TÍTULO: MERCHANDISING EDITORIAL EM FILMES DE LONGA-METRAGEM LANÇADOS NO BRASIL ENTRE 2013 E 2014: ANÁLISE COMPARATIVA E CONSTRUÇÃO DE UM QUADRO DE REFERÊNCIAS PARA A PUBLICIDADE
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO
CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
ÁREA:
SUBÁREA: COMUNICAÇÃO SOCIAL
SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE GUARULHOS
INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): ANA CAROLINA MONIER DOS SANTOS
AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): GABRIELA RUFINO MARUNO
1
"Merchandising editorial em filmes de longa-metragem lançados no
Brasil entre 2013 e 2014: análise comparativa e construção de um
quadro de referências para a Publicidade"
Universidade Guarulhos - UnG
Aluna: Ana Carolina Monier dos Santos
Professora orientadora: Me. Gabriela Rufino Maruno
1. Resumo
O presente projeto propõe o estudo de caso de merchandising editorial em filmes longa-metragem de grande circulação lançados no Brasil entre 2012 e 2013. Utilizando o recurso da análise fílmica, pretende-se localizar e compreender a metodologia de incorporação, por parte do cinema, desse braço da publicidade.
Como objetos de estudo, selecionaremos 4 filmes, sendo 2 deles nacionais. Por meio da decupagem (método Vanoye e Goliot-Lété), o projeto pretende entender como se dá a inserção do merchandising editorial, buscando contribuir com a construção de um quadro de referência sobre a ocorrência dessa ferramenta publicitária nos filmes de longa-metragem.
Palavras-chave: merchandising, merchandising editorial, publicidade, cinema
2. Introdução
Analisando como eram feitas as técnicas de publicidade no século XX, percebe-se grande diferença de como eram produzidos e divulgados os produtos e ações comerciais. No entanto, a técnica do merchandising mostrou-se como uma constante em grande parte da história da publicidade, apesar de toda a evolução tecnológica e de comunicação.
2
José Carlos Veronezzi1 explicita que:
O verdadeiro merchandising é a forma de se fazer publicidade sem que o público perceba que se trata de publicidade, e nasceu no cinema, nas produções de Hollywood da década de 40. E como não promovia um produto, mas sim uma categoria, foi mais difícil de ser identificado como tal, pois só recentemente se comprovou que cenas em que Humphrey Bogart e outros apareciam fumando não eram gratuitas. Nos dois sentidos.
A evolução da exigência dos consumidores fez com que a publicidade se expandisse para além de seus suportes originais, visando disseminar suas mensagens e atender à necessidade constante dos anunciantes atingirem seus resultados. Estudos mostram que a prática do merchandising pode aumentar em até quatro vezes o desejo de consumo.
É sabido que o cinema é considerado um dos maiores canais de
comunicação com a massa. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema2
(ANCINE), em 2013 foram aproximadamente 149,5 milhões de espectadores no Brasil em 2.679 salas de cinema.
Dada a grandiosidade desses números, o mercado vem usufruindo de técnicas cada vez mais arrojadas para compartilhar desse público, apostando cada vez mais no merchandising inserido nos roteiros dos filmes. Foi criado, inclusive, um termo específico para o merchandising que aparece em filmes e novela: merchandising editorial.
Um caso interessante e que ficou bastante conhecido pelo público em geral foi o merchandising da Chevrolet no filme Transformers, de 2007.
O jornalista Bruno Cortes, do jornal Valor Econômico3, publicou matéria a
respeito:
1
VERONEZI, J.C. "Mídia de A a Z: os termos de mídia, seus conceitos, critérios e fórmulas, explicados e mostrados em quadros e exemplos, como são utilizados na mídia. São Paulo: Flight
Editora, 2010. 2
______________. Cinema bate recorde de público e de renda em 2013. Disponível em: www.ancine.gov.br.
3
CORTEZ, B. Merchandising entra em cena no cinema. In: Jornal Valor Econômico. Disponível em: http://espm.br/rjclipping/2012/setembro/50801.pdf.
3 Carros, aliás, estão entre os exemplos mais bem feitos de merchandising no cinema americano. É o caso de uma sequência que mostra os atores Shia LaBeouf e Megan Fox às voltas com um Camaro 1976 que tem vida própria. Na verdade, o veículo é um disfarce usado pelo robô Bumblebee em "Transformers", de 2007 . Ao descobrir a verdadeira identidade do carro, a personagem de Megan reclama do disfarce escolhido, e diz que o veículo é velho. Temperamental, o robô assume a forma do novo Camaro, da Chevrolet, e continua assim até o fim do filme.
Sendo assim, o resgate do histórico da publicidade e das técnicas de merchandising e, principalmente, a compreensão de como ele ocorre atualmente, é de extrema relevância para compreender o contexto no qual ele pode ser atualmente empregado.
3. Objetivo
3.1 Objetivo geral
Por meio da análise dos objetos de estudo, propor um panorama de atuação e inserção do merchandising nos filmes de longa-metragem destinados ao público de massa. Com os resultados, pretende-se construir um quadro que aponte as principais formas de ocorrência dessa ferramenta nos filmes, contribuindo com uma referência aos estudos da Publicidade.
3.1 Objetivos específicos
Analisar o papel do merchandising nos filmes blockbusters e compará-los com o merchandising dos filmes nacionais, além de levantar os mais recorrentes métodos de inserção do merchandising.
4. Metodologia
Uma vez que os objetos de estudo serão filmes de longa-metragem, a proposta seguirá a metodologia da análise fílmica tradicional do audiovisual, que é técnica proposta pelo professor Francis Vonoyé e amplamente divulgada em seu
livro Ensaio sobre a análise fílmica. Segundo Vonoyé4:
4
4 (...) analisar um filme ou um fragmento é, antes de mais nada, no sentido científico do termo, assim como se analisa, por exemplo, a composição química da água, decompô-lo nos seus elementos constitutivos. É despedaçar, descosturar, desunir, extrair, separar, destacar e denominar materiais que não se percebem isoladamente “a olho nu”. Parte-se, portanto, do texto fílmico para “desconstruí-lo” e obter um conjunto de elementos distintos do próprio filme.
A partir disso, busca-se estabelecer elos entre esses elementos, compreender
como se associam e fazem surgir um todo significante – que, no caso desta
proposta, é o próprio merchandising.
Os elementos (códigos) não especificamente cinematográficos (figurinos, interpretação dos atores, cenários, etc.) não são menos importantes do que os cinematográficos (movimentos de câmera, decupagem, figuras de transição entre as cenas, montagem, etc.).
Ainda:
Os elementos (códigos) não especificamente cinematográficos (figurinos, interpretação dos atores, cenários, etc.) não são menos importantes do que os cinematográficos (movimentos de câmera, decupagem, figuras de transição entre as cenas, montagem, etc.).
Portanto, a análise desses elementos fílmicos básicos (roteiro, cenografia, planos e enquadramentos, trilha, etc.) nos auxiliará a construir um quadro de referências de como pode ser dar, nesse contexto, a inserção do merchandising editorial em filmes de longa-metragem.
5. Desenvolvimento
Manuela Penafria, Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété mostram duas vertentes de como realizar uma análise fílmica, as quais desdobraremos a seguir.
Estes textos foram a base para nosso estudo sobre o merchandising editorial e para a construção de um quadro de referências para os estudos da Publicidade.
Por mais que o início dos estudos fílmicos seja recente, o nascimento dessas análises deu-se com as primeiras projeções de imagens em movimento.
5 Embora ainda não exista uma metodologia universal para a análise fílmica,
podemos considerar duas etapas, segundo Manuela Penafria5: a decomposição e
interpretação.
Escolher um filme e revê-lo algumas vezes, mencionando as principais cenas, a mensagem transmitida, as marcas exibidas, não significa a realização de uma análise fílmica, pois a maioria dos telespectadores veem o filme como uma totalidade e não percebem as particularidades exibidas em cada filme.
De acordo com Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété6, realizar uma análise
fílmica é como decompor um elemento químico, como por exemplo a partícula de
água. Manuela Penafria7, completa, ainda, que o objetivo da análise é o de
explicar/esclarecer o funcionamento de um filme e propor-lhe uma interpretação. Portanto, para que se possa dar início a uma análise fílmica, é necessário ter uma outra atitude com relação ao objeto filme.
A análise fílmica procura investigar um filme em detalhes e tem como função maior aproximar ou distanciar os filmes uns dos outros, para podermos caracterizá-los na sua especificidade ou naquilo que o aproxima, por exemplo, de um determinado gênero.
Manuela Penafria8 apresenta quatro tipos de metodologias que podem ser
consideradas:
1. Análise textual, que considera um filme como um texto, decompondo-o em toda sua estrutura.
2. Análise do conteúdo, que considera o filme como um relato e aborda apenas o tema.
3. Análise poética, que entende o filme como uma programação/criação de efeitos. 4. Análise de imagem e som, que entende o filme como um meio de expressão.
6. Resultados
5
PENAFRIA, M. Análise de filmes - conceitos e metodologias. VI Congresso SOPCOM: 2009. 6
VONOYÉ, F; GOLIOT-LÉTE, A. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas: Papirus, 1997. 7
PENAFRIA, M. Análise de filmes - conceitos e metodologias. VI Congresso SOPCOM: 2009. 8
6 Os filmes selecionados para realização da análise fílmica foram: Até que a sorte nos separe 2, Muita calma nessa hora 2, Os estagiários e Homem de Ferro 3. Abaixo, o resultado das análises tabuladas, de acordo com o método de decupagem de Manuela Penafria, Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété. A análise completa de cada filme, com imagens e as formas de merchandising editorial utilizados, encontram-se no artigo científico.
Veja abaixo a tabela elaborada com a comparação entre os quatro filmes analisados.
Até que a sorte nos separe 2
Muita calma nessa hora 2 Os estagiários Homem de ferro 3 Tempo total de
merchandising por filme Aprox. 4 minutos
Aprox. 2 minutos e 40
segundos O filme todo Aprox. 5 minutos
Inserções
discretas/aparentes/mescla Discreta Aparentes Mescla Mescla
Aparições repetidas Não Sim Não Não
Áreas privilegiadas Sim Sim Sim Sim
Total de merchandising por filme 6 12 13 aparições de marcas pagantes + Google 24
Empresa que mais fez
inserções Banco do Brasil Praia Ipanema Hotel Google Audi
7. Conclusão
Após realizar o levantamento dos métodos mais recorrentes do merchandising editorial, pudemos perceber a força de persuasão dessa ferramenta e o grande espelho que se tornou para a publicidade. Consideramos o cinema como o principal meio de se propagar esse método, utilizando a persuasão e o convencimento diluídos em entretenimento e imersão espacial e sonora (a sala de cinema).
A tela pode ser reconhecida como um ponto de venda, o surgimento de um produto ou marca dentro de uma narrativa fílmica caracterizando-se como uma ação de merchandising editorial.
7
Turner9 confirma essa hipótese, afirmando que: "A decisão de ir ao cinema
para assistir um filme está relacionada com uma gama de pulsões, como moda, novidade, fruição de ícones ou signos valorizados pelas pessoas no seu contexto social".
Os filmes estudados neste trabalho confirmam os métodos de inserção e a contribuição para a gestão de marcas. Fica claro, também, que os sucessos blockbusters americanos dominam as bilheterias e a ferramenta do merchandising, principalmente quando comparados com os filmes nacionais: são mais ousados, utilizam cenas mais propícias e tem sutileza para abordar o telespectador.
Nossa pretensão, portanto, foi transformar o estudo do merchandising editorial em um objeto de investigação científica, a fim de transformá-lo em uma ferramenta eficaz de persuasão e convencimento dos públicos consumidores.
8. Referências
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