Indaial – 2020
D iDática e M etoDologia
Do e nsino De a rtes
Prof.a Cristiane Kreisch de Andrade Prof.a Elisiane Souza Saiber Lopes
2a Edição
Elaboração:
Prof.a Cristiane Kreisch de Andrade Prof.a Elisiane Souza Saiber Lopes
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.
A553d
Andrade, Cristiane Kreisch de
Didática e metodologia do ensino de artes. / Cristiane Kreisch de Andrade; Elisiane Souza Saiber Lopes. – Indaial: UNIASSELVI, 2020.
246 p.; il.
ISBN 978-65-5663-069-4
1. Artes. - Brasil. 2. Arte - Estudo e ensino. – Brasil. I. Lopes, Elisiane Souza Saiber. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 707
a presentação
A disciplina de Didática e Metodologia do Ensino de Artes possui grande importância na formação dos futuros professores. Essa disciplina tem por objetivo refletir sobre muitos aspectos que envolvem o ato de ensinar e de aprender. A disciplina didática e metodologia do ensino de arte vai resgatar os fundamentos da prática docente e discente, abordando sobre vários aspectos desse profissional da educação.
A disciplina tem por objetivo fazer com que você, futuro professor, saiba que tipo de profissional deseja se tornar, podendo optar pela concepção de ensino e aprendizagem significativa. Essa disciplina é base para a formação da prática docente, abordando a história em consonância com as reflexões.
Iniciamos a Unidade 1 apresentando o conceito de Didática ao longo da história e as diversas concepções pedagógicas historicamente construídas.
Vamos conhecer as contribuições de pesquisadores para o desenvolvimento do Ensino da Arte no Brasil, que nos permite compreender influências históricas que se fazem presentes nas metodologias adotadas em sala de aula.
E nos dedicamos a regatar as concepções de avaliação ao longo da história e os seus impactos para a educação dos alunos.
A Unidade 2 aborda as questões relevantes acerca da importância do planejamento educacional no processo de ensino e de aprendizagem. Um bom planejamento é a chave para o desenvolvimento da educação. Outro fator no contexto educacional são os objetivos, que podemos considerar peças importante para todo o desenvolvimento do processo educativo. Para finalizar, abordaremos os métodos e os procedimentos de ensino que são fundamentais para a qualidade e desenvolvimento da prática pedagógica.
Saber selecionar os conteúdos, elaborar bons objetivos, escolher procedimentos adequados de ensino, planejar aulas dinâmicas, compreender os processos de formação e qualificação como professores trará contribuições substanciais para a prática. E é a isso que nos propusemos ao elaborar esse Livro de Estudos. Vamos nos sensibilizar juntos, conhecendo a trajetória desta área de conhecimento que vem ganhando espaço nos currículos escolares.
Na Unidade 3 mencionaremos três questões bem importantes para o contexto escolar, a BNCC, a Abordagem Triangular e a reflexão docente.
Na BNCC – Base Nacional Comum Curricular, vamos conhecer a legislação, os documentos oficiais do ensino de Arte, que legalizam a disciplina e apresentam sua importância na educação. A Abordagem Triangular – que foi sistematizada pela arte educadora Ana Mae Barbosa – para contribuir com
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão.
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE.
NOTA
professor deve refletir sobre suas ações docentes, para sempre melhorar o desenvolvimento de sua aula.
Professor, se você quer ser a diferença na educação, está na hora de refletir sobre ela. Vamos nos sensibilizar juntos, conhecendo a trajetória desta área de conhecimento e fazer com que o ensino de arte seja significativo.
Bom estudo e muita sensibilidade artística nas suas discussões!
Prof.a Cristiane Kreisch de Andrade Prof.a Elisiane Souza Saiber Lopes
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento.
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
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Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
UNIDADE 1 – DIDÁTICA: CONCEITO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO ...1
TÓPICO 1 – DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA ...3
1 INTRODUÇÃO ...3
2 CONCEITO DE DIDÁTICA ...3
3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA DIDÁTICA ...7
4 DIDÁTICA NO BRASIL ...13
RESUMO DO TÓPICO 1...18
AUTOATIVIDADE ...19
TÓPICO 2 – TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS...21
1 INTRODUÇÃO ...21
2 PROFESSORES DE ARTE: O QUE FUNDAMENTA SUAS AÇÕES ...21
3 PEDAGOGIA LIBERAL E PROGRESSISTA ...23
4 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS ...28
4.1 CONCEPÇÃO DE ENSINO TRADICIONAL ...28
4.2 CONCEPÇÃO DE ENSINO ESCOLANOVISTA ...31
4.3 CONCEPÇÃO DE ENSINO TECNICISTA ...35
5 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PROGRESSISTAS ...38
5.1 TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTADORA ...39
5.2 TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA ...41
5.3 TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS ...43
RESUMO DO TÓPICO 2...45
AUTOATIVIDADE ...46
TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ...47
1 INTRODUÇÃO ...47
2 HISTÓRIA DA AVALIAÇÃO ...47
3 CONCEPÇÕES DE AVALIAÇÃO ...52
3.1 AVALIAÇÃO CLASSIFICATÓRIA ...52
3.2 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA ...55
3.3 AVALIAÇÃO FORMATIVA ...57
4 INSTRUMENTOS E MÉTODOS DE AVALIAÇÃO NA APRENDIZAGEM ...60
4.1 AVALIAÇÃO POR PORTFÓLIO ...62
4.2 AUTOAVALIAÇÃO ...66
5 A BUSCA DE UMA AVALIAÇÃO INCLUSIVA ...71
LEITURA COMPLEMENTAR ...76
RESUMO DO TÓPICO 3...82
AUTOATIVIDADE ...83
s uMário
TÓPICO 1 – PLANEJAMENTO EDUCACIONAL: A CHAVE PARA O
DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO ...87
1 INTRODUÇÃO ...87
2 PLANEJAMENTO EDUCACIONAL ...88
2.1 PLANEJAMENTO ESCOLAR ...90
3 PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) ...94
4 PLANEJAMENTO CURRICULAR ...100
5 PLANEJAMENTO DE ENSINO ...105
RESUMO DO TÓPICO 1...107
AUTOATIVIDADE ...108
TÓPICO 2 – PLANEJAMENTO E OBJETIVOS: PEÇAS IMPORTANTES DA EDUCAÇÃO ...111
1 INTRODUÇÃO ...111
2 PLANEJAMENTO DIDÁTICO OU DE ENSINO ...111
2.1 PLANO DE ENSINO ...112
2.1.1 Justificativa do plano de ensino ...112
2.1.2 Objetivos específicos do plano de ensino ...113
2.1.3 Desenvolvimento metodológico do plano de ensino ...114
2.2 MODELOS DE PLANO DE ENSINO ...114
3 PLANO DE AULA...115
3.1 MODELOS DE PLANOS DE AULA ...115
4 PROJETO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ...116
5 OBJETIVOS EDUCACIONAIS ...118
5.1 DIMENSÃO DO CONHECIMENTO ...126
5.2 DIMENSÃO DO PROCESSO COGNITIVO ...126
6 OBJETIVOS EDUCACIONAIS ...128
7 OBJETIVOS GERAIS ...131
8 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...134
RESUMO DO TÓPICO 2...137
AUTOATIVIDADE ...138
TÓPICO 3 – PROCEDIMENTOS DE ENSINO: A PEÇA QUE ATIVA A EDUCAÇÃO...141
1 INTRODUÇÃO ...141
2 CONTEÚDOS DE ENSINO...141
2.1 OS ELEMENTOS DOS CONTEÚDOS DE ENSINO ...142
2.2 CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE CONTEÚDOS ...143
2.3 A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS ...144
3 CONCEITO DE MÉTODO DE ENSINO ...145
3.1 PROCEDIMENTOS DE ENSINO ...146
3.2 TÉCNICAS DE ENSINO ...147
4 CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE ENSINO ...148
5 ATIVIDADES ESPECIAIS ...158
LEITURA COMPLEMENTAR ...159
RESUMO DO TÓPICO 3...165
AUTOATIVIDADE ...166
UNIDADE 3 – O PILAR DA EDUCAÇÃO ...169
TÓPICO 1 – O ENSINO DE ARTE AMPARADO PELA LEGISLAÇÃO ...171
1 INTRODUÇÃO ...171
2 ENSINO DA ARTE NO BRASIL E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ...171
2.1 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE ARTE (PCN – ARTE) ...175
2.1.1 A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte no Ensino Fundamental ....176
2.1.2 A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte no Ensino Médio ...177
2.2 REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL (RCNEI) ....180
2.3 BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC) ...184
2.3.1 Os marcos legais que embasam a BNCC ...185
2.3.2 O Ensino de Arte na BNCC – Educação Infantil ...189
2.3.3 O Ensino de Arte na BNCC – Ensino Fundamental ...192
2.3.4 O Ensino de Arte na BNCC – Ensino Médio ...194
RESUMO DO TÓPICO 1...198
AUTOATIVIDADE ...199
TÓPICO 2 – ABORDAGEM TRIANGULAR NO ENSINO DE ARTE ...201
1 INTRODUÇÃO ...201
2 ABORDAGEM TRIANGULAR ...201
2.1 LER (LEITURA DE IMAGEM) ...208
2.2 CONTEXTUALIZAR (HISTÓRIA DA ARTE) ...209
2.3 FAZER (PRODUÇÃO ARTÍSTICA) ...210
RESUMO DO TÓPICO 2...211
AUTOATIVIDADE ...212
TÓPICO 3 – REFLETINDO SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA ...215
1 INTRODUÇÃO ...215
2 ABORDAGEM TRIANGULAR E A PRÁTICA PEDAGÓGICA ...215
2.1 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DE ARTE ...219
3 EDUCAÇÃO ESTÉTICA E A PRÁTICA PEDAGÓGICA ...222
4 PROFESSOR REFLEXIVO ...223
LEITURA COMPLEMENTAR ...229
RESUMO DO TÓPICO 3...233
AUTOATIVIDADE ...234
REFERÊNCIAS ...235
UNIDADE 1 DIDÁTICA: CONCEITO, HISTÓRIA E
EVOLUÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a didática como a disciplina que estrutura e estuda o processo de ensino aprendizagem;
• conhecer a evolução histórica da didática e da educação;
• conhecer a evolução da didática no Brasil.
• conhecer algumas contribuições dos pensadores Comenius, Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Dewey para a constituição da disciplina didática;
• identificar as duas grandes fases da didática no Brasil: libertária e progressista;
• conhecer as tendências pedagógicas e o papel de cada agente envolvido na educação;
• conhecer os fundamentos da didática freiriana;
• sintetizar em um quadro as concepções de ensino e aprendizagem;
• conceituar avaliação em diferentes contextos;
• compreender a função de cada concepção de avaliação para a educação;
• sintetizar em um quadro as concepções de avaliação;
• utilizar instrumentos de avaliação contemporâneos, como portfólio e autoavaliação.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA TÓPICO 2 – TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos CHAMADA
TÓPICO 1
UNIDADE 1
DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
1 INTRODUÇÃO
A didática é parte fundamental da educação. Ela é responsável por direcionar as concepções das atividades escolares, em especial, orientar os professores em suas práticas pedagógicas, de um modo geral é a base do trabalho pedagógico.
A didática se constitui de várias concepções de ensino e de avaliações utilizadas como fundamento do processo de ensino e aprendizagem. O sucesso da aprendizagem dos alunos depende da didática adotada pelo professor, pois algumas não auxiliam os alunos em seu desenvolvimento, mas esse é um assunto para um próximo tópico. Neste primeiro tópico, estudaremos o conceito de didática, sua origem, evolução e aspectos históricos relacionados aos seus precursores, além de seu desenvolvimento no Brasil.
2 CONCEITO DE DIDÁTICA
O termo “didática” é conhecido desde os antigos gregos e deriva da palavra Τεχνήδιδακτική (technédidaktiké), que pode ser traduzida como arte ou técnica de ensinar, fazer aprender e instruir.
Seria necessário lembrar de que não foram os gregos quem inventaram a educação. De acordo com Tardif (2010), esta é tão antiga quanto a espécie humana, e ganhou diversas formas ao longo da humanidade. “A educação não tem uma origem precisa: não foi inventada por ninguém, não começou em nenhum lugar para difundir-se depois, não é propriedade de nenhum povo, de nenhuma cultura particular. Ela é inerente a existência humana” (TARDIF, 2010, p. 43).
O século XVII foi marcado pelo aparecimento de uma nova ordem escolar.
Nesse século, alguns protestantes começam a pensar na organização e na prática escolar, assim como alguns católicos, que trouxeram muitas contribuições à educação.
Os católicos também se manifestaram. Jacques de Batencour (1669) redige A escola paroquial ou a maneira de bem ensinar pequenas escolas;
Charles Démia se torna conhecido por seus Regulamentos para as escolas da cidade e diocese de Lyon; Jean-Baptiste de La Salle (1951) publica a
Foi nesse período que surgiu a didática, com João Amós Comenius. Ele foi o grande precursor da didática e se dedicou aos seus estudos definindo métodos, etapas e a organização do trabalho docente no contexto escolar. É dele a definição, talvez um pouco exagerada, mas que revela bem o espírito de sua obra: a didática é a arte de ensinar tudo a todos. Segundo o autor, será uma das primeiras, senão a primeira tentativa de sistematização da pedagogia e da didática (COMENIUS, 2006).
Aprecie um pequeno trecho da obra Didactica Magna, de Comenius, o pai da Didática Moderna.
DIDÁTICA MAGNA
Tratado da arte universal de ensinar tudo a todos ou
Processo seguro e excelente de instituir, em todas as comunidades de qualquer Reino cristão, cidades e aldeias, escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo, sem excetuar ninguém em siveiarte alguma, possa ser formada nos estudos, educada nos bons costumes, impregnada de piedade, e, desta maneira, possa ser, nos anos da puberdade, instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e à futura, com economia de tempo e de fadiga, com agrado e com solidez.
Onde os fundamentos de todas as coisas que se aconselham são tirados da própria natureza das coisas; a sua verdade é demonstrada com exemplos paralelos das artes mecânicas; o curso dos estudos é distribuído por anos, meses, dias e horas; e, enfim, é indicado um caminho fácil e seguro de pôr estas coisas em prática com bom resultado.
A proa e a popa da nossa Didática será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais;
nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atrativo e mais sólido progresso; na Cristandade, haja menos trevas, menos confusão, menos dissídios, e mais luz, mais ordem, mais paz e mais tranquilidade.
Que Deus tenha piedade de nós e nos abençoe! Faça brilhar sobre nós a luz da sua face e tenha piedade de nós! Para que sobre esta terra possamos conhecer o teu caminho, ó Senhor, e a tua ajuda salutar a todas as gentes (Salmo 66, 1-2).
FONTE: COMENIUS, I. A. Didáctica magna. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
595 p. Disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/didaticamagna.pdf. Acesso em: 18 out. 2019.
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
Bispo protestante, educador, cientista e escritor checo, Comenius nasceu e estudou entre 1592 e 1670 na Alemanha e na Polônia. Considerado o pai da didática moderna, teve como principal obra a Didática Magna, escrita entre 1633 e 1638, na qual expõe seus princípios e suas propostas educacionais (COMENIUS, 2006).
Fonte:<https://pedagogiaaopedaletra.com/wp-content/uploads/2012/05/
JanAmosComenius.jpg>. Acesso em: 28 jan. 2019.
ATENCAO
Comenius, desenvolveu alguns métodos e princípios educacionais, que previam o seguinte:
MÉTODO DE COMENIUS
Tudo o que se deve saber, deve ser ensinado.
Qualquer coisa que se ensine deverá ser ensinada em sua aplicação prática, no seu uso definido.
Deve-se ensinar de maneira direta e clara.
Ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas.
Explicar primeiro os princípios gerais.
Ensinar as coisas em seu devido tempo.
Não abandonar nenhum assunto até sua perfeita compreensão.
Dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas.
QUADRO 1 – MÉTODO DE COMENIUS
FONTE: As autoras
Os princípios de Comenius nos fazem refletir sobre sua proposta de ensino, que, apesar de técnica, em sua prática nos mostram uma sensibilidade e preocupação com os objetivos e a própria estrutura de ensino. Podemos perceber uma sensibilidade e o respeito com o desenvolvimento dos alunos, quando aborda que devemos ensinar as coisas em seu devido tempo.
Voltando ao conceito de didática, alguns autores nos fazem refletir sobre esse conceito e nos apresentam suas contribuições. Haidt (2001, p.13) aborda como
“o estudo da situação instrucional, isto é, do processo de ensino e aprendizagem, e, nesse sentido, ela enfatiza a relação professor-aluno”. Dessa forma, a autora nos faz refletir sobre o processo de aquisição do conhecimento, em detrimento de práticas "técnicas" e "mecânicas". Para a autora, a didática auxilia o professor na direção e orientação das tarefas do ensino e da aprendizagem, fundamentando sua prática pedagógica. O professor Libâneo (2008, p. 5) afirma que:
A didática é uma disciplina que estuda o processo de ensino no seu conjunto, no qual os objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas da aula se relacionam entre si, de modo a criar as condições e os modos de garantir aos alunos uma aprendizagem significativa.
Resgatamos Haidt e Libâneo para abordarmos suas concepções de didática, preocupadas com o real ensino e aprendizagem dos alunos. Haidt (2001) enfatiza mais as relações entre professor e alunos e Libâneo (2008) se aprofundou nos estudos de todo o processo, abordando os objetivos, conteúdos, métodos e procedimentos metodológicos.
Singelamente, selecionamos os dois autores para conceituar didática e apresentar a perspectiva de cada um. Suas perspectivas são fundamentais para a organização de todo o processo de ensino e aprendizagem. Pensar a prática levando em consideração os sujeitos envolvidos, ou seja, professores e alunos, é algo fundamental se o real objetivo for o sucesso na educação.
Desta forma, enfatiza-se a importância de se repensar constantemente sobre a finalidade da educação, ou seja, aonde queremos chegar. Adotar uma concepção de ensino vai além de selecionar atividades didáticas, pois a concepção que o professor vai adotar ultrapassa os muros da escola. A concepção de ensino tem origens políticas, sociológicas e filosóficas e cada professor é único, possuindo convicções diferentes. Libâneo (2002, p. 5) aborda sobre a finalidade educativa em contextos escolares:
[...] pois a educação se realiza numa sociedade formada por grupos sociais que têm uma visão distinta de finalidades educativas. Os grupos que detêm o poder político e econômico querem uma educação que forme pessoas submissas, que aceitem como natural a desigualdade social e o atual sistema econômico. Os grupos que se identificam com as necessidades e aspirações do povo querem uma educação que contribua para formar crianças e jovens capazes de compreender criticamente as realidades sociais e de se colocarem como sujeitos ativos na tarefa de construção de uma sociedade mais humana e mais igualitária.
Podemos perceber que nessa perspectiva a didática deixa de ser uma disciplina meramente técnica e instrumental. Ser conhecedor da técnica é importante e necessário no mundo em que vivemos, porém, os aspectos humanos
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
devem ser enfatizados. A formação dos alunos deve ser integral, no sentido de dar suportes técnicos, conceituais, mas, além disso, torná-lo sensível aos aspectos sociais, políticos e humanos.
Para finalizar, podemos conceituar a didática como uma disciplina pedagógica que se preocupa com todo o processo de ensino e aprendizagem, levando em considerações todos os sujeitos envolvidos no processo, e tem por finalidade a real aprendizagem do sujeito integral.
3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA DIDÁTICA
Como já mencionamos no subtópico anterior, a didática foi fruto de estudo de um grupo de pessoas preocupados com a educação e se desenvolve principalmente por meio de Comenius. A evolução histórica da didática está relacionada à evolução histórica da própria educação.
Desde a Antiguidade até meados do século XIX, a didática não apresentou mudanças muito expressivas em seus processos pedagógicos. Durante todo esse período a aprendizagem era de tipo passivo e receptivo.
[...] ensinava-se a ler e a escrever da mesma forma que se ensinava um ofício manual ou a tocar um instrumento musical. Por meio da repetição de exercícios graduados, ou seja, cada vez mais difíceis, o discípulo passava a executar certos atos complexos, que aos poucos iam se tornando hábitos. O estudo de textos literários, da gramática, da História, da Geografia, dos teoremas e das ciências físicas e biológicas caracterizou- se, durante séculos, pela recitação de cor (HAIDT, 2001, p. 14).
Apesar de concepções contemporâneas trazerem os benefícios de uma aprendizagem dialógica, humanística, interativa, nos entristece mencionar que práticas de ensino tradicional ainda fazem parte da realidade em nossas escolas.
Embora a pedagogia e a didática tenham proposto muitos outros modelos educacionais nesses últimos dois séculos, a prática pedagógica receptiva e passiva, em que aprender é sinônimo de memorizar, é uma ferramenta forte nas instituições educacionais, e muito vista como ferramenta que garante a real aprendizagem.
Naquela época, alguns filósofos e pensadores já se revoltavam contra esse modelo didático que era imposto nas escolas e instituições de ensino. O filósofo Sócrates era contra essa metodologia de ensino que enfatizava a repetição e a
“decoreba”. Ele dizia que, assim como sua mãe era uma parteira de crianças, ele era um “parteiro de ideias”. No caso, fazia as pessoas refletirem sobre vários assuntos, convencerem-se de sua ignorância e formular suas próprias hipóteses a partir das perguntas que lhes ia fazendo. O questionamento e a insatisfação com a verdade foi algo muito forte da sua prática.
Numa perspectiva socrática, a educação remete a ideia de uma discussão sem violência, durante qual os interlocutores procuram expor seus pontos de vista respectivos, com a ajuda de argumentos fundados em razões capazes de suscitar a adesão dos participantes.
Essa ideia significa que o processo educativo não pode se limitar a impor ao aprendiz um ponto de vista que lhe é exterior, um modo de viver, pensar ou agir ao qual ele deveria submeter-se sem discussão (TARDIF, 2010, p. 52).
Foram vários os agentes responsáveis a transformar a educação, além de Sócrates, muitos outros filósofos e professores contribuíram com alternativas didáticas para a revitalização da educação, porém, não foi bem recebido pelos sujeitos dos contextos escolares. Comenius foi o responsável pelo impulso e evolução da didática moderna, pois seus pensamentos se diferenciam bastante dos educadores medievais com relação aos métodos de ensino e propostas metodológicas, trazendo uma perspectiva a emancipação.
Sobre as reflexões relacionadas à finalidade da educação, Comenius não avança em seus estudos. Na sua concepção o homem deve buscar, em última instância, a felicidade eterna dentro da tradição cristã, na qual ele também foi educado (COMENIUS, 2006). Nessa perspectiva, a educação deve perseguir esse objetivo, ou seja, preparar as crianças e jovens para alcançar a felicidade eterna.
Questões de cunho social e político ainda não se fazem presentes no nascimento da didática moderna, mas encontramos uma preocupação política nos escritos do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Rousseau é um dos maiores pensadores desse século. Mais do que um simples representante das ideias, é um crítico severo e original. É por isso que seu pensamento parece ainda hoje tão atual. O pensamento educativo de Rousseau, é funcional (útil) e se baseia em algumas noções fundamentais que vamos resumir, de acordo com Tardif (2010):
QUADRO 2 – PENSAMENTO EDUCATIVO DE ROUSSEAU
FONTE: As autoras PENSAMENTO EDUCA
TIVO DE ROUSSEAU
A pedagogia deve ser fundada na observação da criança e ligada a uma teoria geral da natureza humana.
Existe uma natureza própria da alma infantil.
É preciso distinguir as etapas sucessivas do desenvolvimento natural.
A educação pelas coisas deve predominar sobre a educação por palavras e,
consequentemente, os métodos sensitivos, intuitivos e ativos devem ser privilegiados.
A aprendizagem só é válida na medida em que mobiliza os interesses da criança.
Não pode haver revolução das instituições e dos costumes sem uma revolução da educação.
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
Na obra Emílio ou Da Educação (ROUSSEAU, 1999), ele sugere que a educação deve ser responsável em formar sujeitos que saibam viver em sociedade que é corrupta. Um dos pensamentos de Rousseau é que as pessoas nascem boas, mas a sociedade as corrompe, e seus pensamentos serviram de base para a renovação ideológica, como a Revolução Francesa.
Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, em 28 de junho de 1712, faleceu em 2 de julho de 1778, na cidade de Ermenonville, França. É considerado um dos pensadores iluministas mais influentes.
FONTE: <https://culthistoria.files.wordpress.com/2015/08/jean-jacques-rousseau.jpg>.
Acesso em: 28 jan. 2009.
ATENCAO
Além da obra de Emílio, ele escreveu O contrato social: princípios do direito político, em que prega a igualdade de todos os seres humanos e funda a ordem política sobre a ideia de contrato feito entre os cidadãos. Seu conceito de liberdade influenciou muitas gerações de pensadores.
Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) foi bastante influenciado pelos pensamentos de Rousseau. Ele acreditava que o ser humano nasce bom e é formado pelo ambiente no qual vive, dessa forma: “[...] tornar esse ambiente o mais próximo possível das condições naturais, para que o caráter do indivíduo se desenvolvesse ou fosse formado positivamente” (HAIDT, 2001, p. 17).
Ele acreditava na educação como transformação da sociedade: “[...] a transformação da sociedade iria se processar através da educação, que tinha por finalidade o desenvolvimento natural, progressivo e harmonioso de todas as faculdades e aptidões do ser humano” (HAIDT, 2001, p. 17).
Em sua didática, diz que toda criança, independente do seu nível social, deveria ter acesso à educação e que a educação deve se dar, respeitando o seu desenvolvimento. Em sua metodologia não são enfatizadas regras, preocupando- se com princípios e com as condições que favorecessem o desenvolvimento da aprendizagem. Haidt (2001) apresenta alguns princípios formulados por Pestalozzi:
QUADRO 3 – PRINCÍPIOS FORMULADOS POR PESTALOZZI
FONTE: As autoras
PRINCÍPIOS FORMULADOS POR PESTALOZZI
A relação entre professor e aluno deve ser baseada no amor e no respeito mútuo.
O professor deve respeitar a individualidade do aluno.
A finalidade da educação deve se basear no seu fim mais elevado, ou seja, favorecer o desenvolvimento físico, mental e moral do educando.
O ensino não deve objetivar a exposição dogmática e a memorização mecânica, mas o desenvolvimento das capacidades intelectuais.
A educação deve auxiliar no desenvolvimento orgânico, por isso a atividade física é tão importante quanto a intelectual.
A aprendizagem escolar não deve levar apenas à aquisição de conhecimentos, mas, principalmente, ao desenvolvimento de habilidades e ao domínio de técnicas.
O método de instrução deve ter por base a observação ou percepção sensorial e começar pelos elementos mais simples.
O ensino deve respeitar o desenvolvimento infantil, seguindo a ordem psicológica.
O professor deve dedicar a cada tópico do conteúdo o tempo necessário para assegurar que o aluno aprenda.
Pestalozzi nasceu em Zurique, Suíça, em janeiro de 1748. Faleceu em Brugg, em fevereiro de 1827. Além de teórico da educação e da didática, foi professor. Durante a invasão francesa que a Suíça sofreu, em 1798, recolheu muitas crianças abandonadas e, além de protegê-las, educou-as. Suas ideias e métodos influenciaram muito a educação.
Até hoje muitas escolas ainda pautam seu trabalho pedagógico nos pressupostos didáticos de Pestalozzi.
FONTE: <https://cdn-images-1.medium.com/max/533/1*jLFmEYGcLWq98VeEtMZBtg.jpeg>.
ATENCAO
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
Johann Friedrich Herbart (1776-1841) utilizou muito os estudos de Pestalozzi. A teoria de Herbart é ampla e sofreu bastante influência da psicologia.
Sua teoria apresenta um forte conteúdo moral, enfatizando que a finalidade última da educação é a formação da moralidade e da virtude, moldando as vontades e desejos das pessoas. Nesse sentido, a ação pedagógica é guiada por três procedimentos:
• O governo, que representa o controle exercido pelos pais e professores sobre as crianças para adaptá-las às normas do mundo adulto, a fim de viabilizar a escolarização.
• A instrução, principal momento da educação, que deve se basear no interesse, sem o qual não há garantias da atenção dos alunos, nem de que novas ideias possam ser assimiladas.
• A disciplina, que, ao contrário do governo (heterônomo), caracteriza a autonomia do educando em virtude de seu amadurecimento moral. O método didático de Herbart constitui:
QUADRO 4 – MÉTODO DIDÁTICO DE HERBART
FONTE: As autoras
MÉTODO DIDÁTICO DE HERBART
Preparação: momento inicial, no qual o professor relembra os conhecimentos prévios a respeito do assunto, para criar interesse pelo novo conteúdo a ser estudado.
Apresentação: o novo conteúdo é apresentado, partindo-se do concreto.
Assimilação: momento no qual o aluno, comparando o assunto novo com aquilo que já estudou, distingue as semelhanças e diferenças.
Generalização: partindo das experiências concretas, o aluno deve ser capaz de abstrair, desenvolvendo conceitos gerais.
Aplicação: através de exercícios, o aluno demonstra que consegue aplicar praticamente aquilo que estudou.
Herbart nasceu em Oldenburgo, Alemanha, no ano de 1776, e morreu em 1841. Suas propostas educacionais influenciaram muito a educação durante os séculos XIX e XX. Seu pensamento é bastante tradicional, colocando os alunos em posição de sujeitos passivos diante da educação.
ATENCAO
FONTE: <http://twixar.me/l1fm>.
No final do século XIX e início do XX, ocorreu uma transformação na educação, ou seja, foi um momento de transição da Pedagogia Tradicional para a Pedagogia Nova. Contrapondo-se ao ensino conservador da pedagogia tradicional, apareceu John Dewey (1859-1952), que acreditava que a atividade é inerente ao ser humano. A ação precede o conhecimento e o pensamento. Antes de existir como ser pensante, o homem é um ser que age. A teoria resulta da prática. Logo, o conhecimento e o ensino devem estar intimamente relacionados à ação, à vida prática, à experiência (HAIDT, 2001, p. 21).
De acordo com Haidt (2001), Dewey considera o homem um ser social reforçando o pensamento que a cooperação e o trabalho em grupo são elementos fundamentais da vida coletiva. Nesse caso, a educação deve organizar-se em torno desses elementos, tornando o ensino-aprendizagem fruto de um constante construir saberes.
John Dewey é um dos educadores mais influentes do século XX e seus estudos deram origem ao movimento que ficou conhecido como Escola Nova.
Esse movimento trouxe uma enorme ruptura ao ensino tradicional, que reinou na educação escolar por longos séculos. Amado por tantos, odiado por outros, talvez não tenha sido ainda suficientemente compreendido. Para quem o julga um liberal, descomprometido com as causas sociais, vale lembrar o que dizem os educadores Teitelbaum e Apple (2001, p. 197):
Dewey esteve profundamente envolvido, ao longo da sua vida, num diverso espectro de causas educacionais, sociais e políticas. Por exemplo, foi membro da Academia Nacional de Ciências; ajudou a fundar a “American Association of University Professors”, a “New School for Social Research” e a “American Civil Liberties Union”.
Foi um dos membros fundadores do primeiro sindicato de professores da cidade de Nova Iorque; contribuiu regularmente como membro do conselho editorial da “New Republic” e, durante os finais dos anos trinta, foi presidente de dois grupos que tentaram organizar um terceiro partido de orientação radical, resultado de uma coligação entre a classe média, laboral e agrícola (a “League for Independent Political Action e o People’s Lobby”).
Para além disso, e, ainda, como outro exemplo do compromisso que manteve ao longo da sua vida em prol das causas progressistas, em 1937, com 78 anos, viajou para o México para presidir a comissão que investigava as acusações de traição e assassinato proferidas contra o exilado Leon Trotsky durante os infames julgamentos de Moscovo.
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
John Dewey nasceu em 20 de outubro de 1859, viveu até 1º de junho de 1952.
É um dos mais reconhecidos educadores estadunidenses do século passado. Desenvolveu uma grande quantidade de obras, que inclui temas como educação, psicologia e filosofia.
Ficou conhecido por sua metodologia que enfocava o desenvolvimento natural das crianças.
FONTE: <http://twixar.me/81fm>. Acesso em: 28 jan. 2019.
ATENCAO
Vivemos em um mundo no qual a proposta de educação enfatiza cada vez mais o questionamento a problematização como ferramenta essencial para a construção do conhecimento. A necessidade de valorizar a capacidade de pensar dos alunos, utilizar práticas pedagógicas com a finalidade de prepará-los para questionar a realidade e problematizar, são questões que vão ao encontro dos estudos de Dewey.
4 DIDÁTICA NO BRASIL
No Brasil, a educação formal inicia-se apenas em 1549, com a chegada dos padres jesuítas, que foram os principais educadores do período colonial, atuando até 1759. Também conhecida como Companhia de Jesus, tinha como objetivo a catequização dos índios e a sua conversão à religião católica.
A Companhia de Jesus foi a missão que mais deixou registros, documentando seu projeto educacional jesuítico. Com a chegada dos Jesuítas, iniciou-se o ensino de arte por meio de processos informais, caracterizados pelo ensino em oficinas de artesões. O objetivo era catequizar os povos da terra nova, utilizando-se, como um dos instrumentos, o ensino de técnicas artísticas.
Nesse momento, o projeto educacional que os jesuítas desenvolviam, não era somente a catequização dos índios, mas sim um projeto de transformação social dos indígenas que possuíam uma história, crença e valores. A catequização e conversão dos indígenas ao cristianismo seguia os padrões culturais e sociais da Europa do século XVI, com a finalidade de transformar o índio brasileiro em um
“homem civilizado” (NETO; MACIEL, 2008). Os jesuítas utilizaram da cultura indígena suas lendas, crenças e histórias nativas para criação de peças teatrais e realizações de festas com o intuito de provar para os índios a existência de Deus.
Estes conhecimentos silenciosamente iniciaram uma espécie de
“reescrita” da cultura indígena a ponto de trabalhar incansavelmente na tentativa de erradicação de alguns costumes considerados impróprios, como a pintura corporal, os corpos nus, a poligamia e a antropofagia. Este processo de educação dos índios perdurou por cerca de dois séculos e meio. Neste período foram construídos colégios destinados à educação de professores, padres e de uma elite que seria de suma importância na disseminação do modelo cultural europeu na nova terra (AMSBERG, 2009, p. 3).
O ensino da arte desenvolvido pelos jesuítas era um meio de aproximação cultural e de valores, a fim de transmitir amplos conhecimentos e ofícios artísticos que, de certo modo, alavancaram a produção artística genuinamente brasileira.
Essa educação servia especialmente para a aculturação e catequização dos índios e negros, e a instrução dos descendentes dos colonizadores. Os ensinamentos jesuíticos continuaram mesmo após a sua expulsão, pois não conseguiram expurgar as ideais educacionais do país.
Assim, estava em vigor Ratio Studiorum (programa e regulamento dos estudos da Sociedade de Jesus), que teve origem na Europa. Esse plano educacional foi utilizado pelos jesuítas no mundo inteiro, e aqui no Brasil se manifestou por meio da Pedagogia Tradicional Religiosa.
O ideal do Ratio Studiorum era a formação do homem universal, humanista e cristão. A educação se preocupava com o ensino humanista de cultura geral e enciclopédico. Era alicerçada na Summa Theológica de São Tomás de Aquino. Esta obra corresponde a uma articulação entre a filosofia de Aristóteles e a tradição cristã, base da Pedagogia Tradicional na vertente religiosa (VEIGA, 1989, p. 40).
De acordo com Tardif (2010), os autores desse tratado não pertenciam à elite, muito pelo contrário, foram pessoas que tiveram uma longa caminhada na educação, e seus escritos foram fruto de muitos anos de experiência e não se limitavam às abstratas especulações filosóficas.
O Ratio Studiorum tinha como principal objetivo sintetizar instrumentos e regras para a prática pedagógica, do “estudo privado”. De acordo com essas normas o professor repassava aos alunos o método de estudo, o conteúdo e o
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
horário para os estudos. Dessa forma, as aulas eram ministradas de forma expositiva e as atividades eram tomadas dos alunos oralmente, repetindo o que o professor ensinou. A avaliação, consistia em verificação do conteúdo anterior, correção, repetição, explicação, interrogação e ditado. Com a expulsão dos jesuítas, a educação escolar brasileira, quase desapareceu.
Segundo Veiga (1989), a didática na Pedagogia Tradicional, compreende um conjunto de regras que tem por objetivo instrumentalizar os futuros professores, dando suporte para orientações sobre a prática pedagógica.
De acordo com Tardif (2010), esse saber pedagógico posto em prática teve como objetivo eliminar o acaso e a desordem, fonte de pecado, regulando cada aspecto do ensino.
Outra vertente educacional encontrada no Brasil foi a Pedagogia Tradicional Leiga, com a didática semelhante ao ensino jesuítico, embora a ênfase não fosse mais a doutrinação cristã. Herbart, foi o autor mais influente desse período.
O relacionamento professor-aluno é hierárquico e autoritário. O professor se torna o centro do processo de aprendizagem, concebendo o aluno como um ser receptivo e relativamente passivo. Na sala de aula, mestres e alunos estão separados e não há necessidade de comunicação entre eles. A disciplina é a forma de garantir a atenção, o silêncio e a ordem (VEIGA, 1989, p. 44).
No Brasil, a história da arte inicia-se com o advento da Missão Artística Francesa, no Rio de Janeiro, em 1816, e pela criação da Academia Imperial de Belas Artes, formada por grandes nomes da arte da Europa.
Os personagens da Missão Francesa trouxeram para nosso país uma tendência neoclássica de ensinar arte, predominando o exercício formal que consistia basicamente na produção de figuras, produção de desenho a partir do modelo vivo, do retrato, da cópia de estamparias, realizado a partir de regras estabelecidas (SILVA; ARAÚJO, 2007).
Com a abolição do trabalho escravo (1888) e com a Proclamação da República (1889), os liberais e positivistas provocaram grandes reformas nas diferentes esferas da sociedade, com a pretensão de consolidar o novo regime político do Brasil, através de uma mudança radical nas instituições (SILVA; ARAÚJO, 2007, p. 88).
Foi um momento de grande transformação para sociedade brasileira, em que a educação passou a desempenhar um importante papel, através do ensino do desenho como linguagem da técnica e da ciência.
Em 1882, Rui Barbosa (1849-1923) começou a desenvolver as ideias da Escola Nova. Ele foi um grande representante da corrente liberal, propondo reformas educacionais com o objetivo da formação de sujeitos democráticos. Seus pressupostos de ensino levavam em consideração as diversidades, respeitando a individualidade do aluno.
Na Didática Escolanovista a técnica é enfatizada no processo de ensino- aprendizagem, semelhante às metodologias tradicionais, em que o contexto sociopolítico é ignorado resumindo o ensino de maneira instrumental. “Por ser uma didática de base psicológica, as ideias de ‘aprender fazendo’ e ‘aprender a aprender’ estão sempre presentes” (VEIGA, 1989, p. 51).
A Escola Nova começa a perder sua força a partir da década de 1960 do século XX, vigorando a Pedagogia Tecnicista, fundamentada nos princípios da psicologia comportamental ou behaviorista. Dessa forma, a didática que vigorava era embasada na eficiência e a eficácia do processo ensino-aprendizagem.
Nessa perspectiva, os conteúdos dos cursos de Didática centram-se na organização racional do processo de ensino, isto é, no planejamento didático formal, na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis. Sua preocupação básica é a descrição e especificação comportamental e operacional dos objetivos, o desenvolvimento dos componentes da instrução, a análise das condições ambientais, a avaliação somativa, a implementação e o controle, enfim, a mecanização do processo de ensino e a supervalorização dos meios sofisticados (VEIGA, 1989, p. 60).
O Ensino Tecnicista se torna fragmentado e foge da realidade dos alunos.
Nessa concepção, o professor é transformado em um mero instrutor ou executor de planejamentos preconcebidos. Desde a década de 80 do século passado, os fundamentos da didática tecnicista e das demais correntes que a antecederam passam a ser duramente questionados.
A partir de então, o saber didático caracteriza-se por discutir suas limitações epistemológicas, às quais se juntam as críticas ao seu caráter ideológico e a sua funcionalidade em relação ao papel do ensino e da escola ligado à reprodução das relações sociais de produção e, consequentemente, à manutenção do sistema socioeconômico e político brasileiro vigente (OLIVEIRA; ANDRÉ, 1997, p. 10).
Esse breve histórico nos faz refletir sobre os rumos na educação durante os séculos. Aproximadamente quatro séculos do ensino de arte no Brasil foram baseados, exclusivamente, na concepção de arte como técnica, e, ainda hoje, encontramos nas práticas escolares, concepção de ensino de arte que se resumem a atividades técnicas como ensino do desenho, dos elementos da linguagem visual, descontextualizada da obra de arte e produção de artefatos, mas principalmente na pintura de desenhos e figuras mimeografadas.
TÓPICO 1 | DIDÁTICA E SUA HISTÓRIA
Em 1922, em São Paulo, um grupo de artistas modernistas inspirados nos movimentos artísticos que já aconteciam na Europa, promoveram um grandioso evento, denominado de Semana de Arte Moderna.
A Semana de Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922, foi uma semana cultural envolvendo várias linguagens artísticas. Os patronos, Paulo Prado e Di Cavalcanti, organizaram e bancaram o evento. O ensino de arte — pós Semana de Arte Moderna — passou por grandes mudanças, pois, segundo Barbosa (1975), o ano de 1922 tornou-se um marco devido às transformações que aconteceram no ensino de arte, que tinham como objetivo a livre expressão, modificando, assim, as rígidas regras da Academia e, portanto, sua maneira de ensinar não combinava mais com a difusão do modernismo.
A arte-educação no Brasil teve um grande impulso que, para Barbosa (1975), ocorreu devido às ideias da livre expressão, trazidas por Mário de Andrade e Anita Malfatti. Para eles, a arte tinha como finalidade principal permitir que a criança expressasse seus sentimentos e, consideravam que a arte não precisaria ser ensinada, somente expressada. A Semana de Arte Moderna foi um evento que mudou significativamente as estruturas artísticas brasileiras.
Aparece, então, um novo elemento no cenário didático, qual seja, a preocupação com os aspectos sociopolíticos do processo de ensino. Para Candau (2002, p. 15), “a competência técnica e o compromisso político se exigem mutuamente e se interpenetram. Não é possível dissociar um do outro”. Afirma ainda que “a dimensão técnica da prática pedagógica, objeto próprio da didática, tem de ser pensada à luz de um projeto ético e político-social que a oriente”.
É nessa perspectiva que lutamos para que a didática caminhe nos dias atuais. Não é possível pensar no ensino de arte em uma perspectiva anterior a isto. Entretanto, sabemos, hoje, que os métodos e técnicas não são neutros, mas servem a determinados propósitos. Por isso o “como ensinar” é tão importante quanto o “para que ensinar”.
Neste tópico, você aprendeu que:
• A palavra didática tem origem do vocábulo grego technédidaktiké e significa arte ou técnica de ensinar e instruir.
• A didática pode ser conceituada como uma disciplina pedagógica que se preocupa com todo o processo de ensino e aprendizagem, levando em consideração todos os sujeitos envolvidos no processo, e tem por finalidade a real aprendizagem do sujeito integral.
• Comenius é considerado o pai da didática. Em sua obra Didática Magna ele apresenta seus ideias e princípios pedagógicos.
• A evolução da educação e da didática estão relacionadas com a evolução da própria educação. Teóricos como Comenius, Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Dewey são os principais representantes da evolução do pensamento didático, até o século passado.
• A didática no Brasil possui duas fases distintas: a primeira corresponde à chegada dos jesuítas (1549 até 1934), e a outra, quando a disciplina Didática passa a compor o currículo dos cursos de formação de professores, (início em 1934).
RESUMO DO TÓPICO 1
1 Baseados no estudo apresentado ao longo desta unidade, desenvolva um conceito de didática numa perspectiva de formação integral dos alunos.
2 Relacione os conceitos de didática a seus pensadores:
I- John Dewey II- Herbart III- Rousseau
( ) É um dos educadores mais influentes do século XX, seus estudos deram origem ao movimento que ficou conhecido pelo nome de Escola Nova.
( ) As pessoas nascem boas, mas a sociedade as corrompe e seus pensamentos.
( ) Sua teoria apresenta um forte conteúdo moral, enfatizando que a finalidade última da educação é a formação da moralidade e da virtude.
3 Discorra sobre a proposta Ratio Studiorum, utilizado pelos jesuítas aqui no Brasil, e reflita sobre a escola laica.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 2
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico vamos compreender as diferentes concepções pedagógicas que estão por traz da didática dos professores: sua postura, conduta, convicções, propósitos, entre outros aspectos, que fazem parte do dia a dia escolar.
As tendências pedagógicas são parte da construção de metodologias responsáveis pelo ensino e aprendizagem que visam atender a demanda do mercado de trabalho, concepções sociais, filosóficas e ideais que estavam e estão em vigor.
2 PROFESSORES DE ARTE: O QUE FUNDAMENTA SUAS AÇÕES
Pensar e refletir sobre a prática pedagógica é um passo fundamental de professores comprometidos com a educação. A ação docente é embasada em práticas que foram disseminadas aos "professores" enquanto eles ainda eram
"alunos", durante sua formação docente ou, ainda, partindo de reflexões de suas vivências e de estudo bibliográficos sobre a evolução história do ensino, ao qual estudamos até aqui.
A prática pedagógica dos professores é fruto de uma ou mais concepções que regem o "propósito de ensinar" na escola. A maneira com que o professor ensina é resultado da concepção que ele assumiu para sua didática. Ela pode ser uma reflexão de vivências "positivas" ou "negativas" enquanto ele ainda era aluno.
De acordo com Fusari e Ferraz (2001), para os professores de arte compreenderem e assumirem melhor as responsabilidades do ensino, é importante que eles saibam como a Arte vem sendo ensinada, suas relações com a educação escolar e com o processo histórico e social. A partir dessas noções, poderão reconhecer como são constituídas suas ações, esclarecendo como estão atuando e como querem contribuir com a formação de seus alunos.
Dessa forma, vale a pena resgatar brevemente a origem do ensino de arte no Brasil, para podermos compreender a relação com as concepções de ensino que começaram a vigorar nesse período e se fazem presentes até os dias de hoje nos contextos escolares.
Como mencionamos anteriormente, a formação acadêmica do professor possui bastante influência em sua prática pedagógica, então, vale a pena resgatar um breve histórico dos cursos de formação de professores de artes, o que nos levará a uma compreensão da formação dos "nossos" professores de arte.
Os primeiros cursos de licenciatura em Educação Artística nas universidades brasileiras foram criados em 1973. Tais cursos tinham um currículo mínimo que pretendia formar um professor de arte em apenas dois anos, habilitando-o a ensinar simultaneamente música, teatro, artes plásticas e desenho geométrico, em séries do 1º ao 2º grau (PILLAR; VIEIRA, 1992, p. 5).
De acordo com Coutinho (2003), a situação da formação dos professores de Arte no Brasil tem uma história peculiar, pois os conhecidos cursos de Educação Artística, que surgiram na década de 1970, foram consequência da primeira obrigatoriedade institucional de ensino de Arte nas escolas brasileiras.
A Lei 5.692/71 incluiu a Arte no currículo escolar e só depois providenciou a criação das licenciaturas curtas e plenas polivalentes para suprir a necessidade dos professores.
No ano de 1934, a didática aparece pela primeira vez como disciplina dos cursos de formação de professores em nível superior, na recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Durante muito tempo, professores de arte não tiveram formação acadêmica.
Com o surgimento dos cursos superiores, os professores de Arte recebiam, muitas vezes, um ensino mais técnico, voltado a desenvolver habilidades em sala de aula, pois os profissionais, em sua grande maioria, eram artistas, poetas, músicos da região, desvinculados ou tendo contato pela primeira vez com a licenciatura.
Como consequência de um quadro de carências, observa-se nas escolas brasileiras, de um lado, professores sem preparação para lecionar arte-educação, desconhecedores do processo criativo e, de outro lado, profissionais formados pelas universidades que se limitam a trabalhar na linha da autoexpressão do espontaneísmo (PILLAR; VIEIRA, 1992, p. 6).
Segundo Fusari e Ferraz (2001), devemos lembrar que as aulas de Arte são influenciadas por três pedagogias enunciadas: tradicional, escolanovista e tecnicista, em maior ou menor grau. Essas três pedagogias, embora escritas separadamente, na prática se imbricam.
TÓPICO 2 | TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
Na década de 1980, o fracasso dessas licenciaturas curtas e da própria polivalência, foi amplamente discutido pelos professores em [...]
seus currículos, adequando-se às demandas daquele momento.
Os cursos de licenciatura em Arte no Brasil vêm, ao longo de sua curta história, caminhando a reboque das políticas educacionais implantadas, tentando conjugar estas exigências com as necessidades dos professores (COUTINHO, 2003, p. 154).
A busca por um ensino de arte significativo é tarefa constante das Universidades que atuam conforme suas concepções, integrando as várias linguagens do ensino de arte, abordando disciplinas que envolvam as tecnologias, culturas que fazem parte do cenário brasileiro, dentre outras questões. A seguir, vamos compreender de que forma as pedagogias são influenciadas e quais funções assumem na educação escolar.
3 PEDAGOGIA LIBERAL E PROGRESSISTA
Anteriormente, destacamos que as aulas de artes são influenciadas por tendências pedagógicas, mas outro fator bastante comum refere-se às influências de concepções filosóficas das escolas, pois a maioria não possui um projeto formativo visando a cidadania, sendo conduzidas compreensões equivocadas das posturas tradicionalistas, escolanovistas e tecnicistas de educação. “A formulação de uma proposta de trabalhar a arte na escola exige que se esclareçam quais posicionamentos sobre a arte e educação escolar estão sendo assumidos. Por sua vez, tais posicionamentos implicam, também, na seleção de linhas teórico- metodológicas” (FUSARI; FERRAZ, 2001, p. 22).
De acordo com Luckesi (1993), são três as tendências que interpretam a questão da educação na sociedade: “educação como redenção; educação como reprodução; e educação como transformação da sociedade. [...] A perspectiva redentora se traduz pelas pedagogias liberais e a perspectiva transformadora pelas pedagogias progressistas” (LUCKESI, 1993, p. 53).
Destacamos que as tendências pedagógicas, geralmente, são agrupadas em duas grandes correntes, a Pedagogia Liberal e a Pedagogia Progressista, que classificamos da seguinte forma:
QUADRO 5 – CLASSIFICAÇÃO DAS PEDAGOGIAS LIBERAL E PROGRESSISTA
FONTE: As autoras
PEDAGOGIA LIBERAL PEDAGOGIA PROGRESSISTA
Tradicional Libertadora
Escolanovista Libertária
Tecnicista Crítico-Social dos Conteúdos
A Pedagogia Liberal enfatizava o pensamento burguês do século XVIII, e tinha como expoente principal Rousseau (1712-1778). Segundo Schramm (2001), na visão de Rousseau a educação começa pelo desenvolvimento das sensações e dos pensamentos, da valorização da espontaneidade e das experiências.
Acreditamos que o conhecimento dos principais aspectos pedagógicos, ideológicos e filosóficos que marcam o ensino e aprendizagem de Arte, pode auxiliar o professor a entender as raízes de suas ações, bem como o seu próprio processo de formação. Ao mesmo tempo ele pode tomar ciência de que ainda permanecem questões referentes ao papel específico da educação escolar e das aulas de Arte na mudança e melhoria das relações sociais. Enfim, não podemos desconhecer os movimentos educacionais, filosóficos, e sociais que estão em processo e nos quais estamos inseridos, e que podem até subsidiar algumas de nossas indagações (FUSARI; FERRAZ, 2001, p. 43).
Segundo Libâneo (1990), essa pedagogia sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe, através do desenvolvimento da cultura individual. Devido a essa ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, pois, embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.
De acordo com Schramm (2001), no Brasil, a Pedagogia Liberal dividiu-se em duas clientelas que usufruíram do ensino da Arte. As Artes Mecânicas, que eram o povo em geral, e, do outro lado, os alunos direcionados às Belas Artes, que eram as elites.
As artes mecânicas se referem às concepções tradicionais, tecnicistas e escolanovista, em que o ensino da Arte era mais relacionado ao desenvolvimento de uma técnica e se formavam cidadãos aptos a desenvolverem tarefas pré- estabelecidas.
Essa Pedagogia é composta por concepções de ensino que não questionam os fundamentos da sociedade capitalista, valorizam o desenvolvimento de aptidões individuais e se preocupam em preparar pessoas para desempenharem papéis sociais.
A seguir, vamos apresentar um quadro-síntese da Pedagogia Liberal, que busca resumir, de forma objetiva, as principais concepções de ensino e aprendizagem da atualidade. Elegemos em cada item do quadro apresentado, conteúdos baseados em estudos de autores conceituados:
TÓPICO 2 | TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
QUADRO 6 – PEDAGOGIA LIBERAL
TRADICIONALESCOLANOVISTATECNICISTA PROFESSOR
detentor do conhecimento; transmissor; não aprende com o aluno; relação marcada pelo autoritarismo; o principal aliado é o livro; silêncio em sala de aula.
estimula a expressão artística; não intervém no processo de maturação; proporciona um ambiente para a produção artística; auxilia o desenvolvimento livre e espontâneo.
transmissor e detentor do saber; instrutor e técnico do ensino; responsáv
el em modelar o comportamento dos
alunos; utiliza técnicas específicas de condicionamento.
ALUNO
considerado uma “tábula rasa”; seus saberes não são v
alorizados;
sujeito passivo; não questiona; não participa das aulas.
dever ser estimulado; deve ser tratada como criança, e não como um pequeno adulto; valoriza o caráter psicológico; respeita o tempo da criança.
“tábula rasa”; comprometido a gravar e se
instrumentalizar de técnicas; reproduz com a máxima perfeição o conteúdo explanado.
DO ENSINO
reprodução da técnica; aquisição de habilidades; ênfase no “fazer”; inibi o processo de reflexão; não há construção e nem reconstrução do saber; preocupação em av ançar conteúdos; exposição verbal;
resolução de exercícios; memorização.
focada na emoção e na intuição do aluno; centro das atenções; tem liberdade para fazer o seu próprio currículo; livre expressão e criação pessoal.
valoriza o livro como um instrumento recurso; processo de condicionamento; uso de reforço das respostas comportamentais; mecânica e programada: livros didáticos ou manuais instrucionais.
eurocêntrico; conteudista; a verdade está nos livros;
reproduz os conteúdos dos livros; não há questionamentos; os conhecimentos prévios não são considerados.
não possui conteúdos; livre expressão e criação pessoal na produção artística; tudo precisa ser v
alorizado;
fluir da emoção e da intuição do aluno; os conteúdos partem do interesse e a experiência.
reprodução de conhecimentos e técnicas; reproduzidas e executadas com perfeição.
VALIAÇÃO
mimética; resolução de tarefas; exercícios; repetição de conceitos; recapitulação; ccaráter frenador; rrealizada no final do processo; ccoleta de notas.
não existe; tudo que o aluno faz dev
e ser valorizado.
medir a capacidade que o aluno tem de reproduzir; alcançar a máxima fidelidade, o conhecimento ‘original’ passado pelo professor.
PAPEL E
fazer com que os alunos sejam cópias fiéis; chegar à perfeição do original; promov
er uma formação moral e intelectual.
é estimular a livre expressão; seu objetivo central é o desenvolvimento da criatividade.
é formar pessoas adaptadas e ‘treinadas’; formar para o trabalho em indústrias.