INFLUÊNCIA DA URBANIZAÇÃO NA DINÂMICA DA BACIA ÁGUA DO CASTELO: O CASO DO CÓRREGO PALMITAL - BAURU. Viviane Gasparini Mota e Rafael Neves de Oliveira

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INFLUÊNCIA DA URBANIZAÇÃO NA DINÂMICA DA BACIA ÁGUA DO CASTELO: O CASO DO CÓRREGO PALMITAL - BAURU

Viviane Gasparini Mota e Rafael Neves de Oliveira

Resumo:

As conseqüências da ação antrópica sobre o meio natural são claramente visíveis quando há ocupação de uma determinada área alterando os sistemas naturais. O avanço do crescimento urbano provocou uma acelerada ocupação do território em áreas desconexas e problemáticas. Sem qualquer preocupação quanto ao planejamento, o espaço natural foi sendo ocupado e degradado, surgindo assim, áreas impróprias ao assentamento urbano. Essa ocupação e uso irregular do solo em áreas impróprias, tornou-as suscetíveis à erosão ocorrendo assim, efeitos negativos como a degradação dos solos e a poluição dos mananciais através de resíduos oriundos dos assentamentos urbanos. O estudo dos impactos ambientais, especificamente nas bacias hidrográficas, numa área urbana, auxilia para que o planejamento urbano seja feito levando em conta não apenas o aspecto territorial, mas sim a qualidade de vida da população bem como o aproveitamento adequado do território.

Palavras-Chave: Bacia Água do Castelo, Córrego Palmital, Área de Proteção Ambiental.

INFLUÊNCIA DA URBANIZAÇÃO NA DINÂMICA DA BACIA ÁGUA DO CASTELO: O CASO DO CÓRREGO PALMITAL - BAURU

Viviane Gasparini Mota e Rafael Neves de Oliveira

Abstract:

The consequences of the anthropic action on the natural environment are clearly visible when there is occupation of a certain area altering the natural systems.The advance of urban growth has led to an accelerated occupation of the territory in disconnected and problematic areas. Without any concern about planning, the natural space was being occupied and degraded, resulting in areas that were not suitable for urban settlement.This occupation and irregular use of the soil in improper areas made them susceptible to erosion, resulting in negative effects such as soil degradation and pollution of water sources through urban settlement waste.The study of environmental impacts, especially in river basins in an urban area, helps urban planning to consider not only the territorial aspect, but also the quality of life of the population as well as the appropriate use of the territory.

Keywords: Água do Castelo Basin, Palmital Steam, Environmental Protection Area.

INTRODUÇÃO

O processo de modificação da paisagem brasileira natural para urbana iniciou-se a partir da implantação dos primeiros povoados próximos a rios e córregos, justificada primariamente pelas necessidades básicas como obtenção de água potável, banho e preparo de alimentos e, posteriormente por atividades mais complexas como transporte, abastecimento e irrigação. O curso d’água foi o protagonista do processo de urbanização, traçando a localização das primeiras cidades brasileiras. [Corrêa & Alvim (2000)]. O presente cenário que se encontra nas cidades advém da forma de ocupação do território e, portanto, do seu processo de urbanização [Sposito (2004)].

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A cidade de Bauru, localizada na bacia Sedimentar do Paraná que faz parte do Planalto Arenítico Basáltico do Estado de São Paulo, apresenta relevo formado por rampas longas e inclinadas que, associado à característica arenosa do solo, permitem a concentração de fluxos de água, favorecendo processos erosivos regionais e locais. O processo de ocupação urbana de Bauru sem a infra-estrutura adequada, reforça os processos erosivos dos corpos d’água. Dividida em quatro sub-bacias hidrográficas, onde as bacias do Rio Batalha e a do Rio Bauru encontram-se na área urbana [Santos (2006)]. A bacia Água do Castelo é a quinta das dez sub-bacias hidrográficas dos afluentes do Rio Bauru [Instituto (2003)]. Localizada na zona norte da cidade, apresenta o desenvolvimento de diversos processos erosivos, os quais podem gerar inúmeros danos à sociedade como no sistema de água e esgoto, nas ruas, perdas de solos, entre outros, comprometendo a qualidade de vida dos moradores. Essa bacia no período chuvoso recebe grande quantidade de água pluvial, que, ao atingir as áreas de várzea, ocasiona enchentes, destruindo o espaço urbano como ruas, pontes e até mesmo algumas casas de moradores que se assentaram em áreas inaptas a ocupação urbana. Além do aumento do escoamento superficial, estas condições pluviométricas influenciam diretamente na formação dos processos erosivos da região.

As Áreas de Preservação Permanente (APP), segundo o artigo 3º da Lei Nº 12.651 de 25 de Maio de 2012, são áreas protegidas cuja função é preservar os recursos hídricos, garantindo a manutenção da paisagem, estabilidade geológica e biodiversidade de forma a proteger o solo e assegurar o bem estar humano. As Áreas de Proteção Permanente se encontram, em sua maioria, abandonadas, utilizadas das mais diversas formas e sem o devido cuidado para a preservação da paisagem. Sem qualquer preocupação quanto ao planejamento, o espaço natural é ocupado e degradado, surgindo assim, áreas impróprias ao assentamento urbano. Essa ocupação e uso irregular do solo em regiõesinadequadas, tornou-as suscetíveis à erosão ocorrendo assim, efeitos negativos como a degradação dos solos, assoreamento dos corpos d’água e poluição dos mananciais através de resíduos sólidos e líquidos oriundos dos assentamentos urbanos.Assim, são importantes os estudos das formas de relevo que constituem a paisagem a ser ocupada. Nas áreas urbanas, os corpos d’água teoricamente deveriam ser contemplados pelas normas da lei citada. Entretanto, o avanço do crescimento urbano provocou uma acelerada ocupação do território em áreas desconexas e problemáticas.

O estudo e a análise das principais características geomorfológicas da área de estudo, através de procedimentos da cartografia, avalia dedutivamente a atuação dos processos de erosão urbana, associados as condições do relevo e estrutura da paisagem da bacia, a fim de conhecer quais setores são potencialmente mais suscetíveis a atuação dos processos erosivos.Sendo assim, este trabalho tem como objetivo analisar o relevo da região, a partir da análise do Córrego do Palmital, buscando identificar a influência da urbanização na dinâmica geomorfológica, na paisagem naturale no surgimento de processos erosivos.

METODOLOGIA

A análise in loco, juntamente com as técnicas cartográficas utilizadas, possibilitou a análise e compreensão da distribuição espacial do setor do Córrego Palmital e da estrutura da paisagem e sua função, na bacia hidrográfica do Córrego do Castelo, uma vez que foi possível a integração dos resultados, obtidos pelos materiais cartográficos.

Assim, as técnicas utilizadas no trabalho, com o intuito de alcançar o objetivo proposto, constituíram-se na confecção da carta da Bacia Hidrográfica Água do Castelo, carta de Hemerobia,

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carta de Estrutura daPaisagem: Córrego, Mancha e Matriz, carta de Análise Temporal da Mancha de Vegetação e Áreas de Erosão – Visão Geral e a Análise Geral por região.

A confecção das cartas seguiu uma seqüência metodológica através da alteração das escalas, partindo de grandes áreas e em seguida focando em determinados espaços.Com a base cartográfica fornecida na escala de 1:10.000, na plataforma do programa AutoCad, tornou-se base, conjuntamente a utilização de fotografias aéreas do Google Earth, para a realização de todas as cartas.

A base cartográfica já apresenta as curvas de nível com as deformações do relevo causadas pela ação antrópica como os aterros e cortes, contribuindo para uma análise morfométrica mais detalhada e fidedigna à realidade.Em sequência, iniciou-se a construção das cartas da paisagem, segundo as orientação do docente, que serão descritas separadamente a seguir em cada uma das análises a respeito das cartas reproduzidas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Bacia Hidrográfica do Córrego do Castelo (figura1) possui uma área de aproximadamente 10,93 km², situada na cidade de Bauru, localizada no compartimento geomorfológico do Planalto Ocidental, o qual se insere na Bacia Sedimentar do Paraná, no estado de São Paulo.(THOMAZINI, 2013).

O mapa a seguir (figura 2) mostra a área de estudo referente à todos os setores presentes na Bacia Água do Castelo.A análise desse mapa busca demonstrar um entendimento estrutural da paisagem através do relevo representando as curvas de nível e linhas imaginárias dos divisores de água. Atualmente o córrego Água do Castelo encontra-se canalizado, para possibilitar a implantação das Nações Norte – continuidade da Avenida das Nações Unidas.

Figura 1 - Localização da bacia hidrográfica do Córrego do Castelo, Bauru - SP Fonte:THOMAZINI, 2013

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As menores declividades apresentadas na Bacia encontram-se principalmente próximas aos topos dos morros e na margem esquerda do Córrego do Palmital (afluente do Córrego do Castelo) onde se observa grande concentração urbana. Baixas declividades podem ser observadas nos setores esparsos devido aos aterros e cortes topográficos destinados aos assentamentos urbanos. A declividade aumenta conforme se aproxima do fundo de vale, intensificando a força das águas, o que fortalece processos erosivos.

O córrego Palmital, foco do estudo, é analisado inicialmente (figura 3) através do mapa de Hemerobia (JALAS, 1955). É possível perceber a forte presença de paisagens pouco naturais e artificiais, ou seja, o espaço já iniciou um processo de urbanização na qual restam poucas área correspondentes à paisagens naturais e seminaturais. No entanto não atingiu o ponto máximo com uma maior área de paisagens quase totalmente urbanizadas e totalmente urbanizadas, apesar dessa área já ser mais significante que os espaços verdes naturais.Vale ressaltar que a disposição dessas divisões não segue um traçado linear como pode ser visto no mapa.

Fonte:Produção própria

Figura 2 - Mapa da bacia Água do Castelo, Bauru - SP

Fonte:Produção própria

Figura 3 - Mapa de Hemerobia da bacia Água do Castelo, Bauru - SP

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Para uma compreensão de como a paisagem está estruturada (figura 4), fez-se o estudo seguindo os conceitos de corredor, mancha e matriz que são descritos como: corredor – área homogênea restrita e linear da paisagem; mancha – área homogênea restrita e não linear da paisagem; matriz – unidade dominante da paisagem (espacial ou funcional) ou conjunto de unidades de não-habitat, controla a dinâmica da paisagem.

No Córrego do Palmital, a Matriz Urbana é dividida por um corredor fragmentado ligando duas pequenas manchas, localizadas na porção Sul do setor, a uma grande mancha na região Norte.

Essa mancha praticamente domina a parte Norte do Córrego do Palmital.

Para a confecção das cartas de análise temporal foram escolhidas 4 datas que serviram de base comparatória, sendo elas 2004, 2010, 2013 e 2016 (figuras 5, 6, 7, 8, 9). Também seguiu uma legenda compreendendo em: verde – mancha de vegetação; amarelo – área com erosão; azul – solo exposto.

Partindo das áreas de erosão, o Córrego do Palmital apresenta uma única grande área de erosão no extremo Norte do setor, que se expande de forma significativa entre os períodos de 2013 e 2016.Como de esperado do processo de crescimento e desenvolvimento urbano, as manchas de vegetação, que no setor é um fino corredor e, as áreas de solo exposto, perderam espaço para a paisagem urbanizada, possuindo remanescentes próximos ao corredor verde representando a pouca vegetação ao redor do próprio córrego do Palmital.

Fonte:Produção própria

Figura 4 – Carta de Estrutura da Paisagem: Mancha, Corredor e Matriz

Fonte:Produção própria

Figura 5 – Carta de Análise Temporal do Córrego do Palmital – Visão Geral

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XXII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 6 Figura 6 – Carta de Análise Temporal da Mancha de Vegetação e Áreas de Erosão – Área 1

Fonte: Produção própria

Figura 7 – Carta de Análise Temporal da Mancha de Vegetação e Áreas de Erosão – Área 2 Fonte:Produção própria

Figura 8 – Carta de Análise Temporal da Mancha de Vegetação e Áreas de Erosão – Área 3 Fonte:Produção própria

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao analisar estas informações foi possível verificar que ter o conhecimento sobre as características topográficas da área de atuação e da influência da urbanização na dinâmica geomorfológica, na paisagem natural e no surgimento de processos erosivos, possibilita um planejamento consciente e adequado para a expansão urbana e crescimento populacional evitando o assentamento em áreas de risco, agravamento de processos erosivos, intensa impermeabilização do solo, remoção irresponsável da cobertura vegetal e um sistema de drenagem ineficaz.

Através desta análise observou-se a importância das paisagens naturais e de sua proteção, uma vez que, os seres humanos como maiores agentes modificadores do espaço, são responsáveis por garantir o equilíbrio entre a área modificada e o meio ambiente. Esse equilíbrio é um indicador na avaliação da qualidade ambiental urbana, como por exemplo, assegurar o conforto témico e controlar o microclima e, impedir ou reduzir regiões de inundação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 12.651, 25 de maio de 2012. Brasília, DF. Código Florestal. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. Acesso em: 20 de fev.

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CORRÊA, D.S.; ALVIM, Z.M.F. A água no olhar da história. São Paulo: Secretaria Estadual do Meio Ambiente, 2000.

INSTITUTO AMBIENTAL VIDÁGUA. Bauru ambiental. Bauru, 2003. Disponível em:

http://vidagua.org.br/. Acesso em 29 de dez. 2016.

SANTOS, L. J. C. e CASTRO, S.S. Lamelas (bandas onduladas) em Argissolo VermelhoAmarelo como Indicadores da Evolução do Relevo: o Caso das Colinas Médias do Platô de bauru (sp).

Revista Brasileira de Geomorfologia. Ano 7, n. 1 P. 46 – 64. 2006.

SPOSITO, E. S. Geografia e Filosofia: contribuição para o ensino do pensamento geográfico. São Paulo: ed. UNESP, 2004

Fonte:Produção própria

Figura 9 – Carta de Análise Temporal da Mancha de Vegetação e Áreas de Erosão – Área 4

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