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Contexto de trabalho e acidentes em serviço no âmbito de uma maternidade escola

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE PROCESSOS INSTITUCIONAIS

WALKER ALVES DA COSTA E SILVA

CONTEXTO DE TRABALHO E ACIDENTES EM SERVIÇO NO ÂMBITO DE UMA MATERNIDADE ESCOLA

NATAL -RN 2019

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WALKER ALVES DA COSTA E SILVA

CONTEXTO DE TRABALHO E ACIDENTES EM SERVIÇO NO ÂMBITO DE UMA MATERNIDADE ESCOLA

NATAL -RN 2019

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Gestão de Processos Institucionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão de Processos Institucionais

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Denise Pereira do Rego

Linha de Pesquisa: Inovação, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida nas instituições.

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WALKER ALVES DA COSTA E SILVA

CONTEXTO DE TRABALHO E ACIDENTES EM SERVIÇO NO ÂMBITO DE UMA MATERNIDADE ESCOLA

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Denise Pereira do Rego

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

__________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Anuska Irene de Alencar

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

__________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Alda Karoline Lima da Silva

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes -CCHLA

Silva, Walker Alves da Costa e.

Contexto de trabalho e acidentes em serviço no âmbito de uma maternidade escola / Walker Alves da Costa e Silva. - Natal, 2019.

151f.: il. color.

Dissertação (mestrado) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Gestão de Processos Institucionais, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2019.

Orientadora: Profa. Dra. Denise Pereira do Rego.

1. Contexto de Trabalho - Dissertação. 2. Acidentes em serviço - Dissertação. 3. Hospitais Universitários - Dissertação. I. Rego, Denise Pereira do. II. Título.

RN/UF/BS-CCHLA CDU 331.46

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AGRADECIMENTOS

A Deus pelo dom da vida, por me manter firme e calmo nos momentos mais difíceis. Espero ser um servo do bem mesmo longe da Igreja.

Um agradecimento mais que especial ao meu irmão e meu melhor amigo, Walter Júnior, por me apoiar e ajudar durante toda minha formação acadêmica. TE AMO!

Aos meus amados pais, Walter Pedro e Isailda Alves, por me apoiar em todos os momentos. Não posso deixar de agradecer à minha orientadora, Professora Doutora Denise Rego, por toda a paciência, empenho e sentido prático com que sempre me orientou neste trabalho e em todos aqueles que realizei durante as disciplinas do mestrado. Muito obrigado por me incentivar e me manter forte mesmo sendo uma zona que não era do meu conforto.

À Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em especial às pessoas que fazem parte da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Mirian Dantas dos Santos, Calúcio Porfírio e Júlio Cézar), pelo incentivo e apoio total nessa conquista. Espero retribuir tudo que fizeram por mim.

Por fim, a Erlanny Maria pela paciência durante todo esse tempo. Obrigado por comemorar junto comigo cada conquista, você foi muito importante na minha formação profissional.

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Dedico à minha rainha e avó materna

Isabel Alves que, além do amor e

carinho sem medida, me fez juntamente

com meus pais ser um homem bom.

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RESUMO

O Contexto de Trabalho, enquanto local material, organizacional e social no qual se operam as atividades e as estratégias individuais e coletivas de mediação utilizadas na interação com a realidade de trabalho, exerce grande influencia sobre os trabalhadores. O ambiente hospitalar configura-se como espaço consensualmente de risco à saúde e a segurança, principalmente em decorrência de aspectos contextuais, tais como a forma de organização, as condições de trabalho e as relações socioprofissionais que nele se estabelecem. O presente estudo teve como objetivo investigar os acidentes em serviço a partir de uma analise do contexto em que se dão as atividades laborais dos funcionários da Maternidade Escola Januário Cicco - MEJC, hospital escola vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A pesquisa descritiva utilizou como estratégia metodológica o estudo de caso e como instrumentos de coleta de dados a análise documental e a utilização da Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho – EACT, sendo os dados analisados utilizando-se estatística descritiva e inferencial. Os resultados indicaram que os acidentes em serviço envolvendo servidores sob o Regime Jurídico Único RJU são mais frequentes entre aqueles funcionários com mais tempo de experiência profissional (15 anos ou mais na instituição). Em relação à distribuição por categoria profissional, cargo ou função, os técnicos e os auxiliares em enfermagem se mostraram três vezes mais propensos a se acidentar que os enfermeiros, médicos e demais profissionais de saúde. Observou-se haver maior incidência de Acidentes Típicos (89%), seguido de Acidentes de Trajeto (8%) e Doenças do Trabalho (3%). As causas mais frequentes dos acidentes foram quedas e contato com material possivelmente infectado. De modo geral, quanto aos aspectos inerentes ao contexto de trabalho, os resultados indicam que este pode ser classificado como crítico. Quando se analisa por dimensão, o fator “Organização do Trabalho” apresentou o score médio mais preocupante, muito próximo do limite de classificação grave. Todos os itens dessa dimensão são classificados como críticos, exceto os itens “O ritmo de trabalho é acelerado” e “As tarefas são repetitivas”, que apresentaram resultados ainda piores, classificados como graves. Comprovou-se, assim, uma correlação estatisticamente significativa entre a incidência de acidentes de trabalho e a forma como o trabalho se organiza. Neste sentido, a principal contribuição deste estudo foi apontar a importância de se investir na prevenção e promoção da saúde e bem-estar, pois, no momento, para uma amostra considerável de indivíduos, trabalhar na MEJC/UFRN coloca os servidores em uma situação crítica, requerendo providências a curto e médio prazo. Como proposta, detalhou-se em um plano de ação com medidas para a minimização dos acidentes e melhoria do contexto de trabalho da MEJC/UFRN.

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ABSTRACT

The work context, as a material, organizational and social site in which the activities and the individual and collective mediation strategies used in the interaction with the reality of work, have a great influence on the workers. The hospital environment is a consensual space with a risk to health and safety, mainly due to contextual aspects such as the form of organization, the working conditions and the socio-professional relations that are established in it. The present study aimed to investigate accidents in service based on an analysis of the context in which the work activities of the Januário Cicco - MEJC Maternity School hospital staff, a school hospital linked to the Federal University of Rio Grande do Norte. The descriptive research used as a methodological strategy the case study and as instruments of data collection the documentary analysis and the use of the Scale of Evaluation of the Work Context - EACT, being the data analyzed using descriptive and inferential statistics. The results indicated that accidents in service involving servers under the Single Legal Regime RJU are more frequent among those employees with more professional experience (15 years or more in the institution). Regarding the distribution by professional category, position or function, technicians and nursing assistants were three times more likely to be injured than nurses, doctors and other health professionals. It was observed a higher incidence of Typical Accidents (89%), followed by Road Accidents (8%) and Work Illnesses (3%). The most frequent causes of accidents were falling and contact with possibly infected material. In general, regarding the inherent aspects of the work context, the results indicate that it can be classified as critical. When analyzed by size, the "Work Organization" factor presented the most worrisome average score, very close to the severe classification limit. All items in this dimension are classified as critical, except for the items "The work rate is accelerated" and "Tasks are repetitive", which have even worse results classified as serious. Thus, a statistically significant correlation was found between the incidence of work accidents and the way work is organized. In this sense, the main contribution of this study was to point out the importance of investing in the prevention and promotion of health and well-being, because at the moment, for a considerable sample of individuals, working in MEJC / UFRN places the servers in a critical situation, requiring short- and medium-term measures. As a proposal, it was detailed in an action plan with measures to minimize accidents and improve the working environment of the MEJC / UFRN.

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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

AEAT Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho CCHLA Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes CID Classificação Internacional de Doenças CLT Consolidação das Leis do Trabalho

COPS Coordenadoria de Promoção da Segurança do Trabalho e Vigilância Ambiental DAS Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor

EACT Escala de Avaliação de Contexto de Trabalho EBSERH Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares EUA Estados Unidos da América

HUF's Hospitais Universitários Federais HU's Hospitais Universitários

IFES Instituições Federais de Ensino Superior MEJC Maternidade Escola Januário Cicco MPS Ministério da Previdência Social MPT Ministério Público do Trabalho MS Ministério da Saúde

MT Ministério do Trabalho

NBR Norma Brasileira aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas NR's Normas Regulamentadoras

OHSAS Occupational Health and Safety Assessments Series OIT Organização Internacional do Trabalho

POA Plano Operativo Anual

PPGGPI Programa de Pós-Graduação em Gestão de Processos Institucionais PROGESP Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas

REHUF Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais RJU Regime Jurídico Único

RP Riscos Psicossociais

SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho SIAPE Sistema Integrado de Administração de Pessoal

SUS Sistema Único de Saúde

TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TST Técnico em Segurança do Trabalho

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Mudanças históricas das instituições de saúde...26 Quadro 2 - Quantitativo de servidores RJU UFRN/MEJC...33 Quadro 3 - Quantitativo de funcionários EBSERH/MEJC...33 Quadro 4 - Condições de trabalho antes e depois da contratualização da EBSERH em um HU...43 Quadro 5 - Níveis da cultura antes e após a contratualização com a EBSERH em um

HU...48 Quadro 6 - Resumo dos riscos e agentes ambientais...50 Quadro 7 - Distribuição dos Riscos psicossociais relacionados ao contexto de e conteúdo do trabalho...52 Quadro 8 - Resumo dos métodos estatísticos utilizados no estudo...67 Quadro 9 – O produto do diagnóstico (Plano de ação) ...130

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Gráfico 1 - Quantitativo de Acidentes de Trabalho no Rio Grande do Norte por Classe

Econômica, 2012 a 2017...16

Gráfico 2 - Total de afastamentos de servidores da MEJC pelo CID 10 – F...21

Gráfico 3 - Quantitativo de acidentes da Classe Econômica 86 (Serviços em Saúde)...59

Gráfico 4 - Quantitativo de Servidores da MEJC-UFRN por faixa etária e sexo...61

Gráfico 5 - Quantitativo de acidentes de trabalho por tipo em atividades de atendimento hospitalar (CNAE 86.1) – 2015 2017...72

Gráfico 6 - Quantitativo de acidentes de trabalho por função em servidores RJU na MEJC/UFRN...90

Figura 1 - Vista da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC)...19

Figura 2 - Organograma da MEJC/UFRN/EBSERH...34

Figura 3 - Órgãos de Administração e Fiscalização em detalhes...39

Figura 4 - Principais níveis de análise cultural...47

Figura 5 – Parâmetros básicos para interpretação de resultados da EACT...63

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - As categorias das condições de trabalho (descrição)...41 Tabela 2 - Análise descritiva dos fatores sociodemográficos dos acidentes de trabalho com servidores RJU na MEJC/UFRN...69 Tabela 3 - Análise descritiva dos acidentes em serviço dos servidores RJU da MEJC/UFRN quanto ao tipo, parte do corpo atingida e causa/objeto causador atribuído...70 Tabela 4 - Distribuição dos entrevistados (n=62) segundo variáveis sociodemográficas e laborais...74 Tabela 5 - Consistência interna e análise descritiva das dimensões do contexto de trabalho e seus respectivos itens...80 Tabela 6 - Comparação entre médias (Teste t de Student) das dimensões do contexto de trabalho segundo variáveis sociodemográficas e laborais (com 2 níveis)...82 Tabela 7 - Comparação entre médias (ANOVA) das dimensões do contexto de trabalho segundo variáveis sociodemográficas e laborais (com mais de 2 níveis) ...84 Tabela 8 - Correlações entre as dimensões do contexto de trabalho e variáveis

sociodemográficas e laborais (contínuas)...85 Tabela 9 - Distribuição do quesito “Você já se acidentou” segundo as variáveis

sociodemográficas e laborais...87 Tabela 10 - Comparação entre as medianas (Teste de Mann-Whitney) das variáveis

sociodemográficas e laborais (contínuas) e acidentes de trabalho...90 Tabela 11 - Comparação entre as médias (Teste t) das dimensões do contexto de trabalho e acidentes de trabalho...91

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...15 1.1Contextualização e problemática... 20 1.2Objetivos...20 1.2.1 Objetivo Geral... 20 1.2.2 Objetivos Específicos... 21 1.3Justificativa... 21 2APORTES TEÓRICOS... 23

2.1O trabalho em um contexto de mudança...23

2.1.1 Novas formas de gestão...23

2.1.2 Precarização do trabalho...24

2.2O contexto de trabalho em saúde... 25

2.2.1 Evolução histórica dos hospitais...25

2.2.2 Os Hospitais Universitários Federais... 27

2.2.3 O Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais – REHUF...29

2.2.4 A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) como gestora dos hospitais universitários brasileiros...35

2.2.4.1 A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH)... 35

2.2.4.2 Competências da EBSERH... 36

2.3 Alguns elementos para a análise do contexto de trabalho no ambiente hospitalar...40

2.3.1 Condições de Trabalho... 40

2.3.2 Cultura Organizacional...44

2.3.3 Riscos Ocupacionais...49

2.3.3.1 Riscos Psicossociais... 51

2.4 Acidentes de Trabalho em Unidades de Saúde... 53

2.4.1 Breve histórico sobre a Segurança do Trabalho no Brasil...54

2.4.2 A literatura sobre Acidentes de Trabalho...55

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3.1 Tipo da pesquisa... 60

3.2 Área de abrangência e delimitação da amostra...60

3.3 Instrumento de coleta de dados...62

3.3.1 Pesquisa Documental...62

3.3.2 Questionário Sociodemográfico e Funcional e Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho-EACT...62

3.4 Etapas da Pesquisa... 65

3.5 Análise dos dados...65

3.6 Considerações éticas...68

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES...69

4.1 Acidentes em Serviço na Maternidade Januário Cicco... 69

4.2 Aspectos sociodemográficos e laborais... 74

4.3 Contexto de trabalho...79

4.4 Relações entre o contexto de trabalho e aspectos sociodemográficos e laborais...82

4.5 Relações entre acidentes de trabalho e variáveis sociodemográficas e funcionais... 86

4.6 Relações entre acidente de trabalho e o contexto de trabalho...91

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...93

PLANO DE AÇÃO VISANDO A DIMINUIÇÃO DOS ACIDENTES EM SERVIÇO E A MELHORIA DO CONTEXTO DE TRABALHO DA MEJC... 97

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 131

ANEXO 1 – QUESTIONÁRIO SÓCIO-DEMOGRÁFICO...144

ANEXO 2 – ESCALA DE AVALIAÇÃO DO CONTEXTO DE TRABALHO – EACT...146

ANEXO 3 – MODELO DE ANÁLISE DE ACIDENTE EM SERVIÇO...147

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1 INTRODUÇÃO

Com o advento da globalização a relação trabalho e saúde tem sido objeto de diversos estudos devido à sua grande importância para a sociedade. O trabalho, em anos anteriores, era considerado como atividade que causava dor e sofrimento e logo passou a ocupar um lugar de destaque na vida dos homens como uma conquista pessoal (ORNELLAS; MONTEIRO, 2006).

O trabalho, além de significar como indispensável, maneira pela qual o ser humano garante sua sobrevivência, confere-lhe identidade, integra sua personalidade e, muitas vezes, significa a razão do seu viver. O trabalho desencadeia diferentes graus de motivação e satisfação, principalmente quanto à forma e ao meio em que ele é desenvolvido (MUROFUSE, 2004). Na medida em que o indivíduo se insere no contexto de uma organização, está sujeito a variáveis que afetam diretamente o seu trabalho, bem como a vida fora dele, tanto de forma positiva como negativa (STUMM et al., 2009).

Quando se trata de trabalho, em especial os sistemas e serviços de saúde, estes enfrentam as mais diversas dificuldades e obstáculos em todo o mundo. Se por um lado muitos países buscam ainda garantir o acesso de suas populações aos serviços básicos de saúde que são acometidas por doenças que já deveriam estar controladas, outros têm suas prioridades voltadas ao atendimento de populações cada vez mais envelhecidas e portadoras de doenças crônicas, com demandas e necessidades cada vez maiores (JAMISON et al., 2013). Partindo da premissa que as atividades laborais em ambientes de saúde tem processos de trabalhos dinâmicos e bastante intensos, conseguiu-se verificar na extensa literatura relatos de condições de trabalho insatisfatórias, nas quais se identificam ambientes que são geradores de acidentes de trabalhos, temperaturas do ambiente inadequadas, falta de equipamentos de proteção individual, ruídos acima da NBR/ABNT 10152 que trata de níveis de ruído para conforto acústico em ambientes de trabalho, relatos de assédios morais e sexuais, entre outros, estimulando assim, desmotivação, esgotamento físico excessivo, queda de produtividade, acidentes e problemas de saúde (SANTANA, 1996).

A saúde do trabalhador tem papel importante nesse cenário e segundo a Lei Orgânica da Saúde - 8.080/90, Artigo 6º, Parágrafo 3°, entende-se por saúde do trabalhador, o conjunto de atividades que se destinam, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho.

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Dentre os inúmeros riscos aos quais o trabalhador está exposto, destacam-se os relativos aos acidentes de trabalho. Segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), entre os anos de 2012 a 2017 foram computados 2.960 acidentes de trabalho (acidentes típicos, de trajeto e doenças do trabalho) na área da saúde no Rio Grande do Norte, tornando essa atividade econômica como uma das protagonistas na geração de acidentes no cenário brasileiro. Tendo em vista o fato dos serviços de saúde exigir dos trabalhadores alta produtividade em tempo limitado e em condições, no geral, inadequadas de trabalho, diversos são os riscos aos quais estes trabalhadores podem estar expostos (BRASIL, 2014)

Gráfico 1: Quantitativo de Acidentes de Trabalho no Rio Grande do Norte por Classe Econômica, 2012 a 2017

Fonte: Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho - MPT

A partir de uma análise da literatura sobre Saúde e Segurança do Trabalho, fica claro que os assuntos referentes aos riscos do trabalho são tratados muito resumidamente (riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes), sendo que, a regulação das empresas e instituições, se dá por meio das Normas Regulamentadoras - NRs.

Para contextualizar as NR’s, destaca-se que a Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego é o ato jurídico que aprova as Normas Regulamentadoras - NR (no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho). Tal portaria regulamenta a prevenção, de forma a minimizar os efeitos do

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trabalho na saúde e completa, em 2018, quatro décadas de existência. Não seria exagero considerar que ela impactou consideravelmente o cenário de doenças e acidentes do trabalho no Brasil. Acredita-se que inúmeras vidas foram poupadas por causa das medidas exigidas. Centenas de empresas no Brasil e no exterior foram beneficiadas pela aplicação das Normas Regulamentadoras.

As Normas Regulamentadoras foram criadas com o intuito de garantir que o trabalhador tenha segurança no trabalho e, portanto, elas têm o propósito de criar ambientes adequados, seguros e salubres. O não cumprimento delas implica em multas, processos judiciais e outras complicações. Todo esse rigor torna o ambiente melhor, uma vez que traz benefícios bem compensadores, tais como a redução de gastos com licenças médicas, afastamentos e demandas judiciais e diminuição do índice de absenteísmo.

Todas as NRs trazem informações objetivas que auxiliam os profissionais da área de Saúde e Segurança do trabalho (Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho; Enfermeiro do Trabalho, Técnico em Segurança do Trabalho, Técnico ou Auxiliar de Enfermagem do Trabalho) a organizarem as atividades laborais de forma a minimizar e/ou neutralizar acidentes no trabalho.

No cenário político atual, observa-se um amplo processo de revisão das Normas Regulamentadoras sempre mantendo o discurso de simplificação das regras. Segundo o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, tais mudanças continuam visando a segurança dos trabalhadores, porém externa que é preciso mudar a legislação pra reduzir custos e gerar empregos.

Reconhece-se que, devido às diversas transformações no mundo do trabalho, progressivamente ganham destaque os chamados riscos emergentes, ou seja, riscos novos e em crescente expansão, entre eles, os riscos psicossociais, ganham destaque. Estes riscos adquiriram uma maior relevância face às evidências da sua relação com o aumento de processos patológicos nos trabalhadores (AGÊNCIA EUROPÉIA PARA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO, 2010 e VILLALOBOS, 2004).

Mudanças na natureza do trabalho nas últimas décadas contribuíram para a geração de riscos psicossociais. Com a diminuição do emprego industrial e aumento no tamanho do setor de serviços, maiores são a exigências físicas associadas aos riscos psicossociais, mais típicos em tal contexto (BENACH E MUNTANER, 2007). O relatório publicado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho sobre os riscos psicossociais no trabalho,

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revela que as mudanças no local de trabalho, juntamente com conjuntura socioeconômica, demográfica e política, incluindo o fenômeno da globalização, levaram ao surgimento dos chamados riscos psicossociais emergentes, que têm consequências diretas sobre a saúde e segurança dos trabalhadores (GIL-MONTE, 2012).

Segundo a Agência Europeia para Segurança e Saúde no Trabalho, ter boas condições de trabalho e prevenir os riscos psicossociais, podem contribuir para uma força de trabalho saudável, que por sua vez ajudará a apoiar a sustentabilidade financeira das organizações. No contexto das alterações demográficas, ter saúde e bem-estar é um pré-requisito para tornar o trabalho sustentável ao longo da vida laboral de uma pessoa, bem como o aumento da produtividade profissional.

Investir na prevenção ou redução dos agravos desses riscos, podem fazer um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Em geral, o dano causado pela exposição aos riscos psicossociais é de natureza psicológica, embora seja possível identificar alguns danos físicos, como dores de cabeça, irritação e cansaço, por exemplo (FACAS, 2013).

Nesse sentido, compreender como os trabalhadores avaliam seu contexto de trabalho se torna um diferencial competitivo, pois é por meio dessa imagem interpretada por cada um deles que surgirão resultados capazes de propor mudanças no ambiente, que contribuirão para um processo produtivo mais eficiente e eficaz.

Realizando uma busca por estudos no Setor de Saúde, muitas são as pesquisas que tratam, principalmente, de condições de trabalho, adoecimentos dos profissionais de saúde, riscos ocupacionais, entre outros. Entretanto, os estudos que contemplam riscos psicossociais e acidentes de trabalho ainda são poucos. O desconhecimento e o pouco entendimento com relação aos acidentes e riscos ambientais, organizacionais e psicossociais dos ambientes de trabalho voltados para a área da saúde, aliados a ao tempo e à frequência com que estão expostos estes trabalhadores de tais contextos, são aspectos que necessitam serem estudados, a fim de demonstrar se realmente existe relação entre trabalho desfavorável e a incidência de acidentes em serviço.

O local do estudo em questão, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), um hospital escola que integra o complexo hospitalar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, foi fundada pelo médico Januário Cicco em 19 de março de 1928 (UFRN,2017). Antes gerida apenas por servidores da UFRN, hoje a MEJC é administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

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Figura 1 - Vista da Maternidade Escola Januário Cicco

Fonte: UFRN. Disponível em https://www.ufrn.br

Desde 2010, por meio do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (REHUF), criado pelo Decreto nº 7.082, foram adotadas medidas que contemplam a reestruturação física e tecnológica das unidades hospitalares, com a modernização do parque tecnológico, a revisão do financiamento da rede, com aumento progressivo do orçamento destinado às instituições; a melhoria dos processos de gestão; a recuperação do quadro de recursos humanos dos hospitais e o aprimoramento das atividades hospitalares vinculadas ao ensino, pesquisa e extensão, bem como à assistência à saúde (EBSERH, 2017).

Com a finalidade de dar prosseguimento ao processo de recuperação dos hospitais universitários federais, foi criada, em 2011, por meio da Lei nº 12.550, a EBSERH, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Educação. Com isso, a empresa passa a ser o órgão do MEC responsável pela gestão do Programa de Reestruturação e que, por meio de contrato firmado com as universidades federais que assim optarem, atuará no sentido de modernizar a gestão dos hospitais universitários federais, preservando e reforçando o papel estratégico desempenhado por essas unidades de centros de formação de profissionais na área da saúde e de prestação de assistência à saúde da população integralmente no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, (EBSERH, 2017).

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1.1 Contextualização e problemática

O trabalho no hospital implica em diversos processos de intensa complexidade. Nesse espaço, ocorre o convívio de distintas categorias profissionais e, apesar de terem o mesmo objeto de trabalho, frequentemente não se estabelecem ações interdisciplinares efetivas, o que, por vezes, gera, nos trabalhadores, sentimentos negativos, competitividade e disputas, levando à sensação de que alguns profissionais têm com maior valia que outros. A crescente introdução de novas tecnologias, o constante avanço e difusão do conhecimento, contribuíram para aumentar as exigências impostas aos profissionais por parte do empregador e do usuário, o que requer mais dedicação e aprimoramento, que nem sempre é possível a todos os trabalhadores (ROCHA, 2018).

A partir do convívio e observação direta como Técnico em Segurança do Trabalho (TST) e membro da equipe que analisa os acidentes em serviço na UFRN, foi possível para o autor perceber que, considerando principalmente as condições, o choque de clima organizacional entre a EBSERH e UFRN, a própria natureza das tarefas dos profissionais de saúde, o dia-a-dia na Maternidade potencialmente poderia comprometer o bem-estar, a saúde dos funcionários e manifestações de acidentes de trabalho.

Assim, com este estudo, buscou-se investigar a relação entre o contexto de trabalho e os acidentes em serviço, procurando responder aos seguintes questionamentos: quais são, em um ambiente hospitalar, os aspectos do contexto de trabalho (elementos organizacionais, as condições de trabalho e as relações socioprofissionais) que se configuram como fatores de risco à saúde dos profissionais? O que do contexto de trabalho pode contribuir para a ocorrência de acidentes?

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Visando responder às questões propostas anteriormente, esta pesquisa teve por objetivo geral analisar a relação entre o contexto de trabalho e os acidentes em serviço a partir de um diagnostico sistemático de como se dão as atividades laborais dos servidores da

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Maternidade Escola Januário Cicco – MEJC, da UFRN, de modo a propor uma ferramenta capaz de auxiliar os gestores no que diz respeito à melhoria do bem-estar no trabalho.

1.2.2 Objetivos Específicos

 Mapear os acidentes em serviço da Maternidade Januário Cicco no período de 2010 a 2018 registrados no banco de dados da COPS/DAS/UFRN, identificando as principais causas desses acidentes;

 Caracterizar o contexto de trabalho a partir da percepção dos funcionários EBSERH e RJU em efetivo exercício na MEJC;

 Elaborar um plano de ação a fim de minimizar os acidentes em serviço da MEJC e proporcionar uma melhoria no contexto de trabalho dos funcionários que ali laboram.

1.3 Justificativa

Considerando que, embora se registre a publicação de alguns estudos relativos à temática em questão, é importante ampliar a discussão sobre riscos ocupacionais e acidentes, tanto para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte quanto para a EBSERH, visto que, além do pioneirismo e inovação (considerando o setor público), expandir o conhecimento reveste-se hoje de um caráter emergencial, devido à quantidade de afastamentos para tratamento de saúde em decorrência dos acidentes em serviço e de doenças do espectro psi (classificados como CID 10 “F” na Classificação Internacional das Doenças, que se refere aos Transtornos mentais e comportamentais, conforme descrito no gráfico 2).

Gráfico 2: total de afastamentos de servidores da MEJC pelo CID 10 – F

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A grande quantidade de afastamentos motivados por problemas psicológicos é um forte indicador de que o contexto de trabalho é potencialmente nocivo. Com o ambiente de trabalho desfavorável, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores podem sofrer graves consequências e a partir daí aumentar a quantidade de acidentes em serviço no ambiente laboral.

Esse estudo ofereceu uma ampliação do conhecimento sobre a temática dos acidentes em serviço no âmbito da Maternidade Escola Januário Cicco, com possíveis implicações sobre o funcionamento dos hospitais universitários, fornecendo subsídios que contribuam para a elaboração e execução de modelos de gestão que minimizem os riscos ocupacionais e promovam uma maior qualidade de vida e saúde para os servidores.

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2 APORTES TEÓRICOS

São apresentadas, a seguir, as bases teóricas que fundamentaram a investigação proposta. Parte-se de uma rápida discussão sobre o trabalho em um contexto de mudança, destacando as novas formas de gestão. Na sequência, discute-se o trabalho em saúde e no contexto hospitalar, notadamente no setor publico, no qual se destacam as novas formas de gestão, que ganham visibilidade com o advento do Programa Nacional de Reestruturação dos hospitais Universitários Federais (REHUF) e a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Dando segmento, discute-se mais amplamente alguns constructos que contribuem para uma analise aprofundada do ambiente hospitalar e, por fim, são tecidas algumas considerações sobre segurança e acidentes no trabalho.

2.1 O trabalho em um contexto de mudança

As novas formas de organização do trabalho trouxeram mudanças e promoveram uma ressignificação na forma do homem se relacionar consigo mesmo, com o outro e com seu ambiente. Na base dessas transformações, o trabalho figura como elemento central, levando-se em conta levando-seu significativo valor na sociedade contemporânea.

2.1.1 Novas formas de gestão

Sabe-se que o cenário atual nas Universidades Públicas Federais é complexo e que as demandas por melhoria na qualidade do ensino, investimento em infraestrutura e na formação da comunidade acadêmica (servidores, docentes e alunos) são bandeiras permanentes de luta da sociedade que não se limitam ao espaço geográfico brasileiro. São anseios compartilhados entre inúmeras nações. Na perspectiva de incorporar a ideologia neoliberal às suas dinâmicas e ao discurso sobre a sua reforma, as propostas acerca das “novas formas” de gestão, tomam força e começam a traçar caminhos “melhores” para as Universidades.

Estas “novas formas” de gestão para uma universidade pública, segundo Souza (2006, p. 221) foram delineadas “na década de 60 e início dos anos 70 no Brasil […] pela crença de que a educação no geral deveria vincular-se aos planejamentos econômicos globais [...]”, para alinhar-se aos moldes de gestão empresarias no contexto da reestruturação produtiva em resposta à crise do sistema capitalista. Vale ressaltar que Reestruturação Produtiva é um processo de reorganização do sistema capitalista mundial, desencadeado a partir dos anos

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1970 como resposta à crise que o abalou. Compreende transformações profundas nos processos de trabalho e de produção, na estrutura das empresas, na redefinição do papel do Estado, na desregulamentação das relações entre capital e trabalho e na inovação tecnológica de base microeletrônica […] o ideário neoliberal que lhes serve de fundo e as políticas favorecem e viabilizam as transformações que vêm assegurar a continuidade da acumulação do capital (BAUMGARTEN; HOLZMANN, 2011, p. 315).

Essa reestruturação, de acordo com Guimarães; Chaves; Paulo (2007, p. 03) “abriu espaço para a deflagração de um novo modelo vigente que privilegiou modificações no processo produtivo, primando por formas de acumulação flexível”, destacando-se o modelo toyotista, (ou modelo japonês) como alternativa aos modelos tayloristas e fordistas.

Essa proposição é transposta para os hospitais universitários e acentua-se na medida que há mais exigência de qualificação, polivalência e dedicação dos funcionários para lidar com os diversos âmbitos da gestão (administrativo e financeiro).

2.1.2 Precarização do trabalho

O sistema capitalista atual tem sido acompanhado por colapsos que refletem diretamente nas condições de trabalho e vida da classe trabalhadora. As relações entre trabalho e capital interferem diretamente nas políticas sociais com suas mudanças ao longo do tempo, cujos efeitos são devastadores para a proteção social, acentuando os seus aspectos de precarização, seletividade e atendimento pontual diante das demandas sociais (LINS, 2015).

Ao sopesar a precarização do trabalho, observa-se que, necessariamente ela remete à análise das alterações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, sobre a hegemonia do capital, consubstanciadas pelas alterações nos direitos trabalhistas, nas proteções sociais, nas perdas salariais, nos benefícios sociais, na segurança e higiene no trabalho, na proteção sindical, enfim, nas transformações societárias que repercutem diretamente na vida dos trabalhadores. O trabalho precário pressupõe:

A totalidade das condições inadequadas de trabalho, acompanhadas da ausência ou redução do gozo dos direitos trabalhistas por parte do trabalhador (BARALDI, 2005, p. 14).

A precarização do trabalho está diretamente relacionada ao aumento do assalariamento sem carteira assinada, do trabalho autônomo e do informal, da redução e/ ou ausência de direitos trabalhistas, bem como de suas respectivas implicações na jornada de trabalho e no tempo de permanência no trabalho, nos rendimentos do trabalhador, na

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possibilidade de acesso aos mecanismos de proteção social e nas condições de trabalho às quais são submetidos cotidianamente os trabalhadores (PARENZA, 2008, p. 35)

Considera-se, então, que a proposta defendida pelos neoliberais gira em torno da implantação de uma política fundamentada na reestruturação da atuação estatal pública universal, privatizando as empresas públicas, concedendo uma liberdade de ação para as forças do mercado e propiciando um livre fluxo de mercadorias e capitais entre países. No campo das políticas sociais, a retração do Estado se expressou nos cortes de verbas, na deterioração das ações e prestação de serviços públicos, e na transferência de significativas parcelas de atendimento à questão social para instituições filantrópicas, não governamentais, que constituíram o chamado terceiro setor (LINS, 2015).

Trazendo essa realidade para o âmbito dos Hospitais Universitários, verificou-se também que após a adoção da EBSERH como gestora dos HU’s, utilizada como recurso para garantir a força de trabalho, não foi suficiente para manter integralmente o funcionamento dos Hospitais, que se arrasta, cronicamente, convivendo com a rotatividade dos trabalhadores, descontinuidade dos projetos e programas, redução de leitos e desestruturação de serviços. Além disso, esse processo tornou-se uma pedra no sapato dos gestores dos Hospitais Universitários, pois se tornam reféns dessa alternativa, dificultando a gestão seja ela administrativa ou financeira (ALVES et al., 2015).

2.2 O contexto de trabalho em saúde 2.2.1 Evolução histórica dos hospitais

A palavra hospital provém de hospitalis, termo de origem latina oriundo de hospes, que quer dizer hóspedes, visto que estes lugares funcionavam como casas assistenciais para peregrinos, pobres e enfermos. Atualmente, a palavra hospital possui conotação semelhante aos termos gregos nosocomium e nosodochium, cuja definição é tratar e receber doentes, respectivamente (CAMPOS, 1944).

De acordo com Salles (2004), apesar das divergências acerca da gênese dos primeiros hospitais, foi a partir da era cristã que os serviços de assistência foram impulsionados, estruturados e ampliados. Diversos autores sugerem que foi no Império Romano (ou Império Bizantino) que se desenvolveram os primeiros hospitais. Tal fato, foi consequência da

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extinção das asclepieias ,ou organizações que ajudavam doentes (BRAGA NETO; BARBOSA; SANTOS, 2008).

Desses primeiros hospitais até os dias de hoje, a instituição hospital sofreu inúmeras mudanças, em resposta não apenas às demandas sociais e políticas, mas também em função das mudanças no e sobre o conhecimento médico (BRAGA NETO; BARBOSA; SANTOS, 2008).

O Quadro 2 sintetiza algumas mudanças que marcam a história da instituição hospitalar.

Quadro 1 – Mudanças históricas das instituições de saúde

Fonte: BRAGA NETO; BARBOSA; SANTOS (2008).

Para Braga Neto, Barbosa, Santos (2008, p. 683), vivencia-se a formação de um novo modelo de hospital, que agora se integra a uma rede diversificada de serviços de saúde, com ação mais restrita, ou seja, voltada para o atendimento dos casos mais graves e intensivos de saúde. Em contrapartida, aumentam suas responsabilidades com o sistema de saúde, fazendo parte de suas atribuições também o desenvolvimento da educação permanente, a formação de profissionais especializados, treinamento em gestão em saúde e ainda servir como espaço para desenvolvimento de pesquisa e avaliação de novas tecnologias em saúde.

Logo, os hospitais tornaram-se organizações altamente complexas, o que implica na utilização de instrumentos econômicos, gerenciais e financeiros para sua administração, possibilitando, assim, melhor controle dos gastos e do custo da atenção médico-hospitalar, com ganhos de eficiência e efetividade, melhoria constante na qualidade dos serviços oferecidos e na satisfação dos clientes. (ALVES, 1997).

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2.2.2 Os Hospitais Universitários Federais

Também chamados de hospitais-escola ou de ensino, os Hospitais Universitários Federais são centros de atendimento hospitalar mantidos pelas universidades em parceria com o Ministério da Educação e Saúde, cujo propósito principal é participar das atividades de formação de alunos das mais diversas áreas da saúde, tais como medicina, enfermagem, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, odontologia, além de colaborar no desenvolvimento de pesquisas e de investigação (BRASIL, 2014b).

Os Hospitais Universitários Federais (HU) são centros de formação de recursos humanos e de desenvolvimento de tecnologia para a área de saúde, que prestam efetivos serviços à sociedade, com aprimoramento constante do atendimento e a elaboração de protocolos técnicos para as diversas patologias (BRASIL, 2014b).

Como uma instituição pública e gratuita, os HU’s mantêm os atendimentos a população somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-se centro de referência em muitas especialidades e de alta complexidade (PLANO 2012/2006). Estas instituições foram uma rede de socorro regional por todo o país e constituem parte importante e fundamental da saúde pública brasileira, sendo, desta forma, o setor das Universidades Federais que possui um contato mais profundo com a sociedade em geral.

Os HU’s são vistos como instituições modernas,que se expandiram por várias partes do mundo e assim, uma administração mais profissional e efetiva se faz necessária para a gestão dos mesmos. Zikmund e Barquin (1992) afirmam que os médicos e as enfermeiras são preparados para a realização de tarefas técnicas, prestando serviço direto ao paciente. Ocorre que, quando esses profissionais ocupam cargos hierárquicos mais elevados, que exigem conhecimento na área administrativa, na maioria das vezes, a sua atuação fica aquém da sua qualidade técnica. Segundo Malik e Teles (2001), no Brasil, a maioria dos dirigentes dos hospitais são médicos e enfermeiras que aprenderam a coordenar o hospital no dia-a-dia. Os autores afirmam que existe uma carência de cursos de administração para a área de saúde. Faz-se necessário, portanto, cursos profissionalizantes que sejam capazes de auxiliar o administrador a contrabalançar o dilema técnico-financeiro que tanto aflige os gestores das empresas de prestação de serviços em saúde.

É extremamente importante que instituições como os HU’s possuam uma detalhada e bem definida estrutura organizacional. Buscando-se uma compreensão sobre a ideia de estrutura organizacional, Hatch (2006) a define, de forma sistêmica, como o relacionamento entre as partes de um todo organizado. De modo mais específico, Stoner e Freeman (1999, p.

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230) definem estrutura como a "forma pela qual as atividades de uma organização são divididas, organizadas e coordenadas". Na mesma direção, Mintzberg (2003, p.10), afirma que a estrutura organizacional pode ser entendida como “a soma total das maneiras pelas quais o trabalho é dividido em tarefas distintas e como é feita a coordenação entre essas tarefas". Por sua vez, Bowditch e Buono (2011, p.167) admitem que a estrutura organizacional possa ser definida como “padrões de trabalho e disposições hierárquicas que servem para controlar ou distinguir as partes que compõem uma organização".

Em relação à teoria estruturalista, Hatch (2006) afirma que quanto mais se repelir as interações entre os indivíduos da estrutura formal, maior é a possibilidade de se desenvolver laços de amizade. Além disso,a autora alerta que, havendo necessidade de reestruturação da organização, esta dependerá que os indivíduos mudem seus padrões de interação. Nesse sentido, as pessoas devem ser vistas não só como ocupantes de cargos e executantes de tarefas, mas deve-se admitir que os indivíduos sofrem e geram impactos na estrutura de uma organização. Com o mesmo olhar, Daft (2008) define estrutura organizacional como o conjunto de tarefas formais designadas a indivíduos e departamentos ou de outro modo, o desenho dos sistemas para garantir a efetiva coordenação entre pessoas e departamentos. Por sua vez, Wagner III e Hollenbeck (2009, p.327), afirmam que a estrutura é “uma rede relativamente estável de interdependências entre as pessoas e as tarefas que compõem a organização".

Daft (2008) defende que a estrutura organizacional é baseada em três elementos fundamentais, a saber: designar relações formais de subordinação; identificar o agrupamento de indivíduos em departamentos; assegurar comunicação, coordenação e integração entre os departamentos. A estrutura organizacional de uma instituição pode ser:

a) Funcional: É representada por meio de uma hierarquia vertical, onde, os funcionários com a mesma função estão localizados no mesmo setor e compartilham os mesmos recursos. Esta estrutura centraliza a tomada de decisão;

b) Divisional: É dividida em serviços, divisões, grupos de negócios. Este tipo descentraliza a tomada de decisão, mas uma desvantagem é a perda da economia de escala, tendo em vista que os profissionais com as mesmas funções estão alocados em serviços ou departamentos distintos;

c) Geográfica: É utilizada por multinacionais, que possuem unidades em diversas regiões do país e do mundo, a estrutura é similar à estrutura divisional em que cada unidade geográfica possui todas as funções necessárias para produzir ou comercializar serviços;

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d) Matricial: É representada por uma estrutura simultaneamente divisional e funcional. Desta forma, os recursos humanos e materiais são alocados no mesmo setor, de acordo com as linhas de produto (DAFT, 2008).

Para Gonçalves (1998), a estrutura funcional, em que cada unidade, serviço ou departamento está voltado unicamente para suas próprias atividades, é ultrapassada, e não funciona num cenário com mudanças contínuas. Andrade e Amboni (2010) corroboram dizendo que a estrutura organizacional está relacionada ao ato de organizar a divisão do trabalho, responsabilidades e hierarquia e o desenho da estrutura é representado pelo organograma.

Neste contexto, os hospitais de ensino apresentam uma tripla missão: ensino, pesquisa e assistência, com características organizacionais, que, na análise de Malik (2003), as contradições entre a lógica de ensino, pesquisa e assistência, geram conflitos na captação e alocação de recursos, estes cada vez mais escassos. Na percepção do autor, estes conflitos, são gerados, pela autoridade administrativa versus acadêmica (MALIK, 2003).

Tentando propor soluções para os diversos problemas enfrentados pelos HU’s, o estado procura alternativas através da implementação de politicas, programas, projetos e ações diversas. A seguir, discute-se as especificidades do programa mais recente e de maior impacto no âmbito hospitalar: o Programa de Reestruturação dos Hospitais de Ensino do Ministério da Educação.

2.2.3 O Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais – REHUF

Com intuito de solucionar as questões financeiras e a queda no desempenho dos HU’s foi criado o Programa de Reestruturação dos Hospitais de Ensino do Ministério da Educação no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, através das portarias interministeriais (MEC e MS) nº 1006/2004 e 1702/2004. Estas legislações estabelecem o termo de referência para contratualização dos hospitais de ensino com o gestor municipal do SUS e objetiva instrumentalizar a implementação do processo de reestruturação da política nacional da atenção hospitalar, novo modelo de financiamento e o acompanhamento, avaliação da atuação do ensino, pesquisa, assistência e gestão (BRASIL, 2004d, 2004e).

A referida portaria interministerial estabelece o novo modelo de financiamento e alocação de recursos por meio de orçamentação mista do custeio do hospital (BRASIL, 2004c). A partir desta portaria, o representante do hospital de ensino e o gestor do SUS estabelecem, pelo Plano Operativo Anual (POA), as metas quantitativas e qualitativas do

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processo de atenção à saúde, gestão, ensino e pesquisa. Tais metas devem ser acompanhadas pelo conselho gestor da instituição e pela comissão de acompanhamento de contrato do governo federal.

Todavia, a gestão das ações e programas desenvolvidos por esses hospitais vem sendo executada com um grau de precariedade muito grande, tendo os HU’s enfrentado muitos desafios ao longo do tempo, tais como: falta de recursos humanos, problemas nos modelos de gestão, financiamento da produção dos serviços e investimentos em equipamentos e estrutura física (ABRAHUE, 2003).

O Ministério da Saúde é responsável pelo financiamento da prestação de serviço de média e alta complexidades e procedimentos estratégicos baseados na tabela SUS. Atualmente,; o MEC é responsável pelo financiamento da folha de pagamento dos servidores disponibilizado pelas IFES para desempenho de suas atividades nos HU’s. Contudo, o total disponibilizado não é suficiente para a manutenção das atividades dessas instituições, sendo necessária a contratação de pessoal através de outros vínculos de trabalho (fundações de apoio, cooperativas, terceirizadas) sendo utilizado para pagamento de pessoal recurso provenientes da assistência.

Criado através do Decreto nº 7.082, de 27 de janeiro de 2010, o REHUF tem como objetivo criar condições materiais e institucionais para que os Hospitais Universitários Federais possam desempenhar plenamente suas funções em relação às dimensões de ensino, pesquisa e extensão e à dimensão da assistência à saúde (BRASIL, 2010a).

O REHUF orienta-se pelas seguintes diretrizes na administração dos Hospitais Universitários Federais:

a) Instituição de mecanismos adequados de financiamento, compartilhados entre as áreas da educação e da saúde:

b) Melhoria dos processos de gestão; c) Adequação da estrutura física;

d) Recuperação e modernização do parque tecnológico;

e) Reestruturação do quadro de recursos humanos dos hospitais universitários federais; e

f) Aprimoramento das atividades hospitalares vinculadas ao ensino, pesquisa e extensão, bem como à assistência à saúde, com base em avaliação permanente e incorporação de novas tecnologias em saúde (BRASIL, 2010a).

Uma das normativas do decreto regulamentar do REHUF, é que as Universidades Federais devem apresentar aos Ministérios da Educação e da Saúde seus planos de

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reestruturação dos HU's. Cinco elementos fundamentais devem ser contemplados nesses planos de reestruturação:

 Um diagnóstico situacional da infraestrutura física, tecnológica e de recursos humanos;  A especificação das necessidades de reestruturação da infraestrutura física e

tecnológica;

 A análise do impacto financeiro previsto para o desenvolvimento das ações de reestruturação do hospital;

 A elaboração de diagnóstico da situação de recursos humanos; e

 Uma proposta de cronograma para a implantação do respectivo plano de reestruturação, vinculando-o ao desenvolvimento de atividades e metas (BRASIL, 2010a).

Dentre as ações elencadas pelo decreto para viabilizar tais diretrizes, estão à reforma de prédios e construção de unidades hospitalares novas e implantação de processo de melhoria de gestão de recursos humanos. Ainda de acordo com o discurso da norma legal, cabe aos ministérios da saúde, da educação e do planejamento orçamento e gestão elaborarem conjuntamente, grupo de parâmetros que contribua para a definição dos quadros de lotação de pessoal, à luz da capacidade instalada e das plataformas tecnológicas disponíveis (BRASIL, 2010a).

Essa política do Governo Federal sugere claramente um suposto alinhamento entre as estruturas físicas e tecnológicas dos Hospitais Universitários e a questão da contratação de pessoal para suprir adequadamente essa expansão. Sobre essa polêmica, Sodré et al. (2013, p.366) defendem que:

Atualmente, os HUF’s apresentam quadros de servidores insuficientes, instalações físicas deficientes e subutilização da capacidade instalada para alta complexidade, reduzindo assim a oferta de serviços à comunidade. Essa conjuntura tem implicado fechamento de leitos e serviços, bem como em contratações de mão de obra terceirizada (situação considerada ilegal pelo tribunal de contas da união). Dados do MEC mostram que em 2008, 1.124 leitos foram desativados nessas instituições sob a justificativa de escassez de pessoal.

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Diante de todo o contexto anteriormente citado, cabe direcionar a discussão para o âmbito local, a realidade da UFRN, mais precisamente, na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) da UFRN. A MEJC foi fundada pelo médico Januário Cicco em 19 de março de 1928, antes era gerida apenas por servidores da UFRN, hoje ela se encontra administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (UFRN,2017).

Essa vinculação se deu a partir de 2012, quando a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) por meio da Resolução N° 010/2012-CONSUNI, de 20 de dezembro de 2012, decide aprovar a adesão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN à gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH. A criação da EBSERH integra um conjunto de ações empreendidas pelo Governo Federal no sentido de recuperar os hospitais vinculados às universidades federais.

Sobre o início da Gestão, pode-se destacar que essa adesão foi oficialmente criada a partir do Contrato nº 056/2013 e seus respectivos anexos. O referido documento é celebrado entre a UFRN e a EBSERH, sendo possível destacar a Cláusula Primeira do contrato que diz:

Entretanto, com a entrada da EBSERH, a MEJC ampliou o seu quadro de funcionários, o qual, atualmente configura-se como sendo do tipo misto, com funcionários da EBSERH (Celetistas), Terceirizados (Celetistas) e àqueles vinculados à instituição (Regime Jurídico Único), evidenciado nos Quadro 2 e 3. Vale ressaltar, que os funcionários terceirizados exercem diversas funções na maternidade como de limpeza, manutenção, serviços administrativos, dentre outros.

Cláusula Primeira – Do objeto - O presente

contrato tem por objeto a administração, pela CONTRATADA, da Maternidade Escola Januário Cicco da CONTRATANTE, compreendendo a oferta à população de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como o apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão ao ensino-aprendizagem, e à formação de pessoas no campo da saúde pública, na forma e condições definidas neste contrato e na Lei n° 12.550/2011,

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Quadro 2 – Quantitativo de servidores RJU UFRN/MEJC

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Na reestruturação, a Maternidade otimizou seu organograma, como parte do contrato Nº 056/2013 firmado entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, conforme a figura 2 abaixo:

Figura 2 – Organograma MEJC/UFRN/EBSERH.

Fonte: Adaptado da EBSERH (2018)

Diante deste contexto, o Governo Federal apresenta a EBSERH como a única opção para a manutenção das atividades dos HU's Federais, e pressiona os reitores das IFE’s a assinarem o contrato de adesão à mesma.

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2.2.4 A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) como gestora dos hospitais universitários brasileiros

No apagar das luzes do governo federal de 2011, discutiu-se a educação pública e a saúde e como seriam geridos os Hospitais Universitários Federais. Com isso, a então Deputada Érika Kokai (PT-DF), encaminha uma Medida Provisória ao congresso nacional, sugerindo a criação da EBSERH, que será mais detalhadamente apresentada a seguir (ALVAREZ,2011).

2.2.4.1 A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH)

A primeira tentativa de criação da EBSERH surgiu como Medida Provisória (MP) nº 520/2010. Segundo esta MP, a EBSERH foi designada como uma sociedade anônima com capital social composto por ações ordinárias nominativas, totalmente sob a propriedade da união, e atividades de prestação de serviços de assistência médico-hospitalar e laboratorial no âmbito do SUS (BRASIL, 2010).

A Medida Provisória 520, dirigida ao Congresso Nacional em 31 de dezembro de 2010 não foi aprovada na Câmara dos Deputados, pois teve seu prazo de vigência encerrado no dia 1º de junho de 2011.

Então, o Governo Federal instituiu o Projeto de Lei no. 1.749/2011, e posteriormente criou a EBSERH, por meio da Lei nº 12.550. Esta lei definia a EBSERH como uma empresa pública vinculada ao Ministério da Educação caracterizada, no artigo 1º, como “personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, com prazo de duração indeterminado” (BRASIL, 2011).

Sob o discurso da ineficiência da gestão pública e o alto custo dos Hospitais Federais, decorrentes da burocracia da legislação brasileira, a EBSERH é apontada pelo governo como "única" solução para salvar os HU’s federais, e tem ganhado espaço e adesão junto às Universidades Federais. A criação da empresa brasileira de serviços hospitalares (EBSERH) constitui um conjunto de ações empreendidas pelo Governo Federal no sentido de recuperar os hospitais vinculados às Universidades Federais.

A EBSERH tem como missão, assegurar as condições necessárias para que os Hospitais Universitários Federais ofereçam assistência de excelência no atendimento às necessidades de saúde da população, de acordo com as orientações do SUS e prestem as condições adequadas para a geração de conhecimento e desenvolvimento dos profissionais

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dos diversos cursos das universidades as quais pertencem. Como visão, a empresa almeja ser referência na gestão de Hospitais Universitários Federais (BRASIL, 2011).

Na sequência, apresenta-se as competências da EBSERH. 2.2.4.2 Competências da EBSERH

A EBSERH é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Educação caracterizada, no Artigo 1º da Lei 12.550, como “personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, com prazo de duração indeterminado” (BRASIL, 2011).

O artigo 2.º da referida lei, estabelece que a EBSERH tem o seu capital social integralmente sob a propriedade da união, com recursos oriundos de dotações consignadas no orçamento federal, bem como pela incorporação de qualquer espécie de bens e direitos suscetíveis de avaliação em dinheiro (BRASIL, 2011).

A EBSERH tem por finalidade, de acordo com o Artigo 3.º da Lei nº 12.550, a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade, assim como a prestação às Instituições Públicas Federais de Ensino ou instituições congêneres de serviços de apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública, observada a autonomia universitária, e integralmente e exclusivamente no âmbito do SUS (BRASIL, 2011).

As atividades de assistência à saúde serão orientadas por meio da política nacional de saúde, de responsabilidade do Ministério da Saúde, e a EBSERH assegura o ressarcimento das despesas com o atendimento de consumidores e respectivos dependentes de planos privados de assistência à saúde, observados os valores de referência estabelecidos pela agência nacional de saúde suplementar (BRASIL, 2011).

As competências da EBSERH estão descritas no Artigo 4º da Lei, que são:

I - administrar unidades hospitalares, bem como prestar serviços de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade, no âmbito do SUS; II - prestar às Instituições Federais de Ensino Superior e a outras instituições congêneres serviços de apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública, mediante as condições que forem fixadas em seu estatuto social;

III - apoiar a execução de planos de ensino e pesquisa de Instituições Federais de Ensino Superior e de outras instituições congêneres, cuja vinculação com o campo da saúde pública

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ou com outros aspectos da sua atividade torne necessária essa cooperação, em especial na implementação das residências médica, multiprofissional e em área profissional da saúde, nas especialidades e regiões estratégicas para o SUS;

IV - prestar serviços de apoio à geração do conhecimento em pesquisas básicas, clínicas e aplicadas nos Hospitais Universitários Federais e a outras instituições congêneres;

V - prestar serviços de apoio ao processo de gestão dos Hospitais Universitários e Federais e a outras instituições congêneres, com implementação de sistema de gestão único com geração de indicadores quantitativos e qualitativos para o estabelecimento de metas;

VI - exercer outras atividades inerentes às suas finalidades, nos termos do seu estatuto social (BRASIL, 2011).

No que concerne o artigo 6º desta mesma lei, respeitado o princípio da autonomia universitária, a EBSERH poderá prestar os serviços relacionados às suas competências mediante contrato com as IFES ou instituições congêneres, devendo constar no contrato as obrigações dos signatários; as metas de desempenho, indicadores e prazos de execução a serem observados pelas partes; a respectiva sistemática de acompanhamento e avaliação, contendo critérios e parâmetros a serem aplicados; a previsão de que a avaliação de resultados obtidos, no cumprimento de metas de desempenho e observância de prazos pelas unidades da EBSERH, será usada para o aprimoramento de pessoal e melhorias estratégicas na atuação perante a população e as IFES ou instituições congêneres, visando ao melhor aproveitamento dos recursos destinados à EBSERH (BRASIL, 2011).

O Artigo 7.o da Lei estabelece que os servidores titulares de cargo efetivo em exercício nas IFES ou instituição congênere que exerçam atividades relacionadas ao objeto da EBSERH poderão ser a ela cedidos para a realização de atividades de assistência à saúde e administrativas, assegurando que os direitos e vantagens dos servidores serão correspondentes a entidade de origem (BRASIL, 2011).

Com relação aos recursos da EBSERH, o Artigo 8.o da Lei nº 12.550, constitui que serão oriundos de dotações orçamentárias da união; está previsto receitas decorrentes da prestação de serviços compreendidos em seu objeto; da alienação de bens e direitos; das aplicações financeiras; dos direitos patrimoniais, tais como aluguéis, foros, dividendos e bonificações; de acordos e convênios com entidades nacionais e internacionais; doações, legados, subvenções e outros recursos que lhe forem destinados por pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado; e rendas oriundas de outras fontes. O lucro será reinvestido para atendimento do objeto social da empresa, com exceção das parcelas decorrentes da reserva legal e da reserva para contingência (BRASIL, 2011).

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Em relação ao regime de pessoal, o artigo 10º da Lei nº 12.550, descreve que será o da consolidação das leis do trabalho (CLT), devendo a contratação ser condicionada à prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, observadas as normas específicas editadas pelo conselho de administração (BRASIL, 2011).

De acordo com o artigo 11º da Lei nº 12.550, na implantação da EBSERH na gestão dos hospitais universitários, está autorizada a contratar, mediante processo seletivo simplificado pessoal técnico e administrativo por tempo determinado (BRASIL, 2011).

O artigo 13º da Lei determina que as IFES e instituições congêneres devem ceder à EBSERH, no âmbito e durante a vigência do contrato, bens e direitos que serão devolvidos à instituição, após término do contrato.

No Art. 16º. Da Lei, a partir da assinatura do contrato entre a EBSERH e a instituição de ensino superior, a EBSERH disporá de prazo de até 1 (um) ano para reativação de leitos e serviço inativos por falta de pessoal.

A EBSERH está sujeita à fiscalização dos órgãos de controle interno do poder executivo e ao controle externo exercido pelo Congresso Nacional, com auxílio do TCU, conforme o artigo 14, da Lei nº 12.550 (BRASIL, 2011).

O procedimento de contratualização com a EBSERH dá-se a partir da manifestação das universidades pela contratação, sendo em seguida iniciado o processo de caracterização das unidades hospitalares com o dimensionamento dos serviços e das demandas de contratação de pessoal para posterior realização dos concursos públicos admissionais. Uma vez assinado o termo de adesão e contrato entre a instituição e a EBSERH, o trabalho de dimensionamento do quadro de pessoal necessário é finalizado, juntamente com o respectivo plano de reestruturação da unidade (BRASIL, 2014a). Cabe ainda registrar que a Lei de criação da EBSERH estabeleceu que a empresa disporá de prazo de até um ano para reativação de leitos e serviços inativos devido à falta de pessoal, contado da assinatura do contrato com a IFES.

A EBSERH possui órgãos de administração e de fiscalização conforme mostra a figura 3 a seguir:

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Figura 3 – Órgãos de Administração e Fiscalização em detalhes.

Fonte: EBSERH,2018.

O Colegiado Executivo, formado pelo superintendente e pelos gerentes da unidade hospitalar, é responsável pela direção e administração de todas as atividades da unidade, em consonância com as diretrizes, coordenação e monitoramento da empresa e, no que for pertinente ao ensino e à pesquisa, de acordo com as necessidades e orientações da universidade a qual a unidade hospitalar é vinculada (BRASIL, 2014a).

Precisamente, quanto à relação da EBSERH com os HU’s e as IFES com ela contratualizadas, o regimento interno da empresa, em seu Capítulo IV, traz também informações relevantes acerca da estrutura de governança das unidades hospitalares administradas pela empresa – seus “clientes”, como foi constatado no site institucional da empresa (BRASIL, 2014a).

De acordo com o regimento, as filiais da EBSERH são administradas por um colegiado executivo composto pelo superintendente do hospital, um gerente de atenção à saúde, um gerente administrativo e um gerente de ensino e pesquisa, quando se tratar distintamente de hospitais universitários ou de ensino (BRASIL, 2014a). Esses cargos são de livre nomeação. No caso dos hospitais universitários, o superintendente é selecionado e indicado pelo Reitor e aprovado pela empresa, preferencialmente do quadro permanente da instituição contratante. Já, no caso das gerências, estas são ocupadas por indivíduos selecionados por uma comissão composta por membros da diretoria executiva da EBSERH e pelo superintendente da unidade hospitalar (BRASIL, 2014a).

Neste contexto de desafios, os hospitais universitários federais – HUF são vinculados ao Sistema Único de Saúde, com foco no ensino, pesquisa e na assistência ao paciente. Estão integrados às Universidades Federais e oferecem serviços complexos, com tecnologia de ponta e gratuitos na área da saúde. Constituem campo de aprendizado e formação de diversos profissionais na área da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, dentista, psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros). Eles são centros de referência em diversas especialidades e tem como objetivo o atendimento terciário, ou seja, de alta complexidade, e por esse motivo, atraem pessoas de diversas regiões do Brasil que não tem esse acesso em suas cidades e estados (PLANO, 2006).

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Em relação ao novo modelo de gestão para os HU’s federais através da EBSERH, no que diz respeito à renovação dos modelos administrativos da gestão universitária, considerando a autonomia como princípio acadêmico-administrativo para melhorar a racionalidade administrativa, a eficiência na alocação dos recursos, na qualificação de pessoal, Catani, Dourado e Oliveira (2001) sugerem que os interesses em estudos que tratem da organização e gestão acadêmica pautem-se na necessidade de modernização-modelação institucional requerida pelos gestores, no sentido de formular sistemas de informação associados a políticas que tornem mais ágeis e eficientes o trabalho. Além disso, os referidos autores indicam a importância de ações no âmbito de cada instituição, para tornar a gestão mais profissional e a estrutura acadêmica cada vez mais funcional, vinculado à formulação de um modo de produzir que fosse mais eficiente socialmente, mas que não exima essas instituições de uma reorganização interna do trabalho.

Heidemann (2014) escreve que, para se compreender e lidar com as novas realidades dos tempos atuais, ou seja, a EBSERH como novo modelo de gestão para os Hospitais Federais, cria-se instrumentos para enfrentar com êxito assombrosos desafios que se anteveem, como o processo de governança pública, que se refere ao modo pelo qual são tomadas as decisões na sociedade e ao modo como os cidadãos e grupos interagem na formulação de propósitos públicos e na implementação de políticas públicas.

2.3 Alguns elementos para a análise do contexto de trabalho no ambiente hospitalar 2.3.1 Condições de Trabalho

As condições de trabalho assumem um papel crucial na qualidade de vida e na saúde dos funcionários em seus respectivos ambientes de trabalho. Neste capítulo, será apresentado conceitos, fatores e riscos relacionados ao trabalho, dados referentes aos acidentes de trabalho na área da saúde, além de uma literatura rebuscada no que diz respeito às condições de trabalho, riscos ocupacionais e acidentes de trabalho.

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