O rdem da S anta C ruz
C apítulO G eral de 2022 (2021)
r elatóriO SObre O e StadO da O rdem
9 - 28 January, 2022 Pratista Retreat Center
Bandung, Indonesia
1.0 Introduction/Introdução ...5
2.0 World Context/Contexto Mundial ...6
2.1 Impact/Impacto ... 6
2.2 Our Response/Nossa Resposta ... 6
2.3 Characteristics and Developments/ Características e Desenvolvimentos ... 6
2.4 Globalization/Globalização ... 7
2.5 Crises/Crise ... 7
2.6 Culture of Death vs Culture of Life/ Cultura da Morte vs Cultura da Vida ... 8
3.0 Ecclesiastical Context /Contexto Eclesiástico ...9
3.1 Papa Francisco ... 9
3.2 Conversion /Conversão ... 9
3.3 Synodality/Sinodalidade ... 9
3.4 Misconduct /Má Conduta ... 10
3.5 Prophetic Dimension/Dimensão Profética ... 10
4.0 Religious Life Context/Contexto de Vida Religiosa ... 12
4.1 Challenge of Clericalism/Desafio do Clericalismo ... 12
4.2 Challenge of Decline/Desafio de Declínio ... 12
4.3 Sentinels of the Dawn/Sentinelas do Amanhã ... 13
4.4 Challenge of Sustainability/Desafio da Sustentabilidade ... 13
4.5 Formation/Formação ... 13
4.6 Brotherhood/Fraternidade ... 14
4.7 Intercultural Community Life/Vida Comunitária Intercultural ...14
4.8 Respect for our Crosier Way of Life/Respeite nosso Modo de Vida Crúzia....15
4.9 Mutual Collaboration with Dioceses/ Colaboração Mútua com Dioceses ... 15
5.0
Unity in Charity: Bringing, Breaking and Sharing the Bread... 16
5.1 Biblical Inspiration/Inspiração Bíblica ... 16
5.2 Rich in Spirituality/Rico em Espiritualidade ... 16
Y.B. Rosaryanto, osc, Onesius Otenieli Daeli, osc, Dave Donnay, osc.
General Chapter graphic: Yulius Hirnawan Christyanto, osc
Google translation reviewed and revised by Hiago Henriques dos Santos, osc Comments, feedback, or questions can be sent to [email protected]
© 2021 Crosier Generalate
Índice
Implementação das Diretrizes do Capítulo Geral de 2015 ... 18
6.1 General Governance/Governaça Geral ... 18
6.2 The General Council of the Master General/ O Conselho Geral do Mestre Geral ... 18
6.3 The Extended Council of the Master General/ O Conselho Amplo do Mestre Geral ... 19
6.4 Governance Restructuring/Reestruturação de Governança ... 20
6.4.1 Implementation/Implementação ... 20
6.4.2 Conventual Priory of the Holy Cross (USA) ... 21
6.4.3 Province of Blessed Theodore de Celles (Europe)... 21
6.4.4 Province of Sang Kristus (Indonesia) ... 22
6.4.5 Province of Martyrs de Bondo (Congo Kinshasa) ... 22
6.4.6 Priorato da Santa Cruz (Brazil) ... 23
6.4.7 Comitê Canônico ... 23
7.0 Formation/Formação ... 24
7.1 Adaptation Norm on Formation Governance: Const. 23.3/Norma de Adaptação sobre Governança de Formação .. 24
7.2 Role of the Master General in Formation/ Papel do Mestre Geral na Formação ... 24
7.3 Admission to Solemn Vows and Approval for Ordination/ Admissão a Votos Solenes e Aprovação para Ordenação ... 25
7.4 Approval Assignment Directors of Stages of Formation/ Diretores de Atribuição de Aprovação de Estágios de Formação .. 27
7.5 Role of Major Superiors in Formation/ Papel dos Superiores Maiores na Formação ... 27
7.6 Role of Priories in Formation/ Papel das comunidades Locais na Formação ... 28
7.7 International Formation Experiences/ Experiências de Formação Internacional ... 28
7.8 International English Program for Post Novitiate Formation/Programa Internacional de Inglês para Formação de Pós‐Noviciado... 29
7.9 Crosier Priesthood Profile/Perfil do Padre Crúzio ... 30
7.10 Recruitment/Recrutamento ... 30
7.11 Formation for Formators/Formação para Formadores ... 31
8.0 Fraternal economy/Economia Fraterna ... 32
8.1 Education and Socialization of Fraternal Economy/ Educação e Socialização da Economia Fraterna ... 32
8.2 Fraternal Economy and our Standard of Living/ Economia Fraterna e nosso padrão de vida ... 33
8.3 Capacity Building for Developing Parts of the Order/Capacitação para Ecônomos de Partes em Desenvolvimento da Ordem ... 33
8.4 Financial Capacities/Capacidades Financeiras ... 34
8.5 Assets of the Order/Ativos da Ordem ... 35
8.6 Follow up of Investment Study Recommendations/ Acompanhamento das Recomendações do Estudo de Investimento ... 36
8.7 Establishment of the Crosier Global Development Office (CGDO)/Criação do serviço de Desenvolvimento Global Crúzio .. 37
8.8 Study to Assess Retirement Needs/ Estudos para Avaliar as Necessidades de Aposentadoria ... 37
8.9 Fixed Assets Study/Estudo de Ativos Fixos ... 38
8.10 Pursuing Equity in the Order/ Buscando a Equidade na Ordem ... 39
9.0 Crosier Spiritual Heritage/Herança Espiritual dos Crúzios .. 40
9.1 Study of Key Documents/Estudos de Documentos‐chave ... 40
9.2 Celebration of 50 Years of 1967 Constitutions/ Celebração dos 50 anos das Constituições de 1967 ... 40
9.3 Strengthening Membership in Priories/ Fortalecimento dos Membros nas comunidades ... 40
10.0 Evangelization/Evangelização ... 42
11.0 Personnel, Leadership, and Finance/ Pessoal, Liderança e Finanças ... 43
11.1 Candidates/ Formandos e Formadores ... 43
11.2 Personnel planning for leadership/ Planejamento de Pessoal para Liderança ... 44
11.3 Financial sustainability/Sustentabilidade Financeira ... 45
12.0 Reflections/Reflexões ... 46
13.0 Gratitude and Appreciation/Gratidão e Apreciação ... 48
1.0 Introduction/Introdução
O Relatório sobre o Estado da Ordem deve ajudar a Ordem, e especialmente os delegados para o Capítulo Geral de 2021, a compreender a situação atual e avaliar os desenvolvimentos desde o último Capítulo Geral. A informação facilita o discernimento do capítulo e a tomada de decisões para o bem‐estar espiritual e temporal da Ordem mundial.
Este relatório começa com reflexões sobre o mundo em que vivemos, sobre o contexto da vida eclesiástica e consagrada que influencia nossa vida religiosa dos Crúzios. A seguir, o relatório enfoca a situação geral de nossa Ordem: a situação pessoal, sua situação financeira, formação, liderança nas áreas e no nível geral, fraternidade dos Crúzios, comunidades locais e a implementação das diretrizes do Capítulo Geral de 2015 sobre os domínios de governo geral, reestruturação, formação, economia fraterna, herança espiritual dos Crúzios e evangelização.
O Relatório do Estado da Ordem também destaca alguns desafios para o futuro da Ordem que precisam ser enfrentados pelo Capítulo Geral de 2021.
Appendices*
A. Administration
A.1 Personnel Statistics Report (including Formation Data) 2015‐2021 A.2 Necrology
A.3 Procurator General Report A.4 General Econome Report A.5 Archivist Report
B. Commissions and Committees
B.1 Liturgical‐Spirituality Commission Report B.2 Formation Commission Report
B.3 Finance Commission Report B.4 Canonical Committee Report C. Financial Data and Temporal Wellbeing
C.1 Current Financial Report (2020 audited return, 30 Sept 2021) C.2 Order Consolidated Financial Report 2015‐2020
C.3 Fixed Asset Study Report
C.4 Crosier Global Development Office D. Future Projections/Forecasting
D.1 Personnel Demographic Projections D.2 Financial Projections
*These are the anticipated appendices currently planned. The documents will be made available in thr second half of 2021 via osc.news, on the chapter website, or directly to capitulars.
2.0 World Context/Contexto Mundial
O coronavírus atinge o mundo. Isso causa milhares de mortes. Isso cria medo e ansiedade.
As pessoas são forçadas a viver isoladas. A vida parece paralisada. Muitas pessoas vivem na incerteza. Eles estão perdendo empregos e renda para sustentar suas vidas e suas famílias.
2.1 Impact/Impactos
Essa pandemia transformou nossas vidas de maneiras que não podíamos imaginar antes. Isso mudou nossas interações interpessoais. As pessoas são forçadas a ficar em casa. A pandemia desmascarou a ilusão de liberdade ilimitada. Criou uma nova consciência de nossa humanidade comum e sua vulnerabilidade. A Covid‐19 assumiu o controle de nossas vidas. Esta pandemia mostrou as limitações e fragilidades das ciências e da tecnologia. Chamou‐nos a maximizar as oportunidades apesar das limitações para atingir os nossos objetivos e valores. Obrigou‐nos a promover a solidariedade e a generosidade. A pandemia nos desafiou a deixar nosso estreito interesse próprio para trás e cuidar dos necessitados e mais vulneráveis. Essa pandemia pode se tornar o momento indicado para revisitar nosso modo de vida, de pensar, se comportar, agir e também de nos relacionarmos com a natureza. É o momento de desintoxicar a natureza para que os danos causados por comportamentos e ações imprudentes do ser humano possam ser restaurados.
2.2 Our Response/Nossa Resposta
O Capítulo Geral de 2021 precisa dar atenção às pessoas que lutam por suas vidas e por seu futuro depois da pandemia de Covid‐19. É parte integrante da nossa missão manter vivas a esperança e a alegria e ser solidários com os que sofrem (Gaudium et Spes no 1). O que precisa ser combatido é o que o Papa Francisco chama de “o pior vírus da indiferença egoísta.”1 A indiferença egoísta significa que a pessoa não se preocupa com os outros, porque a pessoa mais importante é apenas você mesmo. Nossas respostas devem mostrar nosso cuidado pelos necessitados. Desejamos que suas vidas estejam totalmente vivas. Queremos tocá‐los por meio de nossos ministérios. É importante para os Crúzios testemunharem que nosso modo de vida é valioso e necessário neste mundo caótico.2
2.3 Characteristics and Developments/
Características e Desenvolvimentos
Nosso mundo é caracterizado pelo individualismo, utilitarismo, hedonismo, consumismo, competitividade, uma cultura descartável, pragmatismo, etc. Isso influencia a maneira de pensar, se comportar e agir das pessoas, incluindo homens e mulheres religiosos.
Nosso mundo é marcado por um uso cada vez maior de tecnologia de mídia social. Por um lado, isso é uma graça. Isso torna nossa vida mais fácil. Podemos nos comunicar e colaborar com tantas pessoas além das fronteiras geográficas. Ampliamos nosso horizonte e nossa perspectiva. Criamos maiores possibilidades de encontro e solidariedade com todos. As redes sociais servem para divulgar a Boa Nova e são um meio eficaz de evangelização.
1 Papa Francisco, Homilia da Divina Misericórdia, 2020.
2 O Capítulo Geral pode ter que pensar em ações concretas para a Ordem em resposta à atual situação mundial criada pela pandemia. O capítulo poderia decidir sobre uma recomendação global e deixar os detalhes das ações para as respectivas áreas.
Por outro lado, o desenvolvimento da tecnologia de mídia social nos impõe muitos desafios:
cibercrimes internacionais, jogos online, divulgação de notícias falsas que criam confusão, disseminação de pornografia. Paradoxalmente, aproxima aqueles que moram longe, mas pode distanciar aqueles com quem vivemos. Por causa da mídia social, muitas pessoas podem se sentir sozinhas no meio da multidão enquanto estão ocupadas consigo mesmas em uma realidade virtual.
Junto com a tecnologia de mídia social, nosso mundo também é marcado por “fenômenos da pós‐verdade”. Significa que objetividade, racionalidade e fatos reais são deixados de lado pelo sentimento emocional e pela opinião pessoal. A disseminação cada vez maior de boatos ou notícias falsas cria confusão. Torna‐se difícil para as pessoas distinguir entre a verdade e o engano. A opinião pública é manipulada por aqueles que querem ganhar poder político ou econômico. Eles desconsideram e desvalorizam a verdade objetiva.
2.4 Globalization/Globalização
A globalização econômica, cultural e política, por um lado, é um sinal da graça de Deus.
Traz muitos benefícios para o ser humano: consciência global da humanidade, aceleração dos movimentos internacionais e troca de bens e serviços. A globalização pode promover a solidariedade global e fornecer conforto.
Por outro lado, é um grande desafio para o ser humano: ampliação do fosso social entre ricos e pobres; extinção e ameaças às culturas e sabedoria locais; dominação de grupos poderosos, criando novas formas de imperialismo; imposição de idéias, valores, sistemas e estilo de vida; promoção do indiferentismo global porque cada pessoa se preocupa apenas com seus interesses.
“Acabamos sendo incapazes de sentir compaixão pelo choro dos pobres, chorar pela dor dos outros e sentir necessidade de ajudá-los, como se tudo isso fosse responsabilidade de outrem e não nossa.”3
2.5 Crises
A injustiça social, a violência e as guerras no mundo continuam a ser grandes desafios a serem enfrentados e uma chamada pela qual todas as pessoas precisam se preocupar. Conflitos horizontais entre tribos, etnias e nações alimentados por egoísmo, orgulho e perspectivas estreitas ainda estão aumentando em todo o mundo. A devastação ambiental é causada pela ganância, consumo excessivo, exploração, extração do sistema capitalista. O único interesse do sistema econômico é maximizar os lucros sem se preocupar com o meio ambiente e os direitos das gerações futuras.4 A devastação ambiental ameaça a maioria dos pobres e fracos.
Somos chamados a uma conversão ecológica. Caso contrário, o futuro dos seres humanos estará comprometido.
“Deus perdoa os seres humanos; os seres humanos poderiam perdoar seus semelhantes; mas a natureza não perdoará os seres humanos que a destruíram.”5
O tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, continua a ser um grande desafio
3 Papa Francisco, Evangelii Gaudium, no. 54.
4 Papa Francisco, Laudato Sì, no. 109.
5 Papa Francisco, Conferência de imprensa vôo de Lanka para Filipinas, 15 de janeiro de 2015.
para o mundo, a Igreja e a vida religiosa. Os seres humanos são tratados como mercadorias regidas por uma única regra: oferta e demanda.
2.6 Culture of Death vs Culture of Life/
Cultura da Morte vs Cultura da Vida
Nosso mundo e sociedade são marcados pela cultura da morte que penetra na vida cotidiana das pessoas. O valor do ser humano é determinado pela beleza, normalidade, produtividade, utilidade e privado de seu valor transcendente. Essa mentalidade é chamada de utilitária e faz parte da cultura de jogar fora. Às vezes, vidas são consideradas indignas de continuar. O ser humano se torna o árbitro de sua própria vida e da vida dos outros. A vida humana está ameaçada do início até a morte: pelo aborto, uma mentalidade eugênica e pela eutanásia.
Em uma cultura de morte, o aborto é reivindicado como um direito de encerrar e eliminar o feto inocente que cresce no útero.
O fluxo de uma cultura da vida flui fortemente através da promoção e nutrição da dignidade humana e do valor de tudo na terra. A tensão entre as duas correntes cria um chamado para o discernimento que afeta nossa vida.
3.0 Ecclesiastical Context/Contexto Eclesiástico
3.1 Pope Francis/Papa Francisco
A vida da Igreja Católica6 sob a liderança do Papa Francisco passa por mudanças significativas.
O Papa Francisco atraiu a admiração pública e gerou novas esperanças para a Igreja e para o mundo. Com seu estilo de vida simples, humilde e autêntico, seus gestos simbólicos e seu corajoso testemunho profético, ele está fortemente empenhado em renovar a Igreja Católica inspirada no Evangelho. A sua opção radical pela escuta do grito dos pobres e do grito da terra sublinha o vínculo indissociável entre a frágil terra e os frágeis povos.7 Suas grandes preocupações com os pobres e o meio ambiente manifestam sua escolha intencional por São Francisco de Assis, como mostra seu nome papal. Além disso, o Papa Francisco manifestou sua preocupação com a família e os jovens, a fé e o discernimento vocacional como elementos importantes do futuro da Igreja.8
3.2 Conversion /Conversão
Lidando com preocupação pelos pobres e pela terra, o Papa Francisco pede uma conversão integral: conversão intelectual, conversão moral, conversão afetiva e conversão ecológica. A consciência da devastação ecológica global e os esforços para restaurar os danos requerem abordagens holísticas e o envolvimento de todas as nações, seus líderes e cidadãos.
O Papa Francisco exorta a Igreja a ser a Igreja de e para os pobres, assim como a Igreja que vai às periferias sociais e existenciais para encontrar os pobres e marginalizados. Ele enfatiza o discipulado missionário e a cultura do encontro. A Igreja que o Papa Francisco imagina é uma Igreja aberta e misericordiosa que mostra o amor e a compaixão de Deus, como Jesus fez durante seus ministérios terrestres.
“Eu prefiro uma Igreja que está machucada, machucada e suja porque esteve nas ruas, ao invés de uma Igreja que é insalubre por ser confinada e se apegar à sua própria segurança. Não quero uma Igreja preocupada em estar no centro e depois acabar envolvida em uma teia de obsessões e procedimentos.”9
Ele coloca a lógica da missão sobre a lógica da manutenção.
3.3 Synodality/Sinodalidade
Agradecemos a liderança do Papa Francisco. Ele nos desafia a imitar seu forte compromisso de renovar a Igreja e cuidar dos pobres e da terra como nossa casa comum. Além disso, a sua liderança sublinhou a importância da sinodalidade na vida da Igreja, nomeadamente enfatizando uma participação ativa do povo de Deus. Esta sinodalidade da Igreja é implementada no método usado nos sínodos dos bispos (2014, 2015, 2018). “Sinodalidade”
será o tema do Sínodo dos Bispos de 2023. O povo de Deus não deve apenas desempenhar um papel passivo para implementar todas as decisões tomadas pelos líderes da Igreja. Eles devem
6 Este relatório enfoca o contexto da Igreja global. No entanto, existe também o contexto das igrejas locais onde a Ordem está presente
7 See Pope Francis, Evangelii Gaudium, no. 187‐216 (2013); Laudato Sì (2015); and Querida Amazonia (2019). See also Pope Francis, Laudato Sì, no. 49.
8 See Pope Francis, Amoris Laetitia (2016), and Christus Vivit (2019).
9 Pope Francis, Evangelii Gaudium, no. 49.
estar envolvidos no processo de tomada de decisão por meio de diálogo e consulta sinceros e abertos. O Papa Francisco está implementando a inspiração do Concílio Vaticano II, ou seja, a Igreja como povo de Deus; sublinhando a importância do princípio da colegialidade e da subsidiariedade que apelam a uma forma colegial de tomada de decisões e à descentralização na gestão do governo da Igreja.
3.4 Misconduct /Má Conduta
Nossa Igreja continua traumatizada por uma explosão de escândalos sexuais e abuso sexual de menores cometidos por clérigos e religiosos. Este abuso infligiu feridas profundas nas vítimas e pôs em causa a credibilidade da Igreja como instituição moral e espiritual. O Papa Francisco deu passos firmes e tomou decisões importantes para restaurar os danos e promover a proteção de menores e adultos vulneráveis, implementando uma regra / abordagem de tolerância zero para aqueles que cometeram abuso sexual de menores. O mestre geral pediu a todos os superiores maiores que revisassem as políticas e protocolos para lidar com a má conduta sexual de menores por parte dos Crúzios. Cada área da Ordem desenvolveu as políticas e o protocolo.
Como Igreja, devemos reconhecer nossos pecados e a necessidade de uma conversão séria e pedir perdão a Deus. Devemos ouvir com simpatia as experiências dolorosas e traumáticas dos sobreviventes, ajudá‐los e acompanhá‐los até a recuperação e, finalmente, nos esforçarmos por um forte compromisso para evitar que essa experiência horrível se repita no futuro.
3.5 Prophetic Dimension/Dimensão Profética
O Papa Francisco, em muitas ocasiões, acentuou a vocação profética da vida consagrada por meio da vida dos conselhos evangélicos e dos respectivos ministérios. Na sua Carta Apostólica por ocasião do Ano da Vida Consagrada,10 O Papa Francisco exorta todos os religiosos e religiosas a recordar o passado com gratidão, a viver o presente com entusiasmo e a olhar para o futuro com esperança. Ele também enfatiza o importante papel do discernimento pessoal e comunitário na Igreja e na vida consagrada e alerta para o perigo do clericalismo e do mundanismo espiritual.11 O Papa Francisco acentua que:
“O discernimento é necessário não apenas em momentos extraordinários, quando precisamos resolver problemas graves e tomar decisões cruciais. É um meio de combate espiritual para nos ajudar a seguir o Senhor com mais fidelidade.
Precisamos disso em todos os momentos, para nos ajudar a reconhecer o cronograma de Deus, para que não deixemos de dar ouvidos aos impulsos de sua graça e desconsiderar seu convite para crescer.”12
A renovação da Igreja Católica promovida pelo Papa Francisco criou forte oposição dos grupos ultraconservadores e tradicionalistas que promovem a restauração em vez da transformação no espírito do Concílio Vaticano II.
10 A Carta Apostólica foi emitida em 21 de novembro de 2014.
11 Papa Francisco, Evangelii Gaudium, no. 93‐97
12 Papa Francisco, Gaudete et Exultate, no. 169.
O que está acontecendo na Igreja nos desafia, religiosos Crúzios, a renovar nosso compromisso, a inculturar nosso carisma, a revisitar nossa missão e a aguçar nossa consciência dos sinais dos tempos e responder à luz do Evangelho e de nosso carisma. Portanto, o Capítulo Geral de 2021 deve levar em consideração a realidade atual da Igreja.
4.0 Religious Life Context/
Contexto de Vida Religiosa
Nossa vida religiosa não está imune aos desafios presentes no mundo e na sociedade onde a vida religiosa é vivida. O que está acontecendo na sociedade influencia os religiosos e as religiosas na vivência de sua identidade e missão. O que foi descrito acima, tanto no contexto mundial como eclesial, desafia os religiosos e religiosas a viverem seus votos religiosos e sua missão. Neste contexto, os religiosos e as religiosas são chamados a dar um testemunho profético impregnado de suas experiências místicas.13 Diante de uma sociedade consumista que nos sobrecarrega com tantas opções e ofertas e estimula nosso desejo instintivo de possuir, comprar e usar, as pessoas religiosas são desafiadas a cultivar o hábito do discernimento para que possam distinguir suas necessidades de suas carências.14
4.1 Challenge of Clericalism/Desafio do Clericalismo
O Papa Francisco lembra aos religiosos repetidamente sobre a tendência do clericalismo e do carreirismo. O clericalismo é sustentado por uma mentalidade patriarcal que ainda cresce na Igreja e continua a ser cultivada. Essa mentalidade e dominação minam as mulheres como segunda classe na Igreja e as exclui dos processos de tomada de decisão na Igreja. Além disso, o Papa Francisco chama os religiosos e religiosas a estarem atentos à tentação do mundanismo espiritual que se disfarça por trás de uma “aparência de piedade e até de amor à Igreja, que consiste em buscar não a glória do Senhor, mas a glória humana e o bem‐estar pessoal.”15
4.2 Challenge of Decline/Desafio de Declínio
Agora, a vida consagrada enfrenta um grande desafio de declínio de membros no hemisfério norte por causa do envelhecimento e da falta de candidatos que demonstrem interesse em ingressar na vida religiosa. Nessa situação, surge a tentação de abraçar a ars bene moriendi, a arte de morrer bem.
Neste contexto, devemos promover a nossa espiritualidade da Cruz e viver o mistério pascal. Além disso, diante da fragilidade humana, somos chamados a manter viva a esperança e a descobrir a beleza da fragilidade e da vulnerabilidade humanas, nas quais a graça de Deus atua abundantemente:
“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Cor . 12,9).
O outro extremo é apenas aceitar quem quiser ingressar, sem seleção adequada e bom discernimento vocacional. Diante da falta de candidatos vocacionais para a vida religiosa, não podemos cair na tentação de adotar “um método de fecundação artificial”. Devemos orar e pedir ao Senhor da messe que envie operários para fazer a grande messe (Mt 9,37‐38). Nossa Ordem não está imune a esta situação desafiadora.
13 Os temas tratados pela USG e pela UISG em suas assembléias dão uma ideia do que está acontecendo no mundo da vida consagrada. Publicações recentes da Congregação do Vaticano para os religiosos refletem realidades, questões e preocupações contemporâneas da vida consagrada contemporânea. Um artigo da revista ``La Civiltà Cattolica ``apontou para um problema atual de abuso de poder e autoridade, em particular nos institutos religiosos femininos e nas novas fundações (o problema dos fundadores e fundadoras). Ver: Giovanni Cucci SJ, Questões de Autoridade e Abuso entre Mulheres Religiosas, em: La Civiltà Cattolica, agosto de 2020.
14 Como é mencionado em “um religioso crúzio no momento da profissão solene’’. Um perfil geral” a seção sobre voto de pobreza.
15 Papa Francisco, Evangelii Gaudium, no. 93.
4.3 Sentinels of the Dawn/Sentinelas do Amanhã
Em muitos institutos religiosos, incluindo nossa Ordem, há um número cada vez maior de membros no hemisfério sul. É claro, uma boa notícia e um sinal de esperança para o futuro.
Também desafia a inculturação da vida religiosa e do carisma da Ordem em novos contextos culturais. Em muitas ordens religiosas e congregações, a liderança geral está se mudando para o hemisfério sul.
Na nossa Ordem este desenvolvimento também está ocorrendo. Como ajudamos a geração jovem a se apropriar e cultivar a herança religiosa dos Crúzios? Precisamos usar esta pequena janela de oportunidade para equipar a geração jovem a aprender, compreender e internalizar nossa herança espiritual dos Crúzios.
“Nossa Ordem foi pequena, é pequena e será pequena”16 … velha, pequena, mas indestrutível.
Isso significa que o Espírito Santo trabalhou e continua a trabalhar em nossa Ordem.
Existem diferentes situações na Ordem, particularmente diferenças entre o hemisfério norte e o hemisfério sul. Estas situações convocam a Ordem a realizar uma economia fraterna, compartilhando pessoal, finanças, informação, encargos e benefícios, para a promoção do bem comum da Ordem.
4.4 Challenge of Sustainability/
Desafio da Sustentabilidade
Como outros pequenos institutos e congregações religiosas, também estamos lutando para encontrar maneiras de garantir a sustentabilidade financeira para apoiar nossa vida religiosa e missão dos Crúzios. Essa preocupação foi levantada no Capítulo Geral de 2009. O capítulo determinou que todas as áreas da Ordem estabelecessem um escritório de desenvolvimento.
As áreas que estabeleceram um escritório de desenvolvimento são a antiga Província de Santa Odília, a Província do Beato Teodoro de Celles e a Delegação Geral para o Brasil. A Província dos Mártires de Bondo e a Província de Sang Kristus também estabeleceram seu escritório de desenvolvimento, que deve ser equipado por pessoal comprometido e apaixonado para que o escritório funcione bem e seja frutífero.
4.5 Formation/Formação
A fim de assegurar a sustentabilidade da Ordem, a formação na vida religiosa dos Crúzios é uma questão prioritária e crucial. Portanto, a melhoria da qualidade da formação é um elemento‐
chave que consiste na preparação de formadores qualificados, na melhoria do recrutamento e seleção de candidatos, na promoção do acompanhamento pessoal dos formandos, na melhoria do sistema de avaliação e na oferta de programas de formação holística (integral). Em nossa Ordem, o grande desafio é preparar e equipar os confrades para serem bons formadores. O papel da comunidade onde ocorre a formação inicial é crucial.
Continua a existir uma incoerência e incongruência entre o que os formandos foram ensinados pelos seus formadores e o que eles vêem na forma de professos solenes testemunharem na vida quotidiana. Esta situação é obviamente contraproducente e se torna uma pedra de tropeço para os formandos. O mestre geral escreveu uma carta pastoral sobre Verbo et Exemplo (2018
16 Esta expressão foi frequentemente usada pelo Mestre General Martinus Manders. Veja: Roger Janssen osc, Oord van Helder Licht. 800 jaar Orde van het Heilig Kruis 1210 ‐ 2010, p. 276. Martinus Manders serviu à Ordem como Mestre Geral de 1889‐1899.
Tempo da Quaresma) para encorajar todos os confrades professos a servir como um modelo para os formandos na vivência da vida religiosa dos Crúzios, conforme articulado em Um Religioso Crúzio na Profissão Solene: Um Perfil Geral.
4.6 Brotherhood/Fraternidade
No que diz respeito à vida comunitária e à fraternidade, as situações são diferentes na Ordem. Com base nas minhas visitas canônicas a todas as áreas da Ordem, percebi que em geral os confrades valorizam a vida em comunidade e a experimentam em sua vida cotidiana.
As dinâmicas da vida em comunidade são variadas, dependendo do contexto cultural.
A fraternidade dos Crúzios se expressa de diferentes formas. A intensidade e a qualidade do sentimento de pertença dos membros à comunidade e à Ordem são diferentes. Uma impressão comum em toda a Ordem é a prática dos confrades mostrarem hospitalidade para com os irmãos e outras pessoas. Hospitalidade fraterna é uma marca registrada dos Crúzios.
O que ‐ a meu ver ‐ precisa ser melhorado em nossa vida fraterna comunitária são as relações interpessoais, uma comunicação mais profunda, a partilha da fé e de nossas experiências vocacionais, ousando desafiar‐se a um crescimento humano e espiritual mais profundo, e um prática da correção fraterna. Durante minha visita à Pró‐Província dos Mártires de Bondo, e especialmente nas casas de formação, testemunhei uma experiência maravilhosa sobre como eles vivem a fraternidade dos Crúzios: durante as refeições da comunidade, a informação é compartilhada, e não há o hábito de falar mal dos outros. confrades.
A dinâmica e a vitalidade de uma comunidade local dependem do compromisso do líder e dos membros da comunidade. Em algumas comunidades, os capítulos da comunidade local e a oração litúrgica comum não acontecem por causa da falta de compromisso do líder local e dos membros, e por causa da falta de consciência da importância dos capítulos na vida religiosa dos Crúzios.17
4.7 Intercultural Community Life/
Vida Comunitária Intercultural
Como em outros institutos religiosos, experimentamos um aumento de comunidades interculturais. Isso traz grandes desafios para a construção de uma autêntica comunidade fraterna. Nessas comunidades interculturais, os Crúzios são desafiados a respeitar seus confrades, reconhecer e apreciar a diversidade, cultivar a tolerância e promover a abertura para aprender uns com os outros e se apropriar da cultura dos Crúzios como um valor vinculante que nos une como Ordem.
O número de comunidades interculturais de Crúzios está aumentando. O Priorado Conventual dos EUA é formado por confrades americanos, indonésios e congoleses, além de um frater do México e do Brasil. A comunidade de Santa Ágata na Província Européia é formada por confrades holandeses, confrades belgas, um congolês e um indonésio e um confrade originário dos Estados Unidos.18 A comunidade da Delegação Geral para o Brasil é formada por confrades do Brasil, Indonésia e Congoleses. As comunidades em Sang Kristus consistem em confrades holandeses, confrades indonésios vindos de diferentes etnias e tribos, e também dois confrades congoleses.
17 Ver: Constitutions, no. 8 and 9.
18 A composição intercultural do Priorado de Sint Agatha mudou recentemente.
Esta realidade de interculturalidade enriquece as comunidades por diferentes valores e costumes culturais. Faz com que as comunidades pareçam mosaicos coloridos. No entanto, esta realidade também nos coloca diante de um grande desafio que requer atenção. A respeito desse desafio, a Casa Geral publicou o documento sobre a Vida Intercultural dos Crúzios (2018). A fim de promover a comunicação e a colaboração internacional e intercultural, podemos maximizar o uso da tecnologia de mídia social para nos mantermos em contato uns com os outros como confrades da Ordem dos Crúzios.
4.8 Respect for our Crosier Way of Life/
Respeite nosso Modo de Vida Crúzia
Em algumas áreas da Ordem, especialmente na Indonésia, o equilíbrio entre a vida comunitária e os ministérios pastorais continua a ser um grande desafio a ser resolvido. A ocupação dos confrades que trabalham nas paróquias consome a maior parte do tempo e das energias. Como consequência, esses confrades se envolvem menos nas atividades comuns e nas observâncias da comunidade religiosa. Esta realidade fez parte e persiste na história da Ordem.19
Nossas Constituições sublinham o apoio mútuo entre a vida comunitária fraterna e os ministérios pastorais fora da comunidade:
“Uma vez que fomos chamados ao serviço da Igreja na comunidade e através da comunidade, favorecemos os empreendimentos apostólicos que requerem ou são enriquecidos pela vida comunitária e que por sua vez a fomentam.”20
O verdadeiro problema talvez não esteja no equilíbrio entre a vida comunitária e o ministério do Crúzio, mas se existe um sério respeito em cada membro da Ordem pelo modo de vida dos Crúzios. Cada Crúzio está totalmente fundamentado nos valores carismáticos da Ordem: vida comunitária, liturgia, capítulo, hospitalidade, ...?
4.9 Mutual Collaboration with Dioceses/
Colaboração Mútua com Dioceses
Os crúzios contribuem para a construção da Igreja local por meio da vida comunitária fraterna, da oração litúrgica comum e dos apostolados crúzios. Durante minhas visitas canônicas, os bispos expressaram seu apreço e apoio ao carisma dos Crúzios. Ele se alinha com o que está explicitado em Mutuae Relationes.21
Como uma Ordem religiosa, devemos ser firmes e ousados para reivindicar legitimamente a vivência de nosso carisma e não comprometer nossa identidade Crúzia com as demandas pastorais de dioceses ou paróquias.
19 Ver: Roger Janssen osc, A Comunidade Formativa na Ordem da Santa Cruz 1210-2015; Fraternidade na Ordem da Santa Cruz, 1210-2014.
20 Constitutions, no. 22.2.
21 Ver: Mutuae Relationes, no. 52.
5.0 Unity in Charity:
Bringing, Breaking and Sharing the Bread/
Unidade na Caridade: Trazendo, Partindo e Compartilhando o Pão
O tema do Capítulo Geral de 2021 nos convida a continuar a implementar a economia fraterna
“como uma forma concreta de viver nossa genuína fraternidade Crúzia e responsabilidade compartilhada pelo bem comum da Ordem” (Diretiva do Capítulo Geral de Economia Fraterna de 2015). Nossa fraternidade, imbuída e inspirada pela caridade, une nossa Ordem na unidade e se manifesta “trazendo, partindo e compartilhando o pão”. Pão pode referir‐se à herança espiritual, dons, recursos, preocupações, aspirações, expectativas, alegrias e tristezas, fardos e benefícios ... que são trazidos ao capítulo geral de todas as partes da Ordem. A “unidade na caridade” promoverá consequentemente a identidade única dos Cônegos Regulares da Ordem da Santa Cruz. A caridade exigida dos Crúzios não é “glorificar” áreas ou comunidades ou pessoas, mas ser unidos como uma Ordem. O que trazemos vem da mesma fonte, o que quebramos é de todos, e o que compartilhamos flui de todos os irmãos, através do povo de Deus, até o nosso destino final, o Pai.
5.1 Biblical Inspiration/Inspiração Bíblica
Este tema ecoa inspiração bíblica. Refere‐se à primeira comunidade cristã de Jerusalém que se reuniu para ouvir as palavras de Deus, partiu o pão, perseverou no ensino dos apóstolos, colocou todas as coisas em comum e garantiu que cada pessoa recebesse o que precisava (At 2,41 ‐47; 4,32‐35). Este tema apela a manter viva a unidade na diversidade da Ordem, como um pão feito com diversos ingredientes, nas mais variadas formas e sabores. O Capítulo Geral, como autoridade suprema, tem a responsabilidade de assegurar a unidade da Ordem, na qual a caridade é o valor obrigatório, de salvaguardar o patrimônio espiritual e o patrimônio da Ordem; e tomar decisões importantes sobre a vida e a missão da Ordem.
5.2 Rich in Spirituality/Rico em Espiritualidade
Este tema articula uma espiritualidade eucarística: trazer, partir, compartilhar o pão para alimentar os outros. Acentua a essência do amor, o que implica auto‐sacrifício (Jo 15,13).
Esta espiritualidade eucarística se refere às experiências memoráveis e poderosas dos dois discípulos no caminho para Emaús. Eles foram capazes de reconhecer Jesus ressuscitado quando Ele partiu e dividiu o pão com eles (Lucas 24, 30‐31). Partir e compartilhar o pão significa hospitalidade para com o estranho e se torna o momento de autorrevelação mútua entre o anfitrião e os convidados.
O tema destaca uma espiritualidade de comunhão. Cada pessoa e cada parte moldam a unidade da Ordem. Cada pessoa e cada parte contribui para a vida da Ordem.
Este tema também fala sobre a espiritualidade da Cruz. Os delegados do Capítulo Geral derrubarão muros, abrirão horizontes e perspectivas, deixarão suas zonas de conforto, pensarão além de sua área, abandonarão uma mentalidade partidária, se deixarão iluminar
pela obra criativa do Espírito Santo e se transformarão para se tornar um novo ser humano.
Isso requer auto‐sacrifício, abandono, disposição para morrer nosso próprio ego e fidelidade à Cruz.22
Um capítulo geral é um evento de fé. É um momento favorável e agradável para trazer, partir e compartilhar nosso pão para alimentar a Ordem. O mestre geral trará e compartilhará as principais preocupações da Ordem com base em suas experiências de visitas a todas as áreas da Ordem. Os delegados levarão seu pão para compartilhá‐lo no Capítulo Geral. Os delegados compartilharão com o Capítulo o que está acontecendo nas distintas partes da Ordem. Eles são convidados e devem falar francamente, sem hesitação ou medo. Por meio da escuta ativa e humilde, os delegados chegarão, em primeiro lugar, a um entendimento mais profundo.
Não há hierarquia no capítulo geral.23 Após o discernimento comunitário, o capítulo geral tomará decisões para os próximos seis anos. Depois do Capítulo Geral, os delegados trarão, partirão e compartilharão o pão de suas experiências capitulares e das decisões capitulares com os irmãos em suas respectivas áreas.
22 Ver João 12,24 e Constituições 2.2.
23Esta declaração foi feita durante uma conferência webinar sobre “Capítulos Gerais em Tempos de Incerteza. Novas conversas no contexto de hoje ”(setembro de 2020 / novembro de 2020), organizado pela“ Fé e Práxis pela Liderança Global.”
6.0 Implementation of the 2015 General Chapter Directives/
Implementação das Diretrizes do Capítulo Geral de 2015
Vimos vários componentes do contexto em que se situa a vida da Ordem dos Crúzios.
Abordamos brevemente o significado do tema do Capítulo Geral de 2021. Agora passamos para a parte principal do relatório. Em primeiro lugar, daremos conta da implementação das diretrizes do Capítulo Geral de 2015.
Para implementar as diretrizes do Capítulo Geral de 2015, o Mestre Geral e seu Conselho dedicaram um tempo para discussão e reflexão, facilitados por uma facilitadora externa, Ir. Christine Anderson (26‐27 de outubro de 2015). O Plano Geral de Implementação foi apresentado para consulta ao conselho ampliado durante a reunião de outono de dezembro de 2015. Como um documento de trabalho, o Plano Geral de Implementação foi publicado na Ordem em janeiro de 2016. Serviu como uma diretriz para a implementação das diretrizes do Capítulo Geral de 2015 tanto nas áreas da Ordem como em nível geral.
6.1 General Governance/Governaça Geral
Nos últimos 35 anos, a governança geral teve diferentes composições. De 1985 a 1997, o mestre geral teve dois assistentes gerais nomeados e aprovados pelo capítulo geral (1985).
A junta geral era composta pelos priores provinciais. Em 1991‐2003, o mestre geral estava acompanhado por dois assistentes gerais eleitos e os priores provinciais continuaram a servir ex officio como conselheiros gerais. Em 2003‐2015, o mestre geral teve um conselho composto por dois conselheiros gerais eleitos e pelos priores provinciais.
6.2 The General Council of the Master General/
O Conselho Geral do Mestre Geral
O Capítulo Geral de 2015 elegeu três conselheiros gerais ad experimentum. O conselho geral aconselha o mestre geral e, quando necessário, dá consentimento para questões canônicas, questões de pessoal e designação de pessoal em nível geral. O mestre geral e os conselheiros gerais eleitos vivem juntos na casa geral. Os conselheiros gerais também desempenham funções em cargos de estado‐maior geral e assumem várias responsabilidades, incluindo as funções de procurador‐geral, arquivista geral, secretário‐geral, assistente do mestre geral para a administração. Desde fevereiro de 2018, um conselheiro geral atua como reitor da basílica de San Giorgio in Velabro. Outro conselheiro geral serviu ‐ desde 2015 ‐ como o superior local nomeado da comunidade de Roma, incluindo o cuidado dos alunos Crúzios e outros alunos.
Ele também é o vice‐reitor da basílica.24
Com base na experiência, vivendo juntos na mesma comunidade, o mestre geral pode convocar reuniões a qualquer momento em que necessite do conselho ou do consentimento do conselho geral para que as decisões possam ser tomadas em tempo hábil. Este é um benefício e uma
24Reitor e Vice‐Reitor ‐ por recomendação do Mestre Geral ‐ são atribuições oficiais dentro da Diocese de Roma. Ambos os confrades recebem um salário mensal oficial como renda para a comunidade de Roma.
grande diferença com os sistemas anteriores do conselho geral. Antes de 2015, os itens da agenda do conselho geral só podiam ser tratados duas vezes por ano, durante a primavera e o outono. O mestre geral foi então autorizado a nomear um conselho substituto para assuntos canônicos relacionados ao pessoal. A estratégia ad experimentum permitiu que o trabalho de governação do mestre geral, onde o conselho geral estava explicitamente envolvido, fosse mais difundido no tempo, nos momentos oportunos e também na preparação das reuniões.
Nestes seis anos ‐ já que era o mandato do Capítulo Geral de 2015 ‐ regularmente o mestre geral convocou seu conselho geral para processar os pedidos de admissão aos votos solenes ou aprovação de ordenações. Os pedidos de aprovação de ordenações foram apresentados separadamente dos pedidos de admissão à profissão solene. Um dossiê adequado para ordenação de diácono e ‐ na maioria dos casos, apenas meio ano depois ‐ o dossiê para ordenação ao sacerdócio. Além disso, os pedidos de aprovação para ordenação chegavam geralmente apenas meio ano após os votos solenes do candidato à ordenação. Esses pedidos foram no bom sentido “numerosos”, especialmente os vindos da Província de Sang Kristus e da Pró‐Província dos Mártires de Bondo.
O Mestre Geral e seu Conselho Geral atuaram como Superior Maior Canônico e Conselho da Delegação Geral para o Brasil. Visto que o Capítulo Geral de 2015 confirmou a continuação da (parte da) Ordem no Brasil como Delegação Geral, o trabalho de governança foi confiado ao Mestre Geral e seu Conselho Geral. A disponibilidade permanente de três conselheiros gerais facilitou este papel específico do mestre geral servindo como superior maior de uma parte específica da Ordem. A contínua refundação da vida religiosa dos Crúzios exigia impulsos e decisões regulares ao nível do superior maior, sendo o mestre geral. A distância entre Roma e o Brasil (Campo Belo) não era benéfica para a capacidade de lidar com eficácia e eficiência com as necessidades e preocupações daquela parte da Ordem.
O estado‐maior geral ‐ o mestre geral, os conselheiros gerais e o ecônomo geral ‐ tinha uma reunião semanal na quarta‐feira, durante a manhã inteira; e duas vezes por ano uma reunião estendida do pessoal geral, cada uma durante cerca de 5 dias. Estas reuniões estendidas do quadro geral foram sempre frutíferas e benéficas: para avaliação do pessoal e formação de equipe, para oportunidades de formação permanente, para trabalhar em projectos específicos. Em setembro de 2016, o estado‐maior geral reuniu‐se em Arricia (fora de Roma) e convidou o Padre Jan Peters, SJ para facilitar uma primeira avaliação mais ampla do pessoal.
6.3 The Extended Council of the Master General/
O Conselho Amplo do Mestre Geral
O Capítulo Geral de 2015 estabeleceu ad experimentum um conselho ampliado do mestre geral, composto pelo conselho geral eleito e todos os superiores maiores. Conforme declarado na Relicção do Capítulo Geral de 2015, este conselho aconselha sobre as questões apresentadas pelo Mestre Geral e fornece consentimento e voto colegiado conforme prescrito na lei própria ou por um Capítulo Geral. O consentimento do conselho ampliado é necessário para a avaliação dos táxons (GS.42.2), o orçamento geral (GS 42.4); a destituição do conselheiro geral (GS 37.8); e a nomeação do conselheiro geral fora do capítulo (GS 37.10).
O conselho ampliado25 tem reuniões regulares uma vez por ano por um período de 5 a 10 dias.
25 O conselho ampliado não é uma reunião de dois grupos, a saber, a ‘equipe geral’ de um lado e os ‘superiores maiores’
Durante a reunião do conselho ampliado, os superiores maiores relataram a situação atual da vida da Ordem nas respectivas áreas. Eles também tiveram a oportunidade de conversar pessoalmente com o mestre geral. Com base em nossa avaliação, alguns superiores maiores se sentiram às vezes menos engajados na liderança geral em comparação com o período em que eram membros ex officio do conselho geral, antes do Capítulo geral de 2015.
Durante o período ad experimentum, os superiores maiores, como membros do conselho ampliado, envolveram‐se nos processos de tomada de decisão por meio de seu papel consultivo e consultivo.
O desafio experimentado não era ver o conselho ampliado como sendo o conselho geral e os superiores maiores como um “complemento”. A dinâmica “nós” ‐ “eles” precisava ser evitada por não ser útil nem construtiva. Embora a prestação de contas seja importante, o conselho ampliado não deveria funcionar como dois “grupos controlando‐se mutuamente”.
O conselho ampliado aprendeu ‐ até certo ponto ‐ a servir como uma equipe em colaboração com o mestre geral para o bem‐estar da Ordem. Essa aprendizagem provavelmente será um esforço e esforço contínuos ...
Dada a importância de permanecer conectado e envolvido com os desenvolvimentos gerais da Ordem, a comunicação e a colaboração entre a Casa Geral e os Superiores Maiores precisam ser aumentadas tanto por encontros presenciais quanto por encontros Zoom. Eu, como Mestre Geral, recomendo que o Capítulo Geral de 2021 mude o Conselho Estendido de ad experimentum para estabelecido de forma permanente nos Estatutos Gerais. No decorrer desses anos, compreendemos melhor e apreciamos mais profundamente a decisão do Capítulo Geral de 2015 de instituir um conselho ampliado do mestre geral, especialmente porque ficou mais claro durante as reuniões o que este conselho via como seu papel dentro do quadro mais amplo da governança geral.
6.4 Governance Restructuring/
Reestruturação de Governança
O Capítulo Geral de 2015 permitiu um modelo misto de estrutura de governança, ou seja, uma estrutura de dois e três níveis: local ‐ nível geral e local ‐ área ‐ nível geral. A motivação fundamental para a reestruturação do governo na Ordem é a preocupação de como o carisma da Ordem pode ser vivido da melhor maneira. Como me lembro da discussão sobre a reestruturação, a resolução final feita pelo capítulo parecia ser um meio‐termo entre dois e três níveis de estrutura.
6.4.1 Implementation/Implementação
Para facilitar a Reestruturação da Governança exigida em 2015, a implementação foi uma tarefa importante e exigente para a governança e administração geral. O Generalato elaborou e forneceu um extenso livro de exercícios para educação e orientação para o processo de reestruturação em cada área da Ordem. O livro de exercícios foi traduzido nas várias línguas da Ordem, para facilitar o seu uso e para garantir que todos os confrades pudessem lê‐lo e trabalhar com ele. Este módulo explicitou o significado da reestruturação, os critérios de cada
do outro. É a reunião do Mestre Geral com um grupo maior de conselheiros composto pelo conselho geral e por todos os superiores maiores.
estrutura de governo, o processo, os critérios para avaliar as realidades atuais, o processo de discernimento envolvendo todos os membros das áreas e a tomada de decisões no capítulo provincial ou pró‐provincial.
Para ajudar os confrades a compreender ainda melhor a ênfase na comunidade normativa na Ordem, o mestre geral pediu ao confrade Roger Janssen que fizesse uma pesquisa histórica.26 A seguir, desejo relatar como cada parte da Ordem tratou da diretriz de reestruturação da governança do Capítulo Geral de 2015. Os subtítulos indicam a própria estrutura de governo (ad experimentum), como resultado das decisões tomadas após o Capítulo Geral de 2015.
6.4.2 Conventual Priory of the Holy Cross (USA)
A Província de Santa Odilia, depois de um sério discernimento sobre a realidade atual da província, com dois priorados, e a partir das projeções para os próximos vinte anos, adotou a estrutura de conventual prioritário.27 Esta estrutura é mais adequada e evidente da perspectiva do carisma da Ordem dos Crúzios ‐ como Ordem dos Cônegos Regulares ‐ que se concentra na vida fraterna conventual em comunidade. Em resposta a um pedido formal do Capítulo Provincial de 2017, para ser estabelecido como Priorato Conventual, o Mestre Geral ‐ um ano depois ‐ suprimiu canonicamente a Província de Santa Odilia em agosto de 2018 para estabelecer o Priorato Conventual da Santa Cruz no EUA. O primeiro Capítulo do Priorato Conventual elegeu o confrade Thomas Enneking como Prior Conventual e elegeu seus conselheiros.
O priorato conventual nos Estados Unidos tem dois locais comunitários em Phoenix (AZ) e em Onamia (MN). O prior conventual vive na comunidade do priorado conventual, juntamente com os seus membros. Ele fica principalmente no site da comunidade Phoenix e passa cerca de uma semana por mês no site da comunidade Onamia. O convento conventual celebra um capítulo todos os meses pela Zoom. Uma vez por ano é convocado o capítulo do convento conventual mandatado por estatuto, onde todos os membros se reúnam efetivamente. Existe apenas um orçamento anual para um convento conventual, cobrindo os dois locais.
6.4.3 Province of Blessed Theodore de Celles (Europe)
A Província do Beato Teodoro de Celles, fundada em 2000, adotou a estrutura da Província.
As implicações da diretiva do Capítulo Geral de 2015 sobre a reestruturação da governança foram exaustivamente estudadas, discutidas e discernidas por uma comissão provincial ad hoc;
e, posteriormente, junto com membros da província. O capítulo provincial de 2019 adotou a resolução de manter a estrutura de governo de uma província até 2022, com dispensa
‐ concedida pelo mestre geral ‐ de alguns requisitos canônicos próprios desta estrutura: a existência de três comunidades vitais de conventos crúzios, a composição do conselho do prior provincial, incluindo ‐ ao lado do vice‐provincial eleito ‐ ex officio também os três superiores locais das comunidades de Sint Agatha, Maaseik e Hannut.
O capítulo provincial levou em consideração as complexas realidades da província. Esta província é composta por membros espalhados por seis países diferentes: Bélgica, Holanda,
26 Os resultados do seu estudo são publicados na Comunidade Normativa na História da Ordem da Santa Cruz (2017) e disponibilizados para toda a Ordem.
27 O “priorado conventual” é outro nome ‐ mais adaptado ‐ ao que o capítulo geral de 2015 chamou de “priorado autônomo”.
A reflexão ‐ a partir do capítulo geral e como tarefa por ele atribuída ‐ do significado de “priorado autônomo” resultou na adoção do termo “priorado conventual”. O Comitê Canônico descreveu os resultados deste processo de pensamento no Livro de Consulta (junho de 2020) publicado para toda a Ordem em várias línguas.
Alemanha, Áustria e Brasil, com diferentes regulamentos (civis). Vários confrades vivem fora da comunidade como filii provincialis. Todos os membros têm mais de 65 anos, exceto 4 membros que têm mais de 45 anos. As comunidades são fracas devido ao envelhecimento dos membros. O capítulo provincial manteve três comunidades existentes: Sint Agatha, Maaseik e Hannut. O mesmo capítulo reelegeu o confrade Peter Snijkers como prior provincial e elegeu o vice‐provincial. Foi decidido ‐ pelos estatutos provinciais ‐ que os superiores locais de três comunidades ‐ Maaseik, Santa Ágata e Hannut ‐ se tornassem membros do conselho canônico do prior provincial.
6.4.4 Province of Sang Kristus (Indonesia)
A Província de Sang Kristus manteve a estrutura de governo de uma província. Esta província é composta por quatro priorados e mais de dez outras ‐ geralmente pequenas ‐ comunidades espalhadas pelas muitas ilhas da Indonésia: da parte oeste da Indonésia (ilha de Nias e Sumatera) até o extremo leste da Indonésia (Papua Ocidental). Existem diferentes dinâmicas de realidades eclesiásticas onde os Crúzios servem ao povo de Deus. Há uma situação política e religiosa crítica em curso na Indonésia. Tendo estas realidades como pano de fundo e depois de um sério debate e discernimento, a Província de Sang Kristus, no capítulo provincial celebrado de 15 a 19 de julho de 2019, decidiu manter a estrutura inspetorial e elegeu o irmão Agung Rianto como prior provincial e elegeu também seu conselho.
6.4.5 Province of Martyrs de Bondo (Congo Kinshasa)
A Pró‐Província dos Mártires de Bondo é reestruturada como uma província. O prior pró‐
provincial da Pró‐Província dos Mártires de Bondo apresentou uma proposta informada ao capítulo provincial da Província europeia com o pedido de ser constituído como província. O capítulo provincial apoiou o pedido. O Capítulo Provincial de 2019 ‐ conforme consta do relicto
‐ autorizou o prior provincial a tomar a decisão após o preenchimento da documentação. A decisão de estabelecer a província foi aprovada pelo mestre geral com o consentimento do conselho geral (ver atual GS30.1) em 05 de agosto de 2020.
Tendo recebido o pedido da Pró‐Província dos Mártires de Bondo para ser ereta província, o Capítulo Provincial da Europa 2019 apoiou plenamente o pedido e encarregou o Prior Provincial da Província do Bem‐aventurado Teodoro de Celles para dar seguimento à decisão de o Capítulo Provincial para estabelecer a Província dos Mártires de Bondo com a aprovação do Mestre Geral com o consentimento de seu Conselho Geral. O mestre geral com o consentimento do conselho geral aprovou o estabelecimento da Província dos Mártires de Bondo e, por ocasião da celebração do centenário da presença e missão dos Crúzios em Conteúdo Africano, emitiu o decreto de criação da Província dos Mártires de Bondo em 16 de fevereiro de 2021.
O primeiro capítulo provincial aconteceu de 16 a 20 de fevereiro de 2021 e no Capítulo foi eleito prior provincial Kahindo Benjamin OSC.
Os desafios contínuos a serem enfrentados são a sustentabilidade financeira da área e uma boa liderança dos Crúzios, bem como um planejamento de pessoal eficaz. Os líderes e membros precisam trabalhar para um aumento gradual da geração de renda local. A Ordem na área dos Mártires de Bondo tem muitos membros jovens e muitos candidatos em potencial. Os confrades estão ansiosos e comprometidos em viver a vida religiosa dos Crúzios. Os apostolados sustentam sua vida comunitária.
A Pró‐Província dos Mártires de Bondo estabeleceu três priorados: Priorado Chipukizi em Mulo (antes de 2015), Priorado Katwa (em dezembro de 2019) em Mulo, e Priorado Mboka Emmaus (em junho de 2020) em Kinshasa.
6.4.6 Priorato da Santa Cruz (Brazil)
Desde 2011, a governança do Priorato da Santa Cruz28 em Campo Belo (MG) está estruturada como uma delegação geral para o Brasil, diretamente subordinada ao mestre geral (superior maior).
O estabelecimento da Delegação Geral para o Brasil foi uma provisão temporária feita pelo mestre geral,29 para fornecer governança em um processo de refundação ‐ recomeçando ‐ para a vida religiosa dos Crúzios no Brasil no contexto do Priorato de Campo Belo.
O Capítulo Geral de 2015 aprovou a continuação da existência da delegação geral para a comunidade do priorato no Brasil, para apoiar sua vida de Crúzios. O Capítulo deixou o mestre geral com um papel significativo de liderança particular para uma ‐ embora pequena em número ‐ parte da Ordem. O generalato continuou a fornecer subsídios financeiros e outras formas de assistência à área.
Visto que uma delegação geral ‐ ao contrário de um priorado conventual e de uma província
‐ não se destina a ser uma estrutura de governo constitucional da Ordem,30 o mestre geral explorou outras configurações estruturais para o Priorato da Santa Cruz em Campo Belo (Brasil).
Depois de conversas regulares com os membros da delegação geral e consulta ao conselho ampliado (outubro de 2019), foi acordado que o status de delegação geral permaneceria até que outras decisões sejam tomadas pela próxima administração seguindo as diretrizes do capítulo geral.
6.4.7 Canonical Committee/Comitê Canônico
O mestre geral estabeleceu um Comitê Canônico, encarregado de redigir as revisões propostas na própria Lei da Ordem. O comitê levou em consideração as avaliações das experiências com as propostas adotadas ad experimentum (2015‐2021) e a adaptação ad experimentum da lei própria Crúzia.
Isto implicou, em particular, a implementação das estruturas mistas de governo, adotando o priorado conventual como estrutura de governo constitucional. O trabalho de revisão inclui também o desenvolvimento de normas e estatutos para a formação e o governo da economia fraterna. A comissão canônica trabalhou arduamente nas propostas de revisão das Constituições e Estatutos Gerais. O comitê se reúne todos os anos, desde janeiro de 2018.
O esboço das propostas de revisão das Constituições e dos Estatutos Gerais será apresentado a este capítulo. Um relatório separado do Comitê Canônico é fornecido como um apêndice.
28 Um priorado fora de uma estrutura provincial. O direito do Capítulo do Priorado de eleger o seu Prior está suspenso.
O mestre geral nomeia o superior do priorato, após consulta à comunidade. Por outras palavras, o Priorato da Santa Cruz não está totalmente confiado ao “governo pleno” do priorado, como convento conventual ou convento numa estrutura provincial. No entanto, espera‐se que a comunidade gradualmente incorpore o modo de vida normativo como em um priorado dos Crúzios.
29 Como resultado de uma discussão interna no conselho geral.
30 Uma “delegação geral” não está prevista como um componente da proposta de governo misto da Ordem como um convento conventual ou uma província.
7.0 Formation/Formação
O Capítulo Geral de 2015 instituiu uma comissão de formação geral ad experimentum. A comissão não se destina a servir como supervisora dos formadores, mas como promotora da colaboração e da responsabilidade compartilhada pelo governo da Ordem na formação comum para a vida religiosa dos Crúzios.
A comissão trabalhou extensivamente para ajudar o mestre geral a implementar as diretrizes do Capítulo Geral de 2015 sobre a formação. O mestre geral encarregou a comissão de desenvolver vários instrumentos de formação para facilitar a formação inicial e melhorar sua qualidade: * um programa de formação comum para os Crúzios, * um modelo para a avaliação dos diretores dos estágios de formação, * um modelo para a avaliação dos candidatos para solenes votos e ordenações, * um Perfil do Sacerdócio dos Crúzios.31 A comissão estudou possibilidades para experiências internacionais de formação e desenvolveu o programa. A comissão também foi encarregada de compilar um Manual de Formação Geral. Em colaboração com a Comissão Geral de Finanças, foi elaborado e colocado à disposição32 da Ordem um currículo para o ensino da economia fraterna na formação inicial.
7.1 Adaptation Norm on Formation Governance:
Const. 23.3/Norma de Adaptação sobre Governança de Formação
Para implementar a proposta ad experimentum adotada do Capítulo Geral de 2015, o mestre geral ‐ após consultar a comissão geral de formação, obter conselho canônico, e o conselho do conselho ampliado e o consentimento do conselho geral, publicou um decreto ajustando a norma de Constituições 23.333 ad experimentum, em maio de 2016. A norma adaptada diz:
O mestre geral, com o conselho do conselho geral, determina o programa comum de formação inicial, bem como os critérios de admissão aos votos solenes e de aprovação da ordenação.
O Capítulo Geral de 2021 avaliará a implementação da proposta adotada pelo Capítulo Geral de 2015, que resultou na adaptação ‐ pelo Mestre Geral ‐ desta norma Constitucional e no desenvolvimento e adoção dos respectivos Estatutos Gerais.34
7.2 Role of the Master General in Formation/
Papel do Mestre Geral na Formação
Consciente da importância da formação inicial de qualidade para a sustentabilidade da Ordem, o Capítulo Geral de 2015 autorizou o Mestre Geral a desenvolver e aprovar um programa de formação comum. O mestre geral pediu à comissão geral de formação que desenvolvesse
31 O Perfil de um Sacerdote Crúzio (janeiro de 2020) não é um perfil separado. É um adendo ao Perfil de um Religioso Crúzio no momento de sua Profissão Solene (outono de 2006). Isso é para ajudar a Ordem a sempre ver e pensar no Sacerdócio Crúzio dentro do contexto da vida religiosa dos Crúzios e não separada dela.
32 Veja: “Nossa responsabilidade compartilhada pelo bem comum. O Currículo para o Desenvolvimento de uma Compreensão da Economia Fraterna dos Crúzios na Formação Inicial” (2018).
33 A atual norma constitucional 23.3 foi suspensa.
34A Comissão Canônica continuou a trabalhar com a reformulação desta norma, levando em consideração as avaliações no final do período ad experimentum e o retorno de uma consulta na Ordem. O Capítulo Geral de 2021 discutirá as propostas de revisão da atual Const. 23,3.
um programa de formação comum. Depois de consultar todos os formadores e superiores maiores, e com o conselho do conselho ampliado, o mestre geral, com o consentimento do conselho geral, publicou o decreto para promulgar o programa de formação comum para a Ordem ad experimentum mundial, em dezembro de 2018. Considero este programa um adequado recurso de formação em benefício da vida da Ordem.
Todas as áreas da Ordem precisam ajustar seu programa de formação inicial de acordo com este programa. Este programa de formação comum torna‐se a Ratio Institutionis que une toda a Ordem. Ele detalha os sete componentes da formação inicial na vida religiosa dos Crúzios e descreve a produção e os resultados esperados de cada estágio da formação. Este programa de formação comum, implementado por formadores qualificados e comprometidos, que se dedicam a um acompanhamento pessoal intensivo de cada um dos formandos, deve melhorar e garantir a qualidade da vida religiosa dos Crúzios. Essa é a grande responsabilidade da Ordem para com todos os formandos: a garantia da qualidade de sua formação inicial para a vida religiosa dos Crúzios.
Oferecer uma formação inicial de boa qualidade na vida religiosa dos Crúzios e na identidade e autodefinição dos Crúzios requer um trabalho colaborativo e sinérgico. Para isso, o Capítulo Geral de 2015 apelou à colaboração entre o Mestre Geral, os Superiores Maiores e os Priorados onde se realiza a formação. Essa colaboração envolve responsabilidades compartilhadas. Os parâmetros dessas responsabilidades foram fixados pelo Capítulo Geral de 2015 e garantidos nas normas estatutárias provisórias adotadas ad experimentum pelo Mestre Geral.
A seguir ao estabelecimento de um programa de formação comum e unificado para toda a Ordem, o capítulo autorizou o mestre geral a aprovar a designação de diretores de estágios de formação, a admitir candidatos aos votos solenes e a aprovar os candidatos à ordenação, após revisão dos respectivos recomendações apresentadas e encaminhadas pelo superior maior.
7.3 Admission to Solemn Vows and Approval for Ordination/Admissão a Votos Solenes e Aprovação para Ordenação
Para avaliar a idoneidade dos candidatos a votos solenes e ordenações, o mestre geral necessita de dados adequados e objetivos sobre os candidatos. O mestre geral pediu à comissão de formação geral que elaborasse modelos para a avaliação dos candidatos aos votos solenes e ordenações.
Desde o Capítulo Geral de 2015, o Mestre Geral está empenhado em avaliar e admitir os candidatos aos votos solenes e ordenações. Reviu uma autoavaliação dos candidatos, as recomendações dos formadores, do superior maior e da comunidade formadora.
Uma visão que apoie esta práxis ad experimentum implica a competência do Mestre geral para assegurar a transmissão do carisma comum da Ordem aos jovens confrades. Esta é a sua responsabilidade primária (cfr. Const. 36.1). É importante para ele ter a certeza de que um candidato foi formado e profundamente comprometido com a vida do carisma dos Crúzios em todas as suas dimensões, antes de tudo por meio da profissão dos votos solenes.
O processo de admissão aos votos solenes ou de aprovação das ordenações pelo mestre geral inclui o exame de um dossiê bem documentado. No arquivo constam avaliações e recomendações