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O LUGAR DO COMÉRCIO INFORMAL EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

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O LUGAR DO COMÉRCIO INFORMAL EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

Gabriela BORTOLOZZO UNESP campus Rio Claro [email protected]

Felipe COMITRE UNESP campus Rio Claro [email protected]

Introdução.

O trabalho informal vem se destacando nas últimas décadas, tornando-se cada vez mais freqüente nas grandes cidades do mundo, especialmente em áreas com grande concentração e circulação de pessoas. Muitos autores defendem que este fenômeno é recente, já que vem sendo discutido e comentado por estudiosos de diferentes áreas apenas nas últimas décadas. Contudo, através de um levantamento bibliográfico, constatamos que o comércio informal apresenta vestígios desde o final do século XIX, isto é, a partir da Revolução Industrial e suas conseqüências para a sociedade. Desta forma, este trabalho tem como meta discutir as relações do trabalho informal presente nas cidades, questionando-o com o processo de produção e (re)produção da força-de-trabalho de acordo com a precarização do mesmo.

Seguindo desta maneira iremos relatar como foi se intensificando o trabalho informal e suas variáveis com o passar do século XX até chegarmos no estado atual, onde este fenômeno se tornou muito mais complexo e intenso, gerando conflitos e discussões entorno do assunto.

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Assim, mostraremos como os problemas engendrados pelo sistema não conseguem ser sanados apenas com medidas paliativas tomadas pelos governos locais, já que estes problemas têm sua gênese numa escala muito maior do que as das relações urbanas atuais.

Contextualização histórica do trabalho informal.

As grandes transformações presentes na sociedade inglesa a partir da segunda metade do século XIX e posteriormente nas grandes cidades do mundo ocorreram com a Revolução Industrial. Esta representou uma mudança no modo de produção da época, já que as indústrias implantaram máquinas em seu sistema. Inicia-se assim o capitalismo industrial, responsável por causar uma divisão na sociedade entre burgueses (os detentores de terras e dos meios de produção) e os proletários (trabalhadores industriais).

Outrora as relações de trabalho mantinham vestígios de atividades independentes, isto é, o trabalhador rural tinha a sua terra da qual retirava alimentos que ali eram plantados, bem como possuía sua própria forma de fabricação de produtos. Contudo, com as transformações decorrentes da Revolução Industrial, tornou-se inviável a competição desses trabalhadores manuais com os produtos fabricados pelas indústrias mecanizadas. Cabendo então a eles se deslocarem até as cidades, local das indústrias, para venderem sua mão-de-obra aos burgueses, deixando para trás suas antigas funções para se aventurar nas cidades em busca de manter sua existência neste novo sistema.

Com esta mudança no modo de produzir, o proletário foi reduzido à simples máquinas, atuando em apenas determinadas etapas da produção, devido à especialização necessária para garantir a eficácia na produção, começando assim divisão do trabalho. Desta forma, a burguesia explora ao máximo o operário, retirando-lhe a garantia de possuir uma habitação, alimentação, isto é, de sobreviver, pois seus salários não são ajustados de acordo com estas funções, dando-lhes apenas o direito a uma existência momentânea (de mês em mês), sendo este fator fundamental para os burgueses manterem a reprodução da força de trabalho dos proletários.

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“O proletário está completamente desprotegido. Não tem para si um dia que seja. A burguesia arrogou-se o monopólio de todos os meios de existência no sentido mais amplo do termo. Tudo aquilo quanto o operário necessita, só pode obter dessa burguesia, cujo monopólio, está protegido pelo poder do Estado.” (ENGELS, 1975, p. 112)

A implantação de maquinaria nas indústrias aliada a divisão do trabalho gerou uma deterioração do mesmo, já que os trabalhadores eram explorados ao máximo pelos burgueses, além de perderam empregos devido à mecanização da indústria, tendo como conseqüência o aumento dos desempregados e a degradação da qualidade de vida dos trabalhadores nas cidades.

Assim, neste novo sistema quem detém os meios de produção e de sobrevivência possui o controle da sociedade e dos direitos da cidade, isto é, acesso a qualidade nos serviços. Em contrapartida, os trabalhadores ficam relegados ao acesso destes serviços, suportando as piores condições para sobreviver dia-a-dia nas cidades.

Estas mudanças no modo de viver da sociedade fizeram com que se inserissem novas formas de relações nas cidades. A partir disso, notamos o primórdio do comércio informal tanto no que diz respeito à alimentação quanto vestuário da sociedade. Isto porque, as discrepâncias entre proletário e burguesia contribuíram para a necessidade de se criar um comércio diferenciado do comum e até então formal.

Engels, em seu livro: A situação da classe trabalhadora em Inglaterra, do ano de 1845, apresenta um relato da sociedade inglesa da época que deixa claro esta situação que tanto diferencia as classes e demonstra a gênese desta nova necessidade:

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a classe média escolheu logo de manhãzinha o que havia de melhor. De manha o mercado regorgita dos melhores artigos, mas quando os operários chegam, o melhor está já vendido e mesmo que não estivesse , eles não teriam possibilidade de comprar. As batatas compradas pelos operários são freqüentemente de qualidade inferior, os legumes secos, o queijo velho e de má qualidade, o toicinho rançoso, a carne magra velha e dura, por vezes já em composição e proveniente de animais doentes ou mortos.

Os vendedores são muito freqüentemente pequenos retalhistas que compram mercadoria ordinária e a vendem barata precisamente por causa da sua má qualidade. Os mais pobres trabalhadores têm, além disso, de fazer prodígios para conseguir sobreviver com o pouco dinheiro que ganham, mesmo quando os artigos que compram são inferiores”. (ENGELS,1975,p.101)

Podemos notar então algumas alterações do que é colocado pelo autor naquela época e hoje em dia, já que atualmente existe certo progresso em relação à qualidade dos produtos e ao acesso à população mais pobre, já que existem mais fiscalizações. Porém as semelhanças são impressionantes, já que hoje em dia, ainda é visto um grande contingente populacional sem acesso a utensílios básicos de sobrevivência, até mesmo à alimentação.

O mais importante a ser notado neste trecho, entretanto, é descrição da maneira como os trabalhadores passam a precisar de uma nova forma de comercialização que não a da classe média e alta, já que não conseguem pagar pelos mesmos padrões.

Outro notável trecho deste mesmo livro é o que descreve a falsificação de produtos que já existia na mesma época:

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conseqüências de tais falsificações, são os trabalhadores. O rico, esse não é enganado, pois pode pagar os elevados preços pedidos pelos grandes estabelecimentos que gostam de velar pelo seu bom nome e que estariam a prejudicar-se se vendessem artigos ordinários ou mercadorias falsificadas. O rico, minado pela boa comida, nota mais facilmente a fraude graças a um paladar mais apurado.

Mas o pobre, o operário, para quem alguns pences representam uma soma considerável, o operário que tem que comprar muito por pouco dinheiro, que não pode permitir-se prestar atenção a qualidade, nem nunca teve a ocasião de apurar seu gosto, aceita todos os produtos adulterados, direi mesmo envenenados.Tem de recorrer aos pequenos comerciantes e até mesmo comprar a crédito já que aqueles, devido ao seu pequeno capital e aos encargos gerais, não podem vender produtos de idêntica qualidade a preço tão baixo como os grandes comerciantes, sendo constrangidos a fornecer, genéricos falsificados, para ir ao encontro dos baixos preços pedidos e da concorrência dos outros.” (ENGELS, 1975, p.105)

Nota-se ainda, na segunda parte deste trecho maior semelhança aos dias atuais, quando é destacado que os “pequenos comerciantes”, chamados assim pelo autor, utilizam-se da antiga artimanha da falsificação para alcançar os baixos preços. Fator este, um dos mais importantes pela procura de tais vendedores pela população mais pobre, tanto em 1845, quanto na atualidade.

Sendo assim, os vendedores ambulantes muito se assemelham aos vendedores citados outrora, pois além de conservarem o público mais pobre ainda sofrem com a concorrência de mercado, mesmo que por um lado ganhem com a população de baixa renda, ainda lhes resta a escória de não serem reconhecidos, além de não competir com o público das grandes empresas e marcas.

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Dentre as características econômicas as quais os trabalhadores brasileiros estão inseridos na contemporaneidade, a informalidade tem ganhado cada vez mais adeptos. Apesar de não ser um fenômeno recente, algumas pesquisas apontam que essa condição de trabalho vem se popularizando, principalmente nos grandes núcleos urbanos do país.

Esse fenômeno pode ser entendido por diversas variáveis, como por exemplo, o desemprego causado pelas constantes crises do capitalismo e que de forma dialética se materializa nos espaços urbanos.

Baseando-se na idéia de que o surgimento do trabalho informal dá-se a partir da revolução industrial, podemos afirmar então que houve uma intensificação deste comércio no século XX, principalmente nos anos 60 e nas próximas décadas, 70,80 e 90 e suas conseqüentes evoluções em relação à quantidade e complexidade da composição desses trabalhadores.

Sendo assim, na década de 70 a maior influencia na intensificação do trabalho informal foi o processo acelerado de crescimento demográfico, principalmente nos países subdesenvolvidos, que acabou por gerar, dentro do sistema global capitalista em desenvolvimento, a falta de emprego cabível a todos cidadãos.

Com o passar dos tempos, o desenvolvimento das cidades, da industrialização tardia e o êxodo rural acabaram por engendrar novos problemas nas grandes cidades dos países subdesenvolvidos e não por coincidência, também no Brasil. As exigências nas indústrias começaram a se tornar cada vez maiores e os migrantes do campo que não se adaptassem aos novos padrões empregatícios sofreram as piores conseqüências, restando-lhes a informalidade.

Desta forma, segundo Gonçalves a partir dos anos 80:

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ambulante, de camelôs, empregados domésticos, catadores de papel, e os mais diversos tipos de prestação de serviços e as pequenas unidades produtivas.” (GONÇALVES, 2002, p. 4)

Porém, o mesmo autor defende que depois dos primórdios da década de 80 a economia mundial vai sofrer novas transformações, insere-se uma forma de utilização do trabalho que irá diferenciar ainda mais os trabalhadores, o uso das tecnologias, e o fenômeno do trabalho informal deixa de ser apenas dos países mais pobres.

Desta maneira, consolida-se então uma ideologia, e a força do trabalho é tida também como mercadoria. O trabalho humano, que passa a ser explorado perversamente, passa a ser menos valorizado e é aí que se ressalta o subemprego.

Atualmente, devido ao crescimento deste processo de modernização, cada vez mais acelerado, exigido pelo mercado e pelo sistema, o trabalho informal começa a ser uma opção aos trabalhadores, principalmente àqueles que desejam se inserir no comércio. Reproduzem, assim, os vendedores ambulantes.

Desta maneira, é a partir de 1990 que os reflexos da precarização do trabalho tornam-se nitidamente visível. A maior parte das cidades brasileiras começa a demonstrar os seus trabalhadores informais, e como parte compositora destes, os vendedores ambulantes se alastram por todas as cidades e nos principais centros comercias das mesmas. O fenômeno deixa de ser pontual e estende-se para as cidades médias.

Tais vendedores, os quais o trabalho formal fora rejeitado, buscam os seus lugares nas competitivas e excludentes cidades brasileiras. Em muitas delas, chegam a ocupar ruas, avenidas, praças, centros, etc. Desta maneira, eles estão buscando o que lhes fora roubado, o direito a cidade e ao trabalho.

Outras características como baixa escolaridade, processos migratórios, correlacionados com a necessidade a qual o modo de produção capitalista exige um vasto exército de reserva de mão de obra para se manter, faz com que cada vez mais o numero de trabalhadores busquem na informalidade sua saída para sobreviver.

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Outro problema que se alia a lógica do mercado informal é a contribuição de grandes corporações no que diz respeito ao fornecimento de mercadorias, preocupados em não perder essa fatia do mercado (classes C e D), que segundo pesquisas recentes da FGV - Fundação Getulio Vargas (2009), destaca essas classes como maiores consumidores no país. Para não perder essa importante fonte de lucros, o que acontece é que algumas empresas repassam seus produtos de menores qualidades de maneira direta aos comerciantes, burlando assim duplamente os encargos fiscais, tanto na venda como na compra, fazendo assim com que esses produtos cheguem às ruas com um preço acessivo aos consumidores dessas classes econômicas.

Outra característica marcante da informalidade na atualidade é que cada vez mais os trabalhadores estão procurando e até mesmo priorizando essa forma de trabalho (sem patrão e sem carteira assinada), estudos do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – 1995 – mostra que entre os trabalhadores brasileiros, 38,6 % estão na informalidade e dentre esses, 85% dos que deixaram o trabalho assalariado para ter um negócio próprio não querem mudar de ramo ou buscar emprego no mercado formal. Afinal, grande parte dessas pessoas foram demitidas das indústrias por serem trabalhadores menos qualificados e, ao ingressarem na venda informal de serviços ou produtos, aumentaram sua renda em relação à situação anterior, sendo assim podemos concluir que a chegada do trabalhador ao mercado informal não é aleatória.

A questão da entrada do jovem trabalhador nesse ramo de atividade também confirma mais essa hipótese de não aleatoriedade, segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – 2009 -, cujo escritório no Brasil acaba de preparar um estudo sobre o Trabalho Decente e a Juventude no Brasil, destaca a elevada informalidade do mercado de trabalho para os jovens. O emprego com carteira assinada é uma exceção. Do total de 18 milhões de jovens ocupados no Brasil, cerca de 10,6 milhões estavam, em 2007, em ocupações informais. O mais afetado pela informalidade é o que possui menor nível de escolaridade. O déficit do emprego formal, segundo a OIT, chega a 14,3 milhões de postos para os jovens e abrange os 3,6 milhões de desempregados e os 10,6 milhões de informais.

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O caso de São José do Rio Preto.

Segundo Silvério (2008), São José do Rio Preto é construída pelo trabalho e experiência de inúmeros trabalhadores e muitos deles enfrentam a falta de emprego com carteira assinada vivendo sob carências básicas nas condições de trabalho. Estimava-se em 2008 que cerca de 2000 vendedores ambulantes constituíam a cidade.

Com isso, pode-se notar que o fenômeno da falta de trabalho formal, também nesta cidade, gera um número expressivo do subemprego, e neste caso específico, de vendedores ambulantes e camelôs.

A autora Silvério (2008) ainda expõe em seu artigo um importante trecho que trás a visão dos trabalhadores informais, uma vez que realizou uma empírica pesquisa na cidade de São José do Rio Preto, através de entrevistas com a população e os trabalhadores em discussão. Tal trecho refere-se a questão de como o trabalho informal acaba se tornando uma opção:

“A não inserção no mercado de trabalho formal há muitos anos, trouxe como possibilidade o trabalho como vendedores ambulantes; passando a ser o modo de vida pelo qual se acostumaram e, em muitos casos, tomaram gosto, mesmo vivendo muitas dificuldades. Para muitos destes trabalhadores a atividade comercial na informalidade foi sempre o único modo de vida e de trabalho(...)” (SILVÉRIO, 2008, p. 4)

Contudo, a inserção desses trabalhadores informais nos espaços públicos, como já foi citado, muitas vezes não é bem quisto pela sociedade, em principal pelos governos e políticos. Os lugares que são ocupados pelos ambulantes nos centros urbanos, por uma questão de escala começam a gerar polêmicas e com isso, uma das principais preocupações do poder público começa a ser o lugar que irão ocupar estes vendedores.

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Afinal, a este tipo de trabalhadores não se encaixam as premissas do mundo globalizado, a divisão internacional do trabalho, suas tecnologias e avanços.

As soluções para este suposto problema, seguindo as lógicas do capital do mundo global serão paliativas, e trarão, obviamente, maiores vantagens aos sistemas das empresas e governos ideologicamente neoliberais, desconsiderando as necessidades e os maiores interesses dos trabalhadores informais.

Durante o desenvolvimento do trabalho de Campo realizado pelo um grupo de alunos de graduação de geografia oferecido na disciplina de Trabalho de Campo Integrado da Unesp de Rio Claro, foi possível observar que na cidade de São José do Rio Preto também foi detectado o anterior problema citado, dos espaços urbanos,logicamente notado pelo governo da cidade e pela comunidade local, as resoluções paliativas foram devidamente tomadas.

Como foi possível analisar, em um primeiro momento o grupo verificou que uma das grandes aglomerações do comércio ambulante da cidade se dava na praça central Dom José Marcondes, até o ano de 2008. Porém, através das reivindicações dos próprios ambulantes por uma questão de condições de trabalho mais favorável, da população e dos notáveis efeitos do comércio no centro urbano percebido pelos governantes da cidade, tais comerciantes foram retirados do local.

Para isto, foi construída sobre a rodoviária da cidade uma estrutura adaptada para venda dos artigos oferecidos pelos ambulantes, denominada “Palácio dos Camelôs”, agora regularizados pela prefeitura e com infra-estrutura tanto para quem trabalha, quanto para quem ali consome.

Nota-se que, com tal mudança o número de ambulantes que se localizam na praça reduziu quando foram transferidos para a rodoviária, além de constatarmos, através de entrevistas realizadas atualmente com os próprios vendedores, que o movimento e número de clientes diminuiu drasticamente.

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Em outro momento a mesma autora explica que a atitude de retirada de ambulantes de um local central já havia ocorrido anteriormente, porém em outro ponto de aglomeração da mesma cidade, o entorno do Hospital de Base, que anos mais tarde foi transferido para o chamado “Shopping Popular”, criado pelo governo do município.

Neste momento o mesmo descaso em relação à preocupação dos ambulantes pode ser observada, já que os trabalhadores informais da época acreditavam que a mudança das barracas para a prepotente estrutura de um shopping, poderia causar recuo dos antigos clientes.

Portanto, nota-se que em ambos os casos ocorridos em São José do Rio Preto, as expectativas e receios dos vendedores ambulantes pouco foram avaliadas pelo poder público, que se mostram imponentes na implantação de seus objetivos para organizar e ordenar a cidade.

As melhorias reconhecidas pelos trabalhadores hoje em relação a estas mudanças de local são, não coincidentemente, em que se referem às melhorias de condição de trabalho, como higiene, estrutura e segurança. Estas mesmas também possibilitam a cobrança do condomínio do espaço de trabalho; que antes era gratuito; a obrigatoriedade a associação dos trabalhadores informais da cidade; dos quais são cobrados impostos, entre outras exigências que elevou o custo da existência desses vendedores.

Nesta perspectiva, foi possível constatar, tanto através da pesquisa realizada em campo quanto pelas realizados por outros autores, que ocorre uma desvalorização dos interesses lucrativos e subjetivos em relação aos vendedores ambulantes, que constroem uma identificação com o lugar onde trabalham, relacionam-se em vias públicas e garantem seus sustentos justamente devido às informalidades, do local, das relações e do comércio.

Considerações Finais.

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décadas. Desta forma, o comércio informal data-se da segunda metade do século XIX, já que as mudanças na forma de viver e de produzir da sociedade degradaram as condições dos trabalhadores das fábricas, pois a (re)produção de sua força de trabalho não era compatível com o direito a cidade, isto é, seus salários não condiziam com a satisfação das necessidades básicas para sobreviver nas mesmas.

A partir desta mudança, o capitalismo foi se transformando e se reinventando para se enquadrar e prosperar nas novas etapas do sistema. Incorporando cada vez mais novas tecnologias aos modos de produção que fomentaram as desigualdades entre os detentores dos meios de produção e os trabalhadores, bem como causaram maior precarização do trabalho, devido ao aumento do número de desempregados e dos subempregos.

Estes fatos propiciaram a criação de um novo tipo de comércio que atendesse ao poder de compra da classe trabalhadora, contudo, a qualidade dos produtos são inferiores as destinadas para classe média alta, tendo baixa fiscalização, geralmente adulterados e falsificados.

Os vendedores ambulantes quando passam a se posicionar em meio público, estão se revelando como os resultados das falhas do sistema, que a partir de certo momento deixam de ser apenas escória do mesmo e passam a se reinventar para própria sobrevivência, é assim que o sistema passa a não suportar sua própria criação. As soluções adotadas, então, são improváveis: tentam regularizar o que já é por essência irregular, informal, ilegal, desigual, tenta-se arrumar o que o próprio sistema não permite.

Desta forma, as resoluções tornam-se paliativas e temporárias. Como foi possível observar, os problemas se encobrem durante um curto período de tempo, e é possível constatar, sejam em cidades médias como em São José do Rio Preto no interior do estado de São Paulo, assim como em suas metrópoles e capitais,ou em qualquer outra cidade do mundo, que os problemas não são sanados, mas apenas mudam de lugar.

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do capitalismo, que nunca consegue interromper a crescente desigualdade social, que é a gênese não só da existência trabalho informal, mas de vários outros fenômenos sociais no espaço.

Bibliografia:

http://www.fgv.br/cps/fc/ - Consumidores, produtores e a nova classe média: miséria, desigualdade e determinantes das classes. Coordenação: Marcelo Cortes Neri.

ANDRADE GONÇALVES, . THOMAZ JUNIOR, A. Informalidade e precarização do trabalho: uma contribuição a geografia do trabalho. Scripta Nova, Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, Universidad de Barcelona, vol. VI, nº 119 (31), 2002. [ISSN: 1138-9788] http://www.ub.es/geocrit/sn/sn119-31.htm

ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora em Inglaterra. Coleção SÍNTESE. Livraria Martins Fontes. Editorial Presença. Tradução de Conceição Jardim e Eduardo Lúcio Nogueira, 1975.

KOWARICK, L. A espoliação urbana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

Referências

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