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Albatrozes são aves marinhas migratórias e pertencem à Ordem Procellariiformes. Estas aves passam a maior parte da vida em alto-mar buscando alimento, voando sobre a água ou pousando nela. Visitam ilhas remotas apenas para construir seus ninhos e cuidar dos filhotes. Não são grandes mergulhadores, já que a plumagem de um albatroz é espessa e impermeável, para manter seu corpo quente e seco, como se estivesse envolvo em uma bolha de ar quente.
Os petréis pertencem à mesma Ordem e se diferenciam dos albatrozes principalmente pelo tamanho, cor da plumagem e bico, entre outras características. Uma diferença marcante entre um albatroz e um petrel é o posicionamento dos tubos nasais. Nos albatrozes os tubos são pequenos e colocados um de cada lado do bico, já nos petréis os tubos são fundidos sobre o bico. Tanto albatrozes quanto petréis precisam de proteção, pois diversas espécies correm risco de extinção.
Os albatrozes e petréis percorrem longas distâncias sobre o mar em busca de alimento como lulas, peixes e krill, os quais apanham próximos a superfície. Utilizam a visão e o olfato para encontrar comida. Como o alimento na superfície do mar é escasso, essas aves frequentemente se concentram ao redor de barcos de pesca atraídas pelos restos de peixes descartados. Como vivem sobre o oceano, bebem água salgada e graças à presença de glândulas especiais, são capazes de eliminar o excesso de sal do organismo, eliminando-o pelos tubos nasais.
Como os albatrozes se alimentam?
Os albatrozes são excelentes planadores. Graças às asas longas e estreitas, conseguem percorrer longas distancias sobre o mar, planando quase sem bater asas, impulsionados pelas correntes de vento sobre o oceano. Assim, gastam pouca energia e algumas espécies percorrem até mil quilômetros e um único dia, chegando a atingir velocidades superiores a 120 km/h. Na ausência de vento, passam a maior parte do tempo pousados sobre a água.
Possuem excelente sentido de orientação, lhes permitindo voar pelos oceanos e retornar com precisão aos seus locais de reprodução. Orientam-se pelas estrelas, padrão de ventos sobre o oceano, magnetismo terrestre e pelo seu olfato apurado.
Os albatrozes e petréis são monogâmicos, o que quer dizer que eles tendem a manter o mesmo parceiro reprodutivo por toda a vida. Reproduzem-se uma vez ao ano, contudo, em espécies maiores, esse intervalo é dois anos ou mais. As aves colocam apenas um ovo por temporada. Os ninhos podem ser feitos de barro, areia ou grama, dependendo da região onde se reproduzem. Em geral, constroem seus ninhos em ilhas isoladas da ação humana como, por exemplo, as ilhas Tristão da Cunha, Malvinas e Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico. Os pais se revezam na incubação do ovo, nos cuidados com o filhote no ninho e na busca por alimento em alto-mar.
Os albatrozes são aves oceânicas porque normalmente são avistados apenas em alto-mar, longe da costa. Muitas vezes as pessoas confundem albatrozes com gaivotas, que são aves costeiras, mas é fácil notar a diferença entre as duas aves. Os albatrozes são bem maiores, possuem asas longas e estreitas bastante características. O albatroz-viageiro, por exemplo, é a ave com a maior envergadura do planeta, podendo medir três metros e meio de uma ponta da asa à outra. A cor do bico, as características da plumagem, o tamanho e a forma do corpo auxiliam na identificação de cada uma das espécies de albatrozes e petréis.
Todos nós fazemos parta da biodiversidade. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, estima-se que 13 milhões de espécies compartilham o planeta, incluindo plantas, animais e bactérias, das quais apenas 1,75 milhões são conhecidas pela ciência. Essa biodiversidade mantém sistemas e processos que nos fornecem o alimento, água e o ar que respiramos, entre outros serviços ecológicos cruciais para as necessidades humanas e para a economia.
O custo do desaparecimento de espécies como a do albatroz não pode ser calculado, mas o oceano ficaria mais pobre, e nós, com menos recursos. Ao planarem sobre os oceanos, os albatrozes e petréis espalham nutrientes que fertilizam as águas superficiais do oceano, favorecendo a proliferação de pequenos organismos aquáticos que formam a base da cadeia alimentar marinha, contribuindo para o equilíbrio e a produtividade do ecossistema marinho.
Os albatrozes e petréis são afetados por múltiplas ameaças, tanto nas ilhas onde se reproduzem quanto no mar. São impactados principalmente pela mortalidade devido à captura incidental em pescarias de espinhel, mas também pela introdução de predadores, como gatos e ratos, nas ilhas onde se reproduzem, os quais matam ovos e filhotes. A ingestão acidental de lixo no mar é também um grave problema, uma vez que as aves confundem fragmentos de plástico com alimento.
A pesca de espinhel é uma técnica industrial realizada longe da costa, voltada para a captura de peixes de grande porte, como atuns, espadartes e tubarões. O espinhel é um equipamento com até dois mil anzóis e 80 km de extensão.
Estes anzóis são lançados um a um ao mar, e como iscas são utilizadas sardinhas e lulas que também atraem os albatrozes.
Ao tentarem retirar as iscas dos anzóis, as aves acabam fisgadas acidentalmente e levadas à morte por afogamento.
Reduzir esta captura incidental é a maior missão do Projeto Albatroz.
Albatrozes e petréis formam um dos grupos de aves mais ameaçado de extinção do planeta. Existem 22 espécies de albatrozes no mundo, das quais 15 encontram-se ameaçadas de extinção. Dez espécies de albatrozes ocorrem em águas brasileiras, das quais nove estão ameaçadas, incluindo o albatroz-de-Tristão (Diomedea dabbenena), listado como Criticamente Ameaçado, com sua população reprodutiva limitada a 1.108 casais e em declínio.
Existe uma maior variedade de petréis espalhados pelo globo.
No entanto, apenas os petréis de médio e grande porte interagem regularmente com a pesca e são capturados pelo espinhel, como é o caso, no Brasil, da pardela-preta (Procellaria aequinoctialis) e da pardela-de-óculos (Procellaria conspicillata), ambas espécies estão em risco de extinção.
Existem medidas simples e baratas que, uma vez incorporadas à rotina diária de pesca, diminuem o acesso das aves às iscas:
Toriline, largada noturna e regime de pesos. O Toriline consiste em uma linha com 130 metros de comprimento com fitas coloridas, que é presa na popa da embarcação a uma altura de oito metros e arrastada enquanto o espinhel é lançado ao mar. Funciona como um espantalho, afugentando as aves para longe do local em que os anzóis são lançados e, consequentemente, onde o risco de captura é maior. A Largada noturna é o ato de lançar todos os anzóis do espinhel durante a noite. Como a maior parte dos albatrozes e petréis se alimentam durante o dia, o risco de capturá-los a noite é menor.
O Regime de Peso são configurações de posicionamento do peso na linha de pesca que garantem que o anzol iscado afunde o mais rápido possível, permanecendo o mínimo de tempo em profundidades ao alcance dos albatrozes e petréis.
Desde 2011, cerca de 30 mil pessoas, entre educadores e alunos de diferentes faixas etárias e estados, foram envolvidos no Programa de Educação Ambiental Marinha 'Albatroz na Escola' (PAE). Recentemente, foi criado também o Programa 'Albatroz em Casa' (PAC), por meio do qual educadores acessam aulas virtuais sobre conservação marinha para Primeira Infância, Ensino Fundamental e Médio.
Por meio do Coletivo Jovem Albatroz, desde 2015, jovens entre 18 e 29 anos são instruídos com o intuito de incentivá- los a tornarem-se lideranças socioambientais na região da Baixada Santista.
No ano de 2020 o Projeto Albatroz completou 30 anos de trajetória. Desde 1990, trabalha com o objetivo de reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis, aves oceânicas ameaçadas de extinção. Esta missão é cumprida com ampla participação em políticas públicas nacionais e internacionais de conservação dessas aves, criação de medidas de proteção e realização de educação ambiental marinha com pescadores, crianças de primeira infância, jovens e o público em geral.
Meros do Brasil (merosdobrasil.org)
Projeto Meros do Brasil
ANOS
Entre os maiores resultados de 30 anos de trabalho de conservação do albatroz no Brasil estão o desenvolvimento de um conjunto de medidas eficazes que reduzem a captura de albatrozes e petréis em pescarias de espinhel, assim como um trabalho intenso visando à conscientização da sociedade quanto à importância do albatroz para o equilíbrio do ambiente marinho.
Atualmente existem leis e um Plano de Ação Nacional de Conservação de Albatrozes e Petréis no Brasil, o PLANACAP.
Por conta da grande atuação do Projeto Albatroz junto ao Acordo Internacional de Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP), Tatiana Neves, coordenadora geral e fundadora do Projeto Albatroz, é vice-presidente do Comitê Assessor do ACAP.
Outra grande iniciativa realizada pelo Projeto Albatroz em parceria com o CEMAVE/ICMBio e a R3 Animal é o Banco Nacional de Amostras Biológicas de Albatrozes e Petréis (BAAP). O BAAP viabiliza e facilita o acesso às amostras para intercâmbio de informações entre pesquisadores e instituições parceiras e fomentando a pesquisa sobre essas aves. Na área da comunicação, as redes sociais do Projeto Albatroz alcançam uma média mensal de mais de 2 milhões de pessoas, o que garante a inserção da pauta da conservação marinha no meio digital.
Cuidar do planeta e do ambiente marinho é uma responsabilidade de todos nós. Atitudes simples como descartar o lixo corretamente e respeitar os animais marinhos já são uma grande contribuição.
Ainda assim, aceitamos ajuda por meio de doação. Saiba mais em:
www.projetoalbatroz.org.br/quero-contribuir
Centro Albatroz
em Cabo Frio/RJ
Há 14 anos o Projeto Albatroz conta com o patrocínio da Petrobras, que também está expandindo sua atuação na região com o Campo de Búzios, que em uma área de 852 km² concentra o maior volume de óleo e gás em águas profundas já descoberto no mundo.
Após 30 anos,
fortalecemos nossa presença com o Centro Albatroz, que será construído em Cabo Frio (RJ). Aberto a visitação, oferecerá informações sobre o oceano e a biodiversidade marinha com ações voltadas para diversos públicos como pescadores, jovens, crianças, turistas entre outros.