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Percepção de saúde e o estilo de vida dos profissionais das unidades básicas de saúde (UBS) da cidade de Três de Maio - RS

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DHE- DEPARTAMENTO DE HUMANIDADE E EDUCAÇÃO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

PERCEPÇÃO DE SAÚDE E O ESTILO DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS) DA CIDADE DE TRÊS DE MAIO - RS

FÁBIO CASAGRANDE

IJUÍ, RS AGOSTO DE 2016.

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FÁBIO CASAGRANDE

PERCEPÇÃO DE SAÚDE E O ESTILO DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS) DA CIDADE DE TRÊS DE MAIO - RS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Bacharelado em Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Educação Física.

Orientador: Prof. Ms. Luiz Serafim de Mello Loi

IJUÍ, RS AGOSTO DE 2016.

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APÊNDICE A – Questionário ... 63 APÊNDICE B – Requerimento ... 65

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Descrição da amostra ... 28

Tabela 2: Percepção de Saúde dos sujeitos da amostra ... 30

Tabela 3: Perfil do Estilo de Vida dos sujeitos da amostra ... 31

Tabela 4: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição ... 33

Tabela 5: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade física ... 34

Tabela 6: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Comportamento Preventivo ... 35

Tabela 7: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social ... 36

Tabela 8: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao componente Controle do Estresse ... 37

Tabela 9: Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição ... 38

Tabela 10: Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade Física ... 38

Tabela 11: Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Comportamento Preventivo ... 39

Tabela 12: Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social ... 40

Tabela 13: Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Controle do Estresse ... 41

Tabela 14: Idade dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição ... 42

Tabela 15. Idade dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade Física ... 43

Tabela 16: Idade dos sujeitos da amostra associado ao Componente Comportamento Preventivo ... 44

Tabela 17: Idade dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social ... 45

Tabela 18: Idade dos sujeitos da amostra associado ao Componente Controle do Estresse ... 45

Tabela 19: Tempo de Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição ... 46

Tabela 20: Tempo de Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade Física ... 47

Tabela 21: Tempo de Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Comportamento Preventivo ... 48

Tabela 22: Tempo de Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social ... 49

Tabela 23: Tempo de Profissão dos sujeitos da amostra associado ao Componente Controle do Estresse ... 49

Tabela 24: Renda em Salários Mínimos dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição ... 50

Tabela 25: Renda em Salários Mínimos dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade Física... 51

Tabela 26: Renda em Salários Mínimos dos sujeitos da amostra associado ao Componente Comportamento Preventivo ... 51

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Tabela 27: Renda em Salários Mínimos dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social ... 52 Tabela 28: Renda em Salários Mínimos dos sujeitos da amostra associado ao Componente Controle do Estresse ... 53

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RESUMO

O presente trabalho trata da percepção de saúde e o estilo de vida dos profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Três de Maio/RS, com base na amostra pesquisada. Para o desenvolvimento do trabalho e alcance dos objetivos propostos realizou-se um estudo descritivo, analítico e transversal de abordagem mista, sendo aplicado um questionário fechado para 54 profissionais que trabalham nas UBS do município, atuando como Técnica (o) em Enfermagem, Enfermeira (o), Médica (o) e Agente Social Comunitário. Partindo-se da hipótese de que estes apresentam uma boa percepção da saúde e gozam de um perfil do estilo de vida positivo com relação a nutrição, prática de atividades físicas, comportamento preventivo e relacionamento social, assim como no controle do estresse. Com base na pesquisa realizada, constatou-se que a maioria da amostra pesquisada apresenta uma percepção de saúde boa, sendo bastante baixo o percentual de sujeitos que indicou a saúde como regular. Além disso, a análise associativa entre as variáveis: saúde, idade, profissão, tempo de profissão e renda, com relação aos componentes do estilo de vida, indicou comportamentos positivos relativos à praticamente todos estes, sendo que somente em relação aos hábitos alimentares, voltados à nutrição, observou-se comportamento negativo por parte da amostra. Destaca-se que na análise onde se associou a variável profissão e o componente controle do estresse, constatou-se índice negativo superior ao positivo para o controle do estresse no caso dos profissionais de Técnico em Enfermagem; indicando que estes precisam melhorar este aspecto para alcançar melhor qualidade de vida. Além disso, por meio da pesquisa, foi possível deduzir que, mesmo tendo conhecimentos técnicos sobre a importância da boa nutrição, já que são profissionais da área de saúde, ainda assim, possuem hábitos alimentares que precisam ser melhorados.

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... 07 1 REVISÃO DE LITERATURA ... 09 1.1 ESTILO DE VIDA ... 09 1.1.1 Nutrição ... 10 1.1.2 Atividade Física ... 13 1.1.3 Comportamento Preventivo ... 17 1.1.4 Relacionamento Social ... 18 1.1.5 Controle Do Estresse ... 20 1.2 SAÚDE ... 22 2 CAMINHO METODOLÓGICO ... 25 2.1 TIPO DE PESQUISA ... 25 2.2 POPULAÇÃO ... 25 2.3 AMOSTRA ... 25

2.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ... 25

2.5 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS ... 26

2.6 ASPECTOS ÉTICOS... 26

2.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS ... 26

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 28

CONCLUSÃO ... 54

REFERÊNCIAS ... 57

APÊNDICES ... 62

APÊNDICE A – Questionário ... 63

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INTRODUÇÃO

Este trabalho desenvolveu-se sobre tema percepção de saúde e o estilo de vida dos profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Três de Maio/RS, tendo como objetivo principal realizar a análise da percepção de saúde e o estilo de vida destes profissionais; analisando especificamente os cinco componentes que constituem o Pentáculo do bem-estar.

A escolha deste tema foi motivada pelo interesse do pesquisador em saber qual a percepção de saúde por parte dos profissionais desta área, isso porque os profissionais da área de saúde possuem, teoricamente, conhecimentos técnicos sobre a importância de hábitos no cotidiano para a manutenção da qualidade de vida, em termos de saúde, e demais aspectos; o que deveria representar o exercício contínuo de ações positivas voltadas aos componentes do estilo de vida.

Por meio deste estudo, buscou-se responder a questão problema: Como é a percepção de saúde e o estilo de vida dos Profissionais das Unidades Básicas de Saúde da cidade de Três de Maio/RS?

E assim, comprovar ou não a hipótese de que os profissionais das UBS do município pesquisado gozam de um perfil do estilo de vida positivo com relação a nutrição, prática de atividades físicas, comportamento preventivo e relacionamento social, assim como no controle do estresse.

Estes componentes foram analisados a partir da relação com as cinco variáveis: saúde, faixa etária, profissão, tempo de serviço e rendimentos em salários; de modo a identificar a relação entre cada uma dessas variáveis na definição do estilo de vida.

Com base no estudo feito, apresenta-se este trabalho em três capítulos. No primeiro capítulo são abordados os conceitos norteadores deste estudo como saúde, estilo de vida, nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamento social, controle do estresse, através do embasamento teórico.

No segundo capítulo é apresentado o caminho metodológico, no qual se explica os passos utilizados no desenvolvimento da pesquisa, e como os dados obtidos foram tratados para serem analisados posteriormente.

Já no terceiro e último capítulo faz-se a análise e discussão dos resultados, iniciando com a caracterização da amostra, e em seguida aborda-se a relação entre

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as variáveis: saúde, idade, profissão, tempo de profissão e renda; e os componentes do estilo de vida: nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamento social e controle do estresse, procurando, sempre que possível, fazer uma análise comparativa com outras pesquisas já realizadas sobre estes aspectos.

Finalizando o trabalho, tem-se a conclusão, onde se faz o fechamento entre os objetivos propostos e os resultados obtidos, assim como a resposta à questão problema e as considerações pertinentes a hipótese. E ainda as referências bibliográficas que foram utilizadas ao longo desta pesquisa; bem como os apêndices gerados e usados neste estudo.

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1 REVISÃO DE LITERATURA

1.1 ESTILO DE VIDA

Um estilo de vida saudável ajuda a manter o corpo em forma e a mente alerta. Ajuda a proteger de doenças, além de impedir que as doenças crônicas piorem. Isto é importante, porque à medida que o corpo envelhece, começa-se a notar alterações nos músculos e nas articulações e um declínio na sensação de “força” física. Desta forma, o estilo de vida torna-se referência para a manutenção da boa saúde.

Conforme Nahas (2006, p. 20), “o Estilo de Vida corresponde ao conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, valores e oportunidades das pessoas. ” Desta forma, percebe-se que o mesmo pode ter influência tanto positiva quanto negativa. Ainda, conforme o autor supracitado, o estilo de vida é um dos fatores considerados fundamentais para a manutenção da saúde, bem como para favorecer a longevidade da população.

Entende-se que o estilo de vida saudável inclui a saúde preventiva, boa nutrição e controle do peso, recreação, exercícios regulares, e evitar substâncias nocivas ao organismo.

Ainda segundo Nahas (2006), os hábitos e ações conscientes estão associados à percepção de qualidade de vida do indivíduo. Os componentes do estilo de vida podem mudar ao longo dos anos, mas isso só acontece se a pessoa conscientemente enxergar algum valor em determinado comportamento que deva ser incluído ou excluído, além de perceber-se capaz de realizar as mudanças pretendidas.

De acordo com Halbe (1999), existem dois importantes componentes que definem o estilo de vida: atitude, que se refere a predisposição para agir em resposta aos estímulos internos ou externos, e o comportamento, que está ligado a atividade observável em resposta aos estímulos internos e externos. Além disso, Halbe (1999) segue explicando que o estilo de vida também depende de outros fatores como: 1) inatos; 2) hábitos (fatores pessoais adquiridos); 3) sociais; 4) ambientais; e 5) psicológicos. Assim como no caso da atitude, o estilo de vida é duradouro, mas em grande parte aprendido e não inato.

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1.1.1 Nutrição

Alimentar-se de forma saudável e equilibrada é fundamental em qualquer idade, e não menos importante quando se trata do idoso. Todas as pessoas têm necessidades básicas de certos nutrientes, entre eles proteínas, vitaminas, fibras, minerais, carboidrato, entre outros, e por isso é necessário manter uma alimentação que corresponda às necessidades metabólicas do organismo.

Uma alimentação saudável deve ser baseada em práticas alimentares assumindo a significação social e cultural dos alimentos como fundamento básico conceitual (PINHEIRO et al, 2005). Ela se baseia no consumo de alimentos ricos em nutrientes e que também seja fonte de prazer (gosto, cor, aroma, forma, textura, temperatura, dentre outros) e reflita positivamente na promoção da saúde (GOMES et al., 2008).

A OMS (2003) recomenda para o controle da obesidade e sedentarismo a prática regular de atividade física, e a implementação de hábitos alimentares saudáveis, através de maior ingestão de frutas e vegetais, como um dos grandes protetores para a manutenção do peso corporal, devido a menor densidade energética desses alimentos, com o aumento da sensação de saciedade. Recomendando ainda um consumo mínimo de 400g de frutas, verduras e legumes frescos diariamente. Já atividade física deve corresponder ao mínimo de 30 minutos em três dias por semana. A avaliação do estado nutricional é um instrumento valioso na aferição das condições de saúde e de vida de uma população, sendo uma ferramenta importante no monitoramento das tendências e magnitudes de distúrbios nutricionais, principalmente, em crianças e adolescentes (VEIGA; BURLANDY, 2001).

Diversas transformações nas condições de vida, saúde e nutrição, características do processo de transição nutricional, têm sido impulsionadas por políticas de globalização do comércio, pelo crescimento econômico e pela rápida urbanização (RODRIGUES, 2014).

Segundo Rodrigues (2014) embora a globalização tenha resultado em melhorias na qualidade da vida e na segurança alimentar, ela tem também impulsionado a epidemia de obesidade. Segundo os autores, a liberalização do comércio global ocasionou aumento na disponibilidade de alimentos e bebidas de baixo custo e normalmente de baixo valor nutricional e ricos em energia e açúcar.

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Rodrigues (2014) acrescenta ainda que essas alterações ocasionam um confronto entre os hábitos alimentares e a biologia natural do ser humano. Segundo o autor, a mudança de água e leite materno para a vasta gama de bebidas energéticas disponíveis na atualidade é um dos componentes-chaves do desequilíbrio energético observados na transição nutricional contemporânea.

O Guia Alimentar para a População Brasileira é semelhante ao guia americano, diferindo apenas no estímulo ao consumo de alimentos frescos, recomendando o consumo de fontes saudáveis de gorduras e limitando o consumo de gordura trans, contudo, não especifica o consumo de grãos integrais (MS, 2006).

Com base nessas definições é possível identificar, de forma semelhante ao utilizado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (LEVY et al., 2010), dois grupos alimentares marcadores da qualidade da dieta: (1) marcadores de alimentação saudável, composto por frutas, verduras, legumes e leite, os quais têm sido consistentemente associados ao menor risco de desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) e (2) marcadores de alimentação não saudável, caracterizado pelo consumo de gordura, açúcar e sódio, grupo este que deve ter seu consumo reduzido em decorrência da associação significativa com aumento do risco de DCNT.

O excesso de tecido adiposo, especialmente quando acumulado em certos locais do organismo (intra-abdominal ou visceral), traz consequências desastrosas à saúde. Adipócitos hipertrofiados em resposta à oferta exagerada de nutrientes têm prejuízos nas suas funções. Tais células passam a produzir quantidades anormais de citocinas pró-inflamatórias; além disso, monócitos são atraídos para esse tecido na condição de obesidade. Dessa forma, potencializa-se a secreção de citocinas, implicadas na fisiopatogênese das principais DCNT que afetam o homem na atualidade (FERREIRA, 2010).

Sonati et al. (2008) explica que o estado nutricional de um indivíduo retrata o grau no qual suas necessidades fisiológicas de nutrientes estão sendo atendidas. Quando as necessidades diárias do organismo são supridas adequadamente o indivíduo desenvolve um estado de nutrição ótimo. Este estado promove o crescimento e o desenvolvimento, mantém a saúde geral, sustenta as atividades da vida diária e auxilia a proteger o organismo contra doenças.

Fisiologicamente para manter o peso corporal sob controle, é necessário manter o balanço energético, que consiste em gastar calorias proporcionalmente aos

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níveis de consumo. Para tanto, se faz necessário desde a tenra idade, possuir hábitos alimentares saudáveis, e incorporar a atividade física no decorrer do dia-dia, possibilitando uma manutenção das gorduras, proteínas e carboidratos disponibilizados através da alimentação. Que se não forem comensuradas se alojarão em algum lugar do corpo.

Pont Geis (2003, p. 40) explica que os componentes mais importantes e indispensáveis para compor uma alimentação adequada, que são:

a) Energia e Calorias: Caloria é a fonte de energia gerada através da ingestão de alimentos. Esta fonte de energia gerada é utilizada para o bom funcionamento das funções internas do organismo, como respirar, digerir, pulsar o coração, entre outros.

b) Proteínas: A proteína que existe nos alimentos de origem animal (carnes, ovos e leite) e vegetal (pão, massas, legumes e batatas), proporcionam os aminoácidos que são responsáveis em manter e fortificar os tecidos do corpo.

c) Gordura: A gordura também é fonte de energia e vitaminas, seu consumo excessivo ocasiona problemas de colesterol e aterosclerose. Ela existe em alimentos de origem animal (manteiga, nata, leite e carnes) e vegetal (óleos de oliva, soja e girassol).

d) Hidratos de Carbono: São responsáveis por nossa principal fonte de energia, seu consumo excessivo seguido de uma baixa compensação com atividade física, contribui para o aumento de gordura corporal. São encontrados no pão, no arroz, legumes, açúcar, mel e algumas verduras. e) Vitaminas: São essenciais para algumas funções reguladoras do

organismo, tais como, formação e estrutura dos ossos, do sangue, da pele, dos olhos e para produção de energia. É facilmente encontrada em alimentos de origem animal e vegetal.

f) Minerais: Necessários para a estrutura dos tecidos e funções celulares, são encontrados em vários alimentos, e não fornecem energia (cálcio, ferro, fósforo, zinco, etc.).

g) Fibras: É a parte dos alimentos de origem vegetal que o organismo não digere, e que possibilita a evacuação dos alimentos digeridos. É encontrado no pão integral, cereais com fibras, legumes, verduras e frutas.

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h) Água: É indispensável para a sobrevivência humana, ajudando na dissolução e digestão dos alimentos e a eliminar substâncias tóxicas.

Todos estes componentes são indispensáveis para manter uma alimentação saudável e balanceada, capazes de manter a boa saúde, prevenir doenças, fornecendo os elementos necessários para que se exerçam as atividades do cotidiano. Já que uma alimentação adequada em termos quantitativos e qualitativos garante o aporte de macro e micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do sistema imunológico debelando agentes agressores (FERREIRA, 2010).

1.1.2 Atividade Física

Colberg menciona que conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2003), a atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requer gasto de energia (COLBERG, 2003).

A inatividade física, ou seja, a falta de atividade física é tratada pela OMS (2003), como sendo fator de risco para a ocorrência da quarta maior mortalidade global, o que representa 6% das mortes em todo o mundo. Além disso, inatividade física é estimada como sendo a causa principal de aproximadamente 21-25% dos cancros do cólon e da mama, 27% de diabetes e aproximadamente 30% da carga isquêmica cardíaca (COLBERG, 2003).

Sendo que, de acordo com publicação da OMS em fevereiro de 2014, essa situação não se alterou, de modo que a inatividade física representa o quarto principal fator de risco de morte no mundo. A OMS destaca que “Aproximadamente 3,2 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência da falta de atividade física.” (OMS, 2014, p. 1).

Verifica-se que a prática de atividades físicas de forma regular e moderada apresenta-se, como um importante meio de manter em atividade os sistemas orgânicos, possibilitando seu melhor funcionamento, reduzindo os efeitos do da idade, bem como o risco de algumas doenças, além de proporcionar maior aptidão para as atividades diárias.

Guiselini (2004), afirma que a atividade física é definida como qualquer movimento corporal voluntário, que resulta em um gasto energético maior que os níveis de repouso, e vem classificar a atividade física de duas maneiras, a estruturada

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e a não estruturada, onde a não estruturada se caracteriza por sua baixa intensidade, de duração longa e considerada como o primeiro passo para sair do sedentarismo, e dentro dela se enquadra as atividades comuns praticadas no dia a dia como, serviços domésticos, fazer compras, caminhar, subir escadas, cuidar das crianças, passear com o cachorro e etc.

Já a estruturada, está relacionada com os exercícios físicos, levando em consideração as fontes energéticas, os músculos envolvidos, e o efeito produzido para objetivar um desemprenho da aptidão física e habilidades motoras do indivíduo, tem-se como exemplos, ciclismo, corridas, saltos, pilates, atividades aeróbicas (ritmos, jump, step, combat, zumba, entre outras), atividades anaeróbicas (musculação, exercícios localizados, cross-trainer, entre outros). Qualquer pessoa pode praticar atividade física desde crianças até os idosos, seguindo orientação de um profissional de educação física.

Segundo Bracht (1992), a atividade física, além de ser importante fator de saúde, é fonte de lazer, de equilíbrio, e de motivação para a vida, assim como é fator fundamental para a socialização.

Considerando este aspecto, Guedes e Guedes (1995) destacam que a atividade física corretamente orientada assume um importante papel na prevenção, conservação e recuperação da capacidade funcional dos indivíduos, promovendo as condições favoráveis à saúde.

Freire (1983), explica que a atividade física oferece a possibilidade de agregação de várias modalidades de ação: esportivas, recreativas, culturais ou de lazer, desde que favoreça na sua execução, uma movimentação corporal.

Sendo que dentre as diversas categorias de atividade física, cabe mencionar os esportes formais e não formais, os esportes aquáticos, aéreos e terrestres, as caminhadas, as danças, os jogos, as brincadeiras e os folguedos, entre outros (LAKATOS; MARCONI, 1991).

Compreende-se, outrossim, que a atividade física ajuda a ganhar músculos e a perder gordura, diminui o apetite, faz com que o indivíduo coma mais sem ganhar gordura, melhora o seu humor, reduz o estresse e a ansiedade, aumenta o nível de energia, melhora a imunidade, torna as articulações mais flexíveis e melhora a qualidade de vida (COLBERG, 2003).

Para refletir sobre a atividade física como fator preventivo das doenças psicossomáticas relacionadas ao trabalho, faz-se necessário antes discutir sobre a

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qualidade de vida do trabalhador. E, ao se falar em Qualidade de Vida (QV), recai-se no discurso comum devido à complexidade e imprecisão do tema associado à definição de um conceito de qualidade de vida.

A QV, todavia, pode ser definida como resultante da percepção das condições de saúde, capacidade funcional e outros aspectos da vida pessoal e familiar. Nahas (2006) também salienta a dificuldade de se estabelecer um conceito preciso de QV, mas tenta defini-la como resultado de um conjunto de parâmetros individuais, socioculturais e ambientais que caracterizam as condições em que vive o ser humano, isto é, uma comunidade ou uma nação.

A tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia atual, mudando o comportamento das pessoas de forma a facilitar as suas vidas, seja em casa, na escola ou no trabalho. Por outro lado, ela interfere de forma negativa para quem não tem a devida consciência e percepção do seu estilo e qualidade de vida, tornando-se pessoas acomodadas e sedentárias com as praticidades que a mesma proporciona, pois, o movimento do corpo humano é extremamente importante para o seu bem-estar e longevidade saudável.

O sedentarismo já está sendo considerada como a doença do próximo milênio, na verdade trata-se de um comportamento induzido por hábitos errôneos decorrentes dos confortos da vida moderna. Com a evolução da tecnologia e a tendência cada vez maior de substituição das atividades ocupacionais que demandem algum gasto energético por facilidades automatizadas, o ser humano adota cada vez mais a lei do menor esforço reduzindo assim o consumo energético de seu corpo (BARROS, 2000).

Cabe refletir, portanto, sobre a forma como a tecnologia tem mudado a maneira de as pessoas se movimentarem. É importante que se adote um estilo de vida mais ativo, como participar de atividades que atendam aos componentes necessários para um bom desenvolvimento orgânico e funcional de nosso corpo, e também hábitos alimentares saudáveis.

Alguns exemplos de produtos ou mecanismos poupadores de energia muscular, comuns na era da tecnologia e da informática segundo Nahas (2006, p. 33):

1. o telefone, agora de acesso cada vez mais popular;

2. os veículos automotores e seus equipamentos mecânicos e eletroeletrônicos presentes nos modelos mais recentes;

3. os drive-ins, em bancos, lanchonetes, cinemas, agências do correio, etc. 4. os elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes;

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5. o controle remoto em geral: para televisores, portões, cortinas e até fornos de micro-ondas;

6. a internet com seus shoppings virtuais, banco eletrônico ou home banking, correio eletrônico etc.;

7. os jogos eletrônicos, que vêm substituindo as brincadeiras infantis e jogos ao ar livre.

Conforme Silva (2006, p. 63), “os fatores podem se agravar se forem associados ao modo de vida estressante das sociedades industrializadas e, com isso, pode-se observar um quadro cada vez mais agravante para a qualidade de vida dos trabalhadores no mundo real”.

A partir daí surge a necessidade de práticas criativas que possibilitem os indivíduos refletir sobre o que podem fazer para melhorar seu cotidiano em todos os aspectos: físicos, emocionais, sociais etc.

Segundo Nahas (2006), a inatividade física representa uma causa importante de debilidade, de reduzida qualidade de vida e morte prematura nas sociedades contemporâneas, particularmente nos países industrializados.

Conforme o IBGE (2013), a primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em convênio com o Ministério da Saúde, traz uma breve descrição da pesquisa, o plano de amostragem e comentários sobre aspectos relacionados às condições de saúde da população brasileira. O estudo enfoca três perspectivas: a percepção do estado de saúde, os estilos de vida e doenças crônicas, com destaque para a ocorrência de hipertensão, diabetes, colesterol, asma, doenças cardiovasculares e neuropsiquiátricas, câncer, entre outros problemas de saúde que, em conjunto, respondem por uma significativa parcela das mortes no Brasil.

Segundo a PNS, em 2013, no Brasil, havia 146,3 milhões de pessoas com 18 anos ou mais de idade, destas, 66,1% auto avaliaram a sua saúde como boa ou muito boa. As estimativas variaram de 56,7%, no Nordeste, a 71,5%, no Sudeste. Em relação ao sexo, 70,3% dos homens consideraram sua saúde boa ou muito boa, contra 62,4% das mulheres. Em relação aos grupos de idade, quanto maior a faixa etária, menor o percentual, que variou de 81,6%, para aqueles de 18 a 29 anos de idade, a 39,7%, para as pessoas de 75 anos ou mais de idade. Em relação à escolaridade, observou-se que, conforme cresce o grau de instrução, maior o percentual daqueles que consideraram sua saúde boa ou muito boa. Entre as pessoas

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sem instrução ou com o Ensino Fundamental incompleto, o percentual foi de 49,2%, enquanto para aquelas com superior completo foi de 84,1%. A PNS também investigou os hábitos de consumo alimentar por meio de indicadores de padrões saudáveis e não saudáveis (IBGE, 2013).

A prática regular de exercícios físicos ou esportes é considerada fator de proteção à saúde das pessoas. As oportunidades para indivíduos adultos serem fisicamente ativos podem ser classificadas em quatro domínios: no lazer (no tempo livre), no trabalho, no deslocamento e no âmbito das atividades domésticas. O nível recomendado de atividade física no lazer é de, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade física de intensidade leve ou moderada ou de, pelo menos, 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa. Alguns exemplos de atividades físicas de intensidade leve ou moderada são: a caminhada, musculação, hidroginástica, dança e ginástica em geral.

1.1.3 Comportamento Preventivo

Assim como a nutrição e a atividade física, o comportamento preventivo também está diretamente ligado ao estilo de vida, sendo que o comportamento preventivo é ainda um dos componentes do Pentáculo do Bem-Estar(Figura 1).

Figura 1 – Pentáculo do Bem-Estar

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Para Pender (1975 apud SENE; NANDI; FREITAS, 2008, p. 16), o Comportamento Preventivo é entendido como:

Ações individuais ou coletivas, executadas com o objetivo de minimizar o potencial de ameaça das doenças. Em muitos momentos é voluntário, não sendo nem curativo, nem terapêutico. É uma atividade desempenhada pelo indivíduo assintomático em relação a uma doença específica.

No entendimento de Katalski (apud PRADO, 1993, p. 157), Comportamento Preventivo em saúde é "qualquer atividade empreendida por uma pessoa que se acredita saudável, com o propósito de prevenir doença ou detectá-la, num estágio assintomático".

Segundo Nahas (2006), os seguintes comportamentos preventivos são indispensáveis para uma boa qualidade de vida: fazer uso do cinto de segurança, praticar sexo seguro, evitar os ambientes e grupos onde a violência física é motivo de admiração, não fumar antes dos 18 anos, beber com moderação, escolher alimentos de maneira inteligente, proteger a pele e os olhos, manter uma vida ativa, mas não exaustiva, realizar check-ups e exames periódicos.

Guiselini (2004) afirma que a prática de hábitos saudáveis tem sido associada à prevenção de muitas doenças. Para esse autor existem fatores de risco para doenças que de fato são incontroláveis, que não podem ser alterados, como: idade, hereditariedade e sexo. Contudo, a maioria dos fatores decorre dos hábitos de vida e podem ser prevenidos. Muitos fatores podem ser alterados, conforme os hábitos: gordura do corpo, dieta, doenças, exercícios regulares, fumo e estresse. E, da mesma forma, muitas doenças, tais como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas, podem ser prevenidas se os hábitos forem saudáveis.

1.1.4 Relacionamentos Sociais

Relacionamento refere-se ao modo como os indivíduos interagem e se comunicam com os outros, consigo mesmo e com o meio ambiente. Essas relações resultam em positivas e negativas, sendo fundamental desenvolvê-las ao longo da vida, já que relacionar-se é necessário para todo ser humano.

O relacionamento social está entre os componentes que Nahas considera importantes para o bem-estar no estilo de vida das pessoas, podendo contribuir para

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o aumento da expectativa de vida. “O prazer, a alegria de viver, a satisfação pessoal e as amizades, são fatores em nossas vidas que certamente antecedem e superam a preocupação com a longevidade. ” (NAHAS, 2001, p.15).

De acordo com Leão (2015) e Nahas et al. (2000), percebem a amizade como uma das principais características dos relacionamentos sociais, podendo repercutir na manutenção de um bom estilo de vida, para o qual é importante o apoio de amigos e familiares, bem como e ajuda quando necessário, além de criação de uma relação de confiança com eles.

Por outro lado, Leão (2015) menciona que o isolamento pode trazer danos à saúde, de modo a reafirmar o papel que o relacionamento como fator importante para um estilo de vida saudável.

Sherwitz et al. (1986 apud NAHAS et al., 2000, p. 54) afirmou que “características como hostilidade, cinismo e excessivo individualismo mostraram-se como fortes indicadores de risco para novos eventos cardíacos [...].” E Leão explica que, uma boa interação familiar contribui de forma direta para um estilo de vida saudável, já que é necessário aprender a gerenciar, compreender e solucionar os problemas quando eles existem (LEÃO, 2015).

Além do relacionamento com os outros, Nahas (2003) citado por Baptistão (2012) relata que o relacionamento social também diz respeito ao modo de se relacionar consigo mesmo, sendo que Nahas (2003) entende que existem duas perspectivas de intimidade e relacionamento, sendo uma horizontal e outra vertical. A horizontal ocorre quando se desenvolvem contatos com outras pessoas, como por exemplo: grupo de apoio, desenvolvimento de comunicações, confiança, perdão e altruísmo.

Já a perspectiva vertical ocorre quando o relacionamento se dá consigo mesmo em nível psicológico ou espiritual, através de reflexão, meditação ou oração.

Assim Baptistão (2012) argumenta que Nahas (2003, p. 15-34) acredita que o relacionamento social pode ser melhorado se o indivíduo exercitar os “músculos da alma” melhorando assim, “o otimismo, bom humor, criatividade, curiosidade, persistência, tolerância, confiança, amor, perdão, entre outros. ”

Além disso, não tem como falar em relacionamentos sem falar em resiliência. Conforme Carmello (2008, p. 56),

(21)

[...] resiliência é a capacidade de se antecipar – e se ajustar – continuamente a profundas tendências seculares capazes de abalar de forma permanente a força geradora de lucros de um negócio. A capacidade

de reinventar modelos de negócios e estratégias de forma dinâmica à

medida que mudam as circunstâncias. Compreende-se que, tanto fatores psicológicos e/ou psicossociais quanto físicos e anatômicos, afetam-se entre si, de forma mútua, o processo de saúde-doença do sujeito.

Frente a uma situação de dor crônica e de tentativas frustradas de adaptar-se a esta nova realidade, o sujeito pode se ver sem rumo. Logo, se exclui do convívio cotidiano com os amigos, havendo uma redução da autoestima. Também, pode se tornar mais agressivo ou irritado e, em decorrência, esses fatores resultam em reações de estresse, causando maior tensão muscular e dores. Com isso, pode-se concluir que “a dor dificulta as interações íntimas, o depode-sempenho profissional e o convívio prazeroso” (FERRO, 2010 apud SANTIAN et al., 2013, p. 10) entre as pessoas.

1.1.5 Controle de Estresse

Conforme o Dicionário Aurélio, o conceito de estresse, na Medicina, é um “conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa e outras, capazes de perturbar a hemeostase; estricção”. (FERREIRA, 2009, p. 837).

Já Celich e Spadari (2008, p. 257) explicam que:

O stress é decorrente do estilo de vida que adotamos e da forma como enfrentamos as adversidades, é, certamente, qualquer processo de mudança mais significativa em nossas vidas, como perda de emprego, perda de um ente querido, mudanças familiares, situação de doença crônico na família, aposentadoria podem desencadear o stress.

O estresse, portanto, é o resultado de uma reação que o organismo tem quando estimulado por fatores externos desfavoráveis. E, no trabalho, ele pode ser a porta de entrada para outros problemas. Ou seja, o estresse é desfavorável para o desempenho profissional, pois não permite a concentração no trabalho e o desempenho só tende a cair, a pessoa gera um grande mau humor, o que pode tornar o clima organizacional pesado e difícil de trabalhar. O estresse pode também ocasionar problemas ou sintomas psicossomáticos que dificultam o trabalho do colaborador.

(22)

Oliveira e Cunha (2014) citam Grazziano (2008, p. 18) o qual explica que em relação às situações estressantes no trabalho

O stress relacionado ao trabalho pode levar ao desenvolvimento de várias doenças como a hipertensão arterial, doença coronariana, além de distúrbios emocionais e psicológicos, como a ansiedade, depressão, baixa auto estima entre outras, repercutindo diretamente no desempenho da organização ou empresa. (OLIVEIRA; CUNHA, 2014, p. 81).

O estresse que se desenvolve no local de trabalho faz com que as pessoas fiquem inseguras e demonstrem reações adversas que, muitas vezes, as afetam em seu ambiente de trabalho e também em sua vida pessoal. Neste sentido, entende-se que:

O estresse profissional é aquele que está ligado a profissionalização e o desenvolvimento da sociedade, ou seja, está a cargo do trabalhador administrar a responsabilidade profissional e saber lidar com as situações conflituosas geradas pela sociedade e pelas pessoas (LENTINE; SONODA; BIAZIM, 2003 apud OLIVEIRA; CUNHA, 2014, p. 83).

No entendimento de Zimpel (2005), o estresse está relacionado com a realização pessoal, pois não basta apenas viver as experiências e sim sentir-se realizado com elas.

Segundo Carvalhal (2008), o estresse pode influenciar as pessoas de uma forma negativa, mas também pode ser benéfico, pois impulsiona os indivíduos a serem mais competitivos e atentos nas situações do dia a dia. Portanto, ele pode ser ocasionado por uma mistura de emoções não realizadas, gerando um nível de estresse que acarreta grande desânimo.

Do mesmo modo, considera-se que:

Estresse não é doença e entendê-lo desta forma simplifica sua essência e sua importância. O estresse, enquanto processo, faz parte da natureza biológica do ser humano e é essencial para sua sobrevivência perante as adversidades do meio do qual está inserido. (MARRAS; VELOSO, 2012, p. 1).

Lentine, Sonoda e Biazin (2003, p.103 apud OLIVEIRA; CUNHA, 2014, p. 83) conceituam estresse como sendo “a resposta fisiológica, psicológica e comportamental de uma pessoa, visando adaptação a mudanças ou situações novas, geradas por pressões externas ou internas”.

(23)

Para Marras e Veloso (2012), o estresse direciona a energia para os músculos e cérebro, mobilizando o corpo para a ação. A resposta imunológica às doenças é um sistema que compete pela energia, necessária para enfrentar infecções, produzir inflamações e manter a febre.

Dessa forma, quando doente, o corpo humano diminui o fluxo de energia para os músculos por meio da inatividade, aumentando o sono. O estresse desvia a energia do sistema de combate às doenças, tornando-os mais vulneráveis a elas.

Carvalhal (2008) preceitua que o estresse pode se manifestar de muitas formas, como dores de cabeça e nos ombros, problemas intestinais, dentre outros sintomas físicos que são o reflexo do estresse. O autor cita até o risco de contrair o câncer, hipertensão e, é claro, desenvolver sintomas relacionados à ansiedade e aos transtornos por ela ocasionados.

Sintomas como enxaqueca, dores musculares, problemas físicos em geral, quando ocasionados pelo estresse são conhecidos como problemas psicossomáticos, que afetam cada vez mais os colaboradores das organizações (CARVALHAL, 2008).

1.2 SAÚDE

A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014) traz a definição que saúde não é mais a ausência da doença, mas a harmonia entre mente, físico e social. Sobre esta visão ampla de saúde, Scliar explica que:

O conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas. (SCLIAR, 2007, p. 30).

Ainda conforme o expresso por Scliar (2007), o conceito da OMS, divulgado na carta de princípios de 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde), implicando o reconhecimento do direito à saúde e da obrigação do Estado na promoção e proteção da saúde, diz que “Saúde é o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”. Este conceito refletia, de um lado, uma aspiração nascida dos movimentos sociais do pós-guerra: o

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fim do colonialismo, a ascensão do socialismo. Saúde deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações.

A condição de saúde está entre os atributos de maior importância e indispensáveis para a sobrevivência da espécie humana. E segundo Nahas (2006), a maioria dos seres humanos só procura promovê-la, quando esta se encontra em estado de ameaça mais séria, como no caso sintomas evidentes de doenças crônicas, ou seja, a maioria das ações de promoção à saúde é tomada no momento em que a situação de prevenção já se tornou correção das condições negativas de saúde. Apresentam-se entre os fatores que mais afetam negativamente condições de vida saudável o hábito de fumar, ingerir álcool e drogas, o isolamento social e o stress, obesidade e sedentarismo.

Um conceito útil para analisar os fatores que intervêm sobre a saúde, e sobre os quais a saúde pública deve, por sua vez, intervir, é o de campo da saúde, formulado em 1974 por Marc Lalonde, titular do Ministério da Saúde e do Bem-estar do Canadá, país que aplicava o modelo médico inglês. De acordo com esse conceito, o campo da saúde abrange:

a) a biologia humana, que compreende a herança genética e os processos biológicos inerentes à vida, incluindo os fatores de envelhecimento;

b) o meio ambiente, que inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho; c) o estilo de vida, do qual resultam decisões que afetam a saúde: fumar ou

deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios;

d) a organização da assistência à saúde. A assistência médica, os serviços ambulatoriais e hospitalares e os medicamentos são as primeiras coisas em que muitas pessoas pensam quando se fala em saúde. No entanto, esse é apenas um componente do campo da saúde, e não necessariamente o mais importante; às vezes, é mais benéfico para a saúde ter água potável e alimentos saudáveis do que dispor de medicamentos. É melhor evitar o fumo do que submeter-se a radiografias de pulmão todos os anos. É claro que essas coisas não são excludentes, mas a escassez de recursos na área da saúde obriga, muitas vezes, a selecionar prioridades. (SCLIAR, 2007, p. 37).

Segundo Idler e Angel, (1990); Grant et al. (1995); Hayes et al. (1996); Lee, (2000) citados por Loi (2006) a auto-percepção do estado geral de saúde geral, física e mental é um importante indicador de saúde. Além de ser um preditor de saúde futura é um valioso método de prevenção do declínio funcional, do estado de morbidade e mortalidade.

(25)

Observa-se que a percepção de saúde a muito tempo já não remete a somente ausência de doenças, mas ao contrário, considera diversos componentes e variáveis que influem direta ou indiretamente na saúde dos indivíduos.

(26)

2 CAMINHO METODOLÓGICO

2.1 TIPO DE PESQUISA

O estudo constitui-se de uma pesquisa descritiva transversal com abordagem quantitativa (CRESWELL, 2010), que teve como objetivo avaliar a percepção de saúde e o estilo de vida dos profissionais das Unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade de Três de Maio/RS.

2.2 POPULAÇÃO

A população deste estudo é formada por 154 (cento e cinquenta e quatro) profissionais de ambos os sexos, que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde da cidade de Três de Maio/RS.

2.3 AMOSTRA

A amostra constou de 54 profissionais que atuam profissionalmente na área da saúde, no ano de 2016, sendo 50 do gênero feminino e 4 do gênero masculino, com idades entre 20 e 57 anos. Dentre as profissões participantes desta pesquisa estão Técnica (o) em Enfermagem, Enfermeira (o), Médica (o) e Agente Social Comunitário.

2.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

Os dados sócios demográficos foram coletados por meio um questionário (Apêndice A), o qual foi elaborado pelo próprio pesquisador, com as seguintes variáveis: Idade, sexo, renda, tempo de serviço, profissão e saúde. Sendo que a investigação da percepção de saúde foi feita através da seguinte questão:

Sua saúde é: ( ) Excelente ( ) Muito Boa ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim Além dessas variáveis, o instrumento de coleta de dados deste trabalho também contou com a utilização do questionário Perfil do Estilo de Vida Individual, proposto por Nahas; Barros e Francalacci (2000), o qual aborda os cinco componentes: nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamento social e controle do estresse, os quais, conforme esses autores, representam as

(27)

características do estilo de vida relacionadas ao bem-estar individual. Cada um destes componentes apresenta três questões, onde para cada resposta há uma pontuação em forma de escala que vai de zero (0) a três (3); onde os escores de zero (0) e um (1) indicam comportamentos de risco a saúde; e dois (2) e três (3), comportamentos saudáveis.

Estes componentes são avaliados sobre cinco variáveis: saúde, faixa etária, profissão, tempo de serviço e rendimentos em salários; de modo a identificar a relação entre cada uma dessas variáveis na definição do estilo de vida.

2.5 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS

Os dados foram coletados pelo próprio pesquisador, após autorização da Enfermeira Chefe do município e concordância verbal dos profissionais em responder o questionário.

A coleta de dados deu-se por meio da distribuição dos questionários em cinco Unidades Básicas de Saúde, inicialmente foi explicado sobre os objetivos da pesquisa para cada Enfermeira(o) responsável pelas Unidades, e em seguida foi entregue os questionários, os quais apresentaram aos demais profissionais de saúde da Unidade, no dia de reunião da sua Unidade Básica de Saúde, explicando sobre sua finalidade e forma que deviam ser respondidos. Os questionários respondidos foram coletados pelo chefe de enfermagem de cada UBS e posteriormente repassados ao pesquisador.

2.6 ASPECTOS ÉTICOS

Este estudo seguiu as normas da Resolução 446/12 do Conselho Nacional de Saúde, sendo que foi esclarecido verbalmente aos participantes da pesquisa, sem que fosse assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

2.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS

Os dados foram processados e analisados com o auxílio do Programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 16.0. Em todos os testes se observou o nível de significância de p<0,05.

(28)

As variáveis qualitativas foram analisadas através da análise de Associação por meio do Teste de Qui-Quadrado que tem objetivo de verificar a existência de associação entre as variáveis qualitativas.

Os resultados obtidos foram apresentados em forma de tabelas de modo a permitir uma melhor visualização e interpretação dos mesmos.

(29)

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo apresenta-se a análise e interpretação dos resultados obtidos através da pesquisa que foi realizada. Inicialmente desenvolve-se a caracterização da amostra pesquisada, em seguida aborda-se a questão da percepção de saúde, assim como o perfil do estilo de vida desses indivíduos. Posteriormente faz-se a análise dos componentes do Pentáculo do Bem-Estar frente às variáveis saúde, faixa etária, profissão, tempo de serviço e renda.

Na tabela 1 apresenta-se as informações obtidas no que se refere a caracterização da amostra pesquisada, a partir do demonstrativo percentual das variáveis: Sexo, Faixa Etária, Profissão, Tempo de Serviço, e Renda.

Tabela 1: Descrição da amostra

Váriável f f% Sexo Masculino 4 7,40 Feminino 50 92,6 Faixa Etária 20 – 30 22 40,7 31 – 40 16 29,6 41 – 50 15 27,8 51 acima 1 1,9 Profissão

Técnica (o) em Enfermagem 17 31,5

Enfermeira (o) 5 9,3

Médica (o) 4 7,4

Agente Social Comunitário 28 51,8

Tempo de serviço 1 – 5 22 40,7 6 – 10 15 27,8 11 – 15 7 13,0 16 – 20 3 5,6 20 acima 7 13,0 Renda 1 a 2 salários mínimos 31 57,4 3 a 4 salários mínimos 17 31,5 5 a 6 salários mínimos 2 3,7

Acima de 7 salários mínimos 4 7,4

Ao analisar a tabela 1, o perfil da amostra pesquisada indica uma expressiva predominância do gênero feminino (92,6%). Resultados semelhantes foram encontrados por Silva, Recine e Queiroz (2002) na pesquisa que realizaram, onde

(30)

“dos profissionais de saúde que participaram da pesquisa, 71% foram mulheres”, os quais informaram que “a presença do sexo feminino nos serviços, segundo dados da SES-DF, é de 75%, condição essa referida como importante para a visão de questões relacionadas à saúde”. (2002, p. 1369).

Na caracterização da pesquisa realizada por Silva, Guerra e Pessini (2014) também se observa a predominância do gênero feminino na população em estudo. Sendo que os autores referem que:

Referente à caracterização da população em estudo, observou-se a prevalência do gênero feminino. As profissões relacionadas ao exercício da enfermagem, devido ao seu contexto histórico, foram, ao longo dos anos, se caracterizando como eminentemente do gênero feminino [...] (2014, p. 63).

Cabe ainda mencionar que a identificação do gênero dos integrantes da amostra pesquisada é importante em função de que se verificam diferenças em termos de saúde quanto a esta variável. Neste sentido, Castro (2012, p. 19-20) expressa que “Homens e mulheres são expostos aos determinantes de saúde e vulneráveis a esses determinantes de forma diferenciada”. Este pesquisador informa ainda que existe uma variação de tempo de vida entre homens e mulheres, mencionando que:

Na maioria dos países, as mulheres vivem mais do que homens, em média de seis a oito anos, e apresentam taxas de mortalidade menores em todas as idades, provavelmente devido à combinação de fatores genéticos e ambientais. Entretanto, elas relatam maiores níveis de depressão, desordens psiquiátricas, estresse e várias doenças crônicas que os homens. (CASTRO, 2012, p. 20).

No que diz respeito a faixa etária da amostra, verifica-se que 40,7% da amostra pertencem a faixa etária entre 20 e 30 anos, 29,6% estão na faixa dos 31 a 40 anos, 27,8% tem idade entre 41 e 50 anos, e somente um baixo percentual de 1,9% apresentam idade superior aos 51 anos. Esses dados indicam que a amostra é relativamente jovem, com idade até 50 anos. Dos pesquisados, 57,4% tem idade entre 31 e 50 anos, sendo que esse perfil etário também se assemelha ao verificado na pesquisa realizada por Silva, Recine e Queiroz (2002), os quais identificaram a faixa etária predominante de sua amostra com idades entre 31 e 50 anos.

(31)

No que refere a profissão da amostra pesquisada, a maioria dos pesquisados (51,8%) são Agente Social Comunitário, 31,5% são Técnico(a) em Enfermagem, 9,3% atuam como Enfermeiro(a), e 7,4% são Médicos.

Com relação ao tempo que os indivíduos da amostra exercem essa profissão, verifica-se que a maioria (40,7%) atuam na profissão a menos de 5 anos, 27,8% entre 6 e 10 anos, 13% estão trabalhando nessa profissão entre 11 e 15 anos, 5,6% entre 16 e 20 anos, e 13% a mais de 20 anos. A partir da análise dos dados, constata-se que um expressivo percentual está atuando na profissão a mais de 11 anos (13%+5,6%+13%=31,6%).

Quanto a renda dos indivíduos da amostra pesquisada, considera-se o salário mínimo mensal no valor de R$ 880,00 (oitocentos e oitenta reais) de 2016; a tabela 1 indica que a maioria, 57,4% recebem até 2 salários mínimos, 31,5% tem rendimentos entre 3 e 4 salários mínimos, 3,7% ganham entre 5 e 6 salários mínimos, 7,4% possuem rendimentos superiores a 7 salários mínimos.

Analisa-se também a percepção de saúde por parte dos sujeitos participantes da amostra, sendo que os resultados alcançados estão expressos na tabela 2.

Tabela 2: Percepção de Saúde dos sujeitos da amostra

Percepção de Saúde Total

Variáveis f f% Excelente 10 18,5 Muito Boa 15 27,8 Boa 24 44,4 Regular 5 9,3 Ruim 0 0,0 Total 54 100,0

Observando as informações expressas na tabela 2, constata-se que a percepção de saúde por parte dos sujeitos da amostra é em sua maioria considerada Boa (44,4%), sendo que 18,5% indicaram Excelente, e 27,8% Muito Boa; e somente 9,3% tem a percepção de saúde como Regular. Sobre a importância de se pesquisar sobre a percepção de saúde dos sujeitos, o Ministério da Saúde brasileiro explica que “há uma necessidade constante e sem fim de gerar novas informações e desenvolver maneiras melhores, e mais efetivas, de proteger e promover a saúde e de reduzir as doenças.” (BRASIL, 2007, p. 8).

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Sobre os fatores que influenciam na saúde, Câmara et al. (2012) citam o Relatório Mundial de Saúde (2003), de acordo com o qual, dentre os seis principais fatores que implicam em risco para o desenvolvimento de doenças ou ainda o agravo das não transmissíveis, percebe-se que cinco estão relacionados à alimentação e à atividade física, e menciona “hipertensão arterial, hipercolesterolemia, baixo consumo de frutas e vegetais, excesso de peso corporal e atividade física insuficiente.” (RELATÓRIO MUNDIAL DE SAÚDE, 2003 apud CÂMARA et al., 2012, p. 41).

Já Acioli et al. (2013), explicam que a saúde, assim como o estilo de vida, sofrem influência de vários fatores, como da prática de atividade física, por exemplo:

A QV e a atividade física (AF) estão inter-relacionadas, de modo que a prática regular de atividade física acarreta em ganhos na saúde, melhorando a QV do indivíduo. Pessoas fisicamente ativas apresentam maior vigor e vontade de realizar suas atividades diárias e profissionais, além de demonstrar maior energia e menor cansaço, e um melhor nível cognitivo, colaborando para a melhora das relações interpessoais, tais como familiar e socialização no trabalho. (ACIOLI et al., 2013, p. 712).

Desta forma, levando em conta que a qualidade de vida está relacionada ao estilo de vida que os indivíduos tem, e que este é construído com base em diferentes e múltiplas variáveis, este estudo procura analisar qual o posicionamento da amostra pesquisada no que se refere aos cinco componentes definidos por Nahas; Barros e Francalacci (2000) como os formadores do pentáculo do bem-estar. Os resultados obtidos estão expressos na tabela 3.

Tabela 3: Perfil do Estilo de Vida dos sujeitos da amostra

Perfil do Estilo de Vida Positiva Negativa Total

Variáveis f f% f f% f f% Nutrição 24 44,5 30 55,5 54 100,0 Atividade Física 32 59,3 22 40,7 54 100,0 Comportamento Preventivo 43 79,6 11 20,4 54 100,0 Relacionamento Social 44 81,5 10 18,5 54 100,0 Controle do Estresse 33 61,1 21 38,9 54 100,0 Total 54 100,0

A tabela 3 apresenta o posicionamento da amostra, positivo ou negativo, frente a cada um dos componentes formadores do estilo de vida. Observa-se que somente o componente nutrição apresentou percentual negativo (55,5%) maior que o positivo

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(44,5%), o que indica que os indivíduos desta amostra, em sua maioria, possuem hábitos alimentares inadequados ao que se considera como sendo o ideal para um bom estilo de vida.

Sobre o papel da alimentação no estilo de vida, Castro expressa que esta é importante não só para a promoção, como também para a manutenção da saúde; representando um elemento estratégico para a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis, apresentando variação de acordo “com gênero, faixa etária, renda, cultura e escolaridade entre outros fatores.” (CASTRO, 2012, p. 28).

No que se refere ao componente atividade física, constata-se que mais da metade dos indivíduos da amostra (59,3%) tem percepção positiva sobre essa prática, o que remete a boa percepção destes sujeitos com relação à saúde, pois, sobre a importância da prática de atividades física, Acioli et al., expressam que manter um estilo de vida saudável associado ao incremento da prática de atividades físicas, tanto no que se refere ao lazer, como nas atividades domésticas, ou ainda na locomoção e até mesmo no local de trabalho, “podem ser consideradas estratégias importantes para a melhora dos indicadores de saúde e QV.” (ACIOLI et al., 2013, p. 712).

Quanto ao componente comportamento preventivo, a expressiva maioria da amostra (79,6%) indica práticas positivas quanto a esta variável, o que também reforça a questão da boa saúde encontrada na tabela 2, já que o comportamento preventivo está diretamente relacionado à saúde, já que dentre as questões que envolve está o controle de pressão arterial e colesterol, evitar o uso de fumo e bebidas alcoólicas.

A tabela 3 indica que 81,5% dos pesquisados tem percepção positiva para o componente Relacionamento Social. Este alto percentual indica a grande importância que os sujeitos da amostra dão para as atividades que envolvem amigos. Quando se trata de Relacionamento Social, Dellani; Botton; Costa e Matuschak (2014, p. 7) afirma enfaticamente que a vida do ser humano é construída nos relacionamentos. Em função disso, é muito importante, estar de bem consigo mesmo, sentindo-se bem e cultivando os relacionamentos adquiridos ao longo da vida, de modo a viver com qualidade de fato. Seguem explicando que: “Está relacionado à capacidade que o indivíduo tem de identificar e controlar os riscos presentes numa atividade, de forma a reduzir a probabilidade de ocorrências indesejadas, para si e para os outros.” (DELLANI; BOTTON; COSTA; MATUSCHAK, 2014, p. 7).

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Destaca-se também, que em relação ao controle do estresse, os resultados positivos (61,1%) são superiores ao negativo (38,9%), o que indica que a amostra tem lidado de modo satisfatório com as situações de estresse do cotidiano, evitando assim que estas interfiram no seu estilo de vida. Cabe mencionar que a administração inadequada do estresse, inclusive por profissionais da área da saúde, como é o caso desta amostra, pode repercutir diretamente em suas atividades. Neste sentido, Oliveira e Cunha (2014) citam Santos et al. (2011, p. 182) os quais afirmam que profissionais da área de saúde, inclusive os médicos, apresentam diminuição na capacidade de produção, realizando atividades com menor precisão, além de apresentar aumento no absenteísmo, adoecimento frequente, e situações de tensão e cansaço no trabalho. “E estão ansiosos e depressivos, com atenção dispersa, desmotivados e com baixa realização pessoal devido ao alto grau de estresse em suas atividades.” (OLIVEIRA; CUNHA, 2014, p. 81).

A partir da análise realizada sobre a percepção da saúde e do estilo de vida dos sujeitos, com base nos resultados obtidos, desenvolveu-se uma análise dos cinco componentes citados por Nahas; Barros e Francalacci (2000), como influenciadores do estilo de vida, frente às variáveis norteadoras desta pesquisa. A primeira variável a ser analisada foi a saúde, sendo que as análises encontram-se expressas nas tabelas 4, 5, 6, 7 e 8.

Tabela 4: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Nutrição

Saúde Nutrição

Positiva Negativa Total

Variáveis f f% f f% f f% Valor p Excelente 3 5,5 7 13,0 10 18,5 ,709 Muito Boa 7 13,0 8 14,8 15 27,8 Boa 11 20,4 13 24,1 24 44,4 Regular 3 5,5 2 3,7 5 9,3 Ruim 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 24 44,5 30 55,5 54 100,0

Na análise da tabela 4, não se observa associação estatística significativa (p>0,05) entre a saúde e o componente Nutrição dos pesquisados. Observa-se que a maioria dos pesquisados, referiu sua saúde como boa (44,4%), mesmo com alto percentual de hábitos nutricionais negativos (24,1%), já por outro lado, daqueles que

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indicaram saúde regular (9,3%), a maioria (5,5%) apresenta hábitos nutricionais positivos.

Neste sentido, Castro (2012, p. 15) explica que “a análise do padrão alimentar continua sendo a chave para desvendar relações entre a saúde humana e a alimentação”. Mas afirma que esta análise precisa ainda “levar em consideração a complexidade da alimentação e a relação entre os padrões de consumo, fatores ambientais e comportamentais”.

Em função disso, o mesmo autor acima citado, em seu estudo analisou outros aspectos comportamentais, como a prática de atividades físicas, comportamentos preventivos, relacionamentos sociais, profissão desempenhada, dentre outros aspectos, buscando identificar a relação destes elementos com a saúde dos indivíduos pesquisados (CASTRO, 2012).

Tabela 5: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Atividade física

Saúde Atividade Física

Positiva Negativa Total

Variáveis f f% f f% f f% Valor p Excelente 5 9,3 5 9,3 10 18,5 ,772 Muito Boa 8 14,8 7 13,0 15 27,8 Boa 16 29,6 8 14,8 24 44,4 Regular 3 5,5 2 3,7 5 9,3 Ruim 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 32 59,2 22 40,8 54 100,0

Considerando os dados expressos na tabela 5, não se observa associação estatística significativa (p>0,05) entre a Saúde e Atividade Física. Porém, identifica-se que dentre os que tem Comportamento Positivo em relação à Atividade Física, relataram sua Saúde como Excelente, Muito boa e Boa (53,7%). Já os que relataram Comportamento Negativo em relação a Prática de Atividade Física e Saúde com grande percentual (37,1%) também relatou Saúde como, Excelente, Muito Boa e Boa, ficando um percentual baixo de sujeitos com comportamentos tanto positivo quanto negativo no Componente Atividade Física com Saúde Regular.

Sobre este aspecto, Stein remete que:

Existem evidências de que ao exercitar-se o indivíduo assume uma postura positiva em relação a outros fatores de risco, procurando assumir um hábito de vida mais saudável. Logo, ao engajar-se em um programa de atividade

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física, exercitando-se de forma regular, o praticante passa a dispor de um aliado. Isso pode ser mencionado, uma vez que existe uma relação inversa entre a prática de exercícios físicos e diferentes hábitos não recomendáveis em se tratando de saúde. (1999, p.147).

Assumpção; Morais e Fontoura (2002) citam Matsudo e Matsudo (2000) os quais afirmam que dentre os principais benefícios que a prática de atividade física proporciona à saúde referem-se aos aspectos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos. Isso porque, de acordo com esses autores, os efeitos metabólicos são,

[...] o aumento do volume sistólico; o aumento da potência aeróbica; o aumento da ventilação pulmonar; a melhora do perfil lipídico; a diminuição da pressão arterial; a melhora da sensibilidade à insulina e a diminuição da frequência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo. Com relação aos efeitos antropométricos e neuromusculares ocorre, segundo os autores, a diminuição da gordura corporal, o incremento da força e da massa muscular, da densidade óssea e da flexibilidade. (ASSUMPÇÃO; MORAIS; FONTOURA, 2002, s/p).

Isso é reforçado por Stein, o qual afirma que a prática de exercícios físicos regular é tratada por muitos pesquisadores como sendo capaz de ter impacto significativo sobre a prevenção e/ou controle das diferentes doenças, como o controle da hipertensão arterial sistêmica, da diabetes mellitus não insulinodependente, dislipidemia, obesidade, osteoporose, asma brônquica e outras doenças pulmonares, agindo ainda na redução dos sintomas depressivos e de ansiedade (STEIN, 1999).

Tabela 6: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Comportamento Preventivo

Saúde Comportamento Preventivo Positiva Negativa Total

Variáveis f f% f f% f f% Valor p Excelente 7 13,0 3 3,3 10 18,5 ,490 Muito Boa 11 20,4 4 7,4 15 27,8 Boa 20 37,0 4 7,4 24 44,4 Regular 5 9,3 0 0,0 5 9,3 Ruim 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 43 79,7 11 18,1 54 100,0

Considerando os dados expressos na tabela 6, não se observa associação estatística significativa (p>0,05) entre a saúde e comportamento preventivo. Observa-se maiores percentuais de ações positivas de comportamento preventivo entre os

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pesquisados que indicaram saúde excelente, muito boa, boa e regular, o que indica a preocupação dos indivíduos que compõem esta amostra no sentido de manter hábitos voltados à prevenção de doenças.

Essas ações preventivas podem estar relacionadas às práticas alimentares adequadas, bem como a realização habitual de atividades físicas.

Sobre a alimentação enquanto fator de prevenção, Castro (2012, p. 76) refere que “a alimentação é essencial à vida e fator importante na promoção e manutenção da saúde, ocupando uma posição estratégica de prevenção das doenças crônicas não transmissíveis.”

Já sobre as atividades físicas, Assumpção; Morais e Fontoura (2002) citam Matsudo e Matsudo (1999, 2000), os quais “reiteram a prescrição de atividade física enquanto fator de prevenção de doença e melhoria da qualidade de vida. ”

Tabela 7: Saúde dos sujeitos da amostra associado ao Componente Relacionamento Social

Saúde Relacionamento Social Positiva Negativa Total

Variáveis f f% f f% f f% Valor p Excelente 9 16,6 1 1,8 10 18,5 ,501 Muito Boa 11 20,4 4 7,4 15 27,8 Boa 19 35,2 5 9,3 24 44,4 Regular 5 9,3 0 0 5 9,3 Ruim 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 44 81,5 10 18,5 54 100,0

Analisando a tabela 7, não se observa associação estatística significativa (p>0,05) entre a saúde e relacionamento social dos pesquisados. A maioria dos pesquisados, 44,4% apresenta saúde “boa”, e expressam o relacionamento social positivamente (35,2%). Destacando-se que todos os que indicaram a saúde regular (9,3%), apresentam relacionamento social positivo.

No artigo publicado por Dellani; Botton; Costa e Matuschak (2014), os autores destacam que a vida do ser humano é envolta e composta por relacionamentos, o que indica a necessidade de se estar de bem consigo, sentindo-se bem e cultivando os relacionamentos adquiridos ao longo da vida, para que se viva com qualidade. Os autores mencionam a característica que permeia os relacionamentos do mundo atual, onde o meio virtual tem substituído intensamente o real.

Referências

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