Um cruzeiro no Tejo nos anos 1920

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Um cruzeiro no Tejo nos anos 1920

Na noite de 17 de agosto, o navio Cap Lay fundeou no Tejo num cruzeiro de férias com gente de cinco nacionalidades. O país começava a tirar trunfos da manga em matéria de turismo.

13/08/2017

A chegada a Lisboa por rio, com os seus recortes e colorido de postal, é sempre um dos pontos altos para quem vê a cidade pela primeira vez.

Um cruzeiro no Tejo nos anos 1920

segunda-feira, 21 de agosto de 2017 09:58

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A pressa de desembarcar do Cap Lay era muita, mas houve excursionistas que não resistiram a meter-se de novo na água pouco depois, rendidos ao Tejo.

Em 1941, a azáfama continua intacta. Era assim um domingo de agosto em Lisboa, com o cacilheiro Favorito a fervilhar de passageiros.

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Passageiros sozinhos ou em família embarcavam num cacilheiro no Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, seguidos pelo olhar atento de uma vendedora de chapéus.

Aos poucos, o Favorito enchia-se de gente com destino à Trafaria.

Desfrutando da travessia para a outra margem, também os lisboetas se davam conta do nosso valor como país a visitar, com as suas maravilhas naturais e um clima único.

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Em agosto de 1964, a história repete-se: pessoas aos magotes regressam a Lisboa após um dia nas praias. Vinha cheio o barco de ligação entre Belém e a Trafaria.

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Texto Ana Pago | Fotografia Arquivo DN

Embora a confusão nas ruas os perturbe, mais de 80% dos lisboetas dizem-se satisfeitos com o aumento de turistas e o que trazem de bom: perto de 150 mil empregos; o setor a crescer 9,5 por cento entre 2005 e 2015; 13 mil novos quartos e mais 55 cruzeiros a fazer escala por ano, de acordo com a Associação de Turismo de Lisboa. Para a CNN, somos a cidade mais cool da Europa, com ruas fascinantes e uma movida noturna comparável à de Madrid.

Temos praias bestiais, cozinha sofisticada

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Temos praias bestiais, cozinha sofisticada e braços abertos. Não admira que já há noventa anos os estrangeiros viessem atracar no Tejo desejosos de

conhecer a capital – como este grupo de 150 excursionistas a bordo do navio Cap Lay, «entre os quais 26 médicos, um advogado, um senador e até um sir», segundo o DN de 19 de agosto de 1927.

Os automóveis que os aguardavam saíram do Cais do Sodré pelas nove horas.

Visitaram Queluz, Monserrate e o Palácio da Pena, em Sintra. Tomaram chá no Estoril, após o que seguiram para os Jerónimos – «coisa inolvidável» – e o Museu dos Coches que, «mercê de uma deferência devida a estrangeiros que querem conhecer-nos», atrasou o encerramento para que pudessem apreciar

«as viaturas doiradas e sumptuosas que falam de épocas floridas e representações opulentas de grande corte».

Lisboa acabava de integrar os portos de escala dos cruzeiros da Compagnie Chargeurs Réunis. A ela «vai Portugal dever uma excelente propaganda do nosso valor como país a visitar, das suas formosuras naturais, das suas condições ameníssimas de clima». Em 1927 como em 2017.

PASSEIO

Bem cedo a 18 de agosto, notava-se uma ansiosa pressa de desembarcar. «É que se tratava de gozar um dia pleno de turismo, no contorno do triângulo consagrado Lisboa-Sintra-Cascais.»

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