ONOMXCO
revista mensal
Ana II — N.° 22 — Fevereiro/71 — Cr$ 2,00
ftftfóUGlA ESTATÍSTICA NO RIO G. N O R T t
«JU v - F U N D A Ç Ã O 1BQE
Como anda nosso velho
ouro branco"?
NÚMERO MH ASMM/INTE VF.\[M PRMtBID/l
Opiniões
JOSÉ NILSON DE SÁ — Diretor-presidente da Emprêsa Industrial Técnica e do Banco S.
Gur-gel — "Acho que, realmente, em matéria de di-vulgação de coisas que interessam ao Estado,
RN-ECONÔMICO é a melhor publicação surgida até
hoje no Rio Grande do Norte. Está prestando um grande serviço à indústria, ao comércio, à inicia tiva privada, nos colocando a par de tudo que ocorre na área econômica, no mundo financeiro, nos meandros da política. Espero que a direção da revista continue sempre atenta na abordagem dêsses assuntos que a têm transformado num vei-culo de informação da maior importância.
RN-ECONÔMICO é uma necessidade".
MARCOS NELSON SANTOS — Diretor-ge-rente de Santos & Cia. Ltda. e Coordenador do Consórcio Nacional Ford-Willys — "É uma publi-blicação de que estávamos precisando. Está divul-gando nossas questões econômico- financeiras de modo exemplar, nada ficando a dever a congêne-res que tratam, até, de problemas nacionais. É uma revista séria, que orienta o empresariado, indicando-lhe até soluções para situações relati-vas às suas atividades específicas. Os diretores, redatores, colaboradores, são gente com conheci-mento e experiência e isto representa mais um "handcap" para a revista".
PE OTTO SANTANA — Presidente do Servi-ço de Assistência Rural e Vigário da Catedral Me-tropolitana de Natal — "Todos os que têm res-ponsabilidades na vida socio-econômica necessi-tam de um número cada vez maior de reflexõe.5 e informações sôbre cs mais variados campos de atividade. Encontro em RN-ECONÔMICO êsse
ins-trumento de informação, dotado da sinceridade e atualidade necessária. A revista desempenha uma importante função no Estado e é chamada a ser o veículo de renovação e mentalização das classes dirigentes potiguares".
HUMBERTO PIGNATARO — Corretor de
imó-veis, presidente do Conselho Deliberativo do Amé-rica F. C. — "É uma leitura que faltava. Uma re-vista atualizada, que estuda com profundidade os problemas do Estado, que não são poucos. E além do mais comunica, pedindo sugestões a empresá-rios, profissionais liberais, homens de govêrno, o que cons;dero algo da maior importância. Outra coisa que bem diz do seu interêsse em ser alguma coisa definitiva: a procura e o entrosamento com colaboradores e com jornalistas que sabidamente são os melhores que possuímos, formando um ti-me de priti-meira categoria. Parabenizo a todos que a fazem".
ENÉLIO PETROViCH — Presidente do
Insti-tuto Histórico e Geográfico do Rio Grande do
Norte — "Abordando assuntos que interessam
imediatamente à classe empresarial e ao próprio desenvolvimento do Estado, o RN-ECONÔMICO veio, de fato, preencher uma lacuna no setor das publicações especializadas, no Rio Grande do Norte. Um setor paupérrimo, diga-se de passagem. Lendo a revista, sentimos o seu interêsse em mos-trar caminhos, em levantar problemas, dentro dessas perspectivas promissoras que fazem o Nor-deste atual. No qual devemos acreditar, seja pelas realizações de entidades privadas, seja pela ação governamental".
Avenida Rio Branco, 533 - 1 a n d a r • Salas 15 e 16 Edifício São Miguel — Natal ( R N )
C. G. C. M. F. N.° 08423279 Diretor de Redação Marcos Aurélio de Sá Diretor Administrativo Marcelo Fernandes Diretor Comercial
Cassiano Arruda Câmara
Redatores: Ubimar Furtado Alcimar de Almeida Hélio Cavalcanti Sebastião Carvalho Departamento Fotográfico Jaeci Emerenciano Colaboradores:
Benivaldo Azevedo, Cortez Pe-reira, Dalton Melo, Edgar Mon-tenegro, Eider Furtado, Fernan-do Paiva, Francisco Canindé Queiroz, Geraldo Guedes, Hélio Araújo, Hênio Melo, Joanilson de Paula Rêgo, João Batista Cas-cudo Rodrigues, João Wilson Mendes Melo, Jomar Alecrim, José Cavalcanti Melo, Leonardo Bezerra, Mário Moacyr Pôrto,
Moacyr Duarte, Ney Lopes de Souza, Nivaldo Monte (Dom), Otto de Brito Guerra, Reginaldo Teófilo, Severino de Brito, Ubi-ratan Galvão, Walfredo Gurgel (Monsenhor).
RN-Econômico, revista especia-lizada em assuntos econômicos, financeiros e políticos, é de pro-priedade da Editora RN-Econô-mico Ltda. — Avenida Rio Bran-co, 533 - 19 andar, salas 15 e 16 Edifício São Miguel - Natal ( R N ) e impressa na Tipografia Relâm-pago, Av. Rio Branco, 16.", Na-tal ( R N ) - Preço do exemplar: CrS 2,00 - Números atrasados: Cr$ 2,50 — Preço da Assinatura Anual Cr$ 20,00.
Notas do
Redator
Dedicamos uma grande parte do espaço da presente edição à análise do problema do algodão fibra longa do Rio Grande do Norte. Em quase uma dezena da páginas com matérias sôbre este assunto, pretendemos ilustrar os nossos empresários a respeito do que é hoje na economia potiguar o velho "ouro branco". Depois de haver atravessado bons tempos, 2 cultura do algodão já não é tão rendosa porque nosso agricultor não se modernizou nem recebeu os incentivos para produzir mais. No entanto, os ventos sopram a favor do Rio Grande do Norte e agora as perspectivas para a co-tonicultura são as melhores. O leitor poderá observar isso pela entrevista exclusiva que os dire-tores da Algodoeira São Miguel S/A — Douglas Wallace e Carlos Faria — concederam ao RN-ECO NÔMICO e que vai publicada nas páginas 5, 6 e 7.
O gerente da COBAL no Es-tado faz uma declaração séria e grave: em 1970, o Rio Grande do Norte importou quase 100% dos alimentos que consumiu. Êsse fáto, tratado minuciosamente em reportagem na página 15, re-flete os efeitos nocivos da sêca de 1970.
Ainda nesta edição, ouvimos os agentes de transporte maríti-mo de Natal que asseguram que se o Governo do Estado usar "mão de ferro" resolve o proble-ma do nosso pôrto. Só a desobs-trução, não resolve.
Nossa capa — Ramagem de algodão desenhada por Ailton Paulino, do Departamento de Arte e Produção de
RN-ECONô-MICO.
Sumário
ReportagensFazenda São Miguel — campo avançado de experiências
com algodão mocó 5 Agricultura — velho dilema: se ficar o bicho pega, se
cor-rer o bicho come 8 Algodão — elevar a produção aumentando a área cultivada
poderá significar menor rendimento 9 Se Govêrno Estadual usar mão de ferro resolve o
proble-ma do pôrto 10 RN importou em 70 quase 100% dos alimentos que
con-sumiu 15 Plano de Ação de Cortez prevê integração entre Govêrno
e empresariado 16 Falta de incentivos pode significar o fim da cotonicultura
no RN 19 Tudo pronto para o Censo Econômico 20
Serviço Social tem saldo positivo em quatro emprêsas . . . 21 Paulo Martins alerta para o perigo da exploração
predató-ria das algas 29 Ressalvando-se o inverno, as perspectivas para 1971 são
bem melhores 34
Seções
Opiniões 2 Homens & Emprêsas 12
Agenda do Empresário < 18
Direito Fiscal 21
Artigo
Vamos implantar uma universidade de arte em Natal . . . . 30
Meira Pires * T E I X Õ i m ^ x t-4". I o G e.
Senhor
Empresário
RN-ECONÕMICO circulará em edição especial no próximo dia 15 de março, data de posse do nôvo Govêrno do
Estado. '
Os anúncios para a referida edição deverão ser enca-minhados à Redação desta revista até o próximo dia 7.
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Menno que voei não seje industriei ou industriário,
o
NAI é muito importante para
vocêtambám. £.unf
dos instrumentos de que dispõe ó Estado pare enfrentar
o desefio do desenvolvimento. E desenvolvimento . V.
eco nôm ico .interessa a toda e comunidede.
9Ê bem provável que você nunca tenha ouvido falar
no NAI, mas os empresários sabem como éle realiza ,
um trabelho importante. -f X j ^
Quendo você ouvir falar no NAI, fique atento: são
novos emprégos que vão surgir, noves fábricas, novas
oportunidades para todos.
Bem que você tem muito que ver com o NAI. O
trabalho dêle tem um único objetivo: VOCE
íei-W: .. • .,; ..
> - -rs} •'. :>
NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA INDUSTRIAL
Av. Tavares de Lira, 109
•
F A Z E N D A S A O M I G U E L :
Campo avançado
de experiências
com algodão mocó
O algodão mocó é, atualmente, não apenas uma valiosa matéria p r i m a quase que exclusiva do Rio Grande do Norte, mas transformou-se, também, ao longo dos anos, em um grave problema
social para êste Estado. Com o empobrecimento gradativo do nosso
r-olo (nos últimos 40 anos as terras cultivadas do Rio Grande do
Norte perderam 50 por cento de sua f e r t i l i d a d e ) e com a falta dos
incentivos governamentais, a cultura do algodão f i b r a longa tende, inexoravelmente, ao extermínio.
Mr. Wallace: "nossa luta é pela seleção de sementes, melhoria da
qualidade e aumento da produção".
Entretanto, um trabalho sério no sentido de não deixar desapa-recer o nosso "ouro branco" ain-da está sendo levado a efeito, sem alardes e sem trombetas, por uma emprêsa: a Algodoeira São Miguel S/A e sua equipe téc-nica, chefiada pelo geneticista Carlos Faria, considerado uma das autoridades internacionais em algodão. O trabalho é árduo e demorado mas já apresenta algum saldo positivo. Como, por exemplo, a obtenção de uma pro-dução em canteiros experimen-tais de 1.300 kilos de algodão fi-bra longa em caroço por hectare em 1969 e 1970 (ano sem chuva) 400 kilos, apenas com o uso de adubo químico (azôto).
Mr. Douglas Wallace, Diretor da Algodoeira São Miguel S/A, convidou os diretores de RN-ECONÔMICO para verem de perto o trabalho que ali vem sendo executado no sentido de salvar a cultura do algodão mo-có, de melhorar a qualidade de sua fibra e de aumentar a sua produção por hectare. Em um dia de visita e em longas horas de entrevistas com o geneticista Carlos Faria, com Mr. Wallace e com os técnicos inglêses Char-les Birch e John Sheppard, RN-ECONÔMICO pôde conhecer de-talhadamente os planos e os re-sultados das experiências que a emprêsa executa na Fazenda São Miguel, encravada no município
rle Fernando Pedroza, uma das
áreas mais sêcas do Estado.
O objetivo da Fazenda
São Miguel é produzir sementes selecionadas de alto poder germinativo.
A Algodoeira São Miguel S/A abastece de algodão fibra longa a maior indústria de linhas em operação no Brasil: a Linhas Corrente S/A, com fábrica em São Paulo. No ano de 1970 esta emprêsa adquiriu cêrca de 4,5 milhões de quilos de algodão mocó, no Rio Grande do Norte, através da Algodoeira São Mi-guel, que desenvolve a tarefa de selecionar sementes, distribuí-las entre os agricultores e, em se-guida, comprar a produção para encaminhá-la para o Sul. Com essa política, a Algodoeira São Miguel, que possui como campo de experiências a Fazenda São Miguel, vem obtendo a melhoria gradativa do nosso algodão, con-seguindo fibras mais resistentes e mais longas, de alta importân-cia para a fabricação de tecidos finos.
Para a fundação das próximas safras, a Fazenda São Miguel de-verá distribuir no corrente ano, gratuitamente, cêrca de 200 tone-ladas de sementes de algodão mocó altamente selecionadas,
uantidade que permitirá o cul-tivo de 20 mil hectares de terras. A distribuição é feita aos produ-tores que tradicionalmente tra-balham com a firma, recebendo
dela assistência técnica e venden-do-lhe a safra. Isto não importa numa regra de que só recebem sementes da Fazenda São Mi-guel os agricultores comprome-tidos em lhe entregar a produ-ção, pois muitos deles negociam com outras firmas do gênero.
Para assumir o papel que hoje desempenha no Nordeste, onde é a maior emprêsa compradora de algodão fibra longa, a Fazen-da São Miguel começou a traba-lhar em 1922 e iniciou experiên-cias de seleção de sementes que foram dinamizadas a partir de
1946, época em que a emprêsa participou de um trabalho da Estação Experimental do Seridó, em Cruzeta, então dirigida pelo geneticista Fernando Melo, tra-balho êste que caracterizou um tipo de algodão mocó superior. De lá para cá, a Fazenda tem pro-curado melhorar ainda mais a qualidade da fibra do algodão fazendo já agora uma seleção de sementes garantidas e puras, com alto poder germinativo. A seleção se faz utilizando uma máquina Transparaná, muito usada na catação de grãos de ca-fé para exportação, no Sul do país.
O Ministério da Agricultura — segundo pronunciamento feito pelo Ministro Cirne Lima em sua visita ao Nordeste em fins do mês de janeiro último, publicado no Estado de São Paulo de
28/1/71 — tem um plano para
desenvolver a cotonicultura da região, particularmente na área produtora do algodão mocó, pois o algodão é um produto identificado com as condições ecológicas nordestinas, além de ter mercado interno e externo. O plano do Ministério é a am-pliação das áreas de cultivo, a seleção de sementes e o aumen-to da produção por hectare. Co-incidência ou não, o programa que a Algodoeira São Miguel S/A desenvolve no Rio Grande do Norte é o mesmo. Èsse fato por si só revela o acêrto da política da emprêsa.
A produção de algodão
é baixa porque as terras estão cansadas. É preciso adubo.
O geneticista Carlos Faria, agrônomo que já foi Secretário de Agricultura e Diretor do De-partamento de Produção Vege-tal da Paraíba, Professor de Ge-nética da Escola de Agronomia de Areia (PB), e que é também um dos diretores da Algodoeira São Miguel S/A, afirma categó-rico, antes mesmo que a pergun-ta termine de ser feipergun-ta: A "baixa rentabilidade da cultura do al-godão mocó no Rio Grande do Norte é decorrência da pobreza do solo e da falta de uso dos adubos necessários. Em 40 anos — prossegue Carlos Faria —
nós perdemos 50 por cento da fertilidade das nossas terras. Po r i s s o, estamos seriamente preocupados na realização de es-tudos de solo, analisando, pro-curando determinar os elemen-tos que necessitamos dar ã terra. Em três anos de observação, concluímos que o elemento bá-sico que falta ao solo é o azôto, que por ser muito solúvel, é sem-pre levado pelas primeiras chu-vas, provocando nas plantas a fo-me dêsse elefo-mento, ou seja, a arteriosclerose. Suprindo as plan-tas desse elemento, através da adubação, temos obtido na Fa-zenda São Miguel uma média de produção de 886 quilos por hec-tare. enquanto que nas áreas não adubadas não vai além dos 480 quilos, em média".
Assegura Carlos Faria — ho raem que estuda o algodão seri-dó desde 1930 — que se o Govêr-no subsidiasse adubos e insetici-das, estaria dando o passo mais acertado para a recuperação da cultura algodoeira no Nordeste. O problema da semente, apesar de também ser importante, é bem mais fácil de ser soluciona-do, pois não exige grandes inves-timentos. A própria Algodoeira, que já distribui gratuitamente 200 toneladas de sementes sele-cionadas, por ano, dispõe de con-dições, em anos normais, de dis-tribuir uma quantidade muito maior e, até mesmo, de partici-par de programas destinados a
P L A N O SKLIÇÍf) 3 T . l . T CAMPOS DA I EXPERIMENTOS I 3 T . l . T P À Z E H D A EXPERIMENTOS Saa. Saa. Saa. Saa. Saa. SIC MIGUEL
600 Ha - 100/ano Saa. H CO * E «J 2 T . Sfiríúnta^ CAMPOS COOPLKAÇltO PISCALISADCS. 1.000 Ha:5—5 «nos LAVOURA GeiRAL FICHADA • 50.000 E : GERAL
Cumnrindo êsse "Plano Geral", a Fazenda São Mi gusl consegue uma seleção rigorosa de semente, para fundação das novas safras. Êste ano, a Fazenda está distribuindo gratuitamente 200 t. de sement^a.
Campo experimental da Fazenda São Miguel, no qual, obedecida a téc-nica de adubação e espaçamento, se consegue até 1.200
quilos de algodão, por hectare. melhoria da fibra, utilizando em
maior escala os elementos técni-cos ora utilizados apenas na Fa-zenda São Miguel e em proprie-dades que produzem algodão pa-ra a emprêsa.
A demanda de algodão
fibra longa tende a aumentar. Quanto mais produzirmos mais vendermos.
A implantação de novas fábri-cas de tecidos finos (principal-mente de tergal) no Sul do país vai acarretar, a partir dos pró-ximos meses, uma demanda maior de algodão fibra longa, o único capaz de se consorciar com o poliester e oferecer um rendimento de alto nível. Como só o Nordeste pode produzir ês-se tipo de algodão, é de ês-se espe-rar o incentivo governamental à cotonicultura da região pois ou se produz mais ou o país será forçado a importar êsse tipo de fibra. Consideram os diretores da Algodoeira São Miguel que o Govêrno deve incentivar a cultu-ra do algodão mocó subsidiando adubos e inseticidas, sempre en-tregando ao agricultor não o di-nheiro para a compra de tais in-sumos, mas os próprios insumos nas quantidades necessárias. Isto obrigaria o uso dos adubos e in-seticidas, pois os agricultores não teriam o que fazer senão empregá-los na lavoura. A des-vantagem dos financiamentos tradicionais à agricultura se re-sume em que os utilitários dos empréstimos muitas vezes diver-sificam as aplicações dos
recur-sos que recebem para aplicar ex-clusivamente na agricultura.
Segundo os cálculos técnicos, o Rio Grande do Norte cultiva 800 mil hectares/ano de algodão mocó, com um rendimento infe-rior a trezentos quilos de algo-dão em caroço por hectare. Con-sidera Carlos Faria que, mesmo sem aumentar a área cultivada, com o simples emprego de adu-bo poder-se-ia duplicar a produ-ção de fibra longa. Nesse senti-do, o problema de maior gravi-dade é o custo elevado do adubo químico no Brasil. Uma tonela-da de adubo à base de azôto cus-ta quase trezentos cruzeiros, ex-ceto o frete, havendo ainda des-pesas na aplicação do insumo, etc. Mesmo assim, conforme as experiências da Fazenda São Mi-guel, o uso de adubos é rentável.
Algodão mata não concorre
com o mocó. Serve para
fabricar tecidos inferiores. O algodão mata, de fibras cur-tas, sendo uma planta herbácea,
é cultivado sobretudo nas re-giões mais chuvosas do Estado (faixas litorânea e agreste), ha-vendo, todavia, fazendeiros da região produtora do mocó que também plantam o mata, embo-ra em pequena escala. Este algo-dão é empregado na fabricação de tecidos grossos e de qualida-de inferior, não concorrendo com o fibra longa. Por outro la-do, oferece algumas vantagens para os fazendeiros.
"Jsto se explica — segundo afirma Carlos Faria — porque o
algodão mata é mais um fazedor de pastos e o que se investe na sua cultura retorna em menos tempo. Normalmente, o fazendei-ro arrenda parte de suas terras ao morador, o morador planta, colhe, e, em seguida, o fazendei-ro joga o gado dentfazendei-ro do algo-doal. O algodão mata também é necessário porque com êle se faz uma rotação de cultura (interca-lando os campos de algodão com feijão e milho), uma conservação do solo e se vai arrumando a economia para dar roupa ao tra-balhador no fim do ano".
Continua o geneticista Carlos Faria: "O algodão arbóreo para o Nordeste representa, principal-mente, um problema social por-que uma vez por-que não se dá su-porte técnico, inseticidas e adu-bos ao agricultor, o solo vai se enfraquecendo mais e mais e a cultura tende a desaparecer. O que observamos hoje é que o a-gricultor planta algodão mocó e tem prejuízo, pois o solo é pobre e ninguém lhe dá crédito para que êle faça uma agricultura ra-cional. Quem ainda planta algo-dão mocó, planta porque não tem outra alternativa".
Mr. Wallace:
"Vamos continuar nossas seleções e melhorar o produto"
Mr. Wallace toma a palavra para destacar: "Apesar das difi-culdades sempre crescentes, a Algodoeira São Miguel S. A. vem atuando — e isso é inegável — como uma espécie de apoio ao Po-der Público, num esforço cres-cente pela melhoria de qualidade do algodão e responsabilizando-se, até, pela distribuição de se-mentes de alta seleção em tôda uma área fisiográfica do Rio Grande do Norte".
E prossegue Mr. Wallace: "Sem qualquer dúvida, vamos conti-nuar nossas seleções para me-lhorar o produto e sua rentabili-dade, colaborando com o máxi-mo de franqueza. Os resultados dêsse nosso trabalho sempre fo-ram oferecidos e o serão sem-pre, às demais entidades publi-cas e privadas que se interessem pelo problema do algodão fibra longa do Nordeste. E, assim pro-cedendo, temos a impressão de que estamos contribuindo para alguma coisa de valor dentro do sentido de nossas atividades".
A G R I C U L T U R A
O veiho dilema:
se íicar o bicho pega,
se correr o bicho come
Depois de enfrentarem uma sêca, e já antevendo a possibili-dade de não terem agora bom inverno — baseados nos índices
de precipitação pluviométrica e nas palavras dos nossos profetas — os agricultores do Rio Grande do Norte enfrentam um dilema táo forte quanto a verdade do velho ditado: "se ficar o bicho pega e se correr o bicho come". Para os médios e grandes a-gricultores o reescalonamento aos empréstimos para fundação da safra passada, além de uma rima é uma solução. Contam, pelo menos, com a certeza do crédito oficial para fundarem no-va safra, e, se tudo correr bem "aprumar novamente os negó-cios", segundo palavras de um dêles.
Os pequenos agricultores, que não operam nos bancos e que ti-veram de se alistar nas frentes de trabalho, ganhando no ano passado menos do que o sufici-ente para sua subsistência (dois cruzeiros da diária), certamente não conseguiram amealhar o su-ficiente para comprar sementes, inseticidas, implementos agríco las e para a sua própria manu-tenção até as primeiras colhei-tas.
O que fazer?
Até o presente não existe ne-nhum programa governamental — pelo menos divulgado — pa-ra enfrentar êste problema. Qual seria a solução: distribuir gra-tuitamente as sementes?
Esta solução paternalista pa-rece não se coadunar bem com a atual política governamental.
Mas, quais as garantias reais que um homem de pouco ou ne-nhum patrimônio pode oferecer num processo de financiamento normal?
E AGORA JOSÉ?
Partindo dêste quadro, comum para tôda a região nordestina, vamos chegar num problema ainda mais grave: o do algodão no Rio Grande do Norte que —
apesar de considerado como cul-tura gravosa — é um das prin-cipais fontes da nossa economia.
Segundo determinações do Conselho Regional de Agricultu ra, o Poder Público, a partir dês-te ano vai limitar-se apenas a in-centivar a cultura do algodão de fibra longa, o mocó ou seridó — "o melhor algodão do mun-do" — procurando com sua omissão erradicar a cultura do algodão herbacéo — de fibra cur-ta — sob o argumento de que êste produto enfrenta a concor-rência de similar do sul do país, onde os índices de produtividade são bem maiores, e, consequen-temente, os custos são ainda me-nores.
Em outras palavras: os lucros do algodão herbáceo produzido no sul do país, nos atuais pre-ços. são compensadores, enquan-to que, mesmo com os altos pre-ços alcançados na última safra —• bastante reduzida — no fim das contas não são compensa-dores para o nosso agricultor.
Êste é um problema por de mais complexo e sua solução não poderia vir a curto prazo, uma vez que implicaria num vas-to programa de infra-estrutura que começaria pela irrigação.
Todos êstes argumentos, en-tretanto, foram insuficientes pa ra determinar o incentivo a
pro-dução dêste tipo de algodão, só que se ofereceu ainda uma opção para êste cotinicultor. Plantar o que? E quais as garan-tias de mercado para o nôvo pro-duto que substituiria o algodão fibra curta?
A falta do incentivo governa-mental poderá agravar mais o problema, pois o agricultor difi-cilmente vai partir para outro ti-po de cultura e, depois de ven-cer a sêca, terá agora de enfren-tar o drama da volta a normali-dade.
HORA DA RETOMADA
O Ministro da Agricultura, sr. Cirne Lima, na sua última visita
ao Nordeste, mostrou-se sensível ao problema do algodão e dese-jou conhecê-lo.
Num jipe, sem gravata e Ion ge das solenidades oficiais per-correu a Estação Experimental do Seridó, e mais: logo depois de seu regresso a Brasília convo-cou alguns técnicos potiguares para com êle discutirem o as-sunto.
O Govêrno Federal sensível ao assunto já é um bom indício, mas não é tudo.
Além do interêsse das altas es-feras existe algo mais concreto e que necessita do apoio de tôdas as forças vivas do Estado: a vol-ta a normalidade.
Esta tese do futuro governa-dor Cortez Pereira, que só pode-rá funcionar com a canalização de vários recursos para a agro-pecuária, demonstra a grande preocupação da futura adminis-tração estadual para o setor pri-mário da economia.
Com isto, quis dizer Cortez que, cessada a sêca, não cessa-ram os seus efeitos. Mesmo sem querermos maximizar o proble-ma das irregularidades climáti-cas e sem desejarmos transfor-mar êste fator negativo em ca-valo de batalha — RN-ECONÕ-MICO no 21 — temos de con-cordar com o futuro Governador quando êle afirma que em 58, o rebanho do Rio Grande do Nor-te ficou reduzido a um quarto e que a recuperação da economia nos campos demorou quatro anos.
Será que podemos esperar ês-te ês-tempo todo?
A verdade é que a volta a nor-malidade tem de ser preparada ,iá. Preparação que começa com a fundação da nova safra. Safra que deve começar a ser fundada imediatamente, mesmo sem ter-mos a certeza de um bom in-verno.
Do contrário é retroagirmos no tempo e no espaço, perpetu-ando a velha mania de chorar-mos o que não conseguichorar-mos no passado, sem a preocupação de prepararmos o futuro.
O Presidente da Federação da Agricultura se pronuncia sôbre a política de
incentivo ao plantio do algodão mocó:
Elevar produção aumentando
a área cultivada poderá
significar menor rendimento
Entrevista exclusiva
concedida pelo Dep. Moacyr Duarte a RN-ECONÔMICO.
O deputado estadual Moacyr Duarte, Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Norte, autor de vá-rias publicações sôbre os proble-mas da nossa agropecuária e, além de tudo, homem entrosado com os planos de Govêrno que envolvem êsse tema, responde a RN-ECONÔMICO, em entrevista exclusiva, o que se pode esperar de bom e de nôvo em termos de incentivo à cultura do algodão mocó.
Considera o deputado Moacyr Duarte que uma medida adotada pelo Ministério da Agricultura ou pelo Govêrno do Estado que visasse o aumento da produção do algodão mocó apenas pela ex-pansão da área cultivada seria inócua, pois viria "diminuir ain-da mais os baixos rendimentos desta cultura por unidade de área, em virtude desta expansão ter forçosamente que se realizar em solos de duvidosa e precária fertilidade, considerando-se que as melhores faixas agricultáveis já estão ocupadas". Êle afirma, também, que o problema da co-mercialização do algodão é prio-ritário e deve ser olhado com maior seriedade, de vez que com a estrutura atual de comerciali-zação o produtor sempre tem si-do o grande prejudicasi-do. Por fim, êle pede "preços compensa-dores" para o algodão; pede a intervenção do Govêrno na co-mercialização do produto, esten-dendo para o Nordeste o famoso slogan muito conhecido no Cen-tro-Sul — "Plante que o Govêr-no compra"; e assegura que a classe ruralista do Estado con-fia no Govêrno de Cortez Perei-ra.
RN-ECONOMICO — Como a Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte vê a política preconizada pelo Ministério da Agricultura de incentivo à expan-são da produção do algodão Se-ridó?
Moacyr Duarte — " A FAERN recebe com o mais efusivo entu-siásmo tôda promoção do govêr-no que venha trazer reais incen-tivos à produção agropecuária. No caso do algodão Seridó dese-jamos lembrar que um aumento de produção pela expansão da área cultivada poderá diminuir ainda mais os baixos rendimen-tos desta cultura por unidade de área, em virtude desta expansão ter forçosamente que se realizar em solos de duvidosa e precária fertilidade, considerando-se que as melhores faixas agricultáveis já estão ocupadas.
A nosso ver o aumento da pro-dução deve ser efetivado através de um conjunto de medidas vi-sando a elevação dos rendimen-tos por unidade de área. Conco-mitantemente, o govêrno federal deve dar prioridade ao problema da comercialização, pois é co-mum os órgãos de assistência técnica acompanharem os agri-cultores do cultivo à colheita, dei-xando a comercialização entre-gue a intermediários e usineiros, hábeis manej adores do merca-do, em detrimento do produtor que, em última instância, é o élo mais fraco da corrente produ-tiva.
Outra forma de ação governa-mental seria o estabelecimento de uma política agressiva de es-tímulo à produção da cultura do fibra longa, com a adoção da pa-ridade do preço dessa matéria
prima em consonância e no mes-mo diapasão com a evolução do índice geral de preços.
Vejamos, a titulo exemplifica-tivo como essa paridade se dis-tancia cada vez mais da realida-de, evidenciando, de ano para ano, a deterioração dos preços do nosso principal suporte eco-nômico, cujos preços jamais se equiparam ao índice ascencional dos custos de produção. Se to-marmos o ano de 1958 como ba-se, em que 100 unidades de algo-dão correspondiam ao valor de 100 unidades de mercadorias di-versas, verificamos que êsse pro-duto vem perdendo gradativa-mente seu valor real, pois em
1969 para adquirir as mesmas 100 unidades de mercadorias di-versas necessitaríamos de 237 unidades de algodão".
RN-ECONÔMICO — De que necessitam os cotonicultores pa-ra apresentar melhor rendimen-to de algodão por hectare?
.. Moacyr Duarte — "Preços compensadores, que corrijam as distorções verificadas no longo período em que o agricultor foi descapitalizado pelo achatamen-to do valor do produachatamen-to;
b. Confiança em que, realiza-dos novos investimentos na cul-tura, não venha ocorrer, com o aumento da produção, um exces-so de oferta em detrimento do valor do algodão, como aconte-ceu com o Sisal;
c. Que o slogan "Plante que o govêrno compra", hoje ampla-mente divulgado na região Cen-tro-Sul, se estenda ao Nordeste;
d. Se o govêrno subsidia cul-turas em outras regiões, por que não adotar o mesmo tratamento com relação ao algodão Seridó?
Agentes marítimos declaram:
Se Governo Estadual usar
mão de ferro resolve o
problema do nosso pôrlo
e. Embora reconhecendo o es-forço dos órgãos de assistência técnica, parece-nos que deveriam evoluir para oferecer técnicas aos agricultores de comprovada eficácia econômica".
RN-ECONÕMICO — O Govêr-no Cortez Pereira encara o pro-blema agropecuário com priori-dade. O que a FAERN espera do próximo Govêrno do Estado, particularmente no caso do nosso algodão.
Moacyr Duarte — " A classe ruralista confia no Governador Cortez Pereira, não em têrmos de promessa, mas de realidade. Éle também é um agropecuaris-ta. Conhece as nossas frustra-ções e dificuldades. E dentro do espírito da filosofia desenvolvi-mentista que preconiza para seu govêrno, certamente a sua preo-cupação maior será a da integra-ção do homem do interior no processo do desenvolvimento do Estado. Agora mesmo, em sua recente viagem ao sul do país, não se descurou do problema e teve oportunidade de oferecer ao Presidente Médici valiosas su-gestões que objetivam a recolo-cação da cotonicultura potiguar no lugar de destaque que sempre mereceu no contêxto de nossa economia".
A retirada da "pedra do pi-cão" do canal de acesso ao cais do pôrto de Natal pode não ser de grande valia. Nem mesmo a longo prazo. Isto é o que se de-preende das opiniões (algumas vêzes ressentidas) dos usuários do pôrto: os agentes das compa-nhias de cabotagem, nacionais ou internacionais, cujos navios periodicamente aportam em Na-tal.
A situação do cais em especial é a principal razão da descrença. Como está, o pôrto de atracação não comporta navios de mais de 22 pés — o calado máximo que entra na barra. Com a retirada da pedra poderão vir navios de até 30 pés, mas um máximo de 25 já seria sobrecarga para o cais. Que, por outro lado, não poderia ser dragado pura e
sim-plesmente, sob pena de ameaça de sua estrutura, já corroída pe-la própria ação das marés.
Se, por outro lado, fôsse feito o reaparelhamento total do cais do pôrto — e há previsão nêste sentido — adviria uma situação mais melindrosa: não haveria o que exportar ou, mais precisa-mente, um navio de grande cala-do não teria interesse de vir a Natal, pois se trouxesse merca-doria, não teria o que levar de volta. Ou melhor, não teria o bastante para lotar a sua capaci-dade de transporte.
Mas o problema não se res-tringe apenas a esses pontos de vista supostamente superficiais. A profundidade da questão está, justamente, no estudo de cada detalhe que os representantes lo-cais da marinha mercante exte-riorizam muitas vêzes se res-guardando de ferir susceptibili-dades. Porque entendem o esfor-ço que foi dispendido e o que, de qualquer forma, representa o trabalho ora realizado pelos ho-mens-rãs do Corpo de Fuzileiros Navais: a explosão de 15 mil me-tros cúbicos de pedra de forma-ção arenítico-ferrosa, formados por blocos superpostos que va-riam de 50 a 70 toneladas de pê-so, cada um.
Para os agentes, a questão é tão mais profunda que requer uma participação definitiva da parte dos governos estadual e federal, na adoção de medidas preventivas e estimulantes.
O sr. Rui Moreira Paiva ( * ) por exemplo diz que "com o ca-lado garantido de 25/30 pés, é óbvio que resultarão algumas vantagens. Mas, ainda assim, no que se refere à economia comer-cial e industrial, somos duvido-sos, porque o problema compor-ta estudo em profundidade, que seria difícil de ser abordado aqui".
RN-ECONÔMICO
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O "estudo em profundidade" a que se refere o sr. Rui Moreira Paiva é detalhado pelo sr. Pedro Ribeiro ( * * ) : "O Governador João Agripino, da Paraíba, proi-biu, através de uma medida de-sassombrada, que qualquer mer-cadoria produzida no Estado fôsse embarcada no pôrto do Re-cife. Só o embarque do sisal pa-raibano através de Cabedelo acasionou uma sensível queda no movimento do pôrto pernambu-cano. Seria o caso de semelhante atitude ser tomada aqui no Rio Grande do Norte".
Nesse ponto êle está (em prin-cípio) de acordo com o princi-pal entusiasta da desobstrução do pôrto de Natal, o almirante Tertius Cesar Pires de Lima Re-bello, vice-governador e l e i t o : "Com a entrada e tráfego de na-vios de grande porte em Natal, o algodão será exportado por aqui, assim como o sisal, a cêra de carnaúba, peles, mármore, minérios".
Mas só em princípio, porque é ainda o sr. Pedro Ribeiro quem adianta, com a experiência de usuário do pôrto: "os navios de grande calado preferem ficar nos portos de Cabedelo e Recife e ali serem carregados porque lá desembarcam mercadorias para Recife, João Pessoa, Alagoas e Salvador, enviando-as por terra aos portos destinatários, regres-sando aos seus portos de origem sem onerar a viagem com mais escalas".
A solução seria mesmo uma to-mada de posição do tipo da do governador paraibano, para obri-gar os nossos importadores a virem a Natal buscar os nossos produtos?
É o que se entende, se é que se quer utilizar o Pôrto de Natal na plenitude de sua ampliação agora iniciada. Porque, como diz ainda o sr. Pedro Ribeiro: "Mes-mo na época da safra, a exporta-ção atual no nosso pôrto não excede 1.500 toneladas por mês". E é o que corrobora o almirante Tertius Rebello: "Atualmente, o que se vê são produtos como o sisal, armazenados no cais, à es-pera de serem levados para Ca-bedelo, porque navios de grande calado não podem vir buscá-los". Os navios de grande calado só poderão entrar quando houver mercadoria suficiente para
justi-ficar mais uma escala. Ainda é o sr. Pedro Ribeiro quem fala: "Há
pouco tempo tivemos um navio da Delta Lines que não pôde en-trar em nosso pôrto porque era de grande porte. Trazia merca-dorias do programa norteameri-cano "Alimentos para a Paz", que seriam aqui desembarcados. Cem a impossibilidade de entrar na barra, o barco foi para Re-cife, desembarcou ali a merca-doria e mandou tudo por terra. A operação já se repetiu várias vêzes. A companhia disse que quando a situação do pôrto fôs-se remediada, entraria em Natal. Mas acho difícil isto ocorrer. Principalmente porque em Reci-fe o navio pode embarcar mer-cadorias daqui, de Maceió, de Salvador, até mesmo de Cabede-lo. E aqui, vai embarcar o que?" QUESTÃO DO FRETE
O que se sente também da par-te dos agentes de cabotagem é o interêsse numa revisão da po-lítica de fretes. O frete marítimo é três vêzes mais barato do qu-3 o rodoviário, mas as firmas im-portadoras preferem receber mercadorias vindas em cami-nhões.
Outro representante da firma Fernandes & Cia. acha que "a solução do pôrto de Natal está na importação. A solução da ex-portação virá a longo prazo. Mes-mo que seja priMes-mordial uma me-dida do tipo da do Governador João Agripino, para movimentar os embarques, deveria haver uma revisão na política de fretes. O frete marítimo poderia ser, se-não imposto, mas pelo menos forçado em condições proporcio-nais ao terrestre".
E analisa: "Por que tudo em Natal é mais caro? Porque tudo é transportado por terra. E che-ga mais caro. O comerciante re-cebe, acresce ao custo da merca-doria o preço alto do frete, colo-ca a sua base de lucro e quem paga tudo é o consumidor. Se a mercadoria fôsse transportada por mar, havendo uma fiscaliza-ção rigorosa na questão do lu-cro, então se mataria dois coe lhos de uma só cajadada: Natal não seria uma cidade de vida ca-ra e o problema do nosso pôrto teria encaminhada a solução pa-ra o seu eterno problema de so-brevivência".
( * ) — Diretor-presidente de Representações Rui P a i v a , agente da Frota Nacional de Petroleiros, Hapag Lloyd (Lói-de alemão), Moore McComar-ck Lines Inc. (norteamerica-na), Ivaran Lines (noruegue-sa), etc.
( * * ) — Chefe de Operações da firma Fernandes & Cia., a -gentes da Delta Lines (norte-americana), Booth Lines (in-glesa), Emp. Lineas Marítimas Argentinas, Lloyd Real (holan-desa), Navegação Mercantil, Shell Marine (petroleiro), etc.
Para você não p e r -d e r t e m p o . Raul colo-ca a sua dispostváo u m carr<> 69 e n q u a n -t o você «roca os pneus d o «eu carro
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E M P R E S A S
BORBOREMA — UM COMPLEXO INDUSTRIALA Fiação Borborema, ape-sar de ainda não ter data mar-eada para a sua inauguração, já está produzindo quase duas toneladas diárias de fios de algodão fibra longa, trabalhan-do em três turnos. A fábrica, equipada com máquinas ale-mães, classifica-se entre as mais modernas fiações do Bra-sil, sendo o seu produto atual-mente disputado por inúme-ras tecelagens de São Paulo que trabalham com o algodão fibra longa. O projeto da Bor-borema, recentemente atuali-zado pela SUDENE, atinge a casa dos 15 milhões de cruzei-ros. Por outro lado, apesar de não estar ainda funcionando com sua total capacidade de produção, a Fiação Borbore-ma já se classifica como a in-dústria do Rio Grande • lo Norte que mais consome ener-gia: mensalmente, esta em-presa paga à COSERN 28 mil cruzeiros. O seu consumo de água é de 8 mil litros/dia. FESTA DA
CUMIEIRA DA COIRG
A Companhia Industrial Rio-grandense do Norte — COIRG — festejou com um churrasco a sua festa da cumieira, em fins do mês de janeiro. O aconteci-mento teve a presença do Go-vernador Walfredo Gurgel e do Governador Cortez Pereira, com os seus respectivos secretários, e de mais uma centena de autori-dades, empresários e jornalistas.
Newton Câmara, Diretor-Presi-dente da emprêsa, recebeu mui-tas congratulações e elogios pelo sucesso do seu trabalho. Vale ressaltar que a festa da cumieira da COIRG foi celebrada exata-mente no primeiro aniversário do lançamento da pedra funda-mental.
PRESIDENTE DA
DUBOM VISITOU NATAL Feiz Salim Carone, Diretor-Pre-sidente da DUBOM S/A .indús-tria de sabonete em fase final de implantação no município de Parnamirim, esteve em Natal du-rante algumas semanas, para ver de perto o andamento das obras de construção do seu com-plexo fabril. Com o funcionamen-to previsfuncionamen-to para o mês de de-zembro, a DUBOM S/A produzirá 2 mil quilos de sabonetes e 2 mil quilos de sabões, por dia, além de elevada quantidade de glicerina, para exportação. Feiz Salim Ca-rone já regressou a Vitória do Espírito Santo, onde dirige as Indústrias Glória S/A, fabrican-te do sabonete Forzly. Em sua companhia viajou Mário Caroni, seu filho, que é Diretor-Indus> trial da DUBOM e tem residên-cia em Natal.
CIBRESME NO RN
Fernando Bezerril Comércio e Representações conseguiu clas-siticar-se em primeiro lugar no Brasil entre todos os represen-tantes da CIBRESME, pelo gran-de volume gran-de negócios que reali-zou no Rio Grande do Norte em favor desta indústria. Fernando, que em 1970 deveria realizar ne-gócios que atingissem a soma de 800 mil cruzeiros (cota fixada pela CIBRESME), atingiu nada menos de Cr$ 1.350.000,00 ven-dendo estruturas metálicas à Granja Lawar, JOSSAN, SITEX, ALGIMAR, Cooperativa Mista de Parnamirim, etc. No início dêste ano, Fernando, praticamente já superou as vendas do ano pas-sado, firmando com o 3? Bata-lhão de Engenharia um contrato de CrS 900 mil, para que a CI-BRESME forneça estruturas me-tálicas para todo o aquartela-mento de Picos (Piauí), para on-de já está transferida a unidade militar. Fernando também já firmou um nôvo contrato com a JOSSAN, para fornecimento de
estruturas que cubram uma área de 6 mil metros quadrados. EDIFÍCIO ETOILE
Está a cargo de Paiva, Irmão & Cia. o lançamento do Edifício Etoile (prédio de 20 apartamen-tos, tipo luxo, na Av. Hermes da Fonseca), do conjunto residen-cial São José (58 casas no bair-ro de Lagoa Nova) e do conjun-to Santa Mônica (30 casas, pró-ximas ao conjunto Nova Dimen-são). Paiva, Irmão & Cia., é um escritório de vendas imobiliárias e quem o dirige é o economista Fernando Paiva, Administrador Geral da APERN.
COMPUTADOR PARA APERN
Quem informa é Fernando Paiva: a partir de junho a APERN vai dispor de um com-putador Burroughs L400, da terceira geração. O computa-dor fará os levantamentos de saldo médio e correção mone-tária de tôdas as cadernetas de poupança, fará a contabili-dade geral da APERN, os bor-derôs de cobrança, as estatís-ticas e inúmeros outros servi-ços que atualmente são reali-zados pelos métodos primá-rios, demandando muito mais tempo.
A. GASPAR SE EXPANDE
O engenheiro Arnaldo Gaspar informa que será lançado em abril o conjunto de apartamen-tos "Chácara 402", a ser cons-truído na avenida Deodoro, lo-cal onde já funcionou o DER. O "Chácara 402" será formado por três gigantescos edifícios de 12 andares, cuja construção demo-rará o máximo de 18 meses e te-rá financiamento do Banco Na-cional de Habitação. Por outro lado, também informa Arnaldo Gaspar que a Construtora A. Gaspar está, atualmente, com três frentes de trabalho: uma em nosso Estado, outra na Paraíba e a terceira em Pernambuco. Na Paraíba, A. Gaspar está constru-indo 6 importantes pontes da Rodovia BR-230, além de uma estação de tratamento d'água em Sapé, um reservatório e outra estação de tratamento d'água em Mari. Em Pernambuco, a emprê-sa está construindo o Depósito
Regional do Banco do Brasil, na estrada da Imbiribeira. Em bre-ve, A. Gaspar fará um grande lançamento imobiliário em Sal-vador.
CONFECÇÕES REIS MAGOS As Confecções Reis Magos, que tiveram carta-consulta apro-vada pela SUDENE para amplia-ção e relocalizaamplia-ção de sua indús-tria (com recursos dos artigos 34/18) acabam de adquirir um terreno com 20 mil metros qua-quadros, à margem da pista de Parnamirim, para instalação da sua nova fábrica. Com a amplia-ção, o capital autorizado das Confecções Reis Magos passará para CrS 8 milhões.
LUIZ AMORIM ASSUME FIERN
Na ausência de Expedito Amo-rim, que se encontra no Rio em tratamento de saúde, assumiu a Presidência da Federação das
In-dústrias Luiz Amorim. Por outro lado, José de Oliveira Lima, pre-sidente do Sindicato das Indús-trias da Cerveja e Bebidas em Geral voltou à chefia do Depar-tamento Sindical da FIERN, cargo remunerado.
SITEX RECEBEU EQUIPAMENTOS
O industrial Hemetério Gurgel, diretor-presidente da SITEX, informa que a sua emprêsa já recebeu todos os equipamentos necessários para sua instalação. As máquinas, provenientes do Japão, serão as mais modernas em uso no Brasil para fabrica-ção de etiquetas. A SITEX terá, inicialmente, uma capacidade de produção da ordem de 10 mi-lhões de etiquetas/ano e concor-rerá em preço e qualidade com as melhores empresas similares do país. Acredita Hemetério Gurgel que a indústria de fecção local poderá sozinha, con-sumir tôda a produção da SI-TEX.
FERNANDO CASCUDO REPRESENTA O RN
O jornalista Fernando Luís da Câmara Cascudo, diretor de Manchete e um homem muito bem relacionado nas altas esferas federais, foi con-vidado pelo Governador Cor-tez Pereira para representar o Rio Grande do Norte no Rio de Janeiro. Para chefiar o Es-critório do nosso Estado em São Paulo irá o industrial Cló-vis Motta, atual vice-Governa-dor. Para representar o Govêr-no em Recife, o professor Cortez Pereira havia pensado no nome do coronel Manoel Leão Filho. Mas êste foi con-vidado para integrar a assesso-ria do nôvo Superintendente da SUDENE.
UBIRATAN DESCOBRIU A VERDADE TRIBUTÁRIA
O futuro Prefeito Ubiratan Galvão já encontrou a fórmula que lhe permitirá a execução de um programa de trabalho: exi-gir a verdade tributária. Levan-tamentos feitos mostram que os poucos prédios de Natal que são cadastrados na Prefeitura pa-gam o imposto predial sôbre menos de 20% do seu valor. A exigência da verdade tributária
vai acarretar para Ubiratan uma certa impopularidade nos pri-meiros dias do seu mandato, mas será a única maneira para que a Prefeitura tenha o mínimo de condições de realizar o que o natalense espera que se faça pe-la sua cidade.
ANDREAZZA NO RN
O ministro Mário Andreazza vem mais uma vez ao Rio Gran-de do Norte neste início Gran-de ano. Desta feita, no próximo dia 5, para inaugurar o trecho da Ro-dovia BR-226 entre Acari e Jar-dim do Seridó, que tem uma ex-tensão de 55 quilômetros. A obra, delegada pelo Govêrno Federal ao DER, foi construída pela Em-prêsa Industrial Técnica S/A. Notícia ainda não confirmada, dá conta de que o ministro dos Transportes aproveitará a visita ao Rio Grande do Norte para comparecer ao lançamento das fundações do pôrto-ilha de Areia Branca.
FLORÊNCIO E M NATAL O deputado federal Antônio Florêncio de Queiroz está sen-do esperasen-do em Natal nos pri-meiros dias de março. Vem manter reuniões com os pe-quenos salineiros do Estado, com vistas à instalação das cooperativas de comercializa-ção do sal. Êle também cuida-rá de preparar a recepção ao Ministro Mário Andreazza que na primeira quinzena de março irá a Areia Branca as-sistir a colocação da primeira estaca de sustenção do Porto-Ilha.
SEMINÁRIO EM SÃO MIGUEL
Mr. Wallace, Diretor da Algo-doeira São Miguel, aceitou a su-gestão de RN-ECONÔMICO de promover um seminário sôbre algodão mocó dentro do seu pró-prio campo experimental locali-zado na Fazenda São Miguel, mu-nicípio de Fernando Pedroza. Pa-ra o seminário, cuja data e te-rnário ainda não estão definidos, Mr. Wallace pretende convocar os estudiosos do problema do algodão fibra longa, homens de govêrno e empresários, para que todos vejam os resultados dos trabalhos de pesquisa que a Fa-zenda São Miguel realiza desde 1922.
GUARARAPES
NOS ESTADOS UNIDOS Três meses atrás, RN-ECO-NÕMICO divulgou em pri-meiríssima mão a criação da emprêsa Guararapes en Me-jico, que significou a primeira investida de um industrial nor-te-riograndense no exterior. Nevaldo Rocha, diretor-presi-dente das Confecções Guara-rapes S/A, informa, ainda em primeira mão para esta revis-ta, que já está criada a firma Guararapes of America, Inc., com sede em Miami. Esta no-va emprêsa do grupo Neno-valdo Rocha importará do Brasil tô-da a produção tô-da fábrica que as Confecções Guararapes S/A instalaram em São Paulo, ian. çando as roupas brasileiras no mercado americano. A direto-ria da Guararapes of America, Inc. é constituída de: Nevaldo Rocha — diretor presidente; Sidney Gurgel — diretor vice-presidente; Helmann Gurgel — diretor financeiro; e New-ton Monte — diretor comer-cial (business manager). Os três últimos diretores já fixa-ram residências nos Estados Unidos, enquanto o primeiro irá a Miami de dois em dois meses. O capital de Guarara-pes of America, Inc. é de 100 mil dólares.
M E R C A N T I L C R E D S/A
Crédilo, Financiamento e Invesiimentos
Carta Patente n. A—68/122 do Banco Central do Brasil End. Telegráfico: "MERCANTILCRED" — Caixa Postal, n. fins
Av. Rio Branco, n. 541 — IP e 2<? andares — Tels. 2561-2204 C.G.C. n. 08336901
BALANÇO PATRIMONIAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 1970 COMPREENDENDO MATRIZ E FILIAL A T I V O
D I S P O N Í V E L
Caixa 13.662,55 Depósitos em Bancos 137.880,34
Dep. à Ordem do Banco Central 15.929,31 R E A L I Z A V E L
Devedores p/Resp. Cambiais Financ. Consumidor Final Refinanc. Cons. Final Financ. Capital de Giro
4.429.436,53 265.800,00
190.000,00 4.885.236,53 Dev. p/Flnanc. F I N A M E
Dev. p/Desconto de Títulos Letras de Câmbio Antecipadas Ações e Debêntures Contas Correntes Depósitos Vinculados Departamentos no País Créditos em Liquidação I M O B I L I Z A D O M&quinas e Equipamentos .. Móveis e Utensílios Almoxarifado Cauções Depósitos p/Investimentos P E N D E N T E
Gastos de Inst. e Organização Despesas Antecipadas COMPENSADO Bens em Garantia Ações Caucionadas Contratos de Seguros Valôres em Consignação Contratos p/Abert. de Créditos Títulos em Cobrança T O T A L DO A T I V O 167.472,20 36.436,17 94.784,00 165.208,11 4.000,00 9.816,00 36.558,48 601.617,86 102.957,01 104.153,39 73.008,67 49.922,72 108,00 43.556,19 82.199,26 14.471,08 16.245.174,06 100,00 240.000,00 165.208,11 110.663,84 38.376,41 5.936.614,16 270.748,97 96.670,34 16.799.522,42 Cr$ 23.271.028,09 P A S S I V O I N E X I G Í V E L Capital Reserva Legal Lucros em Suspenso Fundo de Depreciações E X I G Í V E L Obrigações Cambiais Refinanciamento F I N A M E Credores em C/C Vinculada . Contas Correntes Departamentos no Pais Imp. s/Operações Financeiras COMPENSADO
Dep. de Bens em Garantia Caução da Diretoria Garantias p/Seguros Consignantes de Valôres Credores p/Abert. de Créditos Cobrança de Terceiros T O T A L DO P A S S I V O 900.000,00 16.046,82 44.215,62 6.750,08 4.468.059,55 38.376,41 4.704,30 380.937,15 601.617,86 10.797,88 16.245.174,06 100,00 240.000,00 165.208,11 110.663,84 38.376,41 967.012,52 5.504.493,15 16.799.522,42 C r » 23.271.028,09
Demonstração de " L u c r o s e Perdas" Referente ao Semestre encerrado em 31 de dezembro de 1970
D É B I T O DESPESAS A D M I N I S T R A T I V A S Despesas de Pessoal Despesas Gerais DESPESAS O P E R A C I O N A I S LUCRO L I Q U I D O Reserva Legal Lucros em Suspenso T O T A L 98.031,21 81.041,20 807,43 15.341,23 179.072,41 (15.059.00 16.148,66 C R É D I T O R E C E I T A S O P E R A C I O N A I S R E C E I T A S D I V E R S A S LUCRO T O T A L Cr$ 172.605,65 32.577,62 55.096,86 260.280,13 Cr$ 260.280,13 Natal, 31 de dezembro de 1970
Armando de Queiroz Monteiro Filho Benedito Marcondes Leite Arimar França
Direior-Presidente Diretor Vice Presidente Dir-Superintendente
Ivanildo Dias Guimarães Téc. Contabilidade - CRC - R N • 1.113
Gerente da C O B A L declara:
RN importou em 70 quase 100°/
dos alimentos que consumiu
Um dos principais problemas que sempre vem preocupando o Govêrno do Estado é o abasteci-mento dos gêneros alimentícios de primeira necessidade às po-pulações que se situam em re-giões mais distantes dos centros comerciais, uma vez que o Rio Grande do Norte é um Estado importador de mais de 15% dos alimentos que consome.
Agora a COBAL — Companhia Brasileira de Alimentos, tem um programa a executar em todo o Estado, beneficiando tôdas as re-giões, através da instalação de postos revendedores ou auto-ser-viços volantes por via rodoviária ou ferroviária.
PLANOS 71
O Sr. Datis Hydalgo, paulista, que há seis meses gerencia a COBAL no Rio Grande do Norte, revela quais as principais metas que serão cumpridas em nosso Estado, dentro do programa de expansão da COBAL:
"Para o Rio Grande do Norte, nós estamos com estoques regu-ladores de gêneros alimentícios, e estamos ampliando a nossa rê-de rê-de varejo, trabalho cujo ponto de partida foi a inauguração do nosso super-mercado em Mos-soró".
"Esperamos receber ainda ês-te ano o serviço de super-merca-do ambulante rosuper-merca-doviário e o fer-roviário, que atenderá às cida-des, vilas, distritos e povoados onde a rêde do comércio particu-lar, não atende diretamente ao consumidor, pois a filosofia da COBAL é atender ao consumi-dor, desde que a rêde particular não esteja organizada. Quando isso acontece, a COBAL retira-se e parte para novos locais". ESTOQUE REGULADOR
O Sr. Datis Hydalgo explica o funcionamento do "Estoque Re-gulador", cuja presença no Rio Grande do Norte é indispensá-vel, tendo em vista a nossa
pe-quena produção agrícola ou in-dustrial. Diz êle: "A COBAL já o desenvolve em todo território nacional. Por exemplo: determi-nado local da região tem proble-mas de abastecimento de alguns gêneros alimentícios. Então nós deslocamos êsse produto, da re-gião que o produz, à rere-gião que o necessita, onde procuramos, ao mesmo tempo, estabilizar o preço da mercadoria. Todos os gêneros de primeira necessidade são trazidos para o Rio Grande do Norte e, em 1970, devido a sê-ca, houve uma importação de quase 100%".
AMPLIAÇÃO DO VAREJO
A COBAL já tem em Natal três auto-serviços (Ribeira, Ci-dade Alta e Alecrim), em Mosso-ró, um super-mercado e agora, cm 1971, pretende implantar mais sete auto-serviços. Já se en-contram em estudo, dois proje-tos, para Caicó e Currais Novos, e nos próximos dias será propos-ta à Admniúistração Nacional da COBAL as criações dos auto-ser-viços. Dos estudos ao funciona-mento de um auto-serviço há um prazo entre 120 a 150 dias.
Acredita-se que até maio este-jam sendo inaugurados em Cai-có e Currais Novos, a seguir se-rá a vez de Açú, Pau dos Ferros, Ceará Mirim e Santa Cruz, ou João Câmara.
Já está em funcionamento o sistema de estoque regulador em Pau dos Ferros, Açú e Caicó, distribuindo gêneros alimentí-cios aos órgãos credenciados na frente de trabalho, comerciantes credenciados e produtores. RODOVI ÁRIO/FERROVIÁRIO
No programa de atendimentos volantes serão implantados os sistemas de auto-serviços rodo-viários e ferrorodo-viários. No primei-ro, serão utilizados caminhões papa-fila, que possuem todo o es-quema de funcionamento de um auto-serviço comum. Faz ponto em cada cidade, atendendo pre-ferencialmente no dia da feira,
quando a população vai comprar seus artigos na cidade. O sistema de rodízio será de um mês para cada região, até que se instale o auto-serviço na cidade.
Já no plano ferroviário, serão utilizados dois vagões: um auto-serviço e outro depósito. Os va-gões saem da linha principal, fi-cando num desvio, próximo à Estação Ferroviária, operando durante cinco dias.
Esses vagões estão sendo fei-tos pela Rêde Ferroviária e há grandes possibilidades de funcio-narem ainda êste ano. Existe um acordo entre COBAL e Rêde Fer-roviária para êstes auto-servi-ços, já que os vagões são aluga-dos.
MOVIMENTO DE VENDA Cêrca de 500 mil cruzeiros é o movimento mensal da COBAL, que contribui em todos os im-postos, porque para Datis Hydal-go "o objetivo é ensinar que mesmo pagando os tributos fe-deral, estadual e municipal, os produtos podem ser vendidos a preço acessível, obtendo-se re-sultados financeiros, e empre-gá-los na melhoria e implantação de novos postos". A meta agora é que até o fim do ano, o
movi-mento atinja a tum milhão de cruzeiros, porque " quanto mais movimento, maior o número de postos e maior assistência com melhores preços".
MERCADO DO PRODUTOR Informou ainda o gerente da COBAL/RN que em têrmos na-cionais, a COBAL, no momento, tem seu pensamento voltado pa-ra a montagem de gpa-randes cen-trpis de abastecimento.
O Rio Grande do Norte está pleiteando o privilégio para que se implante aqui uma dessas cen-trais, com funcionamento no es-talo "mercado do produtor", com produtos horti-granjeiros, gêne-ros alimentícios, obrigando o produtor a vir a Central vender o seu produto e, impedindo que a nossa produção saia "in natu-ra" para outros Estados.
Várias vezes falou-se em apoio à iniciativa privada. Pela primeira vez — com a indicação
cie Cortez Pereira — passou-se a falar num
"Govêrno para o setor privado". O que vem a ser
isto e como esta idéia pode ser possível?
Plano de ação de Cortez
prevê integração entre
Govêrno e empresariado
Muitas vezes, no Rio Grande do Norte, o contribuinte — que representa sobremaneira a ini-ciativa privada — e o Estado fo-ram vistos como adversários, se-não como inimigos. Logo depois de indicado para o Govêrno, Cor-tez Pereira, em entrevista ao RN-ECONÔMICO, afirmava que governaria com o empresariado. Repetidas vezes têve oportuni-dade de reafirmar isto mas, pa-ra os céticos, a afirmação tinha conotações maiores de "frase de efeito" do que propriamente de uma diretriz administrativa.
Sem ter ainda iniciado a sua administração, Cortez já de-monstra que seu "apoio ao setor privado" não vai ficar apenas num jôgo de palavras.
No encerramento do "Seminá-rio de Planejamento e Adminis-tração do Desenvolvimento" — o cursinho do Secretariado — ao apresentar as estratégias bá-sicas para o seu plano de ação, deu maior prioridade, justamen-te, ao apoio ao setor privado.
Dentre os quatro objetivos glo-bais do seu plano de ação, o prio-ritário é o setor econômico. Os outros três são: administrativo, social e político.
SETOR ECONÔMICO É PRIORITÁRIO
No setor econômico, o plano de ação do Govêrno Cortez Pe-reira tem cinco objetivos princi-pais:
1 — Diversificação do sistema produtivo;
2 — Revitalização de ativida-des econômicas existentes; 3 — Ampliação da oferta de
emprêgo;
4 — Aumento da produtivida-de;
5 — Elevação do nível de Ren-da.
O plano ainda não dispõe dos seus programas setoriais, que es-tão sendo elaborados pela equi-pe de cada orgão individualmen-te, porém dentro de um contex-to geral já estabelecido, que foi chamado pela equipe técnica do futuro Govêrno, "Estratégia Glo-bal", compreendendo três políti-cas básipolíti-cas: Política de Apoio ao Setor Privado, Política de Efici-ência e Modernização do Setor Público e Política de Melhoria dos Serviços Básicos.
Para cada uma dessas três po-liticas, existe também uma estra-tégia básica.
Para atender a Política de Apoio ao Setor Privado, existe a Estratégia de Produção, compre-endendo três pontos básicos:
a) Agropecuária; b ) Indústria; c ) Minérios.
Existem indicações prelimina-res para todos os setoprelimina-res, numa sucessão de diagramas (os obje-tivos globais do Plano de Ação, assim bem como suas estraté-gias globais, foram apresentados sem nenhum texto corrido, mas em apenas 17 diagramas) como se fossem elos de uma grande corrente, mas ainda sem nenhu-ma progranenhu-mação específica, o que somente será conhecido de-pois da posse do nôvo Govêrno.
APOIO À
INICIATIVA PRIVADA I
Mas, nêste verdadeiro esque-ma de planejamento, o esque-mais im-portante é a constatação de uma
preocupação de todos para com o setor econômico de um modo geral e com a iniciativa privada, em particular.
Um exemplo disso é, sem dú-vida, a estratégia básica de polí-tica bancária, que entre outras coisas estabelece a criação de um plano diretor de crédito para orientar a política creditícia do Govêrno através seus três órgãos o Banco do Rio Grande do Nor-te, o Banco de Desenvolvimento
(BANCOFERN) e a Financeira RIONORTE, num passo inicial para que cada um trabalhe espe-cificamente num raio de ação, mas os três trabalhando em con-junto.
E, por êstes indícios, o Banco
uo Rio Grande do Norte ficaria
com o controle da RIONORTE, dedicando-se principalmente ao chamado crédito comercial de curto e médio prazo. Seu futuro Presidente, o empresário Osmun-do Faria, chega mesmo a afirmar que deseja transformar o BAN-DERN num banco comercial. Banco que dê lucro real, para poder entrar efetivamente no mercado de capitais, onde espe-ra colocar suas ações. Ações que serão um bom investimento pa-ra os seus comppa-radores.
A RIONORTE seria o suporte do BANDERN para as operações a médio prazo, principalmente na parte de crédito direto ao consumidor, para financiamento na compra dos chamados bens duráveis.
Como Ba"co de Desenvolvi-mento, o BANCOFERN, dentro dessa esquematização ficaria com todos os financiamentos à longo prazo, encampando o De-partamento de Crédito Indus-trial do BANDERN, e, conse-quentemente, tôda a sua linha
de repasse, com uma possibili-dade de barateamento dos juros, e, provavelmente, a Carteira de
Crédito Agrícola.
GOVÊRNO E EMPRESÁRIOS DE MÃOS DADAS
Embora tudo isto possa ainda ser visto apenas como plano, ês-te já está muito perto de come-çar a ser executado. Em outras palavras: está muito perto para que o Govêrno e a Iniciativa Pri-vada, no Rio Grande do Norte, comecem a andar de mãos da-das.
Analisando-se os cinco objet' vos principais do Plano de Ação, no setor Econômico, chega-se, de início, à conclusão da necessida-de necessida-de maior entrosamento entre o Govêrno e o Empresariado. Ve-jamos:
A "diversificação do sistema produtivo" significa a criação de novas atividades econômicas, o surgimento de novos negócios, o aparecimento de novas fontes de renda. Quais seriam? Ainda não existem definições concretas, mas, estas poderiam ser: a cria-ção de indústrias que produzirão bens intermediários para dep'ois serem aproveitados por indus-trias já implantadas no Nordes-te, ou mesmo no Sul do País. A Indústria Química, aproveitando as águas mães das salinas, pode-ria ser uma das definições.
RECUPERAÇÃO ECONÔMICA
de o pôrto-ilha de Areia Branca já é um passo decisivo.
Basicamente, êstes dois obje-tivos podem ser vistos quase que como uma síntese global do se-tor, uma vez que sua execução já facilitaria em muito a que se atingisse os outros três:
"Ampliação da oferta de em-prego", que já é uma decorrên-cia de uma economia vitalizada, resultante, no nosso caso, do cumprimento das metas iniciais;
"Elevação do nível de Renda", que seria consequente da criação de novos negócios e "aumento da produtividade" dos já existen-tes;
"Aumento da produtividade", por sua vez é condição básica para que qualquer outro objeti-vo seja atingido.
Êsse simples raciocínio, feito quase que intuitivamente, serve para mostrar a tendência de in-tegração de todos os programas. Integração que poderá ser feita independentemente de órgãos, utilizando o método de adminis-trar por metas, o que determina-rá por sua vez a adoção do orça-mento programa, já no segundo ano de administração, fruto de uma reforma administrativa que começa — já agora a ser estuda-da para implantação imediata.
"Revitalização de atividades econômicas existentes" é criação de novas condições para algu-mas atividades econômicas co-mo por exemplo — no campo da agropecuária — uma política de incentivos a cultura do algo-dão seridó (vamos supor, dando condições para que os agriculto-res possam usar adubos), aumen-tando os seus índices de produ-tividade, o que é indispensável para que a atividade econômica seja lucrativa realmente. Outro exemplo seria a criação de um mercado interno para aproveita-mento d.o sisal, que desta manei-ra poderia ser ativado economi-camente. Poderia ser, também, o aumento da rentabilidade da in-dústria salineira pela conquista de novos mercados, o que será conseguido com a criação de um bom sistema de transportes,
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