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Negócios em Projeção, volume 8, número 1, ano 2017, Página | 161

Convergência da contabilidade pública às normas

internacionais

Joyce Dias do Prado Amanda Almeida Paiva

Resumo: Diante do desenvolvimento e o avanço tecnológico em relação às práticas contábeis e das mudanças na contabilidade aplicada ao setor público, foram publicadas 10 (dez) Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público - NBCASP em 2008 e 1 (uma) em 2011, pelo Conselho Federal de Contabilidade, juntamente com a Secretaria do Tesouro Nacional, baseadas nas International Public Sector Accounting

Standard – IPSAS (normas internacionais de contabilidade), as quais têm como

finalidade fornecer informações mais claras de natureza orçamentária, financeira e patrimonial das entidades do setor público, facilitando a comunicação, a comparabilidade e o entendimento das informações elaboradas entre os países, para que haja uma padronização dos procedimentos utilizados e universalizando a linguagem dos negócios. Desta forma esta pesquisa busca verificar como está o andamento da convergência na contabilidade pública às normas internacionais, tendo como problema de pesquisa, descobrir se houveram mudanças na contabilidade do setor público após as NBCASP publicadas até 2011, verificando também quais são os pontos em que essas normas podem ser comparadas, as suas principais mudanças, as vantagens e as dificuldades da sua adesão e adequação no presente cenário da contabilidade pública. Para tanto, fez-se uma análise em artigos, livros, normas e endereços eletrônicos, elaborando tabela mostrando alguns pontos em que as normas são convergentes e fazendo uma comparação de antes e depois da aplicação das normas na contabilidade pública brasileira, sendo possível perceber que ainda há um longo processo para que se cumpra completamente a convergência às normas internacionais, mas que estudos estão sendo feitos para que este processo seja concluído até 2021.

Palavras-chave: Padronização; convergência; contabilidade; normas; internacionais. Abstract: In view of the development and technological advances in relation to accounting practices and changes in the applied accounting in the public sector, were published 10 (ten) Brazilian Standards of Accounting Applied to the Public Sector - NBCASP in 2008 and 1 (a) In 2011, the Federal Council of Accounting, together with the National Treasury Secretariat, based on the International Public Sector Accounting Standard - IPSAS, which have as their purpose, provide clearer information of nature budgetary, financial and patrimonial entities of the public sector, facilitating the communication, the comparability and understanding of the information prepared

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among the countries, for which there is a standardization of procedures and universalizing the language of business. In this way this research aims to verify how is the progress of convergence in public accounting to international standards, taking as the research problem, discover changes in accounting in the public sector after the NBCASP published until 2011, noting also what are the points at which these standards can be compared, their major changes, the benefits and the difficulty of its membership

and suitability in this scenario of public accounting. For that, an analysis was made in

articles, books, standards and electronic addresses, elaborating a table showing some points in which the norms are convergent and making a comparison of before and after the application of the norms in the Brazilian public accounting, being possible to realize that there is still a long process to fulfill completely the convergence to international standards, but that studies are being made for this process to be completed by 2021. Keywords: Standardization; convergence; accounting; standards; International. 1. Introdução

Com o desenvolvimento e o avanço tecnológico presente no mundo em relação às práticas contábeis, passa a existir a necessidade da harmonização dos padrões contábeis para poder facilitar a comunicação, a comparabilidade e o entendimento das informações elaboradas entre os países, buscando desenvolver uma metodologia e uma padronização para aplicar suas técnicas em uma linguagem universal dos negócios.

Segundo Niyama (2010), harmonização é um processo que busca preservar as particularidades inerentes a cada país, mas que permita reconciliar os sistemas contábeis com outros países buscando melhorar a troca de informações que serão interpretadas e compreendidas.

Guerra (2015) em seu livro, diz que o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade representa uma grande modificação no processo de produção da informação contábil no Brasil. Não se trata apenas de um conjunto de alterações meramente formais, é uma mudança de mentalidade.

No Brasil, a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais de contabilidade começou com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), criado em 2005 pela Resolução 1.055/05 e idealizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC); Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca); Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec Nacional); Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa); Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), com o objetivo de estudar, preparar e emitir os Pronunciamentos Técnicos de Contabilidade, tendo sempre em vista a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS).

Sobre as modificações dos padrões contábeis para o padrão internacional no setor público, segundo Diniz et al. (2015, pág. 278):

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Negócios em Projeção, volume 8, número 1, ano 2017, Página | 163 O procedimento de convergência teve início com a publicação, em 2004, da Portaria CFC no. 37/2004, que discorre sobre o processo de harmonização das Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, com a formação de um grupo de estudos na área pública que tinha por objetivo estudar e analisar as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), paralelo as Ipsas, criadas pelo Ifac. O grupo era composto por membros do CFC, Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda.

Um avanço significativo para o setor público, segundo Ravanello; et al. (2015), foi a Lei nº. 101/00 conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade e transparência na gestão fiscal, introduzindo novos conceitos à administração pública.

O Brasil se comprometeu a convergir com as normas internacionais editadas pelo International Public Sector Accouting Standards Board (IPSASB), constituídas pela

International Federation of Accountants (IFAC) e também as normas brasileiras

editadas pelo CFC, conforme a Portaria do Ministério da Fazenda nº 184, de 25 de agosto de 2008, publicada pela Secretaria do Tesouro Nacional, que engloba instruções a serem observadas pelos entes públicos nas três esferas de governo: Federal, Estadual e Municipal, de forma a torná-los convergentes com as normas internacionais de contabilidade (MINISTÉRIO DA FAZENDA, 2016; NEVES, 2012).

Porém, este processo de comunicação encontra dificuldades por alguns fatores, como por exemplo, as variáveis culturais, econômicas, poderes entre os países, provocando desafios para a Contabilidade. Mas o empenho para a universalização continua intenso, com a adoção das normas, percorrendo pela harmonização e mirando para a convergência, tendo como base os padrões internacionais (FRAGOSO et al, 2012).

Diante o exposto, espera-se verificar com o presente trabalho como têm se dado o processo de convergência da contabilidade pública no Brasil, tendo como problema descobrir se houveram modificações na contabilidade aplicada ao setor público brasileiro, sendo o objetivo geral da pesquisa, identificar quais foram as principais mudanças que ocorreram com a implantação e convergência às normas internacionais, analisando os principais pontos convergentes entre as normas, e tendo como objetivos específicos identificar:

 Quais as principais vantagens da implantação e convergência às normas

internacionais no setor público; e

 Quais as principais dificuldades da implantação e convergência às normas

Internacionais no setor público.

Para alcançar tais objetivos, podemos definir a pesquisa como documental e bibliográfica, pois foram utilizados como base para o estudo realizado, a análise de artigos, livros, legislação, normas e endereços eletrônicos.

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2. A convergência no setor público

Para melhor demonstrar e entender a evolução histórica da contabilidade pública no Brasil, a figura abaixo resume a temporalidade dos principais fatos que tem influência direta ou indireta neste contexto.

Figura 1: Evolução da Contabilidade Pública e Gestão Fiscal no Brasil.

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional (2013)

O processo de convergência aos padrões internacionais de Contabilidade pretende modernizar os procedimentos contábeis, proporcionando a geração de informações que sejam úteis para o apoio à tomada de decisão e ao processo de prestação de contas e controle social (SECRETARIA DO TESOURO NACIONAL, 2013).

Portanto, visando aperfeiçoar as informações contábeis, o Brasil se encontra em andamento para tal procedimento, objetivando à eliminação de diferenças entre os padrões nacionais e internacionais, pretendendo elevar a transparência na gestão pública, assim como possibilitar a comparabilidade das informações produzidas (DINIZ et al, 2015).

2.1. International Federation of Accountants – IFAC (Federação Internacional de Contadores)

Fundado em 7 de outubro de 1977, em Munique, na Alemanha, no 11º Congresso

Mundial de Contadores, a IFAC é a organização global para a profissão contábil

dedicada a servir o interesse público pelo fortalecimento da profissão e contribuindo para o desenvolvimento de fortes economias internacionais.

Segundo Niyama (2010), a missão do IFAC é a de intensificar o relacionamento da profissão contábil em nível mundial, atendendo à demanda, à necessidade de interesse público, contribuindo para o desenvolvimento da economia internacional, estabelecendo e promovendo aderência à elevada qualidade técnica dos padrões profissionais e representar a profissão em assuntos de interesse público.

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Na sua dedicação para efetuar essa missão, a IFAC constituiu o International

Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB) para desenvolver normas

contábeis de alta qualidade para serem utilizadas na elaboração das demonstrações contábeis pelas entidades do setor público (CARNEIRO, 2010).

2.2. Internacional Public Sector Accounting Standard – IPSAS (Normas Internacionais de Contabilidade aplicadas ao Setor Público)

Segundo Carneiro (2010, pág. 01),

As IPSAS são as normas internacionais, em níveis globais, de alta qualidade para a preparação de demonstrações contábeis por

entidades do Setor Público.

A tradução dessas Normas para o português, trabalho conduzido pelo Comitê Gestor da Convergência no Brasil, é um produto da ação conjunta do CFC com o Instituto dos Auditores Independente do Brasil (Ibracon), que são os tradutores oficiais, no Brasil, das Normas Internacionais editadas pela IFAC e, representa o coroamento dos esforços e ações realizadas pelo CFC com a cooperação técnica da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), por meio da sua Subsecretaria de Contabilidade, na busca da adoção, no Brasil, do novo modelo de Contabilidade Patrimonial, bem como da convergência das normas contábeis brasileiras aos padrões internacionais.

São pronunciamentos que, de forma geral, buscam orientar e harmonizar a contabilidade do Setor Público nos países, concedendo mais transparência, eficiência e qualidade às informações fornecidas (DINIZ et al, 2015).

A emissão das IPSAS é de competência do IFAC, as quais consistem em 31 normas já publicadas, e de acordo com Santos e Almeida (2012), “as Normas Internacionais de Contabilidade direcionadas para atender as finalidades do Setor Público são editadas pelo IPSASB, tendo como base nas Normas Internacionais do IASB voltadas ao Setor Privado”.

2.3. Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas Aplicadas ao Setor Público – NBCT SP

A definição exata do que são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público está na NBC T 16.1, como sendo:

O conjunto das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, seus conceitos e procedimentos de avaliação e mensuração, registro e divulgação de demonstrações contábeis, aplicação de técnicas que decorrem da evolução científica da Contabilidade, bem como quaisquer procedimentos técnicos de controle contábil e prestação de contas previstos, que propiciem o controle social, além da observância das normas aplicáveis.

Este conceito é abrangente, pois serve de base para o desenvolvimento da Contabilidade Pública seja no processo informacional e na utilização de procedimentos contábeis (aspectos de mensuração, registro e divulgação) para o conjunto de usuários ou no ato de fornecer melhor controle pelos usuários da gestão pública, por meio das

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demonstrações publicadas (SANTOS; ALMEIDA, 2012).

Foram publicadas em 2008, 10 (dez) NBC TSP e 1 (uma) em 2011 inspiradas nas internacionais, e até então, a convergência utilizada neste trabalho se refere à estas normas publicadas até 2011, não levando em consideração a recente publicação de normas que dão início a Nova Convergência da contabilidade no setor público, ocorrida durante a elaboração do presente artigo. Mesmo assim, foi feito aqui um breve comentário sobre essa nova modificação.

Segundo Oliveira (2016), a primeira norma oficialmente convergida às internacionais, aplicada ao setor público, emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC frente ao processo de convergência, foi publicada em setembro

de 2016, sendo ela a NBC TSP – Estrutura Conceitual, que irá conduzir toda a

contabilidade pública, tendo seus feitos aplicados a partir de 1º de janeiro de 2017 e será utilizada como base para a criação das próximas normas.

O CFC pretende também que até 2021, todas as normas estejam convergidas e publicou ainda, até o presente momento, mais três novas normas aplicadas ao setor público:

 NBC TSP 01 – Receita de Transação sem Contraprestação, que tem correlação

com a IPSAS 9 e que de acordo com Oliveira (2016):

Trata do registro das receitas de transações sem contraprestação, tais como os tributos e contribuições devidos pelo cidadão. A norma reitera que esse registro deve ser feito pelo regime de competência, que pressupõe o registro das transações quando da ocorrência do fato gerador, independentemente do efetivo recebimento.

 NBC TSP 02 – Receita de Transação com Contraprestação, que possui

correlação com a IPSAS 23 e conforme dito por Oliveira (2016), “trata do registro das receitas com contraprestação, que são aquelas recebidas pelo Estado por um serviço público ou produto de valor proporcional prestado ao cidadão”; e a

 NBC TSP 03 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes, que se

correlaciona com a IPSAS 19, e determina como deverão ser registradas as provisões, os ativos e os passivos contingentes (OLIVEIRA, 2016).

Não sendo essas novas normas o objetivo do trabalho, damos continuidade à comparação das NBC TSP publicadas até 2011 com as IPSAS.

3. Análise Comparativa entre IPSAS x NBC T e principais mudanças na Contabilidade Pública Brasileira

De acordo com as pesquisas realizadas por Fragoso et. (2012), Righs; Calegari (2014) e Kutianski (2015), é possível fazer uma comparação entre as normas que foram inspiradas nas IPSAS, identificando quais foram utilizadas como base na criação das NBC T e as principais mudanças que elas causaram na Contabilidade Pública.

Na Tabela 01 abaixo, podemos analisar melhor essas informações e observar alguns de seus pontos convergentes.

Tabela 01: Demonstração da convergência das IPSAS x NBC T

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IPSAS Nº / NORMA NBC T Nº / NORMA

IPSAS 1 - Apresentação das Demonstrações Contábeis. NBC T 16.1 - Conceituação, Objeto e Campo de Aplicação.

- Na caracterização das informações em relação a compreensibilidade, utilidade;

- Na definição do campo de aplicação, das entidades abrangidas;

- No conceito de unidade contábil. IPSAS 18 - Informações por Segmento. IPSAS 7 - Investimento em Coligada e em Controlada. NBC T 16.2 - Patrimônio e Sistemas Contábeis.

- No que se refere a conceito de circulante, não circulante, conversibilidade, exigibilidade e unidade contábil; - Quanto a classificação do patrimônio público, as características do ativo circulante e não circulante, e à classificação do passivo circulante e não circulante;

IPSAS 17 - Ativo Imobilizado. IPSAS 24 - Apresentação de Informação Orçamentária nas Demonstrações Contábeis. NBC T 16.3 - Planejamento e seus Instrumentos sob o Enfoque Contábil.

- Na avaliação de desempenho e planejamento das entidades;

- Na avaliação do comparativo de metas programadas e realizadas, com as diferenças descritas em notas explicativas;

- Na evidenciação, em termos quantitativos e qualitativos para tomada de decisões.

IPSAS 3 - Políticas Contábeis, Mudança na Estimativa e Retificação de Erro. NBC T 16.4 - Transações no Setor Público.

- No conceito de transações no setor público, na avaliação de eventos que promovam alterações qualitativas e quantitativas no patrimônio.

IPSAS 17 - Ativo

Imobilizado.

NBC T 16.5 - Registro Contábil.

- Apresentam conceitos associados ao registro contábil, mas o conteúdo da norma não aponta semelhança com a referida norma internacional.

IPSAS 1 - Apresentação

das Demonstrações

Contábeis. NBC T 16.6 -

Demonstrações Contábeis.

- No conceito de circulante e não circulante, demonstração contábil como técnica;

- Na definição das demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstração de Fluxo de caixa;

- Sobre a evidenciação em demonstrativos anexos e notas explicativas;

IPSAS 2 - Demonstrações dos Fluxos de Caixa.

IPSAS 6 - Demonstrações Consolidadas e Separadas. NBC T 16.7 - Consolidação das Demonstrações Contábeis.

- No conceito de consolidação das demonstrações, na avaliação da relação de dependência, das transações que envolvem as entidades;

- Sobre informações complementares em notas explicativas. IPSAS 19 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. NBC T 16.8 - Controle Interno.

- No conceito de riscos e fatos imprevisíveis que poderão afetar a qualidade da informação contábil.

IPSAS 17 - Ativo Imobilizado. NBC T 16.9 - Depreciação, Amortização e Exaustão.

- No conceito e no reconhecimento da depreciação e amortização,

- Na definição e orientação de revisão do valor depreciável, residual e vida útil do ativo;

IPSAS 7 - Investimento em Coligada e em Controlada. NBC T 16.10 - Avaliação e Mensuração de Ativos e Passivos em Entidades do Setor Público.

- Definição de influência significativa, conceito de reavaliação, de valor de mercado, de valor recuperável e realizável líquido;

- Sobre as provisões que deverão ser estimadas com base nos valores prováveis de realização;

- Sobre avaliação de estoques;

- Sobre a classificação dos gastos de distribuição, administração e financeiros, considerados como despesas;

- Quanto a adoção do método de equivalência patrimonial quando à influência significativa;

IPSAS 8 - Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto. IPSAS 19 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. IPSAS 21 - Redução ao Valor Recuperável de Ativo não Gerador de Caixa. IPSAS 26 - Redução ao Valor Recuperável de Ativo Gerador de Caixa.

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Negócios em Projeção, volume 8, número 1, ano 2017, Página | 168 - NBC T 16.11 - Sistema de Informação de Custos do Setor Público. -

Fonte: Elaborada pela autora, baseada em Fragoso et al (2012).

Sobre a comparação das normas brasileiras com as internacionais, Oliveira (2015) afirma em sua pesquisa, que as NBCT SP reproduzem exatamente o conteúdo das IPSAS, sendo que as divergências existentes entre elas nas transações do setor público, por causa da predominância das características culturais de cada país.

As principais mudanças que aconteceram na Contabilidade do Setor Público após as normas, segundo os estudos realizados por Righs (2014), Santos (2012), Varandas (2013) e Alves (2015) foram:

 N

BC T 16.1 – A Contabilidade Pública esteve voltada para o controle e acompanhamento orçamentário e agora passou a focar a gestão patrimonial das entidades.

 N

BC T 16.2 – O sistema contábil público era composto por 4 subsistemas: de informações orçamentárias, informações financeiras, informações patrimoniais e de compensação, e após as normas foi inserido o Subsistema de custos, que gera informações referentes aos custos da gestão de políticas públicas e os ativos e passivos passaram a classificados no Balanço Patrimonial em ordem decrescente do

grau de conversibilidade e exigibilidade, e divididos em circulante e não circulante.

 N

BC T 16.3 – Os planejamentos eram executados segundo as prioridades do gestor, não levando em consideração avaliação do desempenho e sem explicações das não execuções de alguns programas e agora são estabelecidas bases para o controle contábil dos planejamentos expostos em planos hierarquicamente interligados.

 N

BC T 16.4 – As mudanças qualitativas e quantitativas que geravam mudanças no setor público, efetivas ou potenciais, sempre mereceram atenção junto à Contabilidade Pública e após a criação das normas foram estabelecidos conceitos, natureza e tipicidade para melhor qualificação das operações, sendo as de natureza econômico-financeira referente às transações que afetam o patrimônio em virtude do orçamento público e as de natureza administrativa correspondente aos atos executados pelos gestores.

 N

BC T 16.5 – Os registros contábeis são efetuados com base em documentos reais e legais e com a norma foram criados critérios para registrar os atos e fatos que afetam ou possam afetar o patrimônio público, sendo realizados e ter seus efeitos evidenciados no período em que se relacionam de forma independente do momento da sua execução orçamentária, obedecendo ao princípio da competência.

 N

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Financeiro; Demonstração das Variações Patrimoniais; e Balanço Patrimonial, após a norma foram criadas as Demonstrações de Fluxo de Caixa (DFC) e Demonstração do Resultado Econômico (DRE).

 N

BC T 16.7 – A consolidação das demonstrações contábeis já era real, mas sem a necessidade de notas explicativas e com a NBC T, elas devem incorporar as transações contábeis dos órgãos, entidade da administração direta, autárquica, fundacional e empresa estatal dependente e as informações mínimas evidenciadas em notas explicativas.

 N

BC T 16.8 - Todas as prefeituras devem possuir um sistema de Controle Interno e a NBCT 16.8 define que o controle interno passa a abranger a preservação do “patrimônio público” e o controle das ações públicas, devendo ser exercidos em todos os níveis do governo.

 N

BC T 16.9 – Não havia a obrigação de calcular e contabilizar a depreciação, amortização e exaustão dos ativos, apenas em alienações de bens e agora foram estabelecidos critérios e procedimentos para o registro de cada uma dessas operações. Segundo Alves (2015), trata-se de uma das mudanças mais profundas recentes na contabilidade pública, tendo como finalidade a aproximação da contabilidade empresarial e a real apuração da despesa na entidade pública.

 N

BC T 16.10 – A avaliação e mensuração dos ativos e passivos de uma entidade pública não eram feitas continuamente, e sim, ocasionalmente e com a norma foram criados critérios e procedimentos para a avaliação e mensuração dos ativos e passivos patrimoniais das entidades. Define ainda sobre os processos de reavaliação e redução ao valor recuperável.

 N

BC T 16.11 – Essa norma traz um novo conceito acerca do Sistema de Informação de Custos do Setor Público, tema esse, que necessita de uma análise mais minuciosa e uma discussão mais aprofundada pelos profissionais da área contábil. Entretanto, dará suporte aos gestores públicos e aos profissionais da contabilidade, para melhor gerenciamento e prestação de contas.

Kutianski (2015) em seus estudos, diz que a adoção ao Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP) tem a função de registrar, processar e evidenciar os custos dos bens e serviços e outros objetos de custos, produzidos e ofertados a sociedade pela entidade pública.

Outras mudanças descritas por Kutianski (2015) seriam a aplicação integral dos Princípios de Contabilidade no setor público, que anteriormente não existiam ou não eram aplicados de forma adequada e a adoção do plano de contas único, que se aplica a todos os entes das federações, exceto para as empresas estatais independentes, onde a utilização é facultativa.

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4. Vantagens da implantação das IPSAS na contabilidade pública brasileira

De acordo com a STN (2013), são muitos os benefícios gerados com a adoção dos procedimentos e normas internacionais de contabilidade. São alguns exemplos:

• Geração de informação útil para a tomada de decisão por parte dos gestores públicos;

• Comparabilidade entre os entes da federação e entre diferentes países;

• Registro e acompanhamento de transações que afetam o patrimônio antes de serem contempladas no orçamento;

• Melhoria no processo de prestação de contas, tanto por parte dos tribunais e órgãos de controle, quanto pela sociedade;

• A implantação de sistema de custos no Setor Público, conforme previsto na LRF;

• Elaboração do Balanço do Setor Público Nacional (consolidação nacional das contas dos entes da Federação), conforme previsto na LRF;

• Racionalização e melhor gestão dos recursos públicos; • Reconhecimento do profissional contábil no setor público.

A primeira consolidação publicada com a utilização integral do plano de contas e das demonstrações contábeis padronizadas para os entes foi em 2015, possibilitando a comparabilidade e a transparência das contas públicas em âmbito nacional.

De acordo com o Ministério da Fazenda (2016), isso foi possível em virtude do desenvolvimento e implantação, pela STN, do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público - PCASP e das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, visando à consolidação das contas públicas, exigência prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Para a racionalização e melhor gestão dos recursos públicos, foi criada a Secretaria de Gestão (Seges), que tem a missão de promover a excelência da Gestão Pública na atuação do governo em benefício da sociedade, focando também para mais agilidade dos serviços públicos, maior transparência e participação social (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO E GESTÃO, 2015).

5. Dificuldades de implantação e convergência às normas internacionais no setor público

De acordo com Diniz et al. (2015), a implantação das IPSAS no Brasil percorre enfrentando desafios e contratempos, pois o início para sua adoção já foi prorrogado várias vezes por diversos motivos, como por exemplo: dificuldade na capacitação dos profissionais e na aceitação dessas mudanças, adaptação à nova fase da Contabilidade no Brasil, com a criação de novos instrumentos de informação e controle do Sistema Público e etc.

A principal dificuldade na implantação das novas Normas de Contabilidade Aplicada ao Setor Público nas entidades públicas, segundo Da Silva (2013), é a quebra de costumes já enraizados nas práticas utilizadas pela gestão.

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A resistência é algo natural e inevitável, pelo fato de ser uma consequência habitual da implantação dos processos de mudança organizacional. Isso ocorre porque neste processo estão envolvidas pessoas com objetivos individuais, sentimentos, culturas e interesses diversos que afetam diretamente a recepção do processo de mudança (SALES; SILVA, 2007).

De acordo com Da Silva (2013), para a aplicação definitiva das NBC T nos entes públicos, é necessária uma melhor qualificação dos usuários da área contábil e dos gestores, para que haja profissionais capazes de tornar as novas regras eficientes, pois somente assim será alcançada a transformação da cultura para o novo foco da contabilidade aplicada ao setor público.

6- Conclusão

Este trabalho teve como problema verificar se houveram modificações na contabilidade do setor público após as normas que foram publicadas pelo CFC até 2011, e diante do exposto, teve como objetivo geral, verificar quais foram as principais mudanças ocorridas na contabilidade pública, pontuando alguns dos seus aspectos convergentes com as normas internacionais, sendo possível concluir que, as alterações causadas pelas NBC TSP, trouxeram um novo foco principal, que passa a ser agora o patrimônio, foco este que anteriormente era a parte orçamentária do setor público, com a implantação de novos subsistemas, tendo a exigência de novas demonstrações contábeis, sendo estabelecidos critérios e procedimentos para o registro de depreciação, amortização e exaustão dos ativos, havendo a implantação do Sistema de Informação de Custos do Setor Público, entre outras mudanças no setor, que se destinam a facilitar a comunicação, a interpretação e a comparação da situação econômico-financeira entre os países.

Em relação aos seus aspectos convergentes, de acordo com os artigos pesquisados, verificou-se que a as NBC TSP reproduzem precisamente a temática das IPSAS, com tudo, as divergências existentes ocorrem por questões culturais e pessoais de cada país.

Os objetivos específicos foram respondidos, uma vez que foi possível observar que existem diversas vantagens trazidas pela convergência ao setor público, como por exemplo, a geração de informações úteis para a tomada de decisão dos gestores, melhorias no processo de prestação de contas, melhor controle dos recursos públicos, dando maior credibilidade, transparência e melhor comparabilidade das informações fornecidas pelos entes. Mas ainda há desafios a serem enfrentados para a sua definitiva aplicação no setor público, sendo uma de suas principais dificuldades, a capacitação dos profissionais para a nova fase da contabilidade e a resistência a essas mudanças. No entanto, este processo de convergência ainda não está em completo cumprimento, pois como foi relatado, as NBC T foram inspiradas nas normas internacionais, sendo que apenas em setembro de 2016 são publicadas as primeiras normas sob Nova Convergência e sob mais fiel lastro nas normas internacionais, e o

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CFC está estudando a contabilidade pública para a publicação de novas normas, pretendendo que, até 2021 todas estejam convergidas.

Portanto, deve-se buscar valorizar e atender ainda mais as normas e a estrutura conceitual da contabilidade aplicada dentro do setor público, dando o devido tratamento à elaboração e divulgação das informações contábeis de propósito gerais pelas entidades, para que o processo de convergência seja concluído e aplicado com sucesso, gerando melhores informações e fazendo com que a contabilidade seja uma só e mais compreensível entre os países.

Referências

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Referências

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