ADRIANE DAIANE DESSBESELL LANGER
A LINGUAGEM MUSICAL E A FORMAÇÃO DO EDUCANDO
Ijuí (RS) 2013
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ADRIANE DAIANE DESSBESEL LANGER
A LINGUAGEM MUSICAL E A FORMAÇÃO DO EDUCANDO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao curso de Pedagogia, do Departamento de Humanidades e Educação (DHE), da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (UNIJUI), como requisito parcial á obtenção do Grau de Licenciatura em Pedagogia.
Orientadora: Profª Letícia Buchmann
Ijuí (RS) 2013
Dedico este trabalho, a minha família que sempre me auxiliou sem medir esforços, ao meu esposo que soube entender a minha ausência em alguns momentos! E principalmente a Deus por ter iluminado o meu caminho!
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AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por tudo o que ele tem feito em minha vida, por ter iluminado até aqui os meus passos, e ter me dado a oportunidade de estudar e me aperfeiçoar pedagogicamente.
Agradeço a minha família, em especial aos meus pais Élvio e Noeli, por ser o modelo de caráter e de força para buscar a realização dos meus sonhos.
Ao meu esposo Marcos, que sempre esteve ao meu lado, pelas palavras de incentivo, pelo exemplo de determinação e amor incondicional.
A todas as minhas amigas e colegas, que conviveram comigo esses anos de estudos, pelas amizades, trocas de experiências, conversas e pelo apoio.
A minha querida orientadora, professora Letícia Buchmann, que aceitou o convite de ser minha orientadora, pela confiança, carinho e todas as palavras de incentivo.
Enfim, a todas as professoras do curso que sempre me auxiliaram e colaboraram para o meu crescimento pedagógico profissional e pessoal.
Esta monografia foi desenvolvida como trabalho de conclusão do Curso de Pedagogia da Unijuí. O presente trabalho explora o papel da música na formação das crianças no processo escolar, de como ela está sendo abordada em sala de aula pelos profissionais da educação. A questão de pesquisa buscou entender como a música pode ser trabalhada em sala de aula, de modo a auxiliar no processo de aprendizagem global do educando. O objetivo geral foi analisar uma prática pedagógica em música com foco na contribuição desta para a formação das crianças, como meio de representação do saber construído pela interação intelectual e afetiva da criança. O referencial teórico aborda, principalmente, as contribuições da música para o desenvolvimento das crianças. A abordagem metodológica adotada foi qualitativa, com realização de observação e entrevistas semiestruturadas com alunos e uma professora de uma escola da rede pública do município de Três Passos (RS). A análise de dados foi realizada a partir da organização dos dados em quatro categorias: (1) contextualização dos sujeitos da pesquisa, (2) concepção das crianças sobre a aula de música, (3) concepção da professora sobre a aula de música e (4) prática pedagógica em música. Os dados revelam que a professora reconhece a importância da prática musical procura proporcionar atividades para seus alunos e que as crianças gostam dos momentos musicais vivenciados. Este trabalho aponta para a necessidade de o professor manter a música no seu planejamento, para a importância de atualização nessa área.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 6
1 A MÚSICA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR... 8
1.1 História da educação musical: algumas considerações ... 8
1.2 O ensino de música na contemporaneidade ... 10
1.3 A importância da música no contexto escolar ... 11
2 CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICO-MUSICAIS NA ESCOLA ... 15
2.1 Caminhos da pesquisa ... 15
3 CONTEXTUALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA ... 16
3.1 Concepções das crianças sobre a aula de música ... 16
3.2 Concepções da professora sobre a aula de música... 17
3.3 Prática pedagógica em música ... 18
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 21
REFERÊNCIAS... 23
APÊNDICE ... 25
INTRODUÇÃO
Durante o meu processo formativo como docente considero que um dos campos de conhecimento que precisa ser mais explorado é a música, por entender sua abrangência e sua relevância no cotidiano das salas de aula da Educação Básica. A partir dessa área do conhecimento, as crianças podem desenvolver uma série de competências e habilidades musicais e extramusicais. A música no contexto escolar também tem como finalidade ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois pode auxiliar o indivíduo a ampliar seus referenciais perceptivos e a escutar de maneira mais ativa. Além disso, ela proporciona momentos de prazer, liberação de energias, momentos dinâmicos e lúdicos facilitando assim uma interação maior e a espontaneidade nas crianças, aumentando a prática musical expressiva e criativa.
A música possibilita uma diversidade de estímulos na criança, como a interatividade, a leitura, criatividade e a comunicação entre outros que ajudam no seu aprendizado, favorecendo o seu relacionamento. Mas para que esses estímulos ocorram, é necessário que a música esteja inserida de maneira consciente e planejada nas práticas do professor. E é neste momento que ela passa a imitar esses sons e depois a criar novos, desenvolvendo desta forma um aspecto importantíssimo para sua trajetória pessoal.
A expressão musical desempenha importante papel na vida recreativa de toda criança, ao mesmo tempo em que desenvolve sua criatividade, promove a autodisciplina e desperta a consciência rítmica e estética.
Por isso considero de suma importância que os educadores trabalhem a música na escola e em sala de aula, pois ela desenvolve competências e habilidades significativas na vida das crianças. Constituindo-se um subsídio importante no processo de ensino- aprendizagem, ela é um campo de conhecimento que precisa ser explorado nas instituições escolares.
Tendo em vista esses aspectos, este trabalho pretende responder como a música pode ser trabalhada em sala de aula, de modo a auxiliar no processo de aprendizagem global do educando. Como objetivo geral, pretende-se analisar uma prática pedagógica em música com foco na contribuição desta para a formação das crianças, como meio de representação do saber construído pela interação intelectual e afetiva da criança.
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Para isso, pretende-se estudar referenciais bibliográficos que tratem do tema, observar como as crianças reagem no contexto escolar no momento da vivência musical, bem como conhecer a importância e as contribuições da música na formação das crianças do ponto de vista da professora.
Esta pesquisa tem abordagem qualitativa e foi realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental José de Anchieta, com a professora e a turma do 2º ano. Como instrumento de coleta de dados foram utilizados a observação e duas entrevistas semiestruturadas, uma para a professora e outra para os alunos.
No primeiro capítulo do trabalho são apresentados os referenciais teóricos, abordando brevemente aspectos acerca da história da educação musical no Brasil de como era feita sua abordagem, relacionando com as funções sociais que a música desempenha na sociedade. Posteriormente é abordada a importância da música no contexto escolar, incluindo o conceito de musicalização a ser utilizado nesta pesquisa. No segundo capítulo, são descritos os encaminhamentos metodológicos, ou seja, a maneira que foi estruturada e desenvolvida a pesquisa e, também, os resultados da coleta e análise dos dados.
1 A MÚSICA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR
1.1 História da educação musical: algumas considerações
A trajetória da educação musical no Brasil é bastante singela. Efetivamente, apenas em poucos momentos ela teve papel representativo nas escolas nacionais. Autoras como Beyer (1993) e Fonterrada (1993) resgatam informações marcantes em relação ao tema que aqui serão apresentados.
Segundo as autoras, a educação musical no Brasil iniciou-se ligada à igreja, católica no trabalho dos Padres Jesuítas. Com a vinda da família real ao Brasil no ano de 1808, iniciou um processo de grandes transformações na cidade do Rio de Janeiro. D. João VI, incentivava o exercício das artes e assim a música teve incentivo. Ele criou a Capela Real com orquestra de grande número de músicos europeus. Dois compositores estrangeiros chamados de Marcos Portugal e Sigismund Neukman, que influenciaram na formação de músicos brasileiros (BEYER; 1993; FONTERRADA, 1993).
Nesta época a música era limitada à igreja, não haviam escolas de música e o ensino era feito por professores particulares contratados pelas famílias burguesas.
Somente no ano de 1854 foi instituído o ensino de música nas escolas brasileiras, através de um decreto que previa a prática musical em dois níveis: noções de música e exercícios de canto. Logo após ouve um outro decreto federal que fez referências ao ensino de elementos de música, o qual foi exigido Professor Especial de Música através do concurso público (BEYER, 1993; FONTERRADA, 1993).
Segundo Beyer (1993) e Fonterrada (1993), outra referência ao ensino de música nas escolas é encontrada somente na década de 1930, no período da Era Vargas. Nesse período foi implantado o programa denominado Canto Orfeônico, idealizado pelo compositor Heitor Villa-Lobos. Esse programa previa o ensino de música em todos os níveis de todas as escolas brasileiras baseado no estudo da teoria musical, do solfejo e canto de um repertório de música brasileira, incluindo os hinos e canções folclóricas. A educação musical era vista, principalmente, como um meio de estabilização do regime, contribuindo significativamente para os objetivos
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políticos como a formação de uma consciência nacional, ou seja, neste período ela era entendida e utilizada principalmente com a funcionalidade cívica e disciplinadora. Para Villa-Lobos (apud BEYER; 1993; FONTERRADA, 1993), o Brasil é originalmente musical, e precisava e precisa saborear a música. Ele foi muito importante para a educação musical por ter sido o criador do primeiro Curso Especializado de Música e Canto Orfeônico, por ele dirigido em 1932 e do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, em 1942.
Com o fim da ditadura, o programa de Villa-Lobos foi gradualmente deixando de ser utilizado. Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 5.692/71, converteu-se em Educação Artística, devendo abranger todas as manifestações artísticas e os professores, nos cursos de graduação, deveriam receber formação para o teatro, a música e as artes plásticas, com ênfase em uma das habilitações. Entretanto, ocorreu a prevalência das Artes Plásticas, consequentemente, excluindo a música dos currículos escolares por mais de duas décadas (BEYER, 1993; FONTERRADA, 1993).
Conforme Beyer (1993) e Fonterrada (1993), com a LBD 9.394/96 acontece novamente uma modificação na formação de professores de artes, sendo que estes voltam a formar-se especificamente nas áreas de sua opção: Música, Teatro, Artes Plásticas e, agora também, a Dança. Uma das finalidades dessa alteração foi modificar o panorama de hegemonia das Artes Plásticas, o que, no entanto, pouco se alterou.
Nos anos 2000, a Associação Brasileira de Educação Musical iniciou um amplo movimento para garantir o ensino de Música nas escolas. Finalmente em 2008, aprovado pela Lei Ordinária 11.769/2008, o ensino da música passa a ser obrigatório nas escolas do Brasil. Passa a consta na LDB 9.394/96, no Art. 26 § 6º, que os currículos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem contemplar a música como conteúdo obrigatório, porém não exclusivo do componente curricular Artes (BEYER, 1993; FONTERRADA, 1993).
As escolas teriam três anos para se adaptar à alteração e, passado esse tempo, é possível começar a verificar o que mudou e o que ainda precisa ser construído em relação à inserção da música no currículo escolar, destacam Beyer (1993) e Fonterrada (1993).
1.2 O ensino de música na contemporaneidade
Nesse ponto, cabe salientar que a música pode exercer inúmeras funções na sociedade e, consequentemente, nas escolas. Merriam (apud MAFFIOLETTI, 1993) descreve 10 funções que a música pode desempenhar na sociedade. Dentre estas, destaco quatro que podem ser relevantes no contexto escolar:
Expressão emocional: a qual se refere como uma expressão de sentimentos, liberação de ideias, expressões e sentimentos não revelados no discurso comum,
Divertimento: presente em praticamente todas as culturas;
Comunicação: que se refere ao fato de que ela comunica algo, uma qualidade importante, que precisa ser desenvolvida nos alunos;
Reação física: está relacionada ao fato de que a música proporciona estímulos ao movimento corporal que pode ser observado mesmo em crianças bem pequenas.
Nesta lista, ainda é possível acrescentar outra função que é a de proporcionar conhecimentos teóricos e práticos específicos do campo musical. Esse é um aspecto que tem sido abordado pelas correntes contemporâneas da Educação Musical. Educadores e pesquisadores como o inglês Swanwick (2003) tem se dedicado na divulgação de um modelo de ensino de música que contempla uma série de atividades com vistas a tornar a aprendizagem nessa área mais completa e significativa.
A proposta de Swanwick (2003), que no Brasil é denominada Modelo (T)EC(L)A, sugere a realização de trabalhos de composição, execução e apreciação, aliados aos trabalho de técnica e literatura. A seguir serão descritos cada um desses eixos:
Técnica: refere-se ao estudo da técnica de um instrumento ou mesmo de notação musical;
Execução: envolve as formas de comunicação do conteúdo musical para um público, podendo na forma de prática vocal, corporal, instrumental, entre outras;
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Composição: diz respeito à formulação de ideias musicais, ou seja, à elaboração de um objeto musical, que pode ser por meio de improvisação, arranjo ou criação;
Literatura: relaciona-se a todo tipo de estudo de elementos sobre a música como as características dos períodos da história da música, a vida de um determinado compositor, entre outros;
Apreciação: trata da escuta ativa de uma obra.
Destes cinco eixos, a Composição, a Execução e a Apreciação são atividades com enfoque no fazer musical, enquanto Técnica e a Literatura abordam questões mais teóricas. Por esse modelo o objetivo é obter um equilíbrio no desenvolvimento das atividades, mesclando o fazer musical propriamente dito com o estudo de questões teóricas - como a vida de um compositor ou a história da música, por exemplo – e não apenas utilizando uma em detrimento de outra.
Numa perspectiva contemporânea, um dos termos utilizados para tratar do processo de aprendizagem inicial da música é “musicalização”. Penna (2010, p. 49) descreve a musicalização
como um processo educacional orientado que, visando promover uma participação mais ampla na cultura socialmente produzida, efetua o desenvolvimento dos esquemas de percepção, expressão e pensamento necessários à apreensão da linguagem musical, de modo que o indivíduo se torne capaz de apropriar-se criticamente das várias manifestações musicais disponíveis em seu ambiente.
Para a autora, a musicalização deve considerar a música como “o material para um processo educativo e formativo mais amplo, dirigido para o pleno desenvolvimento do indivíduo, como sujeito social (PENNA, 2010).
1.3 A importância da música no contexto escolar
A música é muito importante para todo o ser humano, e para as crianças de uma forma especial, pois possibilita a elas momentos de vivências tanto na sala de aula como na instituição escolar. Ela colabora de uma forma especial também na aprendizagem dos educandos, pois o seu trabalho com ela pode desenvolver a escuta ativa.
Inserida no contexto escolar, a música é uma importante ferramenta, pois vem ao encontro das crianças por estabelecer momentos dinâmicos e práticos, que enriquecem as ações de aprendizagem das crianças, como também a proposta curricular do professor e da instituição escolar.
As atividades musicais contribuem para que o indivíduo aprenda a viver em sociedade, abrangendo aspectos comportamentais como disciplina, respeito, e aspectos didáticos com a formação de hábitos específicos.
A expressão musical desempenha importante papel na vida da criança, ao mesmo tempo em que desenvolve sua criatividade, promove a autodisciplina e desperta a consciência rítmica e estética. A educação pela música proporciona uma educação profunda e total.
Conforme Faria (2001, p. 24),
A música como sempre esteve presente na vida dos seres humanos, ela também sempre está presente na escola para dar vida ao ambiente escolar e favorecer a socialização dos alunos, além de despertar neles o senso de criação e recreação.
A escola, enquanto espaço institucional para partilha de conhecimentos socialmente construídos, pode se ocupar em promover a aproximação das crianças com outras propriedades da música para além daquelas reconhecidas por elas na sua relação espontânea com a mesma.
A música na vida do ser humano é tão importante como real e concreta, por ser um elemento que auxilia no bem estar das pessoas. No contexto escolar, a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois ensina o indivíduo a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida, gerando emoções, e liberando energias.
Nesse viés, para que a música faça a diferença no desenvolvimento das crianças, não basta simplesmente ouvir música o dia todo no rádio ou na TV. A música precisa passar pela ação vivenciada e refletida pela própria criança para que se torne parte do seu conhecimento. Então quando a criança canta uma música, ela está utilizando a linguagem verbal para representar modos próprios de perceber e assimilar o ambiente ao seu redor. Podemos considerar as canções como veículos
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de emoções e sentimentos, e podem fazer com que a criança reconheça nela o seu próprio sentir.
A música vem a enriquecer muito a nossa vida também por ser algo que nos proporciona emoção quando a praticamos, pode ser: ouvindo, tocando, dançando ou cantando. O importante é que ela nos dá maior liberdade e maior espontaneidade, especialmente se ela for orientada e explorada de forma expressiva e criativa.
Para Gainza (1988, p. 140), “A música é um elemento de fundamental importância, pois movimenta, mobiliza e por isso contribui para a transformação e o desenvolvimento”. Assim, podemos compreender que a música tem como função atingir o ser humano em sua totalidade.
A linguagem musical está presente em todos os momentos da vida e atua como um elo entre as gerações de uma mesma família e entre membros da comunidade. A influência da música sobre o organismo humano se traduz por efeitos sensitivos e motores, cuja intensidade varia segundo as diferenças individuais de personalidade, a qual é construída e formada na infância. Portanto, para Howard (1984, p. 45),
Ouvir, escutar a música não basta, evidentemente, para despertar o senso musical. É preciso que ao menos uma vez a música e o ato de fazê-la tenham suscitado forte emoção psíquica, uma tensão motora decisiva em todo ser. E a condição necessária para tanto é precisamente fazer música. Entendemos por fazer música, uma atividade interior dirigida nesse sentido.
Sendo assim, as atividades de musicalização e a linguagem musical na formação das crianças no processo escolar servem como estímulo à realização e controle de movimentos específicos, contribuindo na organização do pensamento. Por outro lado, as atividades em grupo favorecem a cooperação e a comunicação. Desta forma, a música contribui também com o professor, por ser um campo de conhecimento que possibilita tornar as aulas não apenas teóricas, mas aliando com a prática.
Como mediador desse trabalho, o professor possui este grande subsídio para sua prática pedagógica, que hoje é pouco usada por eles por uma série de fatores. De acordo com Spanavello e Bellochio (2005, p. 92), muitos professores “sentem-se inseguros e desprovidos de saberes docentes para desenvolver um trabalho musical mais aprofundado, devido às falhas curriculares da formação inicial”. Além disso,
outra parcela desses profissionais acaba se acomodando e deixando de lado disciplinas importantes que formam o caráter dos alunos, e a música é uma delas.
Vejo que os professores precisam estar em busca de uma formação continuada, estar sempre buscando se aperfeiçoar, fazer as suas aulas atrativas, estar em busca de coisas novas, para que os alunos possam vir para a escola e ser motivados pelos educadores a sentir cada vez mais o desejo de estar ali, e de aprender.
Acredita-se que a música é importante para as crianças por estabelecer uma interlocução, ou seja, por proporcionar grandes vivências, seja no ambiente escolar como no familiar, por isso precisamos continuar sendo incentivadores da música para nossas crianças, fazendo com que a mesma faça parte da rotina dos indivíduos.
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2 CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICO-MUSICAIS NA ESCOLA
2.1 Caminhos da pesquisa
Esta pesquisa foi realizada sob uma abordagem qualitativa e investigou o planejamento e a prática pedagógica em música em uma escola estadual de Ensino Fundamental situada no município de Três Passos (RS). Os sujeitos da pesquisa foram os alunos e a professora unidocente de uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental. A coleta de dados incluiu a observação de uma prática musical em sala de aula, uma entrevista semiestruturada com a turma e uma entrevista semiestruturada para a professora.
A observação teve a finalidade de verificar as reações dos alunos no momento da prática musical, suas reações e seu envolvimento. A entrevista com a turma foi realizada com a intenção de conhecer as concepções dos alunos sobre as atividades musicais desenvolvidas.
A entrevista semiestruturada foi elaborada para a professora com questões referentes ao trabalho musical desenvolvido em sala de aula – planejamento, atividades, repertório, às concepções que ela tem em relação ao trabalho musical, sua importância na educação das crianças.
Os dados foram organizados nas seguintes categorias de análise:
Contextualização dos sujeitos da pesquisa
Concepção das crianças sobre a aula de música
Concepção da professora sobre a aula de música
Prática pedagógica em música.
3 CONTEXTUALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA
A turma investigada é composta por 11 alunos, com faixa etária de 7 a 8 anos de idade, estudam durante a tarde, no horário das 13h30min às 17h30min. A escola situa-se na zona rural e atende um total de 150 alunos, entre os níveis de 1º ano a 9º ano.
A formação da professora entrevista inclui o Magistério e a Graduação em Pedagogia pelo Pólo Universitário de Três Passos, da Universidade Federal de Santa Maria modalidade (EAD). Sobre seu conhecimento musical, ela revela que seu embasamento teórico e prático é oriundo do magistério e também da graduação, onde cursou componentes curriculares específicos.
Além disso, ela também trabalha com música na Igreja onde atua, tocando violão e ministrando aulas de vocal. Revela que sempre está em busca do aperfeiçoamento nesta área e busca transmitir aos seus alunos a importância da música e o desejo de aprender mais como sendo uma maneira lúdica de ensinar.
3.1 Concepções das crianças sobre a aula de música
Na observação realizada com as crianças, a primeira percepção que se tem é que elas gostam de música e que sempre estão dispostas a realizar as atividades propostas pela professora. Percebi que o momento musical é significativo para eles, pois é quando se liberam, demonstrando, pela troca de vivências e pelas atitudes, que sentem prazer em aprender mais da música, especialmente por envolver expressão corporal.
Dentre as atividades musicais que eles apresentam maior interesse destaca-se a criação de músicas, na qual eles podem usar a sua criatividade. Também gostam de cantar com a realização de gestos. As crianças mencionaram ainda, que gostariam que houvesse mais aulas de músicas, pois é um momento bom, que eles se divertem bastante.
Desta forma, ao explanar sobre o trabalho da pesquisadora Brito (s.d., s.p.), o blog “A Música e a Criança” enfatiza que:
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A educação musical deve priorizar a criação, a experimentação, a escuta criativa, crítica e transformadora, a diversidade da música de outros lugares e povos, as paisagens sonoras, o canto, a dança, o improviso e a produção de material sonoro.
Esses são alguns pontos importantes que a educação musical deve possibilitar para as crianças, pois são qualificações significativas que colaboram no aprendizado dos mesmos.
Foi possível perceber que, nestes momentos musicais, as crianças se liberam, ou seja, compartilham assuntos, e que interagem uns com os outros, inclusive, muitas vezes, com aquele colega que não é tão próximo. Desta forma, entende-se que a musical é importante para todos os indivíduos.
De acordo com Brito (2010, p. 91),
[...] o fazer musical é um modo de resistência, de reinvenção (questões caras ao humano, mas ainda pouco valorizadas no espaço escolar) que, ao mesmo tempo, fortalece o estar juntos, o pertencimento a um grupo, a uma cultura. O viver (e conviver) na escola - espaço de trocas, de vivências e construção de saberes, de ampliação da consciência - deve, obviamente, abarcar todas as dimensões que nos constituem, incluindo a dimensão estética.
Portanto, através do lado lúdico e exploração da expressão corporal a criança tem a oportunidade de aprender a conviver com o seu semelhante e desenvolver saberes necessários para sua vida.
3.2 Concepções da professora sobre a aula de música
Para contextualizar a prática pedagógica, será apresentada a concepção da professora sobre a aula de música e sua importância no desenvolvimento das crianças. Inicialmente, cabe salientar que a entrevista realizada revelou que a gosta de ser educadora, e que não está ali por obrigação, mas sim porque se satisfaz no que faz, e que busca trabalhar a teoria aliando à prática para um melhor proveito do aprendizado dos seus alunos.
Para ela, a música é um dos meios de expressão de ideias, sentimentos e também uma forma de linguagem muito apreciada por todos, por isso destaca-se no desenvolvimento do caráter das crianças. Segundo ela, a música também é importante na formação das crianças por desenvolver a mente, promover o
equilíbrio, facilitando desta forma a concentração e o desenvolvimento do raciocínio, envolvendo a criança, ampliando as suas competências e habilidades e a interação de umas com as outras.
Para Bréscia (2003, p. 81), “[...] o aprendizado de música, além de favorecer o desenvolvimento afetivo da criança, amplia a atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e contribui para integrar socialmente o indivíduo”. Sendo assim, pode-se dizer que a música contribui muito com os alunos, por ser uma forma dinâmica de ensinar e aprender, favorecendo o desenvolvimento aceitável de aprendizagem dos alunos, ampliando a sua criatividade, e ludicidade.
Segundo Ongaro e Silva (2006, p. 2), a música desenvolve muitas competências, nas crianças, que são indispensáveis no contexto escolar:
A expressão musical desempenha importante papel na vida recreativa de toda criança, ao mesmo tempo em que desenvolve sua criatividade, promove autodisciplina e desperta a consciência rítmica e estética. A música também cria um terreno favorável para a imaginação quando desperta as faculdades criadoras de cada um. A educação pela música proporciona uma educação profunda e total.
Portanto, o professor possui uma grande tarefa que é de ser o mediador do processo educativo, buscando se aperfeiçoar constantemente, sendo um profissional reflexivo e inovador. O professor também tem o desafio de respeitar a forma espontânea de como a criança se expressa musicalmente, fazendo algumas vezes intervenções para que a criança possa descobrir e construir o seu conhecimento musical.
3.3 Prática pedagógica em música
A professora revela que busca trazer para as aulas músicas bem dinâmicas que mobilizam toda a turma, com a utilização de gestos, explorando aspectos lúdicos e criativos. Mencionou ainda, que procura trabalhar a música todos os dias, primeiramente passando a letra das canções no quadro e depois que todos copiaram em seu caderno, ela orienta os alunos a cantar. Usa a estratégia de cantar mais de uma vez, para facilitar a memorização da música e também utiliza como recurso o gesto, desenvolvendo a expressão.
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Quando questionada sobre os trabalhos interdisciplinares, ela destacou que procura realizar em todos os conteúdos abordados, e que seu repertório vai ao encontro dos assuntos e interesses dos seus alunos, ou seja, as músicas que falam de animais, natureza, com utilização de gestos e movimento.
Conforme Barreto (2000, p. 45),
Ligar a música e o movimento, utilizando a dança ou a expressão corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação difícil na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora, debilidade psicomotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso é tão importante a escola se tornar um ambiente alegre, favorável ao desenvolvimento.
Desta forma, a escola (e a sala de aula) precisa apresentar um ambiente motivador e alegre, conforme menciona o autor, pois isto colabora no aprendizado do aluno, sendo um espaço de aprendizagens e troca de vivências. A música, como componente curricular, tem um papel importante na vida dos alunos, por desenvolver competências e habilidades, além de proporcionar aulas diversificadas e alegres.
Sobre a utilização de referenciais teóricos, a professora revela que procura se aprofundar e buscar conhecimentos nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental. A partir destes, realiza atividades musicais, voltadas para a comunicação, expressão, desenvolvendo a sensibilidade, a criatividade e a interpretação. Em suas aulas procura trabalhar também com os conteúdos relacionados à composição, onde o aluno é desafiado a elaborar sua música, como por exemplo, em forma de paródia, além da criação de novas músicas. As produções são posteriormente compartilhadas com o restante da turma. Explora também a improvisação, para o aluno usar sua criatividade e desenvolver suas competências e habilidades. Além disso, possibilita espaços para a interpretação, desenvolvendo no aluno a aprendizagem da recriação de novas músicas.
Em relação ao repertório, utiliza músicas com letras que falem de animais, algumas religiosas e, também, desenvolvendo os valores, para a contribuição da formação do caráter dos alunos. Alguns exemplos citados foram:
A formiguinha
Se eu fosse um elefante
Jesus é meu1
Acredita-se que cada professor deva buscar uma formação continuada a nível de educação musical, procurar inovar nas aulas, ser um diferencial na vida dos alunos, transmitir para eles o desejo de aprender mais, enfim, ser um motivador do ensino da música.
Cabe salientar que, considerando a música como possuidora de conteúdos específicos (como os parâmetros do som – intensidade, altura, duração e timbre -, elementos da música – melodia, ritmo, harmonia – dentre outros), a exploração da música em sala de aula deve ir além da realização de atividades que utilizem a música como ferramenta ou apoio para a constituição de conhecimentos de outras áreas. O trabalho musical deve incluir a construção de conhecimentos em música e não apenas utiliza-se da música para finalidades diversas como exploração da letra, da atenção e da criatividade. Esses são elementos importantes, mas não se pode perder de vista o trabalho musical propriamente dito.
Para um trabalho integral em Música, coerente com o que se pesquisa na área, o professor deve, por exemplo, incluir em suas aulas atividades com instrumentos musicais (confecção e exploração sonora dos mesmos), além de trabalhar a apreciação musical, a interpretação pelo ouvir, o envolvimento pela música, bem como a compreensão da linguagem musical.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considero que foi bem relevante ter realizado este trabalho de conclusão de curso, aprendi bastante, através da pesquisa bibliográfica, da observação e das entrevistas na escola, tudo colaborou para um maior aprendizado em relação à música e à docência.
A partir da prática analisada, confirmei minha hipótese sobre importância do ensino de música para o aluno, e para o professor também, pois ao mesmo tempo em que ensina, ele também aprende. E ela também se destaca por ser uma linguagem, repleta de conhecimentos específicos e significados e não apenas uma forma de entretenimento.
Compreendo que para o professor realmente ser um diferencial em sala de aula, precisa buscar atividades complementares, formação continuada que colaborem teoricamente para o aprendizado pessoal e profissional do professor e que irão repercutir no aluno.
Nesta pesquisa pôde-se perceber que a professora entrevistada, é uma profissional competente, que se destaca por ter sua metodologia de ensino que procura utilizar tanto a teoria quanto a prática. É importante que os professores busquem materiais atualizados para sua fundamentação teórica. Nesse sentido, cabe salientar que, além dos Parâmetros Curriculares Nacionais (citados como referencial da profissional investigada), existem muitos artigos, livros e pesquisas no campo da música e da educação musical, produzidos por profissionais da área que tratam de aspectos teóricos e práticos deste componente. Como exemplos podemos citar Brito (2003), Beyer (1993), Fonterrada (1993), França (2009), Frank (2011), Freire (2001), Gainza (1988), Spanavello e Bellochio (2005), Swanwick (2003).
Como educadora, afirmo a importância do trabalho musical para a prática pedagógica do professor, em geral e para o unidocente, em especial. Ele precisa ter em seu planejamento a música, que é um amplo campo de conhecimentos que contribui bastante no aprendizado dos alunos, desenvolvendo muitas competências e habilidades, além de colaborar na formação do caráter dos mesmos.
Desta forma, defendo que a música em sala de aula é um componente que contribui com alunos e professores, isto porque a partir dela, o educador pode realizar aulas, mais práticas, dinâmicas e criativas, desenvolvendo mais o interesse
dos alunos em aprender, fortalecendo o seu plano de aula. Para o aluno, o trabalho musical representa a oportunidade de acesso a outro campo de conhecimentos, tão importante quanto os demais.
Para que possa realizar um trabalho consistente em música, percebo o professor precisa buscar uma formação continuada, não deve se acomodar, mas sim procurando sempre mais conhecimentos. Precisa ser um indivíduo reflexivo, aberto a novas ideias e opiniões, buscando fazer as suas aulas da melhor maneira possível, onde perceba que seus alunos vêm para a escola com ânimo e desejo de aprender mais.
Portanto, o professor tem um grande desafio em suas mãos, que é levar o ensino para as crianças, unindo teoria e prática, sendo um educador inovador, com atividades atrativas aos seus alunos, tornando o ambiente escolar e da sala de aula um momento prazeroso de grandes vivências e experiências.
A educação musical é um direito de todos os alunos, assim como eles tem direito ao acesso a outras áreas do conhecimento, desta forma, cabe também às instituições escolares ter o ensino de música especificado em seu PPP. Aos docentes, cabe incluir em sua prática pedagógica o estudo da linguagem musical, pois é um campo fundamental do conhecimento.
Para mim foi muito bom ter desenvolvido este trabalho, ter a oportunidade de ir na escola fazer esta pesquisa, de ver como a música está inserida no planejamento do professor, e ver que realmente as crianças gostam de música, e olham como uma forma de aprender.
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REFERÊNCIAS
BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: educação e reeducação. 2. ed. Blumenau: Acadêmica, 2000.
BEYER, Esther. A educação musical sob a perspectiva de uma construção teórica: uma análise histórica. In: Fundamentos da Educação Musical – 1, ABEM, Porto Alegre, 1993.
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APÊNDICE
ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA PARA AS CRIANÇAS:
- Vocês gostam de música?
- Quais músicas e atividades musicais feitas em sala de aula que vocês mais gostam?
- Gostariam que tivesse mais aulas de música?
ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA PARA A PROFESSORA:
- Com que frequência você trabalha a música em sala de aula? De que maneira?
- Você realiza trabalhos interdisciplinares envolvendo a música?
- Como é o seu repertório? Dê exemplos de músicas utilizadas em sala de aula com as crianças.
- Você utiliza como base algum referencial teórico para trabalhar com música?
- Na sua opinião, qual a importância da música no trabalho com as crianças, na formação das crianças?
ANEXO
LETRA DAS MÚSICAS TRABALHADAS PELA PROFESSORA
JESUS É MEU Jesus é meu, Jesus é meu. Se tu quiser, ele pode ser seu. (2X).
Ouça a mensagem, toma coragem. Pegue a bagagem, e segue a Deus. (2X)
VEJA COMO EU BATO PALMAS
Veja como eu bato palmas, bato palmas, bato palmas. Veja como eu bato palmas com as mãos que Deus me deu.
Veja como eu pulo alto, pulo alto, pulo alto. Veja como eu pulo alto com os pés que Deus me deu.
A FORMIGUINHA
A formiguinha corta a folha e carrega, Quando uma deixa a outra pega.
O que mistério glorioso,
Uma formiguinha ensinando um preguiçoso Deus não quer preguiçoso em sua obra
Porque senão o tempo sobra. (2X) SE EU FOSSE UM ELEFANTE
Se eu fosse um elefante
Com a minha tromba eu louvaria ao Senhor Se eu fosse um grande urso polar Com a minha barriga eu iria louvar Se eu fosse um peixinho lá no fundo do mar
Louvaria ao Senhor Sem parar de nadar.
Mas nem elefante, nem urso, nem peixinho eu sou Mas eu sou o que sou
Tenho um coração, um grande sorriso, e uma linda canção Se Deus me fez assim, assim vou louvar (2X)