Este número dos Anais do Mu-seu Paulista reúne nove artigos im-portantes para os estudiosos da cul-tura material. O núcleo central está assentado na sociedade e econo-mia do café e das suas reminis-cências arquitetônicas e tecnoló-gicas. E é com esse olhar que Ra-fael de Bivar Marquese – em Revi-sitando casas-grandes e senzalas: a arquitetura das plantations escravis-tas americanas no século XIX – ana-lisa as plantas arquitetônicas de grandes unidades rurais escravistas do Vale do Paraíba (Brasil), do cin-turão açucareiro de Matanzas–Cien-fuegos–Trinidad (Cuba) e também do cinturão algodoeiro do Alabama e do baixo Vale do Mississippi (Es-tados Unidos). Ainda dedicado ao Vale do Paraíba e às edificações re-manescentes das fazendas de café, Marcos José Carrilho – Fazendas de café oitocentistas no vale do Paraí-ba – estuda atentamente os inventá-rios de bens dos seus proprietáinventá-rios,
buscando compreender a arquitetu-ra ruarquitetu-ral paulista e sua organização. Nessa mesma trilha, vem a se-guir Engenhos e fazendas de café em Campinas (séc. XVIII – séc. XX), de Áurea Pereira da Silva, artigo on-de o foco é o café e também o açú-car, ao enfatizar a questão tecnoló-gica dos edifícios, revelando a pre-ferência pelos métodos e materiais tradicionais da cultura arquitetônica paulista, particularizada no domínio da taipa de pilão e da taipa de mão, até a chegada da ferrovia, na déca-da de 1870. A inovação tecnológi-ca na perspectiva do preparo e be-nefício do café no período de 1860 a 1882, provocando alterações na estrutura produtiva das fazendas es-cravistas brasileiras, completa esse quadro, com o estudo A invenção como ofício: as máquinas de prepa-ro e benefício do café no século XIX, de Luiz Cláudio M. Ribeiro.
Os artigos a seguir – que com-põem um segundo núcleo desse
vo-Apresentação
Eni de Mesquita Samara
lume – reúnem trabalhos diversos so-bre o tema das representações, bus-cando entendê-lo em vários âmbi-tos, tais como as fachadas, a repre-sentação cartográfica, pictórica e fotográfica. E é com esse objetivo que Beatriz Valladão Thiesen estuda os Significados nas representações escultóricas da fachada da Cerve-jaria Bopp & Irmãos, Porto Alegre; Airton José Cavenaghi analisa O território paulista na iconografia oito-centista: mapas, desenhos e fotogra-fias. Análise de uma herança cotidia-na; Elaine Dias estuda A represen-tação da realeza no Brasil: uma aná-lise dos retratos de D. João VI e D. Pedro I, de Jean-Baptiste Debret; e Zita Rosane Possamai apresenta O circuito social da fotografia em Por-to Alegre (1922-1935).
A seção Museus encerra esse número com o trabalho de Maria Isa-bel Baldasarre, Sobre los inicios del coleccionismo y los museos de arte en la Argentina, que nos fornece um espectro bastante amplo sobre as coleções que serviram de base pa-ra a formação dos museus de Arte nesse país, o que explica a forte in-gerência do colecionismo privado nesse conjunto.