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Perfil Epidemiológico dos Pacientes com Câncer Atendidos na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-PA / Epidemiological Profile of Patients with Cancer Served in the High Complexity Unit in Oncology Dr. Vitor

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Academic year: 2020

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Perfil Epidemiológico dos Pacientes com Câncer Atendidos na Unidade de Alta

Complexidade em Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-PA

Epidemiological Profile of Patients with Cancer Served in the High

Complexity Unit in Oncology Dr. Vitor Moutinho in the Municipality of

Tucuruí-PA

DOI:10.34117/bjdv6n3-494

Recebimento dos originais: 10/02/2020 Aceitação para publicação: 31/03/2020

Benedito do Carmo Gomes Cantão

Enfermeiro, Mestrando em Cirurgia e Pesquisa Experimental (CIPE) e docente da Universidade do Estado do Pará

Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua Trombetas, nº 29 – Bairro Vila Tropical, Tucuruí, PA, Brasil E-mail: [email protected]

Anderson Bentes de Lima

Farmacêutico e Doutor em Biotecnologia pela Universidade Federal do Pará e docente da Universidade do Estado do Pará

Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua 4, nº 20 – Bairro Santa Mônica, Tucuruí – PA, Brasil E-mail: [email protected]

Artur Chaves Cruz

Enfermeiro graduado pela Universidade do Estado do Pará Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua Martins, nº 94, apartamento 7– Bairro Santa Mônica, Tucuruí – PA, Brasil E-mail: [email protected]

Jackson Luís Ferreira Cantão

Enfermeiro Graduado pela Universidade do Estado do Pará Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua Nilo Peçanha, Quadra 79, Lote 12, s/nº – Bairro Paraíso, Tucuruí – PA, Brasil E-mail: [email protected]

José Benedito dos Santos Batista Neto

Acadêmico do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Pará. Integrante do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Educação e Saúde da Amazônia (NUPESA).

Instituição: Universidade do Estado do Pará - UEPA

Endereço: Travessa São Benedito, nº 77 – Bairro Santa Maria, Cametá – PA, Brasil E-mail: [email protected]

Jaylen França Cunha

Enfermeira, Mestranda em Cirurgia e Pesquisa Experimental (CIPE) e docente da Universidade do Estado do Pará

Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua Costa Rica, nº 11 – Bairro Vila Marabá, Tucuruí – PA, Brasil E-mail: [email protected]

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Caroline Lima Garcia

Enfermeira graduada pela Universidade do Estado do Pará e Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Faculdade Única de Ipatinga

Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua 06, Quadra 18, Lote 15, Residencial Delta Park I -Bairro Nova Marabá, Marabá – PA, Brasil

E-mail: [email protected]

Ailson Almeida Veloso Júnior

Enfermeiro, especialista em Terapia Intensiva, docente da Universidade do Estado do Pará e mestrando em Cirurgia e Pesquisa Experimental

Instituição: Universidade do Estado do Pará

Endereço: Rua Sobradinho, nº 21 – Bairro Vila Permanente, Tucuruí – PA, Brasil E-mail: [email protected]

RESUMO

Estudos epidemiológicos têm sido fundamentais para o conhecimento do câncer, doença maligna que tem sido descrita desde a antiguidade e que se caracteriza pela neoformação celular e pela capacidade de disseminação rápida. O interesse pelo estudo surgiu durante a visita técnica que foi realizada na UNACON, ou seja, buscar informações sobre os pacientes que desenvolvem canceres na região, em especial ao município de Breu Branco e Tucuruí. Teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos pacientes com câncer, atendidos na UNACON Dr. Vitor Moutinho no município de Tucuruí-PA. Sendo uma pesquisa de campo de análise documental, contendo uma abordagem quantitativa com desenho de estudo do tipo descritivo. A coleta de dados se deu nas dependências da UNACON de Tucuruí com dados referentes ao período de junho de 2016 a junho 2018. As variáveis quantitativas passaram por uma análise estatística, gerada por gráficos e tabelas em planilhas eletrônicas através do programa Microsoft Office Excel 2016. Foram incluídos 65 prontuários digitais, os resultados revelaram que a maioria dos prontuários pertencia a pacientes do sexo masculino, sendo o câncer de próstata o mais prevalente, com predominância da faixa etária de 50 a 80 anos, a maioria são casados e com ensino fundamental incompleto, possuindo renda de 1 a 2 salários mínimos, tendo uma alimentação pobre em frutas e ricas em carboidratos. Como fatores de riscos modificáveis observou-se: o uso elevado de tabaco e consumo de álcool, e os não modificáveis, gênero e a idade. Além disso, os clientes são maioria da cidade de Tucuruí, mas natural de outras cidades ou unidades federativas. Estando em sua maioria em situação de tratamento. Os dados permitiram caracterizar o perfil clinico e epidemiológico do câncer nas cidades estudadas, servindo como base de dados para estudos epidemiológicos futuros e como subsídio para a implementação de políticas públicas preventivas para a população desta Região.

Palavras-chave: Prevalência; Neoplasias; Epidemiologia; Fatores de Risco.

ABSTRACT

Epidemiological studies have been fundamental for the knowledge of cancer, a malignant disease that has been described since antiquity and is characterized by neo-cell formation and the capacity for rapid dissemination. Interest in the study came during the technical visit to UNACON, that is, to obtain information about patients who develop cancers in the region, especially the municipality of Breu Branco and Tucuruí. The objective of this study was to describe the epidemiological profile of cancer patients treated at UNACON Dr. Vitor Moutinho in the municipality of Tucuruí-PA. Being a field research of documentary analysis, containing a quantitative approach with study design of the descriptive type. Data collection was done at the UNACON facilities in Tucuruí with data for the period from June 2016 to June 2018. The quantitative variables underwent a statistical analysis, generated by charts and tables in spreadsheets through the program Microsoft Office Excel 2016. A

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total of 65 digital files were included, the results showed that the majority of medical records belonged to male patients, with prostate cancer being the most prevalent, with a predominance of the age group of 50 to 80 years, most of whom are married and have incomplete primary education, with income of 1 to 2 minimum wages, having a poor diet in fruits and rich in carbohydrates. As modifiable risk factors were observed: high tobacco use and alcohol consumption, and the non-modifiable, gender and age. In addition, the clients are majority of the city of Tucuruí, but natural of other cities or federative units. Being mostly in treatment situation. The data allowed to characterize the clinical and epidemiological profile of cancer in the cities studied, serving as a database for future epidemiological studies and as a subsidy for the implementation of preventive public policies for the population of this Region.

Keywords: Prevalence; Neoplasms; Epidemiology; Risk factors.

1 INTRODUÇÃO

De acordo com as pesquisas atuais estima-se que o número de casos novos de câncer era de 14 milhões em 2012 e irá aumentar para 22 milhões em 2030 em todo mundo, somente levando em consideração o crescimento e o envelhecimento da população. Os continentes mais afetados com aumentos, da ordem de 70%, serão a África, Ásia e América Latina, por conter países que não dispõem de recursos adequados para lidar com o número cada vez maior de pacientes com câncer (JEMAL et. al., 2014).

No Brasil, as primeiras instigações à epidemiologia do câncer iniciaram na década de 1920, promovida pelo Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP). Embora mesmo com a criação desse departamento, era necessário expandir as ações de controle do câncer, pensando nisso, criou-se o Sistema Nacional de Câncer, nos anos 1940, nescriou-se período estava ocorrendo os avanços das iniciativas filantrópicas, que ocasionou na abertura para o surgimento das primeiras ligas, associações e redes de combate ao câncer (BARRETO, 2005).

O Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, elabora essas pesquisas estatística sobre a incidência e prevalência do câncer. É através das estimativas que podemos observar os comportamentos dos números de casos novos. Segundo a estimativa 2016, há uma ocorrência de 596.070 casos novos, sendo 295.200 para o sexo masculino e 300.870 para o sexo feminino. Os mais incidentes (exceto câncer de pele não melanoma) continuam sendo os cânceres de próstata e pulmão no sexo masculino e de mama, cólon e reto e o colo do útero no sexo feminino, acompanhando o perfil da magnitude para a américa latina (INCA, 2017).

O número de casos novos vem aumentando ao longo do tempo, ou seja, mais a população precisa de ajuda. Para falar das ações de enfermagem se faz necessário compreender o processo de adoecimento como comprometimento da liberdade, do bem-estar, de conforto e da autonomia que mediante a essa situação de doença, pode alterar os equilíbrios físicos, emocionais e sociais do

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indivíduo. Entender esse processo de adoecimento é compreender a maneira do cuidado (HELMAN, 2003).

Nesse sentido observa-se que a enfermagem tem um grande desafio a travar, pois cuidar de um portador de câncer é um desafio muito maior do que se imagina tanto para quem cuida como para quem é cuidado, é necessário sair do modelo biomédico que respaldou por longos anos e ainda respalda a prática de enfermagem, e descobrir outras intervenções que vão além, pois a enfermagem é a arte do cuidar e utiliza outras disciplinas, como: Antropologia, Psicossociologia, Cultura, Economia, entre outros (FIGUEIREDO, 2010).

Para mudar o panorama atual do câncer, é imprescindível que haja estímulo à busca de informações precisas e de qualidade, sobre a prevalência da doença nas populações, propiciando a implantação de políticas públicas que levem à realização de ações efetivas de prevenção e detecção precoce, visando à redução de danos, às taxas de mortalidade e às despesas públicas.

Nesse contexto, o principal objetivo deste trabalho é o descrever o perfil epidemiológico dos pacientes com câncer, atendidos na UNACON Dr. Vitor Moutinho no município de Tucuruí-PA no período de junho de 2016 a junho 2018, no mais, é a partir desse estudo juntamente com outros que políticas públicas poderão ser elaboradas.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Refere-se a uma pesquisa de campo de análise documental, contendo uma abordagem quantitativa com desenho de estudo do tipo descritivo. A opção pela pesquisa de campo se deu pela viabilização dos dados no local onde são originados, análise documental a partir de materiais que não receberam tratamento analítico, abordagem quantitativa por possibilitar a análise, caracterização e quantificação das informações obtidas e pesquisa descritiva que tem por características o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática de uma determinada população.

O material da pesquisa foram os prontuários digitais dos clientes atendidos na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr. Vitor Moutinho, residentes nos municípios de Tucuruí e Breu Branco, entre a faixa etária de 18 a 90 anos. A escolha dos municípios se deu em razão do primeiro estar localizado à unidade de oncologia, em relação ao segundo em virtudes desse em estar próximo a unidade tendo uma distância de 27,9 km levando em torno de 37 minutos de um município para o outro, o que facilita o deslocamento dos clientes até a unidade oncologia para assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

A coleta de dados teve como fonte de informação os prontuários digitais dos pacientes atendidos na UNACON, e o instrumento para coleta foi um formulário composto de 07 (sete) eixos

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contendo perguntas fechadas e abertas nos seguintes itens: diagnóstico; aspectos socioeconômicos, culturais e demográficos; fatores de riscos; antecedentes mórbidos familiares e pessoais.

O processo de coleta de dados possuiu 03 etapas, no qual a primeira consistiu na seleção dos prontuários eletrônicos, levando em consideração a idade, o município, a confirmação do diagnóstico de câncer e o processo de alta concluído do paciente.

Após a seleção dos prontuários digitais, foi realizado, junto ao departamento de enfermagem do UNACON, e elaborado uma planilha pelos autores com o objetivo de fazer o levantamento do agendamento das consultas dos clientes, contendo o período e horário o que viabilizou a abordagem do paciente no momento em que esteve aguardando a assistência, e em seguida, foi feito o convite para participarem de pequenas reuniões para melhor esclarecimento da pesquisa. Os pacientes que aceitaram o convite, foram encaminhados individualmente ou com seu acompanhante (se assim desejou) para uma sala, cedida pela unidade, no qual os pesquisadores explicaram a forma como a pesquisa se desenvolveria, os objetivos do estudo, possíveis riscos que poderiam vim a ocorrer e as medidas para minimizá-los. Após os esclarecimentos, se concordasse com a pesquisa, seria entregue o TCLE.

Após autorização do uso das informações do prontuário pelo paciente mediante a assinatura do TCLE (segunda etapa), foi realizado a coleta de dados através dos prontuários e utilizando o formulário. O período de coleta se deu nos meses de setembro a outubro de 2018 e para seu início.

Após a coleta de dados por meio do formulário, os dados foram digitados, agrupados em áreas afins e codificados em planilhas eletrônicas, com auxílio do software Microsoft Office Excel 2013, no que diz respeito à organização das informações em gráficos e tabelas e outros meios interpretativos, como figuras e fluxogramas, facilitando assim a compreensão das informações geradas, com isso foram submetidos a análise estatística-descritiva.

A análise estatística-descritiva cuida do resumo e da apresentação de dados de observação por meio de tabelas, gráficos e medidas, sem se preocupar com as populações de onde esses dados foram retirados (PIANA, et. al, 2011).

É importante salientar que por se tratar de um estudo em que a pesquisa envolve seres humano, a execução do mesmo foi após a devida aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste capítulo serão apresentados os resultados que foram adquiridos através do formulário, no qual foram avaliados um total de 65 prontuários digitais dos clientes cadastrados no sistema da UNACON de um universo de 1.502 prontuários. As avaliações tiveram como base os dados contidos nos prontuários eletrônicos, que serviram para traçar o perfil epidemiológico.

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Para uma melhor organização dos dados coletados a partir do formulário, estes foram agrupados em quatro categorias tabeladas. Na primeira categoria constam as informações das características demográficas dos pacientes, como a naturalidade, munícipio de origem, procedência rural ou urbana, sexo, faixa etária e cor de pele. A segunda categoria compreende aos aspectos econômicos e sociocultural, como a escolaridade, ocupação, estado civil, renda familiar, religião e hábitos alimentares. O terceiro item da categoria mostra a relação das características clínicas e tratamentos dos indivíduos da pesquisa, como o tipo de câncer, tratamento no qual foi ou está sujeito e situação atual. E por fim, o quarto item que aborda os aspectos epidemiológicos como os fatores de riscos modificáveis e não modificáveis e histórico familiar de câncer.

3.1 CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS

Neste item serão analisadas as seguintes variáveis: naturalidade, município de origem, procedência, sexo e faixa etária

Tabela 1: Características demográficas dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr.

Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Características demográficas Frequência absoluta Frequência Relativa Naturalidade

Tucuruí – Pa 7 10,8%

Maranhão – Br 14 21,5%

Piauí – Br 7 10,8%

Bahia – Br 4 6,2%

Outras cidades do Pará 17 26,2%

Outras Unidades Federativas 16 24,6%

Município de Origem Breu Branco – Pa 14 21,5% Tucuruí – Pa 51 78,5% Procedência Zona urbana 63 96,9% Zona rural 2 3,1%

Características demográficas Frequência absoluta Frequência Relativa Sexo

Masculino 35 53,8%

Feminino 30 46,2%

Faixa Etária (Anos)

[18 - 30] 0 0,0% [31 - 40] 2 3,1% [41 - 50] 9 13,8% [51 - 60] 15 23,1% [61 - 70] 23 35,4% [71 - 80] 15 23,1% [81 - 90] 1 1,5%

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3.1.1 Sexo

Percebe-se na variável que o sexo masculino é o mais prevalente nos municípios onde ocorreram a pesquisa, chegando a uma razão de 53,8%. Apesar do sexo feminino ser maior em relação ao sexo masculino, o IBGE (2010) mostra que no município de Breu Branco residem cerca 27 mil homens e 25 mil mulheres, já no município de Tucuruí o quantitativo de homens e mulheres é aproximadamente 48 mil. Foi observado que a patologia atinge mais o sexo masculino, este fato pode ser explicado devido a maior incidência do câncer na região do lago de Tucuruí de acordo com o setor de estatística do UNACON ser o câncer de próstata.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (2017), a estimativa para 2018 descreve que o número câncer de próstata é de maior de incidência no Estado do Pará.

Porém, o resultado da pesquisa diverge de um estudo que foi realizado por Rodrigues e Ferreira (2010) onde em seu estudo epidemiológico realizado com 105 prontuários de atendimento oncológico no interior do Estado de São Paulo foi constatado um total de 60,2% do sexo feminino e 39,8% do sexo masculino. Assim como outro estudo de Lauter et al (2013) que relata em sua pesquisa feita no ambulatório do Centro de Alta Complexidade para o Tratamento do Câncer (CACON) no interior do Rio Grande do Sul, mostra a predominância do sexo feminino com 64,2% dos pacientes com câncer.

3.1.2 Faixa Etária

A pesquisa evidenciou que a faixa etária que corresponde entre as idades de 51 a 80 anos são as mais prevalentes para o desenvolvimento do câncer. Visto que o envelhecimento é um fator de risco para o desenvolvimento de neoplasias. Pois de acordo INCA (2018a), o envelhecimento natural causa mudanças nas células, tornando-as mais suscetíveis a transformação maligna. Isso, somando ao fato de que as células das pessoas idosas foram expostas ao longo dos anos aos diferentes fatores de risco para câncer, explica, em parte, o porquê de o câncer ser mais frequente nessa fase da vida.

Este predomínio de pacientes com idade superior a 50 anos é observado também em outros estudos epidemiológicos. Na pesquisa realizada de Laurter et al (2013) sobre o perfil clínico epidemiológico de pacientes oncológicos, refere que a faixa etária mais prevalente foi de 61 a 70 anos, seguida das faixas etárias de 51 a 60 anos e de 71 a 80 anos. Corroborando com a pesquisa, o estudo de Rodrigues et al (2015), mostra que a faixa etária observada tem idade mínima de 34 anos e máxima 85 anos, sendo assim a média de idade foi de 63,24 anos, o que converge para uma predominância de sujeitos adulto-idosos.

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3.1.2.1 Prevalência dos Tipos de Câncer nas Faixas Etárias

A pesquisa demonstra uma prevalência significativa do câncer de próstata, sendo predominante na idade dos 61 a 80 anos, seguido do câncer de mama com idade entre 41 a 70 anos. Sendo assim, a média de idade foi de 60,96 anos, o que converge para uma predominância de sujeitos adulto-idosos, com desvio padrão amostral de 11,71 pode-se destacar uma amostra com maior dispersão em relação aos casos da amostra geral de 11,37.

Gráfico 1- Prevalência dos tipos de câncer nas faixas etárias dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta

Complexidade em Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

Idade é um fator de risco não modificável que desencadeia o processo do adoecimento, pois quanto mais idosa as pessoas, maiores são as chances de desenvolver os tipos de cânceres (INCA, 2017).

É importante salientar que quanto maior a idade, mas se necessita de ajuda. E a moda da pesquisa foi 62 anos, por isso a importância da necessidade de aderir ao tratamento, o apoio psicológico da família, e a crença em algum tipo de religião, pois são fatores essenciais para um estado de melhora.

3.2 APECTOS ECONÔMICOS E SOCIOCULTURAIS

Neste item serão analisadas as seguintes variáveis: escolaridade, renda familiar e ocupação

Tabela 3: Aspectos econômicos e sociocultural dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em

Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa (Total 65)

Aspecto econômico e sociocultural Frequência absoluta Frequência Relativa Escolaridade

Analfabeto 12 18,5%

Ensino fundamental incompleto 29 44,6%

Ensino fundamental completo 8 12,3%

Ensino Médio Completo 10 15,4%

[18 - 30] [31 - 40] [41 - 50] [51 - 60] [61 - 70] [71 - 80] [81 - 90]

Câncer do Cólon e reto 0 0 2 2 2 1 0

Câncer do Colo uterino 0 0 1 6 3 1 0

Câncer de Mama 0 0 5 3 3 1 0 Câncer de Próstata 0 1 0 1 9 8 1 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 C a s o s d e C â n ce r

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Ensino Superior 3 4,6%

Não refere 3 4,6%

Renda familiar

Sem rendimentos 1 1,5%

Inferior a 1 salários mínimos 2 3,1%

De 1 a 2 salários mínimos 49 75,4% De 2 a 3 salários mínimos 11 16,9% De 3 a 5 salários mínimos 2 3,1% De 5 a 10 salários mínimos 0 0,0% Ocupação Aposentado 23 35,4% Donas do Lar 15 23,1% Comerciante 4 6,2% Agricultor 6 9,2% Funcionário Público 3 4,6% Outros 14 21,5%

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

3.2.1 Escolaridade

Verificou-se no estudo que os clientes acometidos pelo câncer apresentam um nível de escolaridade baixo, pois apenas 4,6% possuem nível superior, outro fator que chamou atenção é em relação ao número de analfabetos que chega a 18,5%. O nível de escolaridade é um determinante que contribui para a ocorrência de alguns tipos de câncer, pois estudos revelam que mulheres com baixo grau de instrução podem ter um risco maior de desenvolver o câncer de colo do útero e que a incidência deste câncer, é maior em mulheres de classes sociais baixas (MASCARELLO et al, 2012).

3.2.1.1 Distribuição dos Tipos de Câncer nos Níveis de Escolaridade

No que tange ao nível de escolaridade, o gráfico 3 alerta ao ponto que os pacientes do sexo masculino são os que menos possuem formação, e nota-se uma predominância do câncer de próstata em pessoas com ensino fundamental incompleto e analfabetos. Assim, é possível fazer conexão com os fatores de risco modificáveis como tabagismo, consumo de bebida alcoólica, inatividade física e alimentação inadequada, tornando possível sua prevenção (BRASIL, 2011)

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Gráfico 2 – Distribuição dos tipos de câncer nos níveis de escolaridade dos pacientes oncológicos da Unidade

de Alta Complexidade em Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

Em outro estudo epidemiológico de Rodrigues et al (2015) revela que grau de escolaridade dos pacientes analisados, 23,5% se enquadram como não alfabetizados, 58,8% referiram ter ensino fundamental incompleto, 11,8% disseram ter ensino médio completo e apenas 5,9% referiu ensino superior completo.

3.2.2 Renda Familiar

Em se tratando da renda, cerca de 75,4% dos pesquisados tem de 1 a 2 salários mínimos, isso se deve ao fato de acordo com IBGE (2010) que a maioria da população brasileira recebe na faixa de R$1.688,00. Além disso as condições socioeconômicas é um outro fator determinante que está ligado ao desenvolvimento do câncer.

De acordo com o INCA (2018a), a associação do nível socioeconômico a vários tipos de cânceres refere-se ao seu papel como marcador do modo de vida e de exposição das pessoas a outros fatores de risco do câncer. Assim, o nível socioeconômico pode ser considerado um determinante social do câncer

3.2.3 Ocupação

Os aposentados e donas de lar pertence aos grupos mais acometidos pela patologia, em relação aos aposentados, considerando que há o direito ao benefício de aposentadoria por idade ao assegurado, por lei, para homens com mais de 65 anos, ou 60 anos se mulher (BRASIL, 2017), observa-se que há coerência, já que a maioria dos homens pesquisados, por meio dos prontuários, apresentavam idade entre 64 a 73 anos. As donas de casa se destacam por serem do lar, e estão associadas a questão de gênero, o baixo nível de escolaridade e a baixa renda familiar, que aumentam o risco desse grupo (NAKAGAWA, 2010).

10% 18% 4% 8% 4%8% 10% 2% 6% 2% 10% 2% 2% 2% 4% 2% 2% 2% 2% Analfabeto Ensino fundamental incompleto Ensino fundamental completo Ensino Médio Completo Ensino Superior Não refere Nível de Escolaridade

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3.2.3.1 Frequência dos Cânceres por Ocupação

Verificou-se que a ocupação dos pacientes se concentra na característica de adultos-idosos. Outra parcela são donas de lar, comum entre as mulheres.

Gráfico 3 – Frequência dos cânceres por ocupação dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em

Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

Na pesquisa de Rodrigues et al (2015) no que concerne à ocupação, 29,4% dos pacientes declararam-se aposentados, 5,9% empregado, 47,1% eram trabalhadores autônomos e 17,6% referiram não ter renda própria. É valido ressaltar que a maioria dos aposentados atendido na unidade são homens com câncer de próstata. De acordo com o INCA (2018b), estimativas mostram que 10,8% dos casos de cânceres ocorrem em homens e 2,2% em mulheres surgindo em função de fatores relacionados ao local de trabalho.

3.3 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E TRATAMENTOS

A terceira categoria tratou das características clínicas e tratamentos realizados pelos pacientes da unidade que foi dividido nas seguintes variáveis: tipo de câncer, tratamento, situação atual.

Tabela 4 - Características clínicas e tratamentos realizados por pacientes da Unidade de Alta Complexidade em

Oncologia Dr. Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Características Clínicas dos Pacientes Frequência absoluta Frequência Relativa Tipo de câncer

Câncer de próstata 20 30,8%

Câncer de mama 12 18,5%

Câncer do colo uterino 11 16,9%

Câncer do cólon e reto 7 10,8%

Câncer de estômago 1 1,5% Outros 14 21,5% Total 65 100% Tratamento 26% 2% 6% 6% 4% 10% 2% 2% 4% 2% 4% 12% 2% 4% 4% 4% 2% 4% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Aposentado Donas do lar Comerciante Agricultor Funcionário Público Outros Casos de câncer

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Cirurgia 19 22,6% Radioterapia 19 22,6% Quimioterapia adjuvante 18 21,4% Quimioterapia neoadjuvante 9 10,7% Quimioterapia paliativa 7 8,3% Hormonioterapia 12 14,3% Total 84 100,0% Situação Atual

Alta por cura 0 0,0%

Alta por melhora 4 6,2%

Em tratamento 50 76,9%

Acompanhamento Médico 11 16,9%

Total 65 100,0%

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

3.3.1 Tipo De Câncer

O câncer próstata foi mais prevalente, seguindo do câncer de mama e colo de útero dos casos notificados. Essas informações são convergentes com os dados a nível nacional nas diferentes regiões do Brasil.

Conforme as informações do INCA (2018a), órgão do Ministério da Saúde responsável pela prevenção e controle do câncer no Brasil, estimou-se para o ano de 2018, cerca de 214.970 casos novos de câncer em homens no país, para o câncer de próstata são estimados 68.220 casos novos, ficando em primeiro lugar na distribuição proporcional dos tipos de câncer mais incidentes nos homens, exceto pele não melanoma com 85.170 casos novos. Só no estado do Pará a estimativa chega a ser 1.060 casos novos.

Mesmo com o aumento de investimentos na implantação de políticas públicas e programas de saúde voltados para a prevenção e diagnóstico precoce, o câncer ainda é considerado como uma das principais causas de morte em todo o mundo, com maior letalidade entre o público masculino (MODENA et al, 2014).

3.3.2 Tratamento

Os tipos de terapias empregadas nos pacientes são uma combinação de modalidades, ou seja, dois ou mais tipo de tratamento para um mesmo cliente (INCA, 2018a). Na pesquisa observou que a cirurgia foi mais recorrente seguindo da radioterapia e quimioterapia adjuvante.

De acordo com Neves et al (2017), o tratamento cirúrgico é uma tendência para os diferentes tipos de cânceres, sendo mais relacionado ao câncer de próstata, pele, colo de útero e mama.

Conforme Luarte et al (2015), a escolha da terapia depende do tipo de câncer, por exemplo, a cirurgia tem como finalidade remover o tumor ou tecido que o circunde; a radioterapia utiliza radiação

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ionizante tem ação local, porém, pode acabar por atingir as células saudáveis e que se localizem ao longo do trajeto da radiação; quimioterapia é apontada como bem aceita, no que diz respeito às altas taxas de sobrevivência.

3.3.3 Situação Atual

A situação atual em que encontram a maioria dos pacientes da unidade, são referentes a terapias de longo prazo, ou seja, mas 76,9% estão em tratamento. Casos diagnosticados em estágio inicial da doença têm melhores chances de cura; é observado um prognóstico ruim para os casos em estágio mais avançado, influenciando uma menor sobrevida, apesar do tratamento (INCA, 2018a) Atualmente, a cirurgia e a radioterapia são indicadas para câncer localizado e/ou estágio inicial, podendo também ser útil na redução dos sintomas nos estágios avançados (Luarte et al, 2015).

3.4ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS

Nesta categoria que se refere aos aspectos epidemiológicos dos pacientes serão elencadas as seguintes variáveis: fatores de riscos modificáveis e não modificáveis, história de câncer na família e grau de parentesco.

Tabela 5 - Aspectos epidemiológicos dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr.

Vitor Moutinho no Município de Tucuruí-Pa

Aspectos epidemiológicos Frequência absoluta

Frequência Relativa Fatores de riscos modificáveis

Uso de tabaco 34 17,9%

Alimentação inadequada 24 12,6%

Inatividade física 31 16,3%

Obesidade 21 11,1%

Consumo de bebidas alcoólicas 24 12,6%

Agentes infecciosos 0 0,0% Radiação ultravioleta/ionizante 1 0,5% Exposições ocupacionais 7 3,7% Poluição ambiental 1 0,5% Comportamento sexual 0 0,0% Total 190 100,0%

Fatores de riscos não modificáveis

Idade 49 51,0%

Etnia ou raça 4 4,2%

Gênero 43 44,8%

Total 96 100,0%

História de câncer na família

Sim 26 40,0%

Não 39 60,0%

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Grau de parentesco Mãe 5 11% Pai 3 7% Irmão (a) 8 17% Tio(a) Materno 13 28% Tio(a) Paterno 2 4% Primo(a) 12 26% Avós Paternos 1 2% Avós Maternos 1 2% Sobrinho 1 2% Total 46 100%

Fonte: Dados coletados pelos autores do período de junho de 2016 a junho de 2018

3.4.1 Fatores De Riscos Modificáveis

Diversos fatores de risco considerados modificáveis foram identificados na pesquisa, sendo os de maiores relevâncias, o uso de tabaco, inatividade física/sedentarismo, seguido da alimentação inadequada e o consumo de bebidas alcoólicas. Portanto, verificou-se que muitos fatores que são predisponentes para o desenvolvimento do câncer poderiam ser evitados por meio de mudança de hábitos não saudáveis, além disso, os riscos modificáveis estão diretamente associados ao nível socioeconômico, pois quanto menor poder aquisitivo mais presente estão os riscos modificáveis.

Conforme o INCA (2018a), o tabagismo é a principal causa dos cânceres de pulmão, laringe, cavidade oral e esôfago, tendo também um importante papel no surgimento de cânceres de bexiga, pâncreas, colo do útero, leucemia mieloide e outros. Ademais, outro fator como a inatividade física e os comportamentos sedentários aumentam consideravelmente o surgimento do câncer.

A inatividade física ligada ou não a obesidade que possui mecanismos da carcinogênese que são: anormalidades na secreção hormonal, resistência à insulina e resposta inflamatória aumentada (INCA, 2018a). Levando o indivíduo a uma rotina sedentária, sendo responsável por alguns tipos de cânceres, mesmo em pessoas com peso corporal adequado (PRADO, 2014).

Estudos realizados por Feitosa e Pontes (2011), levantaram os hábitos de vida e fatores associados à ocorrência de câncer, mostraram que a não pratica de atividade física entre os participantes era de 59,0%, enquanto os que praticavam atividades (18,4%), outros às vezes (11,3%) e raramente (11.3%). A atividade física (ocupacional, de transporte, além da doméstica ou de lazer) de intensidade moderada a vigorosa reduz o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer (INCA, 2017).

Além disso, o consumo do álcool ao contrário do tabagismo cuja prevalência na população brasileira mostra tendência decrescente nas últimas décadas, o consumo de bebidas alcoólicas mantém-se constante principalmente na população jovem sendo uma prática comum, provocando

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aumentos de mortes por acidentes, enquanto que o uso crônico, padrão observado nas idades mais avanças, é o segundo fator relacionado ao desenvolvimento de câncer em humanos (FILHO, 2013). Ainda segundo o autor o consumo do álcool seria responsável por 5,2% das mortes por câncer nos homens e 1,7% nas mulheres no mundo.

Conforme o INCA (2018c), se a população adotar hábitos alimentares saudáveis e a pratica de atividade física, mantendo o peso corporal ideal, aproximadamente um em cada três casos dos tipos de câncer mais comuns poderiam ser evitados.

3.4.2 Fatores De Risco Não Modificáveis

Em relação aos riscos não modificáveis, na pesquisa foi encontrado a idade e o gênero como os dois riscos predominantes. Em se tratando da idade, a maioria dos pacientes atendidos pela UNACON estão na faixa dos 51 a 80 anos, com a predominância do sexo masculino. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2018a), o risco aumenta com a idade na maioria dos cânceres, e por esse motivo eles ocorrem frequentemente no grupo de pessoas com idade mais avançada.

Prado (2014) complementa que na maioria das pessoas, o câncer se desenvolve na idade mais avançada da vida, ou seja, adulto-idoso, e é razoável presumir que o tempo de vida prolongado seja suficiente para que uma série de eventos ocorra no organismo, dentre eles estão as mutações genéticas.

No que diz respeito ao gênero, existem cânceres que por razão anatômica ocorrem em apenas um sexo, como é caso do câncer de próstata e de colo uterino; (INCA, 2018a). Segundo análise do INCA (2017), no Brasil revela que os tumores mais incidentes para mulheres serão os de mama com risco estimado de 56 casos a cada cem mil mulheres, enquanto que para os homens, serão os de próstata, com risco estimando de 66 casos para cada cem mil homens. Quando associados ambos os sexos, o segundo tipo de câncer mais incidente será o de cólon e reto, com cerca de 16 casos para homens e 17 para mulheres, considerando a proporção para cada cem mil habitantes.

3.4.3 História De Câncer Na Família E Grau De Parentesco

Em relação a antecedentes familiares com câncer, 40% dos pacientes atendidos na UNACON apresentaram histórico familiar a algum tipo de câncer na família. Em uma pesquisa no qual envolveu 273 prontuários de pacientes com diagnósticos de câncer de mama, constatou-se uma prevalência de histórico familiar (49,5%), na qual foi considerada toda a história familiar de câncer, sem seleção especifica da história familiar de câncer de mama (DUGNO et al, 2014). Em outro estudo epidemiológico realizado no interior paulista com uma amostra de 51 usuários atendidos em um ambulatório de aconselhamento oncogenético, o estudo mostrou que 35% dos usuários apresentavam

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história familiar de câncer (SILVA et al, 2013). Segundo o INCA (2018a), a história familiar aumenta em duas a três vezes o risco de desenvolver câncer.

Dantas et al. (2009), ainda relata que algumas características estão associadas ao câncer hereditário: como a idade precoce ao diagnóstico, mais de uma neoplasia em um mesmo individuo, vários membros de uma mesma família apresentando a mesma neoplasia ou neoplasias relacionadas e múltiplas gerações acometidas.

De acordo com Quijada (2017) o histórico familiar deve ser levado em consideração, pois 25% dos casos de câncer de próstata tem histórico na família, homens que tiveram pai ou irmão diagnosticados apresentam um aumento de duas a três vezes no risco de desenvolver a neoplasia, o risco ainda aumenta em aproximadamente onze vezes se o diagnóstico ocorrer antes 40 anos em pai ou irmão.

A hereditariedade genética do câncer de colo uterino é descrita como responsável por cerca de 27% dos fatores fundamentais contribuintes para o desenvolvimento tumoral (DA COSTA, 2014).

Diversos fatores de riscos já são bem descritos na literatura como a idade, gênero, densidade do tecido mamário, determinadas condições benignas (lesões proliferativas com e sem atipia) e fatores relacionados ao estilo de vida, alcoolismo, obesidade entre outros fatores. Entretanto uma forte história familiar de câncer de mama é fator de risco mais relevante, estudos de risco empírico, considerando apenas história familiar de 1º grau, identificou que mulheres que tenham familiares de 1º grau diagnosticadas com câncer de mama antes dos 60 anos tem um risco de aproximadamente 2 vezes maior de desenvolver a doença, quando comparadas a população em geral (TEMES, 2017).

4 CONCLUSÃO

O presente estudo buscou conhecer o perfil epidemiológico dos pacientes com câncer atendidos na UNACON dr. Vitor Moutinho no município de Tucuruí-Pa. Para tal, foram analisados 65 prontuários de pacientes que recebem atendimento na unidade. Utilizou-se para coleta de dados um formulário que é composto de 07 (sete) eixos. A partir da pesquisa foi permitido identificar semelhança e particularidades com o perfil epidemiológico de outras regiões do país.

Deve-se ser abordado também com a comunidade sobre os fatores que podem contribuir com o surgimento dos tipos de cânceres que acometem os indivíduos do UNACON, começando com a alimentação, pois como o nível econômico e baixo, muitos tendem a adquirir produtos de baixo preço sendo estes industrializados, exemplo disso são os embutidos e enlatados

Foi observado que existe uma prevalência de três tipos de neoplasia malignas nos municípios de Tucuruí e Breu Branco, o câncer de próstata, de mama e o colo uterino. A apresentação destes

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dados locais pode ser um instrumento para alertar que importância do acesso precoce a exames como PSA, mamografia, avaliação ginecológica com o exame de Papanicolau ou de detecção rápida dos tumores de maior frequência tratados no sistema único de saúde. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores serão as chances de cura. No entanto é preciso apresentar as formas de tratamento para pessoas acometidas por quaisquer neoplasias, pois existem tratamentos radicais como é o caso da cirurgia e radioterapia, a mais brando que são as quimioterapias e hormonioterapias. Na amostra da pesquisa observou-se um predomino dos tratamentos, cirúrgico, radioterapia e quimioterapia adjuvante, ou seja, 66,6% dos tratamentos. É valido ressaltar que a unidade não oferece terapia de radioterapia, os pacientes são direcionados para hospitais de referências na capital do estado ou de outras federações. Assim, dando continuidade a maioria dos participantes se encontram em tratamento, quer dizer, apresentando a sua situação atual na unidade. Pouco são os resultados de alta por cura (0,0%) ou melhora (6,2%). Isso se deve pelo fato talvez de os pacientes buscarem assistência tardias, tornando as terapias mais duradouras.

Após os estudos à uma compreensão de que o câncer é assunto sério, e alavanca a urgência em conhecer, registrar e acompanhar o número e a evolução dos casos de câncer, pois seus fatores de riscos estão em pleno crescimento na sociedade brasileira, efeitos esses relacionados por vezes a globalização, de novas tecnologias e avanços no meio cientifico. Processos esses interligados na sociedade moderna, os quais devem ser pensados intersetorialmente, para haver um fortalecimento da política nacional de prevenção e controle ao câncer. Logo é notável a necessidade de mais estudos focados as neoplasias e outras doenças de importância local, pois existe um mar de conhecimento a ser explorado, os quais podem beneficiar a população e contribuir com a comunidade cientifica.

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TEMES, A, B. Síndromes de predisposição hereditária ao câncer de mama e/ou ovário: análises

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Tabela 1: Características demográficas dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr
Gráfico 1- Prevalência dos tipos de câncer nas faixas etárias dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta  Complexidade em Oncologia Dr
Gráfico 2 – Distribuição dos tipos de câncer nos níveis de escolaridade dos pacientes oncológicos da Unidade  de Alta Complexidade em Oncologia Dr
Gráfico 3 – Frequência dos cânceres por ocupação dos pacientes oncológicos da Unidade de Alta Complexidade em  Oncologia Dr
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Referências

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