UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – UFMT FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM
DIREITO AGROAMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE
RENATA ROMAGNOLI
RESPONSABILIDADE CIVIL PELOS DANOS AO MEIO AMBIENTE
CUIABÁ - MT
2016
RENATA ROMAGNOLI
RESPONSABILIDADE CIVIL PELOS DANOS AO MEIO AMBIENTE
Monografia apresentada a Faculdade de Pós Graduação em Direito, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Direito Agroambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso.
Orientadora: Prof. MSc. Vera Lúcia Marques Leite
CUIABÁ - MT
2016
RENATA ROMAGNOLI
RESPONSABILIDADE CIVIL PELOS DANOS AO MEIO AMBIENTE
Monografia defendida e aprovada em março de 2016 pela Banca Examinadora constituída pelos profes sores:
____________________________________________
Orientadora: MSc. Vera Lúcia Marques Leite Presidente
___________________________________
MSc. Nadyne Pholve Membro da Banca
DEDICATÓRIA
Deus, obrigada por escolher a mim para ser a menina dos Teus olhos. Tu me destes a vida mais primorosa que eu poderia ter. Devo a Ti esta conquista!
Mãe, você é a minha melhor parte.
Não me recordo de um dia da minha vida que tu não estivestes ao meu lado. Se sou feliz, é porque posso olhar para o lado e ver que você está ali por mim.
Pai, dia e noite você não mediu esforços para nos fazer felizes. Tu és o homem mais admirável que eu conheço.
Irmão, você nasceu na minha história. Papai do céu me deu você de presente. Sempre seremos um, você é um anjo na minha vida.
Amigos, familiares e mestres, obrigada pelo apoio, pela torcida e por torcerem comigo a cada vitória.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, o centro da minha vida, a quem tudo devo.
Aos meus pais, meus heróis e minha fortaleza.
Ao meu irmão, meu companheiro que sempre me apóia.
A minha madrinha, por sempre me amar como filha.
A minha avó materna, por dedicar seus melhores sentimentos a mim.
A minha orientadora, Profª. MSc. Vera Lúcia Marques Leite, pela orientação, paciência e carinho.
Aos amigos e professores, MSc. Divanir Marcelo de Pieri, pela complacência, a MSc. Nadyne Pholve, pelo afeto e compreensão, e a MSc.
Marli Deon Sette, pela atenção especial, quando do momento inicial da monografia.
A esta universidade, sеu corpo docente, direção е administração qυе oportunizaram este ensino a mim ofertado.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.”
(Mateus, 5:6)
RESUMO
O presente trabalho aborda a responsabilidade civil na esfera ambiental. Inicia- se da natureza jurídica da responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente, bem como sua evolução histórica, conceituação e caracterização do que tange ao dano ambiental, bem como dos fundamentais princípios que norteiam a responsabilidade civil ambiental. Neste sentido, analisa-se um julgado anterior advindo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com relação à determinação da responsabilidade civil ambiental com o intuito de versar a respeito das medidas que se destinam a proteger o meio ambiente, as formas de reparação em caso de dano ambiental, assim como a responsabilidade civil ambiental que dispõe como propósito verificar a extensão do dano causado e a responsabilização do agente causador. A responsabilidade por danos ao meio ambiente é proveniente de um dano ecológico, que vai desde a degradação do meio ambiente, até a degradação dos elementos naturais , causada a bens da coletividade, pois nossa Carta Magna reconhece o meio ambiente um bem de uso comum do povo, conforme disposto no artigo 225 caput. Nesse dessarte, o meio ambiente é um bem importante para manter a vida em nosso planeta e sua preservação é um dever de todos em amparo e beneficío da sociedade, das atuais quanto das futuras gerações.
Palavras-chaves: Meio Ambiente; Legislação Ambiental; Responsabilidade Civil Ambiental; Dano Ambiental.
ABSTRACT
This paper addresses the liability in the environmental sphere. Begi nning of the legal nature of civil liability for damage caused to the environment as well as its historical evolution, conceptualization and characterization of respect to environmental damage as well as the fundamental principles that guide the environmental liability. In this sense, we analyze a previous trial arising from the Court of Mato Grosso (TJMT), regarding the determination of environmental liability in order to traverse about the measures that are intended to protect the environment, forms repair in case of environmental damage, as well as environmental liability that has the purpose to verify the extent of the damage caused and the accountability of the causative agent. Liability for environmental damage is from an ecological damage, ranging fro m environmental degradation to the degradation of the natural elements, caused the assets of the community, because our Constitution recognizes the environment common use good of a people, according to Article 225 caput.
That thus faces, the environment is very important to sustain life on our planet and its preservation is a duty of all in support and the benefit of society, the current and future generations.
Keywords: Environment; Environmental Law; Environmental Liability;
Environmental Damage.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 11
CAPÍTULO I ... 13
TUTELA CONSTITUCIONAL DO MEIO AMBIENTE ... 13
1.1 Conceito de Meio Ambiente ... 13
1.2 Objeto ... 15
1.3 Meio ambiente equilibrado como direito fundamental ... 16
1.4 O Estado e o meio ambiente ... 19
CAPÍTULO II ... 22
OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO AMBIENTAL E SEU CONTEÚDO ... 22
2.1 Princípios do direito ambiental ... 24
2.2 Princípio do Direito Humano Fundamental ... 24
2.3 Princípio Democrático ... 25
2.4 Princípio da Precaução ... 25
2.5 Princípio da Prevenção ... 26
2.6 Princípio da Responsabilidade ... 26
2.7 Princípios do Usuário Pagador e do Poluidor Pagador ... 27
2.8 Princípio do Equilíbrio ... 28
2.9 Princípio do Limite ... 28
2.10 Princípio da Ubiquidade ... 28
2.11 O princípio da eqüidade intergeracional e os direitos das futuras gerações ... 29
2.12 Políticas públicas ambientais e os instrumentos de proteção ... 30
CAPÍTULO III ... 32
DA RESPONSABILIDADE CIVIL ... 32
3.1 Evolução histórica da responsabilidade civil geral ... 32
3.2 Evolução no Brasil ... 33
3.3 Responsabilidade civil e responsabilidade civil ambiental – evolução e
conceituação ... 36
3.4 Responsabilidade civil por dano ambiental ... 39
3.5 Risco Integral ... 41
3.6 Responsabilidade civil ambiental objetiva ... 43
3.7 Nexo causal ... 43
CAPÍTULO IV ... 46
ANÁLISE DE DECISÃO JUDICIAL NO ESTADO DE MATO GROSSO ... 46
4.1 Do julgado no TJMT ... 46
4.2 O Princípio do Poluidor-Pagador como fundamento da responsabilidade civil ambiental ... 47
4.3 A Imprescritibilidade e o dano ambiental ... 48
4.4 Teoria da natureza do risco que baseia a responsabilidade civil objetiva ambiental ... 50
4.5 As particularidades do dano ambiental ... 51
4.5.1 A vasta dispersabilidade de vítimas ... 51
4.5.2 Difícil reparação ... 52
4.5.3 Difícil valoração ... 53
4.6 As formas de reparação do dano ambiental ... 53
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 56
REFERÊNCIAS ... 57
INTRODUÇÃO
A natureza é extremamente frágil em relação à interaç ão humana, pois o homem sempre buscou e sempre buscará nela meios para satisfazer suas vontades essenciais. O desenvolvimento da sociedade está claramente insurgido numa crise, uma vez que se desenvolve a fim de garantir melhor qualidade de vida daqueles que a pertencem, porém esta mesma sociedade agindo de forma irracional não se preocupa com os estoques de reservas naturais, com os locais de decomposição de resíduos, e quase sempre polui o próprio meio ambiente onde se encontra.
O crescimento econômico desenfreado tem causado grande impacto no meio ambiente, as mudanças climáticas e a escassez de recursos naturais são perceptíveis a todos. Acreditou-se que os recursos naturais fossem inesgotáveis, que o meio ambiente era uma fonte limitada de matérias -primas, onde a economia poderia continuar crescendo que os recursos continuariam a existir na mesma quantidade. Diante de tal realidade percebeu -se que o desenvolvimento indiscriminado pode afetar o equilíbrio ecológico, a qualidade de vida e ameaçar a própria vida e existência de inúmeras espécies.
Dentro deste cenário de grande complexidade, que envolve o meio ambiente, é necessário que este seja devidamente protegido, de forma a assegurar o futuro das novas gerações.
A preocupação do direito ambiental é com o homem e com o próprio ambiente antropocentrismo, com a figura do ser humano. Assim, os Princípios do Direito Ambiental visam proporcionar para as presentes e futuras gerações, as garantias de preservação da qualidade de vida, em qualquer forma que es ta se apresente, conciliando elementos econômicos e sociais, isto é, crescendo de acordo com a idéia de desenvolvimento sustentável.
O ambiente enquanto objeto de consideração jurídica expõe uma realidade que enfatiza a necessidade de proteção de bens ou interesses essencialmente difusos, indivisíveis, de natureza meta-individuais, que não pertencem a qualquer membro da coletividade em particular, sendo indisponíveis nesta perspectiva, evocando, portanto, a necessidade de os
sistemas normativos e seus instrumentos de proteção privilegiarem uma racionalidade diferenciada, cada vez menos dependente de regras e vinculada a princípios; cada vez menos vinculada a idéia de reparação dos efeitos de comportamentos proibidos, para enfatizar a prevalência das noções d e responsabilidade, de compromisso e de prevenção1.
Descreve-se neste trabalho, de forma sucinta, a proteção do ambiente na ordem jurídica brasileira, aspectos introdutórios e teoria geral e fundamentos do direito ambiental, apresentação da natureza jurídica da responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente, bem como sua evolução histórica, princípios e pressupostos de responsabilidade.
Neste sentido, será analisado um julgado anterior advindo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com relação a aplicação da responsabilidade civil ambiental.
O presente estudo analisa, portanto, a forma em que o instituto da responsabilidade civil ambiental nos reporta a discussão sobre o a teoria do risco, decorrente da responsabilidade objetiva, o dan o e suas formas de reparação.
A monografia foi organizada em capítulos. No primeiro capítulo aborda-se a tutela constitucional do meio ambiente. No segundo capítulo apresentam-se os princípios fundamentais do direito do ambien te e seu conteúdo. No terceiro capítulo discute-se a responsabilidade civil. E no quarto capítulo analisa-se um processo do nosso Estado, a respeito da matéria abordada, com explanações e doutrinas fundamentamento a decisão proferida no aludido processo. Ao final, tecem-se comentários conclusivos ao tema em estudo.
1 AYALA, Patryck de Araújo. Teoria Jurídica do Direito Ambiental. Ciclo Básico Módulo IV. Cuiabá:
UFMT, 2012. p. 29.
CAPÍTULO I
TUTELA CONSTITUCIONAL DO MEIO AMBIENTE
1.1 Conceito de Meio Ambiente
O meio ambiente é conceituado de maneira cultural, sendo um bem jurídico autônomo e unitário, capaz de reuni r vários elementos harmonizados, provenientes da natureza, mas não deve ser confundindo com a diversidade de bens jurídicos que o integralizam. É um bem coletivo, sendo utilizado por todos aqueles que compõem a sociedade, incumbindo -lhes a obrigação de defendê-lo, por meio de associações ou órgãos oficiais, como o Ministério Público.
Segundo a Resolução CONAMA 306/ 2002, anexo I, inciso XII, “Meio Ambiente é o conjunto de condições, leis, influencia e interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, qu e permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”2.
A conceituação de meio ambiente é abarcante, incumbindo -se observar que o legislador optou por apresentar um conceito jurídico indefinido, com intuito de criar um ambiente positivo de incidência da norma modo que o interprete preencha o seu conteúdo.
Nesta linha, Paulo Affonso Leme Machado, nos diz:
“Acentuam autores que a expressão ‘meio ambiente’, embora seja
‘bem sonante’, não é, contudo, a mais correta, isto porque envolve em si mesma um pleonasmo. O que acontece é que ‘ambiente’ e
‘meio’ são sinônimos, porque ‘meio’ é precisamente aquilo que envolve, ou seja, o ‘ambiente. ”3
2 LEGISLAÇÃO DE DIREITO AMBIENTAL. Resolução CONAMA nº 303, Saraiva: São Paulo, p.
490.
3 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 17 ed. São Paulo:
Malheiros, 2009. p. 51.
Reforçando esta linha de pensamento, Celso Antonio Pacheco Fiorillo:
“(...) verificando a própria terminologia e mpregada, extraímos que meio ambiente relaciona -se a tudo aquilo que nos circunda.
Costuma-se criticar tal termo, porque pleonástico, redundante, em razão de ambiente já trazer em seu conteúdo a idéia de ‘âmbito que circunda’, sendo desnecessária a complementação pela palavra meio. ”4
Mas Edis Milaré, diverge dos autores já citados e nos diz que:
“Não chega, pois, a ser redundante a expressão meio ambiente, embora no sentido vulgar a palavra ambiente indique o lugar, o sítio, o recinto, o espaço que en volve os seres vivos e as coisas. De qualquer forma, trata-se de expressão consagrada na língua portuguesa, pacificamente usada pela doutrina, pela lei e pela jurisprudência de nosso País, que amiúde falam em meio ambiente, em vez de ambiente apenas. ”5
O conceito jurídico de meio ambiente foi definido pelo legislador infraconstitucional na Lei Federal n. 6.938 de 1981 que, em seu artigo 3º, dispõe:
“Art. 3º. Para os fins previstos nesta lei, entende -se por:
I – meio ambiente, o conjunto de condições, l eis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite,
abriga e rege a vida em todas as suas formas;
(...).”6
Nossa Constituição em seu artigo 225, tutela o meio ambiente o natural, o artificial, o cultural e o do trabalho. Portanto, nossa Constituição assegurou desde a saúde, o bem-estar e a segurança da população, até a qualidade do meio ambiente.
José Afonso da Silva nos ensina que:
“O meio ambiente é (...) a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas. A integração busca
4 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de direito ambiental brasileiro . 9ed. São Paulo:
Saraiva, 2008. p. 19.
5 MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente – A Gestão Ambiental em Foco. 5ed. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2007. p. 110.
6 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 5ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001. p.
45.
assumir uma concepção unitária do ambiente, compreensiva dos recursos naturais e culturais.”7
Devemos levar em consideração também, que o meio ambiente , em sua interpretação jurídica, deve ser interpretada em duas visões: uma estrita – em que natureza e as relações dos seres vivos se encontra em fundamental destaque –, e de maneira mais abrangente – que inclui de maneira geral o meio ambiente natural e também o meio ambiente artificial e os bens culturais correlatos.8 Explica Celso Antonio Pacheco Fiorillo:
“De acordo com essa visão (antropocêntrica), vemos que o direito ao meio ambiente é voltado para a satisfação das necessidades humanas. Todavia, aludido fato, de forma alguma, impede que ele proteja a vida em todas as suas formas, conforme determina o art. 3º da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6.938/81), cujo conceito de meio ambiente foi, a nosso ver, inteiramente recepcionado. ”9
Essa proteção se faz necessária para proibir que o homem degrade o meio ambiente, pois ele é o favorecido primordial do meio ambiente, teria por obrigatoriedade regulamentar a exploração, se não, seria devastado por completo de maneira desenfreada, como acontec e nos dias de hoje, mesmo com leis que coíbem este tipo de atitude.
1.2 Objeto
Por dezenas de anos, os recursos ambientais vêm sendo denegrido s pela espécie humana. Isto se dá sob diversas formas, tais como o violento e ágil desmatamento de florestas, a poluição das águas e do solo, por dejetos químicos e nucleares, a pesca e a caça predatórias, a contaminação do ar e por inúmeros outros modos de agressão ao meio ambiente. Tudo isto com o fim de desenvolvimento e enriquecimento a qualquer custo dos países.10
7 SILVA, José Afonso da. Direito ambiental constitucional. 7ed. São Paulo: Malheiros, 2009.
p. 20.
8 MILARÉ, Édis. Op. cit., p. 110.
9 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Op. cit., p. 19-20.
10 MILARÉ, Edis; MACHADO, Paulo Affonso Leme (org.). Doutrinas essenciais. Direito Ambiental.
Conservação e degradação do meio ambiente. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. v. 2. p. 76.
Diante desses fatos, a paisagem natural da Terra está cada vez mais ameaçada e em todo o planeta os lençóis freáticos estão se contaminando, o clima sofre alterações, a água potável fica mais rara e as geleiras (que já foram ditas “permanentes”) derretem num ritmo cada vez mais rápido e em decorrência o nível do mar sobe assustadoramente.11
É pelos fatos citados que surgiu a inquestionável necessidade de tutela do meio ambiente. E o Direito Ambiental veio tentar cumprir essa tarefa de proteção, com a finalidade de conservar a vida, a diversidade e a capacidade de suporte do planeta Terra para permitir o usufruto da s presentes e futuras gerações.
Sendo assim, seria simplista por demais dizer que o Direito Ambiental tem por objeto o Meio Ambiente unicamente. Nota-se a grandiosidade do objeto do Direito do Ambiente e é possível afirmar que este ramo do Direito quer mais do que proteger o meio ambiente: quer resguardá-lo saudável e equilibrado, como exige a Constituição Federal brasileira , no “caput” de seu artigo 225.
O professor José Afonso da Silva corrobora desta id eia:
“O objeto de tutela jurídica não é tanto o meio ambiente considerado nos seus elementos constitutivos. O que o direito visa proteger é a qualidade do meio ambiente em função da qual idade de vida. Pode-se dizer que há dois objetos de tutela, no caso: um imediato que é a qualidade do meio ambiente, e outro mediato, que é a saúde, o bem-estar e a segurança da população, que se vêm sintetizando na expressão qualidade de vida.”12
Por fim, pode-se dizer que o Direito do Meio Ambiente tem por escopo preservar a vida e a diversidade de recursos naturais, para o bem das presentes e futuras gerações.
1.3 Meio ambiente equilibrado como direito fundamental
A Constituição Federal de 1988, mais precisamente em seu Título II, elencou os ditos direitos e garantias fundamentais, garantindo-se aos
11 LYNAS, Mark. Seis graus. O aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. p. 12.
12 SILVA, José Afonso da. Op. cit., p. 20.
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Necessário se faz uma alusão sobre o tema, conforme feito nas palavras Fensterseifer:
“Na caracterização da sua jusfundamentalidade, a doutrina e a jurisprudência brasileiras são pacíficas no sentido de reconhecer o direito ao meio ambiente como integrante do r ol dos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana, constante da Lei Fundamental de 1988, não obstante estar situado fora do Título II do seu texto. É,portanto, a partir de uma leitura ‘material’ do conteúdo e das relações que mantém com os demais v alores constitucionais fundamentais que o direito ao ambiente alcança o status de direito fundamental. A configuração da sua
fundamentalidade resulta da sua identificação com os valores que compõem o conteúdo essencial do princípio da dignidade humana e do Estado de Direito brasileiro”13
Portanto, “(...) os direitos fundamentais são normas que necessitam de intenso preenchimento, pois revelam valores sobre os quais inúmeras práticas sociais se assentam e, portanto, a esta espécie de norma se sujeitam. ”14
Neste viés, preocupa-se em primeiro lugar com o direito fundamental à vida e à preservação dos fundamentos que o amparam, incluindo então um ambiente ecologicamente equilibrado e saudável. Desta maneira, a materialização da dignidade da pessoa huamana s e faz através da existência de um mínimo existencial ecológico.
Sarlet15 explana que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, reconhecido no caput do art. 225 da Carta Constitucional, apesar de estar estabelecida fora do título dos direitos fundamentais, tem que ser conhecida como esta, pois tem como propósito resguardar uma vida digna do ser humano, tanto na esfera da sua individualidade quanto socialmente.
“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. ”
13 FENSTERSEIFER, Tiago. Direitos fundamentais e proteção do ambiente: A dimensão ecológica da dignidade humana no marco jurídico-constitucional do Estado Socioambiental de Direito. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2008, p. 166 e 167.
14 DERANI, Cristiane. Direito Ambiental Econômico. 3ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 205.
15 SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 3. ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 74 e 128-129.
O disposto neste artigo, deixa claro que o nosso Estado pode ser qualificado como: socioambiental e democrático de direito.
Existem muitas decisões de nosso Supremo Tribunal que confirmam a afirmativa constitucional do direito fundamental ao meio ambiente.
Em um Recurso Extraordinário, o relator Ministro Celso de Mello tomou a primeira decisão nesta matéria. Este acórdão preceitua:
“Incumbe ao Poder Público o dever constitucional de proteger a flora e de adotar as necessárias medidas que visem coibir práticas lesivas ao equilíbrio ambiental. (...) Os preceitos inscritos no art.225 da Carta Política traduzem a consagração constitucional, em nosso sistema de direito positivo, de uma das mais expressivas prerrogativas asseguradas às formaçõ es sociais contemporâneas.
Essa prerrogativa consiste no reconhecimento de que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata -se de um típico direito de terceira geração que assiste, de modo subjetivamente indeterminado, a todos os que compõem o grupo social. ”16
Assevera-se que, tendo em vista a natureza desta norma ser de Direitos Humanos, não há porque destituí -la do status de direito fundamental.
Posicionamento este adotado por Carlos Weis, como se verifica abaixo:
“(...) a evolução dos direitos humanos privilegiou sua individualidade, interdependência e complementariedad e e induziu à criação de novos direitos híbridos, decorrentes da superação da distinção absoluta entre direitos civis e políticos e direitos econômicos, sociais e culturais. Além disso, novos direitos humanos vêm sendo reconhecidos, em atenção à preocupaçã o com a qualidade de vida no Planeta, o desenvolvimento sustentado e integrado da espécie humana e a preservação da n atureza.”17
Consolidando o entendimento, José Afonso da Silva expõe que:
“A proteção ambiental, abrangendo a preservação da Natureza em todos os seus elementos essenciais à vida humana e à manutenção do equilíbrio ecológico, visa a tutelar a qualidade do meio ambiente em função da qualidade de vida, como uma forma de direito fundamental da pessoa humana. ”18
16 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário n. 134297-8/SP. Relator: Ministro Celso de Mello. Publicado no DJ: 22.09.1995. Disponível em: HTTP://www.stf.jus.br. Acesso em: 20 jan 2016.
17 WEIS, Carlos. Direitos Humanos Contemporâneos. São Paulo: Malheiros, 2006. p. 123.
18 SILVA, José Afonso da. Direito Ambiental Constitucional. 7ed. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 58.
Nesse contexto, impossível se falar estritamente de meio ambiente, sem que se fale, também, em Direitos Humanos, eis que intimamente ligados.19 A qualidade do meio ambiente se relaciona de maneira direta com a dignidade da pessoa humana, pois hoje em dia é inviável, diante o valor e o direito (formalmente e materialmente) constitucionalizado da imprescindibilidade de preservar os bens ambientais, pois não há vida digna sem um meio ambiente saudável.
Há de ser acrescentado, ainda neste breve intróito, que o meio ambiente equilibrado é de tamanha importância que encontra amparo em princípio próprio, comumente chamado de “princípio do direito ao meio ambiente equilibrado”, o qual será adiante estudado com mais rigor.
1.4 O Estado e o meio ambiente
O avanço da tecnologia e suas conseqüências, não são compatíveis com a qualidade de vida. Como há um grande avanço tecnológico e econômico, estes não tem sido dentro de um contexto que assegure um viver com q ualidade, como entende Leite e Ayala.
Nesta linha, conceituam que “a tomada de consciência da crise ambiental é deflagrada a partir da constatação de que as condições tecnológicas, industriais e formas de organização e gestões econômicas da sociedade estão em conflito com a qualidade de vida”.20 Um posicionamento diante deste conflito tende a remodelar a forma de desenvolvimento econômico com vista a integrar o bem ambiental.
E em face vista disto, as propostas alternativas vêm se formando como a da economia do ambiente que segundo Derani, “tal modelo procura normatizar uma economia para uso de um bem e determinar artificialmente um
19 CARRERA, Francisco José de Jesus. Cidade Sustentável – Utopia ou Realidade? Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.p. 40.
20 LEITE, José Rubens Morato; AYLA, Patricky de Araujo. Dano Ambiental: do individual ao coletivo extrapatrimonial. Teoria e prática. 4ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p.
43.
valor para a conservação de recursos naturais. ”21 Afirma a autora que estes são os meios encontrados para integrar os recursos naturais ao mercado.
Outra proposta que também ganhou divulgação é a do desenvolv imento durável, sustentável, ecodesenvolvimento, ou seja, satisfazer as necessidades do presente sem pôr em risco a capacidade das gerações futuras de terem suas próprias necessidades satisfeitas, citada por umas das comissões das Nações Unidas, a World Comission On Enverironment And Development (Comissão Mundial para o Ambiente e o Desenvolvimento).22
Ainda seguindo a linha dos autores Leite e Ayla, pergunta -se se é possível construir um Estado de direito do ambiente? E a primeira resposta seria que “é muito difícil em face os novos fenômenos de dimensão global e intensificação da pressão exercida por entidades não governamentais de alcance trasnacional. ”23
O Estado de Direito Ambiental pode ser compreendido como produto de novas reivindicações fundamentais do ser humano e particularizado pela ênfase que confere a proteção do meio ambiental. Percebe-se, portanto que a crise ambiental vivenciada pela modernidade traz consigo uma nova dimensão de direitos fundamentais, a qual impõe ao Estado de Direito o desafi o de inserir entre as suas tarefas prioritárias a proteção do meio ambiente.
Ao discorrer sobre o tema, Canotilho aponta alguns pressupostos essenciais ao processo de edificação do Estado de Direito Ambiental. Dentre eles, destaca-se: “a adoção de uma concepção integrada do meio ambiente; a institucionalização dos deveres fundamentais ambientais; e o agir integrativo da administração. ”24
No que se refere ao primeiro dos pressupostos referidos, o autor menciona que a proteção do meio ambiente não deve ser li mitada em função dos seus elementos constituintes, mas entender sobre um amplo conjunto de sistemas e fatores que possam produzir efeitos diretos ou indiretos, mediatos ou
21 DERANI, Cristiane. Direito ambiental econômico. São Paulo. Max Limonad, 2007. p. 29.
22 MOSS, Gérard e Margi. Projeto Rios Voadores. A importância da Água. Publicado em 12 jan 2012.
Disponível em: http://www.riosvoadores.com.br/educacional/. Acesso: 14 jan 2016.
23 LEITE, José Rubens Morato; AYLA, Patricky de Araujo. Op. cit., p. 43-44.
24 CANOTILHO, Joaquim José Gomes. Estado constitucional Ecológico e democracia sustentada. In:
FERREIRA, Heline Sivini; LEITE, José Rubens Morato. Estado de Direito Ambiental: tendências, aspectos constitucionais e diagnósticos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. p. 111.
imediatos, sobre os seres vivos e a qualidade de vida.25 Isso significa que o próprio conceito de meio ambiente deve ser globalizante e incorporar a totalidade dos elementos naturais, artificiais e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as formas.
25 CANOTILHO, Joaquim José Gomes. Op. cit., p. 111.
CAPÍTULO II
OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO AMBIENTAL E SEU CONTEÚDO
Serão explanados neste capítulo os princípios gerais do Direito Ambiental, o qual se baseia nos princípios gerais do Direito, tendo em vista o consonante sistema que existe entre as normas jurídicas como um todo.
A palavra “princípio” deve ser interpretada consoante os ensinamentos de Canotilho, conforme aduz:
“(...) ‘os princípios são normas jurídicas impositivas de uma optimização, compatíveis com vários graus de concretização, consoante os condionalismos fácticos e jurídicos. Permit em o balanceamento de valores e interesses (não obedecem, como as regras, à ‘lógica do tudo ou nada’), consoante o seu peso e ponderação de outros princípios eventualmente conflitantes. ”26
Na doutrina pátria, Reale elucida os princípios como:
“(...) ‘verdades flutuantes’ de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas também por motivos de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da praxis. ”27
O nosso ordenamento jurídico legitima, também, de forma expressa a aplicabilidade dos princípios gerais do Direito para solucionar os casos concretos.28
O acontecimento social a maioria das vezes antecede a norma jurídica, e ela tem como objetivo agregar, garantir, proteger ou impedir que violem o direito. Neste dessarte, o Poder Judiciário, em frente a um fato que não está regulamentado, pode então valer-se dos princípios gerais do Direito para solucionar o conflito que foi a ele exposto.
26 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 57.
27 REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 24ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p.305
28 BRASIL. Decreto-Lei nº 4.657 de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução ao Código Civil. Artigo 4º
“Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.”
Portanto, os princípios gerais do Direito são totalmente aplicados nas matérias que concernem ao Direito Ambiental, pois são indivisíveis.
Ultrapassando a pontuação do emprego dos princípios gerais do Direito, passamos a analisar os princípios gerais do Direi to Ambiental, estes localizados basicamente na Carta Magna, e em duas categorias: na ordem social e na ordem econômica. Na ordem social, encontra amparo nos artigos 22529, enquanto na ordem econômica, vêm expostos no artigo 17030, ambos da nossa Constituição, onde está presvisto de maneira expressa a proteção do meio ambiente como um de seus princípios basilares.
Em nossa doutrina, encontramos diversos estudos desenvolvidos buscando a averiguação dos princípios do direito ambiental, e podemos verificar que a maioria desses princípios são provenientes de concepções doutrinárias, como constata Farias:
“Devido ao fato de parte dos princípios do Direito Ambiental serem construções eminentemente doutrinárias inferidas dos textos legais e das declarações internacionais de Direito, a quantidade e a denominação desses princípios variam de um autor para outro”.31
É necessário que qualquer abordagem do Direito Ambient al a partir dos princípios, seja desenvolvida por duas idéias iniciais: corrigir os exageros de leituras ecocêntricas de maneira extrema — que tem a pretensão de utilizar os princípios para construir uma ótica de proibição total de intervenções no ambiente, sob o augúrio do discurso de proteger –, e a de recomposição dos princípios republicano e democrático, que proíbem atividades e condutas pautadas em ideologias e sociais. Averiguando estes desequilíbrios denunciados, da sistemática de solução de colisões que deixam de avaliar a
29 “Art. 225 da CF/88. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”
30 “Art. 170 da CF/88. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação(...)”
31 FARIAS, Talden. “Princípio do acesso eqüitativo aos recursos naturais e justiça ambiental”. ANAIS do 12º Congresso Internacional de Direito Ambiental - Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Uso Sustentável de Energia / Coord. BENJAMIN, Antonio Herman; LECEY, Eládio, vol. 2. São Paulo:
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 729.
necessidade de proteção de outros valores e interesses sempre que o ambiente esteja situado na outra posição.32
2.1 Princípios do direito ambiental
A natureza do meio ambiente e as suas características revelam uma realidade na qual quaisquer danos ambientais gerados podem, de fato, ter reflexos imprevisíveis. Reconhecendo que alguns desses danos podem ser de caráter irreversível, torna-se inescapável ter como postura ética ambiental prevenir a ocorrência de degradações ao meio ambiente. O estudo dos princípios do Direito Ambiental é fundamental para qualquer pesquisa jurídica que envolva dano. Entre eles destacamos alguns.
2.2 Princípio do Direito Humano Fundamental
É o primeiro princípio previsto na Declaração de Estocolmo de 1972.
Ele visa assegurar a existência do homem em um meio ambiente com uma satisfatória qualidade de uma vida digna, como um legítimo direito fundamental do ser humano.
Também é fundamentado no artigo 225, caput da nossa Carta Magna e mencionado na Declaração do Rio de Janeiro no princípio nº. 5º, e na Declaração de Estocolmo no princípio 1º, e o princípi o do ambiente ecologicamente equilibrado começou a ser conceituado e considerado como direito fundamental da pessoa humana, uma vez que a sua proteção tem como objetivo assegurar uma sadia qualidade de vida.
Este princípio integra o bloco de direitos que garantem um mínimo existencial, sem o qual não há vida digna. Reconhecendo que o direito à vida depende de um meio ambiente sadio, e a qualidade de vida do homem depende da proteção de todos os recursos naturais.
32 Ibidem, p. 09-10.
2.3 Princípio Democrático
Assegura ao cidadão o direito à informação e a participação na elaboração das políticas públicas ambientais, de modo que a ele deve m ser assegurados os mecanismos judiciais, legislativos e administrativos que efetivam o princípio.33 Esse Princípio é encontrado não só no capítulo destinado ao meio ambiente, como também no capítulo que trata os direitos e deveres individuais e coletivos.
2.4 Princípio da Precaução
José Rubens Morato Leite e Patryck de Araújo Ayala 34, ao unificarem a semântica das categorias de risco e de perigo, ponderaram que o princípio da prevenção se associa com o perigo concreto, enquanto que para o princípio da precaução, a cautela é dirigida ao perigo abstrato.
Conforme elucida Derani:
“o princípio da precaução se resume na buscado afastamento, no tempo e no espaço, do perigo, na busca também da proteção contra o próprio risco e na análise do potencial danoso oriundo do conjunto de atividades. Sua atuação se faz sentir, mais apropriadamente, na formação de políticas públicas ambientais, onde a exigência de utilização da melhor tecnologia disponíve l é necessariamente um corolário. ”35
Então, o princípio da precaução é determinado ao Poder Público para aderir uma série de ações essenciais para impedir o dano ambiental, atuando de maneira preventiva à cerca do perigo ambiental iminente, eliminando ou iminuindo o risco de sua proteção para as presentes e futuras gerações.
33 ANTUNES, Paulo Bessa. Op. cit., p. 24.
34 LEITE, José Rubens Morato, AYALA, Patryck de Araújo. Direito Ambiental na sociedade de risco.
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002, p. 62.
35 DERANI, Cristiane. Direito Ambiental Econômico. 3ed. São Paulo: Saraiva, 2008.p. 170.
2.5 Princípio da Prevenção
É muito semelhante ao Princípio da Precaução, mas com este não se confunde.36 É reconhecido como um dos mais importantes princípios do Direito Ambiental, pois ele tem sua origem que o dano ambiental, na maior parte das vezes, ser irrecuperável ou de difícil recuperação ao status quo ante o meio ambiente.
Por este motivo, o princípio da prevenção tem como objetivo de coibir o acontecimento dos danos ao meio ambiente, por intermédio de suas medidas preventivas apropriadas, antes da elaboração de um plano ou da prática de uma obra ou de uma atividade. Deste procedem três recursos: o Estudo de Impacto Ambiental, a autorização prévia para o exercício de atividades poluentes e o combate na fonte (supressão ou redução da poluição em seu início).
Dessa maneira, o princípio da prevenção inclui utilizar -se dos meios que estão à disposição para preservação do meio amb iente, tanto na esfera administrativa, com a aplicação de instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, ou em esfera judicial, via a ação popular e a ação civil pública.
2.6 Princípio da Responsabilidade
Pelo Princípio da Responsabilidade o poluidor, pessoa física ou jurídica, responde por suas ações ou omissões em prejuízo do meio ambiente, ficando sujeito a sanções cíveis, penais ou administrativas. Logo, a responsabilidade por danos ambientais é objetiva, conforme prevê o § 3º do Art.
225 CF/88.37
36 ANTUNES, Paulo Bessa. Op. cit., p. 25.
37 MILARÉ, Edis; MACHADO, Paulo Affonso Leme (org.). Doutrinas essenciais. Direito Ambiental.
Conservação e degradação do meio ambiente. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. v. 2. p. 78.
2.7 Princípios do Usuário Pagador e do Poluidor Pagador
Consubstanciados no Art. 4º, VIII da Lei n. 6.938/81, levam em conta que os recursos ambientais são escassos, portanto, sua produção e consumo geram reflexos ora resultando na sua degradação, ora resultando na sua escassez.38
O Princípio do Usuário Pagador estabelece que quem se utiliza do recurso ambiental deve suportar seus custos, sem que essa cobrança resulte na imposição taxas abusivas. Então, não há que se falar em Poder Público ou terceiros suportando esses custos, mas somente aqueles que dele se beneficiaram.
O Princípio do Poluidor Pagador deve-se afastadar a errônea idéia que tende a considerar o princípio do poluidor-pagador em acentuar seu aspecto repressivo e de caráter reparatório e ressarcitório ou, mesmo, como uma espécie de autorização legal para o aumento de atividades poluentes, que pode ser resumida em grosso modo ao que reputa uma espécie de licença para poluir.
Santos, Figueiredo Dias e Aragão afirmam que:
“[...] fundamentalmente errada pensar que o princípio do poluidor - pagador tem uma natureza curativa e não preventiva, uma vocação para intervir a posteriori e não a priori”.39
Este princípio inclui todos os custos relacionados, principalmente, à efetivação de medidas que tem por objetivo evitar o dano, medidas de prevenção ou atenuação da possibilidade de danos, que devem ser sustentadas primeiramente pelo poluidor, em primeiro momento, anterior à possibilidade de acontecer qualquer tipo de prejuízo ao ambiente, por mei o de procedimento econômico de grande utilização na economia do ambiente, baseada na externalidade nas despesas de produção da atividade hipoteticamente poluidora .
Portanto o princípio do poluidor-pagador, não tem como objetivo permitir a poluição por intermédio de uma remuneração, também não visa a o
38 MATOS, Eduardo Lima de. Op. cit., p. 56.
39SANTOS, Cláudia Maria; FIGUEIREDO DIAS, José Eduardo de Oliveira; ARAGÃO, Maria Alexandra de Sousa. Introdução ao direito do ambiente. Universidade aberta: Lisboa, 1998. p.51
ressarcimento monetário dos danos causados, mas sim, pretende impedir ou reparar o dano ambiental.
2.8 Princípio do Equilíbrio
Este Princípio é voltado para a Administração Pública, a qual deve pensar em todas as implicações que podem ser desencadeadas por determinada intervenção no meio ambiente, devendo adotar a solução que busque alcançar o desenvolvimento sustentável.40
2.9 Princípio do Limite
Também voltado para a Administração Pública, cujo dever é fixar parâmetros mínimos a serem observados em casos como emissões de partículas, ruídos, sons, destinação final de resíduos sólidos, hospitalares e líquidos, dentre outros, visando sempre promover o desenvolvimento sustentável.41
2.10 Princípio da Ubiquidade
Esse princípio é consubstanciado na idéia de que o meio ambiente é ubíquo, ou seja, está presente em toda parte, em todo o globo, e que, portanto, toda e qualquer lesão ocorrida em sua estrutura, independente do local onde ocorra, tem reflexos, diretos ou indiretos, em toda a natureza. Dessa forma o que se quer ressaltar é que “(...) os bens ambientais naturais colocam-se numa posição soberana a qualquer limitação espacial ou geográfica”.42 Em
consequência:
40 FIORILLO, Celso A.P. Curso de direito ambiental brasileiro. 3ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 111.
41 Idem, p. 111.
42 BRITO, Fernando de Azevedo Alves. Ação Popular Ambiental: uma abordagem crítica. 2ed. São Paulo: Nelpa, 2010. p. 43.
“(...) dado o caráter onipresente dos ben s ambientais, o princípio da ubiqüidade exige que em matéria de meio ambiente exista uma estreita relação de cooperação entre os povos, fazendo com que se estabeleça uma política mundial ou global para sua proteção e preservação.”43
O plano constitucional do Direito Ambiental Brasileiro estabeleceu seus parâmetros, ou seja, os critérios fundamentais destinados à sua correta interpretação e evidentemente a adequada interpretação de uma política nacional do meio ambiente.44
2.11 O princípio da eqüidade intergeracional e os direitos das futuras gerações
A constituição da eqüidade intergeracional revela a formulação de uma ética de alteridade intergeracional, reconhecendo que o homem também possui obrigações, deveres e responsabilidades compartilhadas, em f ace do futuro.
Evidencia-se a necessidade de integração do discurso ético do respeito à alteridade, mas, sobretudo, da alteridade intergeracional, como elementos de revisão do moderno discurso ecológico, que é atualmente, um discurso de inclusão do outro propulsor de uma democracia ambiental, qualificada pelo novo Estado Democrático do Ambiente.45
Weiss reconhece que a implementação dos intergenerational planetary rights só pode ser adequadamente realizada através de uma representação adequada, que diante do conteúdo diferenciado dos direitos em exame,
43 Idem, p. 43.
44 FIORILLO, Celso A.P. Op. cit., p. 111.
45 Tentando incentivar o debate em prol da renovação da função que deve ser desenvolvida pelos textos constitucionais, o professor Canotilho apresenta a proposta de um constitucionalismo moralmente reflexivo, que A substituição do autoritarismo de um Direito dirigente por outras fórmulas que pudessem produzir maior eficiência na tarefa de completar o projeto da modernidade onde ele ainda não se realizou, devendo ser consideradas “(...) superadas as formas totalizantes e planificadoras globais abrindo o caminho para acções e experiências locais (princípio da relevância) e dando guarida á diversidade cultural (princípio da tolerância)”. Dessa forma, propõe a substituição da dirigência da lei, pela contratualização das relações sociais, a partir do que chama de quatro contratos globais: o contrato para as necessidades globais (compromisso para a remoção das desigualdades), o contrato cultural (proteção da tolerância e promoção do diálogo de culturas), o contrato democrático (compromisso em prol da proteção da democracia como modelo global de governo), e o contrato do planeta terra, que implica a garantia de um modelo de desenvolvimento sustentável, que produzirá, em última análise, a perda do caráter estatizante das Constituições dirigentes, substituindo a mensagem dirigente pela constitucionalização da responsabilidade, ou seja, a garantia de condições mínimas de coexistência da dialogicidade dos valores, ações, e conhecimentos; CANOTILHO, J.G. Op. cit.,. p. 17.
considera que os titulares potenciais devem ser compreendidos como um grupo, não como futuros indivíduos que possuem necessidades ainda indeterminadas.46
Direitos planetários e intergeracionais devem também estar vinculados a certas normas procedimentais, que são importantes para a realização de normas substanciais, destacando-se o acesso à informação e a garantia de participação pública.
2.12 Políticas públicas ambientais e os instrumentos de proteção
O modelo brasileiro de Política Ambiental, proposto pela Lei n.
6.938/81,47 procura demonstrar a importância dos instrumentos que ainda podem ser utilizados com eficiência para a realização integral da cooperação democrática, entre todos os responsáveis pela proteção do bem ambiental.
Atuando a cláusula de responsabilidades compartilhadas entre os poderes públicos e os atores sociais presente no caput do art. 225, dirigiu a realização das políticas públicas ambientais, organizando -a no sentido de atribuir ao Estado, um dever privilegiado de proteção do equilíbrio dos ecossistemas.
Localizado no quadro de instrumentos destinados a realizar a Política Nacional do Meio Ambiente, deve ser novamente enfatizado que interessam diretamente à temática da execução de políticas públicas ambientais, que conquanto devam contar também com a colaboração de todos os atores sociais48, o destinatário primário da imposição, é o Estado. Assim, cumpre ao
46 WEISS, Edith Brown. Intergenerational equity: a legal framework for global environmental change. In:
Environmental Change and International Law – New Challenges and Dimensions. Tokyo, United Nations University Press, 1992.
47 Como sabido, o referido artigo, arrola doze instrumentos, a saber: padrões de qualidade ambiental, zoneamento ambiental, avaliação de impactos ambientais, licenciamento, espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público, a tecnologia como melhoria das condições de qualidade ambiental, o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente, o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental, penalidades disciplinares ou compensatórias em face do não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção do dano ambiental, o Relatório de Qualidade Ambiental, o dever de informação sobre o estado do ambiente imposto aos poderes públicos, e o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras. BRASIL. Lei n.
6.938/81. Op. cit., p. 01.
48 Uma vez que a todos é imposto o dever de proteção do meio ambiente, a teor do caput do art. 225, CR/88. BRASIL. CF/88. Op. cit., p.01.
Estado, nos limites da proposição de políticas públicas, definir e instituir ár eas de relevante interesse à proteção e conservação de seus atributos ecológicos.
CAPÍTULO III
DA RESPONSABILIDADE CIVIL
3.1 Evolução histórica da responsabilidade civil geral
Nos primórdios, a responsabilidade era coletiva e também objetiva, alcançando a todos. Para ser responsável, bastava viver no Planeta Terra. Nessa época o nexo da causalidade material era regra, podendo ser responsável por uma ofensa qualquer ser humano, independente de sua idade, sanidade mental, podendo até responsabilizar um animal.49
A responsabilidade se resumia à causalidade, como explica Frederico de Ávila Miguel:
“O ofendido reagia ao dano de maneira imediata e brutal, movido por puro instinto. Nesta época predominava o sistema da vingança privada. Costuma-se dizer que foi a época da reparação do mal pelo mal. Em tal fase a culpa sequer era cogitada, bastava o dano, fato que possibilita classificar aquela responsabilidade de objetiva.”50
A Lei de Talião (olho por olho, dente por dente), foi vagar osamente sendo alterada, dando início à reparação, onde a maneira de reparar os danos sofridos era com uma indenização, ressarcimento material, sendo considerado o bem que havia sofrido dano, a idade, o sexo e a situação que na qual o ofendido se enquadrava.
Surgindo então, a responsabilidade como reparação de danos. Com progresso da população e o surgimento dos direitos individuais, se perfez a individualização da responsabilidade. Então a responsabilidade não era subordinada apenas ao nexo de causalidade material, nascendo o que chamamos de culpabilidade. Após isso, começou a ser obrigatória a figura da culpa para poder ser exigida a responsabilidade.
49 BOBBIO, Norberto. Era dos Direitos. 9ed. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro:
Campus, 1992. p. 10.
50 MIGUEL, Frederico de Ávila. Responsabilidade Civil: Evolução e Apanhado Histórico. Ano 2007. Disponível em: http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/ doutrinas/arquivos/280207.pdf . Acesso em 13 fev 2016.
Com o desenvolvimento técnico e industrial, iniciou -se circunstâncias perigosas e de graves riscos, decorrendo assim as atividades danosas. A prova da culpa se tornou dificultosa, então começaram a aceitar presumir a culpa, onde quem acusava teria de provar que era inocente.
Após a presunção de culpa, deu início a existência da teoria do risco, onde era imposta a obrigatoriedade de reparar os danos criados por uma atividade que gerava perigo. Então, quem desse causa a um dano, seria imediatamente compelido a reparar. De acordo com Orlando Guimaro Júnior:
“Já na Idade Média, notadamente na França, o pensa mento dos romanos foi sendo aperfeiçoado. Evoluiu -se da enumeração dos casos de composição obrigatória para um princípio geral, culminando, passo a passo, na consagração do princípio aquiliano, segundo o qual a culpa, ainda que levíssima, obriga a indeniza r.
Após a Revolução Francesa (1789), já na Idade Contemporânea, surge o Código de Napoleão, com a previsão da responsabilidade contratual, bem como é feita à distinção entre a responsabilidade penal e a civil.”51
Para Guimaro, o Código Civil Francês de 1 804, seria o antecessor no recebimento das ideias criadas pelos romanos, que após, seria representado como responsabilidade civil, alterando pontos que seriam muito importantes, especialmente a atual conceituação de responsabilidade civil que temos, acrescendo a alegação de que o dano moral, assim como o material, também devem ser gerar ressarcimentos por quem o causou.
3.2 Evolução no Brasil
Em nosso país, da mesma maneira que em outros territórios, a influência direta foi o Direito francês. Dessa man eira, o Código Civil de 1916 foi inspirado no direito francês, onde a teoria da culpa era consagrada como regra, conforme dizia em seu artigo 159: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”.
51 GUIMARO JUNIOR, Orlando. Responsabilidade civil. Noções Basilares e Evolução Histórica. Ano 2004. Disponível em: http://www.ufac.br. Acesso em 03 jan 2016.
Em nosso Código Civil de 2002 permaneceu o mesmo paradigma do Código de 1916, onde que, havendo culpa, não importando se a conduta é dolosa, imprudente, negligente ou imperita, para haver a caracterização da responsabilidade civil, e isso não dependendo da proporção, podendo ser uma pequena culpa e já o obriga a reparar. Assim nos traz a junção dos artigos 186 e 927 do Código Civil.
Assim, temos o art. 186: “Artigo 186 – Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”
Bem como o art. 927: “Artigo 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts.
186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará -lo.”
Complementamos com Athias:
“a expansão das atividades econômicas da chamada sociedade de risco – marcada pelo consumo de massa e pela defesenfreada utilização dos recursos naturais- haveria de exigir um tratamento da matéria como viés de um novo Direito, e não pelos limites da ótica privada tradicional.”52
Quando começou a haver preocupação com o meio ambiente, imaginava-se que os problemas poderiam ser resolvidos baseados na teoria da culpa. Mas logo surgiu a percepção de que estas regras aplicadas não estavam protegendo suficientemente as vítimas do dano ambiental, estando elas muitas vezes, sem amparo nenhum. Isso se dava tanto pela abundância de vítimas desatendidas, pois nosso processualismo clássico só abrangia o dano que fora sofrido de forma individual, pela dificuldade da prova da culpa do agente poluidor e também por existir no Código Civil e suas excludentes de responsabilização.53
Houve a imprescindibilidade do legislador, diante da necessidade de buscar instrumentos legais mais eficientes para extinguir as deficiências das regras clássicas diante da nova concepção jurídica do dano ambiental, para deixar nítido na lei, que a culpa não seria necessária para a existência da obrigação de reparação. Portanto nos deixa claro que refere -se a uma exceção.
52 ATHIAS, Jorge Alex Nunes. Responsabilidade Civil e meio ambiente – Breve panorama do direito brasileiro. Dano ambiental: prevenção, reparação e repressão.São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. p.240.
53 CANOTILHO, J.G. Op. cit., p. 192.
A exceção precisa ser prevista expressamente, diferente do que acontece com a regra, que é de forma presumida.
No Direito em nosso país, até a criação da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, não havia nenhum recurso legal que pudesse aprecia r tal indispensabilidade e tornar eficaz a proteção e a responsabilização pelos danos ambientais. Então, o ordenamento jurídico pátrio, a responsabilidade civil ambiental passou a ser implantada legalmente desde a promulgação da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, nº 6.938/81, que é o início da inserção do modelo de responsabilidade civil ambiental, descrevendo em seu artigo 14, parágrafo 1º, a possibilidade de responsabilização do poluidor independentemente de culpa, conforme transcrição:
“Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.”
A enorme relevância de aperfeiçoar a legislação ambiental, doravante na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente e das legislações deco rrentes no tocante à esfera da responsabilidade civil por danos ambientais, nos é firmada com o ensinamento de Birnfeld, que diz:
“Somente a partir da década de 1980, especialmente com o advento da Lei nº 6.938/81, que instituiu a Política Nacional do Me io Ambiente, e que em seu artigo 14, §1º, determinou a responsabilidade objetiva por danos ao meio ambiente, somada a criação de outros instrumentos, como a Lei nº 7.347/85, que introduziu a ação civil pública, disciplinando a proteção dos interesses difusos, entre os quais o meio ambiente, é que a possibilidade de responsabilização efetiva e objetiva do poluidor de fato ganhou corpo”.54
A consolidação da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente serviu ao Legislador Constituinte na elaboração do capítulo destinado ao meio ambiente na Constituição Federal de 1988. Portanto, com a vinda da nossa Carta Magna, esta norma passou a ter lugar no artigo 225, parágrafo 3º, não havendo,
54 BIRNFELD, Carlos André. Algumas perspectivas sobre a responsabilidade civil do poluidor por danos ambientais. In: LEITE, José Rubens Morato; BELLO FILHO, Ney de Barros (Org.). Direito ambiental contemporâneo. Barueri: Manole, 2004. p. 367.