este ´e o comportamento t´ıpico do modelo autorregressivo AR(1). Combinando com a parte sazonal, pode-se chegar a alguns modelos. A Tabela 4 apresenta as estat´ısticas de aderˆencia dos modelos testados para os dados originais de gera¸c˜ao de energia hidrel´etrica.