SENADO FEDERAL Gabinete do Senador RANDOLFE RODRIGUES EXCELENTÍSSIMO SENHOR PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Texto

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

RANDOLPH FREDERICH RODRIGUES ALVES, brasileiro, divorciado, Senador da República Federativa do Brasil, portador da cédula de identidade nº 050360, inscrito no CPF sob o nº 431.879.432-68, com endereço profissional na Praça dos Três Poderes, Palácio do Congresso Nacional, Senado Federal, Anexo I, 9º andar, CEP 70160-900, vem apresentar

REPRESENTAÇÃO

para requerer a este D. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL a tomada das medidas cabíveis tendentes à abertura de investigação quanto à conduta do Sr. JAIR MESSIAS BOLSONARO, brasileiro, casado, Presidente da República, inscrito no CPF sob o nº 453.178.287-91, com domicílio legal em Brasília/DF, na Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto, Gabinete da Presidência, pelos fatos e fundamentos que passam a expor.

1. DO FATO A SER NOTICIADO

Em caminhada por Roma, após a participação do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro na cúpula do G20, os jornalistas Jamil Chade (UOL), Ana

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Estela de Sousa Pinto (Folha), Leonardo Monteiro (TV Globo), Lucas Ferraz (O Globo) e Matheus Magenta (BBC), que cobriam a passagem do Chefe de Estado brasileiro pela capital italiana, foram agredidos pelo mandatário e pela sua segurança, conforme amplamente divulgado em diversos meios de comunicação:

Bolsonaro hostiliza repórteres em Roma, e segurança agride jornalistas1

Ao fim da cúpula do G20, enquanto outros governantes davam entrevistas coletivas, o presidente Jair Bolsonaro saiu para encontrar apoiadores perto da embaixada brasileira, no centro de Roma. O presidente tratou de forma hostil os jornalistas. E os seguranças que estavam ao redor dele usaram violência contra quem tentou fazer perguntas.

Ao perguntar o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G20 com outros líderes, o correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, recebeu um soco no estômago e foi empurrado com violência por um segurança.

A imagem não mostra o momento do soco, por causa da confusão. Antes, o presidente havia sido hostil com o trabalho do repórter.

Leonardo: “Presidente, presidente. O cara tá empurrando, gente. Presidente, por que o senhor não foi de manhã no encontro do G20?”

Bolsonaro: “É a Globo? Você não tem vergonha na cara....”

Leonardo: “Oi, presidente, por que o senhor não foi de manhã nos eventos do G20?”

1Notícia G1:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/10/31/bolsonaro-hostiliza-repoteres-em-roma-e-seguranca-a gride-jornalistas.ghtml?fbclid=IwAR2gKNLwoPnQTmfW6ltOfuYKgYE5g8TagbPi3I27AuWaERUpGlRS 4c8OrpA

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Bolsonaro: “Vocês não têm vergonha na cara, rapaz.”

Leonardo foi empurrado.

Leonardo: “Ei, ei, ei... o que é isso, tá maluco?”

O repórter Jamil Chade, do UOL, filmou a violência contra os colegas para tentar identificar o agressor, mas o segurança o empurrou, o agarrou pelo braço para torcê-lo, e levou o celular.

Instantes depois, o segurança jogou o aparelho num canto da rua. A imagem congela apontando para o céu, com o celular no chão.

Após as agressões, o segurança foi embora e seguiu em direção ao presidente. Não é possível saber se Bolsonaro assistiu às agressões, nem identificar se os agressores eram policiais ou seguranças particulares.

Mais cedo, seguranças e policiais italianos já haviam agido com truculência contra a repórter Ana Estela de Sousa Pinto, do jornal "Folha de S.Paulo" dentro da embaixada brasileira em Roma. Um agente que não quis se identificar empurrou a jornalista e disse que ela deveria se afastar do local, que é público. Depois, ela foi empurrada outras três vezes.

E antes mesmo de Bolsonaro chegar à embaixada, uma assistente da Globo que esperava para gravar imagens do presidente foi intimidada e denunciada como “infiltrada” por apoiadores dele. Um jornalista da BBC a socorreu, e ela se afastou dos manifestantes.

O Jornal Correio Braziliense, além de confirmar as agressões relatadas pela Globo, acrescenta que, “com a confusão, o passeio do presidente durou pouco e, menos de dez minutos depois, Bolsonaro voltou à embaixada. Os jornalistas estavam com credenciais e identificações claras no momento das agressões. O

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mesmo tratamento não se estendeu aos apoiadores, que puderam acompanhar de perto o presidente durante a sua breve caminhada” .2

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota em que diz que

"repudia com veemência e indignação as agressões sofridas por jornalistas brasileiros na cobertura das atividades do presidente Jair Bolsonaro em Roma. A violência contra os jornalistas, na tentativa de impedir seu trabalho, é consequência direta da postura do próprio presidente, que estimula com atos e palavras a intolerância diante da atividade jornalística. É lamentável e inadmissível que o presidente e seus agentes de segurança se voltem contra o trabalho dos jornalistas, cuja missão é informar aos cidadãos. A agressão verbal e a truculência física não impedirão o jornalismo brasileiro de prosseguir no seu trabalho. A ANJ espera que os atos de violência cometidos contra os jornalistas sejam apurados e os culpados, punidos. A impunidade nesse e em outros episódios é sinal de escalada autoritária".

Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disse, em nota, que "repudia mais esse ataque à imprensa envolvendo a maior autoridade do país. Ao não condenar atos violentos de seus seguranças e apoiadores a jornalistas que tão somente estão cumprindo seu dever de informar, o presidente da República incentiva mais ataques do gênero, em uma escalada perigosa e que pode se revelar fatal. Atacar o mensageiro é uma prática recorrente do governo Bolsonaro que, assim como qualquer outra administração, está sujeito ao escrutínio público. É dever da imprensa informar à sociedade atos do poder público, incluindo viagens do presidente no exercício do mandato. E a sociedade, por meio do art 5º da Constituição, inciso XIV, tem o direito do acesso à informação garantido."

Neste contexto, a manifestação de ameaça e de constrangimento ilegal por parte do Sr Jair Bolsonaro, ocorrida hoje, embora não seja surpreendente dado o retrospecto, deve ser refreada e punida, na exata medida do Direito.

2. DO DIREITO APLICÁVEL

2Disponível em:

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/10/4959584-jornalistas-relatam-agressoes-durant e-passeio-de-bolsonaro-por-roma.html

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É sabido que a censura e a repressão aos meios de imprensa são instrumentos de preferência dos governos autoritários. Por meio do cerceamento de ideias e da limitação do dissenso, os autocratas pretendem monopolizar o mercado de ideias e fazer prevalecer a noção de que seu governo é imune a críticas.

Não por acaso, a CF de 1988, que representou a cisão com o regime autoritário, assegura a todos o direito fundamental à liberdade de expressão, com base no art. 5º, incisos IV e IX, e de forma especial preceitua a liberdade de imprensa no art. 220, conforme o texto legal:

Art. 5º [...]

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

[...]

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

Além do texto da Carta Magna, a liberdade de imprensa e de expressão estão delineadas em diversos documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Podemos citar para esse fim os seguintes:

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Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 1948

Art. 19 - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

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Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966 (internalizado pelo Decreto nº 592, de 06 de julho de 1992) Art. 19

1. ninguém poderá ser molestado por suas opiniões.

2. Toda pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, independentemente de considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro meio de sua escolha.

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Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969 (internalizada pelo Decreto nº 678, de 06 de novembro de 1992)

Art. 13

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.

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O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito à censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei a ser necessária para assegurar:

a) o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas;

ou

b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral pública.

3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.

Consoante lição de J. J. Gomes Canotilho, “a liberdade de expressão permite assegurar a continuidade do debate intelectual e do confronto de opiniões, num compromisso crítico permanente” . Segundo esse autor, tal qualidade lhe permite3 integrar o “sistema constitucional de direitos fundamentais, deduzindo-se do valor da dignidade da pessoa humana e dos princípios gerais de liberdade e igualdade”.

A liberdade de expressão está amplamente consagrada no âmbito do Direito Internacional dos Direitos Humanos, conforme se observa em diplomas como Declaração Universal dos Direitos Humanos (art. 19), Pacto dos Direitos Civis e Políticos (art. 19), Convenção Européia de Direitos Humanos (art. 10), Convenção Interamericana de Direitos Humanos (art. 13) e na Carta Africana de Direitos Humanos (art. 9º).

3CANOTILHO, J. J. Gomes; MACHADO, Jónatas E. M. “Constituição e código civil brasileiro: âmbito de proteção de biografias não autorizadas”. In JÚNIOR, Antônio Pereira Gaio; SANTOS, Márcio Gil Tostes.

Constituição Brasileira de 1988. Reflexões em comemoração ao seu 25º aniversário. Curitiba: Juruá, 2014, p.

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Nesse contexto, o princípio dez da Declaração de Joanesburgo, conforme destacado por ocasião do julgamento da ADI 4815/DF, de relatoria da Min. Carmen Lúcia, obriga os governos a condenarem ações que reprimam a liberdade de expressão:

Os governos são obrigados a tomar medidas razoáveis no sentido de impedir grupos privados ou indivíduos de interferirem ilegalmente no exercício pacífico da liberdade de expressão, mesmo quando a expressão for de crítica em relação ao governo ou às suas políticas. Os governos são, em particular, obrigados a condenar ações ilegais que visem silenciar a liberdade de expressão, e a investigar e apresentar à justiça os responsáveis.

Em paralelo e de forma complementar à liberdade de expressão, a liberdade de imprensa é reconhecidamente um dos pilares dos Estados Democráticos de Direito, e a plenitude de seu exercício já foi objeto de manifestação pelo Poder Judiciário por diversas ocasiões. Relativamente à atividade jornalística, assentou-se entendimento no sentido de impossibilidade de separação entre a liberdade de imprensa e a de expressão: “O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de forma separada” (RE 511.961, rel. min. Gilmar Mendes)

No presente caso, temos justamente o oposto do que se poderia esperar da autoridade máxima da República: em vez de proteger e estimular o trabalho jornalístico, prefere dele escarnecer ou agredir os seus profissionais, visando cercear a sua atuação.

Por meio de ameaças e da violência, busca-se intimidar o legítimo e necessário controle social e os calar, ou seja, verdadeiramente constranger ilegalmente o repórter a exercer sua profissão. Não pode nem deve ser normalizada uma ameaça e uma agressão contra qualquer profissional da imprensa, ainda mais partindo do próprio Presidente da República! Caso o ato persista, os profissionais de

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imprensa poderão ser acometidos por espécie de autocensura, receosos de serem perseguidos pelo mero exercício da profissão.

Ou seja, o risco é que os discursos jornalísticos sempre sejam recortados por um mínimo comum que não ensejaria ataques de quem é contrário à imprensa livre.

O chilling effect seria enorme, a ponto de impossibilitar a construção de discursos livres, em prejuízo a toda a sociedade. Afinal, sabe-se que a liberdade de imprensa é um dos verdadeiros pilares da Democracia. Sem liberdade de se expressar para o conhecimento público, não há evolução democrática e republicana, mas um passo em direção à autocracia.

A jurisprudência das democracias livres caminha no mesmo sentido. No caso New York Times Co. v. United States (1971), julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos, a liberdade de imprensa foi sopesada frente ao interesse do Estado. Na ocasião, a Suprema Corte Norte-Americana estabeleceu que a liberdade de imprensa deveria se sobrepor ao interesse do Estado, pois a regra deve ser o direito do detentor do poder, o povo, à informação, só podendo ser limitado em casos que assim exigem a segurança nacional.

Desse julgamento pela Suprema Corte do Estados Unidos, podemos colher lições valiosas que se aplicam em mesma medida ao caso apresentado nos autos, sob pena de estabelecermos um precedente, deveras, perigoso à liberdade pessoal de todos os jornalistas e da liberdade de imprensa como um todo.

Também no julgamento do caso Sullivan v. New York Times, a Suprema Corte Americana assentou que as pessoas públicas, mesmo em vista da publicação de fato inverídico ofensivo sobre a sua reputação, só serão indenizadas se provarem que o responsável agiu com dolo real ou eventual. Essa decisão tinha como objetivo preservar as manifestações públicas sobre temas importantes, fomentando os debates sociais e o direito à informação.4

No presente caso, tem-se clara a intenção do jornalista em questionar o presidente sobre tema de relevante interesse social: qual foi o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G20 com outros líderes?

4Disponível em

<https://www.uscourts.gov/about-federal-courts/educational-resources/supreme-court-landmarks/new-york-ti mes-v-sullivan-podcast>. Acesso em: 08/07/2019.

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Dentro do ordenamento jurídico brasileiro, tal fato é apto a configurar no mínimo três tipos penais: ameaça, constrangimento ilegal e lesão corporal, a serem avaliados pelas autoridades nacionais competentes.

Contudo, ao ameaçar e agredir os jornalistas e constrangê-los, tolhe as suas liberdades de expressão, a liberdade de imprensa em si mesma e quiçá as suas liberdades físicas, conduta repreensível se partisse de qualquer indivíduo e ainda mais reprovável ao ser realizada pelo Presidente da República.

Deve-se sempre lembrar das palavras do Min. Carlos Ayres Britto no julgamento da ADI 4451: “abrir mão da liberdade de imprensa é renunciar ao conhecimento geral das coisas do Poder, seja ele político, econômico, militar ou religioso”.

E aqui se deve ter em mente que tal fato não foi estranho ao exercício das funções da Presidência da República. Afinal, o Sr. Jair Bolsonaro participou da reunião do G20 na condição de Presidente e, perguntado sobre fatos relacionados ao seu exercício do múnus público, agrediu verbalmente a imprensa e incitou os seus seguranças a agredirem fisicamente os repórteres com empurrões, socos e destruição dos seus equipamentos, na tentativa clara e absurda de tolher a ampla liberdade de informação e expressão.

Por essas razões, impõe-se que a Procuradoria-Geral da República abra inquérito em face do Sr. Presidente da República, para aferir a prática de crime.

Lembre-se que a revista The Economist calcula, anualmente, um ranking de5

“índice democrático” e que a nossa posição não é animadora: nossa democracia é classificada como “falha”, com uma nota de 6.92 em uma escala de 0.00 a 10.00 (em 2020). O que esperar do nosso índice democrático após essas constantes ameaças e ilegais constrangimentos por parte do Presidente da República? Qual imagem, interna e externa, queremos passar?

Acrescente-se que, desde a redemocratização – cujo ápice se deu com a Constituição de 1988 –, não mais se cogitou de qualquer ímpeto antidemocrático, por mais que sempre houvesse vozes defendendo o autoritarismo. Contudo, o atual Presidente da República tem, em diversas ocasiões antes e depois de assumir o

5Disponível em: <https://www.eiu.com/topic/democracy-index>. Acesso em: 01/11/2021.

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cargo, atacado a imprensa livre sempre que lhe faltam palavras ou argumentos para responder aos questionamentos democráticos de repórteres.

Não se deve ignorar o fato de que, dada a sua posição, o Presidente da República tem um potencial de incentivo muito grande. Isso é, qualquer cidadão que apóie pretensões autoritárias pode se sentir convidado a externalizar, inclusive de modo violento, o seu ímpeto antidemocrático, como já relatado anteriormente. O abominável caso em tela agrava-se pelas condutas dos seguranças subordinados diretamente ao Presidente da República que, após as agressões de Jair Bolsonaro, executam a ordem de afastar e agredir fisicamente os jornalistas.

Note-se que o constrangimento ilegal, via gravíssima ameaça, foi repetido duas vezes, ao ponto dos jornalistas questionarem o Presidente acerca de sua conduta. Considerado o comportamento pregresso do Sr. Jair Bolsonaro, fica patente a intencionalidade em suas palavras.

Ora, censura é repressão e opressão. Restringe a informação, limita o acesso ao conhecimento, obstrui o livre expressar, o pensado e o sentido. Sem liberdade de imprensa, teremos um caminho trilhado rumo ao obscurantismo autoritário, que, ao que parece, insiste em ainda se mostrar vivo nos seios mais profundos de nossa sociedade.

3. DOS PEDIDOS

Nesse sentido, solicitamos a Vossa Excelência, na qualidade de chefe do Ministério Público União, que abra inquérito para investigar as responsabilidades criminais dos envolvidos e proceda ao ajuizamento de Ação Civil Pública por dano moral coletivo e ameaça à liberdade de imprensa, com aplicação de multa, bem como à correspondente ação penal, em razão do comportamento de JAIR BOLSONARO, Presidente da República, em relação aos fatos narrados na presente representação.

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Termos em que pede deferimento.

Brasília, 1º de novembro de 2021.

RANDOLFE RODRIGUES Senador da República (REDE-AP)

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