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TÍTULO: ANÁLISE ESPACIAL DOS CASOS DE CHIKUNGUNYA E CORRELAÇÃO COM DADOS PLUVIOMÉTRICOS NO PERÍODO DE 2015 A 2016

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: Biomedicina

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP

INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): LETICIA DE GODOI SILVA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): GIOVANI BRAVIN PERES

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): FLÁVIA DE SOUSA GEHRKE

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UNIVERSIDADE PAULISTA

VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA

RELATÓRIO FINAL DE PESQUISA

Pesquisa Financiada pela Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

da UNIP, no Programa “Iniciação Científica”.

É proibida a reprodução total ou parcial.

ANÁLISE ESPACIAL DOS CASOS DE

CHIKUNGUNYA E CORRELAÇÃO COM DADOS

PLUVIOMÉTRICOS NO PERÍODO DE 2015 A

2016

Leticia de Godoi Silva

Prof. Orientador: Giovani Bravin Peres

2018

BI8A13

São Paulo

Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

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ANÁLISE ESPACIAL DOS CASOS DE CHIKUNGUNYA E

CORRELAÇÃO COM DADOS PLUVIOMÉTRICOS NO PERÍODO DE

2015 A 2016

Leticia de Godoi Silva

UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

Resumo

Introdução:A palavra Chikungunya tem origem na língua

Makonde

e significa “aquele que se curva”. A transmissão do vírus se dá

pela picada do mosquito fêmea Aedes aegypti e Aedes albopictus. A

sintomatologia assemelha-se a de outras arboviroses como dengue

(febre, cefaleia, mialgia), a disparidade encontra-se nas dores intensas

nas articulações, que pode subsistir por meses. O diagnóstico denota

uma complexidade, por ser continuadamente confundido com dengue a

princípio. Objetivos: estabelecer uma relação entre o número de casos

reportados de CHIKV entre os anos de 2015 e 2016 com o índice

pluviométrico em diversas localidades do país. Material eMétodos:

Considerando os casos residentes registrados no Boletim de

Epidemiológico e Centro de Vigilância Epidemiológica, e os dados

pluviométricos registrados no Instituto Nacional de Meteorologia, foram

avaliados

os

casos

de

CHIKV

reportados

em

território

nacional.Resultados e Discussão:Os meses de maio, setembro e

novembro de 2016 foram os que registraram maior número de casos de

CHIKV, especialmente em estados do nordeste, como Bahia,

Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Para os anos de 2015 e

2016, observou-se uma correlação negativa moderada entre o número

de casos registrados e índice pluviométrico, r

s (54)

= -0,342, p = 0,010 e r

s

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pluviosidade não é fator determinante para o desaparecimento dos

mosquitos, pois seu ciclo reprodutivo não depende exclusivamente dos

criadouros que surgem com o período chuvoso, reforça-se a

necessidade do combate aos criadouros artificiais do mosquito

transmissor como estratégia fundamental para o controle desta

epidemia.

(5)

Abstract:

Introduction: The word Chikungunya comes from Makonde and means

"one who bows". The transmission of the virus occurs by the bite of the

female

mosquito

Aedesaegypti

and

Aedesalbopictus.

The

symptomatology resembles that of other arboviruses such as dengue

(fever, headache, and myalgia); the disparity is in the intense pains in the

joints, that can subsist for months. The diagnosis denotes a complexity,

because it is continually confused with dengue in principle. Objectives:

To establish a relationship between the number of reported cases of

CHIKV between the years 2015 and 2016 with the rainfall index in

several localities of the country. Material and Methods: Considering the

resident cases registered in the Epidemiological Bulletin and

Epidemiological Surveillance Center, and the pluviometric data recorded

at the National Meteorological Institute, the cases of CHIKV reported in

the national territory were evaluated. Results and Discussion: In May,

September and November 2016, there were the highest number of

CHIKV cases; especially in Northeastern states such as Bahia,

Pernambuco, Ceará and Rio Grande do Norte. For the years 2015 and

2016, there was a moderate negative correlation between the number of

recorded cases and the rainfall index, rs (54) = -0.342, p = 0.010 and rs

(229) = -0.286, p <0.001, respectively. Conclusion: Since rainfall is not

a determinant factor for the disappearance of mosquitoes, because their

reproductive cycle does not depend exclusively on the breeding sites

that emerge during the rainy season, the need to combat the artificial

breeding sites of the transmitting mosquito is reinforced as a

fundamental strategy for the control of this epidemic.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 1

1.1. Transmissão... 1

1.2. Modificações que causaram a disseminação ... 1

1.3. Sintomatologia ... 2 1.4. Métodos de diagnóstico ... 2 1.5 Epidemiologia... 3 2. JUSTIFICATIVA ... 4 3. OBJETIVOS ... 4 4. MATERIAL E MÉTODOS ... 5 4.1 Área de estudo ... 5 4.2. Análise Descritiva ... 5

4.3. Análise dos dados ... 5

5. RESULTADOS ... 5

6. DISCUSSAO ... 15

7. CONCLUSÃO ... 16

(8)

1

1. INTRODUÇÃO

O vírus Chikungunya (CHIKV) foi descrito pela primeira vez em 1950 na Tanzânia (África Oriental), onde os casos ocorridos foram previamente descritos como um surto de dengue[1]. O CHIKV é transmitido através da

picada do mosquito fêmea Aedes aegypti e/ou Aedes albopictus. Os sintomas evidenciados são cefaleia, artralgias, dores musculares e náuseas. A febre e a artralgia são características da doença; na fase crônica as manifestações

encontradas são exantema, vômitos, sangramento e úlceras orais[2,3].

O diagnóstico é feito a partir de análise clínica do paciente e testes laboratoriais, que consiste na detecção de anticorpos e, em algumas situações, isolamento viral. O tratamento dos doentes constitui emrepouso, reposição de líquidos e medicamentos para a dor articular [1,4].

1.1. Transmissão

O CHIKV é transmitido por meio da picada dos mosquitos fêmeas das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus. Por circularem pela América Latina, tais mosquitos são causa de grande preocupação, devido a expansão contínua e acelerada do vírus, que antes permanecia restringido na África e Ásia[5].As primeiras descrições indicam dois padrões de transmissão distintos:

umenzoóticona África, no qual os vírus mantêm-se em um ciclo de transmissão silvestre, entre macacos e pequenos mamíferos (como morcegos) e em mosquitos do gênero Aedes. Na Ásia, o ciclo de transmissão é diferente, sendo que o vírus circula entre seres humanos e mosquitos, resultando em epidemias urbanas, com a participação das espécies A. aegypti e A. albopictus como principais vetores[1].

1.2. Modificações que causaram a disseminação

Vírusque tem como base o material genético de RNAtem taxas deerro elevadas quepodem produzir mutações genômicas durante a transcrição do

RNA, causada

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2

ecombinaçãodegenoma, que pode ocorrer se houver infecção simultânea do

animal por mais de um vírus da mesma família ou gênero [5]. Após uma

epidemia na Ilha Reunião, um novo genótipo do CHIKV foi descoberto, a partir de 2005. Naquele momento foram detectadas pequenas mutações na proteína E1e E2 do envelope viral na variante ECSA que permitiram melhor adaptação viral a um novo vetor cosmopolita (Aedes albopictus)[6,7].Esta mutação pode

estar relacionada àinfecçãodemúltiplosorganismosdistintos. Assim, o vírus pode ter se adaptado, produzindo cepas mais virulentas. Este evento contribuiu para uma grande expansão da doença para o Oceano Índico e, posteriormente Ásia e Europa [6].

1.3. Sintomatologia

Os indivíduos infectados apresentam febre, cefaleia, mialgias, exantema e artralgia, sintomatologia característica da doença que pode durar meses ou até anos, causando uma grave debilitância [6,8].A forma típica da doença é o

comprometimento do músculo esquelético, articulações e pele, justamente pela preferência do vírus por células fibroblásticas do tecido conjuntivo localizado abaixo da parede sinovial das articulações e na derme profunda. A doença é capaz de progredir em três fases: aguda, subaguda e crônica. Após o período de incubação (3 a 7 dias) inicia-se a fase aguda ou febril, que dura aproximadamente até o décimo quarto dia. Quando há persistência de dores articulares é caracterizado como fase subaguda, com duração de até 3 meses. Quando a duração dos sintomas persiste além dos três meses atinge a fase crônica [1] .

1.4. Métodos de diagnóstico

O diagnóstico desta virose é feito a partir de análise clínica do paciente e testes laboratoriais, na maioria das vezes através da detecção de anticorpos (Ac) e, em algumas situações, isolamento viral. O diagnóstico clínico do CHIKV é muitas vezes difícil, pois os sintomas são semelhantes aos de muitas outras doenças febris tropicais, como dengue, malária, febre tifóide, tifo rural e outras

(10)

3

arboviroses. A detecção de Ac é realizada através dos métodos sorológicos quedemonstram a presença de anticorpos da classe IgM, em única amostra de soro (MAC-ELISA) ou o aumento do título de Ac IgG (conversão sorológica) em amostras pareadas (inibição da hemaglutinação, teste de neutralização e ELISA). Entretanto, a elevada reatividade cruzada antigênica entre outros arbovírus resultada em especificidade reduzida e pode tornar o diagnóstico definitivo utilizando ensaios baseados em Ac um problema de ordem laboratorial[4].

1.5 Epidemiologia

Após a descrição em 1950 na Tanzânia, em 1954, sua presença foi confirmada na Ásia, em um surto nas Filipinas e, subsequentemente, em outros

países, como Tailândia, Índia e Paquistão[9]. A partir da década de 1960, surtos

frequentes também foram relatados em países do Sudeste Asiático como Índia, Malásia, Indonésia, Camboja, Vietnã, Mianmar, Paquistão e Tailândia. Em 1999-2000, o CHIKV causou epidemia em Kinshasa, capital da República

Democrática do Congo, depois de 39 anos sem qualquer isolamento do vírus[4].

Entre 2001 e 2003, o vírus ressurgiu na Indonésia depois de uma ausência de 20 anos. Casos esporádicos e pequenos surtos foram registrados, porém em 2005 ocorreu um surto no Quênia de longa escala, devido a adaptação do vírus ao novo vetor Aedes albopictus (Mosquito Tigre Asiático) [9].Mais de 500 mil

casos já foram confirmados e suspeitados nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde-Organização Mundial da Saúde (OPAS-OMS), sendo a grande maioria no Haiti e na República Dominicana (Ilha Espanhola)[1,10].

No Brasil a partir de junho de 2014, os primeiros casos importados surgiram. Em setembro do mesmo ano foi detectado o primeiro caso com transmissão autóctone no país, no estado do Amapá. No mesmo mês, um surto pelo CHIKV foi detectado em Feira de Santana, BA. O Ministério da Saúde do Brasil divulgou que em 2015, até a semana epidemiológica 15 (4/1/2015 a 18/4/2015), foram notificados 3.135 casos suspeitos (transmissão autóctone) de febre de Chikungunya nos estados do Amapá e Bahia, dos quais 1.688

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4

foram confirmados, sendo cinco por critério laboratorial e 1.683 por critério clínico-epidemiológico. Destacamos que o genótipo circulante do CHIKV no Amapá é o Asiático, como ocorre no Caribe, enquanto na Bahia, é o Leste-Centro-Sul Africano[4].

No Brasil no ano de 2016 o Ministério da Saúde divulgou: “Foram

registrados no país 271.824 casos prováveis de febre de chikungunya distribuídos em 2.829 municípios, sendo o estado de Pernambuco com maior taxa de óbito (58) [1,3]”.

Por não haver medicamentos e tratamentos específicos para a doença, o modo de controle epidemiológico do vírus é feito através de campanhas de conscientização da população referente a coibição de possíveis objetos que

acumulem agua parada e se tornem criadouro do vetor[10,11] .

2. JUSTIFICATIVA

O vírus Chikungunya apresenta características que amplificam a disseminação,dificultando o manejo clínico e aumentando a possibilidade de grandes epidemias. A replicação viral no mosquitoAedes albopictusalém doA.

aegyptiaumenta a extensão geográfica das regiões com potencial de circulação

viral. O índice pluviométrico alto de determinadas localidades interfere diretamente no ciclo de reprodução dos vetores, aumentando de forma significativa o número de casos. Desta forma, avaliar a distribuição do número de casos no país e correlacionar com os índices pluviométricos demonstra-se ser muito útil no âmbito da saúde pública.

3. OBJETIVOS

O objetivo geral deste trabalho foi estabelecer uma relação entre o número de casos reportados de CHIKVentre os anos de 2015 e 2016 com o índice pluviométrico em diversas localidades do país.

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5

4. MATERIAL E MÉTODOS

4.1 Área de estudo

Estudo exploratório-descritivo com delineamento ecológico de dados agregados e abordagem quantitativa, contemplando o período de 2015 a 2016, nas unidades da federação do Brasil.

4.2. Análise Descritiva

Considerando os casos residentes registrados no Boletim de Epidemiológico e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e os dados pluviométricos registrados no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, disponíveis nos Anexos), foram avaliados os casos de CHIKV reportados em território nacional, considerando os distritos de residência como fonte de provável de infecção, ordenados em valores anuais, referentes aos anos de 2015 a 2016. A análise dos dados foi realizada segundo a distribuição espacial.

4.3. Análise dos dados

Os dados obtidos foram organizados em planilhas e importados para o programa IBM SPSS Statistics, versão 21, visando verificar a existência de correlação entre o número de casos reportados de CHIKV e o índice pluviométrico do período. Gráficos de dispersão e de barras foram construídos utilizando-se os softwares IBM SPSS Statistics, versão 21, e GraphPad Prism, versão 6. Por meio do software Quantum GIS 2.18, foram produzidos mapas temáticos, para a descrição da distribuição das variáveis no processo investigado.

5. RESULTADOS

Com base nos dados coletados nos boletins epidemiológicos para o ano de 2015, observa-se que os estados da Bahia, Amapá e Pernambuco foram os

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6

mais afetados pelo CHIKV neste período. A Figura 1 apresenta a frequência do número de casos reportados por unidade da federação, por mês, no ano de 2015 e as Figuras 2,3 e 4 representam os meses com mais casos (setembro 4.465; maio 3.388 e dezembro 2.977). Apenas os estados que apresentaram algum caso de CHIKV no período foram incluídos no gráfico.

Conforme é possível verificar na Figura 5, o número de casos reportados de CHIKV aumentou consideravelmente em 2016, quando comparado com 2015 (Figura 1), afetando todos os estados da federação. Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará foram os estados com maior incidência de CHIKV neste período.

Figura 1. Frequência de casos notificados de CHIKV em 2015. Os dados são separados por

mês e por unidade da federação. Apenas os estados que apresentaram algum caso de CHIKV no período foram incluídos no gráfico.

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7

Figura 2. Frequência de casos notificados de CHIKV em setembro de 2015 por unidade da federação.

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8

Figura 3. Frequência de casos notificados de CHIKV emmaio de 2015 por unidade da federação.

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9

Figura 4. Frequência de casos notificados de CHIKV em dezembro de 2015 por unidade da federação.

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10

Figura 5. Frequência de casos notificados de CHIKV em 2016. Os dados são separados por

mês e por unidade da federação. Apenas os estados que apresentaram algum caso de CHIKV no período foram incluídos no gráfico.

Conforme é possível avaliar na Figura 5, os meses de maio, setembro e novembro de 2016 foram os que registraram maior número de casos de CHIKV. Visando melhor reportar estes números, mapas temáticos para esses meses foram construídos e são apresentados, respectivamente, nas Figuras6 a 8.

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11

Figura 6. Frequência de casos notificados de CHIKV em maio de 2016 por unidade da federação.

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12

Figura 7. Frequência de casos notificados de CHIKV em setembro de 2016 por unidade da federação.

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13

Figura 8. Frequência de casos notificados de CHIKV em novembro de 2016 por unidade da federação

Para se avaliar o relacionamento existente entre o número de casos reportados de CHIKV e o índice pluviométrico do período, realizou-se análise por meio da correlação de Spearman. A inspeção preliminar dos gráficos de dispersão indicou uma relação monotônica entre as variáveis, pois estas tendem a mover-se na mesma direção relativa, mas não necessariamente a uma taxa constante. Para os anos de 2015 e 2016, observou-se uma correlação negativa moderada entre as variáveis, rs(54) = -0,342, p = 0,010 e

rs(229) = -0,286, p < 0,001, respectivamente. A Figura 9 apresenta os gráficos de

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14

Figura 9. Correlação entre número de casos notificados de CHIKV e índice pluviométrico.Para os anos de 2015 e 2016, observou-se uma correlação negativa moderada

entre as variáveis, rs (54) = -0,342, p = 0,010 e rs (229) = -0,286, p < 0,001, respectivamente. A

escala dos gráficos foi mantida nas mesmas proporções para fins comparativos; em 2016 a incidência de CHIKV foi muito maior, conforme exposto na Figura 2.

(22)

15

6. DISCUSSAO

A partir de junho de 2014, os primeiros casos de CHIKV começaram a ser observados no Brasil. Em setembro deste ano, o primeiro caso de transmissão autóctone foi registrado no Amapá. Tendo como vetores os mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, amplamente distribuídas em território nacional, o vírus espalhou-se facilmente. Segundo boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde para os anos de 2015 e 2016, nota-se aumento da incidência de CHIKV, e registros são evidenciados em todos os estados da federação[12,13].

A associação entre a incidência de dengue, outra arbovirose transmitida por mosquitos do gênero Aedes, e pluviosidade já havia sido observada em Goiás[14]. Souza et al encontraram correlação positiva entre a infestação predial

de mosquitos e alta pluviosidade, sendo que no período chuvoso a incidência de dengue apresentou elevada porcentagem. Dados semelhantes foram

observados também em Belo Horizonte[15].

Entretanto, a pluviosidade não é fator determinante para o desaparecimento dos mosquitos, pois seu ciclo reprodutivo não depende exclusivamente dos criadouros que surgem com o período chuvoso[12,13]. O

Aedes aegypti mantém o ciclo de vida no período seco, utilizando-se de

criadouros artificiais permanentes, como caixas d’água, sobrevivendo em baixa densidade populacional, mas suficiente para transmissão contínua de arboviroses assim como descrito porSousa (1999), que discorre que as epidemias podem sugir em estações menos umidas o que se relaciona com reprodução do mosquito em residências, ou seja ,os mosquitos depositam seus ovos nos períodos com índice pluviométricos altos e eclodem quando estes índices diminui[16]. No presente trabalho observamos uma correlação negativa

moderada entre o número de casos de CHIKV reportados e o índice pluviométrico, indicando que, em alguns estados, um maior número de indivíduos infectados se deu nos meses de menos chuva. Estados do nordeste, como Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte foram os mais afetados no ano de 2016, entretanto todos os estados brasileiros apresentaram registros desta doença.

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16

A constatação de alta transmissão de CHIKV em período seco apenas reforça a necessidade do combate aos criadouros artificiais do mosquito transmissor como estratégia fundamental para o controle desta epidemia.

7. CONCLUSÃO

Comparado ao ano de 2015, o número de casos reportados de CHIKV aumentou consideravelmente em 2016, afetando especialmente estados do nordeste, como Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Entretanto, todos os estados brasileiros foram afetados pelo CHIKV neste ano. A constatação de uma correlação negativa moderada entre o número de casos de CHIKV reportados e o índice pluviométrico, indica que um maior número de indivíduos infectados se deu no período seco. Uma vez que a pluviosidade não é fator determinante para o desaparecimento dos mosquitos, pois seu ciclo reprodutivo não depende exclusivamente dos criadouros que surgem com o período chuvoso, reforça-se a necessidade do combate aos criadouros artificiais do mosquito transmissor como estratégia fundamental para o controle desta epidemia.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Epidemiologia Serviço da Saúde, Brasília, 23(4):773-774, out-dez 2014

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<http://rededengue.fiocruz.br/noticias/431-dados-do-ministerio-mostram-evolucao-do-chikungunya-no-brasil>.Acessado em: 02 de Janeiro de 2017.

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8 Morcerf ,Ccp. Benette, Mm . Moraes, Tmc. Siqueira ,Aa. Silva ,Acg. Impagliazzo ,Sp. Chikungunya: Arbovirose Como Problema De Saúde Em Expansão – Uma Revisão Bibliográfica. Revista Rede de Cuidados em Saúde. 9 Tsetsarkin, KA. Vanlandingham, DL. McGee, CE. Higgs, S. A Single Mutation in Chikungunya Virus Affects Vector Specificity and Epidemic Potential. Revista

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18

10 Américo, C. Atualização da Situação do Vírus Chikungunya. Portal da Saúde do SUS. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-

ministerio/principal/secretarias/sas/dahu/cgad/11-cidadao/cidadao- principal/agencia-saude/15000-saude-atualiza-situacao-do-virus-chikungunya-2> Acessado em: 24 de Novembro de 2016.

11 Albuquerque , I. Marandino , R. Mendonça ,A. Nogueira, R.

Vasconcelos, PF. Guerra, L. Brandão, B. Pimentel, AP. Aguiar G. Bacco, P. Infecção pelo vírus Chikungunya: relato do primeiro caso diagnosticado no Rio de Janeiro, Brasil.Revista Sociedade Brasileira Medicina Tropical. Vol.45 no. 1 Uberaba Jan./Fev. 2012.

12 Fundação Nacional da Saúde. Boletim Epidemiológico. Ministério da Saúde. Brasília; 2015.

13 Fundação Nacional da Saúde. Boletim Epidemiológico. Ministério da Saúde. Brasília; 2016.

14 Souza S. S., Silva I. G., Silva H. H. G. Associação entre incidência de dengue, pluviosidade e densidade larvária de Aedes aegypti, no Estado de Goiás.Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 43(2):152-155, mar-abr, 2010.

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17 Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mapas de

Precipitação. Disponível em:

<http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=tempo2/mapasPrecipitacao> Acessado em 20 de Agosto de 2017.

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ANEXOS

Anexo A: Mapas do índice pluviométrico no período de 2015.

Anexo 1: Índice pluviométrico janeiro de 2015.

(27)

20

Anexo 3: Índice pluviométrico março de 2015.

(28)

21

Anexo 5: Índice pluviométrico maio de 2015.

(29)

22

Anexo 7: Índice pluviométrico julho de 2015.

(30)

23

Anexo 9: Índice pluviométrico setembro de 2015.

(31)

24

Anexo 11: Índice pluviométrico novembro de 2015.

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25

Anexo A: Mapas do índice pluviométrico no período de 2016.

Anexo 13: Índice pluviométrico janeiro de 2016.

(33)

26

Anexo 15: Índice pluviométrico março de 2016.

(34)

27

Anexo 17: Índice pluviométrico maio de 2016.

(35)

28

Anexo 19: Índice pluviométrico julho de 2016.

(36)

29

Anexo 21: Índice pluviométrico setembro de 2016.

(37)

30

Anexo 23: Índice pluviométrico novembro de 2016.

Anexo 24: Índice pluviométrico dezembro de 2016.

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